Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)
Capítulo 1
As
alucinações de Scott Summers começaram depois da explosão na plataforma, o dia
em que ele poderia ter morrido. Ele achava que tinha visto de tudo em seus 14
anos trabalhando em plataformas de petróleo. Em 1997, testemunhara um
helicóptero perder o controle durante o pouso. O gigante de aço caíra no
convés, transformando-se em uma violenta bola de fogo, e Scott sofrera
queimaduras de segundo grau nas costas ao tentar resgatar os passageiros. Treze
pessoas morreram, a maioria delas passageiros do helicóptero. Quatro anos
depois, quando um guindaste desmoronou em uma plataforma, um destroço de ferro
do tamanho de uma bola de basquete passou zunindo perto de sua cabeça, a
milímetros de arrancá-la.
Em 2004, ele era um dos poucos trabalhadores que
ainda estavam na plataforma quando um furacão a atingiu, trazendo ventos de
mais de 150 quilômetros por hora e ondas tão grandes que ele pensou nos
procedimentos de emergência que devia seguir no caso de a plataforma virar. Mas
sempre houve outros perigos além desses. Pessoas escorregavam, peças se
quebravam. Cortes e contusões eram rotina naquele trabalho. Scott presenciara
muitos ossos quebrados, dois surtos de intoxicação alimentar que afetaram toda
a equipe e, dois anos antes, em 2007, vira um navio de abastecimento começar a
afundar logo depois de se afastar da plataforma e seus tripulantes serem
resgatados no último minuto por uma lancha da Guarda Costeira. Mas a explosão
foi diferente. Como não houve vazamento de petróleo – os dispositivos de
segurança evitaram uma catástrofe a história mal chegou aos noticiários, sendo
esquecida em poucos dias.
Porém,
para as pessoas que estavam no local, inclusive Scott, foi um verdadeiro
pesadelo. Era uma manhã comum. Ele estava monitorando as estações de
bombeamento quando, de repente, um dos tanques de armazenamento explodiu. Antes
que ele pudesse sequer entender o que estava acontecendo, o impacto da explosão
o lançou para um depósito ao lado. Em seguida, o fogo tomou tudo. Coberta de
graxa e óleo, a plataforma inteira logo se tornou um inferno de chamas. Duas
outras explosões fortes sacudiram a estrutura com mais violência ainda. Scott
se lembrava de estar arrastando algumas pessoas para afastá-las do fogo quando
uma quarta explosão, mais forte que as anteriores, o arremessou longe
novamente. Ele tinha uma vaga lembrança de cair em direção à água, uma queda
que, para todos os efeitos, deveria tê-lo matado.
Como
muitos outros, ele não tivera tempo de vestir um colete salva-vidas nem de
procurar um bote. Quando voltara a si, estava boiando no golfo do México, a
cerca de 150 quilômetros da costa da Louisiana. Entre uma onda e outra,
conseguira avistar um homem de cabelos pretos acenando ao longe, como se
fizesse sinal para que Scott nadasse até ele. Cansado e zonzo, começara a dar braçadas
na direção do homem, lutando contra as ondas. Acreditava estar se aproximando,
mas a ondulação do mar tornava impossível saber ao certo. As roupas e as botas
o impeliam para baixo e, quando seus braços e pernas começaram a perder as
forças, ele teve certeza de que iria morrer. Foi quando viu um colete
salva-vidas em meio a alguns destroços. Então, usando a pouca energia que lhe
restava, nadou até ele. Mais tarde, descobriria que estivera na água mais de
quatro horas e que se afastara mais de um quilômetro e meio da plataforma antes
de ser resgatado por um navio de abastecimento que fora às pressas para o
local.
Ele
foi levado a bordo e carregado para o convés inferior, com os demais
sobreviventes.
Scott
estava trêmulo por conta da hipotermia e bastante desorientado. Embora sua
visão estivesse embaçada - depois descobriria ter sofrido uma concussão leve
pôde perceber a sorte que tivera. Viu homens com queimaduras graves nos braços
e nos ombros, enquanto outros sangravam pelos ouvidos ou tinham sofrido
fraturas. Conhecia a maioria deles pelo nome. Não havia muitos lugares aonde ir
na plataforma - ela era basicamente um vilarejo no meio do oceano - e todos
acabavam se encontrando no refeitório, na sala de recreação ou na academia mais
cedo ou mais tarde.
Ao
longo da hora seguinte, mais sobreviventes foram levados a bordo, porém, à
medida que seu corpo voltava a se aquecer, Scott começou a imaginar o que teria
acontecido ao restante da tripulação. Homens com os quais havia trabalhado por
anos a fio continuavam desaparecidos. Mais tarde, descobriria que 24 pessoas
tinham morrido. Com o tempo, a maioria dos corpos foi encontrada, mas não
todos. Enquanto se recuperava no hospital, Scott não conseguia parar de pensar
que algumas das famílias nem ao menos tiveram a possibilidade de se despedir
das pessoas que amavam.
Depois
da explosão, ele começou a ter dificuldade para dormir. Não por causa de
pesadelos, mas porque não conseguia se livrar da sensação de estar sendo
observado. Ele se sentia... assombrado,
por mais ridículo que parecesse. Dia e
noite, notava algum movimento com o canto do olho, mas, sempre que se virava,
não havia nada nem ninguém.
Começou
a achar que estava enlouquecendo. O médico achou que aquilo talvez pudesse ser
algum tipo de estresse póstraumático e que seu cérebro talvez ainda não
estivesse totalmente curado da concussão. Aquilo fazia sentido, mas não
convencia Scott. Ele apenas assentiu e o médico lhe prescreveu pílulas para
dormir. Scott nem se deu o trabalho de comprá-las. Ele recebeu uma licença
remunerada de seis meses enquanto as questões jurídicas eram avaliadas.
Ele
ficou apenas com o suficiente para o aluguel e algumas despesas básicas. Não
precisava de muito. Nem queria muito. Morava em uma casinha simples no final de
uma estrada de terra nos arredores de Nova Orleans. Quem a visse provavelmente
acharia que seu maior mérito era não ter sido levada pelo furacão Katrina, em
2005.
Embora
Scott morasse ali fazia quase 15 anos, aquele era mais o lugar em que ele
dormia, tomava banho e fazia suas refeições do que propriamente um lar. Apesar
de velha, sua casa estava quase sempre tão impecável quanto as dos bairros
chiques da cidade.
Era um
recanto silencioso, e isso era tudo de que ele precisava. Ficava a quase meio
quilômetro da estrada principal e ainda mais distante de qualquer vizinho.
Depois de passar um mês na plataforma, essa tranqüilidade era exatamente o que
ele queria.
Em
geral, isso era relaxante, mas de vez em quando fazia com que ele se lembrasse
do lugar de onde viera. Quando isso acontecia, Scott ia para dentro de casa,
forçando-se a afastar a lembrança. Ele tentava se concentrar nas rotinas
simples que dominavam sua vidaem terra firme. Comia, dormia, corria, levantava
peso e consertava seu carro. Pegava a estrada e fazia longas viagens sem
destino. Vez por outra, ia pescar. Lia todas as noites e, de vez em quando,
escrevia uma carta para Charles Xavier. Isso era tudo. Não tinha televisão nem
rádio e, embora possuísse um telefone celular, nos contatos só havia números de
pessoas do trabalho. Fazia compras e passava na livraria uma vez por mês, mas,
fora isso, nunca passeava por Nova Orleans.
Em vez
de ir a uma academia, malhava nos fundos da casa, sob uma lona que havia
pendurado entre a parede e duas árvores. Não ia ao cinema e não passava as
tardes de domingo assistindo a jogos de futebol na casa de amigos. Estava com
42 anos e não tinha uma namorada desde a adolescência. A maioria das pessoas
não gostaria nem seria capaz de viver dessa forma, mas elas não o conheciam, não
sabiam quem ele tinha sido ou o que fizera. Scott preferia que as coisas
continuassem assim.
Então,
em uma tarde quente de meados de junho, quando Scott estava de licença havia
quase nove semanas, um telefonema inesperado fez com que suas lembranças voltassem
à tona. Pela primeira vez em quase 20 anos, finalmente voltaria à sua cidade
natal. A idéia o deixava apreensivo, mas ele sabia que não tinha escolha.
Charles era mais que um amigo: fora um verdadeiro pai para ele.
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Quem
havia telefonado fora Hank MaCoy, um advogado da cidade de Oriental, na
Carolina do Norte, para lhe informar que Charles Xavier tinha falecido.
- Há
algumas providências que precisam ser tomadas pessoalmente - explicou Hank.
Assim
que desligaram, Scott agendou seu voo e reservou um quarto em uma pousada da
região. Em seguida, telefonou para uma floricultura e encomendou um buquê de
flores.
Na
manhã seguinte, depois de trancar a porta, seguiu para os fundos da casa, em
direção ao galpão de zinco onde guardava seu carro. Era uma quinta-feira, 18 de setembro de 2014, e ele levava consigo seu único terno e uma bolsa de viagem que
arrumara no meio da noite, enquanto não conseguia dormir. Abriu o cadeado e
rolou a porta para cima, observando a luz do sol banhar o carro que vinha
restaurando e consertando desde os tempos de escola.
Era um
Mustang 1969 esportivo, com carroceria contínua. O tipo de carro que fazia as
pessoas pararem para olhar quando Nixon era presidente e continuava causando o
mesmo efeito nos dias de hoje.
Scott
jogou a bolsa no banco do carona e estendeu o terno sobre ela antes de sentar
ao volante. Girou a chave, fazendo o motor dar partida com um rugido alto, e
manobrou o carro até o caminho de cascalho, descendo em seguida para trancar o
galpão. Nesse meio tempo, repassou uma lista em sua cabeça para se certificar
de que não se esquecera de nada. Dois minutos depois, estava na estrada
principal e, meia hora mais tarde, parava o carro no estacionamento do
aeroporto de Nova Orleans. Detestava a idéia de deixá-lo ali, mas não tinha
escolha. Recolheu suas coisas e seguiu para o terminal, onde pegou a passagem
no balcão da companhia aérea.
Só foi
perceber o quanto estava cansado quando sentou em seu lugar no avião. Não sabia
bem a que horas finalmente pegara no sono - da última vez que havia conferido,
eram quase quatro da manhã -, mas imaginou que fosse dormir bastante durante o
vôo. Além disso, poderia descansar um pouco mais quando chegasse à cidade, uma
vez que não teria muito o que fazer lá. Era filho único e sua mãe o abandonara quando
ele tinha 3 anos. O pai, por sua vez, fizera ao mundo o favor de beber até
morrer. Fazia anos Scott não falava com alguém da família. Não pretendia
retomar os laços àquela altura.
Seria
uma viagem rápida, do tipo bate e volta. Ele não tinha intenção de se demorar
mais do que o necessário, apenas cuidaria do que precisava ser feito. Podia até
ter sido criado
em
Oriental, mas nunca pertencera àquele lugar. A cidade que ele conhecia não se
parecia em nada com a imagem que se vendia aos turistas. Para a maioria das
pessoas que passava uma tarde ali, Oriental devia parecer uma cidadezinha
pitoresca, apreciada por artistas, poetas e aposentados que não queriam nada
mais do que passar seus últimos anos de vida velejando no rio Neuse. Havia um
centro comercial, com direito a antiquários, galerias de arte e cafés, assim
como mais festivais do que parecia possível para uma cidade com menos de mil
habitantes. Mas a verdadeira Oriental, a que ele conhecera, era aquela das
famílias que habitavam a região desde o período colonial.
Scott
sentira isso na própria pele aos 18 anos e novamente aos 23, quando finalmente
fora embora dali. Não era fácil ser um Summers em nenhuma parte do condado de
Pamlico, sobretudo em Oriental. Até onde sabia, todos os Summers desde seu bisavô
tinham passado pela prisão em algum momento. Vários tinham sido condenados, por
tudo o que se pudesse
imaginar,
desde roubo seguido de agressão, passando por incêndio criminoso e tentativa de
homicídio, até assassinato.
Da
família Summers faziam parte contrabandistas de bebida, traficantes de drogas,
beberrões, cafetões, assaltantes, homens que batiam nas esposas, pais e mães
que agrediam os filhos, mas, sobretudo, sua marca registrada era a violência.
Segundo um artigo publicado em uma revista, era uma das famílias mais cruéis e
vingativas da região. O pai de Scott não era
exceção. Passara boa parte da vida, dos 20 anos ao começo dos 30, na
cadeia devido a vários crimes, inclusive apunhalar um homem com um picador de
gelo por ter ultrapassado seu carro na estrada. Por duas vezes, ele havia sido
julgado por assassinato e absolvido, depois que as testemunhas desapareceram.
Até os parentes sabiam que era melhor não irritá-lo. Como e por que sua mãe se
casara com ele era algo que Scott não conseguia sequer imaginar. Não a culpava
de ter fugido. Quisera fazer o mesmo durante a maior parte da infância. Também
não a culpava de não tê-lo levado junto. Os homens da família Summers eram
estranhamente possessivos quanto a seus filhos. Scott não tinha dúvidas de que
o pai os teria caçado e pegado o filho de volta de qualquer forma. Ele chegara
a dizer isso mais de uma vez, porém Scott não tivera coragem de perguntar o que
o pai teria feito se ela se recusasse a devolvê-lo. Já sabia a resposta.
Era
como andar em uma corda bamba. Os Summers podiam ser criminosos, mas não eram
burros. Scott sabia instintivamente que deveria se esforçar ao máximo para não
deixar que notassem quanto era diferente. Devia ser o único aluno em toda a
história de sua escola que fazia as provas tentando não acertar tudo ou que
adulterava o boletim para baixar as próprias notas. Descobrira como esvaziar
uma lata de cerveja às escondidas quando alguém virava as costas, furando-a com
uma faca. Fazia serão até tarde no trabalhopara
ter uma desculpa para evitar os primos. Isso deu certo por um tempo, mas logo
começaram a surgir rachaduras em sua fachada. Um professor comentou com um
amigo de
birita
de seu pai que ele era o melhor aluno da turma, tias e tios começaram a se dar
conta de que, entre todos os primos, ele era o único que nunca infringira a
lei.
Ele era diferente em uma família que valorizava a lealdade entre si e a
conformidade com os próprios padrões acima de tudo o mais. Não poderia haver
pecado maior do que esse.
Seu
pai ficara furioso. Embora Scott estivesse acostumado a apanhar desde muito
pequeno - quando o pai usava cintos e correias -, aos 12 anos as surras
começaram a piorar. Seu pai batia em suas costas e no peito até que ficassem
azulados, então voltava uma hora depois, concentrando-se no rosto e nas pernas.
Os professores sabiam o que estava acontecendo, mas temiam pelas próprias
famílias e ficavam calados. Até o xerife fingia não ver os hematomas e vergões
do menino enquanto ele voltava caminhando da escola.
Já o restante da família não via problemas no que estava acontecendo. Alex e
Bob, seus primos mais velhos, o agrediram mais de uma vez, surrando-o tão feio
quanto seu pai.
Alex
porque achava que Scott estava fazendo por merecer; Bob, por pura diversão.
Scott
calculara que seria melhor não revidar. Em vez disso, aprendera a se proteger
enquanto levava os golpes, até que os primos se entediassem ou ficassem
cansados. Apesar de tudo, ele não participava dos negócios da família, e cada
vez se convencia mais de que nunca o faria. Debaixo da cada chuva de pancadas,
ele tentava imaginar a coragem que a mãe tivera ao cortar todos os laços com
aquela família. Com o tempo, descobriu que quanto mais gritava, mais o pai
batia, então passou a ficar calado. Por mais violento que o pai fosse,
não passava de um valentão, e Scott sabia que valentões só entram em brigas
que sabem que vão vencer. Sabia também que chegaria uma hora em que ele seria
forte o bastante para revidar, em que não teria mais medo.
Então
se esforçou ao máximo para acelerar esse processo. Amarrou a uma árvore um saco
cheio de trapos, que esmurrava por horas a fio. Usava pedras e peças de motor
como peso sempre que podia. Fazia barra, flexões e abdominais. Antes de
completar 13 anos, ganhara 4,5
quilos de músculos. Aos 14, ganhara outros nove. Estava crescendo, também. Aos
15 anos, já era quase tão alto quanto o pai. Um mês depois de completar 16
anos, quando o pai quis atacá-lo com um cinto depois de uma noite de bebedeira,
Scott se levantou e o arrancou de sua mão. Jurou ao pai que, se voltasse a
tocar nele mais uma vez que fosse, ele o mataria. Naquela noite, sem ter para
onde ir, Scott se refugiou na oficina de Charles.
Quando
ele o encontrou, na manhã seguinte, o rapaz lhe pediu um emprego. O homem limpou
as mãos no lenço que mantinha no bolso de trás da calça, analisando-o enquanto
pegava
um cigarro. Na época, tinha 61 anos e era viúvo havia dois. Charles não tinha
motivo para ajudar Scott, que, além de um estranho, era também um Summers.
Quando falou, o hálito exalou um cheiro de álcool e a voz saiu ríspida por conta
dos cigarros sem filtro que fumava desde criança.
Seu sotaque, como o de Scott,
era totalmente interiorano:
-
Imagino que saiba desmontar carros, mas faz alguma idéia de como montá-los de
volta?
- Sim,
senhor - respondera Scott.
- Tem
que ir à escola hoje?
- Sim,
senhor.
-
Então volte aqui depois da aula e verei o que posso fazer.
Scott
apareceu, conforme o combinado, e fez de tudo para provar seu valor. Depois do expediente,
choveu durante a maior parte da noite. Quando Scott voltou às escondidas para a
oficina em busca de abrigo, Charles esperava por ele. O homem não falou nada.
Em vez disso, deu uma longa tragada em seu cigarro, estreitando os olhos em
silêncio. Depois de um tempo, voltou para dentro de casa. Scott nunca mais
passou uma noite na propriedade da família. Charles não cobrava aluguel e o
rapaz comprava a própria comida. Com o passar dos meses, pela primeira vez na
vida, Scott começou a pensar no futuro, mas antes que pudesse tomar uma
decisão, seu pai apareceu de repente na oficina. Veio acompanhado de Bob e Alex.
Ambos traziam tacos de beisebol e ele conseguiu ver o volume de um canivete no
bolso de Bob.
- Me
dê o dinheiro que você ganhou - disse o pai sem rodeios.
- Não
- respondeu Scott.
- Sabia
que iria dizer isso, moleque. Você pode me dar o que me deve por ter fugido ou
Bob e Alex podem lhe dar uma surra e pegar a grana.
Scott
ficou calado. O pai cutucou as gengivas com um palito de dente.
- Veja
bem, tudo o que preciso para acabar com essa sua vidinha é que alguém cometa um
crime lá na cidade. Um arrombamento, talvez, ou um incêndio. Quem sabe? Depois,
é só plantar umas provas, dar um telefonema anônimo para o xerife e deixar a
lei fazer seu trabalho. Você vai estar sozinho aqui a noite inteira, sem nenhum
álibi, e por mim pode passar
o resto da vida apodrecendo em uma cela. Não dou a mínima. Então, por que não
me passa a grana de uma vez?
Scott
sabia que o pai não estava blefando. Mantendo o rosto impassível, tirou o
dinheiro da carteira. Depois de contar as notas, seu pai cuspiu o palito no
chão e sorriu.
- Eu
volto na semana que vem.
Scott
se virava com o que tinha. Conseguia separar um pouco do dinheiro que ganhava
para continuar a consertar o carro e comprar o chá, mas a maior parte do salário
ia para o
bolso
do pai. Desconfiava que Charles soubesse o que estava acontecendo, mas o homem
nunca abordou o assunto diretamente - não por medo dos Summers, mas porque não
era da sua conta. Em vez de tocar no assunto, Charles começou a preparar comida
de mais para um homem que jantava sozinho.
- Sobrou um pouco, se você quiser -
dizia, levando um prato até a oficina.
Geralmente, voltava para dentro de casa
sem falar mais nada. Era assim que a
relação dos dois funcionava, e Scott respeitava isso. Ele respeitava Charles. À
sua maneira, aquele homem se tornara a pessoa mais importante de seu mundo, e o
rapaz não conseguia imaginar nada que pudesse mudar esse fato.
Até o dia em que
Jean Grey entrou em sua vida.
Continua.....

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