Classificação Indicativa: T (13+) (Não se aplica aos outros capítulos, podem e irão variar)
Status: Capítulos (One-shots) com histórias aleatórias, sem previsão de término.
Tipo: Romance. (Não se aplica aos outros capítulos, podem e irão variar)
Base: HQs talvez?
Sugestão: One-shot solicitada pela Sindy. (First kiss!) :)
Obs: Um agradecimento especial a Ká, que me ajudou com seu vasto conhecimento na área de fraturas e recuperação! Se houver alguma coisa errada, peço que ela me perdoe! Enjoy.
N.º 2 - Delicate
"Podemos nos beijar quando estamos a sós, quando
ninguém assiste. Podemos fazer isso em casa... Não é disso que temos medo, isso
é apenas delicado."
(Damien Rice - Delicate)
Scott
abriu a porta dos fundos da cozinha da Mansão e olhou em direção a vasta floresta
a sua frente. Com um suspiro, ele olhou para trás mais uma vez, verificando se
alguém o havia visto antes de fechar a porta. Ajustando a alça da bolsa em seu
ombro, andou o pequeno caminho de pedras, até atingir o chão de areia e
adentrar a floresta.
Caminhando
por entre as grandes árvores e arbustos, tudo o que podia ouvir era o som dos
pássaros ao longe, o farfalhar das folhas e o barulho dos seus pés amassando as
folhas secas no chão, enquanto os raios de sol tentavam se infiltrar entre os
galhos das árvores.
Lembrou-se
das várias horas em que passou com Jean, a caminhar por ela, descobrindo cada
curva, cada tronco caído... Às vezes conversando sobre tudo, às vezes apenas em
um silêncio confortável que os dois haviam descoberto desde o primeiro dia.
Ele
caminhou por quase vinte minutos, quando o avistou. O grande carvalho, entre
outras árvores mais pequenas, como se estivesse marcando o centro da Terra. Ele
o rodeou cuidadosamente, até encontrar o que queria.
Puxando
alguns galhos de folha, ele empurrou a madeira a sua frente, abrindo uma fresta
no meio da grande árvore e olhou dentro, procurando. Avistou a lamparina
brilhando nos fundos do oco que havia dentro da árvore. Limpou a garganta e
esperou.
Observou
Jean levantar os olhos do livro que aparentemente estava lendo e olhar em sua
direção. Seu rosto limpo de emoções.
“Posso
entrar?” Perguntou e ela apenas deu de ombros como resposta, voltando a atenção
rapidamente ao livro deitado em seu colo.
Entrou,
apenas parando para verificar se havia sido seguido, empurrando a madeira de
volta no lugar. Mesmo com apenas dezessete anos, era necessário que se curvasse
para poder andar no moderado espaço, devido a sua altura. Ele rodeou o ambiente
com os olhos antes de se sentar próximo a ela no grande cobertor azul. Jean não
havia olhado para ele novamente, desde que entrará.
Há
quase um ano, entre suas muitas caminhadas na floresta, Jean e Scott haviam
encontrado este grande carvalho e ao observarem bem, perceberam que uma das
partes da árvore era oca, moderadamente, com uma rachadura de abertura para o
espaço. Eles então decidiram explorar e em um dos raros momentos, Scott viu
Jean muito animada.
Apesar
de se dar bem com todos da casa e estarem ocupados uma parte considerável do
tempo, não haviam muitas coisas que animavam Jean. O que a deixavam com um ar
mais leve eram suas caminhadas na floresta, os livros e as partidas de xadrez
com Hank. No resto do tempo todos estavam divididos entre treinamentos, estudos
e as tarefas da Mansão.
Scott
sabia que esses momentos eram difíceis para ela. Principalmente entre ser a
única mulher da Mansão, a saudade de casa e o fato de recentemente, Xavier ter
começado a trabalhar sua telepatia, que sempre a deixavam com dor de cabeça
após as sessões.
Então,
quando haviam descoberto aquele lugar, ela rapidamente teve a ideia, de que
aquele poderia ser o lugar secreto deles e que eles poderiam transformar como
quisessem. Scott, claro, prontamente concordou, por que além da emoção de terem
descoberto um lugar, que agora era só deles, ele passou a perceber que faria
qualquer coisa para manter aquele sorriso em seu belo rosto, que toda vez
aquecia seu coração de uma forma mágica.
E
assim eles o fizeram. O cobertor azul estendido em quase todo o chão, onde eles
estavam sentados agora, alguns livros empilhados em um canto, que eles acabavam
por esquecer de levar de volta para dentro de casa ou separavam especialmente
para serem lidos lá, um rádio onde por vezes eles escutavam músicas e duas
lamparinas que iluminavam o lugar.
Scott
lembrou as muitas vezes em que ficaram ali, apenas deitados um ao lado do
outro, conversando horas a fio, até terem que se levantar e correrem de volta
para a Mansão antes que fossem dados como desaparecidos.
Voltando
de seus pensamentos, Scott puxou a bolsa que havia trazido consigo e a abriu,
tirando um saco marrom de dentro.
“Você
tem estado aqui por um tempo já.” Ele viu Jean tirar a atenção do livro e olhar
para ele, enquanto ele entregava o saco a ela. “Eu trouxe um lanche.”
Jean
olhou para ele mais uma vez, antes de olhar para o saco e pegar.
“Obrigada.”
Respondeu em um sussurro.
Scott
assentiu e voltou a vasculhar a bolsa, a procura dos doces que havia trazido.
Encontrando-os, ele os deixou entre eles e na ação ele pousou seus olhos no
grosso e branco gesso envolvendo o pé esquerdo e o tornozelo de Jean, deixando
apenas a ponta de seus dedos de fora, onde as unhas estavam pintadas de um
vermelho escuro.
O
gesso era a razão de sua fuga e isolamento em seu esconderijo secreto.
Resultado de um momento de euforia, onde Jean estava determinada a testar sua
telecinese, como uma forma de deslocar o seu corpo – voar, para ser mais
especifico. Infelizmente, não havia saído como ela planejará, o que resultou em
alguns arranhões, uma entorse em seu tornozelo particularmente dolorida, um
Xavier não muito contente, que a havia alertado sobre sua decisão antes e o
gesso que a deixaria sem poder fazer grandes coisas por quase vinte dias.
Felizmente para ela e para o alivio dos outros, nada mais grave, como uma
fratura exposta ou uma batida de cabeça, havia acontecido.
Já
haviam se passado duas semanas, das quais Jean não poderia ter sido mais
infeliz. Suas caminhadas com Scott haviam sido interrompidas e apesar de seus poderes,
ela estava confinada a Mansão. O que o fez imaginar, que ela estaria aqui, após
procura-la pela casa, mas sem sucesso.
Seu
gesso agora era uma tela, onde flocos de neves precisos estavam desenhados no
topo, por Bobby, uma flor por Warren ao lado, uma espécie de pássaro de fogo na
base, que Hank havia desenhado, ideia de seu mais recente livro, cujo o nome
era Fênix e era uma entidade cósmica, enquanto Scott desenhou uma pequena Jean
com asas, dizendo que ela poderia tentar da próxima vez.
Enquanto
comia seu lanche, que apenas agora havia se dado conta de quanto tempo ela
estava lá e de que estava com fome, se não fosse por ele, Jean havia percebido
que Scott não havia feito nada há algum tempo e quando ela se virou para
olhá-lo, mesmo com os óculos de quartzo-rubi, ela podia dizer que ele estava
olhando para o seu tornozelo engessado. Pousando o lanche em seu colo, ela
olhou na mesma direção.
“Professor
disse que eu não posso ir à feira artesanal no fim de semana.” Disse com um
suspiro e Scott voltou sua atenção para ela, feliz de que ela havia decidido
conversar.
“Sinto
muito.” Eles haviam planejado ir a semanas, agora ele estava decepcionado que
ela não poderia ir e ele provavelmente teria que ir sozinho com os meninos.
“Não
é sua culpa.” Ela ofereceu, com um sorriso triste.
“Eles
vão estar aqui no ano que vem, como sempre.” Ele tentou animá-la e ela era
grata por isso.
“Sim.”
Ela respondeu perdendo o seu olhar no espaço e ficaram em silêncio por alguns
instantes até Scott voltar a falar.
“Eu
sei que não era o que você tinha planejado, mas eu prometo te trazer alguma
coisa legal.” Ela voltou a olhá-lo. “E, também prometo trazer aquele doce de amendoim
que você gosta.” E pela primeira vez em horas, dias até, ela havia dado seu
primeiro sorriso genuíno.
Por
que ele era assim, sempre sabendo desde o primeiro dia, o que dizer, o que
fazer, para animá-la e colocar um sorriso em seu rosto, principalmente nas
últimas duas semanas, sem medir esforços. Onde ele estava sempre presente,
sabendo o momento de dar-lhe algum espaço e o momento de persistir. Tendo a
certeza, de que mesmo ela aparentando estar bem, se ela se sentia bem.
Ela
não tinha a menor dúvida, de que se ela precisasse de alguém, ele estaria lá,
de prontidão, com seu sorriso tímido e a estrutura forte, pronto para apoiá-la.
Pronto para ser o melhor amigo que ela precisava, a mão para segurá-la, o
abraço para confortá-la e a voz para acalmá-la.
E
agora Jean, só conseguia pensar em alguma forma de poder agradecê-lo, de dizer
que seus esforços, apesar de às vezes ela estar tão irritada para reconhecer,
eles são bem-vindos e que eles têm uma grande influência sobre ela.
Então,
sem mais pensar, em meio ao silêncio deles, Jean se inclinou em sua direção e
pode ouvi-lo tomar uma respiração segundos antes de encostar seus lábios aos
dele, em uma carícia suave, mas firme, que durou apenas alguns segundos, antes
de se afastar.
“Obrigada,
Scott.” Ela agradeceu em um sussurro, com um sorriso. Ela podia ver a surpresa
de Scott ao seu lado, mas antes que ela pudesse pensar se aquilo havia sido uma
má ideia ou em qualquer outra coisa, ela estava pressionando seus lábios aos
seus novamente.
Alguns
segundos depois, ela sentiu-o relaxar sob o seu toque e corresponder ao seu
beijo, retirando qualquer dúvida que tivera transcorrido sua mente.
Seu
beijo era suave e novo para ambos, sem pressa, levando seu tempo, onde cada um
buscou conhecer o outro através do novo contato. Uma descarga elétrica parecia
correr entre seus corpos, fazendo seus corações vibrarem a cada segundo.
Quando
se afastaram o único som que podiam ouvir era suas respirações um pouco fora de
ritmo e as batidas de seus corações em sincronia. Permaneceram assim durante
algum tempo e ainda um pouco em choque e com uma amostra de sorriso no rosto,
Scott foi quem quebrou a barreira do silêncio.
“De-deveríamos
ir. Antes que comecem a nos procurar.” Scott conseguiu pronunciar, aguardando
sua resposta.
Jean
com a expressão em seu rosto, assentiu e então eles se prepararam para sair.
Scott a ajudou a ficar em pé e ficar em suas muletas. Recolhendo a bolsa, eles
saíram para a floresta e Jean esperou enquanto Scott se certificava de que seu
lugar secreto, continuasse secreto, agora com um novo significado.
Eles
caminharam boa parte do percurso em silêncio, Scott sempre ajudando Jean entre
os galhos de árvore, feliz que sua determinação em se afastar da Mansão, não a
fez se machucar ainda mais, ao vir sozinha para cá.
Quando
eles estavam a poucos metros da Mansão, Jean parou, fazendo Scott parar
automaticamente ao seu lado, se perguntando se estava tudo bem. Ele a olhou e
ela estava sorrindo e antes que pudesse fazer uma pergunta, levando sua mão em
sua bochecha, ela o beijou novamente, em um beijo curto mas cheio de
significado que ele rapidamente correspondeu, antes de se afastarem novamente.
“Obrigada
de novo, Scott.” Cariciou sua bochecha por um segundo, antes de abaixar a mão.
Ele lhe respondeu com um sorriso, que lhe bastou tudo. Procurou por sua mão e
juntos caminharam de mão dadas o restante do caminho até a Mansão, com a
sensação de que aquilo, era apenas mais uma etapa de algo incrível.
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See ya!
See ya!

1 Comentários
Awwwwwwwwn! Sabia que você tinha perguntado sobre fraturas pra mim pra alguma coisa KKKK, desconfiei que fosse pra alguma fic KKK.
ResponderExcluirClaro, eu já havia lido. Assim que você falou que postou, eu li, mas só agora estou comentando - é, eu sei. Sou preguiçosa u.u - KKKKK
Tão lindos eles quando jovens... tão inocentes no amor... tão verdadeiro - suspiro - Amei <3