SINOPSE:   Parecia só mais um caso da Divisão Criminal Mutante, mas nada é o que de fato possa parecer. E quando desejamos muito uma coisa, ela pode se tornar realidade. Principalmente na Nova Inglaterra, onde  seus sonhos e também pesadelos, ganham vida.


Título: Divisão Criminal Mutante.
Capítulo III: NOVA INGLATERRA
Classificação indicativa. T (13+)
Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic em andamento, Multi-capítulos
Tipo: Romance, Policial, Suspense.
Base: X-men animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)





PORTLAND, MAINE

ESCOLA MUNICIPAL BLUEBERRY 09:00 A.M.

- 15 minutos, é o tempo para me entregarem a prova. - O jovem e arrogante professor falou após entregar a última folha em branco para
seus alunos.

        No quadro negro quatro questões escritas com uma grafia quase indecifrável deixavam os mais de vinte alunos em pânico. A maioria deles, se apressavam tentando responder as questões mais rápido do que os ponteiros do relógio avançavam. John Granger, estava sentado no última fileira da classe.

        O menino parecia ser o único alheio a movimentação de seus colegas. Enquanto os outros respondiam as complicadas questões de aritmética, ele usava a sua folha em branco rabiscando alguma coisa. Granger estava completamente distraído que não percebeu os passos compassados do professor chegando até sua mesa.

- O que pensa que está fazendo? - O professor puxou o papel das mãos de Granger.

- Este é meu..... - o menino começou a falar, mais foi interrompido.

- Não quero saber o que é isto. Vá até a sala do diretor agora! Depois da prova conversaremos.

- Mas senhor.. - O professor pegou o papel onde o garoto tinha desenhado e amassou até virar somente uma pequena bola de papel, depois atirou dentro da lata de lixo que ficava no canto da sala.

        Granger saiu da sala, olhando uma última vez para a lata de lixo e para a cara de alguns alunos, que mantinham olhares irônicos para ele.

      O jovem garoto foi a secretária onde pegou suspensão por dois dias e iria levar um comunicado para a mãe comparecer na escola. Antes de ir embora, porém, ele voltou até a sala de aula, a prova havia terminado e não tinha mais ninguém. Ele enfiou a mão dentro da lata de lixo, tentando encontrar o seu desenho.
        O garoto escutou passo vindo do corredor e preparou para esconder-se num canto escuro da sala. Os passo, no entanto, afastaram-se da porta e ele continuou a pegar os papeis. Ao final da busca, seu  desenho tinha desaparecido de dentro da cesta.
        Granger ainda permaneceu no pátio da escola até o fim da tarde, ele sabia que quando chegasse em casa teria sérios problemas para se explicar a sua mãe.


Escola municipal Blueberry 02:00 P.M.

O professor Donald McKee, todos os dias antes de ir embora para casa, passava mais uma vez em sua sala, para verificar se os armários estavam devidamente trancados.

Apesar da aparente calma que a cidade possuía, o professor já tinha experiência suficiente em termos de brincadeiras de alunos, foram várias as vezes que pegou seus alunos arrombando cadeados. 

A sala estava escura e o homem pressionou o interruptor mais de uma vez, tentando acender a luz em vão. Donald entrou na sala e se preparava para alcançar uma chave geral de energia, quando sentiu um forte puxão para trás. Ele não teve tempo de ver quem o atacava. O golpe foi violento o suficiente para torcer o pescoço do professor e levá-lo a morte imediata.


BOSTON, MASSACHUSETTS 01:00 P.M.

Os agentes Scott Summers e Jean Grey estavam indo em direção a Portland em um carro que tinham acabado de alugar no aeroporto de Boston.
- Ainda não entendo o motivo pelo qual viemos de carro...
- Eles estão cortando gastos com as viagens Jean.
- Pensei que você mandasse em alguma coisa naquele departamento “chefe”.
- Você é muito chata sabia! É uma reclamona.
- Estou apenas tentando ser prática. Pois não entendo como atravessar 3 estados em um carro alugado não é sinônimo de economia ou praticidade Summers.
- Eu sei... Mas assim temos tempo.
- Tempo para que?

Summers abaixa o vidro do carro permitindo assim o cheiro do mar, juntamente com a brisa entravam por sua janela um forte cheiro de peixe. Grey por sua vez colocava uma pasta o rosto, tentando evitar que os fortes raios de sol atingisse seu rosto.

- Sinta Isso, Jean - Summers falou respirando profundamente a brisa do mar.

- Summers, eu já almocei a menos de um hora e se continuar a sentir este cheiro, acho que vamos precisar parar antes de chegarmos a Portland. Pois eu vou acabar passando mal.

- Reclamona! Tudo bem Grey, não está sendo um bom dia para você, não é? Mas pense positivo. – Ele sorri um sorriso cafajeste - Se não fosse por este caso, você nunca iria Ter uma chance de retornar ao Maine. Lembra o que aconteceu da ultima vez?

AUGUSTA, MAINE 8 MESES ATRÁS.

No ambiente está tocando Toxic, de Britney Spears.



O Agente Summers, a Agente Grey, a agente Munroe a o Agente Mccoy após a conclusão de mais um caso da Divisão Mutante, ganharam dois dias de folgas em um hotel de Augusta. Os amigos estavam jogando Poker no mezanino do hotel. Hank e Ororo estavam flertando há um tempo essa era a oportunidade perfeita para avançarem algumas bases.  

- Ai como eu amo a Nova Inglaterra. – disse Hank com esticando os braços e puxando Jean e Ororo pelos ombros.

- Ok. Mas isso não é motivo para você ver meu jogo!
        Falou a ruiva irritada. Ororo ao contrario sorriu e acariciou a mão de Hank.

- Jean você não sabe mesmo se divertir! – disse Ororo e todos concordaram. - Tá tocando Britney, inspire-se.

- Eu sei me divertir! Mas vocês são meus colegas de trabalho.

- Amiga, não estamos trabalhando. – Ororo disse piscando.

- Jean, você não sabe o que é diversão. Só sabe jogar Xadrez! – Falou Scott.

- Isso não é xadrez, é POKER! – Disse ela irritada – E eu sei me divertir. Duvidam?

- E que tal Strip poker? – Hank sugeriu e Ororo concordou. Jean Corou de vergonha.

- Jean nunca afaria isso, é muito pesado para ela. Ela não daria conta. – Scott debochou. 

- Não faço esse tipo de coisa sem... Sem..

- Sem estar alcooliza?- completou Ororo. – Anda, bebe amiga, cria coragem e faça alguma coisa divertida.

        Jean extremamente sem graça porém indignada com os comentários, resolveu aceitar a Marguerite que Ororo havia oferecido.

- Eu sou posso me divertir de varias maneiras, mas me recuso a brincar de Strip poker com vocês. Humm essa bebida é boa! Mas prefiro Vinho.

- Por quê?

- Porque eu vou ganhar de você e me recuso a ver sua bunda peluda Sr Mccoy.

- Concordo com você Jean! - Disse Scott.

- Eu não. – Ororo virou e beijou Hank.

- Certo, entendi o Strip poker agora... Bem como Jean é recatada..

Jean interrompe Scott.

- COSMOPOLITAN! Só ele me deixa animada!

- Bem retiro o que disse... Mas sim. Ao invés de Strip poker que tal o “Eu nunca”?

Hank e Ororo concordam. Jean faz cara de susto.

- Ai meu deus. Você não conhece o “Eu Nunca”? de que planeta você veio Jean? Explique a ela Hank. – Disse Ororo.

- A Jean, o ‘Eu nunca’. Um clássico.É aquilo. Todo mundo com bebida na mão. Um fala uma frase que começa com “Eu nunca”, tipo “Eu nunca andei pelado na rua”. Quem já andou nu na rua dá aquela bebida básica. Entendeu meu anjo? Sem Susto.

- O susto foi porque eu me lembrei dos tempos da faculdade...

- E você jogava isso na faculdade Jean? Não me faça rir. – Scott disse incrédulo.

- Já tive meus momentos de rebeldia Scott.

- Então comece ruiva. Quero ver o qual rebelde você já foi! – Scott fala servindo a todos uma taça de vinho.
       
        Todos ficam apreensivos com a possível frase de Jean.

- EU NUNCA fiz sexo dentro da biblioteca. – Jean vida uma dose e Hank Também. – Sua vez Scott.

- Biblioteca? – ele ri – isso faz bem o seu gênero, até transando você é chata!

- Foi incrível! - ela sorri para ele de modo sedutor.

- Certo. EU NUNCA transei com duas mulheres. – Ele bebe.

- Scott meu velho você realizou meu sonho de infância. – Disse Hank sem beber. Ororo Bebe. – Oq? Você transou com duas mulheres também?

- Bem, não eram duas mulheres, era eu e mais uma com o professor de ginástica...

- Já disse que eu to ficando apaixonado?

        Todos gracejam. Jean Está um pouco sem graça por ver Ororo e Hank se acariciando de forma mais picante. E é a vez de Hank.

- EU NUNCA transei com uma amiga de trabalho. - Apenas Scott bebe.

- Qual é Hank. Você tem que beber! – Scott se irrita.

- Mas isso ainda não aconteceu...– Hank fala olhando para Ororo – Pelo menos NUNCA até hoje, assim espero. – Ele bebe e pisca e passa a mão na perna da colega de trabalho.

- Tá legal minha vez. EU NUNCA transei na piscina deste hotel.- ninguém bebe e Ororo olha para Hank e continua – Mas a piscina é aquecida!

        Hank se levanta indignado. Jean e Scott ficam espantados.

- Certo acabou a brincadeira. Vamos! – Hank disse puxando Ororo pelo braço.

- Para onde?

- Para a piscina aquecida! Jean e Scott boa noite!

        Os dois saíram em direção a piscina e Scott e Jean não seguram o riso.

- O que foi isso?

- Hank é maluco. Ele sempre apronta dessas coisas...

- E você também né?! Duas garotas.

- Eu era jovem.

- Já fui jovem e nunca dormir com dois caras.

- Mas transou na biblioteca. Aposto que seus pais pensavam que você estava estudando para alguma prova. – ele queria deixá-la sem graça – você é má Jean. Seu rostinho angelical nunca me enganou!

- Não engano ninguém. Apenas não fico comentando minha vida pessoal por ai. – ela disse virando o rosto.

- Certo. Então vou pro quarto.

- Já?

- Essa cadeira não é nada confortável e Poker se joga com pelo menos 4. E esta ficando frio. – disse ele se virando.

- Estávamos brincando de “Eu Nunca”.

- Podemos continuar até subirmos. – ele pena a garrafa de vinho.

- Certo. Sua vez. Os dois vão andando pelos corredores.

- Você ta é curiosa... Tudo bem. EU NUNCA fui apaixonado por uma professora. Os dois bebem.

- Sr Clinton. 6º ano.

- Srª Campbel 8º ano.

- Eu nunca vi um filme erótico. Os dois bebem.

- Fala ai, quem era o cara da biblioteca?

- Um ex namorado. Por que quer saber?

- Curiosidade.

- Quem eram as duas?

- Porque quer saber? Queria ser uma delas? – disse ele virando a taça de vinho.

- Só curiosidade mesmo.

- Duas animadoras de torcida. Eu era atleta, fazia sucesso no colegial.

- Eu não.

- Duvido. Aposto que você era disputada na escola e esnobava todo mundo.

- Bem, eu terminei a escola pulando alguns anos. Entrei na faculdade com 16 e não convivi com muitas pessoas da minha idade.

- Diz ai, quem era o cara da biblioteca?

- Já disse um ex namorado. Você ta bêbado... já respondi essa pergunta.

- Não to bêbado, mas...

- Mas o que? Tudo bem que a minha vida sexual não foi tão animada quanto a sua mas... aliais, quem era a sua amiga de trabalho? 

- Era a Agente Frost da CIA.

- Que mal gosto! Não sei como você ficou tanto tempo com ela. – Jean fala com um pouco de ciúmes.

- Alguém não me queria...- ele disse olhando para Jean- além do mais ela é gostosa, mas não faz muito meu tipo. Mas sim quem era o cara da biblioteca.

- Já disse um ex namorado! – Ela disse irritada. Quase chegado ao seu quarto. – Quanta insistência!

- O Duncan? Você é muita areia para ele.

- E daí? Você ficou com a Emma. – Ela disse revirando os olhos. Ele segurou o braço dela e a encarou.

- Você está ciúmes?

- Você está bêbado!

- Sabe que não estou bêbado. E também sabe que eu estou te imaginando fazendo loucuras naquela biblioteca e morrendo de inveja do Duncan.

        Scott puxou Jean pela cintura e a beijou. Ela fica assustada, pois não esperava tal reação.

- Não consigo olhar para você e não imaginar coisas. – Ele desliza suas mãos pelos braços e costas da moça. – E você vem com esse olhar de superioridade me esnobando, porque sabe que eu seria capaz de fazer qualquer coisa por você. – ele passa as mãos sobre o seu rosto e se irrita ao perceber que ela está parada sem reação.

        Scott se afasta de Jean e vai para seu quarto. Jean ainda paralisada com tal ato age por impulso. Empurra a porta com certa revolta pedindo explicações.

- Você ta louco ou bebeu de mais?

- Um pouco dos dois.

- Você é meu chefe!

- Me processe!

- Seu idiota!

- Por que veio aqui?

- Porque você é um idiota!

- E você gosta de idiotas?

- Claro que não!

- Mas ficou com o Duncan... Ele é um idiota!

        Scott sorri e Jean se irrita e tenta empurrá-lo.

- Você ta com ciúmes dele!

- Morrendo!

        Ele segura suas mãos e lhe beija os lábios. Deixando-a ainda mais irritada.

- Você ta estragando tudo!

- Eu to estragando tudo? Você veio até meu quarto depois de eu ter dito claramente que sou louco por você. Tens noção de quanto eu tava segurando isso?  Mas tudo bem. Como seu chefe eu peço desculpas e peço para que você saia daqui.

- Aceito suas desculpas, mas não vou sair! – disse ela relutante.

- Então saio EU!

- Ótimo!

- Ótimo!

        Scott vai em direção a porta e olha para trás e para um instante. Ele percebe que Jean está atordoada e fica esperando alguma reação da moça.

- Jean, o que você quer depois de tudo isso?

- ...

        Ele vai em direção a ela.  E Senta na cama.

- Melhor você ir para o seu quarto Jean.

- Não vou!

- DROGA JEAN O QUE VOCÊ QUER AGINDO ASSIM?! - Ele a interroga com os braços abertos e tensos. 

        Ela vai em direção a ele e fica parada em sua frente.

- ... Eu... Eu... - Ela o encara um tanto sem jeito e coloca a mão em um de seus ombros - Não sei. 
      Ela o beija e abraçando bem forte. Ele retribui de forma intensa fazendo com que caiam na cama ao lado. Beijam-se como se aquele fosse o ultimo instante de suas vidas.
       Scott não acredita no que está acontecendo ele sorri.

- Você está louca ou está bêbada?

- Um pouco dos dois!

- Eu sou seu chefe.

- Me processe!

- Você ta abrindo a minha camisa!

- E deitei na sua cama...

- Tá tentando me seduzir? Porque se for está conseguindo.

- É você que está sem camisa! – Ela disse cínica.

- Sim. Porque você a tirou!

- Achou ruim?

- Não mesmo...

        Os dois se amaram como nunca antes e depois ficaram deitados trocando caricias.

- Devíamos ter feito isso há mais tempo

- É deveríamos. Ainda acho que vou acordar e você não vai estar aqui.

- Por que acha isso?

- Sonho com esse dia desde que fizemos o curso de tiro juntos.

- Mesmo? Se bem me lembro brigamos e eu estava armada.

- Armada e linda! Pensei “Nossa como ela fica linda com raiva. Espero um dia vê-la sorrindo também“

- Sim acredito... Scott quase te expulsei da academia Xavier por indisciplina. Só não fiz isso em consideração ao seu pai.

- Mas não conseguiu!

- Por causa do seu currículo! 

- Sim. Mas você é má! Muito má! – Ele fala fazendo graça e ela sorri.– Tá vendo só como esse sorriso valeu a pena...

- Bobo. – Eles se beijam – Nossa Hank e Ororo eu já imaginava, mas nós dois... Nem me passava pela cabeça.

- Na minha sim! Todos os dias.  Sei que você também, mas nunca vai admitir. 



BOSTON, MASSACHUSETTS 01:10 P.M.


- Eu lembro muito bem desse dia. – ela sorri.

- Rá! Consegui deixar você menos reclamona.

- Então toda essa viagem de carro é para a gente passar mais tempo junto?

- É! Você não quer assumir que estamos juntos.

- Certo, mas não poderíamos ir de avião e ficarmos um dia a mais  no hotel? – ela disse arqueando a sobrancelha.

- Gosto de andar de carro, e assim você não tem distrações além de mim. – Ele puxa a mão dela e beija. Ela faz carinhos em seu rosto.

- Certo Sr Irresistível. Mas estamos em uma viagem de trabalho.

- Tá vendo, você não sabe se divertir... – ele ri e ela fica lendo a pasta do caso.

- Por que não vamos direto ao caso - ela falou olhando novamente para a reportagem do caso em suas mãos. - Aqui diz que o professor Donald foi misteriosamente assassinado e que o histórico dele com os alunos era péssimo. Muitos alunos já tinham pregado peças nele, devido o seu temperamento com os alunos. Não vejo nenhum mistério que precise da nossa presença.

- Olhe a próxima foto. - Summers agora parecia compenetrado na direção.

      Grey passou para a foto da frente onde o pescoço do professor era mostrado detalhadamente com as marcas dos ferimentos. Algumas garras eram facilmente identificadas.

- Que espécie de criança faria isto Grey?

- Bem, parece provocado por algum tipo de ferramenta.

- Nada foi achado no local, nem mesmo impressão digital.

- E isto em torno do pescoço dele. Parece uma mancha escura.. ao redor do pescoço e na camisa.

Summers inclinou-se num movimento perigoso para a direção e olhou o detalhe que até então não tinha percebido.

- Hei. Olhe pra frente! Não quero morrer em um acidente de carro. - ela fala segurando o volante. Ele ri.
- Dramática... Por isso precisamos de você lá agente Grey. 
- Para eu manter a direção do carro quando você falhar?
- Você sabe que eu sou piloto? - Ela a olha incrédulo e ela lhe sorri - Enfim, os laudos só seriam liberados na presença de outro legista. Não estava apenas tentando te seduzir Jean. Pode mesmo ser um Mutante.

A Agente Grey olhou conformada para as pastas, ela trabalhava tempo suficiente para saber que quando a policia local retém provas para o FBI, é um sinal discreto para uma investigação direta, poderia mesmo ser um mutante. Ela não tinha mais argumentos esse era mais um caso para a Divisão de Mutantes. A única saída realmente era aguentar o cheiro quase sufocante de peixe. 




Não era o que esperava para o fim de semana, mas pelo menos estamos juntos e longe do departamento um momento a dois é sempre bom... A Nova Inglaterra é um cenário perfeito para um romance apimentado... 




Ela completou seu pensamento com a rapidez necessária para não se envergonhar ou deixar que Scott pensasse que tinha razão em tudo.


VINCE STREET - PORTLAND

No ambiente elegante do quarto de Laura Granger, apenas a música clássica vinda do aparelho de som era ouvida. Ela estava sentada sobre uma enorme prancheta onde dezenas de papeis se apinhavam. O projeto de arquitetura no qual estava trabalhando, teria que ser entregue no máximo em dois dias.

Era como se ouvisse seu apelo pelo silêncio e por isso mesmo quisesse contrariá-la,seu filho John, no andar debaixo, ligou o volume do som no máximo. Laura respirou fundo e levantou-se furiosa, descendo as escadas com pressa.

- O que pensa que está fazendo? Achei que tínhamos um acordo. Nada de música, nada de desenho!

- Mãe, será que não percebe. Eu sou um artista, como a senhora. Tudo o que eu quero é desenhar.

- Precisa estudar se quiser ser igual a mim. Porque as coisas sempre são difíceis com você?

- Talvez eu seja seu trabalho mais mal feito. E depois esqueceu que não tenho mais professor - ele falou com ironia, se referindo a morte de Donald. - Laura estava ainda mais séria.

- Escute aqui, isso não é uma brincadeira, pare de agir como se fosse uma criança. Você sabe que mais cedo ou mais tarde a polícia vai bater aqui, para lhe fazer perguntas.

- Está com medo de seu filho ser um assassino?

- Não repita isto. Eu não vou permitir. - Ela pegou os papeis de cima da mesa, abaixou o volume do som e saiu da sala, deixando John pensativo.

De volta a sua mesa de trabalho ela não pode deixar de admirar os traços que estavam no papel. O filho realmente tinha Dom para o desenho e ela não conteve uma ponta de orgulho. O único problema era sua obsessão com a mesma figura.

Desde que tinha tomado gosto pelo desenho. A única coisa que John fazia era desenhar o mesmo estranho e misterioso personagem, em várias versões. O primeiro dos desenhos dele tinha inclusive sido emoldurado e agora enfeitava a parede do quarto do filho, mas a visão era tão horrenda para os padrões de Laura, que ela evitava olhar para os desenhos do filho, como um todo e quando os analisava, o fazia apenas com relação aos traços. Laura ligou novamente a música ambiente.

MORGUE DO CONDADO DE PORTLAND

3:45 da tarde.

        O corredor que separava a sala de recepção dos frios congeladores com os corpos não era suficiente para dissipar o cheiro de amônia que infestava o local.

Os Agentes Grey e Summers seguiram o jovem atendente que parecia surpreso com a visita dos dois.

O homem começou a tirar o corpo do refrigerador, falando com Summers como se ele fosse o legista que faria novamente a autopsia, e ao ser alertado por Summers que ele, era a pessoa errada, o homem pareceu ainda mais surpreso de ver alguém aparentemente tão frágil e delicada com tanto sangue frio. Summers sorriu sem nem ao menos mexer os lábios.

No exame superficial que Grey fez do homem, notou que os dados batiam exatamente com os do legista anterior que tinha feito a primeira autopsia. A única coisa que parecia vaga no relatório era a ausência de qualquer informação sobre a substância preta que ainda era claramente vista no pescoço da vítima.

Nem mesmo no laudo feito com as roupas do professor Donald tinha sido feita qualquer referência ao teor da substância. Grey se deteve no pescoço e pegou numa mesa colocada ao seu lado, uma pequena lamina e raspou lentamente a pele do cadáver. Ela colocou um pouco da secreção dentro de um pequeno vidro e com o pouco que sobrou em sua luva, pressionou um dedo no outro, como se quisesse vera consistência.

- Sabe o que é isso.

- Eu gostaria de esperar os laudos, mas tenho quase certeza que é grafite.

- Grafite? - os olhos de Summers pareciam brilhar.

- Summers tem alguma coisa que sabe e que não me disse até agora?

Summers ia começar a falar quando o xerife do local, acompanhado do legista entraram na sala.

- São eles - o legista falou.

- Pode nos dizer o que diabos estão procurando em um corpo já foi para a necropsia?

- Somos do FBI, senhor.

- Isso nós já sabemos - o legista estava nervoso.

- É impressão minha senhor, ou não está seguro do trabalho que fez – Grey falou com a voz ainda mais grave por causa da máscara que usava.

- Escute moça, não tenho nada a esconder.

- Isso é ótimo! Nós também não. Eu só queria saber qual o motivo da omissão da presença de grafite do pescoço e na roupa da vítma - Summers falou com uma certa autoridade.

- Deixe me ver isso - o legista se aproximou da mesa de necropsia e com uma potente lupa observou os grossos traços que escorriam pelas dobras do pescoço e principalmente na parte lesionada.

- Ele era um professor. Achei que não tinha nenhuma importância a presença disto aqui.

Grey evitou qualquer comentário, até mesmo por causa da ética de seu trabalho. De fato ela duvidava mesmo que o homem tivesse visto a presença do grafite, apesar da grande quantidade. Grey não conseguiu evitar pensar ironicamente que a presença do Xerife ali, era muito mais a de um guia, para o legista que não parecia enxergar dois palmos diante do nariz.

- Vocês querem realmente saber o que eu acho que aconteceu?

- Não imagina o quanto - Foi a vez de Summers mostrar o lado sarcástico do FBI.

- Essa pobre alma aqui presente não tinha entre os alunos um só amigo. O corpo ainda está aqui porque nem se quer os parentes dele, o reclamaram. Ainda estamos decidindo o que fazer.

- Acha que algum estudante tenha feito isto?

- Sim, na verdade acho.

- Sabe que é uma acusação muito grave. Se realmente acha isto, porque não prosseguiu as investigações?

- Não tenho como provar. Mas... - o homem hesitou - ... bem no dia da morte dele, ele teve uma pequena discussão na classe com um dos meninos.

- Sim eu vi isto nos laudos. Mas pelo que eu saiba, foi um motivo corriqueiro - Grey fazia o contraponto.

- Eu não confiaria muito neste aluno - O Xerife parecia não Ter certeza das próprias palavras. Ele é de fora e depois a mãe dele é...

- É... - Summers repetiu.

- Diferente. - conclui o homem.

- Como assim diferente - disse Grey já esperando uma resposta como a que se seguiu.

- Ela não vai a igreja, só veste calças e já levou mais de um homem para aquela casa.

Summers e Grey esperaram os dois homens sairem.

- Acho que vamos ter mais trabalho do que pensávamos - desabafou Grey, já tirando o jaleco.

- Porque não vamos a casa destas pessoas.

- É o que eu iria sugerir. "Diferente". - Summers falou sorrindo e olhando para a calça que Grey usava.

VINCE STREET - 07:00 P.M.

John tinha saído e Laura estava sozinha em casa, assistindo o noticiário na televisão. A campainha tocou e ela se apressou até a porta para atender. Quando a porta foi aberta, Laura não se conteve com a visão que teve.

- Scott... - demorou alguns segundos para que ela continuasse a frase - É você - ela completou com um longo abraço.

- Laura, Laura Stewart... - Summers também estava entusiasmado diante da bonita mulher que estava a sua frente.

- Não mais Stewart, ela completou... agora sou Granger.

- Está casada?

Grey que até então só ouvia toda conversa e permanecia distante tossiu baixinho, mas o suficiente para ser notada.

- Não, sou viuva - completou a mulher sem muito animo.

- Desculpe, deixe apresentar está é minha parceira Agente Jean Grey.

As duas mulheres se cumprimentaram sem muito entusiasmo.

- Mas o que traz vocês dois até aqui? Você disse parceira...
Claro - O tom na voz de Laura mudou - Eu tinha que imaginar que mais cedo ou mais tarde alguém viria. Você é do FBI não é?

- Como sabe? - adiantou-se Grey.

- Bem, é que mesmo fazendo anos que não via Scott, eu acompanhei algumas matérias sobre ele que saíram na TV. Eu só não me lembrei de imediato.

- Então sabe porque estamos aqui. - Grey estava incisiva, mesmo não querendo ser rude.

- John Granger é seu filho? - foi a vez de Summers perguntar.

- Sim.

- Será que podemos entrar?

- Claro, entrem.

Summers e Grey entraram e não puderam deixar de notar a admirável arquitetura e decoração da casa. Estava claro que eles não estavam lidando ali com uma profissional primária. Só não entendia, como alguém com  tanto talento tinha escolhido uma cidade provinciana para morar. Laura explicou que John tinha ido até o fliperama local e Summers e Grey quiseram saber se ela estava por dentro do que tinha acontecido.

- Tudo que eu sei, foi que não houve nem mesmo discussão. John achou a ordem de Donald arbitrária, mas nem mesmo respondeu ao professor. Meu filho é um garoto muito disperso.

- Preferíamos fazer com seu filho aqui. Mas se incomoda que eu e Grey olhemos o quarto de John... Só gostaria que soubesse que tem escolha.
Isso não é oficial, não há nada contra seu filho.

Laura pensou um pouco, baixou a cabeça e concordou que os dois subissem. Ela tinha certeza que o filho não tinha culpa pelo que tinha acontecido. Summers e Grey se dirigiram para a escada e Summers não pode deixar de notar, ao passar pelo escritório, alguns objetos de John sobre a mesa.

- Ele também usa este ambiente?

- Sim, na verdade. Ele usa mais do que eu.

- Grey, você olha lá em cima. Eu ficarei aqui.

Grey já tinha subido alguns lances de escada e se deteve. Ela olhou para Summers e Laura do alto e disse, com um tom até certo ponto
arrogante.

- Como quiser.

        O quarto de John não tinha nada que destoasse de um quarto de um adolescente normal. Um computador, que o menino deixara ligado,fazendo um download, alguns tênis no chão. A coisa que mais chamou a  atenção de Jean no entanto, foi o a figura desenhada no quadro sobre a cama. E ela se aproximou com cuidado e tocou na figura. O homem na figura vestia-se todo de negro e tinha no lugar de uma das mãos uma garra metálica.

Grey se afastou e seguiu para o computador, mexendo no teclado. Rapidamente ela verificou que metade do computador do menino, era preenchido de coisas referentes a este herói sem nome e que aparentemente ele tinha criado.
Na parte de baixo Summers apenas observava a variedade de livros na instante.
Ele e Laura tinha se conhecido, ainda na adolescência, quando os país dela tinha uma casa de veraneio, próximo ao orfanato onde Scott morava.

- Faz muito tempo não é Scott? - ela não conseguia disfarçar uma admiração a mais por Summers.

- É, mas estamos aqui de novo. A vida dá voltas. - ele sorriu - Você me disse que seu marido morreu.

- Sim, foi há quatro anos. Nós morávamos em Nova York. Foi um acidente de carro.

- Você o amava? - Summers parecia realmente interessado na resposta.

- ah - ela sorriu levemente.

- O que isso significa ? - insistiu Summers.

- É que você é a primeira pessoa que me pergunta isso em um bom tempo. Eu não sei dizer o que sentia por ele. Ele me deu meu filho e isso é o
que importa - Sabe o que acho estranho. Alguém tão talentosa como você
aqui. Nesta cidade, com poucas oportunidades.

- O que há de errado em viver aqui. Eu ainda tenho meu trabalho.

- Tem idéia do que as pessoas acham de você?

- Imagino. Isso não me incomoda Summers - ela tocou gentilmente no ombro dele e os dois ficaram se olhando por algum tempo.

- Eu admiro isso em você. - Summers falou com sinceridade,
mas se virou tentando

desfazer o clima que tinha sido iniciado. Isso é de John? - ele falou ao pegar 
o desenho em cima da mesa.

- É, um personagem imaginário que ele criou. Não sabe como isto me assusta.

Summers não pode deixar de notar as garras nas mãos do  personagem. Ele notou que haviam dezenas dele sobre a mesa.

- Será que ele se incomoda que eu fique com um destes.

- Acho que não, ele tem tantos.

Grey desceu a escada em seguida e encontrou os dois  conversando ainda no escritório.

- Espero que tenham percebido que meu filho é um garoto normal.

- Temos certeza que sim. - Grey falou.

Na verdade ela queria encerrar a conversa e sair com Summers o mais rápido possível da casa. Os dois já estavam do lado de fora. Quando
Laura falou:

- Mesmo nas circunstâncias que isto ocorreu - Foi bom vê-lo de novo.

Summers apenas acenou afirmativamente com a cabeça e saiu.

- Mais uma coisa - ele ainda voltou-se para Laura. Sabe onde podemos ficar?

- Tem um Hotel, há poucas quadras daqui. Não tem erro, essa
cidade não é muito grande.


MORGUE DO CONDADO DE PORTLAND
Fliperama. 8:45 P.M.

O fliperama de Portland era o único lugar na cidade que John costumava frequentar. Aquela noite em especial o local estava cheio, mas ele não se intimidou e tão logo entrou na casa, se dirigiu para a máquina no fim do corredor, sua preferida. Ele mal teve tempo para começar o
jogo quando as risadas vindas de uma parte lateral a ele chamaram a sua atenção.

Alguns dos rostos no pequeno grupo, John nunca tinha visto antes, mas dentre as pessoas ali estava Chris Roni, seu colega de classe e que no
dia do incidente com Donald foi um dos que zombou de sua cara. John, mais uma vez, não se intimidou e seguiu até o grupo.

- Posso saber do que estão rindo? - ele perguntou desafiador.

- Estamos rindo de você palhaço ou como é que quer ser chamado. O novo serial Killer de Portland? - todos acompanharam Chris na risada.

- Do que está falando?

- Não se finja de desentendido. Nós sabemos que foi você. Eu
vi seus desenhos na sala. Você criou um personagem e agora acredita que é ele e sai matando as pessoas. Mas eu não tenho medo de você seu tonto. Mais alguns dias e você estará atrás das grades.

- Seu filho da mãe. Eu não matei Donald - Os dois garotos começaram a se esmurrar, enquanto um grupo se formava ao redor deles.

Os dois jovens já estavam suficientemente arranhados, quando o xerife do local, acompanhados de mais dois policiais, entrou no fliperama.

- Parem com isso - ele gritava - enquanto os dois outros fortes oficiais, espalhavam a multidão.

Os meninos tinham suor e sangue por todo o rosto, mas ainda continuavam tentando se esmurrar. Ao ouvirem mais uma vez a ordem do policial, no entanto, eles se afastaram.

 _ Eu quero todos os dois em suas casa, já. - ao falar isso os
dois meninos se afastaram e caminharam cada um para um lado do fliperama.  Antes de John sair pela porta da frente o xerife virou para ele e disse

- Escute aqui Granger - chamando-o pelo sobrenome. - Eu estou de olho em você.

John voltou para casa, mas Roni apenas fingiu Ter ido embora. tão logo os policiais saíram, ele retornou e ficou até que a casa fechasse as onze da noite.

A moto do garoto estava estacionada num beco, próximo ao fliperama. Já não havia mais ninguém no local e quando Roni se aproximou do veículo ele encontrou a moto e em cima uma folha de papel, que ele não conseguia precisar o que se tratava.

Ao chegar perto e pegar a folha, virando dos dois lado, notou que o papel estava em branco. Roni então amassou e jogou o pedaço de papel
fora. Ele sentou-se na moto e quando preparava-se para colocar a chave e ligar, foi violentamente puxado para trás.

Quando Chris Roni caiu no chão, seu pescoço já estava completamente ensanguentado e as marcas das garras de metal cravadas em sua pele.

 KING´S HOTEL

Ainda no carro Grey tinha contado a Summers o que tinha achado no computador do rapaz. Ela disse que ele tinha criado o tal personagem e que nem mesmo tinha dado um nome para a figura que ele se referia apenas como DONNIE. Os registros no computador informavam que ele passavam horas do dia fazendo a divulgação do personagem na Internet, bem como criando histórias mirabolantes sobre o personagem. Grey disse que não conseguiu ler muita coisa, mas pelo pouco que leu percebeu que ele escrevia na primeira pessoa.

Ao chegarem no hotel, durante o registro dos dois na recepção, Summers tirou do bolso, alguns papeis e Grey puxou um deles, que estava entreaberto.

- Você pegou isso?

- Não, eu pedi para Laura.

O nome da mulher falado por Summers, soava estranho para Grey. Ela teve vontade de alertar Summers que a situação do filho da velha amiga dele, não era das melhores. Com o que eles descobriram na casa, ele poderia se tornar um dos principais suspeitos. Mas ainda era muito cedo para se ter certeza.

- Summers você está ciente que a situação deste menino não é nada boa, não é?

- Escute, tem algumas coisas que temos que discutir.

- Como por exemplo?

- Meu quarto ou seu quarto? - Summers falou balançando as duas chaves para Grey.



Os dois acabaram indo para o quarto de Summers, que sem muita cerimônia deitou na cama a sua frente. Grey por sua vez sentou em uma mesa, que parecia Ter sidoposta no local, especialmente para ela.

- Não acredito que John matou Donald.

- Ainda não temos provas, mas me admira você dizer isto. Você viu as garras, elas combinam perfeitamente com as que vimos no desenho.

- Sim eu concordo.

- Espera lá Summers , o que está pensando? Não vai me dizer que é o que eu achoque está..

- Pensando - ele completou. acho que de alguma forma o desejo de John de que seu herói fosse de verdade, fez com que ele ganhasse vida e cometesse os crimes.

- Scott isso é absurdo.

- Sem querer parecer chato, mas quantas coisas absurdas já nos deparamos estes anos todo.

- É fisicamente impossível que um objeto inanimado sai do papel e se torne real. Nos não estamos falando de um filme da Disney. Isso é vida
real.

- Você examinou Donald, viu o carbono no pescoço dele. Viu o desenho de John Granger. As vezes você esquece que consegue fazer levitar as coisas...

- Scott acho que já está muito tarde, amanhã conversamos mais sobre isto. Boa noite - Grey levantou-se e se encaminhou em direção a porta. Se incomoda que eu faça uma pergunta? - ela se virou novamente para Summers que agora estava deitado observando o teto.

- Vá em frente.

- Laura ... como se conheceram.

- conversamos amanhã, Jean. - ela sorriu a contragosto e saiu do quarto.

KING´S HOTEL 4:00 A.M

- Aquela mulher parece que me bloqueia... parece até que ela é a mutante e não o garoto... – ela fala sozinha. Ela estava com ciúmes de Scott porém nunca iria admitir.

Grey tinha colocado o despertador para seis horas e custara a pegar no sono,pensando no que realmente teria acontecido entre Summers e Laura. Ela também se sentia envergonhada por ter perguntado a ele. Quando finalmente o cansaço a venceu. Ela escutou batidas secas na porta.

Grey pegou o revolver que estava ao se lado na cama e se levantou

- Quem é?

- Sou eu, Jean.


Ela achou estranho e abriu a porta ainda com o revolver na mão. Summers entrou no quarto. Ele não estava sozinho com ele estavam Laura e John.

Summers contou a Grey que o menino com quem John tivera uma briga no fliperama, tinha sido achado morto, e que o xerife partira para casa de Laura de uma forma nada convenciona, acompanhado de outros moradores, exigindo que ele se entregasse. Ele conseguiu fugir e encontraram o carro deles estacionado no hotel.

Laura ainda estava convencida de que John era inocente. O rapaz não parava de repetir.

- Scott você tem que nos ajudar. - Laura estava praticamente em lágrimas, ela abraçou Summers que ficou a princípio sem reação, mas em
seguida retribuiu afetuosamente o gesto.

- Por que não nos fala sobre seu personagem - Grey deu uma discreta olhada para a cena e depois seguiu até John, sentando na frente do mesmo.

- Por que não nos fala do seu personagem, John.

- É só uma brincadeira. Nada mais. - E sobre suas histórias. Tem muita violência ali.

- Você leu? - ele olhou furioso primeiro para Jean e depois para mãe que tinha permitido.

John tinha 16 anos, embora fisicamente se passasse por um menino de doze anos.

- Sim li.

- É só ficção. Minha imaginação.

- Escute - Laura agora tinha se aproximado de Grey e do filho. - Meu filho não é culpado por nada disto. Se tem alguém aqui culpado.... - ela parou repentinamente.

- Pare mãe, pare - John se levantou correndo do sofá, abriu a porta do quarto de Grey e saiu noite a fora. Summers correu atrás dele, mas o menino foi mais rápido e desapareceu na escuridão.

- Você ia falar algo - Grey insistiu.

- Nada... não era nada.

Grey ficou no hotel com Laura, Summers pegou o carro e saiu a procura de John, no canto da mesa, esquecido em meio aos relatórios do caso, estava o desenho que Summers pegara. Laura trouxera uma pequena mala. Ela estava mexendo na mala e Grey estava sentada numa cadeira, atrás de uma das cortinas do hotel e vigiando qualquer movimentação estranha do lado de fora.

John voltou novamente para as proximidades de sua casa. No fundo ele possuía um pequeno galpão, onde também guardava algumas roupas e ferramenta. Ele não tinha sido culpado pela morte de Donald. As coisas fugiram ao seu controle, mas ele tinha colocado o desenho de propósito na moto de Rony. Ele realmente tinha matado o colega de classe. Intimamente ele não queria nada disto, ele só queria fugir da realidade, ele só queria o seu herói vivo e tinha acabado com tudo.

Ele naquele momento só tinha uma coisa a fazer. Tinha que desaparecer, mas não podia deixar a mãe sozinha, ela parecia gostar do agente do FBI e John acharam que ele era o homem que ela sempre procurara para cuidar dela. Mas havia a outra mulher e ele tinha que acabar com ela para que a mãe fosse feliz.

John pegou algumas peças de roupa e saiu do galpão apressado. Ele só não contava que Summers estaria lá, esperando por ele. O menino tentou
fugir, mas foi em vão. Os dois se atracaram, mas Summers, usando de muita força, conseguiu dominar John.

Summers o colocou no banco de trás do carro e tirou o celular do bolso, ligando para Grey

- Ok, Summers - falou Grey ao desligar o telefone.

- O que aconteceu? Laura estava aflita.

- Summers o pegou. Ele vai passar aqui e vai levar vocês dois para um lugar seguro. Eu vou ligar para Washington e pedir proteção especial para vocês.

- Mas para onde vamos. - Laura ainda não tinha entendido o que Grey falava.

- John... Ele confessou que matou Chris Rony.

- É mentira - isso não pode ser verdade. Laura sentou no chão e começou a chorar. Grey que até então tinha assumido uma postura agressiva com relação a Laura. Comoveu-se diante da dor da mulher a sua frente, e se ajoelhou confortando-a.

Quando Summers chegou até o apartamento onde estavam as duas mulheres, Grey já

tinha conseguido com o condado vizinho ao de Portland,
uma autorização para



receber em custódia o menino e mãe. Summers os colocou
dentro do carro e deixou

Grey no hotel.

Parte 4

Condado de Pickvale

 Summers chegou com Laura e o menino e os dois
ficaram numa espécie de casa de

segurança para menores infratores. Summers e Laura ficaram
esperando numa sala,

enquanto o menino era interrogado do lado de dentro e
também ouvido por uma

psicologa. Summers observava Laura com o canto dos olhos.
Ele tinha a sensação de

que ela estava enganando ele, escondendo alguma coisa.
Laura se mantinha

agarrada com uma pequena bolsa a tira colo.

De repente a psicologa se levantou correndo de dentro da
sala e abriu a porta.

- O que foi? - perguntou Laura assustada.

- Eu não vejo nenhum fundamento nas histórias que ele está contando. Diz que na verdade quem matou foi o desenho que ele fez, o personagem
que criou, mas mesmo assim acho que devem saber disto. Ele disse que neste momento, outro de seus desenhos pode está atacando outra pessoa.

- Quem?

- Ele falou apenas um nome.. Grey.

Summers abriu os olhos assustado.

KING´S HOTEL

O alvorecer era a parte favorita do dia para Grey. Ela ainda estava sentada em frente a janela, observando o horizonte e em contato com Summers pelo telefone.

Na sua frente estava o laptop que até então tinha sido guardado na mala do carro.

Grey não comentou com Summers, mas desde que ele tinha saído da cidade ela começara a investigar a vida de Laura Granger. Summers não falara muitas coisas a respeito dela. A única coisa que ele comentara da conversa que os dois tiveram no escritório, foi que seu marido tinha morrido num acidente de carro em Nova York. Pelo computador Grey tinha conseguido uma lista de todos os acidentes ocorridos em Nova York, nos anos mencionados por ela.

O computador começou a processar as informações, mas Grey estava cansada demais para continuar a ler tudo. Ela decidiu que tomaria um
banho, antes de voltar para ler o que o computador conseguira encontrar.

Grey caminhou em direção ao pequeno banheiro do loca e começou a tirar alguns objetos de uso pessoal da pequena mala. Ela se deteve por um segundo, ao notar, através do espelho, uma mancha escurecida no chão. Grey tentou olhar rapidamente para trás, mas não conseguiu ver o que tinha vindo em sua direção.

Só sentiu uma rápida pancada na cabeça e tudo ao seu redor estava desfocado.

Summers saiu correndo, e tentando ligar para Grey. Só agora ele se lembrava do desenho que tinha levado ao hotel. Ele nunca se perdoaria, caso algo acontecesse a ela. Na instalação para menores. Laura ficou a sós com John. Os dois mal se olhavam, mas os olhos da mulher estavam
cheios de lágrimas.

- Sabe que terei que fazer isso - ela finalmente falou.

Ele apenas concordou com a cabeça. Laura então, tirou de dentro da bolsa uma pequena tela, que ela tinha tirado recentemente de uma moldura de vidro e olhou mais uma vez para o filho.

Grey continuava a se debater contra algo que ela não conseguia ver. Ela sentiu dores na perna a medida que alguma coisa metálica puxava
sua perna, arrastando-a para o quarto. Mesmo machucada, Grey tentava se defender evitando que o que quer que a estivesse atacando chegasse ao seu pescoço. Ela, ainda de costas, colocou os dois braços em volta do pescoço. Em poucos segundos, inclusive seus braços estavam arranhados.

Ela estava prestes a ser vencida pela dor e pelo cansaço, quando de repente Summers entrou no quarto e viu a criatura atacando Grey. Ele atirou uma ou duas vezes, mas as balas passavam pelo corpo vazio. Como num passe de mágica, a criatura simplesmente desapareceu Grey que até então se debatia mesmo arranhada pelas garras nos braços e nas pernas, conseguiu se levantar. Summers se aproximou, tirando o telefone celular do bolso, e a abraçou carinhosamente.

- O que era aquilo? - ela falou ainda assustada, mas mantendo
o controle.



- Eu não sei Grey. - Ela fez uma sondagem mental e nada encontrou - Eu não sei.

- O que quer que tenha sido, eu vou acabar com isso. – Ele beijou-a na testa.

DOIS DIAS DEPOIS.


Som de This i promise you, de N’sync.

Ooh, ooh

Quando as visões ao seu redor
Trouxerem lágrimas aos seus olhos,
E tudo que cercar você
Forem segredos e mentiras.
Eu serei sua força,
Eu darei a você esperança,
Mantendo sua fé quando ela tiver acabado.
Aquele que você deveria chamar
Estava aqui o tempo todo

E eu tomarei
Você em meus braços
E te guardarei exatamente no lugar onde você pertence
Até o dia que minha vida tenha terminado
Isto eu prometo a você

E eu tomarei
Você em meus braços
E te guardarei exatamente no lugar onde você pertence
Até o dia que minha vida tenha terminado
Isto eu prometo a você

Eu tenho amado você o tempo todo em vidas anteriores
E eu te prometo que você nunca mais será magoada.
Eu te dou minha palavra, eu te dou meu coração. (te dou meu coração)
Esta é uma batalha que vencemos
E com este juramento, a eternidade agora começou

Apenas feche seus olhos (feche seus olhos)
A cada dia afetuoso (a cada dia afetuoso)
E eu sei que este sentimento não irá embora. (não)
Até o dia que minha vida tenha terminado
Isto eu prometo a você

Apenas feche seus olhos (feche seus olhos)
A cada dia afetuoso (a cada dia afetuoso)
E eu sei que este sentimento não irá embora (não)
Até o dia que minha vida tenha terminado
Isto eu prometo a você

Várias e várias vezes eu falho (várias e várias vezes eu falho)
Quando eu ouço você chamar
Sem você em minha vida, baby
Eu simplesmente não estaria vivo de modo algum

E eu tomarei você em meus braços (eu tomarei você em meus braços)
Você em meus braços
E te guardarei exatamente no lugar onde você pertence (bem no lugar onde você pertence)
Até o dia que minha vida tenha terminado.
Isto eu prometo a você

Apenas feche seus olhos a cada dia afetuoso (a cada dia afetuoso)
E eu sei, este sentimento não irá embora, (não)
Cada palavra que eu digo é sincera
Isto eu prometo a você

Cada palavra que eu digo é sincera, isto eu prometo a você


Ooh, eu prometo a você





Grey apesar dos ferimentos tinha tido uma recuperação espantosa. Ela estava no quarto de hospital, já com os braços e pernas enfaixados, mas perfeitamente restabelecida. Scott chegou carregando uma caixa de bombons.

- Tá ficando difícil ser criativo - ele falou, se referindo as várias vezes que Grey havia sido internada. Ele sentou na cama e acariciou gentilmente o rosto da parceira.

- Eu soube que John desapareceu.

- Sim, Laura também.

- Como Summers? Como ele fugiu. Ela podia sair e ir embora, mas ele não.

- Ela foi vista deixando a clínica Grey. No entanto, ela deixou todas as suas coisas do lado de dentro e eles acharam uma tela vazia, uma tela em branco.

- O que quer dizer - Grey parecia intrigada.

- Não vai querer escutar o que tenho a dizer.

- Acha que John nunca existiu.

- Depois que a ambulância lhe trouxe, eu dei uma olhada nos dados que estava pesquisando sobre ela - Grey ainda mantinha um certo embaraço por Ter feito isto, sem comentar com Summers - No acidente de carro, em que o marido de Laura morreu, também morreu o seu único filho de doze anos.

- Mas como.... - Grey estava incrédula.

- As vezes queremos tanto uma coisa.. que ela acontece.

- Sabia! Por isso me incomodava tanto. Parecia que ela estava querendo me bloquear.  Sabia que ela era a Mutante!

- Pensei que estava só com ciúmes.

- De você?

- É, de mim. – Ele sorri.

- Nem um pouco! – Ela sorri. – Ele a beija na testa.

- Jean acho que as coisa não saíram como eu planejava...

- Fico feliz de saber que seus planos não incluíam eu estar em uma cama de hospital.

- Não mesmo! Mas, quando voltarmos, eu queria...

- Que eu ficasse fora das ações de campo? Jamais! – ela disse revoltada!

- Não, não é isso. Mas você é mesmo ansiosa. Quer-me deixareu falar?
  
- Certo, fale.

Jean que permanecia com a mão sob a mão de Scott e os dois se olhou por alguns segundos.

- Sei que talvez não seja o melhor momento, mas acho que já passou da hora de eu perguntar se você quer me levar a sério.

- como assim? Eu te levo a serio, trabalhamos juntos esqueceu?

- Jean estamos juntos há quase nove meses e você nem pensa em admitir isso.

- Mas já estamos juntos.

- Eu sei, mas que quero poder dizer, “hei ta vendo aquela gata? Pois é ela é minha namorada!”.

- Quer me usar como objeto de adorno? – Ela sorri.

- É talvez sim. – ele fala sério olhando em seus olhos. – Me preocupo com você...

- Também me preocupo com você.

- JEAN EU AMO VOCÊ! – ele para por um instante e continua. – Sei que vai contra algumas questões éticas, mas eu quero mais do que apenas ficar com você às vezes. Eu quase morri quando vi você no hospital... Não consigo mais viver sem você. Quer namorar comigo?

- Sim.

- Puxa – ele a beija – Foi rápido sua resposta. Pensei que me daria um sermão.

- Por que? Eu também quero te usar como objeto de adorno. – Ela sorri. – Mas você não poderia esperar até eu sai desse lugar?

- Não! Não quero ficar muito tempo longe da minha namorada.

Scott beija Jean e deita ao seu lado na cama do hospital. Ele ficaram lá deitado. A janela estava aberta e dava para ver o horizonte. Jean estava extremamente feliz por aquele momento, pois era sua hora favorita do dia, brilhava lá fora, os primeiros raios do alvorecer e agora ela tinha Scott ao seu lado lhe fazendo carinhos apaixonantes.
Assim como o dia que nascia, uma nova relação nascia entre eles.



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