Descrição: Fic baseada no livro de romance Marido por Acaso.
Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em Progresso
Tipo: Família, romance.
Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em Progresso
Tipo: Família, romance.

CAPÍTULO
I
O som da risada alegre de uma criança ainda pequena preenchia a sala. Scott ergueu-se nos cotovelos para olhar melhor a menininha que, vestida num pijama de bolinhas,
Baixando a cabeça, ele mais uma vez brincou, tentando fazer cócegas em sua barriga, enquanto a garota ria ainda mais alto, agarrando-se a seus cabelos.
Numa poltrona próxima, uma mulher de branco observava a cena, sem sorrir. Impaciente, acabou por sugerir:
— Sr. Summers, acredito que já esteja na hora de colocar Rachel para dormir.
Scott
pensou por instantes antes de responder. Não se importava com o adiantado da
hora, e sabia que Rachel, com certeza, também não.
— Vejo minha filha apenas vinte minutos por dia, sra. Raven — observou, por fim. — Será que não poderíamos adiar seu momento de ir para a cama?
A expressão da sra. Raven era sisuda.
— Bem, eu diria que o senhor já fez isso. — Fez um esgar de desagrado. — Já a agitou tanto que vou levar mais de uma hora para fazê-la aquietar-se de novo.
Scott respirou fundo, jurando para si mesmo que, no dia seguinte, conseguiria sair do escritório mais cedo, não importando quais fossem as conseqüências.
— Está certo, sra. Raven. — Entregou a ela a menina.
— Muito bem, Rachel, a brincadeira acabou. Dê um beijo no papai antes de ir repousar.
Os olhos
grandes de Rachel, muito semelhantes aos de sua mãe, pareceram entristecer-se.
Scott abraçou-a e levantou-se com ela nos braços, beijando-a várias vezes, e
depois entregando-a à enfermeira, que fazia vezes de babá. Ficou, depois,
observando-as afastarem-se pelo piso frio de mármore até a grande escadaria,
onde, aos poucos, desapareceram em direção ao andar superior da residência.
A mulher miúda que se encontrava sentada junto à lareira não deixou de admirar as chamas. A luz trêmula provocada por elas criava espectros estranhos em seu rosto enrugado.
— Não sei como consegue suportar essa mulher — murmurou ela, referindo-se à sra. Raven.
— Porque ela é a melhor enfermeira e babá do condado. — Scott não disfarçava a contrariedade.
Elaine Summers suspirou ao replicar:
— Não sei quem foi que lhe disse isso…
— A sra. Raven me foi muito bem recomendada.
— É rígida demais.
— Vovó, eu mesmo já ouvi você dizer que toda criança precisa ter horários…
— Eu me lembro de ter dito que elas precisam de segurança e estabilidade. Isso não significa que seja a favor de disciplina militar.
A mulher miúda que se encontrava sentada junto à lareira não deixou de admirar as chamas. A luz trêmula provocada por elas criava espectros estranhos em seu rosto enrugado.
— Não sei como consegue suportar essa mulher — murmurou ela, referindo-se à sra. Raven.
— Porque ela é a melhor enfermeira e babá do condado. — Scott não disfarçava a contrariedade.
Elaine Summers suspirou ao replicar:
— Não sei quem foi que lhe disse isso…
— A sra. Raven me foi muito bem recomendada.
— É rígida demais.
— Vovó, eu mesmo já ouvi você dizer que toda criança precisa ter horários…
— Eu me lembro de ter dito que elas precisam de segurança e estabilidade. Isso não significa que seja a favor de disciplina militar.
Scott
ajeitou o colarinho e o nó da gravata.
— Por favor, não comece de novo. — Porém, sabia de antemão que não seria atendido.
— Rachel tem apenas quinze meses de idade, Scott. Não acha que é cedo demais para que viva como se estivesse num internato, cheia de regras e hora para tudo?
Ao encarar o neto, acrescentou firme:
— Essa garota precisa de uma mãe!
Scott deixou-se cair numa poltrona próxima. Queria estar confortável para enfrentar a mesma discussão que vinham tendo havia tempos.
— Sei o quanto você sofreu, meu querido. Quero dizer… quando Emma… se foi.
— Não pode imaginar o quanto, vovó.
— Mas, meu anjinho, já faz mais de um ano que ela morreu, e acho que já está na hora de você retomar sua vida.
— Já fiz isso. No entanto, não tenho a menor intenção de me casar outra vez. Nunca mais, vovó.
— Meu amor, sei que tudo tem sido muito difícil desde aquele terrível acidente, mas não deve imaginar que, mesmo não tendo se interessado por mulher alguma no último ano, isso não possa vir a acontecer no futuro. Você é jovem, é… fogoso…
— Por favor, não comece de novo. — Porém, sabia de antemão que não seria atendido.
— Rachel tem apenas quinze meses de idade, Scott. Não acha que é cedo demais para que viva como se estivesse num internato, cheia de regras e hora para tudo?
Ao encarar o neto, acrescentou firme:
— Essa garota precisa de uma mãe!
Scott deixou-se cair numa poltrona próxima. Queria estar confortável para enfrentar a mesma discussão que vinham tendo havia tempos.
— Sei o quanto você sofreu, meu querido. Quero dizer… quando Emma… se foi.
— Não pode imaginar o quanto, vovó.
— Mas, meu anjinho, já faz mais de um ano que ela morreu, e acho que já está na hora de você retomar sua vida.
— Já fiz isso. No entanto, não tenho a menor intenção de me casar outra vez. Nunca mais, vovó.
— Meu amor, sei que tudo tem sido muito difícil desde aquele terrível acidente, mas não deve imaginar que, mesmo não tendo se interessado por mulher alguma no último ano, isso não possa vir a acontecer no futuro. Você é jovem, é… fogoso…
Mesmo
aborrecido com a conversa, Scott não pôde deixar de sentir vontade de rir. Sua
querida avó tinha um jeito muito especial de colocar as coisas. E estava um
tanto corada pelo que acabara de sugerir. Ou seria aquele tom rosado em seu
rosto apenas um reflexo do tricô que fazia e que tinha um belo tom de vermelho?
Elaine deu de ombros e começou uma nova carreira com as agulhas.
— Não tenho dúvida de que, um dia, ainda vai encontrar uma moça maravilhosa — observou ainda, para ter a palavra final, pelo menos por enquanto.
Scott imaginava se valeria a pena comentar que não descartara a idéia de outra jovem, mas, sim, de outro casamento.
— E será mais fácil para Rachel aceitar uma madrasta agora, quando ainda é tão pequena — a avó resolveu acrescentar, como reflexo de pensamentos posteriores.
Scott voltou-se, surpreso. Poderia saber de cor o conteúdo daquela conversação, pois já a tivera com Elaine inúmeras vezes. Contudo, aquela derradeira observação dela soava como algo novo.
— Não tenho dúvida de que, um dia, ainda vai encontrar uma moça maravilhosa — observou ainda, para ter a palavra final, pelo menos por enquanto.
Scott imaginava se valeria a pena comentar que não descartara a idéia de outra jovem, mas, sim, de outro casamento.
— E será mais fácil para Rachel aceitar uma madrasta agora, quando ainda é tão pequena — a avó resolveu acrescentar, como reflexo de pensamentos posteriores.
Scott voltou-se, surpreso. Poderia saber de cor o conteúdo daquela conversação, pois já a tivera com Elaine inúmeras vezes. Contudo, aquela derradeira observação dela soava como algo novo.
— Vovó,
só porque pensa que, um dia, voltarei a me casar, acha que devo fazer isso
agora? Esteja eu pronto ou não? Só porque Rachel está com a idade apropriada
para poder aceitar uma nova mãe?
— Bem, creio que não deva descartar essa possibilidade.
— Certo. Vamos supor, então, que eu aceite seu conselho e me case logo, providenciando, assim, a madrasta para Rachel…
— Não disse que você deva pensar apenas em sua filha, menino. — Fitou-o, séria.
— É evidente que deve considerar a si mesmo.
— Oh! Quanta generosidade! Que bom que minha opinião ainda vale alguma coisa…
— Não seja mal-educado, Scott! — Elaine admoestou-o, recolocando o tricô na cestinha em que sempre o trazia. — Bem, a campainha do jantar já tocou, e acho que não poderemos continuar esta discussão enquanto comemos.
"Porque o mordomo ouviria tudo", pensou Scott, um tanto aliviado.
— No entanto, quero que me prometa que vai pensar no que falamos. — Elaine aceitou o braço que o neto lhe oferecia como apoio.
— Tem minha promessa, vovó. Vou considerar essa ideia com carinho, está bem?
Elaine olhou-o nos olhos, percebendo que havia certa ironia naquelas palavras.
— Bem, creio que não deva descartar essa possibilidade.
— Certo. Vamos supor, então, que eu aceite seu conselho e me case logo, providenciando, assim, a madrasta para Rachel…
— Não disse que você deva pensar apenas em sua filha, menino. — Fitou-o, séria.
— É evidente que deve considerar a si mesmo.
— Oh! Quanta generosidade! Que bom que minha opinião ainda vale alguma coisa…
— Não seja mal-educado, Scott! — Elaine admoestou-o, recolocando o tricô na cestinha em que sempre o trazia. — Bem, a campainha do jantar já tocou, e acho que não poderemos continuar esta discussão enquanto comemos.
"Porque o mordomo ouviria tudo", pensou Scott, um tanto aliviado.
— No entanto, quero que me prometa que vai pensar no que falamos. — Elaine aceitou o braço que o neto lhe oferecia como apoio.
— Tem minha promessa, vovó. Vou considerar essa ideia com carinho, está bem?
Elaine olhou-o nos olhos, percebendo que havia certa ironia naquelas palavras.
—
Voltaremos a falar sobre isso, Scott Summers.
Scott percebeu, sem esforço, que ainda não estaria livre daquele tormento.
Scott percebeu, sem esforço, que ainda não estaria livre daquele tormento.
0 Comentários