Classificação Indicativa: K (5+)
Status: One-Shot
Tipo: Romance, Angústia, Familía.
Base: HQ's
Sugestão: Baseada na música abaixo.
Snow Patrol - The Lightning Strike
~*~
E se essa tempestade terminar? E eu não te ver
como você está agora, nunca mais?
Jean
passou as mãos pelo rosto e cabelos, olhando para cima, tomando uma respiração
funda. Ela contou até dez e voltou a olhá-lo, que estava a sua frente encurvado
com as mãos apoiadas nas costas da cadeira. Como isso pode ter acontecido? Por
que justo agora? Com ela? Eles?
“Como
diabos você pode fazer isso?” Ela pediu. “Como você pode ignorar tudo aquilo
que prometemos um ao outro em frente de nossos amigos, de nossas famílias,
um do outro?” Suas palavras transbordavam a magoa dentro de seu ser. “Como
Scott?!” Ela gritou a última parte. Scott ficou ereto e a fitou.
“Você
fala isso como se eu tivesse decidido fazer isso!” Retrucou.
“E
não foi o que você fez?” Disse.
“Não!”
Exclamou.
“Pelo
amor de Deus, Scott!” Ela pousou sua mão na boca, olhando brevemente pela janela
antes de voltar a olhá-lo. “Isso não acontece simplesmente! Você jurou! Na
frente de Deus, na minha frente!” Sua voz agora estava exaltada. “Eu estava bem
aqui! E você ignorou isso!” Apontou para ele sentindo a raiva crescer dentro de
si.
“Não!
Você não estava aqui! Como não estava da última maldita vez!” Sua voz se
igualou a dela. “Você acha que está certa, mas não está! Toda maldita vez!”
“Do
que infernos você está falando?”
“Do
que eu estou falando? De todas as vezes em que você tomou uma decisão por si
só, me excluindo, sem se importar com o que eu sentia! Toda vez em que você
morreu!”
“Como
ousa falar isso?” Ela o olhou chocada com suas palavras. “Todas as vezes, cada
uma delas, eu tomei uma decisão que favorecia você e aos outros, sem nunca
pensar em mim antes! Todas as vezes foi em você que eu pensei!”
“Não!
Você não pensou em mim antes!” Ambos estavam gritando a plenos pulmões agora. “Por
que se você tivesse, saberia muito bem, que eu preferiria morrer a viver em
mundo sem você! Mas não, você decidiu se sacrificar e me deixar aqui!”
“Você
está totalmente fora de si, Scott!” Ela se sentia em chamas. “Você acha que
isso era pior do que eu sentia?” Se aproximou dele. “Você não tem a mínima ideia,
de como é ter algo possuindo o seu corpo e tomando o controle de tudo! Eu não
só vi milhares de vidas serem destruídas, mas como fui eu quem as destruía e a
única coisa que eu podia fazer era apenas olhar!” Lágrimas passeavam agora pelo
seu rosto livremente. “Você acha que não estraçalhou minha alma, ter que fazer
aquilo? Me sacrificar, deixar tudo para trás em prol dos outros. Deixar tudo
aquilo que eu amo? Meus amigos, minha família, minha filha, você?”
Alguém
do lado de fora se perguntou se as palavras um dia ditas do lado de dentro,
poderiam algum dia ser revertidas. Palavras cortam mais do que facas. Elas não
perfuram a pele, rasgam a alma.*
A aureola perfeita, de cabelos avermelhados e
relâmpagos,
te põe a altura da última dança do planeta.
Só por um minuto, o céu prata e suas bifurcações
te iluminam como uma estrela, que eu seguirei.
Scott
sentiu os dedos gelados e a visão turva, seu estomago dava voltas e ele se
perguntava se o sentimento era verdadeiro. As gotas de chuva caiam sobre ele,
mas ele estava anestesiado delas e de tudo ao seu redor.
Mais
uma vez, ele viu a vida ir embora, enquanto seus amigos andavam pelos destroços
de sua última luta. Tudo que desejava era apenas deitar em meio a tudo isso, e
se fundir a eles, se tornar um pedaço sem importância no meio do chão, sendo drenado
pela correnteza. Por que mais uma vez, ele a havia perdido.
Agora é isso que nos encontrou, como eu encontrei você.
Eu não quero correr, apenas me deixar ser soterrado.
Eu não quero correr, apenas me deixar ser soterrado.
O
X-Jato pousou na grande plataforma e pouco a pouco os habitantes de dentro da
aeronave saiam, Scott foi o último a sair, ainda sentindo-se imune ao resto,
exceto por ele mesmo, que o torturava de uma maneira, que deixaria qualquer discípulo
de Hitler se contorcendo no caixão.
O
que o despertou, foi o pequeno corpo com cabelos vermelhos vivos correr em sua
direção.
“Papai!”
A menina gritou, alcançando-o e agarrando suas pernas. Scott se abaixou e a
pegou no colo, enquanto os pequenos olhos verdes e curiosos o fitavam. “Onde
está a mamãe?”
Seu
chão teria desmoronado ali mesmo, com sua pergunta, se ele não a estivesse segurando.
Ele ponderou milhares de vezes, sobre o que dizer a menina em seus braços, mas
nada conseguia ultrapassar seus lábios.
Olhando
ao redor, ele viu seus amigos, aqueles que haviam se tornando sua família, – agora
incompleta – olhando em sua direção. Aguardando, a resposta que ele
eventualmente teria que dar a sua filha.
E se essa tempestade terminar? E nos deixar nada,
exceto uma memória, um eco distante.
Scott
olhava através da janela, se perdendo na imagem do pôr-do-sol, que agora tinha
um significado e antecedia suas noites frias e escuras, repletas de memorias e
vazio.
“Você acha que
seremos bons pais?” Ela lhe perguntou, olhando para o pôr-do-sol, com a cabeça
deitada em seu peito forte, enquanto sentada no meio de suas pernas na grama
macia.
“Eu não sei.” Ele a
abraçava por trás, uma de suas mãos acariciando seus cabelos vermelhos e a
outra acariciando sua barriga inchada, sentindo os leves chutes do bebê. “Mas
nós vamos aprender e sei que não importa o que, estaremos sempre lá para ela.”
“Juntos.” Ela
afirmou, olhando para cima, para vê-lo.
“Juntos.” Ele
confirmou e depositou um beijo suave em seu templo.
A
batida da porta o tirou de seus pensamentos e ele pode ver a cabeça de Hank
surgir pela fresta da porta.
“Eles
estão esperando por você.” Disse-lhe.
Scott
acenou em agradecimento e o viu ir embora. Respirando fundo, ele olhou pela
janela mais uma vez e se perguntou, se a imagem a sua frente voltaria a ter um
significado diferente do de agora, como o de um tempo atrás, deixando o quarto
em seguida.
Eu quero preso, eu quero instável.
Chacoalhar de gaiola em gaiola, até meu sangue ferver.
Chacoalhar de gaiola em gaiola, até meu sangue ferver.
O
saco balançou fortemente, pelo golpe recebido. Sentindo o suor escorrer por seu
rosto, Scott socou o saco de pancadas mais algumas vezes, intercalando com
chutes algumas vezes, até cair no chão gelado de mármore, sendo finalmente
vencido pela exaustão do esforço físico que seu corpo estava sofrendo nos
últimos tempos.
Sua
respiração estava forte e acelerada, seus pulmões queimavam, na procura
desesperada por ar. Ele começava a sentir as pontadas por todo o seu corpo, na
esperança dessas, obscurecerem as que ele sentia por dentro e que ele se
encontrava incapaz de combater.
Apesar
da dor, ele se esforçou a levantar-se. Uma coisa que ele havia aprendido todos
esses anos como líder dos X-Men é que jamais se deve desistir de algo, sem
antes uma luta. E ele não iria parar agora.
Eu quero ver você, como você está agora.
Cada um dos dias em que eu viver.
Pintado em chamas, descamando trovões.
Seja o raio em mim que acerta sem piedade.
Sentindo
a brisa suave contra sua pele, Scott bebeu mais um gole de seu café, apreciando
o gosto adocicado e amargo e deixando o liquido aquecê-lo por dentro, como um
cobertor em uma manhã de inverno.
Quando
terminou, voltou a cozinha, deixando a xícara em cima da pia e pegou suas
chaves em cima da mesa e caminhou até a garagem, onde encontrou seu carro e
entrou, dando vida ao mesmo e ganhando as ruas de Nova York.
O
dia estava ensolarado, mas na temperatura ideal, apesar da brisa de vez em
quando. Esse era um daqueles dias em que as pessoas chamam de “ideal”. Ideal
para passear, fazer aquilo que a tempos se está adiando, ideal para planos, para
recomeços.
A aureola perfeita, de cabelos avermelhados e relâmpagos.
Te põe a altura, da última dança do planeta.
Só por um minuto, o céu prata e suas bifurcações
Te põe a altura, da última dança do planeta.
Só por um minuto, o céu prata e suas bifurcações
te iluminam como uma estrela, que eu seguirei.
Encarando
a porta de madeira em branco a sua frente, ele ergue a mão e bateu suavemente.
Enquanto esperava, olhou para os lados e ajeitou sua jaqueta mais uma
vez. Ao fundo ele pode ouvir passos e então o barulho da chave destrancando a porta.
Quando
a porta se abriu, lá estava ele, um sorriso brilhante que atingia os olhos e
seu coração. Aquecendo-o por dentro como um bom café.
“Oi,
Scott.” Ela o cumprimentou, puxando sua atenção.
“Oi,
Jean.” Ele a cumprimentou de volta, sorrindo.
“Papai
chegou?” Ele ouviu a voz suave e animada da menina ao fundo do apartamento.
“Venha.”
Jean pegou em sua mão, causando uma descarga elétrica em ambos, puxando-o para
dentro do apartamento. “Rachel estava ansiosa para você chegar, ela quer lhe
mostrar o desenho que ela fez.” Informou ainda segurando sua mão.
“Estou
ansioso para ver.” Sorrindo, ele respondeu, olhando para suas mãos ainda unidas
e fechando a porta atrás dele e sendo guiado por ela pelo apartamento, pela sua
nova chance.
Agora é isso que nos encontrou, como eu encontrei você.
Eu não quero correr, apenas me deixar ser soterrado.
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Thank's :D

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