Título: Divisão Criminal Mutante.
Capítulo VIII: Palavras & Balas não voltam.

Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic em andamento, Multi-capítulos
Tipo: Romance, Policial, Suspense.
Base: X-men animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)

SINOPSE: Jean Grey teve um grande abalo e não sabe muito bem o que pensar. Ela simplesmente sai de seu apartamento direto para o Instituto Xavier. Ela precisava de um tempo para pensar.



Palavras e Balas não voltam

Você pode até dizer que não entendeu o que eu disse. Mas jamais poderá dizer que não entendeu como eu te olhei.
- Padre Fábio de Melo –

Instituto Charles Xavier – 06:00 A.M. (2008)
SALEM CENTER - NOVA YORK.

      Jean Grey estava sentada em um banco enfrente ao Instituto Charles Xavier tentando organizar seus pensamentos.
     
      Oh Deus! Por que mataram meu pai. Isso não faz nenhum sentido. Papai sempre foi um homem bom. Por que matariam ele? Será que minha mãe já sabe? Preciso falar com Xavier. Há que horas ele costuma chegar?

- Hei guria. O que está fazendo aqui? – perguntou o homem – Uma criança como você não deveria estar sozinha por aqui.
- Não lhe devo satisfação alguma. – O homem percebe que Jean está chorando.
- Olha guria, é melhor você voltar para a sua casa, posso te acompanhar. A rua está muito deserta. Eu só quis te ajudar criança.
- Para o seu governo, eu sou a Draª Jean Grey.
- Draª?
- Acha que sou muito nova? – Jean mostra a carteira do conselho de medicina e um crachá do Instituto Xavier com toda a arrogância possível.
- Calma guria. Não quis te ofender.
- Me desculpe. – ela falou tentando se acalmar – Estou esperando abrirem o instituto.
- Anda. Vamos.
- Não precisa. Estou bem aqui.
- Eu sou o Agente Logan. – Ele mostra seu distintivo à moça – Não precisa esperar nesse frio.
      Ele segue andando em direção ao prédio. Ela o segue.
- Obrigada.
      Eles entram por uma porta ao lado.
- Diz ai, por que vieste tão cedo?
- Aulas de tiro.
- Aulas de tiro? – ele ri. – Você não é muito nova para mexer com armas?
- E você não é muito velho para ser agente?
- Olha guria, não sei o que você está fazendo aqui e tão pouco me interessa. Mas essas sua tentativa de querer me ofender não vai aliviar seu pranto. Já estou aqui há muito tempo pra saber que não tem aulda de tiro esse horário.
     
      Essa guria se acha muito! Antes para entrar aqui as pessoas tinhas que dar conta de matar um urso apenas com as mãos.

- Não estou mentindo. Marquei uma aula extra com o Summers.
- O Caolho. – Tinha que ter dedo dele. - Te deixar sozinha no frio. Essas brincadeiras dele com os novos recrutas... me pergunto o que ele não fará quando ganhar alguma patente.
- Acha que ele não vem?
- Há quanto tempo está esperando?
- Na verdade não sei. – Jean estava muito atordoada para olhar as horas, mas a hora não importava, ela queria apenas falar com Xavier.
- Por que quer aulas de tiro?
- Porque não sei atirar.
- Tudo bem. Eu abro o estande pra ti.
      No estande de tiro o Agente Logan deu uma pistola glock 17 para Grey.
- Toma aqui.
- Uma Glock 17 9x19mm!
- É! A maioria dos agentes usa essa pistola no início...
- Sim! A Glock 17 é uma pistola fabricada por uma empresa austríaca Glock. A empresa iniciou as atividades em 1963, produzindo itens de metalurgia e plástico, como facas e coldres, comercializados, em parte, para uso militar.
- O que?
- Em 1983 a arma foi adotada oficialmente pelo Exército Austríaco. Apresentou um inovador sistema de disparo “safe action”, que confere mais segurança e rapidez de tiro.
     
      Ela não vai calar a boca?

- A Glock 17 é considerada uma arma semiautomática de calibre 9 mm Parabellum e tem um sistema de disparo com ação segura. O sistema operacional de blowback oferece um trancamento do ferrolho. Ela chega ao alcance efetivo de 50 m, tem capacidade de 17 tiros e o carregador  Bifilar de 17 cartuchos é muito útil para um agente em campo.
- ... É a sua primeira vez com uma Glock?
- Na verdade é sim! Ontem nos deram para treinar uma Beretta B 950 de pequeno porte com funcionamento por ação simples e operado a gás, medindo apenas 11,5 cm, menor que uma caneta esferográfica comum.
- Treinaram com Beretta. Pequena de mais para treinar.
     
      Espero que ela não comece a falar dessa arma também.
- Sim, sim. Bem pequena. É uma arma de origem italiana, a Beretta 950B é encontrada em calibre 6,35 mm e.22 curto, é feita de aço e liga leve, pesando aproximadamente 280 gramas.
      Enquanto Jean fala Logan pega a pistola e dá um tiro no alvo. Jean se assusta.
- Nossa. Você nem colocou os Equipamentos de Segurança Individual.
- Olha ruiva não me leve a mal. Mas prefiro ouvir um tiro a ter que te ouvirtu falares a história das armas.
-... – Jean fica encabulada.
- Toma aqui o EPI. – Jean pega o EPI – Agora atire no alvo!
      A moça se concentra mira e atira a primeira vez. E em seguida dá três tiros seguidos.

      Mas o que foi isso? Em todos esses anos de existência na Terra essa é a primeira vez que eu vejo alguém atirar tão mal.

      A moça continua atirando e errando todos os tiros.
- Para! Para! ‘Qualé’ o seu problema guria?
- Ainda estou aprendendo.
- Está aprendendo... Um orangotango tem mais mira que tu!
      Jean fica extremamente envergonhada e sente vontade de chorar. Com os olhos marejados ela abaixa a cabeça.
- Você está chorando? – Logan fica comovido com a moça, mas não sabe bem porque.
- Não!

      Essa mina não existe. O que ela está fazendo aqui? Do jeito que ela é frágil ainda pode se machucar.

-  Acho bom – Ele vai para trás dela começa ajustar a postura da moça – Se você é dessas que chora fácil, não vai durar um dia aqui!
      Logan fica encantado com o cheiro da moça. O perfume era quase uma tentação.
- Não entendo porque não consigo atirar no alvo.
- Vamos, seus pés devem estar abertos na largura dos ombros, com o pé oposto à mão dominante um passo à frente do outro pé. Fique com o corpo reto, mas levemente curvado para frente, mantendo o equilíbrio. O cotovelo do seu braço dominante deve estar quase completamente reto. Já o cotovelo do braço não-dominante deve estar levemente flexionado.
- Assim?
- Agora sim. – Logan fica segurando o braço de Jean.
- Certo.
- Atire!
      Jean acerta em cheio!
- Consegui!
- Meus parabéns.
- Eu consegui! – Ela vira-se rápido e abraça o Agente Logan.
- Calma guria. Não precisa tanto.
      Jean está felicíssima e fecha os olhos e aperta a pistola contra o seio. O agente Logan olha ela dos pés a cabeça, principalmente o seu colo.
- Muito obrigada! – Ela diz enquanto ele tenta disfarçar que estava olhando para o corpo da jovem.

      Qualé? Ela ainda é uma criança.  Não posso vê-la desse jeito... Mas ela é maior de idade...

- Não foi por nada. Faria isso a qualquer um que atirasse como você.
- Talvez você esteja mais seguro agora. – Ela sorri e percebe que ele está tentando fazer um clima com o olhar.
- Talvez.
      Eles são interrompidos.
- Agente Logan, o que faz aqui?
- Veja só ele cumpriu com o compromisso.
- Olá Summers. – Jean vira-se e volta atirar. Atira e acerta os alvos mais distantes.
- Mire assim. – Logan aproxima-se de Jean.
      Scott não consegue esconder que se sente incomodado com a presença de Logan. Principalmente próximo a Jean.
- E quando eu descumpri um compromisso?
- Você sempre fugia das aulas comigo na sala de perigo.
- Não me venha com essas besteiras. Entrei no Instituto já formado pela Academia da Aeronáutica. Por isso monitoro os outros recrutas.
      Jean para de atirar e fica olhando para os dois.
- Não vem com isso Caolho. Você tem medo de ir para o nível 9 de treinamento.
- Medo de você? Não é porque se regenera eu não pode morrer! Vamos em um tête-à-tête agora e decidimos quem é o melhor.
- Você é um almofadinhas mimado. Você foi para uma guerra. Já estive em 4.
- Já está na hora de se aposentar Wolverine. Aceite a sua idade e volte para o Canadá.
      Os dois começam a se aproximar e Jean está no meio deles.
- Vocês não vão brigar aqui. Por favor!
- Ah vamos sim! – Scott começa a ficar com os olhos vermelhos.
- Summers, você é louco ou o que?
- Ele é louco. – Logan mostra suas garras de adamantium.
- Summers qual é o seu problema? Pare com isso agora! – Jean fica esperando que Scott pare e ele não para – Agente Logan, por favor! Nenhum dos dois para. Então Jean dá dois tiros pro alto. Pega a arma e fica apontando para os dois.
- Tá louca guria?
- Jean, abaixe arma. – Scott pediu com brandura.
- Saiam daqui vocês dois! – Eles se olham - AGORA! Saiam os dois!
      Os dois vão em direção da porta.
- Você é muito louca guria. – Logan sai do estande.
      Scott está saindo da sala quando olha para trás por cima do  ombro. E percebe que Jean está chorando.
      Jean está de cabeça baixa segurando a pistola.

      Seria um risco aproximar-se de uma pessoa visivelmente abalada com uma arma na mão e tão ruim de mira. Por que ela está chorando?

- Jean?
- Por que me fez esperar?
- Mascamos as 6:30.
- Que horas são?
- São 6:30! – ele fica encarando ela.
-  O agente Logan disse que você sempre fazia isso. – De fato Scott tinha fama de trollar os novos recrutas.
- Me diga que não está chorando por minha causa. – Ele chora – Me desculpe por ontem. – Jean continua chorando – E me desculpe por ter agido como um idiota. E por ter tentando matar o Agente Logan na sua frente.
- ...
- Ele não gosta de mim por que... eu sei lá o porquê. Mas não é culpa sua. – Ela ainda chora. – Qual é? Nunca imaginei que você fosse tão sensível. Não era você a ‘bambambam’?! Durona? Não me ofendo com nada! – ele fala tentando fazê-la para de chorar. Mas Scott não era bom com esse tipo de coisa.
- Você não entende!
- Claro que não, eu mal conheço você!
      Jean não fala mais nada. Apenas levanta a cabeça e olha para Scott. Ele vê em seus olhos que ela sofre por algo que não pode, ou não consegue falar.
- Olha Jean...
      Ela percebe que mesmo ele sem saber o que está acontecendo, importa-se com ela.
      Scott aproxima-se de Jean e lhe abraça. ela fica estática e não retribui.
- Sei que não vai falar, mas eu não quero seu mal.
- Obrigada. – ela fala enxugando as lágrimas.
- Posso fazer alguma coisa?
- Pode.
- O que?
- Me ajude a atirar.
- O Logan não fez isso?
- 6:30, ainda falta uma hora para o inicio das aulas.
- Certo. Primeiro seus pés devem estar abertos na largura dos ombros, com o pé oposto à mão dominante um passo à frente do outro pé. Fique com o corpo reto, mas levemente curvado para frente, mantendo o equilíbrio. O cotovelo do seu braço dominante deve estar quase completamente reto. Já o cotovelo do braço não-dominante deve estar levemente flexionado.
- Isso o Logan me falou.
- O que ele não falou é que você não precisa se apressar para atirar.
- Como assim?
- A arma é uma extensão do seu corpo. Você deve estar em sintonia com ela. – ele fala passando a mão sobre o braço dela em direção a arma – Em quanto você não sentir essa sintonia, não atire.
- Não atirar enquanto não houve sintonia.
     
      Será que isso vale para nós dois?

- Sim. Você tem todo o tempo do mundo. Quando sentir, atire.
      Ela atira e erra.
- Foi rápido de mais, sinta a extensão do seu corpo. – Ele fala ajustando a postura dela com a palma da mão nas costas dela.
      Depois de alguns segundo ela atira e acerta.
- Não comemore ainda. Faça novamente. Até entender o que fez.
- Certo. - Ela atira mais uma vez.
- Descarregue a arma no alvo. Mas agora o desafio é acertar o alvo cada vez mais perto do meio.
- To indo bem.
- Está, mas agora tem que fazer só.
      Ela continua atirando até acabarem as balas.
- Fui bem?
- Para uma iniciante chorona... é, foi sim!
- Eu sei, sou boa.
- E metida!
- Eu?
- Está se achando por que consegue atirar com uma Glock. Quero ver dominar um Remington 870 ou um M4A1.
- Você sabia que a Colt M4A1 é uma versão atualizada da carabina M4 de 5.56x45mm NATO. Ela é diferente da M4 original, no selector de tiro, onde a opção de disparos remetentes é agora automática e na presença de uma calha RIS no topo do corpo da arma, onde a pega que contém a mira é assente.
- Sim, sabia.
- É uma arma muito bonita.
- Gosta de armas?
- Não diria que gosto, mas a Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos protege o direito do povo de manter e portar armas. Então seria tolice não conhecer.
- Mas você não sabia nem atirar.
- Porque não era de meu interesse. Agora que passou a ser. Bem... gosto de estudar.
- Percebe-se. Você de longe é a pessoa mais Nerd que eu conheço.
- Onde está seu pai?
- Foi visitar Moira no Nebraska.
- Charles costuma ir muito ao Nebraska. Toda vez que ele me visitava, estava indo ou vindo de Lincoln.
- Sim. Eu morava lá.
- Ele nunca me falou de você.
- O mesmo lhe digo. Por que vocês telepatas guardam tantos seguedos?
- Não sei. Vai ver é mais fácil.
- Posso perguntar uma coisa?
- Não quero falar por que estava chorando.
- Não era isso... É que... por que você estava manipulando todos ontem quando estávamos brigando?
- Não estava manipulando.
- Então?
- Bem... não manipulando propriamente.
- Sabia!
- Não é isso que você tá pensando.
- Meu Deus! Você tá lendo minha mente agora. – ele ri – Sai daqui de dentro!
- ...
- Estou brincando. – ela sorri.
- Eu sei. Mas é que eu não queria que ficassem com a imagem errada de mim, então fiz eles acharem que estavam dormindo.
- Como assim?
- Bem eu não queria que me vissem brigando no primeiro dia. Então A maioria acha que deu um cochilo no final do treino.
- E quem vai acreditar que dormiu durante uma aula de tiro?
- Bem... Eu sou uma péssima mentirosa.
- Então fala a verdade.
- Eu to falando a verdade.
- Então por que mentirosa?
- Mentiras mentais... Eu simplesmente não consigo.
- Tá mentindo agora?
- Sabe que não.
- Como sabe que eu sei.
- Por que você sabe!
- Você é diferente do meu pai.
- Charles sabe manipular muito bem. Me deu escudos mentais que até hoje não consigo quebrar.
- Bem vindo ao clube.
- Por isso não consigo entrar em sua mente?
- Na verdade não sei. Eu apenas me concentro e bloqueio vocês.
- Só não consegui entrar na mente de duas pessoas.
- Eu e o Charles.
- Não. Você e Corsair.
- Consegue entrar na mente do Charles?
- Sim, mas não faço. O que Corsair quer tanto com você?
- O que ele quer comigo?
- Não sei. Nunca soube na verdade. Mas sei que onde Corsair está,alguma coisa ruim sempre acontece.
- Sim... – Ela volta a chorar.
- Jean, Corsair lhe fez alguma coisa?
- Não sei...
- O que foi?
- É que eu preciso ir pra casa!
      Ela sai aos prantos da sala.
     
      O que será que está acontecendo? Nada do que eu li sobre o perfil dela dizia que ela tinha esse tipo de comportamento. Jean Grey sempre é descrita como alguém fria e forte. Por que chora tanto?

Casa da família  Greys
Nova York
     
      Jean chega em casa e vê a mãe e a irmã chorando.
- Mãe.
- Jean! Ele foi assassinado.
- Me desculpa! A culpa foi minha. Ele pediu tanto para eu não ir... Ele morreu com raiva de mim!
- Não diga isso! Não é sua culpa filha.
- Eu quero o meu pai de volta. – Sarah chora.
- Todas querem. – Elaine abraça as duas filhas.
      As três ficam no chão chorando.

Som de Supernatural, de Flyleaf.

Suas dores de cabeça estão constantemente aumentando a dor
A cada dia que passa
Ela não pode esconder que por dentro se sente tão mal

Você acha que está dizendo que não há nenhuma razão para estar orando
Mas mesmo assim, ela curva sua cabeça
Então ela pode dizer
Obrigada por apenas mais um dia

Paciência sobrenatural
Graciosidade em seu rosto
E sua voz nunca se altera
Tudo porque o amor nunca se vai

Ele tem todas as razões para jogar seus pulsos na cara do Deus que deixou sua mãe morrer
Através de todas as preces e lágrimas, Ela continua com sua dor, de qualquer forma

Você acha que está dizendo que não há nenhuma razão para estar orando
Mas mesmo assim, ele curva sua cabeça
Então ele pode dizer
Obrigado por acabar com a dor dela

Paciência sobrenatural
Graciosidade em seu rosto
E sua voz nunca se altera
Tudo porque o amor nunca se vai
Nunca se vai

Ele está me ensinando
O que realmente significa amor



Cemitério Green-Wood
Nova York

      A família Grey se despedia de seu patriarca, John Grey em uma cerimônia onde continham muitos alunos de John.
- John Grey foi um grande homem. Um exemplo para todos nós. Compreensivo, atencioso com todos, sempre tinha uma palavra de conforto. Como professor, era muito perfeccionista e dedicado. Sempre que podia lia conosco Rubem Alves. É professor, “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.” Ficarmos sem você, será uma dessas “longas e silenciosas metamorfoses.”
      A aluna de John ainda lia as palavras quando Duncan abraçou Jean.
- Você está pronta para falar alguma coisa?
- Não sei.
- Sarah é melhor nessas coisas.
- Quer falar junto comigo? Eu leio uma parte e você lê a outra.
- Não sei se consigo Sarah.
- Apenas tente. Se não conseguir, fique do meu lado. Não vou conseguir fazer isso sozinha.
- Está bem.
      As duas irmãs e vão em direção ao padre Antony. O padre as abençoa e dá a palavra a Sarah.
- Era um A pior dor que alguém pode viver, é ver algum ente amado partir. Ainda mais um pai tão querido e dedicado. A impotência diante da morte é o que nos faz lembrar que somos humanos, e dar-nos conta de como a vida é frágil. Ele era meu pai, meu amigo, meu herói, meu exemplo. Sua presença jamais será preenchida. Você foi o homem das nossas vidas.
      Sarah dá sinal para Jean continuar.
- Jean continue.
- ...
      Jean relutou em falar. Ela esta ai em frente a tantas pessoas que amavam e admiravam seu pai. O homem que ela mais amou na vida, mas não podia falar nada. Ela não se sentia digna em falar nada.
     
      Eles não sabem que ele morreu por minha causa. Se eu ao menos tivesse cedido ao que ele me pediu. Ele ainda estaria vivo...
    
      A jovem Jean tentava não chorar no púlpito ao lado do padre. Jean sentia-se perdida. Sua mãe e irmã choravam bastante, mas ela não poderia. Alguém tinha que ser forte naquele momento, e tinha que ser ela.
      As palavras falharam. ela simplesmente não conseguia falar nada.
     
      Ele não morreu pelo que você disse a ele. Se despeça dele, você consegue!

      Quem disse isso?
     
      Você consegue!
     
      Jean não reconheceu em um primeiro momento de quem era o pensamento fixo que tentava lhe dar força. Mas Sentiu-se mais confiante e começou a ler o que tinha escrito para seu pai.
     


- A sua partida, tão prematura, mudou as nossas vidas. Mas ainda assim, você deixou muito em nós. Eu vejo em mim o seu sorriso, e vejo nos meus atos muito do que aprendi com você. Eu sou o que sou, graças a você, meu pai. Meu eterno pai. Eu sinto a sua presença e o seu amor perto de mim. Você estará sempre orientando a minha vida.
      Jean olhava fixamente do púlpito para Scott, que estava ao lado de Xavier.  Todos aplaudiram de pé enquanto o corpo de John Grey era enterrado enrolado a uma bandeira dos Estados Unidos.

Som de Logo Após O Temporal, Rosa de Saron.

O dia escureceu de vez.
Nunca imaginei ficar assim,
Perdendo a minha lucidez
Meu chão sumiu dos pés diante de mim.

Um novo dia já nasceu.
É bom sentir os pés no chão
E saber que ainda estás aqui.

Com minhas mãos, eu toco o céu,
Enquanto elevo o coração.
E posso dizer: sou livre sim.

Trouxe em minha lembrança...
O sonho que vivi foi tão real.
Alimentei a esperança
E assim sobrevivi ao temporal.

Um novo dia já nasceu.
É bom sentir os pés no chão
E saber que ainda estás aqui.
Com minhas mãos eu toco o céu, enquanto elevo o coração,
E posso dizer: sou livre sim!



      Muitos choravam, mas Jean Grey apenas olhava para Scott.
- Vamos Jean. – dia Duncan – Eu levo você pra casa.
-... – Jean continuava olhando para Scott. Que foi em direção a ela com Charles.
- Meus sentimentos Jean. John era um grande amigo.  O que você e sua família precisarem, podem contar comigo.
- Obrigada Charles. – Jean ainda olhava para Scott enquanto falava com Xavier.
- Vou falar com sua Mãe. – Xavier saiu. Duncan que estava ao lado de Jean achava estranho o comportamento de sua namorada.
- Jean, o que houve?
- Nada. – ela respondia sem tirar os olhos de Scott.
- Com sua licença, posso falar a sós com ela? – Scott pedia permissão para Duncan.
- Deixe-me com ele Duncan, nos encontramos no carro.
- Está bem. – Ele a beija nos lábios. Mas Jean parece não se importar – Estarei com Sarah.
- Tudo bem.
      Jean e Scott não falavam nada. Absolutamente nada, apenas se olharam por quase um minuto.

      Como?

      Não sei. Às vezes não é preciso falar nada para sem compreendido.     

      Mas você não é telepata.

      Mas você sim!

      Você entrou na minha mente.

      Não, você que entrou na minha.
     
      Por quê?

      Diga você.

      Você deixou. Por quê?

      Afinidade talvez. Talvez tenhamos passado por dores bastante semelhantes. Uma perda na família nunca é superada.

      Você viu uma fragilidade que não conto a ninguém.
     
      Seu segredo está guardado.
     
     

      Scott sorri e abraça Jean. Jean ainda está segurando as lágrimas, mas retribui o abraço.
- Obrigada.
- Vamos. Seu namorado tá quase para vir aqui e me dar um murro. Não quero ter que brigar em um funeral.
- Funeral é a cerimônia, religiosa ou não, tradicionalmente adotada para a despedida de um ente querido logo após sua morte. Terminado o funeral, o caixão com o corpo é enterrado ou cremado.
- Engraçado você falar assim. Nem parece que estamos no funeral do seu pai.
- Em algumas culturas o funeral nem sempre é visto como um evento triste.
- Como não? Você está perdendo uma pessoa querida. Como isso pode não ser triste?  - Ele anda bem próximo a ela.
- Bem para os mexicanos e ciganos o funeral é sinônimo de festa.
- Entendo você fazer festa quando a sua sogra morre. Quer dizer, se ela for muito chata.
- Um funeral mexicano é mais ou menos como um batizado, uma festa de 15 anos de uma adolescente ou um Bar Mitzvá para um garoto judeu.
- Como assim?
- É uma festa! Ninguém chora seus mortos, Simplesmente celebra-se uma nova vida.
- Então você queria uma festa no funeral do seu pai?
- Não. Mas gosto de pensar que a vida continua. Que ele renasceu e que um dia nos encontraremos em outra vida.
      Scott coloca a mão sobre o ombro de Jean.
- Prefiro esse tipo de pensamento.

Dois dias depois.
Instituto Charles Xavier – 06:30 P.M. (2008)
SALEM CENTER - NOVA YORK.   

      Jean está na biblioteca lendo sobre legislação.
- Sota isso e vem comigo!
- Summers, eu tenho o direito de ler quando e o que quiser.
- Você ganha mais ser ler Douglas Adams. – ele a puxa – Vem!
      Ela larga o livro e vai e o segue.
- Onde vamos?
- Surpresa. - Ele entrega a ela uma bolsa.
- O que é isso?
- Não estrague a surpresa, abre. – ela abre a bolsa – Não é de presente, apenas peguei emprestado.
- Pegou emprestado uma Colt M4A1!
- É! – ele fala rindo – Quem sabe você tem mais jeito pra ser sniper.
- Quer que eu vire franco-atirador?
- Não. Só se quiser. Mas atirar é relaxante. – ele fica insistindo – Só aá três coisas na vida que nunca voltam atrás
- O que?
- O projétil lançado, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. vai perder a oportunidade em lançar esse projétil? – ele mostra uma bala muito grande.  
- Não mesmo. Como faço pra atirar?
- Essa é minha garota.
- Não sou sua garota!
- Desculpe. Essa é a minha recruta.
- O que?
- Sim, não me questione. Apenas me chame de chefe e atire.
- Se continuar assim eu atiro em você.
- Vai nada. Anda! Atira.
- Tá bom, mas eu não vou te chamar de chefe!
      Ela atira o tiro.
- Meu deus, você é mesmo ruim! Errou com uma Colt M4A1. Quem erra com uma Colt M4A1?
- Está me provocando. Eu vou atirar em você viu!
- Sabe o que você tem que fazer?
- O que?
- Acertar naquele alvo.
      E essa foi a primeira vez que Jean Grey sorria em muito tempo.


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