Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores , eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?Tipo: Romance/Drama Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos! Base : Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P Sugestão: Nada a declarar!
Múltiplos Capítulos (em andamento)
Capítulo Anterior: http://fanfictionsmafiajottlovers.blogspot.com.br/2017/03/fic-o-melhor-de-mim-capitulo-17.html
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Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)
https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY
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Sua
mãe estava sentada na varanda da frente quando Jean chegou. Bebericava um copo de
chá gelado e uma música tocava baixinho no rádio. Jean passou por ela sem dizer nada,
subindo as escadas em direção ao quarto. Ligou o chuveiro, tirou as roupas e
ficou nua em frente ao espelho. Sentia-se esgotada, um jarro vazio.
O jato
d'água forte açoitou sua pele como um castigo. Quando finalmente saiu do
banho,vestiu uma calça jeans e uma blusa de algodão simples antes de guardar o
restante de suas coisas na mala. O trevo, Jean o depositou em um compartimento
com zíper em sua bolsa de mão. Como de hábito, tirou os lençóis da cama e os
levou para a área de serviço.
Então
os jogou dentro da máquina de lavar, agindo no piloto automático.
De
volta ao quarto, deu prosseguimento à lista de coisas a fazer. Lembrou-se de
que o refrigerador de casa precisava ser consertado. Esquecera-se de providenciar
isso antes de sair.
Também precisava começar a se preparar para o evento de arrecadação de fundos.
Vinha
adiando aquilo fazia algum tempo, mas, quando menos percebesse, já seria setembro.
Precisava contratar um bufê e seria boa idéia começar a pedir doações para comprar
presentes. Rachel precisava se inscrever no curso preparatório para os exames seletivos
para a faculdade e ela não conseguia se lembrar se tinha ou não feito o
depósito para o
alojamento de Nathan.
Fazer
planos. Deixar o fim de semana para trás, retornar à vida real. Como a água do chuveiro
lavando o cheiro de Scott de sua pele, isso parecia uma espécie de castigo.
Porém,
mesmo quando sua mente começou a desacelerar, Jean se deu conta de que não estava
pronta para descer. Em vez disso, sentou-se na cama observando a luz do sol se espalhar
delicadamente pelo quarto. Lembrou-se da maneira como Scott havia ficado parado
em frente à casa de Charles. A imagem era clara, tão vivida como se estivesse acontecendo
novamente - e, contra a própria vontade e contra tudo, ela teve a súbita certeza
de estar tomando a decisão errada. Ela ainda poderia voltar para Scott e eles encontrariam
uma maneira de fazer tudo dar certo, por maiores que fossem os percalços.
Com o
tempo, seus filhos iriam perdoá-la. Com o tempo, ela mesma iria se perdoar.
Mas, ainda assim, Jean continuou paralisada, incapaz de um só movimento. - Eu
te amo - sussurrou
ela no quarto silencioso, sentindo seu futuro ser soprado para longe como grãos
de areia, um futuro que já lhe parecia quase um sonho.
~.~
Nathan
adorara o fato de a mãe estar fora da cidade, pois isso significava que ele
podia ficar na rua até quando bem entendesse. Aquela história de ter hora para
voltar para casa era
ridícula. Ele estava na faculdade e lá ninguém tinha hora para voltar, mas,
pelo jeito, sua mãe não fora informada disso. Quando ela voltasse de Oriental, Nathan
iria precisar esclarecer
essa questão.
Não
que isso tivesse sido um problema nos últimos dias. Quando seu pai dormia, era
como se morresse para o mundo, de modo que Nathan pudera voltar à hora que
quisesse. Na sexta, tinha ficado na rua até as duas e, na noite anterior, só
havia voltado para casa depois das três.
O pai não havia percebido nada. Ou talvez houvesse, mas Nathan não tinha como
saber.
Quando
acordou, ele já estava no campo de golfe com o amigo.
Mas as
noitadas tinham acabado com ele. Depois de vasculhar a geladeira em busca de algo
para comer, Nathan decidiu voltar para o quarto e tirar uma soneca. Às vezes
não havia nada melhor do que um cochilo no meio da tarde. Rachel tinha viajado
com uma amiga e seus pais estavam fora. Em outras palavras, a casa estava
silenciosa, ou pelo menos mais silenciosa do que tinha estado durante todo o verão.
Espreguiçando-se na cama, ficou na dúvida sobre se deveria ou não desligar o
celular.
Por um lado, não queria ser incomodado, mas, por outro, Anna poderia
ligar. Eles tinham
saído
na sexta à noite, depois ido a uma festa juntos no sábado - e, embora não
estivessem namorando há muito tempo, Nathan gostava dela. Na verdade, gostava
muito.
Ele
deixou o telefone ligado e se deitou na cama. Poucos minutos depois, havia
caído no sono.
~.~
Depois
de lavar o Stingray, Scott largou a mangueira e foi até o riacho atrás da casa
de Charles. Havia esquentado à tarde e o calor agora era forte demais para que
as tainhas saltassem,
o que deixava a superfície da água tão inerte quanto uma lâmina de vidro. Não havia
o menor movimento, e Scott se viu recordando seus últimos instantes com Jean.
À
medida que ela se afastava, Scott teve que se esforçar para não sair correndo
atrás dela e tentar mais uma vez convencê-la a mudar de idéia. Queria lhe dizer
novamente quanto
a amava. Mas, em vez disso, ficou observando-a ir embora, sabendo, no fundo do coração,
que aquela seria a última vez que a veria e perguntando-se como fora capaz de deixá-la
partir de novo.
Ele
não deveria ter voltado a Oriental. Não pertencia àquele lugar e nunca havia pertencido.
Não havia nada ali para ele. Era hora de partir. Sabia que estava abusando da sorte
ao ficar tanto tempo na cidade tendo os primos atrás dele. Dando as costas para
o riacho, ele contornou a lateral da casa e seguiu em direção a seu carro.
Tinha só mais um lugar
para ir. Depois disso, deixaria Oriental para sempre.
Me lembro de pensar no 'para sempre'
Sentado lá com você ao meu lado no rio
Dançamos no sinal
E nos apaixonamos pela primeira vez
Jean
não sabia ao certo quanto tempo tinha ficado no quarto. Uma ou duas horas,
talvez mais. Sempre que olhava pela janela, via a mãe sentada na varanda com um
livro aberto no colo.
Ela cobrira a comida para manter as moscas afastadas. Não tinha subido nenhuma vez
para ver se a filha estava bem desde que Jean voltara para casa, mas ela não esperava
por isso. As duas se conheciam bem o suficiente para saber que ela desceria quando
estivesse pronta. Logan havia ligado mais cedo, do campo de golfe. Não se alongara
na conversa, mas Jean ouvira a bebida em sua voz. Dez anos a haviam ensinado a
reconhecer os sinais. Por mais que ela não estivesse disposta a conversar,
Logan não havia notado. Não porque estivesse bêbado, o que obviamente estava,
mas porque, embora tivesse começado jogando muito mal, tinha terminado a
partida com uma média de tacadas excelente.
Provavelmente pela primeira vez na
vida, Jean ficara feliz por ele estar bebendo. Sabia que Logan estaria tão
cansado quando ela chegasse que quase com certeza pegaria no sono bem antes de
ela ir para a cama. A última coisa que queria era encontrá-lo pensando em sexo.
Não conseguiria suportar, não naquela noite.
Ainda
assim, não estava pronta para descer. Em vez disso, levantou-se da cama, foi ao
banheiro, vasculhou no armário de remédios e encontrou um frasco de colírio.
Pingou algumas
gotas nos olhos vermelhos e inchados e então passou uma escova pelos cabelos.
Não
adiantou muita coisa, mas ela não deu importância: sabia que Logan não iria
notar.
Mas Scott
teria notado. E, como Scott, ela se importaria com sua aparência. Jean tornou a
pensar nele, como não deixara de fazer desde que voltara para a casa da mãe,
mas
tentava
manter as emoções sob controle. Ao olhar para as malas que tinha feito mais
cedo, viu a beirada de um envelope despontando da bolsa. Ela o puxou, notando
seu nome escrito no garrancho trêmulo de Charles. Voltando a sentar-se na cama,
rompeu o lacre e tirou a carta do envelope, pensando, estranhamente, que Charles
teria as respostas de que precisava.
Querida Jean,
Quando ler estas palavras, você provavelmente estará se
debatendo com algumas das escolhas mais difíceis de sua vida e, sem dúvida,
terá a sensação de que seu mundo está desmoronando.
Se estiver se perguntando como sei disso, digamos
apenas que passei a conhece-la muito bem ao longo dos últimos anos. Sempre me
preocupei com você, Jean. Mas não é sobre isso que quero falar. Não posso lhe dizer o que
fazer e duvido que consiga acrescentar algo que a faça se sentir melhor. Em vez
disso, quero lhe contar uma história. Ela também é sobre mim e Moira, mas uma que
você ainda não conhece, pois nunca consegui encontrar a maneira certa de
contá-la. Tive vergonha e acho que temi que você parasse de me visitar por pensar que eu
estivesse mentindo o tempo todo.
Moira não era um fantasma. Isso não quer dizer que eu
não a visse nem ouvisse. Não estou dizendo que essas coisas não aconteçam,
porque aconteceram. Tudo o que está na carta que escrevi para você e Scott é verdade. Eu a vi
no dia em que voltei à cabana e, quanto mais cuidava das flores, mais
claramente conseguia enxergá-la. O amor pode evocar muitas coisas, mas, no fundo, eu sabia que
aquela não era a Moira real. Eu a via porque desejava isso e a escutava porque
sentia sua falta. Acho que o que estou tentando dizer é que ela foi criação minha, só isso,
mesmo que eu tenha tentado enganar a mim mesmo e pensar o contrário. Talvez
você esteja se perguntando por que decidi lhe contar isso agora, então é melhor
ir direto ao assunto. Eu me casei com Moira aos 17 e nós passamos 42 anos
juntos, unindo nossas vidas de tal forma que pensei que elas jamais pudessem ser separadas. Quando ela morreu, os 28
anos seguintes foram tão dolorosos para mim que a maioria das pessoas - eu
inclusive - pensou que eu tivesse enlouquecido.
Jean, você ainda é jovem. Pode não se sentir dessa
forma, mas, para mim, ainda é apenas uma criança com uma longa vida pela
frente. Acredite quando lhe digo: vivi com Moira de verdade e com o fantasma dela; uma me encheu
de alegria, enquanto o outro foi apenas um tênue reflexo. Se você der as costas
para Scott agora, vai passar o resto da vida com o fantasma do que poderia ter
sido seu. Sei que, nesta vida, é inevitável magoarmos pessoas inocentes por
conta das decisões que tomamos. Pode me chamar de velho egoísta, mas nunca quis
que você fosse uma delas. Charles
Jean
guardou a carta de volta na bolsa, certa de que Charles tinha razão. A
verdade falava mais fundo nela do que qualquer outra coisa que tivesse sentido
na vida, e ela mal podia
respirar.
Com
uma sensação de urgência que nem sequer conseguia entender, Jean juntou suas coisas
e as carregou para o andar de baixo. Normalmente, ela as teria deixado ao lado
da porta
até que estivesse pronta para ir embora. Em vez disso, ela se viu girando a
maçaneta e seguindo direto para o carro.
J
ogou
a bagagem no porta-malas antes de dar a volta até o lado do motorista. Foi só então
que percebeu a mãe em pé na varanda, observando-a.
Jean
não falou nada, sua mãe tampouco. Ficaram simplesmente paradas, olhando uma para
a outra. Jean teve a sensação de que a mãe sabia exatamente para onde ela
estava indo, mas, com as palavras de Charles ainda ecoando em seus ouvidos,
nada disso lhe importava. Tudo o que sabia era que precisava encontrar Scott.
Ele
talvez ainda estivesse na casa de Charles, mas Jean achava que não.
De
repente as palavras dele lhe vieram à cabeça, de forma quase inconsciente, e
ela foi para trás do volante certa de onde ele estaria.
~.~
No
cemitério, Scott saiu do carro e cruzou a pequena distância até a lápide de
Erik Lensherr.
No
passado, sempre que visitava o lugar, ele o fazia em horários de pouco
movimento e se esforçava ao máximo para passar despercebido.
Daquela
vez, no entanto, isso não seria possível. Os fins de semana costumavam ser concorridos
e havia grupos de pessoas vagando pelas lápides. Ninguém parecia lhe dar atenção
enquanto passava, mas Scott manteve a cabeça baixa assim mesmo.
Quando
enfim chegou ao local, notou que as flores que havia deixado na manhã de sexta-feira
ainda estavam ali, mas tinham sido movidas para o lado. Provavelmente pela
pessoa
que
cortara a grama. Agachando-se, Scott arrancou algumas das folhas mais longas
que haviam sobrado perto da lápide. Seus pensamentos se voltaram para Jean e
ele foiinvadido por uma enorme solidão. Ele sabia que sua vida havia sido
amaldiçoada desde o início e, fechando os olhos, fez uma última oração por Erik,
sem notar que outra sombra tinha acabado de se unir à sua. Sem notar que havia
alguém parado bematrás dele.
~.~
Quando
chegou à rua principal que cortava Oriental, Jean parou no cruzamento. Se dobrasse
à esquerda, passaria pela marina e, alguns quilômetros depois, chegaria à casa
de Charles.
Se dobrasse à direita, sairia da cidade e acabaria chegando à rodovia que
levava de volta à sua casa. Seguindo em frente, depois de uma cerca de ferro
batido, estaria no cemitério. Era o maior da cidade e onde o Dr. Erik Lensher
tinha sido enterrado. Ela se lembrou de que Scott dissera que talvez passasse
por lá quando fosse embora.
Os
portões do cemitério estavam abertos. Ela correu os olhos pela meia dúzia de
veículos no estacionamento, procurando pelo carro alugado de Scott, e ficou sem
fôlego quando o viu.
Três dias atrás, ele o estacionara ao lado do seu ao chegar à casa de Charles.
Mais cedo naquela mesma manhã, ela havia parado ao lado daquele mesmo carro
enquanto ele a beijava uma última vez. Scott estava ali.
Ainda somos jovens, ele
tinha dito. Ainda temos tempo de consertar
isso. Seu pé estava no freio. Na rua principal,
uma minivan passou ruidosamente em direção ao centro, tapando
sua
visão por um instante. Fora isso, a rua estava deserta.
Se ela
cruzasse a rua e estacionasse, sabia que conseguiria encontrá-lo. Pensou na
carta de Charles, nos anos de sofrimento que ele havia suportado sem Moira, e
teve certeza de que tinha tomado a decisão errada antes. Não conseguia imaginar
uma vida sem Scott.
Jean
já via a cena em sua mente. Ela surpreenderia Scott diante do túmulo do Dr.
Lensher. Diria que tinha agido errado ao partir. Podia até sentir a felicidade
que experimentaria quando ele a tomasse nos braços outra vez, sabendo que eles
haviam nascido para ficar juntos.
Se Jean
fosse atrás de Scott, não tinha dúvidas de que iria segui-lo aonde quer que ele
fosse. Ou de que ele a seguiria. Mas, ainda assim, suas responsabilidades
continuavam apesar em suas costas e, muito devagar, ela tirou o pé do freio. Em vez de
seguir em frente, Jean se viu girando o volante, um soluço prendendo-se em seu
peito à medida que
pegava a estrada na direção de casa.
Me lembro de dizer a você que eu te amo
A estrela do norte surgiu em cima de você
E num momento pensei que todos os meus sonhos
Se tornariam realidade
Oh, mas alguns nunca se tornam reais
Um
farfalhar às suas costas arrancou Scott de seus pensamentos e ele se levantou depressa.
Surpreso, ele a reconheceu na mesma hora, mas se viu sem palavras.
- Você
está aqui - afirmou Raven Lensher. - No túmulo do meu marido.
- Me
desculpe - falou ele, baixando o olhar. - Não deveria ter vindo.
- Mas
veio - disse Raven. - E também esteve aqui recentemente. – Quando Scott ficou
calado, ela meneou a cabeça para as flores. - Sempre venho aqui depois da
missa. Elas não estavam aqui no fim de semana passado e estão frescas demais
para terem sido trazidas no começo da semana. Então deve ter sido... na sexta?
Scott
engoliu em seco antes de responder.
- Sim,
pela manhã.
O
olhar dela continuava firme.
- Você
também costumava fazer isso muitos anos atrás. Depois que saiu da prisão. Era
você, não era?
Scott
não falou nada.
-
Achava mesmo que fosse - disse ela, suspirando enquanto dava um passo em
direção à lápide.
Scott
se afastou, abrindo espaço, enquanto Raven se concentrava na inscrição da pedra.
-
Muitas pessoas trouxeram flores para Erik depois que ele morreu. E continuaram trazendo
por um ou dois anos, mas depois acho que pararam de vir. Exceto eu. Durante um tempo,
só eu trazia flores. Então, cerca de quatro anos depois de ele morrer, voltei a
ver outras. Não o tempo todo, mas o suficiente para me deixar intrigada. Não
fazia idéia de quem
as estivesse trazendo. Perguntei aos meus pais, aos meus amigos, mas eles
negaram. Durante algum tempo, cheguei a cogitar a possibilidade de que ele
tivesse uma amante. Pode imaginar uma coisa dessas? - Ela balançou a cabeça e
respirou fundo. - Foi sóquando as flores deixaram de aparecer que entendi que
era você o responsável. Sabia que tinha saído da prisão e que estava em
condicional. Cerca de um ano depois, também fiquei sabendo que tinha ido embora
da cidade. Eu senti muita... raiva
ao pensar que tinha sido você o tempo
todo.
Aquela
lembrança pareceu incomodá-la e ela cruzou os braços, como se tentasse se
fechar - E então, hoje de manhã, tornei a ver as flores - continuou Raven. -
Tive certeza de que isso significava que você tinha voltado. Não sabia bem se viria
aqui hoje... mas, como era de esperar, você veio.
Scott
enfiou as mãos nos bolsos, desejando de repente estar em qualquer parte, menos ali.
- Não
vou mais visitar o túmulo de seu marido nem deixar flores de novo - murmurou
ele. - Eu lhe dou minha palavra.
Ela o
encarou.
- E
você acha que isso compensa o fato de ter vindo aqui, para começo de conversa? Levando
em conta o que fez? Levando em conta que meu marido está enterrado aqui, e não vivo
e ao meu lado? Que ele perdeu a chance de ver nossos filhos crescerem?
- Não
- respondeu ele.
- É
claro que não - disse ela. - Porque se sente culpado pelo que fez. É por isso que
vem nos mandando dinheiro durante todos esses anos, não é?
Scott
queria mentir para ela, mas não conseguiu.
- Há
quanto tempo a senhora sabe?
- Desde
o primeiro cheque - falou Raven. - Você tinha passado na minha casa poucas semanas
antes, lembra? Não foi tão difícil somar dois mais dois. - Ela hesitou. -
Queria se desculpar,
não foi? Pessoalmente. Quando bateu à minha porta naquele dia.
- Sim.
- E eu
não deixei que fizesse isso. Falei... muitas coisas naquele dia. Coisas que talvez
não devesse ter dito.
- A
senhora tinha todo o direito de dizê-las.
A
sombra de um sorriso se formou em seu rosto.
- Você
tinha 22 anos. Eu vi um homem adulto na minha varanda, mas, com o passar
do tempo, fui passando a acreditar que as pessoas não crescem de verdade antes
de chegarem no mínimo aos 30. Meu filho é mais velho do que você era na época,
mas ainda penso nele como uma criança.
- A
senhora fez o que qualquer pessoa faria.
-
Talvez - disse Raven, encolhendo muito de leve os ombros. Então se aproximou de
Scott. - O dinheiro que você nos deu ajudou, e muito, nesses anos que se
passaram, mas não preciso mais dele. Então, por favor, pare de enviá-lo.
- Eu
só quis...
- Eu
sei o que você quis - interrompeu ela. - Mas nem todo o dinheiro do mundo
poderia trazer Erik de volta nem apagar o desamparo que senti depois que ele
morreu. E não pode dar aos meus filhos o pai que eles nunca conheceram.
- Eu
sei.
- E o
dinheiro não pode comprar o perdão.
Scott
sentiu seus ombros se encurvarem. - É melhor eu ir embora
- disse ele, virando-se para partir.
- É -
falou ela. - É, talvez seja melhor mesmo. Mas, antes, preciso lhe dizer outra
coisa.
Quando
Scott se virou, Raven atraiu o olhar dele para o seu.
- Sei
que foi um acidente. Sempre soube disso. E sei que você daria qualquer coisa
para mudar o passado. Tudo o que fez desde então não deixa dúvidas disso. E,
sim, admito que tive
raiva, medo e que me senti sozinha quando você apareceu na minha casa, mas
nunca acreditei que tivesse havido qualquer maldade de sua parte no que
aconteceu naquela noite. Foi só mais uma dessas coisas terríveis que acontecem
às vezes e, quando o vi bater à minha porta, eu descontei em cima de você. -
Ela fez uma pausa, permitindo a Scott assimilar suas palavras, e quando
prosseguiu sua voz soou quase gentil: - Estou bem agora e meus filhos também
estão. Nós sobrevivemos. Estamos bem.
Quando
Scott desviou o olhar, Raven esperou até ele voltar a encará-la. - Vim até aqui
para lhe dizer que você não precisa mais do meu perdão - falou ela lentamente.
– Mas também sei que esse nunca foi o verdadeiro motivo disso tudo. A questão
nunca fui eu, nem minha família. Sempre foi você. Há muito tempo que você vem
sendo perseguido por um erro
terrível e, se fosse meu filho, eu lhe diria que está na hora de finalmente
virar a página. Então, Scott, vire essa página - disse Raven. - Faça isso por
mim.
Raven
Lensher o fitou nos olhos, certificando-se de que ele a havia entendido, então
se virou e foi embora. Scott ficou paralisado enquanto ela se afastava,
seguindo pelo corredor de lápides até finalmente sumir de vista. Quando chegou
a porta do cemitério, não conseguia acreditar no que via.
O amor vem em círculos
E o amor precisa ter seu próprio tempo
Se curvando e rompendo, não pegando uma linha reta
Nunca conheci outro amor eterno e verdadeiro
Oh, mas conheci, é, conheci com você
Oh, conheci, conheci com você

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