Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em Progresso
Tipo: Família, romance.
Capítulo Anterior.
Mesmo
antes de se aproximar do local onde Elaine Summers a esperava, Jean já chegara
à conclusão de que chamar a atenção de Scott diante de sua avó não fora a
atitude mais esperta que poderia ter tomado. No entanto, sentia-se bem melhor
agora.
Aceitou a poltrona que a senhora lhe indicava e disse, esticando os braços para o calor aconchegante do fogo:
— As chamas de uma lareira são sempre tão convidativas num dia frio como o de hoje!
— Pelo visto, também não gosta muito dos aquecedores modernos! Eu os detesto! — Elaine esboçou um sorriso. — Entretanto, como não sou eu quem tem de trazer a lenha para dentro ou as cinzas para fora, acho que sou um tanto suspeita para comentar o assunto. E, voltando-se para Scott, que acabava de entrar, pediu:
— Por que não oferece um cálice de xerez ou de qualquer outra bebida a Jean, querido? Tenho certeza de que sabe muito bem quais são os gostos dela.
Jean ergueu os olhos para vê-lo chegando e, pela expressão em seu semblante, compreendeu que poderia muito bem ser envenenada fosse pelo que fosse que ele viesse a lhe servir.
Aceitou a poltrona que a senhora lhe indicava e disse, esticando os braços para o calor aconchegante do fogo:
— As chamas de uma lareira são sempre tão convidativas num dia frio como o de hoje!
— Pelo visto, também não gosta muito dos aquecedores modernos! Eu os detesto! — Elaine esboçou um sorriso. — Entretanto, como não sou eu quem tem de trazer a lenha para dentro ou as cinzas para fora, acho que sou um tanto suspeita para comentar o assunto. E, voltando-se para Scott, que acabava de entrar, pediu:
— Por que não oferece um cálice de xerez ou de qualquer outra bebida a Jean, querido? Tenho certeza de que sabe muito bem quais são os gostos dela.
Jean ergueu os olhos para vê-lo chegando e, pela expressão em seu semblante, compreendeu que poderia muito bem ser envenenada fosse pelo que fosse que ele viesse a lhe servir.
—
Obrigada, mas não gosto muito de bebida alcoólica, e o serviço com as máquinas
acabou me deixando cuidadosa em excesso.
Elaine assentiu, e se voltou para o enorme anel que Jean usava.
— Deve tomar muito cuidado com essa joia também, suponho. — Pegou as agulhas e a lã que estavam numa cestinha a seu lado e, com muita calma, começou a tricotar o trabalho já começado.
Jean fitou a enorme pedra. Ali, diante das labaredas, ela possuía um brilho novo, suave, quase misterioso.
— É claro que eu não colocaria algo tão valioso em risco — observou, em voz baixa.
— Não foi isso o que eu quis dizer, meu anjo. Há muitos anos, meu sogro quase perdeu um de seus dedos quando uma máquina prendeu seu anel, que foi destruído. Quanto ao dedo, ficou muito machucado.
Scott colocou uma bebida alaranjada em um cálice e depositou-o sobre o aparador, perto da avó.
— Vovó teria tido muito mais compaixão se a peça destruída pelo maquinário tivesse sido a aliança de casamento dele, em vez da jóia que representava seu clube de golfe.
Jean não compreendeu muito bem a observação, mas tentou sorrir. Scott, no entanto, mantinha-se sério, e sua expressão ainda parecia aborrecida. Jean sentia que ele a estudava, ali, recostado à parede, os braços cruzados sobre o peito largo. E desejou ter aceitado o cálice de xerez. Assim teria alguma coisa nas mãos e saberia onde colocá-las agora. Elaine bebericou e retornou ao tricô.
Elaine assentiu, e se voltou para o enorme anel que Jean usava.
— Deve tomar muito cuidado com essa joia também, suponho. — Pegou as agulhas e a lã que estavam numa cestinha a seu lado e, com muita calma, começou a tricotar o trabalho já começado.
Jean fitou a enorme pedra. Ali, diante das labaredas, ela possuía um brilho novo, suave, quase misterioso.
— É claro que eu não colocaria algo tão valioso em risco — observou, em voz baixa.
— Não foi isso o que eu quis dizer, meu anjo. Há muitos anos, meu sogro quase perdeu um de seus dedos quando uma máquina prendeu seu anel, que foi destruído. Quanto ao dedo, ficou muito machucado.
Scott colocou uma bebida alaranjada em um cálice e depositou-o sobre o aparador, perto da avó.
— Vovó teria tido muito mais compaixão se a peça destruída pelo maquinário tivesse sido a aliança de casamento dele, em vez da jóia que representava seu clube de golfe.
Jean não compreendeu muito bem a observação, mas tentou sorrir. Scott, no entanto, mantinha-se sério, e sua expressão ainda parecia aborrecida. Jean sentia que ele a estudava, ali, recostado à parede, os braços cruzados sobre o peito largo. E desejou ter aceitado o cálice de xerez. Assim teria alguma coisa nas mãos e saberia onde colocá-las agora. Elaine bebericou e retornou ao tricô.
— Que bom
que gostou da casa, Jean! Seria horrível ter de viver num local que não a
agradasse. E tenho certeza de que Scott jamais sairia daqui.
Jean sentiu-se tensa de repente. Estaria sendo sensível demais ou havia algo por trás daquelas palavras? A primeira imagem que Elaine tivera dela fora quando olhava, encantada, para os detalhes arquitetônicos. Teria ouvido alguma coisa da pequena discussão que tivera com Scott antes de vir para a sala de música? Impossível. Precisava se acalmar e imaginar como a garota deslumbrada que Scott pensara ter contratado responderia a tal observação.
— Ah, este lugar é muito… inspirador. Parece um museu.
— Lembro-me de ter sentido o mesmo quando vim para cá, quando era noiva. — As pupilas de Elaine brilhavam com intensidade ao encará-la. — Pareceu-me, há pouco, que você havia feito um estudo sobre a obra de Henry Bellows. Ele é muito querido por nós, claro, mas, comparado aos grandes arquitetos de Chicago, talvez seja um tanto desconhecido.
Jean sentiu que sua garganta se fechava. Subestimara a acústica do hall, que, era evidente, evitava ecos, mas era também capaz de elevar o som de um murmúrio. Parecia óbvio que Elaine ouvira o que dissera a Scott.
Jean sentiu-se tensa de repente. Estaria sendo sensível demais ou havia algo por trás daquelas palavras? A primeira imagem que Elaine tivera dela fora quando olhava, encantada, para os detalhes arquitetônicos. Teria ouvido alguma coisa da pequena discussão que tivera com Scott antes de vir para a sala de música? Impossível. Precisava se acalmar e imaginar como a garota deslumbrada que Scott pensara ter contratado responderia a tal observação.
— Ah, este lugar é muito… inspirador. Parece um museu.
— Lembro-me de ter sentido o mesmo quando vim para cá, quando era noiva. — As pupilas de Elaine brilhavam com intensidade ao encará-la. — Pareceu-me, há pouco, que você havia feito um estudo sobre a obra de Henry Bellows. Ele é muito querido por nós, claro, mas, comparado aos grandes arquitetos de Chicago, talvez seja um tanto desconhecido.
Jean sentiu que sua garganta se fechava. Subestimara a acústica do hall, que, era evidente, evitava ecos, mas era também capaz de elevar o som de um murmúrio. Parecia óbvio que Elaine ouvira o que dissera a Scott.
Jean
tentava se controlar. Seu noivado poderia vir a ser o mais breve da história
daquela cidade. Esperava que Scott dissesse algo, qualquer coisa que, sem
dúvida, a deixaria mais destruída do que o anel que seu bisavô perdera na
máquina.Mas ele mantinha-se quieto, como se não quisesse interferir de
propósito, deixando-a lidar com a situação embaraçosa por puro prazer. Tinha de
encontrar uma resposta, e rápida, porque não havia como se fingir de surda
diante de Elaine.
— Quando ouvi sobre esta casa pela primeira vez, jamais imaginei que, um dia, viria a entrar nela.
— Pois eu acho que Scott deve levá-la para conhecer todos os cômodos depois do almoço. — O sorriso de Elaine se alargou ainda mais.
Scott afastou-se da lareira de imediato.
— Por que não começamos já, então? A sra. Raven, nossa enfermeira, que cuida de Rachel, deve estar ansiosa por tirar a tarde de folga. Então, podemos ir buscar minha filha e levá-la conosco.
Entendendo que aquilo era mais uma ordem do que um convite, Jean levantou-se devagar.
— Estou ansiosa para conhecer o quartinho dela — explicou, sentindo a mão de Scott já em torno de seu braço.
— Quando ouvi sobre esta casa pela primeira vez, jamais imaginei que, um dia, viria a entrar nela.
— Pois eu acho que Scott deve levá-la para conhecer todos os cômodos depois do almoço. — O sorriso de Elaine se alargou ainda mais.
Scott afastou-se da lareira de imediato.
— Por que não começamos já, então? A sra. Raven, nossa enfermeira, que cuida de Rachel, deve estar ansiosa por tirar a tarde de folga. Então, podemos ir buscar minha filha e levá-la conosco.
Entendendo que aquilo era mais uma ordem do que um convite, Jean levantou-se devagar.
— Estou ansiosa para conhecer o quartinho dela — explicou, sentindo a mão de Scott já em torno de seu braço.
Saiu com
ele dali quase tendo de correr para acompanhá-lo.Scott parecia ter aprendido a
lição de não cochichar no hall, porque conduziu-a, no mais absoluto silêncio,
até o andar superior, onde entraram num pequeno dormitório.
Lá, Scott soltou-a e, encarando-a, colocou as mãos na cintura, como se esperasse por uma explicação.
— Como eu podia imaginar que ela iria ouvir? — Jean começou, na defensiva.
— E acha que isso é uma desculpa?
— Bem, você também não fazia ideia, fazia?
— Mas, afinal, o que aconteceu? Deu uma olhada a seu redor, apaixonou-se pela mansão e decidiu levar tudo adiante de um modo mais real? Ou será que já tinha pensado em agir assim antes mesmo de virmos para cá?
— O que quer dizer com "um modo mais real"? Acha que pensaria em me casar com você de verdade só para vir morar aqui?! Não, mesmo! Nem uma obra-prima de Bellows valeria o sacrifício de suportá-lo, sabia?
— Você mentiu para mim!
— De jeito nenhum. Jamais perguntou alguma coisa sobre mim, Scott. Apenas imaginou, baseado em meu trabalho, que eu era uma pobre coitada sem cultura nenhuma. Suas frases, aliás, foram perfeitas pérolas: "Jean nem deve ter um vestido!" "Deveria tê-la visto tentando se equilibrar nos saltos altos!" O que pretendia dizer ainda? "Estou pensando em ensiná-la a ler e a escrever"?
Lá, Scott soltou-a e, encarando-a, colocou as mãos na cintura, como se esperasse por uma explicação.
— Como eu podia imaginar que ela iria ouvir? — Jean começou, na defensiva.
— E acha que isso é uma desculpa?
— Bem, você também não fazia ideia, fazia?
— Mas, afinal, o que aconteceu? Deu uma olhada a seu redor, apaixonou-se pela mansão e decidiu levar tudo adiante de um modo mais real? Ou será que já tinha pensado em agir assim antes mesmo de virmos para cá?
— O que quer dizer com "um modo mais real"? Acha que pensaria em me casar com você de verdade só para vir morar aqui?! Não, mesmo! Nem uma obra-prima de Bellows valeria o sacrifício de suportá-lo, sabia?
— Você mentiu para mim!
— De jeito nenhum. Jamais perguntou alguma coisa sobre mim, Scott. Apenas imaginou, baseado em meu trabalho, que eu era uma pobre coitada sem cultura nenhuma. Suas frases, aliás, foram perfeitas pérolas: "Jean nem deve ter um vestido!" "Deveria tê-la visto tentando se equilibrar nos saltos altos!" O que pretendia dizer ainda? "Estou pensando em ensiná-la a ler e a escrever"?
— Quanta
bobagem! De onde tirou isso?
— Seja franco, Scott, foi isso o que imaginou.
Scott parecia um tanto envergonhado de si mesmo.
— Está certo. Admito que era o que queria que vovó pensasse, e acho que exagerei. Mas o que aconteceu com sua parte na representação do plano?
— Olhe, não preciso ser muito inteligente para notar que há milhares de diferenças entre nós. Isso, contudo, não quer dizer que eu deva ser uma ignorante. Sua avó, ainda assim, vai me detestar.
Scott não parecia muito convencido. Naquele momento, uma senhora apareceu num dos muitos corredores. Usava um casaco pesado e trazia uma menina num lindo vestidinho de veludo vermelho escuro.
— Sra. Raven, eu ia mesmo buscar Rachel! — Scott exclamou, saindo do quarto em direção à enfermeira.
— Já não seria sem tempo, sr. Summers — a mulher respondeu, sem procurar ocultar o azedume. — Pensei que tivesse se esquecido de que tenho esta tarde de folga, e não apenas duas horas.
— Sinto muito. Acabamos nos distraindo lá embaixo.
Jean não podia acreditar no que ouvira. Scott Summers estava se desculpando?!
— Seja franco, Scott, foi isso o que imaginou.
Scott parecia um tanto envergonhado de si mesmo.
— Está certo. Admito que era o que queria que vovó pensasse, e acho que exagerei. Mas o que aconteceu com sua parte na representação do plano?
— Olhe, não preciso ser muito inteligente para notar que há milhares de diferenças entre nós. Isso, contudo, não quer dizer que eu deva ser uma ignorante. Sua avó, ainda assim, vai me detestar.
Scott não parecia muito convencido. Naquele momento, uma senhora apareceu num dos muitos corredores. Usava um casaco pesado e trazia uma menina num lindo vestidinho de veludo vermelho escuro.
— Sra. Raven, eu ia mesmo buscar Rachel! — Scott exclamou, saindo do quarto em direção à enfermeira.
— Já não seria sem tempo, sr. Summers — a mulher respondeu, sem procurar ocultar o azedume. — Pensei que tivesse se esquecido de que tenho esta tarde de folga, e não apenas duas horas.
— Sinto muito. Acabamos nos distraindo lá embaixo.
Jean não podia acreditar no que ouvira. Scott Summers estava se desculpando?!
Ele tomou
a menina dos braços da sra. Raven. A pequena enlaçou-lhe o pescoço, parecendo
muito feliz por estar com Scott. Enquanto isso, a sra. Raven, de cenho
franzido, colocava suas luvas. Seu olhar passou por Jean, de cima a baixo, com
certo desprezo, até que disse:
— Já que não estou saindo na hora combinada, vou voltar um pouco mais tarde.
— Sinta-se à vontade para estender seu tempo de folga o quanto quiser.
Sem lhe dar ouvidos, a sra. Raven deu-lhe as costas e se pôs a descer a escadaria.
Rachel olhou, um tanto cautelosa, para Jean, ainda com os bracinhos em torno do pai. Seus olhos não eram apenas grandes e bonitos como ele dissera, estavam cheios de curiosidade agora.
— Olá! — Jean cumprimentou-a, com suavidade, e Rachel escondeu o rostinho. — Ela fala, Scott?
— Costuma pronunciar as palavras de modo separado, mas não faz isso muitas vezes. Ah, sua palavra favorita é "não". — Sorriu.
O som delicado de um sineta chamou-lhes a atenção,
— Esse é nosso chamado para o almoço, Jean. É melhor descermos antes que minha avó mande alguém nos buscar.
— Já que não estou saindo na hora combinada, vou voltar um pouco mais tarde.
— Sinta-se à vontade para estender seu tempo de folga o quanto quiser.
Sem lhe dar ouvidos, a sra. Raven deu-lhe as costas e se pôs a descer a escadaria.
Rachel olhou, um tanto cautelosa, para Jean, ainda com os bracinhos em torno do pai. Seus olhos não eram apenas grandes e bonitos como ele dissera, estavam cheios de curiosidade agora.
— Olá! — Jean cumprimentou-a, com suavidade, e Rachel escondeu o rostinho. — Ela fala, Scott?
— Costuma pronunciar as palavras de modo separado, mas não faz isso muitas vezes. Ah, sua palavra favorita é "não". — Sorriu.
O som delicado de um sineta chamou-lhes a atenção,
— Esse é nosso chamado para o almoço, Jean. É melhor descermos antes que minha avó mande alguém nos buscar.
Jean não
se moveu.
— Bem, e qual é o estratégia? Finjo não saber para que serve o guardanapo? Bebo o café do pires?
Scott virou-se, colocando o peso da menina no outro braço.
— Por que está me perguntando? Não é você quem tem as grandes idéias? Mas tenha uma coisa em mente: não estrague o que combinamos. Assumiu um negócio comigo e vai honrar sua parte até o fim!
— Por quê? Porque é tarde demais para que consiga uma substituta burra o suficiente?
Scott nem se preocupou em responder. Desceu os degraus enquanto Jean o seguia e, numa atitude bastante infantil, mostrava-lhe a língua. Rachel, voltada sobre o ombro do pai, achou graça. Jean, vendo que a agradara, tentou outra careta, e isso fez a garotinha rir ainda mais.
Scott voltou-se a tempo de ver a brincadeira de Jean, que se compôs, então, e foi até seu lado.
— Vou prosseguir com isso desde que me trate como um ser humano, Scott.
— Bem, e qual é o estratégia? Finjo não saber para que serve o guardanapo? Bebo o café do pires?
Scott virou-se, colocando o peso da menina no outro braço.
— Por que está me perguntando? Não é você quem tem as grandes idéias? Mas tenha uma coisa em mente: não estrague o que combinamos. Assumiu um negócio comigo e vai honrar sua parte até o fim!
— Por quê? Porque é tarde demais para que consiga uma substituta burra o suficiente?
Scott nem se preocupou em responder. Desceu os degraus enquanto Jean o seguia e, numa atitude bastante infantil, mostrava-lhe a língua. Rachel, voltada sobre o ombro do pai, achou graça. Jean, vendo que a agradara, tentou outra careta, e isso fez a garotinha rir ainda mais.
Scott voltou-se a tempo de ver a brincadeira de Jean, que se compôs, então, e foi até seu lado.
— Vou prosseguir com isso desde que me trate como um ser humano, Scott.
Sabia que
ele tinha de morder a língua para não lhe dar a resposta que queria, e achou
ótimo não poder ouvir seus pensamentos.
Após o almoço, voltaram todos à sala de música, para tomar um café e, lá, Elaine quis saber quando seria o casamento.
— Ainda é um pouco cedo — Scott se adiantou, firme.
— Não podem esperar muito para marcarem a data, querido. Haverá muitas coisas a preparar. As empresas que organizam recepções e os músicos precisam ser contratados com meses de antecedência, você sabe.
Jean deixou de olhar para os cubos plásticos que Rachel alinhava em seu colo. Ergueu a cabeça para Scott, à espera do que diria. Como ele se mantivesse calado, resolveu se pronunciar:
— Scott não quer uma comemoração muito grande. Depois, como quase não tenho família…
— O que meu neto quer não conta. — Elaine parecia decidida. — A escolha é apenas sua, meu bem.
— Nesse caso, talvez pudéssemos… — Jean olhou de relance para Scott e, notando seu semblante carregado, achou melhor mudar de tática:— Na verdade, não temos pressa nenhuma, sra. Elaine. Queremos dar uma oportunidade a Rachel para que me conheça melhor.
Após o almoço, voltaram todos à sala de música, para tomar um café e, lá, Elaine quis saber quando seria o casamento.
— Ainda é um pouco cedo — Scott se adiantou, firme.
— Não podem esperar muito para marcarem a data, querido. Haverá muitas coisas a preparar. As empresas que organizam recepções e os músicos precisam ser contratados com meses de antecedência, você sabe.
Jean deixou de olhar para os cubos plásticos que Rachel alinhava em seu colo. Ergueu a cabeça para Scott, à espera do que diria. Como ele se mantivesse calado, resolveu se pronunciar:
— Scott não quer uma comemoração muito grande. Depois, como quase não tenho família…
— O que meu neto quer não conta. — Elaine parecia decidida. — A escolha é apenas sua, meu bem.
— Nesse caso, talvez pudéssemos… — Jean olhou de relance para Scott e, notando seu semblante carregado, achou melhor mudar de tática:— Na verdade, não temos pressa nenhuma, sra. Elaine. Queremos dar uma oportunidade a Rachel para que me conheça melhor.
Elaine
virou-se para a bisneta, que agora entregava os cubos de plástico, um a um,
para Jean.
— Não me parece que Rachel esteja muito preocupada com isso, Jean. Além do mais, acredito que ela possa se acostumar a você com muito mais facilidade se a vir mais amiúde. Não concorda, Scott?
Da porta, Charles, o mordomo se fez perceber ao pigarrear, anunciando em seguida:
— Sr. Summers, sua secretária está ao telefone. Parece que quer falar-lhe sobre algo importante.
Scott consultou o relógio e imprecou, baixinho.
— Tenho um compromisso inadiável na firma, mas vou levá-la para casa primeiro para que possa se trocar para o trabalho, Jean.
— Pelo amor de deus, Scott, não! — Elaine protestou de imediato. — Você está sempre indo àquele escritório e deixando seu lar! Agora vai ter de levar Jean também?!
Jean achou melhor intervir. Não sabia ao certo se seria temerário ficar a sós com Elaine, mas sabia que um dia isso teria de acontecer. Então, que fosse logo.
— Não quero causar-lhe problemas de espécie alguma, Scott. Posso muito bem pegar um ônibus. Não é tão longe assim, e ainda tenho tempo para chegar à fábrica.
— Sendo assim, está acertado! Você pode ir para seu compromisso, filho, e deixar Jean mais um pouco aqui.
— Não me parece que Rachel esteja muito preocupada com isso, Jean. Além do mais, acredito que ela possa se acostumar a você com muito mais facilidade se a vir mais amiúde. Não concorda, Scott?
Da porta, Charles, o mordomo se fez perceber ao pigarrear, anunciando em seguida:
— Sr. Summers, sua secretária está ao telefone. Parece que quer falar-lhe sobre algo importante.
Scott consultou o relógio e imprecou, baixinho.
— Tenho um compromisso inadiável na firma, mas vou levá-la para casa primeiro para que possa se trocar para o trabalho, Jean.
— Pelo amor de deus, Scott, não! — Elaine protestou de imediato. — Você está sempre indo àquele escritório e deixando seu lar! Agora vai ter de levar Jean também?!
Jean achou melhor intervir. Não sabia ao certo se seria temerário ficar a sós com Elaine, mas sabia que um dia isso teria de acontecer. Então, que fosse logo.
— Não quero causar-lhe problemas de espécie alguma, Scott. Posso muito bem pegar um ônibus. Não é tão longe assim, e ainda tenho tempo para chegar à fábrica.
— Sendo assim, está acertado! Você pode ir para seu compromisso, filho, e deixar Jean mais um pouco aqui.
Scott
vacilava, mas sabia que sua presença no escritório era muito importante. Desse
modo, decidindo deixar tudo por conta do destino, voltou-se para a saída.
— Não está se esquecendo de nada, querido? — sua avó chamou-o.
Scott encarou-a, à espera.
— Sou uma mulher de idade avançada, meu rapaz, mas aprendi, no correr da vida, que pessoas prestes a se casar costumam se beijar quando se despedem…
— Eu… não quis constrangê-la, vovó.
— Ora, não sugeri que jogasse Jean sobre o tapete e a devorasse de beijos vorazes diante de mim! Apenas sugeri que, caso queira beijá-la, não deve se sentir embaraçado com minha presença. Além do mais, seria bom para Rachel acostumar-se a vê-los trocando carícias, não acham? — Pareceu ponderar por um momento. Depois, acrescentou, num tom estranho: — É evidente que, se não tiver vontade de acariciar sua noiva…
— Sempre tenho vontade disso, vovó.
Jean sentia-se um tanto tensa, embora soubesse que um leve beijo em nada poderia perturbá-la, ou a Scott. Muito menos a Elaine ou à menina.
Ele se curvou sobre a poltrona que ocupava e tocou-lhe o rosto com a ponta dos dedos, que pareciam estranhamente frias. Seus lábios se tocaram muito de leve, num carinho que poderia ter parecido real do outro lado da sala, mas que não passou de uma ilusão.
— Não está se esquecendo de nada, querido? — sua avó chamou-o.
Scott encarou-a, à espera.
— Sou uma mulher de idade avançada, meu rapaz, mas aprendi, no correr da vida, que pessoas prestes a se casar costumam se beijar quando se despedem…
— Eu… não quis constrangê-la, vovó.
— Ora, não sugeri que jogasse Jean sobre o tapete e a devorasse de beijos vorazes diante de mim! Apenas sugeri que, caso queira beijá-la, não deve se sentir embaraçado com minha presença. Além do mais, seria bom para Rachel acostumar-se a vê-los trocando carícias, não acham? — Pareceu ponderar por um momento. Depois, acrescentou, num tom estranho: — É evidente que, se não tiver vontade de acariciar sua noiva…
— Sempre tenho vontade disso, vovó.
Jean sentia-se um tanto tensa, embora soubesse que um leve beijo em nada poderia perturbá-la, ou a Scott. Muito menos a Elaine ou à menina.
Ele se curvou sobre a poltrona que ocupava e tocou-lhe o rosto com a ponta dos dedos, que pareciam estranhamente frias. Seus lábios se tocaram muito de leve, num carinho que poderia ter parecido real do outro lado da sala, mas que não passou de uma ilusão.
No
entanto, quando Jean já imaginava que Scott se ergueria e iria embora, Jean
sentiu-o aproximar-se outra vez, e agora sua boca apoderou-se da sua de maneira
muito diferente. Jean manteve-se parada, quieta, sentindo um frio enorme
percorrer-lhe a espinha, até que a única coisa de que foi capaz foi senti-lo
beijando-a.
A mão de Scott caminhou até sua nuca, apertando-a de leve, como se ele lhe dissesse para corresponder, para fazer aquilo parecer convincente. Jean, então, colocou seus dedos com delicadeza sobre o rosto dele, agindo mais sob pressão da insistência de Scott do que por sua própria vontade. Sentia-se tensa demais para isso.
Naquele instante, Rachel, bastante enciumada, subiu mais para o colo de Jean e interpôs seu pequeno corpo entre ambos, erguendo os bracinhos para o pai.
Scott se afastou de leve e, sem graça, Jean baixou os olhos para a menina, comentando:
— E por isso que devemos dar mais tempo a Rachel para se acostumar com a ideia.
Quando conseguiu fitar Elaine, para ver se tinha sido persuasiva o suficiente, surpreendeu-se com o sorriso que viu no rosto enrugado da velhinha. Não era uma expressão romântica, encantada, de alguém que presenciou uma cena de amor. Era diferente disso, e Jean não conseguiu decifrá-lo no momento. No entanto, uma coisa parecia certa: Elaine estava triunfante.
A mão de Scott caminhou até sua nuca, apertando-a de leve, como se ele lhe dissesse para corresponder, para fazer aquilo parecer convincente. Jean, então, colocou seus dedos com delicadeza sobre o rosto dele, agindo mais sob pressão da insistência de Scott do que por sua própria vontade. Sentia-se tensa demais para isso.
Naquele instante, Rachel, bastante enciumada, subiu mais para o colo de Jean e interpôs seu pequeno corpo entre ambos, erguendo os bracinhos para o pai.
Scott se afastou de leve e, sem graça, Jean baixou os olhos para a menina, comentando:
— E por isso que devemos dar mais tempo a Rachel para se acostumar com a ideia.
Quando conseguiu fitar Elaine, para ver se tinha sido persuasiva o suficiente, surpreendeu-se com o sorriso que viu no rosto enrugado da velhinha. Não era uma expressão romântica, encantada, de alguém que presenciou uma cena de amor. Era diferente disso, e Jean não conseguiu decifrá-lo no momento. No entanto, uma coisa parecia certa: Elaine estava triunfante.
Elaine
pediu a Charles para chamar um táxi, mesmo sob os protestos de Jean, alegando
não permitir que a futura mulher de Scott andasse de ônibus pela cidade.

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