Sinopse do Capítulo: O Agente Summers sempre foi um agente extremamente cauteloso com suas investigações e sempre as levou com toda a seriedade, mas um dia ficou intrigado com uma notícia em jornal sensasionalista sem nenhuma relevância, contudo, alguma coisa muito forte lhe levara a crer que ele deveria investigar... seria intuição?
     A manchete falara apenas de uma Cigana Vidente que previra resultados catastróficos para grandes seleções na copa do mundo de futebol. No entanto, as pessoas afirmam que ela tem um poderoso dom de prever o futuro e que iria muito além da copa. Poderá ela prever o futuro do Agente Summers? Por mais que ele sempre estivesse seguro de suas atitudes em seu trabalho,tinha muitas incertezas em sua vida pessoa. Desde uma traição de seu pai para os terroristas, a ex-namorada agente da CIA, como um possível affair com sua atual parceira e sua triste e solitária vida além dos muros do FBI.
     A cigana vidente seria um bom motivo para se iludir com as crendices populares e talvez acreditar que existe uma luz no fim do túnel.



Título: Divisão Criminal Mutante.
Capítulo I: ROMANI
Classificação indicativa. T (13+)
Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic em andamento, Multi-capítulos
Tipo: Romance, Policial, Suspense.
Base: X-men animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)







Descrição dos personagens:

   

 Jean Grey é uma das mais fortes telepáticas do planeta. Muito inteligente e perspicaz ainda muito jovem foi admitida na Universidade de Collumbia com apenas 14 anos, onde cursou Medicina. Muito cautelosa sagaz e racional, mostrou aptidão em medicina legal e anatomia mutante.
     Seu desempenho revolucionário para a ciência forense, seu currículo impecável e seus dons mutantes extraordinários, chamaram atenção do governo e ela foi admitida Instituto Charles Xavier sem precisar fazer provas, aos 19 anos.
        Após grandes conflitos mundiais envolvendo mutantes, o governo dos Estados Unidos viu-se obrigado a criar um departamento específico para a questão mutante. O Instituto Charles Xavier é a academia mutante para formação de Agentes especial mais renomada do planeta. Os mutantes escolhidos para ingressar no instituto acabam sendo convocados para trabalhar para o governo em diferentes áreas.
     Contra a vontade de seus pais, e aos 22 anos,Jean foi para o FBI, onde lecionou Ciências forense por dois anos no Instituto Charles Xavier. Depois disso foi designada para ser parceira de Scott Summers, o Agente responsável pela Divisão de Mutantes do FBI. Uma sessão do FBI responsável pela investigação de casos complexos que envolvem Mutantes, desde conflitos vicinais e familiares até conflitos em nível global.

     Atualmente a Agente Grey é uma legista de campo, está concluindo seu PhD em Ciências forense e está se envolvendo emocionalmente com o seu parceiro de trabalho mais do que acreditava ser possível.



Scott Summers se formou aos 18 anos na Academia da Aeronáutica onde teve sua formação como franco-atirador, pára-quedista e piloto. Ingressou na academia de treinamento do FBI, pois, queria ter uma carreira executiva dentro da agência, porém, devido suas habilidades mutantes, sentiu necessidade de uma atuação em campo e decidiu fazer a prova no Instituto Charles Xavier para Mutantes aos 22 anos.
     Aos 25 anos foi designado para a Unidade de Crimes Violentos Contra (UCV), destacando-se em seu primeiro caso – onde conseguiu prender um poderoso mutante sádico (Dentes-de-sabre) que torturava não-mutantes. A repercussão do caso foi tanta nas mídias internacionais, que o recém chegado Agente Summers logo foi designado a trabalhar traçando os perfis de criminosos mutantes. E aos 27 anos ele estava à frente da Divisão de Mutantes do FBI, uma sessão do FBI que é responsável pela investigação de casos que envolvem mutantes.
     A divisão conta com alguns X-men, título dado a quem se forma pelo Instituto Charles Xavier, visto que o Agente Summers julga indispensável Agentes mutantes, e seus dons, para investigação de casos com mutantes. Um dos motivos pelo qual ele convidou a Agente Grey para trabalhar em sua equipe como Legista. Mesmo ele sentindo atração por sua parceira de campo, acredita que a presença dela é indispensável para a equipe.


Romani
Apartamento de Scott - 3:33 A.M.
Em um futuro não tão distante...

Som de Lulaby, de Brahm (música de ninar crianças).



Scott, sentado numa cadeira, no quarto, olha em direção à cama. Pensativo, admirando alguma coisa. Começa a escrever em um diário.

SCOTT: - Há muitos momentos na vida de cada ser humano. Momentos que nunca poderemos achar uma explicação concreta e convincente. Às vezes me parece que não temos a chamada liberdade de escolha, porque a vida
sempre nos direciona no caminho que ela quer. Parece que o destino é uma coisa real. E é completamente absurdo lutar contra ele. Não podemos. Agora creio que o destino está escrito.

        Scott respira fundo, enquanto olha pra cama.

SCOTT: - Mas isto não torna o destino uma coisa completamente má ou ruim. Sinto a cada dia que toda a minha busca pela verdade atrás de tantas investigações que envolvem mutantes, que todo o tempo que perdi, nada foi em vão. E me pego agradecendo à Deus, mesmo sem muitas vezes acreditar Nele, pela dádiva que tive, pelo destino que me foi traçado. Nada, nada é em vão na vida. Sempre, num futuro próximo, nos pegaremos reconhecendo que as coisas ruins vieram por um motivo: preparar o caminho para as boas coisas acontecerem.

        Scott sorri.

SCOTT: - E agora eu sei quais são as duas coisas boas na minha vida. E não me canso de fitá-las, de admirá-las. Descobri um lado em mim que nunca havia imaginado. Um lado humano, um lado forte. A responsabilidade e meu amor-próprio chegaram em minhas mãos por dois caminhos. E eu as amo por isso, por me tornarem mais humano. Por me
devolverem a vida que perdi. Nada foi em vão.
        Scott olha por sobre o ombro para a cama, onde Jean dorme ao lado de um bebê com um ano de idade.


Parque de Diversões Amazing Land - Alexandria - Lousiana
Dias atuais
10:17 P.M.

        O Agente Summers estaciona o carro. A Agente Grey olha pra ele com semblante interrogativo.

JEAN: - Antes de descermos, quer me explicar o porquê de estarmos aqui? Não acredito que viemos investigar essa mulher! Scott, isso não é um caso para o FBI! Charlatanismo pode ser resolvido pela polícia local! Se é que usar uma bola de cristal é um crime e se for, garanto que não é federal. Não acredito que me convenceu a isso Agente SUMMERS!

SCOTT: - Jean eu quero ver com meus próprios olhos.

JEAN: - Summers você vai dar ouvidos a essas publicações sensacionalistas do The SUN? Por acaso vai pedir para ver seu futuro numa bola de cristal e vai esperar anos para descobrir que tudo era mentira? Não precisa ser um mutante para praticar ilusionismo.

        Eles descem do carro e caminham um ao lado do outro, por entre crianças, pessoas, palhaços, pipoqueiros. Summers olha para Grey com um semblante de riso, pois era uma das poucas vezes onde estavam em um ambiente tranquilo e rodeados de pessoas felizes. Definitivamente era um lugar bom para se ter um encontro, isto é, se você não estivesse em meio a uma investigação federal.

SCOTT: - Seria incrível existir um mutante que possa prever o futuro. Quer um algodão doce?

JEAN: - Não, obrigada. Scott, prever o futuro não é mágica. Se você pensar bem, pode prever seu destino. Você colhe o que semeia. Todos têm autonomia de suas próprias escolhas.

SCOTT: - Nunca teve curiosidade pra saber o que vai acontecer daqui alguns anos?

JEAN: - Não Scott, não me preocupo com isso. Deixo   nas mãos de Deus. Ele é quem sabe.

SCOTT: - (SORRINDO) Jean, isso é pior do que consultar uma vidente!

JEAN: - Em nosso país os ciganos costumavam ser nômades. Deve ser por isso que sua vidente trabalhe em um circo. O casamento é uma das tradições mais conhecidas do mundo cigano. A expressão "parece um casamento de ciganos", associada a festas de casamento longas e faustosas, demonstra a grande celebração que o povo cigano faz questão de exibir nesta data de união. A tradição cigana é muito rígida no que diz respeito ao casamento.

SCOTT: - Tava demorando você começar falar sobre a cultura dos ciganos...

JEAN: - As moças ciganas são prometidas, desde muito novas, aos seus futuros noivos. Geralmente, a escolha do marido para a jovem cigana é feita em função dos seus laços familiares e das suas condições econômicas, já que, mais do que um ato de amor, o casamento cigano é a celebração de uma união entre famílias.

SCOTT: - Quem sabe ela possa nos chamar para um grande casamento cigano? Apreciam boa comida e com grandes festas... Gostaria de ser um cigano, só que sem a música do Sidney Magal.

        Jean continua a falar sobre os ciganos.

JEAN: - A arte de ler as mãos tem uma origem muito misteriosa. Acredita-se que desde o princípio da Humanidade já se usava a leitura das mãos para conhecer o futuro. No entanto, foi na Antiguidade que se encontraram fortes evidências de sua existência, principalmente na China, onde ainda hoje é usada na Medicina, e no Egito, onde os faraós não travavam uma guerra sequer sem antes consultar seus magos e saber o que o destino reservava ao seu povo. Mas foram os ciganos que espalharam e popularizaram a Quiromancia pelo mundo e é tão forte sua participação que, quando se pensa em leitura de mãos, vem logo a imagem de uma cigana. Aliás, a adivinhação é uma das atividades exclusivas das mulheres dentro do grupo. Elas aprendem desde pequenas com suas mães e passam este ensinamento para suas filhas. A tradição manda que as ciganas saiam sempre com outras mulheres de sua família em busca de alguém que queria saber o futuro.

SCOTT: - Bom, eu quero saber do meu futuro. No The Sun falava sobre uma bola de cristal.

JEAN: - Essa mulher talvez nem seja uma cigana de verdade,provavelmente é uma mentirosa, Scott. Essa gente se aproveita da crença e do desespero das pessoas. Aposto que só prevê coisas boas! Porque sabe o que as pessoas querem ouvir.

SCOTT: - Vamos ver se você sabe me dizer o que quero ouvir sem usar a telepatia.

JEAN: - Isso é fácil. Você quer que eu diga que não vou me preocupar e que essa investigação é relevante para o FBI e principalmente... Quer que eu diga que você é o Chef.

SCOTT: - Está completamente enganada!

JEAN: - (ESPANTO) O que?! Como não, você sempre quer que eu diga isso!

SCOTT: - Não, não, só quero que você admita que eu sou indispensável na sua vida.

JEAN: - Não vou dizer isso.

SCOTT: - Tá vendo! Por isso estou querendo saber o meu futuro, só para descobrir quando isso irá acontecer!

JEAN: - Não vou dizer isso.

SCOTT: - Vamos, repita comigo. (IMITANDO Jean) ”SUMMERS se não fosse você eu já teria morrido em combate. Você é indispensável na minha VIDA!”

JEAN: - (Risos) Não seja ridículo. E foi você que pediu que eu fosse sua parceira e não o contrário.

SCOTT: - Sim, porque você é a melhor legista que eu conheço!

JEAN: - Você sim sabe falar o que as pessoas querem ouvir.

SCOTT: - Mas eu não preciso de telepatia para saber o que falar para te agradar. Posso fazer isso até sem falar nada.

JEAN: - Como assim?
       
        Scott puxa Jean pela cintura e lhe beija não permitindo espaço para que ela fuja. Ela se espanta em um primeiro momento, mas depois retribui o beijo que dura uns segundos.

SCOTT: - (Risos) Não disse! E nem preciso de telepatia!

JEAN: - (Tímida) Contenha-se Agente Summers! Estamos em uma missão federal.

SCOTT: - Admita Jean. Além do mais você mesma deu o descrédito a essa missão.

JEAN: - (Irritada) Isso foi só uma prova de que não precisa ser um mutante para fazer o que essa mulher diz estar apta a fazer. Ou seja, NÃO PRECISAMOS ESTAR AQUI!

SCOTT: - Eu sei, mas, é como se estivesse me chamando... Entenda estou seguindo minha intuição e preciso de você para que possa fazer essa missão não parecer uma idiotice.

JEAN: - (IMITANDO Scott) ”GREY se não fosse você, essa missão já estaria parecendo uma idiotice. Você é indispensável na minha VIDA!”. (voz natural) Como se isso deixasse de parecer idiotice só porque estou aqui...

SCOTT: - (RI) Você está certa. Mas estamos há um passo da entrada! E você é indispensável na minha vida!
       
        Scott sorri para Jean. Ela lhe mostra um semblante de confiança e concorda com em dar continuidade à investigação.

JEAN: - Tudo bem! Mesmo eu achando que isso não vai dar em nada, pois não há o que investigar.

SCOTT: - Obrigada Grey.

JEAN: - Mas os relatórios são unicamente seus!

        A tenda tem uma placa acima da entrada: Madame Salustti - Cigana. Scott e Jean entram na tenda. A decoração da tenda contava com estrelas luminosas pelas paredes, ambiente escuro, iluminado apenas por duas tochas dispostas nas laterais. Um enorme tapete vermelho, sobre ele uma mesa, com uma bola de cristal. Há duas cadeiras. Vários amuletos pelo lugar. Jean olha pra Scott.

JEAN: - Scott, essa gente costuma decorar o ambiente a caráter, para impressionar as pessoas. Vai olhar pra nós e, pela nossa aparência deduzirá que somos do FBI. Ela até pode ler alguns pensamentos, mas prever o futuro..., isso é absurdo! Vai contra as leis da física.

        Salustti sai de trás de uma cortina, vestida como cigana. É uma
moça morena, alta e bonita com um semblante angelical. Ela olha pra Scott. Scott olha pra ela.

SALUSTTI: - Bem vindos, em que posso ajudar?

        Scott arruma os óculos e ela olha pra ele.

SALUSTTI: - Agente Scott SUMMERS, do FBI. Gostaria de ver o futuro ou veio até aqui para encontrar provas de que sou uma charlatã?

        Jean olha incrédula pra mulher. Scott sorri. Jean não se surpreende com o que ouve, pois ela pode fazer o mesmo. Ainda não acredita que foi convencida a estar naquele lugar por um motivo tão insignificante.

SCOTT: - Como leu os meus pensamentos?

        Jean está desconfiada e analisa meticulosamente o espaço com uma simples sondagem mental e não encontra vestígios de nada que possa ser relevante a uma investigação federal. Salustti aproxima-se da agente Grey que a encara e ergue as sobrancelhas, afastando-se de Salustti que a olha nos seus olhos.

SALUSTTI: - Agente GREY, você é uma pessoa tão pura, meticulosa e coerente, mas precisa parar de temer suas crenças. Você sabe que tem poderes que ocultos ainda não revelados, mas tem medo de explorar esse lado pois teme o que possa acontecer se perder o controle. Sabe que não é a única a ter dons.

        Jean observa-a, desconfiada. Salustti olha pra Scott.

SALUSTTI: - Falarei o que quiser, mas somente pra você. Infelizmente, ela não está preparada para isso.

        Jean olha pra Scott. Os dois cochicham.

JEAN: - (DEBOCHADA) Essa gente sempre conhece os crédulos pelo cheiro! Na verdade ela sabe que sou telepática e esses truques não funcionam comigo.

SCOTT: - Como explica que ela sabia meu nome e quem eu era? Eu me apresentei em pensamentos e ela os leu!

JEAN: - Ora, Scott, você está em qualquer discurso sobre MUTANTES na Internet!

SCOTT: - E como ela sabe sobre você?

JEAN: - (IRRITADA) Isso é o que gostaria de saber, Scott. Anda falando sobre mim pra muita gente? Pode ser que ela seja mesmo telepática, mas, hoje em dia qualquer um tem acesso à telepatia se for acima de nível Beta, mas saiba que um telepata pode bloquear outro telepata, por isso ela quer falar só com você. Não acredito que você é meu chefe e está à frente da Divisão de Mutantes do FBI...

        Jean afasta-se e olha para Salustti e percebe que ela ainda está olhando para Scott.. A ruiva volta e olha pra Scott...

JEAN: -(COCHICHA) Você é tão ingênuo... Ela é muito nova para ser madame e está dando em cima de você!

        Jean sai irritada e com ciúmes.

SALUSTTI: - Sente-se Agente Summers. Não vou chamá-lo de Scott,
porque está em serviço. E também não estou dando em cima de você.

SCOTT: - ... (SORRI)

        Scott senta-se curioso. Salustti também. Um fica de frente
para o outro.

SALUSTTI: - Sei o que veio realmente buscar. Mas deveria pensar se não fui eu quem o atraiu até aqui intencionalmente. Talvez eu precisava te ver.

SCOTT: - ... Me ver? Você nem me conhece!

SALUSTTI: - Sente-se confuso e curioso ao mesmo tempo.

SCOTT: - Bem, você já sabe que sou do FBI e que...

SALUSTTI: - Sei tudo sobre você.

SCOTT: - ...

SALUSTTI: - Só existe uma forma de lhe mostrar que tenho dons para prever o que ainda não foi escrito. Daqui há alguns minutos, vai chover.

SCOTT: - Tenho uma amiga em Nova Iorque que pode fazer chover, mesmo o céu estando estrelado... como é o caso agora.

SALUSTTI: - Um belo dom tem sua amiga mutante. Posso lhe dizer também que morrerei ainda esta noite. Estava apenas esperando por você, que será meu último cliente.



SCOTT: - Isso não é perverso demais? A quem está devendo? Estava precisando de um guarda costas?

SALUSTTI: - A morte é uma coisa natural, Scott. E não devo a ninguém. Mas, alguém vai entrar por aquela porta, fugindo da polícia. Levarei um tiro no coração. Depois disso, aguardarei até a hora em que nascerei novamente. Ninguém morre, Scott. Ninguém.

SCOTT: - ...

SALUSTTI: - Mas, infelizmente, não posso provar que estou
certa.

        Scott fica fascinado. Ela pega na mão dele com carinho.

SALUSTTI: - Quer saber seu futuro, Scott?

SCOTT: - Não, acho que não. Acredito que você tem uma capacidade fantástica de ver as pessoas como realmente são. Mas não acredito que possa prever o futuro.

SALUSTTI: - Bem, acreditará no dia em que as coisas que eu te disser acontecerem. Há pessoas de todo o lugar, que vêm até aqui para saber se ficarão ricas, se realizarão seus sonhos, se viverão com as pessoas que amam, quando irão morrer... Não quer arriscar? São 50 dólares.

SCOTT: - Caro, não é mesmo? Mas conheço outros telepata que fariam de graça.

SALUSTTI: - Não para o que vai ouvir. Eu falo do futuro com clarividência e não apenas leio pensamentos. Mas pra você, não cobrarei nada. Você é uma pessoa especial, Scott. Eu sabia que viria. Além do mais, eu morrerei esta noite, não poderei usar seu dinheiro.

SCOTT: - Como sabia que eu viria?

        Trovoadas. Começa a chover. Scott se espanta com o estrondo. Ela sorri.

SCOTT: - (SORRINDO) ... Tá certo. O que pode dizer sobre meu futuro?

SALUSTTI: - O que quiser saber.

SCOTT: - Leia o meu pensamento.

SALUSTTI: - ... Ainda não acredita em mim, não é mesmo?

SCOTT: - ... conheço outros telepáticas e sempre consigo ser imprevisível em minhas atitudes para com eles.

SALUSTTI: - Com certeza. Ela é sua metade. Estão destinados a viverem juntos nessa vida, porque já viveram em muitas outras, sempre separados, mas perto o suficiente para compensar a dor.

SCOTT: - Agora me diga algo não genérico. Sua resposta é o tipo de resposta que as pessoas querem ouvir.

SALUSTTI: - Já foram amantes e foram iludidos pelas pessoas. Por acreditar nos outros, separaram-se. Mas sempre reencarnam próximos, como parentes... Essa é a volta, Scott. Agora seus espíritos estão preparados para acreditarem um no outro. E será sempre assim, em todas as vidas que tiverem. Sempre voltarão como amantes. Porque espíritos iguais sempre voltam para os seus... Nem que seja por um dia apenas.

SCOTT: - Isso não pode ser provado. Reencarnação é uma questão de ponto de vista.

SALUSTTI: - É questão de fé, Scott...você foi tão privado de esperanças na infância que sempre questiona se é merecedor de felicidade. Mesmo conquistando cargos de confiança no governo e sendo porta voz dos mutantes ainda se acha incapaz. Não pense assim, pois você ainda está cumprindo sua missão nessa vida.

SCOTT: - Pode me dizer se vou morrer em breve?

SALUSTTI: - (SORRI) Vai viver muito ainda, o bastante para ver
seus filhos.

SCOTT: - (RI) Filhos? Você está enganada. Não podemos ter filhos...

SALUSTTI: - Vocês temem por Sinistro assim como o sequestro dos sobrinhos dela, mas até lá, ele já terá sido criogenizado. Mesmo com a ameaça eminente da fênix ela conseguira gera aqueles que enfim possam controlar tal entidade. Você é o elo forte, e não ela. Mesmo depois de uma traição de ambos os lados, ela sempre será fiel a você.

        Scott fica boquiaberto. Ela coloca as mãos sobre a bola de
cristal. Fecha os olhos.

SALUSTTI: - Não sabe o que quer me perguntar, você tem medo de mim. Mas tem curiosidade. Não, ela não vai morrer cedo. Morrerá depois de você. Dará sua vida por alguém muito importante pra ela... (RESPIRA FUNDO) Definhará o resto de seus dias até estar perto de você novamente. A dor será forte demais, estão muito ligados um ao outro. Morrerá nos braços dela.

        Scott fica perplexo, nervoso. Ela abre os olhos. Respira
fundo, segurando as lágrimas.

SALUSTTI: - Mas eu não acredito que queira saber de coisas tristes. Você está num momento de crescimento interior muito grande e precisa de esperanças. De coisas boas.

SCOTT: - ...

SALUSTTI: - Olhe para a bola de cristal, Scott. Limpe sua mente. Verá a felicidade que te aguarda. E essa felicidade é justamente o que mais você teme. Anda não está pronto pra ela, mas será inevitável. Vai pedir por isso quando superar a dor de ter perdido sua família... Quando acreditar que pode ser feliz e construir uma nova família.

        Scott olha pra bola de cristal. Perde seu olhar ali.

SALUSTTI: - Essa será sua segunda felicidade, Scott. E também a que marcará sua vida. Porque seu espírito foi escolhido para amar essa pessoa. Porque ela precisará de alguém como você.

        Scott continua olhando pra bola de cristal.


Apartamento de Scott - 1:36 A.M.

Scott e Jean estão deitados na cama. Jean abraçada nele.
Scott olhando pro této.

SCOTT: - Jean... Nunca pensou em como veio parar nesse mundo?

        Jean afasta-se dele. Senta-se na cama, olhando pra Scott, intrigada.

JEAN: - Como assim?

SCOTT: - Seus pais, Jean. Eles estavam prontos pra ter você ou foi um acidente de percurso?

JEAN: - Minha mãe sempre disse que fomos planejados.

SCOTT: - ... Eu sou um acidente de percurso. Não tinha muito a se fazer no Alaska e as farmácias não eram 24h naquele tempo. Anchorage era o tipo de cidade que incentivava os militares a procriarem...fui amado por meus pais, no entanto fiquei igual as crianças do orfanato tempos mais tarde..
JEAN: - ...aonde quer chegar com essa conversa? Porque se está tentando criar um clima não está dando certo. Está precisando desabafar?
        Jean levanta-se um pouco apóia as duas mãos no peito de Scott e fia olhando para o seu rosto.

SCOTT: - ... Eu... Eu fiz uma promessa pra mim mesmo      que nunca teria filhos sem planejá-los. Eu queria que fosse diferente, Jean. Queria olhar pra eles e dizer: Estão aqui por que nós te amamos e te desejamos antes mesmo de vocês nascerem. Mas quantos pais fazem isso?

JEAN: - (PENSATIVA) Poucos.

SCOTT: - É diferente, Jean. Frases como: Estou grávida e agora? Isso é tão repentino e indesejável. Você tem que se acostumar com a idéia de ter um filho. Mas se você já concebe a idéia antes de tê-lo, é muito mais sublime.

        Ela sorri. Mesmo como a constante ameaça de Sinistro de abduzir o herdeiro Grey para experiências com mutantes. Esse é um constante medo do casal.

SCOTT: - ... Sempre imaginei que o dia em que achasse a mulher ideal, eu olharia nos olhos dela e diria: Quero um filho seu...

JEAN: - (TRISTE) ...

SCOTT: - Sempre pensei que decidiríamos isso antes. Não teria filhos por acidente de percurso... Sei o que vai dizer, que eu deveria ter feito mais sessões de terapia. Tudo bem, Jean, é um trauma mesmo, não vou me enganar.

JEAN: - ...

SCOTT: - Agora, tudo está acabado. Todos os sonhos se foram. E não é por você não. É por mim.

JEAN: - Como assim, Scott?

SCOTT: - Acha que sou digno de tê-los? Olha quem é meu pai, Jean! Um corsário que traiu o próprio filho. Acha que eu tenho o direito de perpetuar o gene desgraçado?

        Jean pega as mãos dele. Scott está triste.

JEAN: - Scott, acho que está se torturando. Seus filhos não serão ele. Você não é ele. Se fosse por isso, filhos de assassinos seriam assassinos. Isso não é genético, Scott... Prometemos que nunca mais falaríamos sobre isso. Ele é seu pai, entendeu? Assim é o que deve ser.

SCOTT: - ... Como o Major Christopher Summers pode se transformar no Corsário?! Como uma pessoa boa pode se transformar em um dos maiores pilantras do mundo. Hoje em dia sou obrigado a ter que caçar meu próprio pai...
        Scott e Jean estão à procura de Corsário em uma de suas investigações federais. Mas é um assunto que eles evitam falar fora do ambiente de trabalho.

JEAN: - Scott, porque começou a falar nisso de repente?

SCOTT: - ...

        Scott segura as mãos dela. Olha nos olhos dela.

SCOTT: - Porque eu... Eu queria que você fosse a mãe dos meus filhos. Mas não acho que deva desperdiçar sua vida comigo. Não mereço isso.
        Scott teve um caso com a Agente Frost da CIA logo que começou a sair com a Agente GREY, mas ela ainda não sabe. Ele se sente culpado por isso.

JEAN: - Scott, eu não estou entendendo. O que está tentando me dizer?

SCOTT: - Nada, Jean. Absolutamente nada.

JEAN: - (SORRINDO) Scott, está tentando-me dizer que quer ter um filho?

        Scott abaixa a cabeça um tanto tímido. Jean sorri, com os olhos brilhando de felicidade.

JEAN: - (SORRINDO) Eu não acredito no que estou ouvindo! Não sei como era no Alaska, mas garanto que de onde eu venho esse tipo de proposta não costuma vir dessa forma. Poderia ter pago um café ou me dado um beijo, seria mais romântico.
        Jean puxa Scott pela camisa e o beija. Scott passa a mão em seu rosto e fica acariciando.

SCOTT: - ... Estou cansado de ver você por aí, chorando em silêncio cada vez que vê uma criança. E... Acho que a experiência de ter quase morrido me abriu os olhos pra ver o quanto a minha vida teria sido em vão. Você sempre fez tanto por mim, e eu te deixaria sem nada.

JEAN: - Scott...

SCOTT: - E depois, talvez agora eu saiba a importância disso. Talvez eu tenha me tornado mais humano, perto de você... (DEBOCHADO) E eu queria mais réplicas suas ao redor de mim. Me sentiria mais seguro.

JEAN: - Eu não acredito! Scott, eu...

SCOTT: - ...

        Jean muda sua fisionomia de feliz para preocupada.

JEAN: - Scott, não podemos. Estamos sendo atacados dentro do FBI, suspeitos de facilitar informação aos mutantes, suspeitam de nós... Sinistro ainda está livre e já sequestrou meus sobrinhos! Não é o momento de pensar aumentar a família.

SCOTT: - Eu só sei que ... que... eu queria.

        Eles ficam olhando um para o outro em silêncio.


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10:30 P.M.

Scott olha pra Salustti. Ele está chorando.

SCOTT: - ... Eu... Eu nunca diria isso à ela. Eu tenho medo de que ela saiba dos meus medos...

SALUSTTI: - Ela sabe dos seus medos, Scott. Por que acha que ela ama você? Por que é perfeito?

SCOTT: - O que quis dizer com ‘talvez eu tenha te chamado até aqui’?

SALUSTTI: -... Vi você nessa bola de cristal há alguns dias atrás...

Algo me dizia que você viria até mim. Porque você precisa ouvir o que tenho pra dizer. E porque eu preciso ouvir você... é como se fosse parte do meu destino ouvir você.

        Salustti coloca as mãos sobre a bola de cristal. Scott olha atentamente pra dentro.


Apartamento de Scott - 3:21 A.M.

Scott não consegue dormir. Revira-se na cama.

JEAN: - Scott, não vai dormir?

SCOTT: - Não consigo, Jean. Fico pensando nele. Está lá, sozinho, naquele laboratório...
        Sinistro sequestrou Jean e roubou seus óvulos para um possível plano de fertilização in vitro para um filho dele com ela dando origem a um mutante perfeito. O plano de Sinistro não deu certo. Infelizmente isso a deixou com dificuldades de quase infértil, e o casal teve que optar por uma reprodução assistida.

JEAN: - (SORRI) Scott, em breve estará conosco.

SCOTT: - ... Acha que vai dar certo?

JEAN: - Acho.

SCOTT: - Quer comemorar? Acho que devemos tomar um vinho.

JEAN: - Scott, não vamos comemorar antes da hora.

SCOTT: - (SURPRESO) Superstições, Jean?

JEAN: - Tá bom, Scott. Vamos comemorar.

SCOTT: - Acha que vai ser menino ou menina?

JEAN: - Não quero apostar nada. Tem preferência?

SCOTT: - Não. Nenhuma. Pode ser uma ruivinha, um ruivinho...

JEAN: - E se for um summerszinho?

SCOTT: - Pobre da criança, Jean! Reze pra se parecer com você... (PENSATIVO) Ah, meu Deus!

JEAN: - O que foi?

SCOTT: - Vou ter outra cética dentro de casa brigando comigo?

JEAN: - Você quem pediu, Scott. E aviso: Nada de discos voadores e marcianos de pelúcia! Quero ter um filho normal.


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        Scott olha pra Salustti, ainda chorando, emocionado.
SALUSTTI: - Vai chorar mais do que isso quando ela disser que está grávida.

SCOTT: - ... Por que eu preciso saber disso tudo?

SALUSTTI: - Porque não foi por acaso que veio até mim.

SCOTT: - Mas eu não quero filhos. Minha profissão não deixa, não nasci para ser pai e eu nunca os terei.

SALUSTTI: - Nunca é tempo demais, Scott. Sua vida já está mudando, não pode evitar que os sentimentos cresçam em você. Precisa parar de sentir pena de si mesmo. Precisa ter amor próprio, Scott. Você é uma pessoa tão sincera e verdadeira! Não destrua o que tem de mais precioso. Não jogue uma vida fora, Scott! Cada vida é uma chance de
aperfeiçoamento. Deus nunca dá uma cruz mais pesada do que podemos carregar. Sofrer é purificar-se.

        Scott olha pra bola de cristal.


Mansão X - 11:20 A.M.

        Scott exibe slides pra Jean. Ela está com uma barriga bem grande, sentada na cadeira dele.

SCOTT: - Como vê, Jean, é um mutante muito poderoso, o governo quer que mediemos o confronto...

        Jean olha pro slide e sai correndo porta à fora. Scott desliga o retroprojetor. Minutos depois ela volta, com a mão sobre os lábios.

JEAN: - Scott, não tenho mais estômago pra isso.

SCOTT: - Quer ficar por aqui? Eu vou sozinho.

JEAN: - (Tensa) Desculpe Scott. Mas acho melhor assim. Não tenho mais condições de encarar esses terroristas.
SCOTT: - (Sorrindo) Certo. Deixe que eu assuma daqui por diante as ‘batalhas em campo’ fiquei na agencia com os computadores, é mais seguro.

Agencia do FBI - 8:33 P.M.


        Após um dia de trabalho normal, Jean caminha até o carro para ir para casa. Um carro preto, que estava estacionado, passa por ela. Uma mulher loira atira em Jean. O tiro pega no ombro e ela cai no chão.

Hospital Trinity - 2:44 A.M.

        Scott entra no quarto, com um buquê de flores. Receoso. Jean olha pra ele ainda tentando entender o ocorrido.

SCOTT: - Jean... Eu sou um péssimo companheiro e um pai pior ainda...

JEAN: - Scott...

SCOTT: - Não, não fala. Preciso trabalhar, mas não vou deixar você sozinha. Vou pedir pro Hank ficar aqui.

JEAN: - ...

        Scott coloca a mão sobre a barriga de Jean. Faz carinhos.

SCOTT: - (NERVOSO) Como está?

JEAN: - Estamos bem, Scott. Digamos que eu não sou o Agente Logan mas tenho cicatrização rápida... Não quero falar sobre isso.

SCOTT: - (NERVOSO) Será que nunca me livrarei dessa louca?

JEAN: - Não temos provas de que foi a Emma, temos muitos inimigos.
SCOTT: - Não sei o que faria de acontecesse alguma coisa com vocês.

JEAN: - Vamos ficar bem.
        Jean tenta acalmar seu marido com afagos na cabeça e um sorriso. Ele a beija na testa.

Parque de Diversões Amazing Land - Alexandria - Lousiana

10:40 P.M.
       
        Scott olha pra Salustti.

SCOTT: - Então eu ficarei mais paranóico do que já sou?

SALUSTTI: - Terá motivos, Scott. O passado nunca é enterrado.

        Salustti ri. Scott olha curioso pra bola de cristal.

                      
Hospital - 7:01 P.M.
Som de Lullaby, de Nickelback.

Bem, eu sei como é o sentimento
De encontrar-se do lado de fora, à margem
E não há cura
Para um corte com uma ponta afiada
Eu estou lhe dizendo que
Nunca é assim tão ruim
Aprenda com alguém que já passou pelo que você está passando
Jogados no chão
E você não tem certeza
Se consegue continuar com isso
(Refrão)
Então, basta tentar mais uma vez
Com uma canção de ninar
E aumente o som disso no rádio
Se você pode me ouvir agora
Estou me comunicando
Para que você saiba que não está sozinha
E se você não consegue entender
E você se assusta
Porque eu não consigo contatar você no telefone
Então, apenas feche os olhos
Oh, meu bem, aqui vai uma canção de ninar
Sua própria canção de ninar

Por favor, deixe-me levá-la
Para fora da escuridão e para a luz
Porque eu tenho fé em você
Que você conseguirá atravessar outra noite
Pare de pensar no caminho mais fácil
Não há necessidade de soprar e apagar a vela
Porque você não está acabada
Você é jovem demais
E o melhor ainda está por vir
(Refrão)
Bem, todo mundo já chegou ao fundo do poço
Todo mundo já foi esquecido
Quando todos estão cansados de ficarem sozinhos
E todo mundo foi abandonado
Saí com a mão um pouco vazia
Então, se você mal consegue aguentar





        Scott, vestido num uniforme de bloco cirurgico, nervoso, segura as mãos de Jean. Ela tenta não gritar de dor e apenas revira os olhos. O médico pede pra ela forçar. Jean tenta curtir o momento. Scott está assustado e a ponto de desmaiar.

MÉDICO: - (GRITA) Empurra!

        Jean faz força e sorri mesmo com dor. Scott fecha os olhos. Ela segura as mãos dele com força. Scott faz aquela cara de pânico. O médico ergue o bebê, ainda sujo. O bebê chora. Jean chora junto. Scott
começa a balançar o corpo de um lado pra outro, tonto.

MÉDICO: - É uma bela garotinha.

        O médico coloca o bebê sobre a barriga de Jean. Jean a segura com as mãos. Scott olha a cena e cai desmaiado no chão.
ENFERMEIRO: - Rápido levantem o pai.
MÉDICO: - Seu marido até que aguentou tempo bastante para ver sua filha nascer, a maioria desmaia antes da anestesia fazer efeito.

JEAN: - Filhinha, seu pai é tão corajoso!(irônica). Sempre falei que ele não aguentaria outra Jean Grey na vida dele.
        Jean fica fazendo caricias em sua pequena filha enquanto os enfermeiros reanimam Scott.

Parque de Diversões Amazing Land - Alexandria - Lousiana

10:50 P.M.

        Scott começa a rir. Salustti ri com ele.

SCOTT: - (FELIZ) É, eu sempre tenho atitudes estranhas mesmo... Então será uma menina.

SALUSTTI: - Feliz por isso?

SCOTT: - Se for real...

SALUSTTI: - Ainda não acredita no que estou lhe revelando?

SCOTT: - Não.

SALUSTTI: - Por quê?

SCOTT: - Eu... eu não mereço a vida desse cara que você tá falando aí. Eu nunca fiz nada pra merecer algo tão bom. Nem a Jean e muito menos uma filha.

        Scott olha pra bola de cristal. Salustti olha pra ele ternamente.



Apartamento de Scott - 3:33 A.M.

Som de Lullaby, de Brahm (música de ninar crianças).

Scott, sentado numa cadeira, no quarto, olha em direção à cama. Pensativo, admirando alguma coisa.

SCOTT: - Há muitos momentos na vida de cada ser humano. Momentos que nunca poderemos achar uma explicação concreta e convincente. Às vezes me parece que não temos a chamada liberdade de escolha, porque a vida
sempre nos direciona no caminho que ela quer. Parece que o destino é uma coisa real. E é completamente absurdo lutar contra ele. Não podemos. Agora creio que o destino está escrito.

        Scott respira fundo, enquanto olha pra cama.

SCOTT: - Mas isto não torna o destino uma coisa completamente má ou ruim. Sinto a cada dia que toda a minha busca pela verdade, que todo o tempo que perdi, nada foi em vão. E me pego agradecendo à Deus, mesmo sem muitas vezes acreditar Nele, pela dádiva que tive, pelo destino que me foi traçado. Nada, nada é em vão na vida. Sempre, num futuro próximo, nos pegaremos reconhecendo que as coisas ruins vieram por um motivo: preparar o caminho para as boas coisas acontecerem.

        Scott sorri.

SCOTT: - E agora eu sei quais são as duas coisas boas na minha vida. E não me canso de fitá-las, de admirá-las. Descobri um lado em mim que nunca havia imaginado. Um lado humano, um lado forte. A responsabilidade e meu amor-próprio chegaram em minhas mãos por dois caminhos. E eu as amo por isso, por me tornarem mais humano. Por me
devolverem a vida que perdi. Nada foi em vão.Corta para a cama, onde Jean dorme ao lado de Rachel, com um ano de idade. O telefone tóca. Scott atende.

3:47 A.M.

Scott acorda Jean.

SCOTT: - Jean...

JEAN: - (SONOLENTA) Hum?

SCOTT: - Precisamos ir agora para Dakota do Sul.

JEAN: - O que aconteceu?

SCOTT: - Temos um caso. Há uma série de assassinatos sem explicação. Pessoas que alegam ter visto um mutante, fez rituais com pessoas da cidade.

        Jean levanta-se preocupada. Mexe no cabelo e estica a roupa ainda amassada pela posição da cama.

JEAN: - Está bem... Vou arrumar as coisas, Scott. Cuida pra ela não se mexer e cair da cama.

        Jean começa a juntar pertences da filha e colocá-los numa bolsa. Scott deita-se ao lado de Rachel. Fica olhando pra ela. Jean o observa. Scott beija Rachel. Afaga os fiapinhos de cabelo dela.

SCOTT: - (TRISTE) Eu estou fazendo com ela o mesmo que faço com você.

JEAN: - Como assim, Scott?

SCOTT: - Uma criança normal ficaria dormindo a noite toda num berço. Entretanto levo minha filha às 4 da manhã para ir atrás de mutantes tão perigosos... Ela está participando do meu trabalho, que é de alto risco, não por vontade própria, mas porque eu a forço à isso.

JEAN: - Scott, sei que não é correto, mas o que podemos fazer? Eu posso chamar a mamãe e...

SCOTT: - Não, Jean. Responsabilidade nossa. E depois, eu gosto de sua Mãe, mas quanto mais perto da Rachel eu estiver, mais certeza terei da sua segurança. Estou a sacrificando, mas é por preocupação.

Hotel River - Pierre - Dakota do Sul

6:31 P.M.

        Scott entra no quarto com as malas. Jean traz Rachel no colo. Ela está acordada. Scott coloca as malas sobre um sofá.

JEAN: - Scott, preciso de um banho. Sua filha também.

        Jean coloca Rachel sobre a cama e começa a tirar a roupa dela. Rachel sacode os braços, rindo pra ela.

JEAN: - Ah, você gosta de água, não é filhinha? ... Que sorriso mais bonitinho tem a neném da mamãe.

        Scott liga a TV. Deita-se na cama. Pega a mão da filha. Ela continua rindo. Scott olha pra ela.

SCOTT: - Como ela gosta de rir. Não puxou a mim. Eu não era uma criança simpática.

JEAN: - (Rindo)Você ainda não é simpático, Scott.

        Jean começa a tirar a roupa. Pega a filha e vai pro banheiro.
Scott levanta-se.

SCOTT: - Jean, vai ficar bem sozinha?

JEAN: - Sou agente federal, mutante nível Omega e tenho uma arma, Scott. Acho que sei me cuidar!

SCOTT: - Gosto de pensar que você é indefesa, assim posso cuidar de você. Em todo caso, vou até a casa dos Campbell, interrogar a testemunha.

JEAN: - Está bem.

        Scott olha mais uma vez sua filha da um suave beijo em sua esposa e sai.

Residência dos Campbell - 6:59 P.M.

        Scott, sentado numa poltrona, conversa com Hilary Campbell, uma senhora de uns 40 anos.

HILARY: - Agente Scott, sabe que esta é uma cidade pequena. Cidades pequenas gostam de manter segredos...

SCOTT: - Segredos bizarros?

HILARY: -... O fato de estar falando com o senhor, já me põe em risco.

SCOTT: - Então sabe quem é o assassino de seu marido?

HILARY: - O senhor não entendeu. Há muitos anos atrás, o rio transbordou e a cidade ficou praticamente submersa. Perdemos nossas colheitas, nossos animais, nossos entes queridos. Então, ele apareceu.

SCOTT: - Ele?

HILARY: - Um homem. Disse que poderia ajudar. Mas que um dia cobraria pela ajuda. Meu marido e alguns amigos aceitaram a proposta. O dinheiro destrói almas, Agente Summers.

SCOTT: - E o que esse homem fez?

HILARY: - Misteriosamente as águas recuaram. Se meu marido estivesse vivo, poderia lhe contar em detalhes. As águas recuaram, os animais surgiram misteriosamente e a colheita foi abundante... Agora, ele veio buscar seu pagamento.

SCOTT: - Como assim?

HILARY: - As almas daqueles à quem ajudou. Ele é o demônio, senhor Summers. E ele está colhendo as almas dessas pessoas prometidas. É hora do pagamento, assim ele pode tomar a forma de quem ele ajudou.

Hotel River - 7:11 P.M.

        Scott entra no quarto. Jean grita do banheiro.

JEAN: - Scott, é você?

SCOTT: - Sou.

        Scott vai até o banheiro. Jean, dentro da banheira, com a
filha sobre sua barriga, brincando com ela.

SCOTT: - Ainda estão aí?

JEAN: - Hum, estamos adorando. Está um calor terrível, Scott.

        Scott senta-se no chão, ao lado da banheira apóia o cotovelo na banheira e fica olhando para Jean.

SCOTT: - Vai ficar se surpreender quando eu contar o que a senhora Campbell disse.

JEAN: - Scott, pega a toalha dela.

        Scott levanta-se. Pega a toalha de bebê e enrola em Rachel.
Tira-a da banheira. Vai pro quarto, com ela enrolada na toalha.

JEAN: - (GRITA) Scott, as roupas dela ainda estão na sacola!

        Scott pega a sacola com um braço. E com o outro segura apequena Rachel. Senta-se na cama e começa a procurar.

SCOTT: - Então, o que vamos vestir essa noite? Pijama? Vestido?

        Rachel sorri, brincando com o a mão dele.

SCOTT: - Hum, acho que esse pijaminha do R2D2 vai ficar deslumbrante na minha princesinha...

        Jean sai do banheiro, num robe, com a toalha nos cabelos. Scott deita Rachel na cama e começa a secá-la.

SCOTT: - A senhora Campbell disse que o assassino é o demônio, que veio cobrar as almas que pediu, em troca de uma favor há anos atrás.

JEAN: - E você acreditou nisso, Scott?

SCOTT: - Não! Onde estão as fraldas?... Acredito ser um metamórfo.

JEAN: - Aí dentro tem um pacote. Sim, eles costumam assustar populações interioranas.

SCOTT: - Disse que o marido e alguns amigos prometeram suas almas em troca da recuperação da cidade.

JEAN: - Vou fazer a autópsia no corpo do senhor Campbell e do senhor Smith.

SCOTT: - Agora?

JEAN: - Sim. Já liguei para o necrotério e eles aguardam minha visita. Estou mais relaxada, depois desse banho.

SCOTT: - Está bem. Eu fico com ela.

        Scott termina de vestir Rachel. Deita-se na cama, colocando-a de bruços sobre sua barrriga. Jean tira suas roupas da mala.

JEAN: - (Preocupada) Scott, não vá dormir e deixá-la cair da cama.

SCOTT: - (Irritado) Eu não sou criança, Jean. Sei cuidar da minha filha.

JEAN: - (Sorri) Scott toda vez que fala isso só me deixa ainda mais preocupada.

SCOTT: - (Indignado/ Rindo )Você não ia sair? Quero fazer a MINHA FILHA dormir e você está me atrapalhando com todo esse barulho.
              
JEAN: - Esta bem, eu já estou indo. E Scott...
       
        Jean dá um suave beijo em sua filha e olha para Scott.

SCOTT: - O que?

JEAN: - Não vá dormir e deixá-la cair da cama!

        Rachel sorri.

SCOTT: - Você deve ser a mãe mais chata do mundo Jean... Não pode simplesmente me dar um beijo e sair?!

JEAN: - (Rindo) Já estou indo. Qualquer coisa me ligue.

        Jean o beija e sai.

SCOTT: - Rachel, você está em uma grande encrenca. Seus dois pais são paranóicos.

        Rachel continua sorrindo e fazendo gracinhas.

11:44 P.M.

        Scott conta histórias pra Rachel, que ainda está sobre sua barriga.

SCOTT: - (Entusiasmado) Então, foi assim que eu e sua mãe descobrimos a descobrimos a fortaleza do Sr. Sinistro e... dorminhoca, nem estava me ouvindo está fazendo igualzinho a sua mãe.

        Rachel está dormindo. Scott a coloca na cama, ao seu lado, tomando o cuidado de pôr travesseiros ao lado dela pra ela não cair da cama. Scott vira-se na cama, cobre a filha e a observa dormindo, até cair no sono.

1:21 A.M.

        Scott acorda-se, ouvindo Rachel sorrindo. Scott olha pra ela, curioso. Rachel olha pra cima, sorrindo, mexendo os braços. Scott olha pra cima mas não vê nada. Fica observando a reação da filha. Rachel mexe os olhos como se observasse alguma coisa mexendo-se no ar. Scott cerra os olhos, desconfiado.

SCOTT: - Filha?... Rachel?

        Rachel continua olhando pra cima. De repente vira a cabeça pra Scott. Sorri pra ele. Scott sorri pra ela. Rachel fica observando algo ou alguém que está parada na janela do quarto. Scott fica procurando o que a filha está olhando e não vê nada, mas ouve passo no corredor. Rachel não sorri mais e fica com um semblante de medo. Scott teme ter alguém no corredor, coloca os travesseiros em volta de Rachel rapidamente e vai em direção ao corredor. Abre a porta:

SCOTT: - Quem está ai?!

        Scott nada vê no corredor e volta para o quarto e deita ao lado da filha.
SCOTT: - Sua mãe está me deixando paranóico.

        Ambos dormem. Passos no corredor novamente, mas ninguém está nele...


2:30 A.M.

        Jean entra no quarto. Scott e Rachel estão dormindo. Jean senta-se no sofá, tira os sapatos. Scott acorda.

SCOTT: - Então?
        Scott sonolento arruma os cabelos e troca os oculos.

JEAN: - Scott, ambos morreram de parada cardiorrespiratória.

SCOTT: - Parada cardiorrespiratória?

JEAN: - É, mas... Não havia nada de errado com a saúde deles...

SCOTT: - ... Jean, o que sabe metamórfos?

JEAN: - Scott, eles costumam se transformas em tudo e em todos, mas alguns conseguem replicar o poder de outros mutantes.

SCOTT: - Assim como a Vampira?

JEAN: - (SUSPIRA) Ah, Scott...talvez.  Eu nem sei mais no que pensar agora. Estou exausta.

        Jean lava as mãos e o rosto, troca de roupa e caminha até a cama. Acomoda Rachel para o centro da cama e deita-se ao lado da filha. Os dois ficam olhando pra filha que está entre eles.

JEAN: - Ela é linda!

        Jean dá beijos na filha e fica passando o rosto sob a barriga da criança.

SCOTT: - (INDIGNADO) Vai acordar ela!

JEAN: - Vou nada. Ela tem sono pesado.

SCOTT: - Eu tive muito trabalho para fazê-la dormir! Tive que contar muitas histórias infantis, quase apelo para o Barney o dinossauro roxo...

JEAN: - Parece um anjo... Dorme tão tranquila... O anjinho da mamãe... E desde quando você sabe histórias infantis?
       
        Jean o encara e arqueia a sobrancelha.

SCOTT: - Tá bem... Foram histórias de aventuras no FBI. Já mais deixaria minha filha ver o Barney, ele é assustador! Se ao menos fosse a Vila Sésamo...
       
        Scott fica falando sem parar e Jean o interrompe.

JEAN: - SCOTT!

SCOTT: - O que é?!

        Jean lhe dá um beijo e ele fica sem graça. Ela passa a mão sobre o seu rosto acariciando.

JEAN: - Amo você.

SCOTT: - (Envergonhado) Só porque concordamos que o Barney é assutador?!...Eu amo vocês! Jean vocês são tudo para mim, não consigo imaginar minha vida...

        Jean o interrompe colocando o dedo em sua boca fazendo sinal de silêncio.

JEAN: - Só queria que relaxasse mais, Scott. Você está neurótico, dorme mal à noite. Não vou a lugar algum e ninguém vai tirá-la de nós.

SCOTT: - Eu não sei, Jean. Tenho medo de se vingarem nela. Ela é tão frágil, indefesa.

JEAN: - Calma, papai coruja. Ela está bem, tem dois seguranças particulares bem treinados.

        Scott sorri e acena com a cabeça concordando com a esposa.

SCOTT: - Jean, se eu dissesse à você que acredito... Ah, esquece.

JEAN: - O que ia dizer, Scott?

SCOTT: - Nada, deixa pra lá. Você ia brigar comigo. Não acredita nisso.

JEAN: - Sobre o metamórfo?

SCOTT: - Não, sobre nossa filha.

JEAN: - O que tem ela?

SCOTT: - ... Acho que a Rachel é especial.

JEAN: - Especial? Claro que ela é especial, Scott... é nossa filha, é especial pra nós!

SCOTT: - (MEDO) Não falo nesse sentido. Acredito que ela... que ela tem ...

JEAN: - (QUESTIONANDO-O) Tem?

SCOTT: - (MEDO) Tem... Habilidades Mutantes.

JEAN: - (INCRÉDULA) O quê? Scott, pelo amor de Deus, ela é muito nova para qualquer tipo de manifestação mutante. Além do mais, se ela confessasse a mostrar sinais de mutação, nada mais natural, afinal, os pais dela são mutantes!

SCOTT: - Eu sei, eu sei! Mas queria que ela tivesse uma vida normal. Longe de tudo isso.

JEAN: - E você quer a vida ela sem emoção? Escolhemos nossas carreiras por vontade própria, eu e você.

SCOTT: - Mas não escolhi ser mutante.

JEAN: - Isso não é uma coisa ruim Scott.

SCOTT: - Para mim foi.

JEAN: - Aposto que quem te zuava por sua mutação hoje em dia te respeita ou teme por seu cargo. Veja onde você chegou. Você é admirado por todas as crianças quando vamos dar palestras nas escolas.E é um bom agente, um bom pai, um bom marido. Qual o problema de sua filha ser mutante?

SCOTT: - Queria que ela tivesse escolha.

JEAN: - Tá assim porque não soube combinar as cores da roupa da Rachel foi? Se quer tirar os óculos e ver sua filha, existem algumas maneiras amor. Seu poder recarrega no Sol esqueceu?

SCOTT: - Você é tão otimista quando fala de mim.

JEAN: - Já disse, Eu amo você.

SCOTT: - ...

JEAN: - Mas, porque a preocupação com Rachel ser ou não mutante? O que aconteceu quando eu estava fora?

SCOTT: - Acho que ela é sensível, ou tem alguma super audição, parece que ela sabe o que eu penso.

JEAN: - Talvez porque te conheça. Mas ela tem grandes chances de ser telepática Scott, vá se preparando para isso. Minha mutação se manifestou antes da puberdade, mas existem casos de crianças que já nascem mutantes. Não é o caso dela garanto. Tenho um elo mental com Rachel esquece? Ela ainda está se desenvolvendo.

SCOTT: - Talvez você esteja certa... sou um paranóico mesmo. Boa noite

JEAN: - Boa noite.

Residência dos Campbell - 9:59 A.M.

        Scott bate à porta. Hilary atende, abrindo a porta e uma outra porta de tela. Na frente da casa, Jean está na calçada, ao lado do carro, segurando Rachel, que está acordada e irrequieta. Jean anda de um lado para o outro.

SCOTT: - Bom dia, senhora Campbell.

HILARY: - Agente Scott, que surpresa! Pensei que não voltaria mais aqui, depois do que lhe contei ontem à noite. Deve ter pensado que eu era uma velha louca.

SCOTT: - Preciso que me diga quantas pessoas ainda restam.

HILARY: - De todos... Talvez uns 6, se a memória não me engana...

        Hilary olha pra Jean.

HILARY: - Sua esposa e sua filha?

        Scott olha pra elas, sorrindo.

SCOTT: - Sim.

HILARY: - Ela não quer entrar?

SCOTT: - Não, estamos com pressa. Preciso apenas dos nomes.

HILARY: - As duas são bonitas... Vou pedir ao meu neto para escrevê-los. Tem certeza de que não quer entrar?

SCOTT: - Não, obrigado.

HILARY: - Agente Scott, posso lhe dar um conselho?

SCOTT: - Conselho?

HILARY: - Tire sua filha deste lugar. Crianças por aqui estão correndo perigo, num momento como esse.

SCOTT: - Por quê? Minha filha nada tem a ver com isso...

HILARY: - Ele gosta de adquiri novas formas. Costuma virar quem ele mata. Meu marido dizia que ele depois de ter matado o Camaleão(MUTANTE), um forasteiro que conseguia ficar invisível, ele ficou indestrutível, pois sempre mudava de forma sem ninguém ver. Assim ele fica invisível também. Das criança ele pegava a juventude.

        Scott olha intrigado pra Hilary. Ela entra na casa. Scott fica
parado na porta. Pega o celular.Jean está na calçada. Rachel brinca com a cruz de sua corrente.

JEAN: - Você gosta disso, não é? Mamãe vai te dar uma.

        Jean começa a brincar com Rachel e ela ri sem parar. Mas volta a atenção para o crucifixo e começa a brincar de novo. Jean observa Scott. Hilary sai da casa e entrega a lista pra ele. Eles conversam. Jean fica embalando Rachel, que continua atenta com o crucifixo.Uma pessoa vai em direção delas. Ele observa a menina atentamente. Jean não percebe.
        Scott continua conversando com Hilary, distraído. O velho aproxima-se lentamente. Pára. Jean olha pra ele.

VELHO: - (SORRINDO GENTIL) Bom dia, senhora. Desculpe, mas não pude resistir. Tem uma linda filha, sabia?

JEAN: - (SORRINDO) Obrigado.

VELHO: - Parece um anjinho.

        Rachel continua segurando o crucifixo, mas volta sua atenção para o velho. Está séria, fazendo um beiço igual ao da mãe       quando fica furiosa. O velho olha pra ela. Rachel continua séria.

VELHO: - Que idade ela tem?

JEAN: - Um ano e dois meses.

VELHO: - E como se chama esse anjinho?

JEAN: - Rachel.

VELHO: - É um nome bonito.

        Rachel agarra-se no pescoço de Jean, se escondendo nos cabelos dela. O velho afaga a cabeça de Rachel. Ela começa a chorar. Jean estranha a reação.

JEAN: - Ah, me desculpe, eu não sei o que deu nela!

VELHO: -...

JEAN: - Geralmente ri pra todo mundo... Filha, que feio!

VELHO: - Ora, não se preocupe. Talvez ela não goste de velhos...

JEAN: - Não, ela vive agarrada na avó dela... Não entendo... Rachel, se acalme meu anjo.

        Rachel continua chorando. Hilary entra em casa. Scott volta sua atenção pra filha. Observa o velho. O velho percebe. Scott vai em direção à eles.

VELHO: - Bem, vou andando. É uma bonita menina sua filha...

        O velho sai caminhando. Scott corre até Jean. Rachel chora convulsivamente. Jean tenta acalmá-la.
Som de Lullaby, de The Cure.


Com pernas listradas açucaradas, o Homem- Aranha vem
Sorrateiramente pelas sombras do sol do entardecer
Roubando o passado das janelas dos abençoadamente mortos
Procurando pela vítima, tremendo na cama

Buscando pelo medo na penumbra do recolhimento
E de repente um movimento no canto do quarto
E não há nada que eu possa fazer quando percebo com pavor
Que o Homem-Aranha vai fazer de mim o seu jantar desta noite

Calmamente ele sorri, balançando a cabeça
Vem rastejando agora, mais perto do pé da cama
E mais suave que a sombra e mais rápido que as moscas
Seus braços estão ao meu redor e sua língua em meus olhos

"Fique quieto e calmo agora, meu garoto precioso
Não lute assim ou só irei te amar mais"
Pois é tarde demais para fugir ou acender a luz
O Homem-Aranha vai ter você como jantar esta noite

E sinto como se estivesse sendo comido
Por cem milhões de trêmulos buracos peludos
E eu sei que pela manhã
Eu vou acordar num calafrio gelado
E o Homem-Aranha está sempre com fome
  

SCOTT: - (PREOCUPADO) O que aconteceu?

JEAN: - Nada. Sua filha está se tornando antsocial como o pai.

        Scott procura o velho com os olhos. Não o vê.

SCOTT: - Pra onde ele foi?

        Jean vira-se e não o vê.

JEAN: - Para um sexagenário ele até que anda depressa...

        Scott pega Rachel e a abraça. Ela se acalma.

SCOTT: - Não deixe ninguém tocar nela, Jean.

JEAN: - Scott, o que está acontecendo com você? Vê conspirações em tudo!

        Scott coloca Rachel na cadeirinha pra crianças, no banco de trás do carro. Olha pra Jean.

SCOTT: - Não enquanto estivermos nesse lugar.

JEAN: - (INCRÉDULA) Scott, está tentando me dizer que as pessoas daqui matam criancinhas?

        Scott segura à porta do carro pra ela entrar.

SCOTT: - Vamos, Jean.

        Jean entra. Scott fecha a porta. Ainda tenta ver o velho, mas ele sumiu. Scott dá a volta no carro e entra. Liga o motor. Dá a ré. Jean fica olhando pra ele.

JEAN: - Scott, você está estranho. Mais estranho do que de costume.

SCOTT: - (AFLITO) Vamos pro Hotel. Pegue suas coisas. Vou deixá-las no aeroporto. Quero que volte com a Rachel pra Nova Iorque.

JEAN: - Scott! Estais louco?! Nós estamos no meio de uma investigação!

SCOTT: - (IRRITADO) Eu não quero saber! Volte com ela.

        Scott dirige. Jean fica furiosa.

JEAN: - Quer me dizer por que está desse jeito?

SCOTT: - Porque eu não sei quem era aquele velho.

JEAN: - Ora, Scott, por favor! Aquele senhor pode não ser o metamórfo. E até eu posso ser o metamórfo.

        Scott olha pra ela. Jean põe as mãos na cabeça.

JEAN: - Eu não acredito! Scott, aquelas duas pessoas morreram de causas naturais!

SCOTT: - (IRRITADO) É. E tenho mais 6 nomes que morrerão de ‘causas naturais’ também!

JEAN: - Como pode ser tão paranóico?

SCOTT: - (NERVOSO) Paranóico? Eu não sou paranóico! Eu quero proteger minha filha! Não pode me acusar de paranóico!

JEAN: - (IRRITADA) Eu não tenho culpa se você tem medo das pessoas! Eu não posso trancar minha filha numa redoma de vidro, Scott! Me pergunto qual será a sua reação quando Rachel resolver namorar!

SCOTT: - Por que é tão difícil pra você acreditar no que eu digo? Jean, você já viu coisas de deixar os cabelos arrepiados e ainda reluta em acreditar nas minhas teorias?

JEAN: - Scott, por favor! Eu acredito que há alguma coisa aqui e acredito que possa ser qualquer um! Mas não precisava agir como um troglodita!

SCOTT: - Agora você está sendo ignorante!

JEAN: - Ignorante? Ora, Agente Summers! Não é porque somos casados e temos uma filha que não posso discordar de suas teorias. Até porque eu sou melhor agente que você, meu currículo fala por si. Você é melhor sendo o Pai da minha filha!

SCOTT: - Não provoca!

JEAN: - Não gosta de ser o PAPAI coruja? Acho que já pode se aposentar e ser apenas o PAPAI da minha filha! Acho que essa é a função perfeita pra você PAPAI Summers. Vou até fazer um novo crachá para você. “Nome: Scott Summers Função: PAPAI”.

        Scott fica chateado, mas reconhece que se descontrolou e foi rude com Jean. O silencio domina o carro por uns segundos, mas uma voz vinda do banco de trás muda as coisas.

RACHEL: - Papi... (RINDO)

Scott pára o carro. Os dois viram-se pra trás. Rachel olha pra eles rindo.

SCOTT: - (ESPANTADO) Ela falou!

JEAN: - (INDIGNADA) Claro, Scott, que ela fala!

SCOTT: - (BOQUIABERTO) Mas não falava!

JEAN: - (RINDO) Scott, um dia ela teria de falar, não sabia disso?

SCOTT: - Ela fala!... (SUSPIRA)

Scott olha apaixonado pra filha. Jean olha pra ele.

JEAN: - (CIÚMES) Ela não poderia ter dito “Nintendo” ou “Playstation” como primeira palavra? Tinha que ser “papai”? Por que não “mamãe”?

SCOTT: - (DEBOCHADO) Com ciúmes?

JEAN: - É eu estou. Eu carreguei você por nove meses e parece que não tenho filha. Ela me vê apenas como quem traz o almoço. Você que deveria dar de mamar Sott, e seu corpo sofrer todas essas mudanças, e ai talvez ema falasse “mamãe” e então iria te ver como uma lanchonete ambulante.

SCOTT: - Calma, Jean! Eu não tenho culpa se ela falou “papai”. É mais fácil de falar porque você estava repetindo isso. Tá vendo como ela te escuta.

JEAN: - (IRRITADA) Sua filha, a fez todinha pra você! É a sua cópia! O mesmo gênio teimoso e os mesmo gostos.

SCOTT: - (Rindo)Sim por isso gostamos de você. Como se eu tivesse feito ela sozinho....

JEAN: - Rachel, você tinha que ter dito “mamãe”, treinamos tanto isso...

        Scott começa a rir e continua a dirigir. Jean está olhando a filha com um terno sorriso, mas não admite que está feliz por ela ter falado sua primeira palavra.

SCOTT: - Filha acho melhor começar a treinar falar “mamãe”.

Hotel River - 11:39 A.M.

        Scott entra e coloca Rachel sobre a cama ainda no bebê conforto. Liga a TV num canal de desenhos. Jean entra. Scott a puxa pro banheiro e fecha a porta.

JEAN: - Scott, o quê...

SCOTT: - Não quero que ela escute.

JEAN: - Não vamos fazer nada! E eu não vou voltar pra Nova Iorque!

SCOTT: - Vai, vai voltar sim.

JEAN: - Volte você!


        Os dois ficam brigando, mas aos sussurros. Rachel que está rindo, olhando pro nada. Scott escuta. Abre a porta e espia.

SCOTT: - Tá vendo? Olhe com seus próprios olhos! Ela já é mutante.

        Jean sai do banheiro e Scott também.

JEAN: - (ERGUENDO AS SOBRANCELHAS) Ela está rindo do Barney! Scott, crianças costumam rir dessas coisas! Não é porque você tem medo do Barney ela vai ter também.

SCOTT: - E eu não tenho medo do Barney, só não gosto dele. Ela não está olhando pra TV!

JEAN: - Claro que está!

        Scott puxa Jean pela mão. Ficam observando a filha de outro angulo. Rachel olha pro outro lado, rindo.

SCOTT: - (PREOCUPADO) Tá vendo?

        Jean tenta ver do que Rachel ri, mas a criança está ficando assustada e começa a fazer beicinho como se fosse chorar, mas muda sua fisionomia ao perceber que a filha olha pra parede vazia.  Jean usa o elo mental que tem com Scott para avisá-lo.

JEAN: - (Elo Mental)Não fale nada Scott tem alguém aqui! Acabei de sondar mentalmente.

SCOTT: - (Elo Mental)O que?! Aonde ele está?!

JEAN: - (Elo Mental) Não posso velo, mas posso sentir.

SCOTT: - (Grita) Pra mim já deu! Sai de perto dela agora!
       
JEAN: - (Elo Mental) Está se afastando para fugir. Em direção a porta!
       
        A porta se abre e Scott dispara uma rajada ótica em direção a porta. Jean pega a filha nos braços e no mesmo instante cria um campo de proteção com a telecinésia e tenta acalmar a filha.

JEAN: - Vai ficar tudo bem meu amor.

        Scott persegue o mutante que saiu do quarto apenas por instinto pelo corredor coberto.  Ainda Chove e Scott lança uma rajada ótica para que o mutante vá em direção a chuva para que ela possa ver alguma coisa.

SCOTT: - Cadê você seu desgraçado?

CAMALEÃO: - (Sussurra) Atrás de você! Seu idiota.

        O Mutante dá uma paulada na nuca de Summers que cai no chão, quase desacordado.

CAMALEÃO: - Um agente federal mutante, a forma perfeita para eu sair dessa cidade. Primeiro ele, depois ela e por ultimo a criança. Duas formas novas e pelo menos mais 50 anos sem precisar carregar as energias. Não irei precisar de mais atacar esses fazendeiros velhos.
       
        Scott ainda zonzo e sem forças escuta tudo e pergunta ao mutante:

SCOTT: - Quem é você?
       
CAMALEÃO: - Me chamam de CAMALEÃO.

       
SCOTT: - O que quer com a minha filha?
       
Camaleão: - Para não ficar invisível, eu preciso carregar novas formas de vida. Nessa cidade já fui jardineiro, carteiro, fazendeiro... Uma criança a cada 25 anos e eu ganho anos de juventude.

SCOTT: - E você precisa matá-los?
       
CAMALEÃO: - Não, mas sugar suas energias até o fim me dá liberdade.

SCOTT: - Você pode ter ajuda no Instituto Charles Xavier.
       
CAMALEÃO: - Não quero sua ajuda. Você é mutante como eu. Posso ficar com seu cargo e poderes e até sua família.
       
        O Camaleão encosta dois dedo em direção ao coração do Agente Summers e começa a sugar sua energia de força dolorosa.

Camaleão: - Sua esposa é linda e sua filha...

        Scott fica irado e tira forças o suficiente para tirar seus óculos e atacar o camaleão com uma rajada de plasma.
       
SCOTT: - Você nunca encostará um dedo em nenhuma delas. Não posso te ver camaleão, mas estou acostumado a lutar sem o auxilio da visão.
       
        O Camaleão cai no chão, mas Summers consegue perceber onde o mutante caiu e começa a atacá-lo com socos, fazendo um verdadeiro estrago. Ele consegue se esquivar de Scott e corre em direção à chuva, e Summers continua a persegui-lo agora com mais segurança. E mais uma vez ele atinge o Camaleão, agora em sua perna e ele cai.

SCOTT: - Camaleão, você está preso. Você tem o direito de ficar calado. Se você renunciar ao teu direito de ficar calado tudo que você disser poderá ser usado contra você. Você tem direito a um advogado e caso não possa pagar, o estado resignará um para você. Você tem o direito a um telefonema.
       
        O Camaleão se levanta querendo atacar Summers. Que lhe dá um soco! E ele cai novamente.

CAMALEÃO: - Você luta bem. Mas não esqueça, posso me transformar em muitas coisas além de ficar invisível...

        Camaleão se transforma em um pequeno passado e sai voando. Scott tenta atingi-lo com rajadas óticas mas não consegue.

SCOTT: - Aquele filho da mãe! Quando colocar as mãos nele,  vai se arrepender do dia em que nasceu!
Romani Part 2

Hotel River - 1:00 P.M.

        Summers volta ao quarto todo molhado, sujo, um pouco abatido e bastante preocupado. Grey está em brincando com a filha na cama quando vê ele abrir a porta e se espanta.

JEAN: - Quem é você?!
       
        Jean fala isso criando um campo de força que envolvia ela e sua filha.

SCOTT: - Sou eu Jean!

JEAN: - PROVE!

SCOTT: - Ela disse “Papai”!

JEAN: - O que?

SCOTT: - Bem na verdade ela falou “papi”, mas você se irritou do mesmo jeito.

JEAN: - ...

SCOTT: - Pelo amor de Deus Jean! Para que serve esse Elo Mental que você criou?

        Ela tira o campo de força e vai em direção ao marido. E o abraça.

JEAN: - Desculpe Scott. Fiquei assustada. O que aconteceu com você?

SCOTT: - Preciso de um banho. O cara é um metamórfo e pode ficar invisível. Está matando os fazendeiros para ‘recarregar’ seu poder.

JEAN: - Nossa! Parece perigoso.

SCOTT: - E é. Ele me atacou, quase tive um enfarto.

JEAN: - Isso explica as mortes de ‘causas naturais’.

SCOTT: - Sim. E prefere uma vitima mutante. Assim pode adquirir seu poder.

JEAN: - Faz sentido.

        O celular de Scott toca. Ele atende.

SCOTT: - Scott..... (OLHA PRA JEAN)... Quando encontraram o corpo?

        Jean olha pra ele.

SCOTT: - Já estamos indo.

        Scott desliga. Olha pra ela.

SCOTT: - Procure Robert Anderson naquela lista. Aposto que vai encontrar.

9:57 P.M.

        Scott tira a mamadeira da boca de Rachel. Ela já está dormindo. Scott a embala, caminhando de um lado pra outro no quarto, observando a parede vazia que Rachel olhava.

11:17 P.M.

        Jean entra no quarto. Rachel dorme na cama. Jean aproxima-se e dá um beijo nela. Vai pro banheiro. Scott está mergulhado na banheira, olhar ao longe. Jean encosta-se na porta e cruza os braços.

JEAN: - Está tentando se matar? Não quero virar mãe solteira.

SCOTT: - Isso é uma forma de admitir que precisa de mim?

JEAN: - Talvez. Mas no que estava pensando?

SCOTT: - Engraçado você falar isso. Estou pensando nos seus dons. Você tem mais controle sobre eles. Eu sou dependente desses óculos. Se Rachel for mutante, não quero que seja igual a mim, pois isso é horrível!

JEAN: - ...
       
        Jean fica pensando no que Scott disse, mas discorda dele, pois ela evita falar de suas dificuldades de ser uma mutante telepática.

SCOTT: - ... Também estava pensando no que você vai me contar sobre a autópsia.

        Jean abaixa a cabeça. Scott olha pra ela, debochando.

SCOTT: - Parada cardiorrespiratória?

JEAN: - ...

SCOTT: - Jean, numa cidade de pouco mais de 700 habitantes, é bastante estranho tantos ataques cardíacos. Ou eles comem carne demais e têm altas taxas de colesterol ou isso é culpa do Camaleão. Você não vai falar nada?! Nem discordar de mim?

JEAN: - Desculpe fiquei pensando na Rachel. Misturei trabalho com nossa vida particular.

SCOTT: - Como se ambos não estivessem ligados!

JEAN: - ... Se eu entrar nessa banheira vou ser perdoada pela falta de atenção?

        Ela diz isso fazendo cara de inocente e desabotoando o primeiro botão de sua blusa.

SCOTT: - (DEBOCHADO) Está tentando conseguir complacência através da sedução?

JEAN: - (PERVERSA) ... E terei?

SCOTT: - ... Jean, sabe que vai. Eu não tenho caráter mesmo.

        Ela sorri de modo provocante e pisca.

JEAN: - Já volto, vou ver se tem algum vinho no frigobar.
       
        Ela sai em direção ao frigobar.      

SCOTT: - Nossa você está se superando! Teremos uma festinha por aqui?

        Ela volta com uma garrafa de vinho, apenas com a blusa e descalça.

SCOTT: - Você fica mais sexy com essa camisa. Ué, não tinha taças?

JEAN: - (SEDUTORA)Eu sei ser boazinha, mas também sei ser uma garota bem malvada.
       
        Ela está apoiada na porta e bebe o vinho no gargalo da garrafa e limpa o canto da boca com o dedo indicador.

SCOTT: - (FIRME) Jean, entre já nessa banheira! AGORA! E se comporte.

JEAN: - Sinto muito Agente Summers, mas talvez não consiga me comportar. Você vai ter que me prender!

        Ele se levanta na banheira do jeito que está e ela se aproxima um pouco. Scott a puxa pelo braço e inclinasse em direção ao rosto dela.

SCOTT: - (Sussuro) Você está presa!

JEAN: - Tenho direito a um advogado...

        Ela fala ignorando o fato de ele estar segurando o seu braço de modo firme um tanto ríspido. Apenas arqueia a sobrancelha e fica analisando o corpo de seu marido que está como veio ao mundo. Scott a puxa para mais perto e sussurrando em seu ouvido fala.

SCOTT: - Você só tem direito a uma coisa... Entrar nessa banheira!

JEAN: - Ok! Ok! Troco meu advogado por um agente federal...

        Ele a beija e como está molhado deixa a camisa dela transparente ao abraçá-la. Ela entra na banheira e os dois ficam se beijando deitados na banheira.

SCOTT: - (FALANDO BAIXINHO)Nada de barulhos ouviu!

JEAN: - Tá, nada de ‘barulhos’.

        Jean fecha a porta com a telecinésia.
       
Hotel River - 12:37 A.M.

        Scott tinha saído para comprar mais fraldas e quando volta para o quarto, pode enxergar Jean abraçada na filha, enquanto brincam. Scott fica admirando a cena, ele nunca imaginou que iria construir uma família tão bonita. Nesse momento pensou em largar o FBI e ir morar no campo com Jean e Rachel e ter mais filhos. Sentia falta de uma vida mais tranquila com as duas.

SCOTT: - Tá aqui as fraldas. Como ela está?

JEAN: - Está bem. Porque demorou tanto? Onde esteve a tarde toda?

SCOTT: - Recolhendo cadáveres com os policiais locais... Nós vigiamos todas as casas das pessoas da lista e mesmo assim... Dois homens sofreram parada cardiorrespiratória. Não chegaram nem ao hospital... Eu quero que pegue suas coisas e volte pra casa.

JEAN: - Não sem você.

SCOTT: - Vocês são minha prioridade!

JEAN: - Vocês dois são a minha prioridade, Scott. E estamos nisso juntos! Para de achar que não me preocupo também.

SCOTT: - Jean, sabe que não posso sair daqui e não é porque não queira! Por mim, deixaria esse caso, mas preciso trabalhar!

JEAN: - Esse também é o meu trabalho!

SCOTT: - Só me deixa sentir, que estou protegendo vocês...

        Scott senta-se na cama. Coloca as mãos no rosto, nervoso. Jean aproxima-se dele, segurando Rachel e o abraça.

JEAN: - Eu volto... Mas saiba Scott, que ainda resta uma pessoa dessa lista, e talvez você não possa fazer muita coisa pra impedir a morte dele.

        Scott olha pra ela com um olhar mais tranquilo. Jean coloca no Rachel no chão com alguns brinquedos e sai para pegar uma garrafa de água.

SCOTT: - Eu te amo. Desista disso. Saia do FBI e cuida da nossa filha em casa...

JEAN: - NUNCA! Mas você não se contenta mesmo. Não basta eu ceder em voltar pra casa hoje, você já quer que eu desista da minha carreira!

SCOTT: - Teimosa. Não vê que se continuarmos assim, Rachel sempre terá uma ameaça direta a ela!

JEAN: - Eu sou! Scott, eu me dedico há muito tempo a minha carreira porque é a minha vida! Não posso desistir disso porque vc está com medo ou sei lá. Estou tentando conciliar da melhor forma possível tudo em minha vida, cuidar da minha filha, cuidar de mim e manter a minha carreira, assim como a maioria das mulheres que trabalham e tem família, mas eu... (CHORA) quando você fala esse tipo de coisa, me sinto totalmente incompetente.

        Scott está sentado na cama e Jean está de pé ao lado do frigobar. Ele a puxa pela cintura e abraça.

SCOTT: - Me desculpe... Não pensei que iria te machucar dessa maneira. E claro que você não é incompetente, é a melhor no que faz e sabe disso. Eu escolhi você pelo seu currículo esqueceu?

JEAN: - ...

SCOTT: - O problema foi que você me seduziu, nos casamos e temos uma filha! Quem mandou ser o amor da minha vida?!

JEAN: - ...

SCOTT: - Você é uma grande mãe e eu sei que dá conta de tudo isso e muito mais. Estou assustado porque o Camaleão sabe que vocês são o meu ponto fraco e as ameaçou. Minha nossa o cara é invisível e já entrou nesse quarto! Eu morreria se alguma coisa acontecesse a uma de vocês. Mas, vamos segurar essa situação juntos, tá bem? Só dessa vez você volta. (BRINCANDO) Eu voltaria também, mas confesso que não sei fazer sopa pra Rachel e ela ainda mama. Você que é linda inteligente e lanchonete ambulante, nem chego perto de seus talentos.

JEAN: - (SORRI) Seu bobo.

SCOTT: - Ela odeia a minha comida, Jean! Não é verdade Rachel? Pode dizer a sua mãe...

RACHEL: - Mama!

JEAN: - (ANIMADA) Ela disse “mamãe”! Ela disse! Eu ouvi!

SCOTT: - Ela disse sim! Essa menina ta muito esperta! Não demora muito e ela vai ser um dicionário ambulante.

        Scott pega a filha no colo e a menina fica rindo e mexendo no visor de Scott.

SCOTT: - É filha, o papai um dia vai te ver um dia sem precisar usar esse trambolho no rosto.

JEAN: - Filha você disse “mamãe”. Sua danadinha.

        Jean fica fazendo carinhos na barriga da filha.

SCOTT: - Ela merecia um pai melhor. Porque está comigo?

JEAN: - Scott você é excelente pai! Mesmo sendo uma pessoa super atarefada, consegue arranjar tempo Rachel. Você é um bom marido, o amante que eu já tive!

SCOTT: - Queria me elogiar ou me deixar com ciúmes?

JEAN: - Você não foi o único homem da minha vida. (IRÔNICA) Mas se te conforta, suas ex’s me perseguem até hoje. Uma já até tentou me matar grávida! Você é de enlouquecer qualquer mulher!

SCOTT: - Não precisamos lembrar esse fato.

JEAN: - O caso Scott é que mesmo que eu para de trabalhar e fique em casa, temos um alvo nas costas só por sermos mutantes.

SCOTT: - Isso é verdade.

        Os dois trocam um beijo. Jean pega a filha nos braços.

SCOTT: - Que tal um café?

JEAN: - Hum... Que tal almoçarmos fora?

SCOTT: - Não comeu ainda?

JEAN: - Não. Estava te esperando.
SCOTT: - Então vamos.

Restaurante do Hotel River - 1:13 A.M.

        Scott toma um café. Rachel está no colo dele, brincando com sua gravata. Jean come um frango grelhado com arroz a grega.

JEAN: - Acho que estou saindo de forma, sabia?

SCOTT: - E por isso está comendo essa comida sem graça? Você ainda está amamentando! O que me diz de Jean, o que vai querer de sobremesa, Charlote ou Cupcake de chocolate?

JEAN: - (SORRI) Scott, eu jamais, mas nem sequer por um momento, poderia imaginar essa cena que está acontecendo hoje aqui! Eu e você juntos? Com uma filha?

SCOTT: - (RINDO)Mas a gente se casou! Se arrependeu foi? Confessa Jean.

JEAN: - Nunca, Scott! Acho que foi a coisa mais certa que já fiz na vida. A maneira como nos conhecemos foi tumultuada, mas ainda bem que optei pelo FBI. Acho que... acredito no destino, sabia? Tomamos decisões na vida sem saber o porquê e depois... percebemos que era o caminho a ser se seguir.

SCOTT: - Não acredito no que estou ouvindo.

        Um homem entra no restaurante. Aproxima-se do balcão e pede um café. Rachel olha pra ele, por sobre o braço de Scott. Ele e Jean continuam conversando. Rachel olha pra Jean. Olha pra Scott. Puxa a gravata dele.

SCOTT: - Ai, filha, quer me degolar agora? Esta bem eu deixo você ver o programa do dinossauro roxo! E...

        Scott percebe que Rachel franze a testa, ameaçando chorar.
Scott olha pra ela. Ela vira-se olhando séria pro homem. Scott vira-se e olha pra ele. Levanta-se. Scott entrega a filha pra Jean, que fica olhando pra ele sem entender. Scott aproxima-se do homem.

SCOTT: - Então, desgraçado, achou um novo disfarce?

        O homem olha pra ele surpreso.

HOMEM: - Não o conheço. O que quer?

SCOTT: - Não pense que vou perguntar o mesmo.

        Scott puxa as algemas e algema o homem.

HOMEM: - Ei, o que está fazendo?

        Jean levanta-se e vai até Scott.

JEAN: - Scott, o quê...

        Rachel começa a chorar, desesperada.

SCOTT: - (GRITA) Tira ela daqui, Jean!

        Jean faz uma rápida sondagem mental e confirma ao agente Summers.

JEAN: - (Elo Mental) Acabe com ele Scott! Ele pretende atacar Rachel.

        Jean vai até a porta. Mas a porta e as janelas se fecham. Jean cria um campo de energia para proteger a filha, mas isso impede o Elo Mental com Scott que agora está por conta própria.
        Scott olha pro homem. Os olhos do homem ficam vermelhos, com a retina como se fosse um olho de gato. Scott se afasta dele. O chão começa a tremer. O homem solta-se das algemas e urra, um som infernal.

CAMALEÃO: - Vou levar o que me pertence! E levarei sua filha porque preciso dela.

SCOTT: - ...

CAMALEÃO: - Seria melhor que a entregasse pra mim. Poderia lhe dar as verdades que procura.

SCOTT: - Não existe preço pra ela! Tão pouco estou atrás de verdades. A única verdade é que você está preso Camaleão!

        O homem lança um olhar fulminante em Scott. Scott põe a mão sobre o peito, ficando sem ar. Jean está assustada.

JEAN: - (GRITA) Scott!

        Scott sinaliza pra ela ficar ali.

CAMALEÃO: - Me dê a menina!

SCOTT: - Pode tentar me matar, seu desgraçado, mas nunca levará a minha filha!

        Um vento forte começa a soprar dentro do restaurante, atirando as mesas contra a parede e Scott com elas. Scott cai no chão. Uma das mesas cai sobre ele. O homem vira-se pra Jean e caminha em direção à ela. Rachel chora desesperada. Scott levanta-se e corre até ele. É arremessado contra a parede novamente. Scott luta contra a força que tenta segurá-lo. Mas continua contra a parede. O homem aproxima-se de Jean e Rachel. Scott olha pra elas e o desespero em defendê-las é maior. Ele consegue se desvencilhar.

SCOTT: - Deixe a minha família em paz!

        O homem vira-se pra ele. Olha-o. Scott evita olhar pra ele.

CAMALEÃO: - Conheço sua alma, conheço você. Já olhou em meus olhos uma vez. Você daria tudo pra continuar na vida que levava! Se eu as matasse não teria mais preocupações. Você não as quer. Nunca quis! Elas atrapalham sua vida e só trazem angustias!

SCOTT: - Mentira! Eu apenas não me sentia preparado para viver tudo isso, estou aprendendo ainda!

CAMALEÃO: - Você sabe que é verdade estaria melhor sem elas. Me de só a criança.

JEAN: - Scott, não dê ouvidos à ele! Quer iludir você, vai se aproveitar das suas fraquezas!

CAMALEÃO: - Você é um covarde, destruiu a vida de sua mulher e destrói a vida de sua filha! Você as colocou nisso.

JEAN: - Scott, não dê ouvidos! Está tentando te manipular.

        Camaleão começa a sucar as energias do Agente Summers. A Agente Grey tira o campo de força e abre o elo mental com Scott.

JEAN: - (Elo mental) Vou distraído com a Rachel e você dispara contra ele.

SCOTT: - (Elo Mental) É Arriscado ele atacar você ou ela. E estou sem forças.

JEAN: - (Elo Mental) Então é bom você não errar.

        Jean mostra Rachel sem o campo de força para o Camaleão.

JEAN: - O Calango! Estamos aqui...

CAMALEÃO: - A criança!

        Ele vira-se para buscar Rachel e a agente Grey envolve apenas a filha em um campo de energia telecinética.  Então ele vira-se para atacar Grey.

CAMALEÃO: - Tola! Você é mais significativa do que ele.

        E ele tenta sugar a energia a agente Grey.

JEAN: - Esqueceu de dizer mais esperta. (Elo Mental) Atire na cabeça dele assim que ele cair.

        Ela dá um chute entre as pernas do Camaleão. Que cai de joelhos.

SCOTT: - Volte pro lugar de onde nunca deveria ter saído!

        Scott estoura a cabeça do Camaleão e começa a se desintegrar. A porta abre-se, as janelas também. Jean olha pra Scott, tira o campo de força da Rachel e a pega no colo que ainda está assustada.

JEAN: - Filha, esse foi apenas um dia de trabalho tedioso do papai e da mamãe.

        Scott anda em direção as duas e as abraça.

SCOTT: - Graças a Deus vocês estão bem!

JEAN: - Confio em nosso treinamento, iríamos nos sair bem. E acima de tudo, confio em você.

        Ele a beija na testa e abraça mais forte

SCOTT: - Ah Jean... Vamos embora daqui. Precisamos ir pra casa.

Eles saem do restaurante abraçados.

Estrada Interestadual - 3:48 A.M.

        Scott dirige. Rachel dorme no banco de trás. Jean olha pra Scott.

JEAN: - Como vamos explicar isso?

SCOTT: - Não vamos.

JEAN: - ... Ele matou a última pessoa da lista...

SCOTT: - Sim. Deixe que eu faça o relatório da missão. Só quero que você volte a treinar no Instituto Xavier força física.

JEAN: - Está me chamando de gorda?

SCOTT: - Não. (SORRINDO) acho você deliciosa, mesmo que ganhe alguns quilos um dia,ou perca, vai continuar gostosa.

JEAN: - Então por que esse pedido?

SCOTT: - Caso você fique impedida de usar seus poderes, quero que esteja apita a um embate corporal. E quando Rachel ganhar mais idade fará o mesmo treinamento. Quero vocês duas fortes fisicamente a ponto de derrubar um touro.

JEAN: - Scott, eu tive o mesmo treinamento que você teve!

SCOTT: - Mas depois que Rachel nasceu você não tem praticado muito. Por favor, Jean! Apenas faça...  Você é sempre a primeira a me dizer para eu deixar de ser paranóico... Fazendo isso tenha a certeza de que pelo menos vou dormir mais tranquilo.

JEAN: - Esta bem. Você tem razão. Assim que chegarmos ligarei para o James...

SCOTT: - Qual é Jean?! O Agente Logan não!

JEAN: - Deixe de ciúmes Scott, Logan é o melhor para treinamentos e você sabe disso!

SCOTT: - Depois de mim! Eu continuo com a maior pontuação na sala de perigo!

JEAN: - Agente Summers quer para, por favor?!

SCOTT: - Tá bem! Mas você leva a Rachel...

JEAN: - Por quê?

SCOTT: - Quero alguém de minha confiança observando tudo...
       
        Ele fala isso olhando para a filha pelo retrovisor.

JEAN: - Scott você é muito paranóico!

SCOTT: - Você sabia disso quando disse sim para mim na frente do Padre. Seus pais estavam lá e a agente Munroe e a agente Raven serviram até de testemunha do seu crime...

JEAN: - (RISOS) Como eu iria esquecer você estava igual a um pinguim.

        Os dois se olham e Jean faz carinhos na bochecha do marido.


Parque de Diversões Amazing Land - Alexandria - Lousiana
Dias atuais
11:17 P.M.


        Scott olhando para a bola de cristal. Scott olha pra Salustti.

SCOTT: - (SORRI) Muito bonita a sua história. Conto interessante.

SALUSTTI: - Não é um conto. É seu futuro.

        Scott levanta-se. Olha pra ela.

SCOTT: - Sinto muito, mas não acredito no futuro.

        Salustti vai até ele. Olha em seus olhos, segurando as lágrimas. Beija-o na testa.

SALUSTTI: - Pena não ter conhecido você antes, Scott. Mas é assim que a vida funciona. Só nos revela o que quer e quando quer.

        Salustti passa as mãos no rosto dele. Olha-o com ternura.

SALUSTTI: - Você é mais bonito do que imagina. Foi um prazer conhecer você. Pena que as coisas que lhe disse hoje, serão esquecidas. Não vai se lembrar delas amanhã pela manhã. Nunca vai provar que estive certa, porque não vai se lembrar mais de mim... Mas um dia nos veremos novamente, Scott. E você me ensinará a ver a vida de outra forma. E nem eu me lembrarei de você e dessa noite. Mas nossas almas sempre se lembrarão, em cada gesto que tivermos um com o outro. Porque não é de agora que nos amamos. É de muito, muito tempo. Um amor forte demais. Sou parte de sua alma e parte de uma alma que te ama. Mas se ela visse o que você viu hoje, jamais esqueceria e talvez esse futuro ficasse impossibilitado de existir. Mas não esqueça de que morremos para renascer.

        Scott parece bastante confuso e incrédulo.

SCOTT: - Espero que consiga manter seus clientes com sua TV em forma de bola...
       
SALUSTTI: Duuuurma...
       
        Salustti fala para Scott que apaga por cerca de alguns segundos.
       
SALUSTTI: ... E quando acordar vai acreditar que eu li sua sorte em um baralho de cartas marcadas e esquecerá tudo que viu sobre seu futuro. E nem se lembrará do meu rosto. Mas nunca esqueça que se tornará um grande chefe de família e será muito amado e respeitado por isso.

        Scott acorda e Salustti lhe sorri. Ele afasta-se e sai da tenda. Jean está do lado de fora. Comendo pipoca.

JEAN: - Então, Scott? O que a cigana lhe contou sobre o seu futuro?
       
        Ela pergunta lhe oferecendo pipoca.

SCOTT: - Ela disse que se jogar na loteria eu poderia ganhar, pois só não tem chance de ganhar quem não joga...
        Ele pega a pipoca e fica olhando para o céu.
       
JEAN: - Agente Summers, quando vai aprender a me escutar...

SCOTT: - Você tinha razão, Jean. Ela é uma farsante.

        Os dois caminham até o carro.

JEAN: - O que ela lhe disse para mudar de idéia?

SCOTT: - O que ela disse?

JEAN: - É o que ela disse?

SCOTT: - ... Que eu tenho conserto.

JEAN: - Mas você não está quebrado e não lhe falta nada.

SCOTT: - Não seja tão literal... E talvez falte.

JEAN: - Você é adulto, bem resolvido, com uma boa carreira sólida, o que lhe falta?

SCOTT: - Talvez companhia para um sorvete. Vamos tomar um sorvete?

JEAN: - Não, obrigada. Fiquei tempo de mais observando esse circo preciso sair daqui. O que acha de um Sushi?

SCOTT: - Seria perfeito. Hot ou Califórnia?

        Os dois entram no carro. E apesar de estar feliz por finalmente sair para jantar com sua parceira se preocupações, Scott fica sério e um pouco abatido.

JEAN: - O que foi Scott?

SCOTT: - Me veio uma sensação triste agora, como se eu fosse perder alguma coisa...

JEAN: - Faz tanta questão assim do sorvete?

SCOTT: - (RI) Esquece o sorvete e vamos!
Som de Lullaby, de Jack Jhonson.

Quando você está sozinho sonhando na cama
A noite fechou seus olhos mas você não pode descansar sua cabeça
Todos estão dormindo em toda casa
Você queria poder dormir mas esqueceu-se de algum modo
Cante essa canção para você mesmo
Cante essa canção para você mesmo
E se você está esperando, esperando por mim
Sabe, eu estarei em casa em breve, querida, eu garanto
Estarei em casa no domingo, daqui a uma semana
Seque suas lágrimas se você começar a chorar
E cante essa canção pra você mesmo
Cante essa canção pra você mesmo
Canção... eu não estou próximo
Cante essa canção pra você mesmo
Não chore, não, não chore
Cante essa canção pra você mesmo
Pois quando eu chegar, querida, não será mais tão distante
Não, não parecerá que a qualquer hora eu tinha ido
Não será a primeira vez e nem a última
Você irá se lembrar dessas palavras pra ajudar o tempo passar?
Então quando estiver sozinha, deitada na cama
A noite fechou seus olhos, mas você não pode descansar sua cabeça
Todos estão dormindo em toda casa
Você queria poder dormir, mas esqueceu-se de algum modo...
Cante essa canção pra você mesmo
Cante essa canção pra você mesmo
Cante essa canção, cante essa canção
Cante essa canção pra você mesmo



Salustti que os observa partindo. Ela chora. Entra na tenda e senta-se em sua cadeira. Serve um chá de camomila. Olha aflita para a porta. Um homem entra correndo, segurando uma arma. A polícia entra atirando. Uma bala acerta em Salustti. Ela cai no chão, ensanguentada. Ela Põe a mão sobre o peito e fecha os olhos.

SALUSTTI: - Nos encontraremos brevemente, Papai e Mamãe. 

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Próximo Capítulo II: IDOALAS BELESDER
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