Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor? Tipo: Romance/Drama Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos! Base: Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P Sugestão: Nada a declarar! 
 Múltiplos Capítulos (em andamento)

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Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)
https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY





Não houve nenhum constrangimento quando chegaram de volta à porta da cabana. Jean foi até a cozinha enquanto Scott acendia as luzes. Ela tornou a encher suas taças de vinho, sentindo-se ao mesmo tempo inquieta e secretamente entusiasmada.

Na sala de estar, Scott girou o seletor do rádio até encontrar um jazz antigo e deixou o volume baixo. Pegou um dos velhos livros da prateleira acima do rádio e estava folheando suas páginas amareladas quando Jean se aproximou dele com o vinho. Devolvendo o livro a seu lugar na prateleira, Scott pegou a taça e a seguiu até o sofá. Ficou observando enquanto ela tirava os sapatos.


- É tão silencioso - falou Jean. Pousando a taça na mesa de canto, ela puxou as pernas para cima e abraçou os joelhos. 


- Você acha que vai voltar aqui algum dia? - perguntou ele. - Depois deste fim de semana, quero dizer?


- Não sei. Se tivesse certeza de que continuaria desta forma, sim. Mas sei que não vai, porque nada dura para sempre. E parte de mim quer se lembrar deste lugar como ele está hoje, com todas as flores desabrochadas.


- Isso sem falar na casa limpa.


- Isso também - concordou ela, pegando o vinho e girando-o na taça. - Mais cedo, quando as cinzas estavam se espalhando, sabe no que fiquei pensando? Na noite que passamos no cais observando a chuva de meteoros. Não sei por quê, mas de repente foi como se eu estivesse lá. Pude ver nós dois deitados na manta, sussurrando um para o outro e escutando as cigarras, aquele eco perfeito, melodioso. E, acima de nós, o céu estava tão... vivo.


- Por que está me contando isso? - perguntou Scott em um tom de voz gentil.


- Porque foi naquela noite que descobri que o amava. Que estava completa e perdidamente apaixonada. E acho que minha mãe percebeu que isso tinha acontecido.


- Por que diz isso?


- Porque, na manhã seguinte, ela me perguntou a seu respeito e, quando lhe contei como eu me sentia, nós acabamos brigando. Foi uma briga feia, das piores que já tivemos. Ela chegou até a me dar um tapa. Fiquei tão chocada que não soube como reagir. E, durante toda a discussão, ela ficava me dizendo como meu comportamento era ridículo e que eu não sabia o que estava fazendo. Queria dar a impressão de que o problema era você, mas hoje sei que ela teria ficado irritada mesmo se fosse qualquer outra pessoa. Porque o problema não era você, ou nós dois, ou mesmo a sua família. O problema era ela. Minha mãe sabia que eu estava crescendo e tinha medo de perder o controle. Não sabia como lidar com isso naquela época e não sabe até hoje. - Jean tomou um gole de vinho e baixou a taça, girando a haste entre os dedos. - Hoje de manhã ela disse que sou egocêntrica.

- Ela está errada.


- Eu também achei - disse ela. - No início, pelo menos. Agora não tenho certeza.


– Por quê?


- Não estou agindo exatamente como uma mulher casada, estou?


Sem deixar de observá-la, ele manteve silêncio, dando-lhe tempo para refletir sobre o que dizia.


- Quer que eu a leve de volta? - perguntou por fim.


Ela hesitou antes de balançar a cabeça.


- Não - respondeu Jean. - Essa é a questão. Quero ficar aqui, com você. Mesmo sabendo que é errado. - Seus olhos estavam abaixados, os cílios negros em destaque contra a pele. - Isso faz algum sentido?
 
Scott correu um dedo ao longo das costas da mão de Jean. 


- Quer mesmo que eu responda?


- Não - respondeu ela. - Acho que não. Mas é... complicado. O casamento, quero dizer.


Scott traçava desenhos delicados em sua pele.


- Você gosta de estar casada? - perguntou ele, a voz hesitante.


Em vez de responder de imediato, Jean tomou outro gole de vinho, recompondo-se.
 

- Logan é um bom homem. Na maior parte do tempo, pelo menos. Mas estar casado não é exatamente como as pessoas pensam. Elas querem acreditar que todo casamento é um equilíbrio perfeito, mas não é assim. Uma pessoa sempre ama mais do que a outra. Sei que Logan me ama e eu também o amo... mas não tanto quanto ele. E nunca amei. 

 - Por que não?


- Você não sabe? - disse ela, encarando-o. - Por sua causa. Mesmo quando estávamos na igreja e eu me preparava para fazer meus votos, lembro-me de ter desejado que fosse você ali na minha frente, não ele. Porque não só eu ainda o amava, como meu amor por você não tinha limites, e mesmo naquele momento eu suspeitei que nunca fosse me sentir da mesma forma em relação a Logan.



Scott sentiu a boca ficar seca. - Então por que se casou com ele?
 
- Porque pensava que o que tínhamos seria suficiente. E tinha esperanças de poder mudar. De que, com o tempo, talvez passasse a sentir por Logan o mesmo que sentia por você. Mas isso não aconteceu e, com o passar dos anos, imagino que ele tenha percebido isso também. Eu sabia que isso o magoava, porém, quanto mais Logan tentava me mostrar que eu era importante para ele, mais sufocada eu me sentia. E eu odiava isso. E o odiava também. - Ela se encolheu ao ouvir as próprias palavras. - Sei que devo parecer uma pessoa horrível. 


- Você não é uma pessoa horrível - falou Scott. - Só está sendo honesta.


- Deixe-me terminar, então - disse ela. - Preciso que você entenda isso. Você precisa saber que amo meu marido e dou muito valor à nossa família. Logan é apaixonado pelas crianças. Sua vida gira em torno delas e acho que foi por isso que perder Nate foi tão difícil para nós. Você não faz idéia de como é terrível ver seu filho ficar cada vez mais doente e saber que não há nada que se possa fazer para ajudá-lo. Você acaba em uma verdadeira montanha-russa de emoções, sente raiva de Deus, questiona a injustiça de tudo aquilo, até que no fim se sente devastado, um fracasso total. Mas acabei conseguindo sobreviver à dor. Logan, por outro lado, nunca se recuperou. Porque, por trás de todos aqueles outros sentimentos, o que existe é um desespero sem fim e ele simplesmente...esgota a pessoa. Deixa um buraco onde antes ficava a alegria. Nate era isso. Ele era a alegria em pessoa. Nós costumávamos brincar dizendo que ele já havia nascido sorrindo. Mesmo quando bebê, quase nunca chorava. E isso jamais mudou, ele ria o tempo todo. Para Nate, qualquer novidade era uma descoberta empolgante. Rachel e Nathan costumavam competir pela atenção da irmã. Dá para imaginar uma coisa dessas? Sua voz estava ficando mais embargada e ela se deteve um pouco antes de prosseguir: - E então as dores de cabeça começaram e ele passou a trombar nas coisas enquanto

andava. Nós consultamos uma série de especialistas e, um por um, eles foram dizendo que não podiam fazer nada. - Jean engoliu em seco. - Depois disso... as coisas só pioraram. Mas ele continuou sendo quem era, entende? Simplesmente feliz. Mesmo perto do fim, quando mal conseguia se sentar sozinho, ele ainda ria. Sempre que ouvia aquela risada, eu sentia meu coração se partir um pouco mais.


Scott esperou quando o olhar de Jean vagou distraído em direção à janela e ela se calou por um momento.


- No fim, eu passava horas deitada com Nate na cama, simplesmente abraçando-o enquanto ele dormia e, quando ele acordava, nós continuávamos deitados, olhando um para o outro. Eu não conseguia desviar os olhos dele, queria memorizar seu nariz, seu queixo, seus cabelos. E quando ela

e voltava a dormir, eu o abraçava forte e só chorava, por causa da injustiça daquilo tudo.


Lágrimas escorriam pelo rosto de Jean, que piscou, aparentemente sem percebê-las.

Não fez menção de secá-las, e Scott também não. Em vez disso, ele permaneceu imóvel, atento a cada palavra.


- Depois que ele morreu, parte de mim também se foi. E, durante muito tempo, Logan e eu mal conseguimos olhar um para o outro. Não por raiva, mas porque isso nos fazia sofrer. Por pouco não desmoronamos, embora Nathan e Rachel precisassem de nós mais do que nunca. Comecei abeber duas ou três taças de vinho todas as noites, tentando me anestesiar, mas Logan bebia mais ainda. Depois de um tempo, percebi que aquilo não estava me ajudando, então parei. Mas, para Logan, não foi tão fácil.

Uma lembrança das dores de cabeça que sentia na época ecoou na mente de Jean e, por instinto, ela parou de falar e apertou a ponte do nariz entre o polegar e o indicador.
 
- Ele não conseguia parar - prosseguiu ela. Logan é alcoólatra e, ao longo dos últimos 10 anos, tem levado uma vida pela metade. E eu cheguei a um ponto em que não sei mais como devolver a ele a parte que falta.

Scott engoliu em seco. - Não sei o que dizer.


- Eu também não. Queria poder me convencer de que isso não teria acontecido se Nate estivesse vivo. Mas aí me pergunto se também não tenho minha parcela de culpa. Porque venho fazendo Logan sofrer há anos, mesmo antes do que aconteceu a Nate. Ele sabia que eu não o amava da mesma forma como ele sempre me amou.


- A culpa não é sua - falou Scott. Mas, até aos seus ouvidos, as palavras soaram inadequadas.


Ela balançou a cabeça.


- É gentileza sua dizer isso e, superficialmente, sei que tem razão. Mas, se a bebida ainda é uma fuga para Logan, provavelmente é de mim que ele está fugindo. Porque sabe da minha raiva e da minha decepção e que não poderia apagar 10 anos de arrependimento, por mais que se esforçasse. Quem não fugiria de uma coisa assim? Sobretudo quando ela tem relação com a pessoa que você ama? Quando tudo o que você quer, na verdade, é que ela ame você tanto quanto você a ama?
 
- Não faça isso - disse ele, fitando-a nos olhos. - Você não pode assumir a culpa dos problemas dele e torná-los seus.


- Você está dizendo isso porque nunca foi casado - retrucou Jean com um sorriso torto. - Tudo o que sei é que quanto mais tempo a pessoa fica casada, mais percebe que poucas coisas são preto no branco. E não estou dizendo que eu seja culpada de todos os problemas do meu casamento. Sei que nem Logan nem eu somos perfeitos.

- Isso parece algo que um analista diria.


- E talvez seja mesmo. Alguns meses depois da morte de Nate, passei a fazer terapia duas vezes por semana. Não sei como teria conseguido sobreviver sem a ajuda da minha analista.

Ela descansou o queixo nos joelhos, a expressão em seu rosto refletindo sua agonia.

- Nunca contei a Logan sobre nós dois.


-Não?


- Ele sabia que eu havia namorado alguém na escola, mas nunca falei sobre como tinha sido sério. Acho que nem mesmo cheguei a dizer a ele o seu nome. E meus pais, é óbvio, fizeram de tudo para fingir que nada havia acontecido. Tratavam o assunto como um segredo de família. Minha mãe, é claro, ficou aliviada quando contei que estava noiva. Não é que ela tenha se emocionado, porque ela não se emociona com nada. Provavelmente acredita que está acima disso. Mas, se serve de consolo para você, tive que lembrar a ela o nome de Logan. Duas vezes. Já o seu...

Scott riu, mas calou-se logo em seguida. Ela tomou um gole de vinho, sentindo o calor da bebida descer pela garganta e mal notando a música que ainda tocava baixinho ao fundo.

- Tanta coisa aconteceu, não? Desde a última vez em que nos vimos - disse ela com um fiapo de voz.


- A vida aconteceu.


- Não foi só a vida.


- Do que você está falando?


- De tudo isto: estar aqui, reencontrar você. Faz pensar numa época em que eu ainda acreditava que todos os sonhos pudessem se tornar realidade. Faz muito tempo que não me sinto assim. - Ela se virou para Scott, seus rostos a centímetros de distância. - Você acha que nós poderíamos ter dado certo? Se tivéssemos saído daqui e começado uma vida juntos?


- É difícil dizer.


- Mas e se tivesse que arriscar um palpite?


- Sim. Acho que teríamos dado certo.


Ela assentiu, sentindo algo se quebrar dentro de si.


- Também acho.


Lá fora, uma ventania começou a jogar rajadas de chuva contra a janela, como se atirasse pedras. O rádio tocava músicas de outra época, o som se misturando ao ritmo da chuva. A quentura da sala a tornava um ninho, quase fazendo Jean acreditar que nada mais existisse.


- Você era tímido - murmurou ela. - Mal falava comigo quando começamos a trabalhar em dupla na escola. Eu ficava jogando verde, esperando que você me convidasse para sair e me perguntando se um dia você faria isso.


- Você era bonita demais - falou Scott, encolhendo os ombros. - Eu não era ninguém. Ficava nervoso ao seu lado.


- Ainda deixo você nervoso?


- Não - respondeu ele, pensando um pouco mais em seguida. Um sorriso discreto surgiu em seu rosto. 

- Talvez um pouco.


Ela ergueu uma sobrancelha.


- Posso fazer alguma coisa quanto a isso?


Ele pegou a mão de Jean e a virou de um lado para outro nas suas, notando como elas pareciam se encaixar perfeitamente e lembrando-se mais uma vez do que havia deixado para trás. Uma semana antes, ele estava contente. Não completamente feliz – talvez sentindo-se um pouco isolado mas contente. Sabia quem era e qual seu lugar no mundo.


Estava sozinho, mas por uma escolha consciente e da qual, mesmo àquela altura, não se arrependia. Sobretudo àquela altura. Porque ninguém poderia ter substituído Jean, ninguém jamais a substituiria.


- Quer dançar comigo? - perguntou ele afinal.


Ela respondeu com um sorriso tímido:


- Sim.


Ele se levantou do sofá e, com delicadeza, a ajudou a fazer o mesmo.



O amor vem em círculos

E o amor precisa ter seu próprio tempo

Se curvando e rompendo, não pegando uma linha reta

Nunca conheci outro amor eterno e verdadeiro

Oh, mas conheci, é, conheci com você

Oh, conheci, conheci com você

Ela se colocou de pé, suas pernas tremendo um pouco à medida que eles seguiam juntos para o centro da pequena sala. A música parecia preencher o ambiente de nostalgia e, por um instante, nenhum dos dois soube o que fazer. Jean esperou, observando Scott se virar para ela com uma expressão insondável no rosto. Por fim, colocando uma das mãos no quadril de Jean, ele a puxou para perto. 

Seus corpos se encontraram e ela se apoiou nele, sentindo a solidez do tórax de Scott à medida que seus braços enlaçavam sua cintura. Bem devagar, os dois começaram a dança.


Senti-lo tão perto era delicioso. Jean sorveu seu cheiro, tão limpo e real – exatamente como se lembrava. Percebia as pernas de Scott encostando nas suas e a rigidez de seu abdome contra seu corpo. Fechando os olhos repleta de desejo, pousou a cabeça no ombro dele, pensando na primeira noite em que fizeram amor. Ela tremera naquela noite e tremia agora.

A canção terminou, mas eles continuaram abraçados até que a música seguinte começasse.
Jean sentia a respiração de Scott contra seu pescoço e ouviu quando ele soltou o ar como em um suspiro de alívio. Ele aproximou o rosto e Jean inclinou sua cabeça para trás, entregando-se, desejando que aquela dança durasse para sempre. Que eles dois durassem para sempre.

Os lábios de Scott percorreram primeiro seu pescoço, então roçaram de leve seu rosto e, embora pudesse ouvir um eco de alerta ao longe, ela se rendeu àquele toque delicado.

Eles então se beijaram, hesitantes a princípio, depois mais apaixonadamente, tentando compensar uma vida inteira separados. As mãos dele percorriam o corpo de Jean e,
quando eles finalmente se afastaram, ela se deu conta de quanto tempo havia ansiado por aquilo. 

Encarou Scott com os olhos semicerrados, desejando-o por completo e naquele instante. O desejo que ele sentia também estava claro e, com um gesto que pareceu quase coreografado, Jean beijou Scott uma vez mais antes de levá-lo para o quarto.

Ao longo dos anos, apenas continuei acreditando
Precisava ter um plano ou um motivo
Mas o céu estava em silêncio e a vida seguiu em frente
Até que o meu coração soube que o momento se foi