Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)





Continuando....

Ela cruzou os braços, tentando não olhar para as mãos de Scott. Elas eram grossas e fortes, mãos de trabalhador, mas ao mesmo tempo finas e suaves.

- Não consigo acreditar que ele se foi - falou Scott.

- Eu sei.

- Você disse que ele estava perdendo a memória?

- Nada de muito grave. Considerando a idade e quanto fumava, estava muito bem de saúde da última vez que o vi.

- Quando foi isso?

- Fim de fevereiro, eu acho.

Ele gesticulou indicando o Stingray.

- Sabe alguma coisa a respeito deste carro?

Ela balançou a cabeça.


- Só que Charles estava trabalhando nele. Tem uma ordem de serviço na prancheta com algumas anotações, mas, fora o nome do dono, não entendi nada. Está bem ali.

Scott encontrou a ordem de serviço e correu os olhos pela lista antes de analisar o carro. Jean ficou observando enquanto ele abria o capô e se inclinava para olhar debaixo dele, sua camisa se esticando, apertada, em volta dos ombros. Ela desviou o olhar, não querendo que Scott percebesse. Um minuto depois, ele voltou sua atenção para as pequenas caixas na bancada. Então abriu as tampas, meneando a cabeça enquanto revirava as peças, suas sobrancelhas franzidas.

 - Estranho - falou Scott.

- O quê?

- Não é um serviço de restauração. Ele estava trabalhando basicamente na parte mecânica, nada muito complicado. Carburador, embreagem, mais uma coisa ou outra. Meu palpite era que estava apenas esperando as peças chegarem. Às vezes, no caso desses carros antigos, pode demorar.

 - E o que isso significa?

- Entre outras coisas, que não há a menor chance de o dono sair daqui dirigindo este carro.

- Vou pedir ao advogado de Charles que entre em contato com o dono. – Ela afastou uma mecha de cabelo de cima dos olhos. - Tenho que falar com ele, de qualquer maneira.

- Com o advogado?

- É - respondeu ela, assentindo. - Foi ele quem me ligou para falar sobre Charles. Disse que era importante que fizéssemos uma reunião.

Scott fechou o capô.

- O nome dele não seria Hank MaCoy, seria?

- Você o conhece? - perguntou ela, espantada.

- Só sei que também tenho uma reunião com ele amanhã.

- A que horas?

- Às onze. Imagino que na mesma hora em que você, não?

Ela precisou de alguns segundos para captar o que Scott já havia entendido: Charles planejara aquele reencontro desde o início. Se não tivessem topado um com o outro ali, na casa dele, teriam se encontrado no dia seguinte, de qualquer maneira. A medida que isso ficava claro em sua cabeça, Jean se perguntava se sentia mais vontade de brigar com Charles ou de beijá-lo.

Seu rosto deve ter entregado seus sentimentos, porque Scott falou em seguida:

- Imagino que você não fizesse idéia do que Charles estava tramando.

- Não.

Um bando de pássaros saiu voando das árvores e Jean observou enquanto eles mudavam de direção e traçavam figuras abstratas no céu. Quando voltou a encarar Scott, ele estava recostado na bancada, com metade do rosto encoberta pelas sombras. Ali, naquele lugar onde tantas histórias os cercavam, ela poderia jurar que ainda via o jovem Scott, mas tentou se lembrar de que eles eram pessoas diferentes agora. Dois estranhos, na verdade.

- Faz muito tempo - disse ele, quebrando o silêncio.

- É, faz.

- Eu tenho umas mil perguntas.

Ela ergueu uma sobrancelha. - Só mil?

Ele deu uma risada, mas Jean teve a impressão de ouvir um quê de tristeza por trás dela.

- Eu também tenho - prosseguiu ela- mas antes disso... você precisa saber que sou casada.

- Eu sei - falou ele. - Vi sua aliança. - Ele enfiou o polegar no bolso antes de ajeitar o corpo contra a bancada e cruzar uma perna sobre a outra. - Há quanto tempo está casada?

- Vai fazer 20 anos no mês que vem.

- Tem filhos?

Ela fez uma pausa, pensando em Nate, sem saber ao certo o que responder. - Dois – disse por fim.

Ele percebeu sua hesitação, mas não soube como interpretá-la. - E seu marido? Eu gostaria dele?

- Logan? - Jean se lembrou das conversas angustiadas que tivera com Charles sobre Logan e se perguntou quanto Scott já saberia. Não por desconfiar de que Charles não guardasse segredo, mas por causa da sensação de que Scott perceberia na mesma hora se ela mentisse. - Nós estamos juntos há muito tempo.

Scott pareceu avaliar sua escolha de palavras antes de finalmente se afastar da bancada. Ele passou por Jean e, movendo-se com a graciosidade de um atleta, andou em direção à casa.

- Imagino que Charles tenha lhe dado uma chave, não? Preciso beber alguma coisa.

Ela pestanejou, surpresa.

- Espere um instante! Charles lhe contou isso?

Scott se virou, continuando a andar de costas.

- Não.

- Então como você sabia?

- Porque ele não me mandou nenhuma, e um de nós precisa ter uma cópia.

Ela continuou parada, ainda tentando entender como ele teria deduzido aquilo, então finalmente o seguiu. Ele subiu os degraus da varanda com um único movimento suave, parando diante da porta.
Jean pegou uma chave na bolsa, esbarrando nele enquanto a enfiava na fechadura. A porta se abriu com um rangido.

Estava agradavelmente fresco lá dentro e a primeira coisa que passou pela cabeça de Scott foi que o interior da casa era uma extensão da mata do lado de fora: madeira, terra e manchas naturais por toda parte. O piso e as paredes revestidas de madeira tinham perdido o brilho e rachado com o passar dos anos e as cortinas marrons não escondiam as infiltrações sob as janelas. Os encostos e o estofamento do sofá xadrez estavam desgastados.

Depois de abrir uma das janelas, Scott ligou o ventilador, parando para ouvir enquanto ele começava a chacoalhar. Sua base sacudia um pouco. A essa altura, Jean já estava parada diante da lareira, olhando para a fotografia sobre o console: Charles e Moira, no dia de seu 25 aniversário de casamento.

Scott se aproximou de Jean e parou ao seu lado.

- Eu me lembro da primeira vez que vi esta foto - disse. - Charles só me deixou entrar na casa depois de eu estar aqui fazia cerca de um mês. Olhei a foto e perguntei quem era a mulher. Na época, nem sabia que ele tinha sido casado. 

Daquela distância, Jean conseguia sentir o calor que irradiava do corpo dele, mas tentou ignorá-lo.

- Como podia não saber uma coisa dessas?

- Eu não o conhecia. Até aquela noite em que vim para cá, nunca tinha falado com Charles na vida.

- Então por que veio para cá?

- Não sei - respondeu ele, balançando a cabeça. - E não imagino por que ele me deixou ficar.

- Porque queria ter você aqui.

- Ele lhe disse isso?

- Não com todas as palavras. Mas, quando você apareceu, não fazia tanto tempo assim que Moira tinha morrido. Acho que você era exatamente aquilo de que ele precisava.

- E eu pensando que era só porque ele tinha bebido naquela noite. Na maioria das noites, por sinal.

Ela vasculhou a memória.

- Mas Charles não era de beber, era?

- Foi antes de você o conhecer. Ele gostava de uísque naquela época e às vezes entrava cambaleando na oficina, com uma garrafa pela metade na mão. Secava o rosto com o lenço e me dizia que seria melhor eu encontrar algum outro lugar para ficar. Deve ter falado isso todas as noites durante os primeiros seis meses que dormi aqui. E eu passava a noite inteira torcendo para que, na manhã seguinte, ele tivesse se esquecido do que tinha dito. Então, um belo dia, ele simplesmente parou de beber e nunca mais tocou no assunto. - Scott se virou na direção de Jean, seu rosto a poucos centímetros do dela. - Ele era um bom homem.

- Eu sei - disse Jean. - Também sinto falta dele.

Ela se afastou, estendendo o braço para mexer em uma almofada puída sobre o sofá. Lá fora, o sol baixava por trás das árvores, deixando a pequena sala ainda mais escura. Ela ouviu Scott pigarrear:

- Vamos tomar alguma coisa. Tenho certeza de que Charles guardava um pouco de chá na geladeira.

- Charles não bebia chá. Mas deve ter uma Pepsi.

- Vamos ver - disse ele, encaminhando-se para a cozinha.

- Será que deveríamos fazer isso?

- Tenho certeza de que era exatamente o que Charles queria.

Havia uma pequena mesa redonda para duas pessoas, com um bolo de guardanapos de papel sob um dos pés, para evitar que ela balançasse. Scott abriu a geladeira e pegou uma jarra de chá. Quando Jean entrou, ele a estava pousando sobre o balcão.

- Como você sabia que ele tinha chá? - perguntou ela.

- Do mesmo modo como sabia que você tinha as chaves -respondeu ele enquanto tirava dois copos de geleia de dentro do armário.

- Do que você está falando?

Scott encheu os copos.

- Charles sabia que nós dois acabaríamos vindo até aqui e se lembrou de que eu gostava de chá. Então fez questão de deixar um pouco na geladeira. É claro. Exatamente como fizera com o advogado.

 Porém, antes que ela pudesse refletir um pouco mais sobre a questão, Scott estava lhe entregando o chá, e ela voltou sua atenção para ele.

Seus dedos se tocaram quando ela pegou seu copo. Scott ergueu o dele.

- A Charles – disse ele.

Continua....