Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)




Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)

http://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XYw

                                       

Esse capítulo decido a uma pessoa muito especial: Ká! Pra vc amiga! :D

Embora a surpresa aos poucos se transformasse em reconhecimento, nenhum dos dois conseguia falar nem se mover. O primeiro pensamento de Scott foi sobre como Jean parecia muito mais real ali, na sua frente, do que em suas lembranças. Seus cabelos ruivos refletiam a luz do fim de tarde e, mesmo de tão longe, seus olhos verdes pareciam faiscar. Contudo, enquanto ele continuava olhando, começou lentamente a perceber algumas diferenças sutis. 

Scott notou que seu rosto havia perdido a suavidade da juventude. As maçãs estavam mais salientes e os olhos pareciam mais fundos, emoldurados por pequenas rugas nos cantos. O passar do tempo tinha sido mais do que gentil com Jean, pensou ele: ela havia ganhado uma beleza madura e extraordinária desde que a vira pela última vez.

Jean também tentava absorver o que via. A camisa cor de areia de Scott estava enfiada de qualquer jeito em seu jeans desbotado, destacando o quadril ainda anguloso e os ombros largos. O sorriso continuava o mesmo, mas os cabelos pretos estavam mais compridos do que ele costumava usar na adolescência e com alguns fios grisalhos nas têmporas. Seus olhos azuis continuavam tão arrebatadores quanto ela se lembrava, mas Jean pareceu notar uma cautela neles, a marca de alguém cuja vida tinha sido mais dura do que o esperado. Talvez fosse por vê-lo ali, naquele lugar em que haviam compartilhado tantas coisas, mas, em meio à onda repentina de emoções, ela não conseguiu pensar no que dizer.

- Jean? - perguntou ele enfim, começando a andar em sua direção.

Ela notou a surpresa na voz de Scott quando ele falou seu nome e foi isso, mais do que tudo, que a convenceu de que ele era real. Ele está aqui, pensou, é ele mesmo. À medida que ele diminuía a distância entre os dois, ela sentia os anos ficarem lentamente para trás, por mais impossível que parecesse.

''O amor é o motivo pelo qual
Os milagres nunca morrem
Eles continuam vivendo
Como uma canção, como uma canção
Nos corações daqueles que você deixou pra trás
Oh, sim''

Quando Scott finalmente a alcançou, apenas abriu os braços e ela se aninhou entre eles, como costumava fazer. Ele a puxou para junto de si, abraçando-a como se ainda fossem o casal de namorados de tanto tempo atrás. Jean se apoiou contra seu corpo, sentindo-se de repente uma jovem de 18 anos outra vez.

''O amor vem em círculos
E o amor precisa ter seu próprio tempo
Se curvando e rompendo, não pegando uma linha reta
Nunca conheci outro amor eterno e verdadeiro
Oh, mas conheci, é, conheci com você
Oh, conheci, é, conheci com você''

- Oi, Scott - sussurrou.

Eles ficaram um bom tempo assim, abraçando-se com força sob a luz do sol que sumia, e, por um instante, Scott teve a impressão de senti-la tremer. Quando eles finalmente se afastaram, ela pôde sentir a emoção que ele tentava conter. Ficou analisando-o de perto, notando as mudanças que o tempo trouxera. Ele era um homem agora, com o rosto queimado de alguém que passara muitas horas ao sol e os cabelos um pouco mais ralos.

- O que você está fazendo aqui? - perguntou Scott, tocando seu braço como se quisesse se certificar de que ela era real.

A pergunta a ajudou a se recompor, lembrando-a da pessoa que havia se tornado, e ela deu um pequeno passo para trás.

- Devo estar aqui pelo mesmo motivo que você. Quando chegou?

- Agora há pouco - disse ele, pensando no impulso que o levara a fazer aquela visita não planejada à casa de Charles. - Não acredito que você esteja aqui. Você está... linda.

- Obrigada. - Ela sentiu o sangue corar suas faces sem querer. - Como sabia que eu estava aqui?

- Não sabia - respondeu ele. - Tive vontade de passar por aqui e vi um carro na entrada. Dei a volta e...

Quando ele deixou a frase pela metade, Jean a terminou: - E lá estava eu.

- É. - Ele assentiu, fitando seus olhos pela primeira vez. - E lá estava você.

O olhar de Scott continuava tão intenso quanto antes e ela recuou mais um pouco, esperando que o espaço entre os dois tornasse as coisas mais fáceis. Esperando que ele não tivesse a impressão errada. Ela gesticulou em direção à casa.

- Você pretende ficar aqui?

Ele estreitou os olhos, encarando a casa, antes de se voltar para ela.
- Não, reservei um quarto em uma pousada na cidade. E você?


- Vou ficar na casa da minha mãe. - Quando notou sua expressão intrigada, ela explicou: - Meu pai faleceu 11 anos atrás.

- Sinto muito - falou ele.

Ela assentiu, sem dizer mais nada, e ele se lembrou de que, no passado, era assim que costumava encerrar um assunto. Quando Jean olhou para a oficina, Scott deu um passo naquela direção.

- Você se importa? - perguntou ele. - Há anos não vejo este lugar.

- Não, claro que não - disse ela. - Vá em frente.

Ela o observou passar na sua frente e sentiu os ombros relaxarem, sem ter se dado conta, até aquele momento, de como estava tensa. Ele parou por um instante, correndo os olhos pela pequena oficina antes de passar a mão sobre a bancada e pegar uma chave de roda já velha. Caminhando devagar, observou as paredes de madeira, o teto de vigas nuas, o barril de latão no canto, onde Charles despejava os restos de óleo.

- Parece que não mudou nada - comentou ele.

Ela adentrou a oficina ainda um pouco trêmula e tentando manter uma distância confortável de Scott.

- Provavelmente não mudou mesmo. Charles era meticuloso quanto à arrumação das ferramentas, principalmente nos últimos anos. Acho que sabia que estava começando a perder a memória.

- Levando em conta a idade, mal posso acreditar que ele continuasse trabalhando.

- Ele havia diminuído bastante o ritmo. Um ou dois carros por ano e, mesmo assim, só quando tinha certeza de que conseguiria dar conta do trabalho. Nenhuma grande restauração nem nada parecido. Este é o primeiro carro que vejo aqui em um bom tempo.

- Parece que você passou muito tempo com ele.
- Nem tanto. Eu vinha aqui uma vez a cada dois meses, mais ou menos. Mas fazia tempo que não nos víamos.

- Ele nunca disse nada sobre você nas cartas que me mandou – comentou Scott.

Ela deu de ombros.

- Também nunca falou de você para mim.

Ele assentiu e depois voltou a atenção para a bancada, em cuja ponta um dos lenços de Charles estava dobrado com capricho. Ao pegá-lo, Scott percorreu o balcão com os dedos: - As iniciais que entalhei continuam aqui. As suas também.
- Eu sei - disse ela. Também sabia que, debaixo delas, estavam as palavras "para sempre". 

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O capítulo é grande...Continuarei depois
Hasta La vista :*