Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base: Livro-O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguem ja tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Multiplos Capítulos (em andamento)

CAPÍTULO ANTERIOR: http://fanfictionsmafiajottlovers.blogspot.com.br/2015/06/fic-o-melhor-de-mim-capitulo-11.html



Quando o sol já estava baixo sobre os pinheiros, Scott e Jean saíram da oficina caminhando lentamente em direção ao carro dela. Algo havia mudado entre os dois no decorrer da tarde - acontecera um frágil renascimento do passado, talvez - e a deixava ao mesmo tempo empolgada e com medo. Já Scott ansiava por envolvê-la em seus braços enquanto andavam lado a lado, mas, percebendo como Jean estava confusa, se conteve.

Jean abriu um sorriso inseguro quando os dois finalmente chegaram à porta de seu carro. Ela ergueu os olhos para Scott, notando seus cílios grossos e cerrados, do tipo que qualquer mulher invejaria.

- Queria poder ficar - admitiu.

Scott mudou de posição, apoiando-se no outro pé.

- Tenho certeza de que vai se divertir com sua mãe.

Talvez, pensou ela, mas provavelmente não.

- Você tranca tudo quando for embora?

- Claro - falou ele, notando a maneira como a luz do sol dançava sobre a pele de Jean e alguns fios soltos de cabelo se moviam com a brisa suave. - Como quer fazer amanhã? Encontro você em Vandemere ou prefere que a espere aqui e siga seu carro?

Ela pesou as opções, indecisa.

- Acho que não há motivo para levarmos dois carros - disse por fim. - Por que simplesmente não nos encontramos aqui umas onze da manhã e vamos juntos?

Scott assentiu e olhou para ela, ambos imóveis. Então deu um pequeno passo para trás, quebrando o encanto, e Jean sentiu que o ar fugia de seus pulmões. Só então percebeu que estava prendendo a respiração.
Ele fechou a porta do carro depois que ela sentou ao volante. O sol poente delineava a silhueta de Scott, quase dando a Jean a impressão de que ele era um estranho. Constrangida, ela começou a revirar sua bolsa em busca das chaves. Suas mãos tremiam.

- Obrigada pelo almoço - disse.

- Disponha - respondeu ele.

Olhando pelo retrovisor enquanto se afastava, Jean viu que Scott permanecia parado no mesmo lugar, como se esperasse que ela mudasse de idéia e voltasse. Então sentiu algo perigoso se agitar dentro de si, algo que vinha tentando negar. Ele ainda a amava, Jean agora tinha certeza, e isso a inebriava.
Mas ela sabia que era errado. Tentou se obrigar a afastar o sentimento, mas Scott e o passado dos dois haviam tornado a criar raízes. Ela já não podia negar a simples verdade de que, pela primeira vez em anos, sentia que estava no lugar a que pertencia.

Não vou me prender a família de Scott, e sobre o q acontece no livro, pois será tudo mudado. Sei q era de suma importância pra quem já leu o livro, mas enfim...

Quanto mais café Jean bebia, mais fortalecida se sentia para lidar com a mãe. Elas estavam na varanda dos fundos, que dava para um jardim. Sua mãe estava sentada em uma cadeira de vime branca, com a postura ereta perfeita e vestida como se estivesse à espera de uma visita do governador. Falava dos acontecimentos da noite anterior e parecia sentir um imenso prazer em descobrir críticas implícitas e conspirações nos tons e palavras que as amigas haviam usado durante o jantar e a partida de bridge.
Por causa do jogo, que se alongara bastante, em vez de passar uma ou duas horas fora,
Jean tinha ficado lá até quase as 22h30. E, mesmo àquela hora, quando ela já estava bocejando e não conseguia se concentrar no que a mãe falava, nenhuma das outras mulheres queria ir embora. Até o momento em que as acompanhou, as conversas eram as que sempre havia por ali, ou em qualquer cidade pequena, por sinal.

No entanto, o fato de não conseguir tirar Scott da cabeça tornava mais difícil se concentrar. Jean tentava se convencer de que tinha tudo sob controle. Mas por que não parava de visualizar os cabelos dele em destaque contra a gola da camisa, ou de pensar em como ele ficava bonito de calça jeans, ou no fato de o abraço dos dois assim que ele chegou ter sido tão natural? Jean estava casada fazia tempo suficiente para saber que essas coisas não eram tão importantes quanto uma relação de amizade e confiança erguida com base em objetivos comuns. Passar alguns dias juntos depois de mais de 20 anos não era o bastante para que laços assim sequer começassem a se formar. Leva tempo para construir uma amizade verdadeira e a confiança se conquista passo a passo.

Enquanto refletia sobre essas perguntas irrespondíveis, sua mãe era incapaz de manter silêncio. Em vez disso, tagarelava sem parar.

 - Está me ouvindo? - perguntou a mãe, interrompendo seus pensamentos.

Jean baixou a xícara. - É claro que estou.

- Eu estava dizendo que você deveria praticar seus lances.

 - Fazia tempo que eu não jogava.

- É por isso que eu disse que deveria entrar para um clube ou fundar um - incentivou ela. - Ou você não escutou essa parte?

- Desculpe. Estou com muita coisa na cabeça hoje.

- Ah, sim. A cerimoniazinha, não é?

Jean ignorou a provocação, pois não estava a fim de discutir - o que, como sabia muito bem, era exatamente o que a mãe procurava. Ela havia passado a manhã inteira se preparando para isso, usando as picuinhas imaginárias da noite anterior como justificativa para a inevitável intromissão.

- Eu lhe contei que Charles queria que suas cinzas fossem espalhadas - explicou Jean, mantendo a voz calma. - A esposa dele, Moira, também foi cremada. Talvez ele achasse que essa seria uma forma de se reencontrarem.

A mãe não pareceu lhe dar atenção:
- O que se deve vestir para uma ocasião dessas? Parece que faz tanta... sujeira.

Jean se virou na direção do rio.
- Não sei, mamãe. Não pensei no assunto.

A expressão de sua mãe era tão impassível e artificial quanto a de um manequim. - E as crianças? Como estão?

- Não falei com Rachel e Nathan esta manhã. Mas creio que esteja tudo bem.

 - E Logan?

Jean bebericou seu café para ganhar tempo. Não queria falar nele. Não depois da discussão que haviam tido na noite anterior, a mesma que se tornara quase parte do cotidiano dos dois, a mesma que ele muito provavelmente já teria esquecido. A rotina era o que definia os casamentos, fossem eles bons ou ruins. - Ele está bem.

A mãe assentiu, esperando por algo mais. Jean ficou calada. Elayne ajeitou o guardanapo no colo antes de continuar: - Então, como vai ser? Você vai simplesmente despejar as cinzas no lugar em que ele pediu?

- Algo assim.

- Não é preciso ter autorização para isso? Eu detestaria pensar que as pessoas podem fazer uma coisa dessas onde bem entenderem.

- O advogado não falou nada, então acredito que já esteja tudo resolvido. De qualquer forma, fiquei honrada por Charles ter me incluído nos planos dele.

A mãe se inclinou um pouco para a frente e abriu um sorriso irônico. - Ah, é claro - disse. - Afinal, vocês eram muito amigos.

Jean se virou, subitamente cansada de tudo aquilo: da mãe, de Logan, de todas as mentiras que haviam passado a caracterizar sua vida.

- Sim, mamãe, nós éramos muito amigos. Eu gostava da companhia de Charles. Ele era uma das pessoas mais gentis que já conheci.

Pela primeira vez, a mãe pareceu desconcertada.

- Onde vai ser essa cerimônia?

- Por que quer saber? Está na cara que a senhora não aprova que eu faça isso.

- Só estou puxando conversa - disse ela, fungando. - Não precisa ser grosseira. 
-
Talvez eu soe grosseira porque estou sofrendo. Ou porque a senhora ainda não disse nem uma palavra de solidariedade sobre toda essa situação. Sequer um "Sinto muito pela sua perda. Sei como ele era importante para você". É isso que as pessoas costumam dizer quando uma pessoa
morre.

- Talvez eu tivesse dito se soubesse sobre esse seu relacionamento, para início de conversa. Mas você vem mentindo sobre o assunto desde o começo.

- A senhora já parou para pensar que precisei mentir justamente por sua causa?

Sua mãe girou os olhos.

- Não seja ridícula. Não era eu quem ia lá às escondidas e nunca coloquei palavras na sua boca. A decisão foi sua, não minha, e toda decisão gera conseqüências. Você precisa aprender a assumir a responsabilidade pelas escolhas que faz.

- A senhora acha que não sei disso? - retrucou Jean, sentindo o rosto ficar vermelho.

- Acho - disse sua mãe, falando devagar - que às vezes você é um pouco egocêntrica demais.

- Eu? - Jean pestanejou. - A senhora acha que eu sou egocêntrica?

- É claro - falou a mãe. - Todo mundo é, até certo ponto. Só estou dizendo que às vezes você abusa.

Jean ficou olhando para o outro lado da mesa, pasma demais para dizer qualquer coisa.

O fato de a mãe logo ela! - estar sugerindo aquilo só aumentava sua indignação. No mundo de Elayne, as outras pessoas nunca chegavam a ser mais do que meros espelhos. Jean escolheu as palavras seguintes com muito cuidado:

- Não acho que seja boa idéia conversarmos sobre isso.

- Pois eu acho que é - retrucou a mãe.

- Só porque eu não contei à senhora sobre Charles?

- Não - respondeu ela. - Porque acho que isso tem algo a ver com os problemas que você vem tendo com Logan.

Jean sentiu que se encolhia de raiva por dentro e precisou de todas as forças para manter o tom de voz e a expressão facial sob controle.

- O que faz a senhora pensar que estou tendo problemas com Logan?

A mãe manteve o tom de voz neutro, mas havia certa ternura nele:

- Conheço minha filha melhor do que parece e o fato de você não ter negado só prova que tenho razão. Não fico chateada por você preferir não falar sobre o que está havendo. Isso é problema seu e de Logan e não há nada que eu possa fazer ou dizer para ajudar. Nós duas sabemos disso. Casamentos são uma parceria, não uma democracia. O que naturalmente nos leva a questionar o que você vinha fazendo na casa de Charles todos esses anos. Se fosse para arriscar um palpite, diria que você não sentia apenas vontade de vê-lo, mas uma necessidade de conversar, de compartilhar algo com ele.

Elayne deixou o comentário no ar, sua sobrancelha um arco interrogativo, e Jean tentou em silêncio absorver aquele impacto. A mãe ajeitou o guardanapo mais uma vez e prosseguiu:
- Bem, imagino que você ainda estará aqui no jantar. Prefere comer em casa ou fora?

- Então é assim? - explodiu Jean. - A senhora despeja suas suposições e acusações e encerra o assunto?

A mãe entrelaçou as mãos no colo.
- Não encerrei o assunto. É você quem se recusa a falar sobre ele. Mas, no seu lugar, eu pensaria sobre o que realmente quero, porque, quando você voltar para casa, vai ter que tomar algumas decisões sobre seu casamento. Ou ele tem salvação ou não tem. E, em grande parte, quem vai determinar isso é você.

Havia uma verdade cruel em suas palavras.
No fim das contas, o que estava em questão não era ela e Logan, mas sim seus filhos. De repente, Jean ficou exausta. Largando sua xícara no pires, sentiu a raiva se esvair, deixando apenas uma sensação de derrota.

- A senhora se lembra da família de lontras que costumava brincar perto do nosso cais? - perguntou ela enfim, sem esperar por uma resposta. - Quando eu era pequena? Papai me pegava nocolo sempre que elas apareciam e me levava para os fundos. Nós nos sentávamos na grama e ficávamos observando as lontras nadarem e brincarem na água. Eu achava que elas eram os animais mais felizes do mundo.

- Não entendo o que isso tem a ver com o assunto...

- Vi lontras de novo - continuou Jean, atropelando a fala da mãe.- Ano passado, quando fomos à praia nas férias, visitamos o aquário de Pine Knoll Shores. Eu estava louca para ver as novas lontras que estavam vivendo lá. As lontras estavam lá, é claro, mas ficaram só dormindo em cima de uma pedra. Passamos horas no aquário e elas nem ao menos se mexeram.  Elas não estavam felizes. As lontras sabiam que não estavam em um rio de verdade. Provavelmente não compreendiam como aquilo havia acontecido, mas pareciam entender que estavam em uma jaula e que não tinham como sair. Aquela não era a vida que deveriam, ou queriam,levar, mas não havia nada que pudessem fazer a respeito.

Pela primeira vez desde que elas haviam sentado à mesa, a mãe parecia não saber bem o que dizer. Jean afastou sua xícara antes de se levantar. Enquanto saía da varanda, ouviu a mãe pigarrear. Ela se virou.

- Imagino que essa história signifique alguma coisa, não? - perguntou Elayne.

Jean abriu um sorriso cansado.

- Sim - falou baixinho. - Significa.

Continua