Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)






Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)

http://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XYw




''Me lembro de pensar no 'para sempre'
Sentado lá com você ao meu lado no rio
Dançamos no sinal
E nos apaixonamos pela primeira vez''

Embora conhecesse Jean havia muito tempo - existia apenas uma escola de ensino médio no condado de Pamlico e os dois tinham estudado juntos a vida toda -, foi somente no último ano que eles trocaram mais do que algumas poucas palavras pela primeira vez.

Ele sempre a achara bonita, mas não era o único: Jean era popular, o tipo de garota que estava sempre cercada de amigas no refeitório enquanto os rapazes competiam por sua atenção. Além disso, ela não só era representante de turma, como também animadora de torcida. Para completar, era rica e tão inacessível para Scott quanto uma artista de tevê.

Ele nunca havia lhe dirigido uma palavra, até que os dois acabaram se tornando parceiros de laboratório na aula de química. Enquanto trabalhavam em tubos de ensaio e estudavam juntos para as provas do semestre, Scott percebeu que ela era totalmente diferente do que ele havia imaginado. Primeiro, o fato de ela ser uma Grey e ele ser um Summers não parecia fazer a menor diferença para Jean. Seu riso era solto e desenfreado e, quando ela sorria, havia algo de travesso em sua expressão, como se soubesse de algo de que ninguém mais suspeitava. Seu cabelo era ruivo, da cor do fogo, e seus olhos, verdes. De vez em quando, enquanto os dois anotavam fórmulas em seus cadernos, ela tocava o braço de Scott para chamar sua atenção. A sensação de seu toque durava horas e horas. A tarde, trabalhando na oficina, Scott muitas vezes se via incapaz de parar de pensar em Jean. Demorou a
primavera inteira para criar coragem e convidá-la a tomar um sorvete e, por volta do final do ano letivo, os dois já estavam passando cada vez mais tempo juntos.

Isso foi em 1984 e ele tinha 17 anos. Quando o verão acabou, ele já sabia que estava apaixonado e, quando o ar ficou mais fresco e as folhas de outono começaram a cobrir o chão de vermelho e amarelo, não tinha dúvidas de que queria passar o resto da vida com Jean, por mais louco que isso parecesse. Eles continuaram juntos no ano seguinte: estavam cada vez mais unidos e passavam todo momento que podiam ao lado um do outro.
Com Jean, era fácil para Scott ser ele mesmo. Pela primeira vez na vida, ele se sentia feliz. Mesmo depois de tanto tempo, às vezes a única coisa em que conseguia pensar era naquele último ano juntos. Ou, melhor dizendo, a única coisa em que ele conseguia pensar era Jean.

 ~-~

Scott se acomodou no avião. Pegara um lugar à janela, na metade traseira da aeronave, ao lado de uma jovem: loira, 30 e poucos anos, alta, braços e pernas longos. Não fazia exatamente seu tipo, mas era bonita. A loira esbarrou nele enquanto procurava o cinto de segurança e se desculpou com um sorriso. Scott meneou a cabeça, mas, percebendo que ela estava prestes a puxar assunto, olhou pela janela. Enquanto observava o carro de bagagens se afastar do avião, deixou-se levar, como tantas vezes, por suas antigas recordações de Jean. 

Lembrou-se das ocasiões em que foram nadar no rio Neuse naquele primeiro verão, seus corpos molhados roçando um no outro; de como Jean costumava se empoleirar em um banco da oficina de Charles enquanto ele trabalhava em seu carro, abraçando os joelhos e fazendo-o imaginar que tudo o que queria era ficar ali, a observá-la para sempre. Em agosto, quando Scott finalmente conseguiu fazer seu carro funcionar, ele a levara à praia. Lá, os dois se deitaram em toalhas, suas mãos entrelaçadas enquanto conversavam sobre seus livros e filmes favoritos, sobre seus segredos e sonhos.

Eles também discutiam e, nessas ocasiões, Scott conhecia a personalidade forte de Jean. Os desentendimentos entre os dois não eram frequentes, mas tampouco eram raros. O curioso era que, por mais depressa que os ânimos se exaltassem, eles quase sempre voltavam a se acalmar com a mesma rapidez. Às vezes uma bobagem os fazia brigar feio - Jean podia ser muito teimosa -, mas geralmente isso não dava em nada.

Mesmo quando Scott ficava irritado de verdade, não conseguia deixar de admirar a franqueza dela, porque Jean era a pessoa que mais se importava com ele. Além de Charles, ninguém entendia o que ela teria visto em Scott. Embora a princípio houvessem tentando esconder o relacionamento, Oriental era uma cidade pequena e as pessoas inevitavelmente começaram a fofocar. As amigas de Jean se afastaram uma a uma e foi apenas questão de tempo até que os pais dela descobrissem o motivo. Ele era um Summers e ela, uma Grey, o que era mais do que suficiente para causar espanto. No começo, os pais de Jean se agarraram à esperança de que ela estivesse apenas passando por uma fase rebelde e tentaram ignorar o assunto. Quando isso não deu certo, as coisas ficaram mais difíceis para ela. Eles confiscaram sua carteira de motorista e a proibiram de usar o telefone. Durante o outono, ela passou semanas a fio de castigo e foi proibida de sair nos fins de semana. Scott nunca teve permissão de entrar na casa da família e, na única vez em que o pai de Jean lhe dirigiu a palavra, foi para chamá-lo de "vagabundo imprestável". A mãe de Jean implorou a ela que terminasse o namoro e, em dezembro daquele ano, o pai parou de falar com a filha.

A hostilidade que cercava o casal só serviu para aproximar os dois ainda mais e, quando Scott começou a segurar a mão da namorada em público, Jean a agarrava com força, desafiando qualquer um a mandar que ela a largasse. Mas Scott não era ingênuo. Por mais que gostasse de Jean, sempre teve a sensação de que estavam apenas adiando o inevitável. Tudo e todos pareciam conspirar contra eles. Quando seu pai descobriu a respeito de Jean, começou a perguntar sobre ela quando ia recolher o salário do filho.

Embora não houvesse nada claramente ameaçador em seu tom de voz, o simples fato de ouvi-lo dizer o nome de sua namorada bastava para embrulhar o estômago do rapaz. Em janeiro Jean completou 18 anos, porém, por mais que estivessem furiosos com o namoro, os pais não a expulsaram de casa. Àquela altura, ela já não se importava com o que eles pensavam - ou pelo menos era isso que sempre dizia ao namorado. Às vezes,depois de mais uma discussão feroz com os pais, ela escapava pela janela do quarto no
meio da noite e ia para a oficina. Geralmente Scott estava esperando por ela, mas vez por outra acordava com Jean empurrando-o para o lado enquanto se juntava a ele na esteira em que dormia, no chão. Eles então caminhavam até o riacho, onde Scott passava o braço ao redor da namorada e os dois ficavam sentados em um dos galhos baixos de um antigo carvalho. Ali, sob o luar, enquanto as tainhas saltavam na água, ela contava a discussão que tivera com os pais, às vezes com a voz trêmula, mas sempre tomando cuidado para não magoar Scott. Ele a amava por isso, mas sabia muito bem o que os pais dela pensavam a seu respeito. Certa noite em que lágrimas escorriam dos olhos de Jean, depois de outra dessas brigas, ele sugeriu com brandura que talvez fosse melhor que os dois parassem de se ver.

- É isso que você quer? - balbuciou ela, com a voz embargada.

Ele a puxou para si, envolvendo-a nos braços. - Eu só quero que você seja feliz - sussurrou.
Ela se apertou contra o corpo do namorado, descansando a cabeça em seu ombro. Enquanto a abraçava, Scott se odiou mais que nunca por ter nascido na família Summers.

- É quando estou com você que sou mais feliz - murmurou ela.

Mais tarde naquela noite, eles fizeram amor pela primeira vez. E, pelas duas décadas seguintes, e ainda depois, ele carregou dentro de si as lembranças e aquelas palavras, sabendo que valiam para os dois.

''Me lembro de dizer a você que eu te amo
A estrela do norte surgiu em cima de você
E num momento pensei que todos os meus sonhos
Se tornariam realidade
Oh, mas alguns nunca se tornam real''


~-~
Depois de aterrissar em Charlotte, Scott jogou sua bolsa de viagem e o terno sobre o ombro e atravessou o terminal, mal notando o burburinho à sua volta enquanto remoía as recordações de seu último verão com Jean. 

Na primavera daquele ano, ela recebera uma carta dizendo que havia sido aceita na Universidade Duke, seu sonho de infância. O fantasma de sua partida, aliado ao isolamento que sofria por parte da família e dos amigos, só aumentou o desejo dos dois de ficar o máximo de tempo possível juntos. Eles passavam horas na praia e davam longos passeios de carro com o rádio no último volume, ou simplesmente ficavam à toa na oficina de Charles. Juraram que nada mudaria depois que ela fosse para a faculdade: ou ele iria de carro até Durham ou ela viria visitá-lo. Jean não tinha dúvidas de que eles dariam um jeito.

Seus pais, no entanto, tinham outros planos. Em uma manhã de sábado de agosto, pouco mais de uma semana antes de ela partir para Durham, eles a puseram contra a parede antes que ela pudesse escapulir de casa. Sua mãe foi a única a falar, embora Jean soubesse que o pai concordava com cada palavra pronunciada por ela.

- Isso já foi longe demais - começou a mãe, e em seguida, em um tom de voz surpreendentemente calmo, disse que, se Jean continuasse a se encontrar com Scott, teria de sair de casa e começar a pagar as próprias contas. Os pais também não pagariam sua faculdade.

 - Por que deveríamos gastar dinheiro com seus estudos, se você está jogando sua vida fora?

Quando Jean começou a protestar, a mãe a interrompeu na mesma hora: - Ele irá arrastá-la para a lama, Jean, mas você ainda é jovem demais para entender isso. Então, se quer ter a liberdade de uma adulta, terá de assumir as responsabilidades de uma adulta. Pode ficar com Scott e jogar sua vida no lixo, nós não vamos impedi-la. Mas também não vamos ajudá-la.

Jean saiu correndo de casa, pensando apenas em encontrar Scott. Quando chegou à oficina, chorava tão forte que não conseguia falar. O namorado a abraçou firme, deixando os fragmentos da história virem à tona quando finalmente os soluços de Jean se aplacaram.

- Podemos morar juntos - disse ela, seu rosto ainda úmido.

- Onde? - perguntou ele. - Aqui, na oficina?

- Não sei. Nós vamos dar um jeito.

Scott ficou calado, olhando para o chão. - Você precisa ir para a faculdade - disse ele, enfim.

- Que se dane a faculdade! - protestou Jean. - O que importa para mim é você.

Ele deixou os braços caírem.
- E o que importa para mim é você. E é por isso que não posso fazer com que perca a faculdade.

Ela balançou a cabeça, perplexa.
- Você não está me fazendo perder nada. Meus pais, sim. Estão me tratando como se eu ainda fosse criança.

- É por minha causa. Nós dois sabemos disso. - Ele chutou o chão. - Quando você ama uma pessoa, precisa libertá-la, não é? 

Pela primeira vez, um brilho surgiu nos olhos de Jean.
- E, se ela voltar, é porque o destino quis assim? É isso que você acha que está acontecendo? Que nossa vida virou um clichê? - Ela agarrou o braço de Scott, fincando os dedos em sua pele. - Nós não somos um clichê - prosseguiu Jean. - Vamos encontrar uma maneira. Posso arranjar um emprego de garçonete ou coisa parecida, daí podemos alugar um apartamento.

Ele manteve a voz calma, esforçando-se para que ela não falhasse. - Como? Acha que meu pai vai parar o que está fazendo?

- Podemos nos mudar daqui.

- Para onde? Com o quê? Eu não tenho nada. Será que você não entende isso? - Ele deixou as palavras no ar e, quando ela não respondeu, prosseguiu: - Só estou tentando ser realista. E da sua vida que estamos falando. E eu... não posso mais fazer parte dela.

- O que quer dizer com isso?

- Quero dizer que seus pais têm razão.

- Você não está falando sério.

Ele escutou algo muito parecido com medo na voz de Jean. Por mais que quisesse abraçá-la, recuou um passo.

- Volte para casa.

Ela andou em sua direção: - Scott...

- Não! - explodiu ele, afastando-se rapidamente. - Você não está ouvindo. Acabou, está bem? Nós tentamos, não deu certo. A vida continua.

Ela ficou pálida, o rosto quase sem vida: - Então é assim?

Em vez de responder, ele se forçou a lhe dar as costas e andar em direção à oficina. Sabia que, se olhasse uma só vez para Jean, mudaria de idéia. Não podia fazer isso com ela. Não faria. Enfiou-se debaixo do capô de seu carro e ali escondeu dela suas lágrimas.

Quando Jean finalmente foi embora, Scott deslizou até o chão de  concreto empoeirado e ficou horas ali, até Charles sair da casa e se sentar ao seu lado. Durante um bom tempo, o homem ficou em silêncio.

- Você terminou com ela - disse enfim.

- Não tive escolha. - Scott mal conseguia falar.

- É - assentiu Charles. - Também ouvi isso.

O sol estava alto no céu, banhando tudo com uma quietude que lembrava a morte.

- Eu fiz a coisa certa?
Charles enfiou a mão no bolso e sacou um maço de cigarros, ganhando tempo antes de responder. Por fim, puxou um cigarro: - Não sei. Não vou negar que parece haver certo encanto quando vocês estão juntos. E esse
encanto torna mais difícil esquecer as coisas. - Charles lhe deu um tapinha nas costas e se levantou para ir embora. Foi o máximo que jamais dissera sobre Jean.

Enquanto Charles se afastava, o rapaz estreitou os olhos contra o sol e as lágrimas voltaram a escorrer. Sabia que Jean sempre seria a melhor parte dele, o "eu" que Scott passaria a vida inteira desejando conhecer.

O que ele não sabia era que não voltaria a vê-la ou a falar com ela. Na semana seguinte, Jean se mudou para o alojamento da Universidade Duke e, um mês
depois, Dawson foi preso.

Ele passou os quatro anos seguintes atrás das grades.

Continua...