Descrição: a Jean morreu e já voltou à vida, mas não conseguiu suportar ver Scott com Emma e resolveu dar um tempo para si, longe de todos, sem divulgar nem mesmo para onde ia!! A fic se passa na mansão mesmo, não em Utopia.
Classificação indicativa.: M(16+). Pode vir a mudar no decorrer na fic. 
Multiplos Capítulos (incompleta)
Tipo: Romance/Drama
Base: Hq's
Então, essa fic é de autoria da nossa Jott Lara Martins, ela anda sumida, não temos mais contato no momento, mas tomei a liberdade de postar essa fic dela, e não mudei nada. Espero que gostem :)

CAPÍTULO






Capítulo 18 – A Garota Marvel



Chorei por três horas, depois dormi dois dias.
Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite.

(Caio Fernando Abreu, Lixo e Purpurina)

Inspirou e expirou outra vez. E uma vez mais. Contou até 10, na verdade, até entrar em desespero e fazer com que os móveis do quarto levitassem. Seu coração poderia explodir, a qualquer momento. Lá estava o final da luta: Jean Grey, a Fênix, havia saído vitoriosa. Rachel estava a salvo. Emma morta. Scott se recuperava dos ferimentos, lentamente, no Labmed. Então, esse era o final. Mas era um final feliz?


Jean sentia seu corpo pesado e sua alma vazia. A prova de que gloriosas missões nem sempre trazem gloriosas recompensas. Os pesadelos ainda a assombravam. Em seu quarto, ela lutava solitária contra esses fantasmas. Apesar de o cômodo ser grande, não era isso que a ruiva sentia. As paredes ficavam cada vez mais estreitas, prestes a esmagá-la.



Uma semana havia se passado desde que Emma fora morta. Para Jean, era como se o tempo não houvesse passado. Scott, ainda sedado, não havia compreendido bem o que ocorreu. Nesse meio tempo, Logan e Xavier assumiram o instituto, para que nada perdesse o rumo. A morte da diretora Frost foi explicada como uma fatalidade. Não gostariam que os alunos associassem a imagem dela à de uma assassina brutal. Afinal, todos confiaram na loira. Era melhor evitar o sentimento de traição e insegurança entre os estudantes. 
Enquanto Jean, em seu quarto, juntava forças para não desabar, alguém bateu à sua porta. “Pode entrar”, respondeu docemente.


DANIEL: - Atrapalho?

JEAN: - Não, Daniel. O que foi? Quer conversar?

DANIEL: - Como a senhorita está?

JEAN: - Quanta formalidade! Nem parece que namoramos! – ela riu.

DANIEL: - Que bom te ver rindo.

Mas Jean sabia como era: riria, fingiria estar bem junto aos outros, a verdade é que estava destruída por dentro. 

DANIEL: - Acho que vou embora amanhã.

JEAN: - Não vá! Quero que fale com Scott antes.

DANIEL: - O quê?

JEAN: - Ele, provavelmente, gostaria de te agradecer por tudo. 

DANIEL: - Eu não fiz nada.

JEAN: - Você foi nosso iluminado mensageiro. Isso não é pouco. Fez muito por todos.

DANIEL: - Ainda assim, você não parece muito feliz.

JEAN: - Eu vou ficar bem.

DANIEL: - Estou ansioso para reencontrar minha filha. 

JEAN: - Desculpe pedir para que espere. 

DANIEL: - Não tem problemas. Me sinto muito bem aqui, desde o dia em que pisei nesse lugar pela primeira vez... No dia de sua festa. Foi uma boa festa.

JEAN: - É. Foi.

DANIEL: - Esse lugar está coberto de amor e de lembranças. Histórias escondidas por cada parede, cada móvel. Você deve se sentir orgulhosa de estar aqui desde o começo.


JEAN: - Esse lugar já não é o mesmo que conheci, Daniel – o tom da voz dela era de quem se esforçava para não chorar. 


DANIEL: - Ororo me mostrou uma foto de quando os X-men começaram. Você e Scott pareciam felizes, Jean.

JEAN: - Éramos muito felizes.

DANIEL: - Ainda podem ser.

JEAN: - E por que não sinto mais isso? Por que nunca mais fui feliz, Daniel?

DANIEL: - Porque envelhecemos. A cada dia, fica mais difícil arrancar a felicidade do que nos cerca. A realidade se torna mais dura e incompreensível. Mas não podemos perder as esperanças, você não pode se perder daquela bela garota que Ororo me mostrou. Lembre-se dela, Jean. E tudo ficará melhor.

Daniel a abraçou gentilmente e saiu do quarto. A Garota Marvel. A charmosa estudante por quem todos se apaixonaram de imediato. Jean sentia tanta falta daqueles tempos que chegava a doer em cada pedaço de seu corpo. Crescer a machucou tanto, trouxe tantos fardos. O preço que pagou era alto demais. Naquela noite, Jean dormiu chorando, imaginando que dormiria assim todas as noites seguintes. Para o resto de sua vida. A garota de quem Daniel falava estava perdida e não havia mais sinais dela.

Jean acordou com Rachel a chamando insistentemente. Apesar de tudo, estar com a filha era a única coisa que a mantinha sã. Lembrou o quanto ficou perturbada ao descobrir uma filha que não teve e como tudo foi difícil entre as duas. Agora, amava Rachel como ninguém.


RACHEL: - Mãe... Meu pai está te esperando.


JEAN: - Hein?

RACHEL: - Ele, finalmente, parou de tomar os sedativos. Conversei um pouco com ele.

Jean ficou surpresa de ver pai e filha conversando. Rachel, normalmente, não se dava bem com Scott.

JEAN: - Conversaram? Sobre o quê?

RACHEL: - Sobre tudo. Sobre nada. Parece que algumas coisas vão começar a mudar. 

JEAN: - Que bom! 

RACHEL: - Ele quer falar com você. Acha que pode fazer isso, mãe?

JEAN: - Claro.

RACHEL: - Se não estiver preparada, ele vai entender.

JEAN: - Tenho que lidar com que aconteceu, filha, mais cedo ou mais tarde.

Jean caminhou tranquila até o Labmed. Sua cabeça estava perdida de uma maneira que não esperava nada dessa conversa. Era tão esquisito. Depois de tudo que passaram, Jean deveria estar determinada a lutar por quem amava. Contudo, não era isso que sentia. Não sentia nada.

Scott observou com olhos atentos a entrada de Jean. Era tudo que esperava depois de tudo. O rosto amigo, a única pessoa em que confiaria para o resto de sua vida. Isso jamais mudaria.

JEAN: - Scott... Como está?

SCOTT: - Estou dolorido em todos os lugares imagináveis – ele brincou – E você, Jean? Como está se recuperando?

JEAN: - Meus ferimentos não foram tão ruins assim, não se preocupe.

SCOTT: - Não estou falando desse tipo de ferimento.

Jean entendeu o que Scott queria dizer, mas preferiu não responder. Ele parecia abalado o suficiente para que ela o perturbasse mais.

SCOTT: - Preciso te pedir tantas desculpas. E te agradecer por ter salvado minha vida.

JEAN: - Não. Não precisa. Está tudo certo, não vamos ficar remoendo isso.


Falar dos últimos acontecimentos deixava Jean nervosa e inquieta. Queria apenas esquecer, esquecer tudo.


SCOTT: - Jean... Já te disse, não sabe como me arrependo em ter feito com que sofresse. Você é a última pessoa a quem eu desejaria faz mal.

JEAN: - Eu sei. Não precisa se explicar.

SCOTT: - Ainda sonho com o rosto de Emma... No momento em que eu percebi mesmo do que ela era capaz. Fui tão imbecil e isso quase custou nossas vidas, a vida de Rachel, o futuro dos X-men.

JEAN: - Não é sua culpa.

Jean sabia bem: a culpa não era exclusiva dele. Esse pensamento a matava por dentro, a torturava cada vez que fechava os olhos. Ela juntara os dois. Scott não devia se sentir culpado. 

SCOTT: - Você é a única pessoa em que posso confiar.

JEAN: - Preciso te falar algo.

Jean não aguentava ouvi-lo declarar culpa por tudo. Era desonesto esconder a modificação que fez para que Scott ficasse com Emma. Seria mais fácil fingir que isso não ocorreu, contudo, precisava assumir sua parte. Contou a ele, que escutou tudo calado, perplexo.

SCOTT: - Jean... Você não pode estar falando sério.

JEAN: - Scott, é verdade.

SCOTT: - Tudo que senti por Emma foi obra sua?

JEAN: - Não tudo. De certa forma, aprendeu a amá-la. Eu só te encaminhei a isso.

SCOTT: - Jean, então, eu nunca quis amá-la de fato? E toda essa dor que tomou conta de mim por ter passado esses tempos ao lado de Emma era desnecessária?

JEAN: - Eu só o fiz porque era a única escolha que tive! Pelo futuro!

SCOTT: - Futuro? Você brinca com os sentimentos dos outros em nome do futuro, Jean.


Jean se sentiu ferida com as acusações, mas não tinha forças para chorar. Estava fria. 


JEAN: - Scott, uma hora, você entenderá que fiz o que eu devia fazer. Tem certas horas que devemos deixar nossos sentimentos de lado. Você fez a mesma coisa na liderança dos X-men.

Scott abaixou a cabeça. De certa maneira, Jean tinha razão.

JEAN: - É por isso que não daríamos certo juntos, Scott. Uma hora nossas obrigações com o grupo superariam qualquer amor que sentíamos. Nosso amor fez com que eu o salvasse de Emma. Mas foi escolha nossa ter um papel maior que apenas de marido e mulher. Precisamos seguir pensando assim: de agora em diante, é melhor sermos apenas colegas de trabalho. Para não sairmos magoados. Chega de mágoas.

A atitude de Jean foi para Scott uma traição. Mas ele estava pronto para perdoá-la. Pelo menos, antes de ouvir aquelas duras palavras: colegas de trabalho. Jean estava decidida a protegê-los de posteriores sofrimentos. Ambos saíram tão fragilizados de todas as turbulências por que passaram. Talvez não aguentassem mais uma.

SCOTT: - Eu entendo. Agora, pode sair, por favor?

Jean caminhou para fora dali. No dia seguinte, voltaria a dar aulas, a ter suas ocupações. Se concentrou nisso. Não queria desabar, não de novo. Bastava. Seria forte. De uma vez por todas. 

 “Mude seu coração
Olhe ao seu redor
Mude seu coração
Você vai se surpreender
Preciso do seu amor
Como o brilho do sol

Alguma hora todo mundo tem que aprender”