Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)






As cortinas da pousada eram finas e o sol acordou Scott assim que raiou. Ele se virou para o outro lado, na esperança de conseguir voltar a dormir, mas foi impossível. Levantou-se e passou alguns minutos alongando-se. Seu corpo sempre doía de manhã, principalmente as costas e os ombros. Ele se perguntava por mais quanto tempo ainda conseguiria continuar trabalhando em plataformas. Sua saúde se desgastava e, a cada ano, as lesões pareciam ficar piores.

Ele enfiou a mão na bolsa de viagem e pegou sua roupa de corrida. Vestiu-se e desceu em silêncio as escadas. Os proprietários ainda não tinham acordado. Na noite anterior, quando ele fizera o checkin, eles lhe informaram que haviam deixado em seu quarto as flores que ele encomendara e que o café da manhã seria servido às 8h. Isso lhe dava bastante tempo para fazer o que precisava antes da reunião.

A manhã já estava clara lá fora. Uma fina camada de neblina pairava como uma nuvem sobre o rio, mas o céu exibia um azul radiante e límpido em todas as direções. O ar já estava quente, indicando um calor ainda mais forte durante o dia. Ele girou os ombros algumas vezes e começou a correr antes mesmo de chegar à estrada. Demorou alguns minutos para que seu corpo se soltasse e ele entrasse em um ritmo mais confortável.

Não dormira bem, com os pensamentos se alternando sem parar entre Jean e a família Lehnsherr. Na prisão, a única coisa em que conseguia pensar além de Jean era Raven Lehnsherr . Ela havia sido convocada para testemunhar em seu julgamento. Dissera que Scott não só a havia privado do homem que amava e do pai de seus filhos como também deixara sua família sem condições de se sustentar. Com a voz embargada, admitira não fazer idéia de como iria manter os filhos ou o que seria deles. O Dr. Erik não tinha plano de previdência nem seguro de vida.

Raven acabou perdendo sua casa e teve de voltar a morar com os pais, mas sua vida continuou sendo difícil. O pai já havia se aposentado e enfrentava um enfisema pulmonar. A mãe era diabética e os empréstimos que o casal havia feito para manter sua propriedade consumiam quase toda a renda que obtinham com as frutas que cultivavam. Com os pais necessitando de cuidados quase em tempo integral, Raven só conseguia trabalhar meio expediente. Mesmo juntando seu salário com o que os dois recebiam da previdência social, mal dava para custearem as necessidades básicas, às vezes nem isso.

A velha casa de fazenda em que moravam já dava sinais de deterioração e, com o tempo, o pagamento das prestações dos empréstimos começou a atrasar. Quando Scott saiu da prisão, a situação da família Lehnsherr já havia se tornado desesperadora. Ele só soube disso quase seis meses depois, na ocasião em que foi até a fazenda para se desculpar. Quando Raven atendeu a porta, ele mal a reconheceu: seu cabelo estava grisalho e sua pele tinha adquirido um tom amarelado. A mulher, no entanto, sabia muito bem quem ele era. Antes que Scott pudesse dizer uma única palavra, começou a gritar mandando-o embora. Aos berros, disse que ele tinha arruinado sua vida,que havia matado seu marido e que ela não tinha dinheiro nem sequer para consertar as goteiras do telhado ou contratar os funcionários de que a fazenda precisava. Gritou que os bancos estavam ameaçando tomar a propriedade e que ela chamaria a polícia para retirá-lo dali. Alertou-o para nunca mais voltar. Scott foi embora, porém, naquela mesma noite, retornou à fazenda e, caminhando pelas fileiras de pessegueiros e macieiras, avaliou seus problemas. Na semana seguinte, depois de receber seu pagamento, ele foi ao banco e, juntando seu salário quase inteiro e tudo o que havia economizado desde que saíra da prisão, providenciou para que um cheque fosse enviado a Raven Lehnsherr sem qualquer identificação ou bilhete em anexo.

Nos anos que se seguiram, a vida de Raven foi melhorando. Depois da morte dos pais, ela herdou a propriedade e, embora ainda passasse por momentos difíceis, aos poucos conseguiu arcar com as altas prestações e fazer as reformas de que a fazenda necessitava. Já quitara as dívidas e era de fato dona de suas terras. Alguns anos depois de Scott partir da cidade, tinha começado o próprio negócio: vendia compotas caseiras pelo correio. Com a ajuda da internet, o empreendimento crescera o suficiente para que ela não precisasse mais se preocupar com as contas a vencer.

Quanto às crianças,Wanda havia se formado na universidade e depois se mudara para Raleigh, onde era gerente de uma loja de departamentos. Provavelmente assumiria o negócio da mãe algum dia. Pietro morava na fazenda, em um trailer que sua mãe comprara para ele. Não havia feito faculdade, mas tinha um emprego fixo e, nas fotografias enviadas para Scott, sempre parecia feliz. Uma vez por ano, as fotografias chegavam à Louisiana com breves notícias atualizadas sobre as vidas de Raven, Wanda e Pietro. O detetive particular que Scott havia contratado sempre fora meticuloso, contudo nunca se excedia em sua investigação.

Scott às vezes sentia remorso por ter contratado alguém para seguir a família Lehnsherr, mas precisava saber se tinha conseguido fazer alguma diferença positiva, por menor que
fosse, na vida daquelas pessoas. Era tudo o que desejava desde a noite do acidente, o motivo que o levara a passar as duas últimas décadas enviando-lhes cheques todos os

meses, quase sempre a partir de contas bancárias anônimas no exterior. Ele era o responsável pela maior perda que a família sofrerá e, enquanto corria pelas ruas silenciosas da cidade, mais uma vez teve certeza de que continuava disposto a fazer tudo o que estivesse a seu alcance para compensá-los.

Continua....