Titulo: Letters From The Sky
Descrição: Coletânea de One-Shots de acordo com solicitações e o que vier em minha cabeça e em todos os temas possíveis. :P
Classificação Indicativa: T (13+) (Não se aplica aos outros capítulos, podem e irão variar
Status: Capítulos (One-shots) com histórias aleatórias, sem previsão de término.
Tipo: Angst (Não se aplica aos outros capítulos, podem e irão variar)
Base: HQs
Sugestão: One-shot em comemoração e em dedicação a Ká que faz aniversário hoje/amanhã! Parabéns!!!

N.º 4 - Let me be.




“Oh, você está em minhas veias e eu não consigo te tirar. Oh, você é tudo que eu provo à noite, dentro da minha boca... Tudo é escuro, é mais do que você pode aguentar, mas você pega um vislumbre de luz solar, brilhando, brilhando em seu rosto”
(Andrew Belle – In my veins)

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Deixe-me ser...
Seu encontro para jantar às 6 da tarde.

Jean caminhou pelas ruas de Nova Iorque, que aos poucos estava perdendo a luz solar e passava a ser iluminada pelos prédios, outdoors e a lua cheia. O céu estava limpo de nuvens e não estava frio, mas às vezes uma brisa balançaria seus cabelos vermelhos, como se estivesse tentando compor uma música por onde passava.

Com as mãos dentro do seu casaco, Jean observava as pessoas que passavam ao seu lado. Muitas delas haviam acabado de sair do trabalho, algumas sozinhas, outras acompanhadas por amigos, outras pelos parceiros.

A ruiva não podia negar, amava viver na Mansão junto com os outros, seus amigos que se tornaram sua família, mas ela também ansiava por essas noites, nas quais ela e Scott saiam para jantar ou assistir um filme e era apenas os dois.

Caminhou durante mais alguns minutos até chegar ao lugar combinado e avistá-lo, esperando por ela na porta. Ele sorriu amplamente quando a viu vir em sua direção e ela lhe devolveu o sorriso.

“Hey, você chegou.” Ele cumprimentou-a, segurando em sua cintura.

“Sim.” Ela beijou-o suavemente nos lábios e sorriu mais uma vez, ele tinha gosto de café e menta.

“Vamos lá.” Ele entrelaçou sua mão a dela e juntos entraram em um de seus restaurantes favoritos.

~*~

Durante a refeição, eles conversaram sobre tudo e nada ao mesmo tempo, deram risadas e as vezes um ou outro beijo foi trocado, estavam apenas aproveitando a companhia um do outro. Jean como sempre tentou roubar partes do seu prato, sempre afirmando que o dele era melhor. Às vezes ele iria repreende-la, rindo, de como ela não conseguia manter as mãos para si mesma e às vezes ele a deixava pensar que conseguira fazer sem ele perceber, apenas para ver o olhar de falsa inocência que ela sustentava.

Após compartilharem a sobremesa juntos, eles iriam andar boa parte do caminho a pé, de mãos dadas, tentando prolongar o momento. Nas noites mais frias, ele iria colocar suas mãos entrelaças dentro do bolso de seu casaco.

Jean percebeu que muitas vezes, ao darem as mãos, Scott acariciava a aliança em seu dedo fino, como se para ter a certeza de que ele estava mesmo lá, ainda um pouco surpreso, sempre que sentia, de que eles eram realmente casados. E ela podia dizer pelo canto de olho, de que ele sempre sorria ao senti-la na primeira vez.

~*~

Deixe-me ser...
Seu aconchego durante toda a noite.

Scott ouviu o farfalhar das cobertas e sentiu a cama se mexer ao seu lado, virando-se para encarar sua esposa, ele a viu de olhos bem abertos encarando o teto.

“Hey, o que foi?” Perguntou baixinho, não querendo perturbar o que quer que fosse que ela estava pensando. Ela se virou para que ambos estivessem frente a frente e ofereceu-lhe um sorriso triste.

“Não consigo dormir.” Disse no mesmo tom de voz. “Desculpe se te acordei.”

“Está tudo bem.” Respondeu, sorrindo. “Vem cá.” Deitou-se de costas e chamou-a para mais perto, esticando o braço, abrindo para que ela pudesse de aconchegar nele. Jean assim o fez, deitou a cabeça no seu peito quente e sentiu as batidas de seu coração em seu ouvindo enquanto subia e descia de acordo com sua respiração.

Jean relaxou, mas ainda não conseguia dormir, uma de suas mãos estava entrelaçada com a de Scott em cima de seu peito e a outra ele acariciava seus cabelos. Ela amava aquilo, mas não sabia se amava tanto quanto ele. Noites em que ela não conseguia dormir e ele a acalentava pelo tempo que precisasse não eram incomuns.

Mas isso também a confortava, apenas os dois deitados no escuro escutando a respiração um do outro.

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Deixe-me ser...
Suas risadas às 2 da manhã.

Ela podia sentir as lágrimas escorrerem pelo seu rosto e criarem manchas escuras na camisa de Scott.

“Eu não acredito...” Ela respirou fundo antes de continuar. “Que você viu Hank dançando e cantando Macarena no LABMED sozinho.” Scott também estava rindo, não tanto quanto sua esposa, claro. Ele podia sentir as trepidações do seu corpo, enquanto tentava se acalmar inutilmente.

“Eu sei.” Respondeu.

“Como... eu posso... olhar para ele... ou aquele lugar... da mesma forma agora?” Suas palavras eram cortadas por sua risada e a tentativa de respirar. Jean tentou enxugar as lágrimas, mas sempre apareciam mais, ela não conseguia parar.

“Shhh!” Scott tentou repreende-la ainda rindo. “Nós vamos acordar todo mundo.” Ele imaginou que não adiantaria.

Jean enterrou o rosto em seu peito com mais força, tentando abafar o som da sua risada, mas a cada segundo ela só parecia aumentar. Scott sabia que corriam o risco de acabar acordando os outros no corredor, afinal já se passavam das 2 da manhã, mas ao mesmo tempo não queria que ela parasse, pois aquele era um de seus sons favoritos. Sua esposa feliz.

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Deixe-me ser...
Seus beijos sonolentos às 3 da manhã.

Passado agora das 3 da manhã e seu longo ataque de risadas, eles agora estavam frente a frente, mais calmos e Scott podia dizer que Jean estava começando a ficar com sono conforme ele traçava padrões invisíveis em seu rosto, apenas acariciando sua pela macia e branca.

Ele começava tirando os fios de cabelo curto de seu rosto, que sempre teimavam em cair novamente. Ele então descia e contornava o desenho de suas sobrancelhas perfeitas e passava para os olhos, passando o dedo suavemente em suas pálpebras que agora mais e mais ameaçam se fechar e em seguida contornava a curva de seu nariz, sempre apertando suavemente a ponta e passando para as bochechas rosadas.

Ele então seguia caminho para sua boca, onde contornava a linha de seus lábios em forma de coração, acariciando a base, antes de seguir o caminho para o queixo e segurava com cuidado, antes de depositar um beijo em seus lábios vermelhos e macios. Para então retornar seu caminho e começar tudo de novo.

Conforme o tempo passava ele podia sentir que suas respostas aos seus beijos iam diminuindo conforme ela ia sucumbindo ao sono, mas isso não o impedia de continuar, ele mantinha sua rotina, quase como se quisesse decorar todas as curvas do seu rosto.

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Deixe-me ser...
Seu travesseiro enquanto você dorme às 4 da manhã.

Scott finalmente sentiu sua respiração se tornar lenta e ritmada na base de seu pescoço após as 4 da manhã. Ela estava deitada em seu peito, o pulsar de seu coração constante em baixo de sua cabeça, que ele sabia que sempre a acalmava, uma mão ainda segurando a bainha de sua camisa frouxamente, inconscientemente ainda o querendo perto.

Uma de suas mãos ainda acariciava seus cabelos macios, algo que ele amava, e a outra passeando delicadamente em suas costas, transmitindo calor pelo seu corpo e como uma forma de proteção, sabendo de que enquanto ele estivesse ali com ela, nada de mal lhe ocorreria.

Ele sabia que não podia lutar contra seus pesadelos e pensamentos que a mantinham acordada durante a noite, mas sabia que podia estar ali para ela quando eles lhe tiravam seu sono e não a permitiam descansar adequadamente. Ele estaria ali de vigia para ela.

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Deixe-me ser...
Seu para todo sempre.

Quando Scott estava quase sucumbindo ao sono perto das 5 da manhã, ele ouviu a voz de Xavier em sua mente.

“Scott, desculpe te acordar, mas preciso que você venha para a sala de estar, temos uma missão.”

“Tudo bem, mas Jean irá ficar.” Respondeu.

“Está bem.” Xavier não perguntou nada e se foi.

Scott esfregou os olhos por baixo de seu óculos quartzo-rubi, tentando afastar o sono. Deu uma breve olhada para Jean ainda adormecida em seu peito e sorriu.

Desvencilhou-se de seu corpo cuidadosamente não querendo acordá-la e caminhou em direção para o banheiro para colocar o uniforme sem fazer nenhum barulho.

Arrumou-se rapidamente e foi para a porta do quarto quando ao abrir, parou por um momento e hesitou, voltando para a cama.

Puxou a coberta para cobrir Jean e beijou-lhe na bochecha antes de voltar para a porta novamente. Olhando para sua esposa por um instante, percebeu que apesar do cansaço que sentia ele ficaria diversas noites acordado por ela, desde que isso significasse que ela pudesse descansar e a confortasse, por que ela era mais importante para ele agora do que qualquer outra coisa que pudesse existir no mundo.

Ele estava saindo em uma missão agora, mas faria de tudo para sempre voltar para ela, por quanto tempo lhe fosse permitido, para todo tempo que fosse necessário, mesmo após isso, ele estaria lá para ela, não importa o que, não importa onde. Para todo o sempre.

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