Título: Divisão Criminal Mutante.
Capítulo IX: Pertubação ou movimento do ânimo.

Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic em andamento, Multi-capítulos
Tipo: Romance, Policial, Suspense.
Base: X-men animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)




Perturbação ou movimento desordenado do ânimo


Instituto Charles Xavier – 01:00 P.M. (2008)
SALEM CENTER - NOVA YORK.

Refeitório

      Jean estava almoçando sozinha e estava concentrada lendo um livro e comendo uma salada de brócolis.
- Você vai comer só isso?
-...
- Minha presença a incomoda certo?
- ...
- Ótimo! Não me agrada muito a ideia de ter que falar com você também.
-...
- Vai ficar ai me ignorando por quanto tempo? – Jean continua lendo e comendo como se estivesse em outro planeta. – Vai continuar me ignorando? Eu esperava mais maturidade de você Jean Grey!
      A garota continua lendo um livro.
- Emma, deixa lendo. – Disse Ororo entrando no refeitório com Scott – Ela não irá lhe ouvir. Está lendo.
      Emma olha com certo desprezo aquela cena.
- Olá Emma! – Disse Scott pegando uma bandeja e indo se servir.
- Boa tarde Summers. – Ela responde com bem ríspida – Obrigada pela informação Ororo. Mas quando ela sai desse ‘transe’?
- Ela sempre pede meia hora para limpar a mente ou sei lá. Nós respeitamos.
- E por que ela não faz isso em casa?
- É o intervalo. Ela tem direito de administrar seu tempo livre da maneira que bem entender.
- Certo, certo, mas preciso muito falar com ela!
- Tudo bem. – tempestade manda uma mensagem no celular.
      Por favor chame Jean.
      Scott estava voltando com a bandeja do almoço em direção a mesa que as moças  estavam quando alguém se aproximou deles correndo.
- Sai da frente! – ele empurra Scott.
      O rapaz que corria em direção a mesa criou uma pista de gelo que fazia onda curvando-se para Jean Grey. Ele surfou a pista e simplesmente arrancou o livro das mãos dela.
- Eai gatinha? Quer tomar um sorvete? – Ele dizia fechando o livro com apenas uma das mãos em frente a ela.
- Me dá o meu livro!
- Na verdade o livro é meu! – Disse Scott.
- Scott desde quando você lê? – Emma vira-se para Ororo – Quem é o garoto picolé?
- Esse é o Bobby Drake.
- ELE TAMBÉM ESTÁ FAZENDO O CURSO AQUI? – ela fala indignada – Qual o problema do seu pai comigo Summers?
- Que eu saiba nenhum!
- Me dá o livro Bobby. – Jean falava tentando segurar o riso - Anda, faltam só três parágrafos para terminar o capítulo.
- Pega o livro com ela. – Bobby joga o livro para Ororo.
- Obrigada Bobby.
- Quem fez essa bagunça na minha cantina? – a mulher gritava.
- Ih! Sujou! – Bobby sai correndo.
- Mouroe, alguém vai limpar isso! Toda vez que vocês vêem almoçar juntos é essa zona! – a moça da cantina reclamava – Alguém vai ter que limpar isso tudo. Vocês estão em um quartel! Comportem-se.
- Scott... – Ao comando de Ororo, Scott derrete todo o gelo que Bobby havia construído e ela cria uma ilha de calor para secar tudo.
- Obrigada. E mais uma vez, não baguncem a minha cantina!
      Scott e Jean estão rindo da situação.
- Estou em um quartel. Sou um super soldado. – Dizia Ororo.
- Juro que se fosse qualquer outra pessoa eu teria arremessado conta a parede por ter pegado meu livro. Até mesmo o Duncan. Mas é impossível ficar com raiva do Bobby.
- Você falar que vai arremessar seu namorado contra a parede é... – Jean para de rir arqueia a sobrancelha e fica encarando Scott com reprovação - ... certo, não me interessa.
- Não mesmo! – Ororo devolve o livro a Jean – Deixa-me marcar a pagina do meu livro.
- MEU LIVRO! Eu só te emprestei! – Jean faz careta revirando os olhos.
- Ainda com ciúmes de Douglas Adams Scott? – Disse Emma.
- Esse livro é muito importante pra mim Emma.
- E você fica emprestando para qualquer pessoa... Sem ofensa queridinha. – Jean e Ororo se entreolham.
- Ororo, por que pediu para o Bobby me chamar?
- Porque a Senhorita Frost queria falar com você.
- Pensei que ela estivesse aqui pelo Scott.
- Por ele? – Emma fala desdenhando – Nunca queridinha. Vim por você.
- Estou a sua disposição. Já almoçou? Sente-se aqui.
      Ororo pega uma bandeja para almoçar e Emma senta em frente a Jean e ao lado de Scott.

      Ótimo estou na mesma mesa com as duas telepatas que eu quero transar.

      As duas moças se olham e ao mesmo tempo olham para ele.

      Será que elas captaram alguma coisa?

- É uma conversa privada? – perguntou ele.
- Eu quero um encontro com ela. Então, sim. É uma conversa privada! – Emma diz entortando a boca.
- To saindo. – ele se levanta.

      Ela quer um encontro com a Jean? Do jeito que a Emma é tarada e a Jean é tão magnética.. Seria o máximo dividir a cama com Jean e...
     
      Hei! Para de pensar tão alto!

      O que? Sai da minha cabeça agora!

Scott está atrás da Emma fazendo cara feia para Jean e apontando para a sua fronte e depois apontando pro chão. Ele parece estar com raiva.
     
      Para de ficar pensando essas coisas a meu respeito! Seu Sujo!   

      Sai da minha mente agora! Eu tenho direito de pensar o que eu quiser. E como quiser!

      Então para de focar pensamentos em mim! É impossível não ouvir uma pessoa que está gritando mentalmente por mim. Seu pervertido!

      Tá bem eu paro! A Emma tá ouvindo também?

      Acho que não.
     
      Não conte a ela sobre isso.

      Por que eu contaria uma coisa que nem eu queria saber?!

      Sei lá! Não conte a ela.
     
      Não se preocupe com isso. Estou deletando tudo isso da minha memória nesse exato momento.

      Jean e Scott ficam fazendo cara feia uma para o outro. quando Emma fala:
- Você está em transe novamente? – perguntava Emma.
- Não, é que eu apenas estou... Deixa pra lá.
      Scott sai em direção a Ororo que está do outro lado da cantina e fica rindo do ocorrido.
- Por que está rindo Scott?
- Por que a minha ex tá aqui.
- Ex é? Não vem com essa. Vocês ainda se pegam que eu sei.
- Talvez...
      Jean e Emma estão na mesa juntas.
- Mas sim senhorita Frost. Acho que nunca fomos devidamente apresentadas. Sou Jean Grey.
- Emma Frost. E me desculpe por atrapalhar sua leitura. É que eu realmente preciso saber...
- Como entrei aqui? – Jean a interrompe.
- Não é isso. – Emma fica aparentemente surpreendida, mas volta ao assunto - Por que não aceitou a ajuda de Shaw?
- Ele não ajudaria em nada.
- Você confia muito em Xavier.
- Você não confia nele?
- Confio apenas em mim mesma.
- Temos alguma coisa em comum. – Jean faz um sorriso de canto de boca.
- Olha Grey, não sou sua inimiga. Shaw quer que trabalhemos juntas, estamos do mesmo lado.
- Eu não estou procurando trabalho. E o único lado que me interessa estar é o meu próprio lado.
- Gosto do seu discurso. Mas preciso de ajuda para entrar e você precisa de ajuda para...
- ...
- Para... – Emma fica esperando que Jean continue a frase.
-... – Jean apenas olha para Emma.
- Vamos lá, entre no jogo. – ela sorri para Jean - Você precisa...
- Não preciso de nada. Aonde você quer chegar?
- Posso lhe fornecer informações. Sou excelente nisso.
- Emma, não querendo ser arrogante, tudo o que você faz, eu faço.

      E faço bem melhor que você!

- Jeanzinha, você é pura. Eu por outro lado, sei chegar onde você ainda não foi. E provavelmente não vai.

      Em um prostíbulo? Aonde essa mulher quer chegar?

- E onde seria Emma?
- Na troca de favores. Influência é muito importante no meio em que estamos. Você tem que aprender a se articular.
- E você acha que eu não sei me articular? – Jean arqueia a sobrancelha – Emma eu estou onde você queria estar. E sem ajuda de ninguém.
- Por isso mesmo. Você é muito auto-suficiente. Mas nem tudo conseguimos alcançar sozinha.
- Por que você não entrou no Instituto Xavier?
- Não me sai tão bem na prova prática de química.
- ...
- Fiquei em 20 de 19 vagas. Realmente achei que tinha entrado, pois as turmas são de 20. Mas uma vaga já estava reservada. Foi bem frustrante não ter entrado.

      A sua vaga sua vaca ruiva!

- Por isso você me odeia?
- Não odeio você. Odeio essa situação. Você no meu lugar se sentiria igual.
- Talvez. Mas o que isso tudo tem haver com Shaw?
      Emma entrega a Jean um envelope com um convite.
- Como disse, você precisa de alianças. Sabe que depois de formada você além de agente vai acabar exercendo cargos políticos ou cargos próximos a políticos. Influencia social é tudo nesse meio.
      Jean abre o envelope Hell Fire Club. Era um convite de um evento.
- Esse é um clube muito seletivo. Seria muito bom você estar sócia deles.
- Seu amigo Shaw havia me dito algo parecido. Mas Emma, o que vocÊ ganha com isso. Sei que você não é o tipo de pessoa que faz caridade.
- Ganho sua amizade. – Emma sorri para Jean.
- Você quer que eu fale com o Xavier? – Jean fala virando a cabeça.
- Você faria isso?
- Não por você.
- Você era a minha ultima esperança. – Emma fica frustrada e deixa cair uma lágrima.
- Respeito o sua lágrima.
- Respeita? – Emma enxugando a lagrima faz cara de triste.
- Você não chora quando está triste... – Jean sorri -... Chora quando está com RAIVA! – Emma sorri.
- Como sabe disso?
- Somos iguais.
     
      Mas eu sou melhor.

- Poucas pessoas percebem isso em mim.
- Sou boa em ler as pessoas. Mesmo sem telepatia.
- Por favor, fale com Xavier.
- Estamos falando de anular um concurso Emma. Eu não sou advogada. Não sei se posso te ajudar.
- Mas você entrou sem fazer provas.
- E esse é um bom argumento para você usar com o seu advogado. Abriram para mim, deveriam abrir para você também. E se você foi bem colocada...
- Já tentei isso, mas o processo é longo até sair à sentença será outra turma.
- Acho que você tem potencial para estar aqui assim como nós. Falarei com Xavier. 
      Emma abraça Jean por cima da mesa.
- Muito obrigada. Fico te devendo uma!
- Emma, isso pode não dar em nada. – Emma dá um beijo na bochecha de Jean – Agora sei que quando você está feliz você sai beijando as pessoas.
- Se você fosse homem eu tirava a roupa! – As duas riem.
      Scott fica olhando a cena toda perplexo.

      Não acredito nisso que estou vendo!

- Que bom que Jean voltou a sorrir não acha?
- O que? Isso é péssimo!
- Scott isso deveria ser uma coisa boa.
- Você não entendeu Ororo. – Ele olha para as duas – Elas...
- Elas o que?
- Elas não... – ele fica vendo a amiga olhando pra ele tentando entender as justificativas dele para o incomodo – Elas são muito diferentes.
      Ororo olha as duas conversando de forma descontraída e as duas mexem da mesma forma no cabelo.
- Elas estão marcando de ir à manicure juntas e fazer compras... Até parecem gêmeas Scott.
- Não me diga! - Ele fica olhando as duas conversando e com um nível de intimidade – Isso deve ser coisa de telepata!
      Scott se levanta e joga toda a comida que estava na bandeja no lixo e sai da cantina. Ororo aproxima-se das duas.
- Eu estava mesmo procurando um salão novo Emma. A minha manicure voltou pra Guatemala.
- Posso me sentar aqui com vocês?
- Claro que sim!
      As três ficam conversando até o horário de almoço terminar. Emma sai do instituto e Jean e Ororo vão para aula de defesa pessoal.
- Hoje temos Muay thai e Boxe. – Dizia o instrutor. Preciso de 10 recrutas no Muay thai e 9 no Boxe.
- Por que 9 no boxe? – perguntou Bobby.
- O Summers já está lá.
      Scott estava socando o saco de areia com muita raiva.
     
      As duas sendo amiguinhas... Se não tinha chance com ela antes agora foi pro espaço!
      Amiga da minha ex... Ex essa que só é Ex porque eu tratei mal por causa dela... E tratei mal porque tinha tratado mal ela antes... Sou um idiota!

      Ele continuava dando socos no saco de areia até quase estourar a luva. Até o saco para abruptamente.
- Eu fico com você. – Disse Jean Grey após ter parado o saco de areia por telecinésia.
- Então não me atrapalhe Nina Kulagina!
- Tão grosso! Você com raiva fica mais inteligente ou é impressão?
- Tá me chamando de inteligente por que eu citei Nina Kulagina? A russa que provou que a telecinésia existe e fez alguns cientistas levarem o Nobel?
- Talvez.
- Aquela mulher foi estudada por 20 anos na Rússia. E diferente de você a telecinésia  era algo difícil para ela que sofria dores físicas para executar. Nem todos os mutantes são Alfa ou Omega! – ele tira uma luva para beber água!
- Você não cansa de ser idiota? – Jean olha para os lados. – Alguém tá afim de trocar de dupla comigo por favor?
      O instrutor se aproxima.
- Grey você não deveria estar aqui. Summers é meio pesado e você é pena. Troque com o Werren.
- Certo sargento. 
- Você e Summers são feito sempre se estranham por nada. – Disse o outro recruta a Jean.
- Ele estava no pique e eu ainda vou fazer aquecimento. Só isso.
     
      Aquele babaca!

      Não acredito que eu fiz isso novamente. Será que to perdendo o jeito de tratar bem as mulheres que eu gosto? Essa Jean Grey me tira do sério!

      Ao final do dia Scott sente-se culpado por ter tratado Jean de forma grosseira e mais uma vez vai atrás dela e para pedir desculpas.
      Jean estava pegando algumas coisas em seu armário quando ele fecha a porta do armário dela.
- Seu idiota! - Ela deixa alguns papeis caírem no chão – Quase você decepa meu dedo! – Ela fala abrindo a porta novamente e abaixa-se para pegar as coisas que caíram e ele abaixa-se junto com ela.
- Desculpe. – ele fala encabulado.
- O que você quer?
- Meu livro.
- Ta aqui o seu livro. - ela pega sem muito cuidado do armário e joga pra ele. – pega.
- Não faça isso! ele é importante pra mim.
- Você quase decepa o meu dedo depois de ter sido... você mesmo e agora fica querendo me recriminar porque joguei o seu livro? Qual o seu problema?

      Nem eu mesmo sei Jean... nem eu mesmo sei...

- Eu vi a Emma e fiquei assim.
- Você é mesmo um idiota.
- Lealdade feminina uma hora dessas?
- Emma é legal. E você é um idiota. São fatos do dia-a-dia, aceite.
- Quer sair e dar uma volta?
- Não! Vou sair com o meu namorado.

      Que ódio! O que eu faço para ela tirar essa imagem ruim de mim, não ficar tão próxima da Emma e de quebra boicotar a saída dela com o namorado?

- Eu preciso conversar com alguém.
- Procure um terapeuta. – ela falou virando trancando o armário e virando as costas – as vezes acho que você tem transtorno bipolar. Tchau Summers.
- Jean eu preciso conversar com um amigo.
- Chama o Bobby, o Werren ou a Ororo... Tchauzinho.
      Ele dá um soco no armário. Ela ouve o barulho e olha por cima do ombro e para.
- Sinto que eu vou me arrepender... – ela fala virando-se – O que foi Scott?

Cafeiteria D’espresso – 07:00 P.M. (2008)
SALEM CENTER - NOVA YORK

- Essa cafeteria foi projetada para parecer uma biblioteca, foi inspirada pela Biblioteca Bryant Park.
- Tá me assustando Scott.
- Por quê?
- Agora você tá falando igual a mim. – Ele sorri.
- Gostou do livro?
- “No início, o universo foi criado. Isso irritou profundamente muitas pessoas e, no geral, foi encarado como uma péssima idéia.” Essa idéia do autor parece ser bem atual.
- Adams é genial.
      Scott esticou a mão para a mão de Jean que estava segurando a taça com cappuccino gelado quando o telefone de dela toca.
- Duncan está me ligando.
- Onde você está? Nós íamos ver o 007 Quantum of Solace e agora só tem horário para Madagascar ou Narnia e o Príncipe Caspian. Fala sério! Eu não quero ver esses filmes.
- Madagascar ou Narnia e o Príncipe Caspian? HUMM E aquele da Pixar?

      Que idiota... eu iria com Jean ver qualquer filmes ruim... ai ela ficaria entediada e seria a hora perfeita para dar uns amassos nela.

- Wall-E acabou de esgotar.
- Hum... Então vamos ao cinema outro dia.  
- Onde você está?
- Estou na Madison 317. Vim com um amigo aqui na D'Espresso.
- Me trocou por aquela livraria?
- Na verdade é uma cafeteira.
- Eu estou com o pessoal do time aqui vou comer alguma coisa com eles enquanto você faz o que tiver para fazer. Ligo para você em 20 minutos.
- Certo. Você viaja com eles amanhã?
- Sim. Viajo amanhã no final da tarde.
- Dorme comigo? –
- Corrigindo você minha querida, EU NÃO DURMO COM VOCÊ! E você sabe bem o que significa... A gente se vê em breve ruiva.
      Jean está sorrindo de uma forma diferente. O que deixa Scott sem graça por estar ouvindo a conversa e ao mesmo tempo irritado.
- Tudo bem. 20 minutos.
      Ela desliga o telefone e continua sorrindo. Ela passa uma das mãos sobre o cabelo e fica segurando a cabeça sorrindo. O que irrita ainda mais Scott.
- To atrapalhando o sexo pelo telefone?
- Você é sempre idiota quando alguém está feliz?
- Não. Só quando eu estou triste.
- Desculpe. Não quis ser insensível. Mas estava falando com o meu namorado e nós estamos...
- Apaixonados? – ele completou a frase dela enquanto mexia na alça da xícara.
- Contentes. – ela concluiu – o Time dele ganhou ele foi promovido eu estou voltando à minha rotina.
- Então não está apaixonada?
- Se está se referindo a perturbação ou movimento desordenado do ânimo. Talvez esteja sim apaixonada. – Ela sorri.
- A perturbação ou movimento desordenado do ânimo pode ser de grande desgosto ou pesar. Sua definição de paixão é diferente da minha.
– E qual é a sua definição de paixão?
- Apaixonar-se é ter a impressão viva do amor ardente. Aquele afeto violento que leva a predileção ou adoração ter cuidado, zelo parceria, desejo, prazer. É uma entrega plena do íntimo. Acho que a paixão é a ponte para aquilo que desejamos amar. – ele fala gesticulando com as mãos e ao final fecha o punho.  – Essa é a minha definição de paixão.
      Scott fala aquilo como se já tivesse se apaixonado antes. Mas ele nunca havia sentido isso. Não até ter conhecido Jean Grey. Essa talvez fosse a única chance dele se declamar. Por que ela te namorado, e ficou amiga da ex dele.
- Seu pensamento é bastante filosófico. E na Filosofia a paixão é a impressão recebida de um agente. – Ela sorri - Vamos ser agentes no futuro. – Ela pisca para ele e aponta o dedo para ele imitando uma arma.
- Isso foi uma indireta? - Ele imita o gesto dela e lhe sorri - Seu namorado está chegando. Quer que eu quebre a perna dele antes do jogo?
- Isso não foi uma indireta. – Ela solta uma gargalhada – Nem parece que você está triste.
- Mas estou – eles param de rir.
- Você me tratou mal, quase decepou meu dedo, me fez perder um cinema e me arrastou até aqui. Tá na hora de me dizer o que está acontecendo.

      Como eu digo a ela que eu to arrastei ela até aqui pra falar que gosto dela mesmo sabendo que ela tem namorado? Meu plano de frustrar o encontro dela não deu muito certo já que eles vão dormir juntos... Se fosse qualquer outra mulher seria aquele momento que quando acaba o assunto eu vou para cima e beijo logo. Mas isso não funcionaria com ela.

- ... Eu não consigo falar.
- Quer que...
- Não entre na minha mente! – ele fala irritado.
- Eu não ia propor isso. – Ela fala querendo disfarçar.
- Ia sim!
- Não ia não! – Ela falou tentando convencê-lo que não iria fazer essa proposta.
- Então o que iria propor? – Ele fala duvidando dela.
- ...
- Heim?
- Eu ia dizer “quer que eu... CANTE?!”.
- O que?
      Jean começa a cantar Just Dance - Lady Gaga.

Just dance, gonna be okay (da-da-doot-n)
Just dance, spin that record babe (da-da-doot-n)
Just dance, gonna be okay (duh-duh-duh)
Dance, dance, dance, just ju-ju-just dance

- Vai dançar igual à Lady Gaga também? – Ele fala rindo. – “I Kissed a Girl” teria me animado mais. E você mente muito mal!
- Ok, okay... Eu pensei mesmo em ler sua mente sim, mas só pra ajudar. Só que não faria isso sem sua permissão.
- Eu sei! Até por que eu não permitiria tal situação.
- Permitiu isso na hora do almoço.
- Você disse que não tocaria nesse assunto. – ele aponta o dedo para ela – Meus pensamentos! – ela fica fazendo careta como se tivesse chupado um limão.
- Xô pensamentos impuros.
- Puritana! A maioria dos homens tem vontade de ter duas garotas. Isso é normal!
- Mas eu e você... – ela fica fazendo sinal negativo com a cabeça – isso não seria normal.
     
      Não acredito que ela falou isso!  Então vou falar da Emma...

- Obrigada por destruir minha auto-estima.
      Ele apóia os cotovelos sobre a mesa, juntas as mãos e apóia o queixo sobre os polegares. 
      Ela passa a mão sobre testa e desliza até a bochecha e apoio o cotovelo sobre a mesa.
- Desculpe.
- Talvez você esteja aprendendo a ser idiota comigo.
- Talvez.
- Talvez.
- Talvez... A gente vai ficar falando talvez?
- Talvez...
- Scott eu só tenho mais uns 15 minutos. Acho melhor você começar a falar. Se não de nada adianta ficarmos aqui...

      Sua companhia já valeu muito. E agora, o que eu faço?
- O que Emma queria?
- Sabia que você tinha ficado assim por causa da Emma.
- Sabia é?
- Você ficou todo esquisito desde a visita dela hoje cedo.
- Não estamos mais juntos.
- Isso deu para perceber. Mas acho que a Emma tem bagunçado seus sentimentos e você acaba ficando vulnerável.
- Eu terminei com ela.
- Então por que está esquisito? Ela que levou um fora, ela deveria estar assim e não você. E ela, alias, está muito bem!
- Está é?
- Sim até marcamos de ir a uma festa.
- Vocês ficaram muito amigas. Emma não costuma gostar fácil de ninguém. Mas gostou de você.
     
      E quem não gosta...

- Temos gostos parecidos.
- Você também come lesma?
- Lesma?
- Escargot.
- Sei apreciar a culinária francesa, mas sou americana. Prefiro um bom cheeseburger com fritas.
- Toca aqui!
- Mas o que ela queria com você?
- Quer que eu fale com o seu pai.
- Não acha isso estranho?
- Não. Xavier havia me contado o que aconteceu com a moça. No lugar dela você também iria tentar recorrer a todas as suas opções. Ainda mais agora que vocês não estão mais juntos.
- O que isso tem haver?
- Ela pode ficar livre para ficar com raiva do seu pai sem remorsos.
- Remorsos é uma coisa que Emma não tem.
- Que seja.
- Não custa nada tentar ajudá-la. Afinal, ela é uma mutante muito forte e inteligente.
- Em nossa turma ela não entra mais. Só na próxima e ela sabe disso. Eu já falei com ela, Xavier já falou com ela e mesmo com as ações judiciais, ela sabe que só abriram vagas para 19 recrutas. Estava no edital. Não sei por que ela chamou tantos jornalistas para sua chegada.
- Ela chamou?
- Chamou.
- Isso não tem cara da Emma...
- Você não conhece a ela.
- Mas isso tem muito mais a cara do Shaw.
- Por que?
- Ele persegue telepatas há anos. Eu e Emma somos só exemplos.
- Por que ele faz isso?
- Por que você odeia os telepatas?
- Não odeio telepatas...
- Não odeia mas se sente atraído por uma.
- Por que ela é bonita.
- Bonita e telepata. Scott, você tem uma quedinha por telepatas...

      Talvez eu tenha sim. E isso inclui você.

- E Shaw?
- Ele também tem. Ele tenta me fazer entrar no club dele desde... nem lembro mais. Mas uma coisa Emma tem razão. Telepatas precisam de outros telepatas por perto.
- Por que?
- Igual a mim e você no Boxe. Jamais poderia lutar com você de igual para igual.
- E você quer lutar com a Emma?
- Não mesmo. Ao contrário, pois, apenas um telepata entende outro telepata.
- E vocês se entenderam?
- Talvez.
- Talvez.
- Talvez.
- Voltamos para o talvez? – Jean pega o celular.
- É o Duncan. Ele tá chegando.
- Já vai?
- Sim e você não explicou de fato o que viemos fazer aqui.
- ...
- Vai atrás dela.
- Não posso.
- Queremos a mesma coisa Summers para essa noite Summers.
- O que?
- Massagem com final feliz.

      Só se isso for entre eu e você.

- Talvez.
- Scott, por que tanto apego com esse livro? Você disse que é importante, mas não disse de fato qual o motivo?
- Moira me deu ele. Ele ficou com ela nos momentos mais difíceis da vida dela ela me deu ele.
- E quem é Moira pra você?
- Uma amiga. E minha psicóloga. Talvez a única pessoa que eu consigo ver como família. Alex ainda está longe e o meu pai... Bem... digamos que eu prefiro falar com a moira.
- Entendo... digamos, que a eu também tenho uma Moira na vida.
- O meu pai?
- Bingo!
- Vai ver por isso eles são amigos.
- Scott esse lance de amizade também não é fácil pra mim, mas por favor, quando ficar chateado, não desconte em mim e depois vem com esse papo de precisamos conversar.
- Como assim?
- Se agir como estúpido novamente comigo... – ela deixa o dinheiro do consumo dela em cima da mesa – você vai se arrepender! Vai acabar perdendo o meu respeito.
- É que eu sou um badboy cafajeste! Isso atrai as garotas. – Ele sorri.
- Esse lance todo de menino revoltado não funciona comigo.
- Por que não?
- Por que as garotas só flertam com os cafajestes. – Ela dá duas tapinhas no rosto de Scott e aperta a bochecha dele – E você meu querido, não é um cafajeste, é um cara bonzinho! O que torna você um cara estúpido.
- Nessa frase toda não sei se você me elogiou ou me xingou. Chamou-me de bonzinho e estúpido ao mesmo tempo. O que isso quer dizer?
- Sua atitude é estúpida comigo. Querendo passar uma coisa que você não é.
      Ele a puxa pelo braço, estende a mão e entrega o dinheiro da mesa a ela. Mas continua apertando seu braço.
- Grosso!
- Com você, serei um gentleman! – Ela o olha de cima a baixo.
- Pois não está parecendo isso.
      Ele desliza sua mão por todo o braço esquerdo dela até chegar no punho e suspende a mão dela em direção ao seu rosto e beija a mão dela.
- faço questão de pagar a conta. – ele sorri um sorriso cafajeste e ela sorri de volta.
- É pra ser cafajeste ou bonzinho? Por que eu fiquei na dúvida agora.
- Posso ser os dois se assim lhe agrada.
- Boa noite Scott. – ela falou se despedindo e pegando a bolsa para sair da cafeteria.
- Se as garotas flertam com os cafajestes, o que elas fazem com os bonzinhos?
- Levam eles pra cama e fazem um sexo animalesco. – Ela fecha os olhos e sorri mostrando os dentes.
- O que?!
- O meu bonzinho chegou! – Duncan está na porta.
- Agora eu quero ser o cara bonzinho mesmo! – ela vai saindo.
- A gente casa com o bonzinho. Mas você não tem cara de quem gosta disso badboy. Tchau!
      Scott fica parado um tempo e pede a conta.
     
      Se essas são as regras, então eu sou um cara bonzinho. Eu vou me casar com ela!

      Scott está perdido em pensamentos quando é interrompido.
- Summers?
- Olá. Sou eu Bone. Estudávamos juntos.
      Bone era uma líder de torcida que já tinha ficado com Scott na época do colegial.
- Bone! Nossa como você está diferente.
- Por que diz isso?    
- Por que você está com... é... Colocou silicone?
- Sim. Aprovou?
- Quem sabe amanhã te conto.
- De novo essa história de querer me mostrar sua mutação, por que se for eu não caio mais gatinho.
- Não mesmo? Sabe o que dizem por ai?
- O que?
- Que eu evolui!
- Continua o mesmo tarado. vamos, antes que eu mude de ideia!


      Massagem com final feliz e sexo animalesco... Haverá o dia que eu serei um cara bonzinho, mas esse dia, não será hoje.



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Comentários da autora
                Conhaça a história de Nina Kulagina, a Jean Grey da vida real.
            Neiya Mikhailova ou Nina Kulagina era uma dona de casa russa que foi amplamente estudada por cientista da antiga URSS. Seu talento mais famoso era a PSICOCINESE OU TELECINESIA (movimento de objetos com o poder mental). Ela foi considerada por muitos a prova viva e inquestionável que os fenômenos são autênticos.
            Ela também tinha a capacidade de ver objetos além da visão física era outro dos poderes paranormais que Kulagina possuia, além de uma gama de poderes extra sensoriais que exibia que inclui a levitação. Exames mostraram que o seu esforço era tão grande que o seu coração chegou a bater 240 batimentos por minuto. A capacidade incomum de Kulagina rapidamente atraiu a atenção de pesquisadores soviéticos, mais de 50 cientistas de ponta, incluindo dois ganhadores do premio Nobel estudaram Kulagina em busca de uma explicação para seus poderes aparentemente sobrenaturais.
            Os cientistas pediram para ela parar o coração de um sapo, eles queriam ver se sua energia interferia na biologia e ela conseguiu. Duvidando de suas habilidades, um pesquisador foi mais ousado, ele quis ficar no lugar do sapo durante a experiência e ele foi aos poucos sentindo os efeitos da sua energia. O experimento foi abortado quando estava à beira de um ataque cardíaco.

            Kulagina também fez história fora dos laboratórios. Um jornal assim como outras publicações, acusaram Nina de charlatanismo e fraude, declarando que ela produzia seus efeitos com imãs e fios invisíveis. Na corte do distrito de Moscou, Kulagina os processou por difamação, paranormais e parapsicólogos de toda a Rússia, correram para apoiá-la, na liderança destes estava o eloquente Eduard Nomov, que foi essencial para convencer a corte que kulagina era autêntica. A decisão dos juízes foi histórica: a paranormalidade nunca havia sido validada numa corte. Uma nova onda de interesse científico logo envolveu Kulagina em outro conjunto de experimentos, feito para descobrir as bases físicas de seus poderes incríveis. Pesquisas anteriores indicavam fortes campos magnéticos, acústicos e elétricos emanando de sua cabeça e mãos, entretanto para os cientistas essa mulher notável continuou sendo um enigma indecifrável. Na primavera de 1990, Nina Kulagina morreu, ela sofreu um ataque cardíaco fulminante e muitos acreditam que ele foi causado pelas exigências físicas de utilizar seus poderes paranormais. Mas ela não era infalível. Pelo contrário, algumas vezes não conseguia realizar a telecinesia. Nina Kulagina 1926 – 1990.




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