Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em Progresso
Tipo: Família, romance.
Capítulo Anterior.
Ficaram assim, em silêncio, até o intervalo, quando Scott deu-se conta
de que Jean permanecera em absoluta quietude. Não que precisasse olhar para
vê-la ali, pois sentia seu perfume suave. Ou o que estava sentindo era ainda
resquício do que ficara impregnado em sua roupa depois daquele contato tão
íntimo, tão físico? Fosse qual fosse a origem do aroma, ele estava lá, doce e
provocante.
Voltou-se devagar, para saber o motivo daquele mutismo total. Viu Jean na
posição mais desconfortável que pudera imaginar. Seus olhos estavam fechados,
uma das pernas pendendo para fora do sofá, enquanto Rachel, profundamente
adormecida, esticara-se sobre sua barriga.
Scott aproximou-se devagar e retirou o livro, que acabara ficando por baixo das
perninhas de sua filha. Depois foi a vez do bloco de anotações, o qual, ao ser
removido de baixo do cotovelo de Jean, provocou-lhe alguns gemidos de
desconforto.
Scott aguardou, paciente, lendo algumas linhas do ensaio que ela começara a
escrever. Então, vendo que ela se acalmara outra vez, procurou ajeitá-la numa
posição mais apropriada.
Procurou fazê-la estender-se e tomou-a pelos ombros, ficando a milímetros de
distância de suas faces, capaz de perceber o quanto seus traços eram delicados
e meigos.
Agora Jean não estava fingindo para Elaine. Aquele era seu semblante ao
natural, adormecido, belo. De repente, como se estivesse sonhando, ela sorriu e
ergueu um pouco a mão direita, como se fosse tocá-lo. Mas o braço caiu para o
lado, na continuidade do sono.
Scott sentiu uma vontade imensa de tornar a beijá-la, e se encontrava
prestes a fazê-lo quando o telefone do hall tocou. De imediato, Jean ergueu as
pálpebras, um tanto alarmada. Ele se afastou depressa, lembrando-se da
brusquidão com que ela saíra da cozinha… E a expressão de Jean, daquele
instante, não parecia muito satisfeita. Não mesmo! Jean estivera sonhando.
Embora em seu sonho as feições de Scott não estivessem assim tão próximas…
Agora não sabia o que era pior: ter criado tal impressão doce em sua mente ou
ter vivido de fato aqueles momentos em que Scott quase a beijara. Sentia seus
lábios latejarem. Seria uma reação ou um aviso? Scott, pensou um tanto
irritada, deveria achar que era ansiedade por seu contato. Ficou ali, deitada
de costas, o peso de Rachel sobre si, não querendo se mover para não acordar a
menina. Instantes depois, Scott retornava à sala, sem esconder a preocupação.
Com destreza, pegou Rachel no colo sem deixar que despertasse e ajeitou-a no
outro canto do sofá.
Jean sentou-se, depressa. Não pretendia ficar naquela posição por muito tempo
diante dele. Mas Scott não parecia vê-la agora.
— Más notícias? — arriscou, passando a mão pelos cabelos.
— Na certa, para minha avó, não. Mas, já que foi ela quem arranjou tudo, é
lógico, não deve ser nenhuma surpresa.
Jean suspirou.
— O que foi agora?
— Não há dúvida de que Elaine Summers é de uma inteligência brilhante.
E, como se tivesse adivinhado que falavam dela,Elaine apareceu à porta.
— Era a irmã da sra. Raven — Scott disse, assim que viu a avó. —
Ligou para avisar que a enfermeira não vai voltar ao trabalho esta noite.
Talvez nem amanhã.
Elaine exultou.
— Está me dizendo que ela se demitiu?! Que maravilha! Jamais gostei…
— Não, vovó — ele a interrompeu, muito sério. Scott observou Jean, e ela
quase pôde ler seus pensamentos. Se Elaine tinha arranjado aquela cena, jamais
admitiria que sabia do que Scott estava falando.
— O fato é que a sra. Raven pegou uma gripe tão forte que não poderemos
contar com seu apoio pelo menos por uns dois ou três dias.
Elaine parou de sorrir e assentiu.
— Bem, o que se pode fazer? Talvez esteja de volta no sábado, então.
— E como pode ter ideia de quando ela vai retornar? — Scott não se conteve.
Elaine ergueu uma sobrancelha.
— Não tenho ideia, querido. Estou apenas concluindo o que me parece óbvio. E
depois, mal posso imaginar um vírus forte o suficiente pára derrubar a sra.
Raven. Ademais, devemos tomar precauções para que ela não volte logo e passe a
enfermidade para Rachel. Espero que você lhe tenha dado a semana inteira de
folga.
Jean mal podia acreditar. Em poucos segundos, Elaine deixara de ser a
acusada de saber de alguma coisa e tinha colocado o neto como grande herói por
ter afastado a enfermeira doente de sua filhinha. Assim, Scott não poderia
discutir sobre o assunto!
— Não, vovó. — Ele também se surpreendeu com a perícia de Elaine. —
Deixei essa parte para você. Por que não liga para a sra. Raven agora e a
tranqüiliza, dizendo-lhe para não se incomodar em vir trabalhar tão cedo?
Elaine não se deixou abalar:
— Não, não. Cuidarei disso amanhã. Afinal, ela pode ficar boa mais cedo.
Pode ser que nem se trate de uma gripe…
Jean continuava imaginando o que Scott estaria pensando: "Só vai
ser uma gripe se você disser a ela para que seja, vovó".
Elaine sentou-se numa poltrona próxima.
— Joga bridge, querida?
—Não, Elaine. Sinto muito, mas nunca aprendi.
— Ora, não faz mal. É que achei que você poderia aproveitar alguns momentos
para descansar do estudo. — Ela olhava para os papéis espalhados sobre a mesa.
— Mas amanhã vai poder repousar bastante, com certeza. Já que vamos às compras
e depois almoçar fora…
Elaine se interrompeu e voltou-se para Scott. Então, indagou:
— Meu querido, seu dia estará muito ocupado?
— Olhe, vovó, se vai sugerir que eu leve Rachel
comigo para a fábrica… — Scott meneou a cabeça, mas Jean se adiantou:
— Pensei que tivesse resolvido tirar folga.
— Bem, dispensei os funcionários, mas não a mim mesmo. E depois, a Summers vai
estar muito agradável e silenciosa. Assim, poderei colocar alguns assuntos
pendentes em dia.
— Não quis sugerir que você levasse Rachel para ficar na empresa o dia inteiro
— Elaine prosseguiu, como se não tivesse ouvido o que diziam. — No
entanto, como já fiz as reservas para o almoço, acreditei que, por uma ou duas
horas…
— Vovó, tenho um almoço com um fornecedor muito importante.
— Muito bem, então.— Elaine esboçou um plácido sorriso. — Vamos
considerar que segunda-feira será uma excelente oportunidade para Rachel e Jean
se conhecerem melhor. Ah! E para Rachel praticar seus bons modos em público
também. Algum de vocês gostaria de um pouco de sobremesa agora? Vou pegar para
mim e, já que os dois cuidaram da louça, creio que eu mesma poderia servir.
Elaine saiu, sem ao menos esperar por uma resposta. Scott acomodou-se no
braço do sofá.
— Acha mesmo que vovó arranjou tudo para que a sra. Raven não viesse
trabalhar, Scott?
— Pensei que você já tivesse dito algo sobre minha avó ser maquiavélica… Porém,
não acha que, assim, tudo pareceria muito conveniente?
— Pode ser… Seria uma oportunidade para que ela
mesma pudesse julgar se serei ou não uma boa madrasta. Não posso dizer qual
seria a melhor maneira de desiludi-la quanto a isso.
— Poderia surrar Rachel em público. O que acha?
Jean
voltou-se para o bebê, que dormia como um anjo.
— Eu jamais faria tal coisa, Scott. Mas acho que terei de ignorá-la o máximo
que puder. Se fizer parecer que não gosto de ser perturbada por crianças, em
especial quando você não está por perto…Jean percebeu que suas palavras
deixavam Scott mais aliviado. "Será que isso se deve ao fato de não
conseguir maltratar Rachel ou porque ele não quer me ver ligada à menina, tanto
quanto eu mesma não quero me deixar seduzir pelos encantos da pequena?" —
Há um lado bom em tudo isso, Scott. Vai ser uma boa desculpa para impedir que a
reunião que Elaine convocou para sexta-feira saia de nosso controle.
— Como assim?
— Sugira que Rachel já possa estar com a mesma gripe que afetou a sra. Raven.
Aliás, ela está com o rostinho tão corado que até parece febril…
— Rachel sempre foi corada assim.
— Sei disso, mas, se você insistir no assunto, acredito que Elaine não iria
arriscar ter a menina doente em meio a sua festinha, porque, sem uma enfermeira
para cuidar dela de modo apropriado, seus planos de ter uma tarde tranquila com
os amigos iriam por água abaixo. Além do mais, Elaine não poderia aceitar tal
possibilidade sem admitir também que a doença da sra. Raven é uma fraude.
Scott olhou-a por segundos. Depois falou:
— Jean, você é quase tão maquiavélica quanto minha avó.
— Obrigada, se é que isso foi um elogio. Mas, pelo menos, você não terá de
confiar nos pais de Emma para conseguir uma desculpa e manter nosso noivado em
segredo. Eu, contudo, ainda acho que eles devem estar viajando para algum local
muito agradável. No entanto, podem ter levado um telefone celular…
Elaine havia avisado que Jean poderia recolher-se tão tarde quanto
quisesse, porque Charles prepararia seu desjejum a qualquer momento, na manhã
seguinte. Ela própria, porém, estaria de pé às oito horas, não deixara de frisar.
Jean compreendeu muito bem a mensagem que estava implícita em tais palavras e,
poucos minutos depois das oito, já se encontrava descendo a escadaria da
mansão, encaminhando-se para a varanda, onde Elaine dissera que se costumava
servir o desjejum em ocasiões festivas ou feriados ensolarados.
Aquele dia nascera claro demais para o mês de novembro. Por isso, Jean parou um
pouco de andar para observar a beleza da paisagem que se podia ver dali.
Depois, respirando fundo, encaminhou-se para o lugar vazio ao lado do cadeirão
de Rachel. Acariciou os cabelos macios da menina, que comia seu mingau, e tinha
um pouco dele espalhado pelas faces.
— Está gostosa esta comidinha, meu amor? — Jean murmurou, sentando-se.
Elaine tomava seu café e tinha um caderno diante de si, mas deixou-o de
lado para dar total atenção à recém-chegada. Olhou com certo desprezo para a
calça velha de jeans que Jean usava, e depois tocou a sineta de prata para
chamar o mordomo. Então, muito séria, comentou com Scott, que estava sentado na
frente dela:
— Não se lembra mais de que um cavalheiro se levanta quando uma dama se
aproxima?
— Olá, Jean — cumprimentou ele, mal se erguendo da cadeira, sem se desviar
do jornal que lia.
— Há alguma notícia espetacular hoje ou Scott é sempre assim? — Jean
ergueu as sobrancelhas diante da quase indiferença dele.
— Sempre — ele mesmo respondeu.
— E apenas um mau hábito que meu neto tem, Jean. Tenho certeza de que você
vai conseguir fazer com que Scott o abandone, querida.
"Um mau hábito", repetia Jean em pensamento, imaginando como e
onde Scott o adquirira.
O desjejum poderia muito bem ser um dos piores momentos para ele, um que lhe
trouxesse péssimas recordações. Teria sido, talvez, o momento em que ele e Emma
poderiam desfrutar da companhia um do outro, sem interrupções ou telefonemas
indesejados.
Agora Scott lia o periódico com tanta atenção… Talvez para se esquecer
do local vazio que Emma ocupara à mesa. Talvez o lugar dela fosse o mesmo em
que Jean se acomodara. Sentiu-se arrepiar em vista disso. O que seria pior para
Scott? A cadeira vazia da esposa falecida ou olhar para ela e ver que outra
estava lá, apenas fingindo que era uma candidata a ocupá-la em definitivo? Bem,
nesse caso, não era de se admirar que ele não tentasse se desviasse da
leitura..
Jean sentiu-se de repente tão triste com tais conjecturas que baixou a cabeça.
Elaine não seria capaz de perceber que seu neto ainda não estava pronto para
amar de novo? Ou saberia, mas não daria maior importância ao fato? Ou, pior
ainda, crendo que Scott jamais conseguiria vir a amar outra mulher, tivesse em
mente apenas um matrimônio de conveniência?
Aquelas moças todas que Elaine chamara a sua residência como possíveis candidatas
a esposa de Scott estariam cientes de que viveriam uma farsa, e não um romance?
Jean recusava-se a imaginar que poderia haver tanta frieza assim num casamento
arranjado. Mesmo para os padrões de Elaine. Afinal, tratava-se de casar um
homem riquíssimo e bem posicionado na sociedade. Algumas jovens poderiam
desejar Scott com ardor, sim.
De repente, Jean deu-se conta, em meio a seus devaneios, que Charles estava
curvado junto dela, perguntando por sua preferência para a refeição, pelo menos
pela segunda vez.
— Apenas torradas e café, Charles, obrigada — apressou-se a dizer.
— Vamos ter um dia cheio — Elaine observou. — Precisará de muita
energia para as compras, meu bem.
O mordomo se pôs a servi-la. Jean disse, vacilante:
— Elaine, a meu ver, não há necessidade de comprarmos nada. Já que não vamos
sair no sábado à noite…
— Por que não? — Elaine pareceu surpresa e desapontada ao mesmo tempo.
— Bem, se a sra. Raven não estiver de volta, não acho que devamos deixar
Rachel…
— Bobagem! Crê, mesmo, que me esqueci de como se dá banho numa criança? Posso
estar velha, mas não caduca. — Elaine sorriu de leve, um tanto enigmática. —
E depois, se Scott fizer suas reservas para o último horário, poderemos deixar
Rachel em ordem antes mesmo de vocês dois saírem. E eu terei apenas de zelar
pelo sono dela.
Jean sentiu-se derrotada. Sua tentativa fora tão desajeitada que já não
tinha como argumentar.
— E depois, você vai precisar de algo para vestir hoje à noite — Elaine
acrescentou, bebericando seu café.
"Chegou o momento de eu sugerir que Rachel não parece bem."
Entretanto, ninguém em sã consciência poderia olhar para aquele bebê esperto,
corado e risonho e sugerir que estivesse na iminência de pegar uma gripe. E
Scott parecia ter chegado à mesma conclusão, porque apenas deu de ombros e
voltou ao jornal.
— Não se esqueceu de que deve falar com os pais de Emma, não é, meu querido?
— Elaine mostrava um ar triunfante. — Quanto mais cedo, melhor, você
sabe. Eu detestaria que eles ficassem sabendo de seu noivado por outras
pessoas.
Elaine tornou a abrir o caderno que deixara de lado e, marcando uma
página, empurrou-o para Jean.
— Fiz uma listinha do que precisaremos comprar.
Jean nem se deu ao trabalho de ver item por item. O comprimento da lista já
era suficiente para fazer seu estômago sentir-se tão vazio quanto sua carteira.
Scott dobrou o vespertino e levantou-se.
— De quanto acha que vai precisar? — Enfiou a mão no bolso.
— Não seja tolo! — Elaine protestou de imediato. — Não pode comprar
roupas para Jean antes do casamento. Não seria apropriado. No entanto, se
quiser dar-lhe um carro, como presente de noivado…
— Isso é uma indireta para que eu deixe meu automóvel para seu uso hoje?
— Não, eu agradeço — Jean interveio, firme, fazendo com que Elaine a
olhasse, interessada.
— Quando vou às compras, prefiro tomar táxis. Assim, deixo o trabalho de
estacionar para outra pessoa.
Elaine ergueu o rosto para que Scott lhe desse um beijo. Depois, indo até o
cadeirão de Rachel, ele limpou um pouco de mingau da bochecha rosada, para
poder beijá-la também e, em seguida, aproximou-se do lugar ocupado por Jean.
De imediato, ela sentiu todos os nervos se retesarem. Procurou ficar
imóvel, sabendo que Scotte a beijaria, mas já haviam discutido sobre o que era
e o que não era um beijo sugestivo. Portanto, achou que pudesse sentir-se
segura. Scott inclinou-se e tomou sua boca na dele, num beijo que deveria ser
comum, mas que acelerou sua respiração. Sentiu os dentes dele roçando de leve
seus lábios, acendendo cada partícula de seu corpo. Jean procurou resistir e
soube que ele percebeu isso quando o viu erguer o corpo novamente, com um
ligeiro sorriso passando-lhe pelos lábios maliciosos.
Só agora Jean dava-se conta do quanto ainda teria que se arrepender por ter
agido num impulso, beijando-o daquela forma na cozinha, na noite anterior.
Elaine aguardou até que ele se fosse, e afastou sua xícara.
— Acho que poderemos começar com a suíte principal assim que você terminar
seu desjejum e nós conseguirmos limpar Rachel — disse. — Assim você
poderá pensar nas mudanças que vai querer fazer por lá. E, se tivermos sorte em
achar os tecidos certos, poderemos, hoje mesmo, passar por uma loja de
decoração e encomendar o serviço completo.
Jean olhou para a meia fatia de torrada que tinha na mão. Parecia-lhe
loucura, mas começava a entender porque Scott resistia tanto à ideia de um novo
casamento… Uma outra esposa poderia tentar organizar sua vida tanto ou mais do
que Elaine já fazia.
Elaine, aos olhos de Jean, tentaria fazer com que ela cometesse alguma gafe
irremediável e, dessa forma, fosse descartada da lista de possíveis candidatas.
Jean queria muito cometer essa gafe. Adoraria que Elaine a detestasse e
que aquela situação absurda acabasse de uma vez, mas sabia que teria de armar
uma situação em que Scott estivesse presente para ver o que se passaria,
dando-lhe ensejo, assim, de terminar com aquele compromisso falso.
Pouco depois, estavam as duas entrando na suíte principal da mansão. Jean ainda
vacilava, trazendo Rachel pela mão. Elaine, ao contrário, mostrava-se
bem disposta e decidida.
O sol penetrava no ambiente enorme através de janelas muito bem dispostas em
três das paredes. O mobiliário era lindíssimo, e o ambiente, no geral, parecia
de sonho.
Jean entreabriu os lábios, surpresa e encantada. Seu olhar foi direto à
lareira, que ocupava a parede do centro. Sobre ela aparecia uma pintura enorme,
representando uma mulher belíssima. Era Emma, sem dúvida, pois seus grandes
olhos escuros eram muito semelhantes aos de Rachel.
Jean reparou que um suave roupão de seda estava ainda sobre um diva próximo.
Era estranho… Seu retrato ainda acima da lareira do dormitório, uma peça de
roupa ainda sobre a mobília… Não admirava que Elaine tivesse insistido para que
Jean fosse até ali e visse tudo aquilo. Não havia melhor maneira de mostrar o
quanto a praticidade de Jean se opunha ao romantismo e a elegância de Emma.
— Como pode alguém competir com uma mulher assim?— Jean flagrou-se indagando.
— Minha opinião pessoal, minha cara, é: não tente.
Atônita, mal podendo acreditar no que acabara de ouvir, Jean voltou-se para
encarar Elaine. Não havia sarcasmo na voz da velhinha. Seu tom era, até,
bastante casual.
Elaine não procurava impressioná-la. Apenas atestava um fato bastante claro
para Jean, uma confirmação de que o plano que montara com Scott estava, afinal,
dando certo. Eles queriam que Elaine considerasse Jean inaceitável e pareciam
estar tendo sucesso nisso. No entanto, para seu próprio espanto, Jean sentia
aquela afirmação de Elaine como uma suave bofetada em seu rosto…

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