Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)





Jean tomava café à mesa da cozinha e se esforçava ao máximo para ignorar o silêncio da mãe. Ela estava esperando na sala quando Jean chegou na noite anterior e começou um interrogatório antes mesmo que a filha pudesse se sentar.

Onde você estava? Por que demorou tanto? Por que não telefonou?

Ela havia telefonado, disse Jean para refrescar sua memória. Mas, em vez de cair na armadilha da conversa incriminatória que a mãe obviamente planejava, apenas murmurou que estava com dor de cabeça e que precisava dormir. A julgar pelo humor da mãe naquela manhã, estava na cara que ela não havia gostado nem um pouco daquilo. Além de um rápido bom-dia quando Jean entrara na cozinha, ela não falara mais nada. Em vez disso, tinha ido direto para a torradeira e, depois de pontuar seu silêncio com um suspiro, enfiara duas fatias de pão no aparelho. Enquanto o pão torrava, ela tornara a suspirar, só que um pouco mais alto.

Já entendi, Jean teve vontade de dizer. Você está chateada. Podemos parar com isso agora? Em vez de falar, entretanto, bebericou seu café. Por mais que sua mãe tentasse irritá-la, ela não seria atraída para uma discussão.

Jean ouviu o pão saltar na torradeira. Sua mãe abriu a gaveta e pegou uma faca, fechando-a ruidosamente em seguida. Começou a passar manteiga nas torradas.

- Está se sentindo melhor? - perguntou a mãe enfim, sem se virar.

- Estou, obrigada.

- Está pronta para me contar o que está acontecendo? Ou onde estava?

 - Eu já disse, me atrasei para sair de casa. - Jean se esforçou ao máximo para manter a voz tranqüila.

- Tentei ligar para você, mas caía direto na caixa postal.

- Minha bateria descarregou. - Essa mentira havia ocorrido a Jean na noite anterior, enquanto voltava para casa. A mãe era muito previsível.

Elayne pegou seu prato.

- Foi por isso que não ligou para Logan?

- Eu falei com ele ontem, mais ou menos uma hora depois que ele chegou do trabalho - disse Jean, apanhando o jornal da manhã e correndo os olhos pelas manchetes com uma casualidade calculada.

- Bem, ele também ligou para cá.

-E?

- Ficou surpreso que você ainda não tivesse chegado - falou sua mãe, bancando a detetive. - Disse que, pelo que sabia, você tinha saído por volta das duas da tarde.

- Tive que resolver uma coisa antes de vir - disse ela. As mentiras estavam vindo de um jeito fácil até demais, pensou, mas, por outro lado, Jean tinha bastante prática.

- Ele me pareceu preocupado.

Não, ele pareceu estar bebendo, pensou Jean, duvidando de que Logan ao menos se lembrasse da ligação. Ela se levantou e pegou um pouco mais de café.

- Mais tarde eu ligo para ele.

Sua mãe se sentou. - Eu tinha sido convidada para jogar bridge ontem à noite.

Então essa era a questão, pensou Jean. Ou pelo menos parte dela. A mãe era viciada em bridge e jogava com o mesmo grupo de mulheres fazia quase 30 anos.

- A senhora deveria ter ido.

- Não pude, porque sabia que você estava vindo e achei que fôssemos jantar juntas. – Sua mãe se empertigou na cadeira. - Eugenia Wilcox teve que me substituir.

- Desculpe, mamãe - disse Jean, sentando-se de volta. - Eu deveria ter ligado para a senhora.

- Eu disse a ela que você estava na cidade, daí uma coisa levou a outra e ela nos convidou para jantar hoje à noite.

Jean franziu a testa e largou a xícara de café.

- A senhora não aceitou o convite, aceitou?

- É claro que sim.

A imagem de Scott lampejou em sua cabeça.

- Não sei se vou ter tempo - improvisou ela. - Acho que vai haver alguma cerimônia para Charles mais tarde.

- Você acha que vai haver uma cerimônia? Como assim? Ou vai haver ou não vai.

- Quero dizer que não tenho certeza se vai haver ou não. O advogado não me deu detalhes sobre o funeral quando ligou.

- Que estranho, não? Ele não falar nada.

Talvez, pensou Jean. Mas não mais do que o fato de Charles ter dado um jeito para que Scott e eu jantássemos na sua casa ontem à noite.

- Tenho certeza de que ele está fazendo o que Charles queria.

Ao ouvir o nome de Charles, sua mãe correu os dedos pelo colar de pérolas que usava.
Jean nunca a havia visto sair do quarto sem maquiagem e jóias, e aquela manhã não era exceção. Elayne Grey sempre fora o espírito aristocrata em pessoa e sem dúvida continuaria a ser até o dia da sua morte.

- Ainda não entendo por que você veio até aqui para isso. Até parece que conhecia o falecido.

- Eu o conhecia, mamãe.

- Conheceu anos atrás. Quero dizer, se você ao menos ainda morasse na cidade, talvez eu até entendesse. Mas não havia o menor motivo para fazer uma viagem só para isso.

- Eu vim prestar minhas condolências.

- A reputação dele não era das melhores, sabia? Muita gente o achava louco. O que vou dizer para as minhas amigas quando for explicar por que você está aqui?

- Não sei por que a senhora teria que dizer alguma coisa.

- Porque elas vão perguntar.

- E por que fariam isso?

- Porque acham você interessante.

Jean detectou algo no tom de voz da mãe que não entendeu muito bem. Enquanto tentava decifrar o que era, acrescentou um pouco de creme a seu café.

- Não sabia que eu era um assunto tão popular - observou ela.

- Não é tão surpreendente assim, se você pensar bem. Você quase nunca vem aqui com Logan e as crianças. O que posso fazer se elas acham isso estranho?

- Nós já tivemos essa conversa antes - falou Jean, incapaz de esconder a irritação. - Logan trabalha e as crianças estudam, mas isso não significa que eu não possa vir. É normal uma filha viajar para visitar a mãe.

- E, às vezes, não visitar. É isso que elas acham estranho, se você quer saber.

 - Do que a senhora está falando? - perguntou Jean, estreitando os olhos.

- Do fato de você vir a Oriental quando sabe que não vou estar na cidade. E de ficar na minha casa sem nem ao
menos me avisar. - Ela nem se deu o trabalho de disfarçar a hostilidade antes de prosseguir. - Você achava mesmo que eu não soubesse? Como quando fiz aquele cruzeiro no ano passado? Ou quando fui visitar minha irmã em Charleston no ano anterior? A cidade é pequena, Jean. As pessoas a viram. Minhas amigas. O que não entendo é por que você achou que eu não fosse descobrir.

- Mamãe...

- Não - disse ela, erguendo a mão muito bem cuidada. - Eu sei muito bem por que você veio. Posso estar mais velha, mas não fiquei cega. Por que outro motivo viria para o funeral? E óbvio que veio encontrá-lo. E foi isso que fez todas aquelas vezes em que me disse que ia fazer compras, não foi? Ou quando disse que ia visitar sua amiga? Você mentiu para mim durante todo esse tempo.

Jean baixou os olhos e ficou calada. Não havia nada que pudesse dizer. Em meio ao silêncio, ouviu um suspiro. Quando a mãe finalmente voltou a falar, sua voz havia perdido a rispidez:

- Quer saber de uma coisa? Eu também venho mentindo para você, Jean, e estou cansada disso. Mas ainda sou sua mãe e você pode conversar comigo.

- Sim, mamãe. – Ela ouviu o eco da adolescente petulante que tinha sido e odiou-se por isso.

- Tem alguma coisa acontecendo com as crianças que eu deva saber?

- Não. As crianças estão ótimas.

- Então é com Logan?

Jean girou a asa da xícara de café para o outro lado.

- Quer conversar a respeito? - perguntou a mãe.

- Não - respondeu Jean em tom monocórdio.

- Posso ajudar de alguma forma?

- Não.

- O que está havendo com você, Jean?

Por algum motivo, a pergunta a fez pensar em Scott e, por um instante, ela se viu de volta à cozinha de Charles, desfrutando a atenção dele. Foi então que Jean soube que só o que queria era vê-lo novamente, quaisquer que fossem as conseqüências.

- Não sei - murmurou ela enfim. - Gostaria de saber, mas não sei.

Elayne desejou que o marido ainda estivesse vivo, nem que fosse apenas para conversarem sobre Jean. Quem poderia dizer o que estava acontecendo com a filha ultimamente? Mas, por outro lado, Jean sempre fora um mistério, mesmo quando criança. Era decidida e, desde que aprendera a andar, se mostrara tão teimosa quanto uma mula. Se a mãe lhe dissesse que ficasse por perto, ela ia para longe na primeira oportunidade; se lhe pedisse que vestisse uma roupa bonita, Jean descia as escadas saltitante usando algo que achara largado no fundo do armário. Quando a filha era pequena, Elayne e o marido ainda conseguiam mantê-la sob controle - afinal de contas, ela era uma Grey, as pessoas
tinham expectativas em relação a ela. Mas quando Jean chegou à adolescência... Deus era testemunha! Foi como se o diabo tivesse entrado no corpo da filha. 

Primeiro, ela se envolveu com Scott Summers - um Summers! - e depois começou a mentir, a sair escondida de casa, a ficar emburrada o tempo todo e a ter uma resposta na ponta da língua sempre que a mãe tentava colocar um pouco de juízo naquela cabeça. O cabelo de Elayne chegou a ficar
grisalho de tanto estresse e, embora Jean não soubesse, não fosse por um estoque constante de bourbon, ela não imaginava como teria conseguido suportar aqueles anos terríveis.

Assim que eles conseguiram separá-la daquele garoto Summers e Jean foi para a faculdade,as coisas começaram a melhorar. Seguiram-se alguns anos bons, estáveis, e ela adorou ser avó, é claro. O que aconteceu com o garotinho foi triste, ele era apenas um bebê e uma criatura linda, mas o Senhor nunca prometeu a ninguém uma vida sem atribulações.

Ultimamente, contudo, Jean parecia estar voltando aos velhos hábitos, mentindo como uma adolescente. As duas nunca tinham sido muito próximas e fazia tempo que Elayne já se resignara ao fato de que provavelmente nunca fossem. A história de que mães e filhas são sempre grandes amigas era mito, mas a amizade era muito menos importante do que os laços familiares. Amigos iam e viam; a família sempre estaria presente. Não, elas não trocavam confidências, mas em geral trocar confidências era apenas uma forma de reclamar, o que, na maioria das vezes, era perda de tempo. A vida era complicada. 

Continua