Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor? Tipo: Romance/Drama Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos! Base: Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P Sugestão: Nada a declarar! 
 Múltiplos Capítulos (em andamento)

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Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)

https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY



Scott baixou a capota do Stingray e se recostou no porta-malas para esperar por Jean. O ar estava pesado e abafado, prenunciando tempestade para o início da noite, e ele se perguntou se Charles não teria um guarda-chuva em algum lugar da casa.

Uma sombra atravessou o chão e Scott ficou observando uma águia-pescadora descrever círculos lentos e preguiçosos no céu até que o carro de Jean finalmente surgiu no caminho de acesso. 
 
Jean saiu do carro, surpreendendo-se com a calça preta e a camisa branca bem passada que Scott estava usando, uma combinação que sem dúvida funcionava. Com o paletó jogado casualmente sobre o ombro,ele estava quase bonito demais, o que só tornava mais proféticas as palavras de sua mãe.
 
Ela respirou fundo, perguntando-se o que iria fazer. - Estou atrasada? - disse, andando em sua direção.


Scott a observou se aproximar.


- Nem um pouco - ele respondeu. -Cheguei cedo para garantir que o carro estivesse pronto.


- E...?


- A pessoa que o consertou sabia muito bem o que estava fazendo.


Jean sorriu enquanto se aproximava dele e então, num impulso, lhe deu um beijo no rosto. Scott pareceu não saber como reagir e sua confusão se tornou um reflexo da de Jean quando ela tornou a ouvir o eco das palavras da mãe.


Tentando escapar dele, Jean apontou para o carro.


- Você baixou a capota?


A pergunta o fez voltar a si.


- Achei que poderíamos ir nele.


- Mas o carro não é nosso.


- Eu sei - falou ele. - Mas preciso dar uma volta nele para ter certeza de que está tudo em ordem. Acredite, o dono vai querer ter certeza de que o carro está funcionando perfeitamente antes de sair com ele para uma noitada.


- E se ele quebrar?


- Isso não vai acontecer.


- Tem certeza?


- Absoluta.


Um sorriso brincou nos lábios de Jean.


- Então por que precisamos fazer um test drive?


Ele ergueu as mãos, sem saída.


- Está bem, talvez eu só queira dirigi-lo. É praticamente um pecado deixar um carro com oeste parado, sobretudo se levarmos em consideração que o dono não vai saber e que as chaves estão bem aqui.


- E, deixe-me adivinhar, quando voltarmos, vamos erguê-lo em uns tijolos e deixá-lo em marcha a ré, para a quilometragem retroceder, certo? Assim o dono nunca irá desconfiar.


- Isso não funciona.


- Eu sei. Descobri depois de assistir a Curtindo a vida adoidado- disse ela comum sorriso travesso.


Ele se inclinou um pouco para trás, vendo-a melhor.


- Você está linda, por sinal.


Jean sentiu o calor subir por seu pescoço e se perguntou se um dia iria parar de ficar vermelha na presença dele.


- Obrigada - falou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto o analisava também, mantendo certa distância entre os dois. - Acho que nunca vi você de terno. É novo?

 - Não, mas não costumo usá-lo. Só em ocasiões especiais.


- Acho que Charles teria aprovado - disse ela. - O que você fez ontem à noite, afinal?


- Nada de mais. Como foi o jantar com sua mãe?


- Nem vale a pena comentar - respondeu Jean. 


Ela estendeu a mão para dentro do carro, correndo-a pelo volante antes de erguer os olhos para ele. - Mas tivemos uma conversa interessante hoje de manhã.

- Ah, é?


Ela assentiu.


- Me fez pensar sobre esses últimos dias. Sobre mim mesma, sobre você... sobre avida. Sobre tudo. E, enquanto estava vindo para cá, percebi que estava feliz por Charles nunca ter lhe contado a meu respeito.


- Por que diz isso?


- Porque ontem, quando estávamos na oficina... - Ela hesitou, tentando encontrar as palavras certas. - Acho que passei dos limites. Quero dizer, pela maneira como agi. E quero pedir desculpas.


- Pelo quê?


- É difícil explicar. Quero dizer...


Ela não concluiu a frase, então Scott a observou por alguns instantes e, por fim, se aproximou um passo.


- Você está bem, Jean?

- Não sei - disse ela. - Não sei de mais nada. As coisas eram muito mais simples quando nós éramos jovens.


Ele hesitou.

- O que você está tentando dizer?


Jean tornou a erguer os olhos para ele.


- Você precisa entender que não sou mais aquela adolescente - falou ela. - Agora sou esposa e mãe e, como qualquer outra pessoa, não sou perfeita. Cometo erros, questiono minhas decisões, passo metade do tempo me perguntando quem sou de verdade, ou o que estou fazendo, ou se minha vida tem algum sentido. Não sou nem um pouco especial, Scott, e você precisa saber disso. Precisa ver que sou apenas... igual a todo mundo. 


- Você não é igual a todo mundo.


Ela parecia angustiada, mas não se deixou convencer.


- Sei que você acredita nisso. Mas eu sou. E o problema é que não há nada de simples nesta situação. Não sei o que fazer. Mas gostaria que Charles tivesse falado sobre você, para que eu pudesse estar preparada para este fim de semana. - Sem perceber, Jean tinha levado a mão ao medalhão de prata. - Não quero cometer um erro.


Scott se remexeu, jogando o peso para a outra perna. Entendia perfeitamente por que ela estava dizendo aquilo. Era um dos motivos pelos quais ele sempre a amara - mesmo que agora não pudesse dizer isso em voz alta. Não era o que Jean queria ouvir. Em vez disso, ele manteve a voz o mais branda possível. 


- Nós conversamos, comemos, trocamos recordações - assinalou ele. - Isso é tudo. Você não fez nada de errado.


- Ah, fiz sim. - Ela sorriu, mas não conseguiu esconder a tristeza. - Não contei para minha mãe que você está aqui. Nem para meu marido. 


- E quer contar? - perguntou ele.


Essa era a questão, não era? Sem nem ao menos se dar conta, sua mãe havia perguntado a mesma coisa. Ela sabia o que deveria dizer, mas ali, naquele momento, as palavras simplesmente não saíam. Em vez disso, Jean se viu começando a balançar lentamente a cabeça.


- Não - sussurrou por fim.


Scott pegou sua mão, como se houvesse compreendido o medo que a invadira. – Vamos até Vandemere - falou ele. - Prestar nossa homenagem a Charles, OK?


Ela assentiu e se deixou levar pela gentileza do toque de Scott, sentindo outra parte de si mesma ceder, começando a aceitar o fato de que, dali para a frente, já não teria controle total sobre o que acontecesse.
 
Scott a conduziu até o outro lado do carro e abriu a porta. Jean se sentou, sentindo-se zonza enquanto Scott pegava no carro alugado a urna que continha as cinzas de Charles.


Ele acelerou o carro por alguns segundos, o giro do motor subindo e o veículo vibrando de leve. Então engatou a marcha, saiu de ré da oficina e seguiu devagar pela estrada principal, tendo o cuidado de evitar os buracos. O som do motor diminuiu enquanto eles atravessavam Oriental e pegavam a rodovia silenciosa.

À medida que o carro ganhava velocidade, o vento agitava o cabelo de Jean, então ela o prendeu em um rabo de cavalo. O barulho era alto demais para permitir que eles conversassem, mas isso não a incomodava. Sentia-se feliz por estar sozinha com os próprios pensamentos, sozinha com Scott. A cada quilômetro que ficava para trás, sua ansiedade se dissipava um pouco, como se o vento a soprasse para longe.


Jean estava em um carro com o homem que um dia amara, indo a um lugar que ambos desconheciam. Poucos dias atrás, refletiu ela, a possibilidade dessa viagem teria lhe parecido absurda. Aquilo era inimaginável, uma loucura, mas também era empolgante. Por alguns instantes, ela deixava de ser esposa, mãe ou filha e, pela primeira vez em anos, sentia-se quase livre.



Uma brisa começou a soprar do sul, trazendo o cheiro do mar, e Jean fechou os olhos entregando-se ao momento. Quando finalmente chegaram aos arredores de Vandemere,

Scott desdobrou o mapa que Jean lhe dera e correu os olhos por ele antes de simplesmente menear a cabeça.


Jean viu algumas poucas casas afastadas da estrada e uma pequena mercearia com uma bomba de gasolina na frente. No minuto seguinte, Scott estava pegando um caminho de terra batida. 


- Tem certeza de que estamos indo na direção certa?


- De acordo com o mapa, sim.


- Por que tão afastado da estrada principal?


Scott encolheu os ombros, tão intrigado quanto ela. Assim que dobraram a última curva,ele freou o carro por instinto, ambos descobrindo subitamente a resposta.



Me lembro de pensar no 'para sempre'

Sentado lá com você ao meu lado no rio

Dançamos no sinal

E nos apaixonamos pela primeira vez