Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor? Tipo: Romance/Drama Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos! Base: Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P Sugestão: Nada a declarar! 
 Múltiplos Capítulos (em andamento)

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Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)
https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY








Quando acordou na manhã de domingo, Jean precisou de alguns segundos para reconhecer onde estava e se lembrar da noite anterior. Pássaros cantavam lá fora e a luz d sol entrava pela pequena fresta entre as cortinas. Ela rolou devagar na cama e então descobriu que o espaço ao seu lado estava vazio. Sentiu uma pontada de decepção, seguida quase imediatamente por uma sensação de perplexidade.

Sentando-se na cama, ela puxou o lençol contra o corpo enquanto olhava para o banheiro e se perguntava onde Scott poderia estar. Ao perceber que as roupas dele não estavam ali, envolveu-se com o lençol e foi até a porta do quarto. Espiando pelo vão, pôde vê-lo sentado nos degraus da varanda da frente. Voltou para dentro, vestiu-se às pressas e entrou no banheiro. Penteou rapidamente os cabelos e seguiu a passos leves em direção à porta da frente. Precisava conversar com Scott e certamente ele precisava conversar com ela.


Ele se virou ao ouvir a porta se abrir com um rangido. Sorriu para ela, a barba por fazer emprestando-lhe um ar travesso.


- Olá - falou ele, um copo de isopor aninhado no colo, enquanto entregava outro a ela. - Imaginei que fosse precisar de um pouco de café. 


- Onde comprou isso? – perguntou Jean.


- Na loja de conveniência. Fica mais adiante na estrada. Até onde sei, é o único lugar em Vandemere que vende café. Mas não deve ser tão bom quanto o que você tomou na sexta de manhã.


Scott ficou observando-a enquanto ela pegava o copo e se sentava ao seu lado.


- Dormiu bem?


- Dormi - respondeu ela. - E você?


- Não muito. - Ele encolheu de leve os ombros antes de desviar o olhar, voltando a se concentrar nas flores. - A chuva finalmente parou - comentou.


- Eu percebi.


- É melhor eu lavar o carro quando voltarmos à casa de Charles - disse ele. - Posso ligar para Hank MaCoy, se você quiser.


- Não, eu ligo - falou ela. - Devemos nos falar, de qualquer maneira. –Jean sabia que aquela conversa sem sentido era apenas uma maneira de evitar o óbvio.


- Você não está bem, está?


Ele encurvou os ombros, mas ficou calado.


- Está chateado - sussurrou ela, sentindo um aperto no coração.


- Não - respondeu ele, surpreendendo-a. Então passou o braço ao seu redor. - Nem um pouco. Por que estaria? - Scott se inclinou para mais perto, beijando-a com ternura antes de recuar lentamente.

- Olhe - começou ela -, sobre ontem à noite...


- Sabe o que eu encontrei? - interrompeu ele. - Enquanto estava sentado aqui?
 

Ela balançou a cabeça, confusa.


- Um trevo de quatro folhas - falou Scott. - Bem aqui em frente aos degraus, logo antes de você acordar. - Ele lhe entregou a planta delicada dentro de um pedaço dobrado de papel. - É sinal de sorte. Pensei muito sobre isso esta manhã. 
 
Jean notou uma inquietude na voz de Scott e teve um mau pressentimento.

- Do que você está falando? - perguntou ela baixinho.


- De sorte, fantasmas, destino.


Suas palavras não diminuíram em nada a confusão que Jean sentia e ela ficou observando enquanto ele tomava outro gole de café. Scott baixou o copo e seu olhar se perdeu ao longe.


- Eu quase morri - disse ele enfim. - Não sei. Talvez devesse ter morrido. A queda em si deveria ter me matado. Ou a explosão. Droga, eu provavelmente deveria ter morrido dois dias atrás...


Ele deixou a frase no ar, imerso em pensamentos.


- Você está me assustando - disse ela enfim.


Scott ajeitou a coluna, voltando sua atenção para Jean.


- Houve um incêndio na plataforma na primavera - começou ele.


Então lhe contou tudo: sobre o fogo que se transformara em um inferno no convés e a queda na água.

Quando ele terminou, Jean sentia seu coração acelerado enquanto tentava compreender o que ouvira.


- Eu estava pensando em você. E, desde que você entrou na minha vida, tem sido sempre assim. Porque amo você.

Ela baixou o olhar.


- Scott...


- Não precisa dizer nada.


- Preciso, sim - insistiu Jean aproximando-se de Scott, seus lábios encontrando os dele.


Quando se separaram, as palavras saíram tão naturalmente quanto sua respiração:


- Eu te amo, Scott Summers.


- Eu sei - falou ele, deslizando o braço em volta da cintura de Jean. - Eu também te amo.



O amor vem em círculos
E o amor precisa ter seu próprio tempo
Se curvando e rompendo, não pegando uma linha reta
Nunca conheci outro amor eterno e verdadeiro
Oh, mas conheci, é, conheci com você



A tempestade havia arrancado a umidade do ar, deixando para trás um céu azul e o doce perfume das flores. Um ou outro pingo d'água ainda caía do telhado, aterrissando nas samambaias e trepadeiras e fazendo-as cintilar sob a suave luz dourada. Scott continuava com o braço ao redor de Jean, que saboreava a pressão do próprio corpo contra o dele.

Depois que Jean embrulhou o trevo de volta e o guardou em seu bolso, eles se levantaram e passearam pela propriedade, caminhando abraçados. Contornando o jardim - o caminho que haviam usado no dia anterior estava lamacento -, eles deram a volta até os fundos.


Na varanda, Scott a puxou para perto, beijando-a mais uma vez. Jean o beijou invadida pela certeza de seu amor por ele. Quando enfim se separaram, ela ouviu o som distante do toque de um celular. Era o seu telefone, lembrando-a da vida que ela ainda tinha fora dali. Ao ouvir o som, Jean baixou a cabeça, relutante, e Scott fez o mesmo. Suas testas se encontraram enquanto o toque persistia, e Jean fechou os olhos.


Depois do que pareceu uma eternidade, o telefone silenciou. Ela abriu os olhos e encarou Scott, esperando que ele entendesse.


Ele assentiu e estendeu a mão para a porta, abrindo-a para ela. Jean entrou na casa, virando-se ao entender que ele não iria segui-la. Depois de observá-lo sentar-se no degrau, forçou-se a ir em direção ao quarto. Pegou sua bolsa e fisgou o celular. Havia dezenas de chamadas perdidas.


Sentiu-se enjoada imediatamente, sua cabeça a mil por hora. Foi para o banheiro arrancando as roupas no caminho. Por instinto, fez uma lista mental do que precisava fazer, do que iria dizer. Ligou o chuveiro e vasculhou os armários em busca de xampu e sabonete, felizmente encontrando os dois. 

Entrou debaixo d'água, tentando se livrar da sensação de pânico. Em seguida, enxugou-se e tornou a vestir suas roupas, secando os cabelos da melhor forma possível. Por fim, aplicou com cuidado a pouca maquiagem que sempre carregava consigo. Andou depressa pelo quarto, arrumando-o. Fez a cama e colocou os travesseiros de volta no lugar. Depois pegou a garrafa de vinho, derramou o resto do conteúdo na pia e a jogou na lixeira. Parou, pensando em pegá-la de volta e leva-la, mas a deixou onde estava. Apanhou as taças quase vazias de cima das mesas de canto. Enxaguou-as, depois as secou e guardou no armário da cozinha. Ocultando as provas.


Mas ainda havia os telefonemas. As chamadas perdidas. As mensagens. Ela teria que mentir. Contar a Logan onde havia passado a noite estava fora de questão. Não conseguia suportar a idéia do que seus filhos poderiam pensar. Ou sua mãe. Jean precisava consertar aquilo. De certa forma, precisava consertar tudo, no entanto, por trás desse pensamento, uma voz persistente sussurrava a seguinte pergunta: Viu o que você fez? Vi. Mas eu o amo, respondia outra voz.

Parada ali, tomada de emoção, Jean teve vontade de chorar. E talvez tivesse chorado, se, no instante seguinte, prevendo sua angústia, Scott não entrasse na pequena cozinha.


Ele a tomou nos braços e sussurrou novamente que a amava. Então, por um breve instante, por mais impossível que parecesse, ela sentiu que tudo daria certo.


Os dois ficaram calados durante o trajeto de volta a Oriental. Scott percebia a ansiedade de Jean e sabia que era melhor não dizer nada, mas segurava com força o volante.

A garganta de Jean parecia irritada, mas ela sabia que era só nervosismo. O fato de Scott estar ao seu lado era a única coisa que a impedia de desmoronar. Sua mente ia de lembranças e planos a sentimentos e preocupações, um caleidoscópio que mudava a cada curva da estrada. Imersa em pensamentos, ela mal notava os quilômetros que ficavam para trás.


Chegaram a Oriental pouco depois do meio-dia e passaram pela marina. Em alguns minutos, estavam pegando o acesso à casa de Charles. Jean notou vagamente que Scott havia ficado tenso, inclinado sobre o volante enquanto vasculhava as árvores que ladeavam a trilha. Mas, quando o carro começou a desacelerar, o rosto de Scott  assumiu uma expressão de incredulidade.

Acompanhando seu olhar, Jean se virou em direção à casa. Ela e a oficina pareciam estar como antes e os carros continuavam estacionados no mesmo lugar. Porém, quando viu o que Scott já havia notado, ela percebeu que não sentia quase nada. Sabia, desde o início, que isso poderia acontecer.

Scott diminuiu a velocidade e parou o carro. Jean se virou para ele com um sorriso frágil, tentando assegurar que poderia dar conta daquilo.


- Ela deixou três mensagens - falou Jean, encolhendo os ombros com impotência.


Scott assentiu, entendendo que ela precisaria enfrentar aquilo sozinha. Depois de respirar fundo, Jean abriu a porta e saiu do carro, nem um pouco surpresa ao ver que a mãe parecia ter se dado o trabalho de se vestir de acordo com a ocasião.







Scott ficou observando Jean seguir direto para a casa, permitindo que a mãe a seguisse se quisesse. Elayne pareceu não saber o que fazer. Era óbvio que nunca havia estado na casa de Charles antes - e não seria seu destino ideal se você estivesse com terninho creme e colar de pérolas, principalmente depois de uma tempestade. Hesitante, ela olhou na direção de Scott. Encarou-o firme, o rosto impassível, como se reagir à sua presençafosse indigno dela.
 
Por fim, deu meia-volta e seguiu a filha até a varanda. A essa altura, Jean já tinha sentado em uma das cadeiras de balanço. Scott voltou a dar partida no carro e seguiu lentamente em direção à oficina.

Uma vez lá, saiu do veículo e se recostou na bancada. Não podia imaginar o que Jean diria à mãe e, de onde estava, já não conseguia vê-las. Enquanto corria os olhos pela oficina, algo atiçou sua memória, algo que Hank MaCoy tinha falado durante a reunião em seu escritório. Ele dissera que Jean e Scott saberiam quando ler as cartas que Charles lhes escrevera. De repente, ele teve certeza de que o amigo iria querer que ele lesse a sua naquele momento. Provavelmente havia previsto o desenrolar dos acontecimentos.


Enfiando a mão no bolso de trás da calça, Scott pegou o envelope. Passou o dedo sobre seu nome ao desdobrá-lo.

Virou o envelope e o abriu. No silêncio da oficina que um dia fora seu lar, Scott se concentrou nas palavras e começou a ler.

Scott,

Não sei como exatamente começar esta carta, a não ser dizendo-lhe que, ao longo dos anos, passei a conhecer Jean muito bem. Gostaria de pensar que ela não mudou desde a primeira vez em que a vi, mas não posso afirmar isso. Naquela época, vocês dois eram bastante reservados e, como a maioria dos jovens, paravam tudo o que estivessem fazendo quando eu aparecia. Isso não me incomodava, por sinal. Moira e eu também éramos assim. Duvido que o pai dela tenha sequer ouvido minha voz antes de nos casarmos, mas essa é outra história. O que quero dizer é que não sei quem ela era,mas sei quem ela é hoje em dia, e digamos apenas que agora entendo por que você nunca conseguiu esquecê-la. Jean é uma pessoa muito bondosa. Tem muito amor, muita paciência, além de ser inteligente que só e uma das coisas mais bonitas que já andaram pelas ruas desta cidade, isso eu garanto. Mas acho que é sua gentileza que mais me encanta, pois estou neste mundo há tempo suficiente para saber como essa é uma qualidade rara.


 Duvido que esteja dizendo algo que você não saiba, mas, durante os últimos anos,passei a considerá-la uma filha. Isso significa que devo falar com você como talvez o pai dela tivesse falado, pois um pai não serve de muita coisa se não se preocupar um pouco. Principalmente com ela. Acima de tudo, você precisa entender que Jean está sofrendo - e acredito que esteja sofrendo há muito tempo. Percebi isso na primeira vez em que ela veio me visitar e torci para que fosse apenas uma fase, porém, quanto mais ela vinha, pior parecia estar. De vez em quando eu acordava e a via zanzando pela oficina, então comecei a entender que você era parte do que fazia com que ela ficassedaquela forma. Jean estava sendo assombrada pelo passado, assombrada por você.
 
Mas acredite quando digo que nossas lembranças são curiosas. Às vezes são fiéis, mas outras vezes se transformam no que queremos que sejam. E acho que, à sua maneira, Jean estava tentando descobrir o que o passado realmente significava para ela. Foi por isso que me dei o trabalho de armar este fim de semana. Tinha um palpite de que rever você seria a única maneira de Jean encontrar a saída dessa escuridão.


Mas, como disse, ela está sofrendo. E se aprendi algo nesta vida é que, quando as pessoas sofrem, nem sempre conseguem ver as coisas com a clareza que deveriam.


Jean chegou a um momento da vida em que precisa tomar algumas decisões e é aí que você entra. Vocês dois têm que resolver o que vai acontecer a seguir, mas não se esqueça de que talvez ela necessite de mais tempo do que você. Talvez até mude de idéia algumas vezes. Mas, quando finalmente se decidir, ambos precisam aceitar essa decisão. E, se por algum motivo as coisas não derem certo entre vocês, então você não poderá mais olhar para trás. Senão, no fim das contas, isso vai destruí-lo. E a Jean também. Nenhum de vocês pode seguir adiante arrependido, pois o arrependimento suga a vida de qualquer pessoa. Só de pensar nisso, sinto meu coração se partir. Afinal, se passei a considerar Jean uma filha, também passei a considerá-lo um filho. E, se tivesse direito a apenas um desejo antes de morrer, seria saber que vocês dois, minhas duas crianças, encontrarão uma maneira de ficar bem.

Charles



O amor é o motivo pelo qual
Os milagres nunca morrem
Eles continuam vivendo
Como uma canção, como uma canção
Nos corações daqueles que você deixou pra trás
Oh, sim