Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)





Continuando....


Jean bateu seu copo contra o de Scott e, de repente, sentiu como se toda aquela situação - a proximidade dos dois, o passado que a atraía, a maneira como ela se sentira quando ele a abraçara, o fato de estarem sozinhos naquela casa - fosse mais do que ela poderia administrar. Uma pequena voz lhe sussurrou que ela precisava ter cuidado, que nada de bom poderia sair daquilo, lembrando-a de que tinha marido e filhos. Mas isso só tornava as coisas mais confusas.

- Então... 20 anos, hã? - disse Scott enfim.

Ele se referia ao casamento de Amanda, mas ela estava tão distraída que demorou um pouco a entender.

- Quase. E você? Chegou a se casar?

- Acho que o destino não quis.

Ela o fitou por cima da borda do copo.

- Ainda curtindo a vida de solteiro, então?

- Na verdade, sou mais de ficar na minha.

Ela se recostou no balcão, sem saber bem como interpretar aquela resposta.

- Onde você mora?

- Louisiana. Numa comunidade perto de Nova Orleans.

- Você gosta?

- É tranqüila. Só depois de voltar para cá percebi como é parecida com Oriental. Tem mais pinheiros por aqui e mais barbas-de-velho por lá, mas, fora isso, duvido que conseguisse notar a diferença.

- Exceto pelos crocodilos.

- É. Exceto por eles. - Scott abriu um sorriso discreto. - Sua vez. Onde é sua casa?

- Durham. Fiquei por lá depois que me casei.

- E vem aqui algumas vezes por ano para visitar sua mãe?

Ela assentiu.

- Quando meu pai era vivo, eles costumavam nos visitar para ver as crianças. Mas, depois que ele morreu, ficou mais difícil. Mamãe nunca gostou de dirigir, então eu preciso vir até aqui. - Ela bebericou seu chá antes de menear a cabeça para a mesa. - Você se importa se eu me sentar? Meus pés estão me matando.

- Fique à vontade. Eu vou ficar em pé. Passei o dia inteiro dentro de um avião.

Ela se encaminhou para a mesa, sentindo o olhar dele acompanhá-la.

- O que você faz na Louisiana? - perguntou Amanda enquanto se sentava.

- Sou torrista numa plataforma de petróleo. Basicamente, dou assistência ao sondador. Ajudo a colocar e a tirar o tubo de perfuração do elevador, confiro se as conexões estão em ordem, verifico as bombas para garantir que estejam funcionando. E meio difícil explicar sem poder
mostrar do que estou falando.

- É bem diferente de consertar carros.

- Na verdade, é mais parecido do que você imagina. Eu mexo basicamente com motores e máquinas. E ainda trabalho com automóveis. Bem, no meu tempolivre, pelo menos. O Mustang anda como se fosse zero.

- Você ainda tem aquele carro?

Ele sorriu.

- Gosto dele.

- Não - provocou ela -, você ama aquele carro. Eu tinha que arrastar você para longe dele quando vinha aqui. E, na metade das vezes, não conseguia. Não ficaria surpresa se você tivesse uma foto dele na carteira.

- Mas eu tenho.

- Sério?

- Brincadeira.

Ela riu, a mesma risada descontraída de tempos atrás.

- Há quanto tempo você trabalha embarcado?

- Catorze anos. Comecei como homem de área, depois virei plataformista e hoje sou torrista.

- Homem de área, plataformista, torrista?

- Como vou explicar? São termos da profissão. - Ele cutucou distraidamente um dos sulcos no tampo da mesa. - E você? Trabalha? Lembro que queria ser médica.


Ela bebericou seu chá, concordando com a cabeça.

- Trabalhei durante um ano, mas então tive Nathan, meu filho mais velho, e quis ficar em casa para cuidar dele. Depois Rachel nasceu e... vieram alguns anos em que muitas coisas aconteceram, inclusive a morte do meu pai, e foi um período bem difícil. - Jean se deteve, percebendo quanto estava deixando de contar e sabendo que aquele não era nem o lugar nem o momento para falar sobre Nate. 

Ela se ajeitou na cadeira, mantendo a voz firme: - Nos últimos 10 anos, dediquei bastante tempo ao trabalho como voluntária no hospital da Universidade Duke. Também organizo alguns almoços beneficentes para eles. E difícil às vezes, mas me dá a sensação de que estou fazendo alguma diferença, por menor que seja.

- Quantos anos têm seus filhos?

- Nathan faz 19 em agosto e acabou de terminar o primeiro ano da faculdade. Rachel tem 17 e está começando o último ano do ensino médio e estão naquela idade em que acham que sabem tudo, enquanto eu, naturalmente, não sei absolutamente nada.

- Em outras palavras, são mais ou menos como nós fomos. 

Ela refletiu um pouco, sua expressão quase melancólica. - Talvez.

Scott se calou, olhando pela janela, e ela seguiu seu olhar. O riacho ganhara um tom acinzentado, cor de ferro, e a água que se movia lentamente refletia o escurecer do céu. O velho carvalho perto da margem não tinha mudado muito desde a última vez em que ele estivera ali, mas o cais havia apodrecido, restando apenas as estacas.

- Há muitas lembranças lá - comentou ele com brandura.

Talvez tenha sido a maneira como ele pronunciou as palavras, mas Jean sentiu algo fazer "clique" dentro de si ao ouvi-las, como uma chave que girasse em uma fechadura distante.

- Eu sei - disse por fim. Ela se deteve, passando os braços ao redor do corpo.

 - Quanto tempo você pretende ficar? - perguntou ela.

- Comprei minha passagem para segunda-feira de manhã bem cedo. E você?

- Não muito. Disse a Logan que voltaria no domingo. Mas, se dependesse da minha mãe, eu teria ficado em Durham. Ela disse que não era uma boa idéia vir para o funeral.

- Por quê?

- Porque ela não gostava de Charles.

- Você quer dizer que ela não gostava de mim.

- Ela nunca chegou a conhecer você - falou Jean. - Nunca lhe deu uma chance. Sempre achou que soubesse exatamente o que eu deveria fazer da vida. O que eu queria nunca importou. Mesmo agora, que sou adulta, ela ainda tenta me dizer o que fazer. Não mudou nada. - Ela passou os dedos pela umidade no copo de geléia. - Alguns anos atrás, cometi o erro de lhe dizer que tinha vindo à casa de Charles. Foi como se eu confessasse um crime. Ela me passou um sermão, quis saber o porquê da visita, perguntou sobre o que havíamos conversado. Ficou me dando bronca como se eu ainda fosse criança. Depois disso, simplesmente parei de contar a ela que vinha aqui. Dizia que tinha ido às compras ou saído para almoçar com minha amiga Ororo na praia. Ororo e eu fomos colegas de quarto na faculdade e ela mora em Salter Path. Nós ainda nos falamos, mas já faz anos que não a vejo. Não quero lidar com as perguntas intrometidas de mamãe, então simplesmente minto para ela.

Scott misturou seu chá enquanto pensava no que Jean tinha dito. Depois, observou a bebida finalmente parar de girar.

- Enquanto estava vindo para cá, eu não conseguia parar de pensar no meu pai e em como tudo para ele era sempre uma questão de controle. Não estou dizendo que sua mãe seja igual a ele, mas talvez essa seja apenas a maneira dela de tentar evitar que você cometa erros.

- Você está dizendo que visitar Charles foi um erro?

- Não para Charles - disse ele. - Mas e para você? Depende do que esperava encontrar aqui, e só você mesma pode responder a essa pergunta.

Jean sentiu que começava a ficar na defensiva, mas, antes que pudesse retrucar, a sensação passou. Reconheceu que aquele era o tipo de conversa que os dois costumavam ter: um dizia algo que provocava o outro e isso muitas vezes acabava levando a uma discussão. Ela se deu conta de quanto sentira falta disso. Não das brigas, mas da confiança implícita que havia nelas e do perdão que inevitavelmente vinha em seguida. Porque, no fim das contas, eles sempre perdoavam um ao outro.

Parte de Jean suspeitava de que Scott a estava testando, mas ela deixou o comentário dele sem resposta. Em vez disso, surpreendendo a si mesma, inclinou-se sobre a mesa e as palavras saíram quase automaticamente de sua boca:

- Onde vai jantar hoje à noite?

- Não tenho nenhum plano. Por quê?

- Tem uns bifes na geladeira, se você quiser comer aqui.

- E a sua mãe?

- Posso ligar e dizer que me atrasei.

- Tem certeza de que é uma boa idéia?

- Não - falou Jean. - A esta altura, não tenho certeza de mais nada.

Ele esfregou o polegar contra o copo e não disse nenhuma palavra enquanto a analisava.

- OK - falou Scott, assentindo. - Vamos comer esses bifes. Desde que não estejam estragados.

- Foram entregues na segunda-feira - disse ela, lembrando-se do que Charles lhe falara. – A churrasqueira fica lá fora, se você quiser ir começando.


No instante seguinte, Scott estava lá fora. Sua presença, no entanto, continuava a seu lado, mesmo quando ela pegou o celular na bolsa.

Continua...