Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em Progresso
Tipo: Família, romance.
Capítulo Anterior.
Os preparativos para a pequena reunião planejada por Elaine estavam em
andamento quando Scott voltou para casa naquele fim de tarde.
O andar de baixo tinha uma atividade agitada, o que contrastava com o andar
superior. O quarto de Elaine permanecia fechado, bem como os aposentos agora
ocupados por Jean. E o de Rachel encontrava-se vazio.
Scott bateu com suavidade à porta do quarto de Jean e, ao não obter resposta,
perguntou-se se elas podiam ainda estar nas lojas. Instantes depois, no
entanto, uma ligeira fresta foi aberta, suficiente apenas para que divisasse
parte do rosto dela.
— Quase não o ouvi…
— Eu não queria que minha avó escutasse — Scott explicou. — Podemos
conversar um instante antes de a festa começar?
Jean demorou a responder, depois convidou:
— Acho melhor você entrar.
Ela usava um grande robe, que lhe ia até os pés. Não fosse pela abertura,
por onde vislumbrou parte de uma perna bem torneada, Scott acharia que aquele
roupão nada tinha de interessante. De repente, ao imaginar que ela poderia não
estar usando nada por baixo, ficou tenso.
— Estranho, não? — Olhou-a, um tanto encabulado. Quando sou convidado
a entrar em seu dormitório, quase não há tempo para aproveitar esse convite.
— Olhe, não comece com insinuações, porque… De repente, um chamado agudo veio
do banheiro:
— Mã!
— Rachel está na banheira — Jean apressou-se a explicar e voltou-se, na
intenção de ir até a menina.
Scott observou o vestido que fora deixado sobre a cama e se desapontou. Era de
um tom escuro, meio esverdeado e reto, com gola alta e mangas longas. Teria
sido escolha de Jean ou de sua avó?
— Há uma banheira muito boa no quarto de Rachel. Por que ela estava tomando
banho aí?
— Já notou como aquele lugar é sem graça? — Jean rebateu, de lá de dentro. — E
depois, estava ficando tarde, e achei mais prático trazer ela para cá. Assim,
posso me arrumar enquanto ela brinca.
Scott sorriu.
— Não me faça mudar seus planos…
— Eu não sabia que não se importava em me ver
escovar os dentes e fazer gargarejo, Scott! Bem, sobre o que quer conversar,
afinal?
Scott foi
até o toalete e, aproximando-se, sentou-se na borda da banheira, vendo Rachel
empurrar um barco de plástico em sua direção.
— Pensei que você iria ignorá-la… — Não pôde conter a ironia.
— Tentei, mas tive tanto sucesso quanto você, hoje, no restaurante.
— Sei como é.
— Olhe, não me entenda mal. Só trouxe Rachel para cá porque sua avó estava
cansada demais quando chegamos, e os empregados estão muito ocupados com os
preparativos para a festinha de logo mais.
Rachel brincava, feliz, espalhando água e espuma para todos os lados. Jean
aproximou-se do espelho, com um pincel de rimei na mão.
— O que queria conversar comigo, Scott?
— Só desejava dizer que não consegui falar com os Frost.
Jean não sabia a quem Scott se referia.
— São os pais de Emma.
— Eu não lhe disse que deveriam estar viajando?
— Mas deixei um recado com a empregada.
Rachel cansou-se do banho de repente e levantou-se, querendo sair da
banheira. Scott enrolou-a em uma toalha e segurou-a no colo.
— Você não contou à empregada, contou? — Jean parecia alarmada.
— Evidente que não. Apenas pedi para que os Frost me ligassem assim que chegassem.
— Pôs-se a enxugar os cabelos da menina, com todo o carinho.
— Onde será que eles estão?
— A moça sabe que não deve informar.
— Pelo menos isso vai atrasar o anúncio de Elaine por algum tempo. Não que seja
uma grande surpresa…
Scott colocou a filha sentada sobre o mármore da pia e apanhou o secador.
— Minha avó tem razão quando diz que esse é o tipo de anúncio que não se
mantém em segredo por muito tempo, Jean. Parece-me um tanto tarde para
retroceder, agora que já a apresentei até para um fornecedor, não é mesmo?
Jean tomou o secador dele.
— Desse jeito, Rachel vai parecer tão assustada quanto se tivesse visto uma
bruxa ou coisa parecida — repreendeu-o pelo modo desajeitado com que Scott
secava as mechas finas da menina. Continuou, pondo-se a realizar a tarefa com
bem mais habilidade que ele: — Você não precisava ter me apresentado. Podia
ter dito que eu era uma amiga da família.
— E ficar ali parado enquanto Hank a devorava com o olhar? E depois, eu teria
de explicar tudo a minha avó.
— Acha mesmo que ele se interessou por mim?
Scott não gostou da pergunta. Jean estaria tão encantada com aquele
primeiro encontro quanto Hank ficara?
— Olhe, se ele a impressionou tanto, quando tudo
isso terminar poderei apresentá-los de novo, se quiser.
Um sorriso leve apareceu nos lábios de Jean e, por alguns segundos, Scott achou
que ela iria rir de si mesma. Isso deixou-o mais aliviado. A idéia de vê-la
cobiçando Hank não o agradava nem um pouco. Porém, o que Jean afirmou deixou-o
perplexo:
— Obrigada, Scott, é um grande sujeito. Vou me lembrar disso. Agora, me diga:
você arrumará Rachel para a festa ou eu mesma devo fazer isso?
Elaine já estava na sala de música quando Scott desceu, muito paciente,
visto que Rachel insistira em vir por si mesma, descendo degrau por degrau da
enorme escadaria.
Assim que viu o neto, Elaine ajeitou o arranjo que colocara sobre a cabeça e
indagou, apontando de leve para o delicado vestido de veludo que a bisneta
usava:
— E então, não fizemos excelentes aquisições?
— Não sei bem. — Scott serviu um cálice de licor à avó. Parecia
descontente. — O que a levou a comprar tal roupa para ela?
— Como assim, meu querido? Não gostou do tom do veludo?
— Estou falando de Jean.
Elaine pareceu atônita.
— Ora, achei que… — Ela se interrompeu, vendo que Jean acabara de
entrar.
Scott, voltando-se, teve de conter a respiração. O traje, que parecera tão
simples sobre o leito, mostrava-se agora muito diferente, aderindo ao corpo de
Jean como uma luva. Caía com suavidade sobre as curvas bem-feitas e, embora não
sendo muito curto, deixava as belas pernas à mostra o suficiente para parecerem
ainda mais bem torneadas.
A gola alta, na verdade, era apenas um efeito que tornava o pescoço de Jean
ainda mais elegante e gracioso.
Por alguns instantes, Scott sentiu-se feliz por Hank não estar ali para vê-la.
Se Jean, em jeans, o tinha deixado sem fala, trajada daquela maneira faria dele
um pobre idiota apaixonado.
— Não o
acha atraente? — Elaine
quis saber, de modo inocente, referindo-se à roupa.
Scott parecia ainda desconcertado com a visão, mas murmurou, mesmo assim:
— Eu apenas quero saber quem o escolheu.
— Rachel, é claro. Embora eu ache que a pequena estava mais interessada na
textura do que propriamente no modelo.
Rachel caminhara até junto de Jean e colara o rostinho ao tecido suave.
Jean lhe acariciava os cabelos. Naquele momento, a campainha soou, anunciando a
chegada dos primeiros convidados. Scott notou que Jean endireitava a espinha e
respirava fundo, ao ver Charles se apressar para atender.
Scott aproximou-se dela.
— Não se preocupe. Todos vão estar tão mais interessados no vestido que mal
terão tempo de lembrar-se de quem está dentro dele.
— Não admira que Elaine o tenha aprovado.

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