Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores , eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base : Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Múltiplos Capítulos (em andamento)
Capítulo Anterior: http://fanfictionsmafiajottlovers.blogspot.com.br/2017/03/fic-o-melhor-de-mim-capitulo-15.html
Múltiplos Capítulos (em andamento)
Capítulo Anterior: http://fanfictionsmafiajottlovers.blogspot.com.br/2017/03/fic-o-melhor-de-mim-capitulo-15.html
https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY
Quando
acordou na manhã de domingo, Jean precisou de alguns segundos para reconhecer
onde estava e se lembrar da noite anterior. Pássaros cantavam lá fora e a luz d
sol entrava pela pequena fresta entre as cortinas. Ela rolou devagar na cama e
então descobriu que o espaço ao seu lado estava vazio. Sentiu uma pontada de
decepção, seguida quase
imediatamente por uma sensação de perplexidade.
Sentando-se
na cama, ela puxou o lençol contra o corpo enquanto olhava para o banheiro e se
perguntava onde Scott poderia estar. Ao perceber que as roupas dele não estavam ali,
envolveu-se com o lençol e foi até a porta do quarto. Espiando pelo vão, pôde
vê-lo sentado nos degraus da varanda da frente. Voltou para dentro, vestiu-se
às pressas e entrou no banheiro. Penteou rapidamente os cabelos e seguiu a
passos leves em direção à porta da frente.
Precisava conversar com Scott e certamente ele precisava conversar com ela.
Ele se
virou ao ouvir a porta se abrir com um rangido. Sorriu para ela, a barba por
fazer emprestando-lhe um ar travesso.
- Olá
- falou ele, um copo de isopor aninhado no colo, enquanto entregava outro a
ela. - Imaginei que fosse precisar de um pouco de café.
- Onde
comprou isso? – perguntou Jean.
- Na
loja de conveniência. Fica mais adiante na estrada. Até onde sei, é o único
lugar em Vandemere que vende café. Mas não deve ser tão bom quanto o que você
tomou na sexta de manhã.
Scott
ficou observando-a enquanto ela pegava o copo e se sentava ao seu lado.
-
Dormiu bem?
-
Dormi - respondeu ela. - E você?
- Não
muito. - Ele encolheu de leve os ombros antes de desviar o olhar, voltando a se
concentrar nas flores. - A chuva finalmente parou - comentou.
- Eu
percebi.
- É
melhor eu lavar o carro quando voltarmos à casa de Charles - disse ele. - Posso
ligar para Hank MaCoy, se você quiser.
- Não,
eu ligo - falou ela. - Devemos nos falar, de qualquer maneira. –Jean sabia que
aquela conversa sem sentido era apenas uma maneira de evitar o óbvio.
- Você
não está bem, está?
Ele
encurvou os ombros, mas ficou calado.
- Está
chateado - sussurrou ela, sentindo um aperto no coração.
- Não
- respondeu ele, surpreendendo-a. Então passou o braço ao seu redor. - Nem um pouco.
Por que estaria? - Scott se inclinou para mais perto, beijando-a com ternura
antes de
recuar lentamente.
- Olhe
- começou ela -, sobre ontem à noite...
- Sabe
o que eu encontrei? - interrompeu ele. - Enquanto estava sentado aqui?
Ela
balançou a cabeça, confusa.
- Um
trevo de quatro folhas - falou Scott. - Bem aqui em frente aos degraus, logo
antes de você acordar. - Ele lhe entregou a planta delicada dentro de um pedaço
dobrado de papel.
- É sinal de sorte. Pensei muito sobre isso esta manhã.
Jean notou
uma inquietude na voz de Scott e teve um mau pressentimento.
- Do
que você está falando? - perguntou ela baixinho.
- De
sorte, fantasmas, destino.
Suas
palavras não diminuíram em nada a confusão que Jean sentia e ela ficou observando
enquanto ele tomava outro gole de café. Scott baixou o copo e seu olhar se perdeu
ao longe.
- Eu
quase morri - disse ele enfim. - Não sei. Talvez devesse ter morrido. A queda em
si deveria ter me matado. Ou a explosão. Droga, eu provavelmente deveria ter
morrido dois dias atrás...
Ele
deixou a frase no ar, imerso em pensamentos.
- Você
está me assustando - disse ela enfim.
Scott
ajeitou a coluna, voltando sua atenção para Jean.
-
Houve um incêndio na plataforma na primavera - começou ele.
Então
lhe contou tudo: sobre o fogo que se transformara em um inferno no convés e a
queda na água.
Quando
ele terminou, Jean sentia seu coração acelerado enquanto tentava compreender o
que ouvira.
- Eu estava
pensando em você. E, desde que você entrou na minha
vida, tem sido sempre assim. Porque amo você.
Ela
baixou o olhar.
- Scott...
- Não
precisa dizer nada.
-
Preciso, sim - insistiu Jean aproximando-se de Scott, seus lábios
encontrando os dele.
Quando
se separaram, as palavras saíram tão naturalmente quanto sua respiração:
- Eu
te amo, Scott Summers.
- Eu
sei - falou ele, deslizando o braço em volta da cintura de Jean. - Eu também te
amo.
O amor vem em círculos
E o amor precisa ter seu próprio tempo
Se curvando e rompendo, não pegando uma linha reta
Nunca conheci outro amor eterno e verdadeiro
Oh, mas conheci, é, conheci com você
A
tempestade havia arrancado a umidade do ar, deixando para trás um céu azul e o
doce perfume das flores. Um ou outro pingo d'água ainda caía do telhado,
aterrissando nas samambaias
e trepadeiras e fazendo-as cintilar sob a suave luz dourada. Scott continuava
com o braço ao redor de Jean, que saboreava a pressão do próprio corpo contra o
dele.
Depois
que Jean embrulhou o trevo de volta e o guardou em seu bolso, eles se levantaram
e passearam pela propriedade, caminhando abraçados. Contornando o jardim - o
caminho que haviam usado no dia anterior estava lamacento -, eles deram a volta
até os fundos.
Na
varanda, Scott a puxou para perto, beijando-a mais uma vez. Jean o beijou invadida
pela certeza de seu amor por ele. Quando enfim se separaram, ela ouviu o som distante
do toque de um celular. Era o seu telefone, lembrando-a da vida que ela ainda tinha
fora dali. Ao ouvir o som, Jean baixou a cabeça, relutante, e Scott fez o mesmo.
Suas testas se encontraram enquanto o toque persistia, e Jean fechou os olhos.
Depois
do que pareceu uma eternidade, o telefone silenciou. Ela abriu os olhos e
encarou Scott, esperando que ele entendesse.
Ele
assentiu e estendeu a mão para a porta, abrindo-a para ela. Jean entrou na casa,
virando-se ao entender que ele não iria segui-la. Depois de observá-lo
sentar-se no degrau, forçou-se a ir em direção ao quarto. Pegou sua bolsa e
fisgou o celular. Havia dezenas de chamadas perdidas.
Sentiu-se
enjoada imediatamente, sua cabeça a mil por hora. Foi para o banheiro arrancando
as roupas no caminho. Por instinto, fez uma lista mental do que precisava
fazer, do que
iria dizer. Ligou o chuveiro e vasculhou os armários em busca de xampu e sabonete,
felizmente encontrando os dois.
Entrou debaixo d'água, tentando se livrar da sensação
de pânico. Em seguida, enxugou-se e tornou a vestir suas roupas, secando os cabelos
da melhor forma possível. Por fim, aplicou com cuidado a pouca maquiagem que sempre
carregava consigo. Andou depressa pelo quarto, arrumando-o. Fez a cama e colocou
os travesseiros de volta no lugar. Depois pegou a garrafa de vinho, derramou o resto
do conteúdo na pia e a jogou na lixeira. Parou, pensando em pegá-la de volta e
leva-la, mas a deixou onde estava. Apanhou as taças quase vazias de cima das
mesas de canto.
Enxaguou-as, depois as secou e guardou no armário da cozinha. Ocultando as provas.
Mas
ainda havia os telefonemas. As chamadas perdidas. As mensagens. Ela teria que
mentir. Contar a Logan onde havia passado a noite estava fora de questão. Não
conseguia suportar
a idéia do que seus filhos poderiam pensar. Ou sua mãe. Jean precisava consertar
aquilo. De certa forma, precisava consertar tudo, no entanto, por trás desse pensamento,
uma voz persistente sussurrava a seguinte pergunta: Viu o que você fez? Vi. Mas eu o amo, respondia
outra voz.
Parada
ali, tomada de emoção, Jean teve vontade de chorar. E talvez tivesse chorado, se,
no instante seguinte, prevendo sua angústia, Scott não entrasse na pequena
cozinha.
Ele a
tomou nos braços e sussurrou novamente que a amava. Então, por um breve
instante, por mais impossível que parecesse, ela sentiu que tudo daria certo.
Os
dois ficaram calados durante o trajeto de volta a Oriental. Scott percebia
a ansiedade de Jean e sabia que era melhor não dizer nada, mas segurava com
força o volante.
A
garganta de Jean parecia irritada, mas ela sabia que era só nervosismo. O fato
de Scott estar ao seu lado era a única coisa que a impedia de desmoronar. Sua
mente ia de lembranças e planos a sentimentos e preocupações, um caleidoscópio
que mudava a cada curva da estrada. Imersa em pensamentos, ela mal notava os
quilômetros que ficavam para trás.
Chegaram
a Oriental pouco depois do meio-dia e passaram pela marina. Em alguns minutos, estavam
pegando o acesso à casa de Charles. Jean notou vagamente que Scott havia
ficado tenso, inclinado sobre o volante enquanto vasculhava as árvores que ladeavam
a trilha. Mas, quando o carro começou a desacelerar, o rosto de Scott assumiu uma expressão de incredulidade.
Acompanhando
seu olhar, Jean se virou em direção à casa. Ela e a oficina pareciam estar como
antes e os carros continuavam estacionados no mesmo lugar. Porém, quando viu o
que Scott já havia notado, ela percebeu que não sentia quase nada. Sabia, desde
o início, que isso poderia acontecer.
Scott
diminuiu a velocidade e parou o carro. Jean se virou para ele com um sorriso frágil,
tentando assegurar que poderia dar conta daquilo.
- Ela
deixou três mensagens - falou Jean, encolhendo os ombros com impotência.
Scott
assentiu, entendendo que ela precisaria enfrentar aquilo sozinha. Depois de respirar
fundo, Jean abriu a porta e saiu do carro, nem um pouco surpresa ao ver que a mãe
parecia ter se dado o trabalho de se vestir de acordo com a ocasião.
Scott
ficou observando Jean seguir direto para a casa, permitindo que a mãe a seguisse
se quisesse. Elayne pareceu não saber o que fazer. Era óbvio que nunca havia estado
na casa de Charles antes - e não seria seu destino ideal se você estivesse com
terninho creme e colar de pérolas, principalmente depois de uma tempestade.
Hesitante, ela olhou na direção de Scott. Encarou-o firme, o rosto impassível,
como se reagir à sua presençafosse indigno dela.
Por
fim, deu meia-volta e seguiu a filha até a varanda. A essa altura, Jean já
tinha sentado em uma das cadeiras de balanço. Scott voltou a dar partida no
carro e seguiu lentamente
em direção à oficina.
Uma
vez lá, saiu do veículo e se recostou na bancada. Não podia imaginar o que Jean
diria à mãe e, de onde estava, já não conseguia vê-las. Enquanto corria os
olhos pela oficina, algo atiçou sua memória, algo que Hank MaCoy tinha falado
durante a reunião em seu escritório. Ele dissera que Jean e Scott saberiam
quando ler as cartas que Charles lhes escrevera. De repente, ele teve certeza
de que o amigo iria querer que ele lesse a sua naquele momento. Provavelmente
havia previsto o desenrolar dos acontecimentos.
Enfiando
a mão no bolso de trás da calça, Scott pegou o envelope. Passou o dedo sobre seu
nome ao desdobrá-lo.
Virou
o envelope e o abriu. No silêncio da oficina que um
dia fora seu lar, Scott se concentrou nas palavras e começou a ler.
Scott,
Não sei como exatamente começar esta carta, a não ser
dizendo-lhe que, ao longo dos anos, passei a conhecer Jean muito bem. Gostaria
de pensar que ela não mudou desde a primeira vez em que a vi, mas não posso afirmar
isso. Naquela época, vocês dois eram bastante reservados e, como a maioria dos
jovens, paravam tudo o que estivessem fazendo quando eu aparecia. Isso não me
incomodava, por sinal. Moira e eu também éramos assim. Duvido que o pai dela
tenha sequer ouvido minha voz antes de nos casarmos, mas essa é outra história.
O que quero dizer é que não sei quem ela era,mas sei quem ela é hoje em dia, e
digamos apenas que agora entendo por que você nunca conseguiu esquecê-la. Jean é uma pessoa muito
bondosa. Tem muito amor, muita paciência, além de ser inteligente que só e uma
das coisas mais bonitas que já andaram pelas ruas desta cidade, isso eu garanto. Mas
acho que é sua gentileza que mais me encanta, pois estou neste mundo há tempo
suficiente para saber como essa é uma qualidade rara.
Duvido que esteja dizendo algo que você não saiba, mas,
durante os últimos anos,passei a considerá-la uma filha. Isso significa que
devo falar com você como talvez o pai dela tivesse falado, pois um pai não serve
de muita coisa se não se preocupar um pouco. Principalmente com ela. Acima de
tudo, você precisa entender que Jean está sofrendo - e acredito que esteja
sofrendo há muito tempo. Percebi isso na primeira vez em que ela veio me visitar
e torci para que fosse apenas uma fase, porém, quanto mais ela vinha, pior
parecia estar. De vez em quando eu acordava e a via zanzando pela oficina, então comecei a entender que você era parte do
que fazia com que ela ficassedaquela forma. Jean estava sendo assombrada pelo
passado, assombrada por você.
Mas acredite quando digo que nossas lembranças são
curiosas. Às vezes
são fiéis, mas outras vezes se transformam no que queremos que sejam. E acho
que, à sua maneira, Jean estava tentando descobrir o que o passado realmente
significava para ela. Foi por isso que me dei o trabalho de armar este fim de
semana. Tinha um palpite de que rever você seria a única maneira de Jean
encontrar a saída dessa escuridão.
Mas, como disse, ela está sofrendo. E se aprendi algo
nesta vida é que, quando as pessoas sofrem, nem sempre conseguem ver as coisas
com a clareza que deveriam.
Jean chegou a um momento da vida em que precisa tomar
algumas decisões e é aí que você entra. Vocês dois têm que resolver o que vai
acontecer a seguir, mas não se esqueça de que talvez ela necessite de mais tempo
do que você. Talvez até mude de idéia algumas vezes. Mas, quando finalmente se
decidir, ambos precisam aceitar essa decisão. E, se por algum motivo as coisas
não derem certo entre vocês, então você não poderá mais olhar para trás. Senão,
no fim das contas, isso vai destruí-lo. E a Jean também. Nenhum de vocês pode
seguir adiante arrependido, pois o arrependimento suga a vida de qualquer
pessoa. Só de pensar nisso, sinto meu coração se partir. Afinal, se passei a
considerar Jean uma filha, também passei a considerá-lo um filho. E, se tivesse
direito a apenas um desejo antes de morrer, seria saber que vocês dois,
minhas duas crianças, encontrarão uma maneira de ficar bem.
Charles
O amor é o motivo pelo qual
Os milagres nunca morrem
Eles continuam vivendo
Como uma canção, como uma canção
Nos corações daqueles que você deixou pra trás
Oh, sim

0 Comentários