Descrição: Coletânea de One-Shots de acordo com solicitações e o que vier em minha cabeça e em todos os temas possíveis. :P
Classificação Indicativa: T (13+) (Não se aplica aos outros capítulos, podem e irão variar
Status: Capítulos (One-shots) com histórias aleatórias, sem previsão de término.
Tipo: Angst (Não se aplica aos outros capítulos, podem e irão variar)
Base: Filmes
Sugestão: One-shot solicitada pela Dai e em comemoração ao retorno de sua internet! (Jott entre X1 e X2)

N.º 3 - Holding a Heart







~*~


"Eu estou me transformando em um outro alguém ... Estou segurando um coração em minhas mãos, meu próprio trabalho de arte aqui onde eu estou. Ceder, é tão difícil de começar.
Viver na minha pele, as contusões são inúteis contra ela ... Vou tentar tudo o que posso, para encontrar um lugar macio para pousar."
(Girl Named Toby - Holding A Heart)

~*~

Quando o X-Jato aterrissou na Mansão, Scott e Ororo imediatamente levaram Logan e Vampira para o LABMED para que Jean, que seguia logo atrás, pudesse fornece-los cuidados imediatos dos quais ela já havia dado início no caminho até a Mansão.

Enquanto Scott e Ororo colocavam os amigos em macas separadas, ao lado do Professor, Jean correu para o banheiro para se lavar e colocar o jaleco. Agradeceu internamente por finalmente conseguir 1 minuto sozinha. Suas mãos tremiam e ela podia sentir o suor frio em todo seu corpo. Olhando no espelho por um momento, percebeu como estava pálida.

Suas lutas sempre foram intensas, mas afinal, o que estava acontecendo? Ela era uma mutante treinada, uma X-Men por anos agora e por que ela se sentia assim? Tão... diferente? Como se algo dentro de si tivesse mudado ou despertado. Respirando fundo algumas vezes, lavou as mãos e molhou o rosto, dizendo a si mesmo que tudo aquilo passaria quando a adrenalina em sua circulação sanguínea voltasse ao normal. Agora ela tinha seus amigos feridos para se preocupar.

Vários dias se passaram e tudo parecia ter voltado ao normal na Mansão. Logan havia partido em busca de respostas de si mesmo, com a promessa de voltar, Vampira estava se acostumando a vida na Mansão e até parecia estar interessada em Bobby, que aparentemente retribuía o sentimento. Professor havia se recuperado totalmente e Jean acreditou que havia sido realmente a adrenalina do momento, na luta da Estátua da Liberdade que causou aquilo, apesar de ainda ter este sentimento estranho a rodeando.

Uma noite enquanto lia na cama, ela deixou seu livro de lado por um instante, para acompanhar a rotina noturna de Scott. Ela adorava vê-lo se preparar para a cama, era uma rotina única e divertida, por que quem diria que o Sr. Certinho, líder dos X-Men, poderia ser tal um bagunceiro no quarto?

Sentado na cadeira do lado oposto do quarto, ela assistiu como ele tirou os sapatos e os colocou em um canto e caminhou para o banheiro para uma ducha. Quase todas as manhãs ela tinha que mover a cadeira para o outro lado do quarto ou Scott corria o risco de esbarrar nela, na pressa, quando havia alguma missão, ou nos dias mais calmos quando ele ainda não estava totalmente acordado.

Depois de alguns minutos, ela ouviu o barulho do chuveiro ser desligado. Scott saiu enrolado em uma toalha verde escuro na cintura e andou até a cômoda, onde pegou uma samba canção xadrez preta e vestiu. Pegando a toalha ele esfregou pelos cabelos marrons no intuito de tirar parte da umidade. Descartou-a na cadeira a andou em direção a cama.

“Esses alunos ainda vão me matar.” Disse com um gemido, puxando os cobertores para se deitar ao seu lado.

“Eles ou você?” Ela riu da carranca que ele lhe deu. “Lembre-me de nunca pegar você como meu treinador.” Ela podia sentir o calor emanar de seu corpo de seu banho recente e algumas gotas ainda residentes nos ombros fortes.

“Haha, muito engraçado.” Ele disse sarcástico, inclinando-se em sua direção. “Você preferiu me pegar de outro jeito, não foi?” Comentou, dando-lhe um beijo suave.

“Hm, verdade.” Ela riu novamente, aceitando seu beijo.

“Boa noite, querida.” Scott beijou-lhe uma última vez e deitou-se. Jean apagando as luzes, se deitou ao seu lado e se aconchegou em seu peito.

“Boa noite, Scott.” Disse, antes de ambos sucumbirem a exaustão do dia.

~*~

Tudo ao seu redor estava completamente destruído. Casas e prédios em chamas, as ruas cheias de pessoas gritando e correndo sem direção, lugares que ela costumava frequentar, não estavam mais lá. Apenas os escombros e as lembranças em seu lugar.

Seus olhos ardiam e sua garganta se fechando a cada vez mais com a fumaça inalada, seu peito doía com o esforço para respirar e ela podia sentir o gosto salgado de suas lagrimas em sua boca. O caos havia se instalado, ela estava certa disso.

Andou por entre as ruas, tentando achar seus amigos, sua família, Scott. Quando menos percebeu ela estava andando para uma Mansão completamente em chamas. Não avistando ninguém, ela começou a gritar.

“Scott!” Sua garganta doía a cada vez que gritava. “Scott! Alguém!”

Pouco depois ela pode ouvir uma voz ao fundo gritar seu nome e ela sabia a quem pertencia essa voz.

“Jean!” Correu o mais rápido que pode em direção a voz, mas ela parecia cada vez mais distante. “Scott, onde você está?”

“Jean!”

Correu sem parar e sua voz queimando através de seus ouvidos, desesperado por ajuda, quando ela se viu caindo de joelhos em meio ao fogo e tudo ao seu redor desaparecer.

“Scott!” Ela gritou mais uma vez, mas dessa vez só pode ouvir o eco de sua própria voz. Olhando ao seu redor, tudo havia desaparecido e se transformado em uma imensidão branca. Colocando-se de pé e se perguntando o que havia acontecido, onde estavam todos?

Jean sentiu uma coisa gelada tocar seu rosto e ao olhar para cima, viu a neve vindo do céu. Diferente de segundos atrás, onde ela se encontrava em meio ao fogo. Mas não demorou muito para que ela pudesse ouvir novamente.

“Jean!” Só que dessa vez, não era apenas a voz de Scott que ela ouvia, mas sim também de Ororo, Logan, o Professor...

Mais uma vez correu em direção as vozes, mas a cada passo, a distância parecia maior. Depois de muito correr, ela viu seus amigos ao fundo, presos no que parecia ser um tipo de torre, mas o que ela viu a seguir, a deixou aterrorizada. Uma enorme avalanche se aproximava em direção a eles.

Seus gritos desesperados ecoando em seus ouvidos à estavam deixando desnorteada e a cada segundo que se passava, a avalanche se aproximava mais, furiosamente, como se quisesse consumir tudo a sua frente de uma única vez. Ela tentou usar seus poderes, mas percebeu que eles não funcionavam. Olhou para seus amigos e desesperada percebeu que não conseguiria salva-los e a avalanche estava a um segundo de enterra-los todos e não havia nada que ela pudesse fazer, mas assistir e gritar.

“SCOTT!”

“Jean!”

Scott chamou-a mais uma vez quando ela gritou seu nome e sentou na cama com uma lufada de ar. Seus olhos verdes arregalados e assustados. Ele olhou ao redor vendo a cadeira agora caída no chão, objetos espalhados pelo quarto e um porta-retratos cair no chão e quebrar o vidro. O barulho pareceu acorda-la mais.

“Jean.” Scott chamou-a suavemente dessa vez, como ela lutava para respirar e aos poucos o quarto parava de tremer.

Ela procurou seu rosto no quarto mal iluminado e o abraçou, sua visão não sendo o suficiente, ela precisava senti-lo, seus ombros cederam do que parecia ser alivio ao constatar de que ele estava realmente ali com ela, ele a abraçou forte e passou a mão suavemente tentando acalmá-la.

Scott havia sido acordado pela sensação da cama tremer e a voz de Jean chamando por ele. Isto jamais havia acontecido. E por seus gritos e o olhar em seu rosto, ele podia dizer que o que quer que ela havia sonhado, há havia aterrorizado.

~*~

Três dias haviam se passado desde o ocorrido e é claro que aquilo havia se espalhado pela Mansão. Tendo ocorrido duas vezes, Jean se recusou a falar com qualquer um, até mesmo Scott, sempre afirmando que era apenas um sonho ruim.

O medo começou a inflar por todo corpo de Jean, quando um dia durante um dos treinamentos, ao focar em um objeto o mesmo desapareceu perante seus olhos. Olhou ao redor se perguntando se alguém pudesse ter feito ou visto aquilo, mas não havia ninguém por perto. Scott percebeu que algo não andava bem com Jean desde a última luta e aquilo o estava deixando preocupado, mas ela sempre afirmava estar bem. Sua preocupação cresceu conforme seus pesadelos continuavam e quando ela se desviou de uma das máquinas na Sala de Perigo durante uma simulação, lançando-a com uma força que ele jamais havia visto e ele duvidava que Jean também.

Na manhã seguinte a quarta ocorrência do pesadelo, que normalmente eram sempre iguais, quando ela decidiu que havia derramado mais café na pia do que na xícara, ela se convenceu de que cafeína só iria piorar e andou em direção ao LABMED, onde havia passado mais tempo nos últimos dias que o necessário.

Desde a primeira noite de pesadelo, Jean sentia sua pele queimar, mesmo após as duchas frias que tomava após cada um. Suas mãos tremiam, a sensação de queimação invadindo todo seu corpo, de dentro para fora e ao entrar no LABMED tudo começava a tremer.

Ela havia pegado uma seringa e amarrou o garrote e retirou seu sangue em alguns tubos. Passou os próximos dias analisando as amostras, se recusando a desistir a cada teste negativo. Na quinta vez da ocorrência do pesadelo, Jean não esperou até o amanhecer e foi direto para o laboratório, ao receber mais um teste negativo, Jean frustrada lançou uma bandeja de instrumentos no chão sem realmente perceber.

Seus pesadelos não eram simplesmente normais, a cada madrugada sentia o desespero dentro de si crescer, como se algo a consumisse e suas recentes demonstrações de poder não a deixavam se enganar, de algo estava completamente errado com ela.

Sentindo o suor e queimação em seu rosto, Jean foi até o banheiro para lavar o rosto. Segurando na borda da pia, ela podia ver as pontas dos dedos ficarem brancas ao redor da porcelana fria e sentiu sua respiração e coração acelerados.

Aquela sensação de queimação, de não-controle, adrenalina em alta, de não ser ela mesma que não a deixava, diversos exames dizendo-lhe o quão saudável ela era. Nada parecia conseguir explicar aquilo.

Quando Jean levantou a cabeça e se olhou no espelho foi quando ela viu, que o que fosse aquilo, era pior do que ela imaginava. As pontas de seus cabelos ruivos estavam em chamas, literalmente e seus olhos não eram mais verdes e sem vermelhos, também possuídos pela chama.

Sentindo sua respiração acelerar mais ainda, ela pegou a tesoura que estava no bolso do jaleco e começou a cortar o cabelo que estava sendo adornado pelo fogo. Ele não a queimava, o que a assustava mais ainda, mas ele definitivamente estava lá.

Quando terminou, ela encarou seus olhos em fogo vivo no espelho e sabia, a partir daquele momento, que aquilo era real, não apenas sua mente. Jean ficou com medo de que suas sensações e pesadelos nas últimas semanas se dariam devido ao fato do ocorrido em sua infância e sua mente conturbada na época, mas não desta vez. Seja lá o que tivesse acontecido na luta contra Magneto na Estátua da Liberdade, algo dentro dela havia sido libertado e se seus pesadelos eram algum indicio do que poderia acontecer com está pessoa que ela via agora no espelho, ela estava aterrorizada. Jean permaneceu olhando, no fundo ouvindo o tintilar na tesoura contra o chão.

~*~

Scott caminhou pelo corredor extenso até chegar as portas duplas de madeira maciça e bateu. Ouviu uma voz do outro lado permitindo sua entrada.

“Professor.” Disse, fechando a porta atrás de si.

“Scott, sente-se.” O homem mais velho respondeu, fechando o livro que estava lendo e depositou na mesa a sua frente. “O que posso fazer por você?” Perguntou, enquanto observava um de seus primeiros X-Men sentar-se no sofá vermelho e olhar através da janela.

Scott permaneceu em silêncio, não tendo certeza de como começar o assunto, por onde dar início, mas não precisou de muito tempo para Xavier entender. Às vezes Scott achava que a intuição era outro poder dele, pois ele sempre parecia entender tudo sem ler sua mente.

“Está preocupado com Jean, não está?” Ativou a cadeira, para que pudesse se aproximar dele.

“Sim.” Respondeu, agora olhando para o Professor. Respirou fundo antes de continuar. “Ultimamente, eu sinto que ela não está em si. Não só pelos pesadelos, mas...” Voltou a encarar a janela, sem saber por onde prosseguir.

“O que está em sua mente, Scott?” Xavier pediu, sabendo que ele tinha um motivo em especifico.

“O senhor acha que, de alguma forma foi o cérebro?” Perguntou.

“O cérebro?” Ele franziu o cenho, não tendo certeza se entendia o que Scott estava lhe dizendo, o homem a sua frente pareceu entender.

“Nós não lhe contamos como achamos o Magneto quando ele levou a Vampira.”

“Diga-me.”

“Jean, o achou.” Suspirou. “Ela usou o cérebro, depois de...” Professor assentiu e ponderou por um momento através da nova informação. “Como isso foi possível? Eu...” Hesitou por um instante. “Eu sei que ela possui potencial, mas o senhor sempre disse que ela ainda precisava treinar mais, mas... Como? E o Magneto ainda por cima, o senhor acha que...?” Scott deixou sua pergunta no ar, quando Xavier voltou a encara-lo.

“Eu não sei.” Respondeu honestamente. Levou apenas um minuto para Xavier saber, que Jean poderia ser mais do que ele jamais imaginou quando a conheceu e encontrou-se igualmente preocupado com isso. “Eu temo não saber esta resposta.”

~*~

Jean caminhou para cozinha onde encontrou Ororo procurando por algo em um dos armários e serviu-se de uma xicara de café.

“O que fez com o seu cabelo?” Ororo perguntou ao se aproximar da amiga.

“Eu... achei que precisava mudar um pouco.” Respondeu um pouco nervosa, ainda estava nervosa com o que ocorrerá no banheiro aquela tarde e após isso, levou-lhe alguma hora para ajustar os fios novamente.

“Eu gostei, ficou bom.” Ororo lhe deu um sorriso. “Eu estava pensando em cortar o meu também. Talvez devêssemos sair essa semana, não?”

“Sim, talvez.” Disse. Naquele mesmo instante elas viram Bobby, Vampira e Pyro entrarem na cozinha.

“Devíamos ir ver esse novo filme.” Bobby sugeriu, sentando-se ao lado de Vampira na grande mesa.

“Eu acho que seria legal.” A garota respondeu sorrindo.

“Como vocês vão dar uns amassos na sala do cinema? Cara, que tristeza, o máximo que ela pode é te bat...”

“Hey!” Jean advertiu, para Pyro que estava com a cabeça enfiada dentro da geladeira a procura de algo. Todos na cozinha se assustaram com a exclamação da ruiva e a encararam. Jean ficou sem entender por um segundo quando se deu conta de Pyro não havia realmente dito aquilo. Ele a estava olhando, uma mistura de assustado e bravo em suas feições.

“Um pouco de privacidade seria bom.” Responde, batendo a porta da geladeira e se retirando do cômodo.

“Desculpe.” Jean respondeu, mas não teve certeza se ele a ouviu antes de sair.

“Você está bem?” Ororo perguntou baixinho, o casal na mesa a frente havia retomado a sua conversa.

“Sim, estou bem, só uma dor de cabeça.” Disse e colocou a caneca de café ainda cheia na pia. “Eu só vou me deitar.”

“Está bem.” Ororo afirmou desconfiada, mas deixou passar. “Amanhã temos a visita no museu.”

“Sim, eu não esqueci. Boa noite.” E se retirou.


Jean subiu as escadas até seu quarto e olhou ao redor e viu Scott procurando por algo em uma das gavetas.

“Hey.” Cumprimentou, entrando no quarto e fechando a porta.

“Hey.” Cumprimentou de volta sem tirar os olhos da gaveta. “Você viu minhas luvas pretas?”

“Hm... estão na terceira gaveta do closet. Eu vou pegar pra você.” Jean caminhou até o closet ainda pensando no que havia ocorrido na cozinha. Ao encontra-las, voltou para o quarto. “Aqui estão.”

“Obrigado.” Scott agradeceu, quando reparou. “Ei, o que fez com o seu cabelo?”

“Eu, achei que precisava de uma mudança.” Respondeu passando a mão pelos cabelos agora mais curtos. “O que achou?”

“Eu gostei.” E beijou seus lábios suavemente. “Mas devo dizer que vou sentir saudades de enrolá-los por entre meus dedos.” Sussurrou. Jean não pode evitar de corar. “Ou quando ele fica uma bagunça espalhado pelo travesseiro depois que fazemos amor.”

“Ele vai crescer.” Soltou um suspiro tremulo por suas palavras e por perceber que mais uma vez havia escutado o pensamento de alguém sem querer.

“Sim.” Ele então a olhou firmemente. “Você está bem?”

“Sim, só uma dor de cabeça.” Disse. “Eu só vou tomar um banho.” E caminhou até a porta do banheiro.

“Okay.” Scott a olhou desconfiada por um instante, mas deixou passar.

A sensação de queimação havia voltado e ela mais uma vez se colocou à frente do espelho ao fechar a porta do banheiro. Temeu o que iria ver, mas ali estava, o fogo queimando em seus olhos. Tomou várias respirações quando sentiu o leve tremor dos objetos ao seu lado, tentando recuperar o controle.

Agora ela estava lendo mentes sem a devida permissão ou necessidade, ótimo, agora ela realmente estava começando a ter uma dor de cabeça.

O sentimento de angústia enchendo seu peito, dizendo-lhe que algo terrível iria acontecer, mas ela não fazia ideia do que e de como parar. Desejava desesperadamente o final de tudo aquilo, mas seus olhos diziam outra coisa, que aquilo, estava longe do fim, era apenas o começo de tudo.

~*~