Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?Tipo: Romance/Drama Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos! Base: Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P Sugestão: Nada a declarar! 
 Múltiplos Capítulos (em andamento)

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Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)
https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY






Sua mãe estava sentada na varanda da frente quando Jean chegou. Bebericava um copo de chá gelado e uma música tocava baixinho no rádio. Jean passou por ela sem dizer nada, subindo as escadas em direção ao quarto. Ligou o chuveiro, tirou as roupas e ficou nua em frente ao espelho. Sentia-se esgotada, um jarro vazio.

O jato d'água forte açoitou sua pele como um castigo. Quando finalmente saiu do banho,vestiu uma calça jeans e uma blusa de algodão simples antes de guardar o restante de suas coisas na mala. O trevo, Jean o depositou em um compartimento com zíper em sua bolsa de mão. Como de hábito, tirou os lençóis da cama e os levou para a área de serviço.

Então os jogou dentro da máquina de lavar, agindo no piloto automático.
De volta ao quarto, deu prosseguimento à lista de coisas a fazer. Lembrou-se de que o refrigerador de casa precisava ser consertado. Esquecera-se de providenciar isso antes de sair. Também precisava começar a se preparar para o evento de arrecadação de fundos.

Vinha adiando aquilo fazia algum tempo, mas, quando menos percebesse, já seria setembro. Precisava contratar um bufê e seria boa idéia começar a pedir doações para comprar presentes. Rachel precisava se inscrever no curso preparatório para os exames seletivos para a faculdade e ela não conseguia se lembrar se tinha ou não feito o depósito para o alojamento de Nathan.

Fazer planos. Deixar o fim de semana para trás, retornar à vida real. Como a água do chuveiro lavando o cheiro de Scott de sua pele, isso parecia uma espécie de castigo.
Porém, mesmo quando sua mente começou a desacelerar, Jean se deu conta de que não estava pronta para descer. Em vez disso, sentou-se na cama observando a luz do sol se espalhar delicadamente pelo quarto. Lembrou-se da maneira como Scott havia ficado parado em frente à casa de Charles. A imagem era clara, tão vivida como se estivesse acontecendo novamente - e, contra a própria vontade e contra tudo, ela teve a súbita certeza de estar tomando a decisão errada. Ela ainda poderia voltar para Scott e eles encontrariam uma maneira de fazer tudo dar certo, por maiores que fossem os percalços.

Com o tempo, seus filhos iriam perdoá-la. Com o tempo, ela mesma iria se perdoar. Mas, ainda assim, Jean continuou paralisada, incapaz de um só movimento. - Eu te amo sussurrou ela no quarto silencioso, sentindo seu futuro ser soprado para longe como grãos de areia, um futuro que já lhe parecia quase um sonho.

 ~.~

Nathan adorara o fato de a mãe estar fora da cidade, pois isso significava que ele podia ficar na rua até quando bem entendesse. Aquela história de ter hora para voltar para casa era ridícula. Ele estava na faculdade e lá ninguém tinha hora para voltar, mas, pelo jeito, sua mãe não fora informada disso. Quando ela voltasse de Oriental, Nathan iria precisar esclarecer essa questão.

Não que isso tivesse sido um problema nos últimos dias. Quando seu pai dormia, era como se morresse para o mundo, de modo que Nathan pudera voltar à hora que quisesse. Na sexta, tinha ficado na rua até as duas e, na noite anterior, só havia voltado para casa depois das três. O pai não havia percebido nada. Ou talvez houvesse, mas Nathan não tinha como saber.
Quando acordou, ele já estava no campo de golfe com o amigo.

Mas as noitadas tinham acabado com ele. Depois de vasculhar a geladeira em busca de algo para comer, Nathan decidiu voltar para o quarto e tirar uma soneca. Às vezes não havia nada melhor do que um cochilo no meio da tarde. Rachel tinha viajado com uma amiga e seus pais estavam fora. Em outras palavras, a casa estava silenciosa, ou pelo menos mais silenciosa do que tinha estado durante todo o verão. Espreguiçando-se na cama, ficou na dúvida sobre se deveria ou não desligar o celular. 

Por um lado, não queria ser incomodado, mas, por outro, Anna poderia ligar. Eles tinham
saído na sexta à noite, depois ido a uma festa juntos no sábado - e, embora não estivessem namorando há muito tempo, Nathan gostava dela. Na verdade, gostava muito.
Ele deixou o telefone ligado e se deitou na cama. Poucos minutos depois, havia caído no sono.

 ~.~

Depois de lavar o Stingray, Scott largou a mangueira e foi até o riacho atrás da casa de Charles. Havia esquentado à tarde e o calor agora era forte demais para que as tainhas saltassem, o que deixava a superfície da água tão inerte quanto uma lâmina de vidro. Não havia o menor movimento, e Scott se viu recordando seus últimos instantes com Jean.

À medida que ela se afastava, Scott teve que se esforçar para não sair correndo atrás dela e tentar mais uma vez convencê-la a mudar de idéia. Queria lhe dizer novamente quanto a amava. Mas, em vez disso, ficou observando-a ir embora, sabendo, no fundo do coração, que aquela seria a última vez que a veria e perguntando-se como fora capaz de deixá-la partir de novo.

Ele não deveria ter voltado a Oriental. Não pertencia àquele lugar e nunca havia pertencido. Não havia nada ali para ele. Era hora de partir. Sabia que estava abusando da sorte ao ficar tanto tempo na cidade tendo os primos atrás dele. Dando as costas para o riacho, ele contornou a lateral da casa e seguiu em direção a seu carro. Tinha só mais um lugar para ir. Depois disso, deixaria Oriental para sempre.

Me lembro de pensar no 'para sempre'
Sentado lá com você ao meu lado no rio
Dançamos no sinal
E nos apaixonamos pela primeira vez



Jean não sabia ao certo quanto tempo tinha ficado no quarto. Uma ou duas horas, talvez mais. Sempre que olhava pela janela, via a mãe sentada na varanda com um livro aberto no colo. Ela cobrira a comida para manter as moscas afastadas. Não tinha subido nenhuma vez para ver se a filha estava bem desde que Jean voltara para casa, mas ela não esperava por isso. As duas se conheciam bem o suficiente para saber que ela desceria quando estivesse pronta. Logan havia ligado mais cedo, do campo de golfe. Não se alongara na conversa, mas Jean ouvira a bebida em sua voz. Dez anos a haviam ensinado a reconhecer os sinais. Por mais que ela não estivesse disposta a conversar, Logan não havia notado. Não porque estivesse bêbado, o que obviamente estava, mas porque, embora tivesse começado jogando muito mal, tinha terminado a partida com uma média de tacadas excelente. 

Provavelmente pela primeira vez na vida, Jean ficara feliz por ele estar bebendo. Sabia que Logan estaria tão cansado quando ela chegasse que quase com certeza pegaria no sono bem antes de ela ir para a cama. A última coisa que queria era encontrá-lo pensando em sexo. Não conseguiria suportar, não naquela noite.

Ainda assim, não estava pronta para descer. Em vez disso, levantou-se da cama, foi ao banheiro, vasculhou no armário de remédios e encontrou um frasco de colírio. Pingou algumas gotas nos olhos vermelhos e inchados e então passou uma escova pelos cabelos.

Não adiantou muita coisa, mas ela não deu importância: sabia que Logan não iria notar.
Mas Scott teria notado. E, como Scott, ela se importaria com sua aparência. Jean tornou a pensar nele, como não deixara de fazer desde que voltara para a casa da mãe, mas
tentava manter as emoções sob controle. Ao olhar para as malas que tinha feito mais cedo, viu a beirada de um envelope despontando da bolsa. Ela o puxou, notando seu nome escrito no garrancho trêmulo de Charles. Voltando a sentar-se na cama, rompeu o lacre e tirou a carta do envelope, pensando, estranhamente, que Charles teria as respostas de que precisava.

Querida Jean,
Quando ler estas palavras, você provavelmente estará se debatendo com algumas das escolhas mais difíceis de sua vida e, sem dúvida, terá a sensação de que seu mundo está desmoronando.
Se estiver se perguntando como sei disso, digamos apenas que passei a conhece-la muito bem ao longo dos últimos anos. Sempre me preocupei com você, Jean. Mas não é sobre isso que quero falar. Não posso lhe dizer o que fazer e duvido que consiga acrescentar algo que a faça se sentir melhor. Em vez disso, quero lhe contar uma história. Ela também é sobre mim e Moira, mas uma que você ainda não conhece, pois nunca consegui encontrar a maneira certa de contá-la. Tive vergonha e acho que temi que você parasse de me visitar por pensar que eu estivesse mentindo o tempo todo.
Moira não era um fantasma. Isso não quer dizer que eu não a visse nem ouvisse. Não estou dizendo que essas coisas não aconteçam, porque aconteceram. Tudo o que está na carta que escrevi para você e Scott é verdade. Eu a vi no dia em que voltei à cabana e, quanto mais cuidava das flores, mais claramente conseguia enxergá-la. O amor pode evocar muitas coisas, mas, no fundo, eu sabia que aquela não era a Moira real. Eu a via porque desejava isso e a escutava porque sentia sua falta. Acho que o que estou tentando dizer é que ela foi criação minha, só isso, mesmo que eu tenha tentado enganar a mim mesmo e pensar o contrário. Talvez você esteja se perguntando por que decidi lhe contar isso agora, então é melhor ir direto ao assunto. Eu me casei com Moira aos 17 e nós passamos 42 anos juntos, unindo nossas vidas de tal forma que pensei que elas jamais pudessem ser separadas. Quando ela morreu, os 28 anos seguintes foram tão dolorosos para mim que a maioria das pessoas - eu inclusive - pensou que eu tivesse enlouquecido.
Jean, você ainda é jovem. Pode não se sentir dessa forma, mas, para mim, ainda é apenas uma criança com uma longa vida pela frente. Acredite quando lhe digo: vivi com Moira de verdade e com o fantasma dela; uma me encheu de alegria, enquanto o outro foi apenas um tênue reflexo. Se você der as costas para Scott agora, vai passar o resto da vida com o fantasma do que poderia ter sido seu. Sei que, nesta vida, é inevitável magoarmos pessoas inocentes por conta das decisões que tomamos. Pode me chamar de velho egoísta, mas nunca quis que você fosse uma delas. Charles

Jean guardou a carta de volta na bolsa, certa de que Charles tinha razão. A verdade falava mais fundo nela do que qualquer outra coisa que tivesse sentido na vida, e ela mal podia respirar.

Com uma sensação de urgência que nem sequer conseguia entender, Jean juntou suas coisas e as carregou para o andar de baixo. Normalmente, ela as teria deixado ao lado da porta até que estivesse pronta para ir embora. Em vez disso, ela se viu girando a maçaneta e seguindo direto para o carro.
J
ogou a bagagem no porta-malas antes de dar a volta até o lado do motorista. Foi só então que percebeu a mãe em pé na varanda, observando-a.

Jean não falou nada, sua mãe tampouco. Ficaram simplesmente paradas, olhando uma para a outra. Jean teve a sensação de que a mãe sabia exatamente para onde ela estava indo, mas, com as palavras de Charles ainda ecoando em seus ouvidos, nada disso lhe importava. Tudo o que sabia era que precisava encontrar Scott.

Ele talvez ainda estivesse na casa de Charles, mas Jean achava que não.
De repente as palavras dele lhe vieram à cabeça, de forma quase inconsciente, e ela foi para trás do volante certa de onde ele estaria.

~.~

No cemitério, Scott saiu do carro e cruzou a pequena distância até a lápide de Erik Lensherr.
No passado, sempre que visitava o lugar, ele o fazia em horários de pouco movimento e se esforçava ao máximo para passar despercebido.

Daquela vez, no entanto, isso não seria possível. Os fins de semana costumavam ser concorridos e havia grupos de pessoas vagando pelas lápides. Ninguém parecia lhe dar atenção enquanto passava, mas Scott manteve a cabeça baixa assim mesmo.

Quando enfim chegou ao local, notou que as flores que havia deixado na manhã de sexta-feira ainda estavam ali, mas tinham sido movidas para o lado. Provavelmente pela pessoa
que cortara a grama. Agachando-se, Scott arrancou algumas das folhas mais longas que haviam sobrado perto da lápide. Seus pensamentos se voltaram para Jean e ele foiinvadido por uma enorme solidão. Ele sabia que sua vida havia sido amaldiçoada desde o início e, fechando os olhos, fez uma última oração por Erik, sem notar que outra sombra tinha acabado de se unir à sua. Sem notar que havia alguém parado bematrás dele.

~.~

Quando chegou à rua principal que cortava Oriental, Jean parou no cruzamento. Se dobrasse à esquerda, passaria pela marina e, alguns quilômetros depois, chegaria à casa de Charles. Se dobrasse à direita, sairia da cidade e acabaria chegando à rodovia que levava de volta à sua casa. Seguindo em frente, depois de uma cerca de ferro batido, estaria no cemitério. Era o maior da cidade e onde o Dr. Erik Lensher tinha sido enterrado. Ela se lembrou de que Scott dissera que talvez passasse por lá quando fosse embora.

Os portões do cemitério estavam abertos. Ela correu os olhos pela meia dúzia de veículos no estacionamento, procurando pelo carro alugado de Scott, e ficou sem fôlego quando o viu. Três dias atrás, ele o estacionara ao lado do seu ao chegar à casa de Charles. Mais cedo naquela mesma manhã, ela havia parado ao lado daquele mesmo carro enquanto ele a beijava uma última vez. Scott estava ali.

Ainda somos jovens, ele tinha dito. Ainda temos tempo de consertar isso. Seu pé estava no freio. Na rua principal, uma minivan passou ruidosamente em direção ao centro, tapando
sua visão por um instante. Fora isso, a rua estava deserta.

Se ela cruzasse a rua e estacionasse, sabia que conseguiria encontrá-lo. Pensou na carta de Charles, nos anos de sofrimento que ele havia suportado sem Moira, e teve certeza de que tinha tomado a decisão errada antes. Não conseguia imaginar uma vida sem Scott.

Jean já via a cena em sua mente. Ela surpreenderia Scott diante do túmulo do Dr. Lensher. Diria que tinha agido errado ao partir. Podia até sentir a felicidade que experimentaria quando ele a tomasse nos braços outra vez, sabendo que eles haviam nascido para ficar juntos.

Se Jean fosse atrás de Scott, não tinha dúvidas de que iria segui-lo aonde quer que ele fosse. Ou de que ele a seguiria. Mas, ainda assim, suas responsabilidades continuavam apesar em suas costas e, muito devagar, ela tirou o pé do freio. Em vez de seguir em frente, Jean se viu girando o volante, um soluço prendendo-se em seu peito à medida que pegava a estrada na direção de casa.

Me lembro de dizer a você que eu te amo
A estrela do norte surgiu em cima de você
E num momento pensei que todos os meus sonhos
Se tornariam realidade
Oh, mas alguns nunca se tornam reais





Um farfalhar às suas costas arrancou Scott de seus pensamentos e ele se levantou depressa. Surpreso, ele a reconheceu na mesma hora, mas se viu sem palavras.

- Você está aqui - afirmou Raven Lensher. - No túmulo do meu marido.

- Me desculpe - falou ele, baixando o olhar. - Não deveria ter vindo.

- Mas veio - disse Raven. - E também esteve aqui recentemente. – Quando Scott ficou calado, ela meneou a cabeça para as flores. - Sempre venho aqui depois da missa. Elas não estavam aqui no fim de semana passado e estão frescas demais para terem sido trazidas no começo da semana. Então deve ter sido... na sexta?

Scott engoliu em seco antes de responder.

- Sim, pela manhã.

O olhar dela continuava firme.

- Você também costumava fazer isso muitos anos atrás. Depois que saiu da prisão. Era você, não era?

Scott não falou nada.

- Achava mesmo que fosse - disse ela, suspirando enquanto dava um passo em direção à lápide.

Scott se afastou, abrindo espaço, enquanto Raven se concentrava na inscrição da pedra.

- Muitas pessoas trouxeram flores para Erik depois que ele morreu. E continuaram trazendo por um ou dois anos, mas depois acho que pararam de vir. Exceto eu. Durante um tempo, só eu trazia flores. Então, cerca de quatro anos depois de ele morrer, voltei a ver outras. Não o tempo todo, mas o suficiente para me deixar intrigada. Não fazia idéia de quem as estivesse trazendo. Perguntei aos meus pais, aos meus amigos, mas eles negaram. Durante algum tempo, cheguei a cogitar a possibilidade de que ele tivesse uma amante. Pode imaginar uma coisa dessas? - Ela balançou a cabeça e respirou fundo. - Foi sóquando as flores deixaram de aparecer que entendi que era você o responsável. Sabia que tinha saído da prisão e que estava em condicional. Cerca de um ano depois, também fiquei sabendo que tinha ido embora da cidade. Eu senti muita... raiva ao pensar que tinha sido você o tempo todo.

Aquela lembrança pareceu incomodá-la e ela cruzou os braços, como se tentasse se fechar - E então, hoje de manhã, tornei a ver as flores - continuou Raven. - Tive certeza de que isso significava que você tinha voltado. Não sabia bem se viria aqui hoje... mas, como era de esperar, você veio.

Scott enfiou as mãos nos bolsos, desejando de repente estar em qualquer parte, menos ali.

- Não vou mais visitar o túmulo de seu marido nem deixar flores de novo - murmurou ele. - Eu lhe dou minha palavra.

Ela o encarou.

- E você acha que isso compensa o fato de ter vindo aqui, para começo de conversa? Levando em conta o que fez? Levando em conta que meu marido está enterrado aqui, e não vivo e ao meu lado? Que ele perdeu a chance de ver nossos filhos crescerem?

- Não - respondeu ele.

- É claro que não - disse ela. - Porque se sente culpado pelo que fez. É por isso que vem nos mandando dinheiro durante todos esses anos, não é?

Scott queria mentir para ela, mas não conseguiu.

- Há quanto tempo a senhora sabe?

- Desde o primeiro cheque - falou Raven. - Você tinha passado na minha casa poucas semanas antes, lembra? Não foi tão difícil somar dois mais dois. - Ela hesitou. - Queria se desculpar, não foi? Pessoalmente. Quando bateu à minha porta naquele dia.

- Sim.

- E eu não deixei que fizesse isso. Falei... muitas coisas naquele dia. Coisas que talvez não devesse ter dito.

- A senhora tinha todo o direito de dizê-las.

A sombra de um sorriso se formou em seu rosto.

- Você tinha 22 anos. Eu vi um homem adulto na minha varanda, mas, com o passar do tempo, fui passando a acreditar que as pessoas não crescem de verdade antes de chegarem no mínimo aos 30. Meu filho é mais velho do que você era na época, mas ainda penso nele como uma criança.

- A senhora fez o que qualquer pessoa faria.

- Talvez - disse Raven, encolhendo muito de leve os ombros. Então se aproximou de Scott. - O dinheiro que você nos deu ajudou, e muito, nesses anos que se passaram, mas não preciso mais dele. Então, por favor, pare de enviá-lo.

- Eu só quis...

- Eu sei o que você quis - interrompeu ela. - Mas nem todo o dinheiro do mundo poderia trazer Erik de volta nem apagar o desamparo que senti depois que ele morreu. E não pode dar aos meus filhos o pai que eles nunca conheceram.

- Eu sei.

- E o dinheiro não pode comprar o perdão.

Scott sentiu seus ombros se encurvarem. - É melhor eu ir embora - disse ele, virando-se para partir.

- É - falou ela. - É, talvez seja melhor mesmo. Mas, antes, preciso lhe dizer outra coisa.

Quando Scott se virou, Raven atraiu o olhar dele para o seu.

- Sei que foi um acidente. Sempre soube disso. E sei que você daria qualquer coisa para mudar o passado. Tudo o que fez desde então não deixa dúvidas disso. E, sim, admito que tive raiva, medo e que me senti sozinha quando você apareceu na minha casa, mas nunca acreditei que tivesse havido qualquer maldade de sua parte no que aconteceu naquela noite. Foi só mais uma dessas coisas terríveis que acontecem às vezes e, quando o vi bater à minha porta, eu descontei em cima de você. - Ela fez uma pausa, permitindo a Scott assimilar suas palavras, e quando prosseguiu sua voz soou quase gentil: - Estou bem agora e meus filhos também estão. Nós sobrevivemos. Estamos bem.

Quando Scott desviou o olhar, Raven esperou até ele voltar a encará-la. - Vim até aqui para lhe dizer que você não precisa mais do meu perdão - falou ela lentamente. – Mas também sei que esse nunca foi o verdadeiro motivo disso tudo. A questão nunca fui eu, nem minha família. Sempre foi você. Há muito tempo que você vem sendo perseguido por um erro terrível e, se fosse meu filho, eu lhe diria que está na hora de finalmente virar a página. Então, Scott, vire essa página - disse Raven. - Faça isso por mim.

Raven Lensher o fitou nos olhos, certificando-se de que ele a havia entendido, então se virou e foi embora. Scott ficou paralisado enquanto ela se afastava, seguindo pelo corredor de lápides até finalmente sumir de vista. Quando chegou a porta do cemitério, não conseguia acreditar no que via.

O amor vem em círculos
E o amor precisa ter seu próprio tempo
Se curvando e rompendo, não pegando uma linha reta
Nunca conheci outro amor eterno e verdadeiro
Oh, mas conheci, é, conheci com você

Oh, conheci, conheci com você