Descrição: Fic baseada no livro de romance Marido por Acaso.
    Classificação Indicativa: K (5+)
    Status: Em Progresso
    Tipo: Família, romance.

    Capítulo Anterior.



    Logo os convidados apareceram, cercando-os. Mais de uma hora se passou até que Scott e Jean tivessem oportunidade de trocar mais algumas palavras em particular.

    Scott bebericava um uísque quando Jean chegou perto.


    — Pelo jeito, todos sabem, Scott. E, embora olhem muito para o anel, ninguém fez nenhum comentário. Elaine deve ter lhes contado como se fosse uma confidencia…


    — Seja o que for que tenha dito, logo alguém vai falar alguma coisa. Bem, quanto a essa roupa… Quem a escolheu? Foi vovó?


    — Por quê? Acha que a ideia foi minha? Estávamos no fim da tarde, meus pés começavam a arder, Rachel tinha adormecido, e sua avó continuava bem disposta. Vi-me exaurida demais para discutir com ela, fosse sobre o que fosse. Diga-me, quantas das mulheres aqui presentes foram suas namoradas um dia, Scott?

    — Nem tantas quantos são os homens que gostariam de ser seus namorados agora.

    — Não sou eu, é o vestido, lembra-se? Você mesmo observou que o efeito dele seria maior do que esperava. Vamos, quantas aqui já namoraram você. Fale isso, e lhe direi quem são.


    — Aposto que não consegue. Há três.


    — Só? Esperava pelo menos cinco. Jean passou os olhos pela sala, avaliando as jovens ali presentes, e foi falando devagar: — Aquela loira segurando um martíni e aquela com os cabelos bem curtinhos, mais atrás. Parece que estão confabulando, não acha?


    Scott assentiu, grave, elogiando:


    — Nada mal, garota!

    — Bem, elas são óbvias. Quanto à terceira… Jean observou-o de cima a baixo, como se nunca o tivesse visto antes, e em seguida tornou a observar as moças.Diria que é aquela morena escultural que está flertando com aquele rapaz. O que parece militar.


    Scott estava impressionado com a precisão.

    — Devia ter apostado, Jean.


    — Não seria justo com você. Elas são, de fato, todas muito óbvias. O que as denunciou foi a maneira como me olharam quando viram o diamante em minha mão. Tem certeza de que não há mais nenhuma?

    — Estamos ou não falando sobre minhas ex-namoradas? Se não sei quem daqui já saiu comigo…

    — Devo dizer que também aposto que aquela ruiva que Elaine convidou para sua mesa de bridge é muito suspeita. Ela me encarou da mesma forma.

    — Ah, ela… Não foi exatamente uma namorada.

    — Não? Eu já imaginava…

    Havia um certo tom irônico na voz de Jean. Assim que ela deu-lhe as costas, na intenção de se afastar, Scott tomou-a pelo braço e a fez virar-se.


    — Espere um pouco. Aonde vai?


    — Ouvir o que elas têm a dizer sobre mim e você, é lógico. Elaine ficaria muito triste se eu não aproveitasse a oportunidade para descobrir o quanto as garotas consideram nosso noivado ridículo.

    Atrás de Scott, Charles pigarreou, chamando-lhe a atenção.


    — Sinto perturbá-lo, senhor, mas há um telefonema… O sr. Frost disse que o assunto é muito importante.


    Jean voltou-o de imediato. Scott, contrariado, deixou a sala e foi atender. Ele demorou muito para voltar, e Jean contou cada segundo.

    Elaine organizou as mesas de bridge, e os jogadores colocaram-se em seus lugares. Jean ouviu alguns comentários maliciosos sobre Scott e ela, em especial das antigas namoradas dele. Rachel, aborrecida por ter de ficar num cercadinho a um dos cantos da sala, bateu os pés e gritou. Grata pela desculpa de ter algo a fazer, Jean se dirigiu até a menina e ergueu-a nos braços, saindo com ela dali para a biblioteca, logo ao lado, onde se sentou junto à lareira, acalentando a garotinha.


    De onde estava, podia ver grande parte do outro ambiente e dos convidados. Isso, porém, não acontecia com eles, porque a biblioteca estava em penumbra. Talvez tenha sido por isso, imaginou ela, que Scott não a procurou assim que retornou.

    Ele se juntou a um grupo e passou a conversar e rir, muito animado. Jean, no entanto, achava-o um tanto preocupado. Sua risada parecia forçada, diferente.
    Pouco mais tarde, o jogo e a festa terminaram. Assim que o último convidado se foi, Elaine aproximou-se e retirou Rachel, já adormecida, do colo de Jean, levando-a para seu quarto.


    — Eu também vou me recolher. A senhora dirigiu-se à escadaria. — Amanhã cedo poderemos comentar sobre a reunião.


    Jean massageou os ombros, que pareciam doloridos por ter segurado a menina por tanto tempo. Scott, sentado no braço de uma poltrona próxima, observava-a com uma expressão estranha. Charles recolhia copos e pratos.


    — Charles, por que não deixa o resto do serviço para amanhã? — Scott sugeriu, de repente, surpreendendo o mordomo.

    Com uma mesura, Charles retirou-se, sem contestar.


    — Venha, acompanharei você até seus aposentos. Scott, sem dar tempo a Jean para falar, conduziu-a naquela direção.


    Já no hall superior, ela se voltou para encará-lo.


    — O que houve? O que o sr. Frost disse? indagou, ansiosa.


    —Ora, o que você já poderia esperar. 


    Evidente que Jean não sabia a que Scott se referia, e ele devia saber disso. Assim, por que não lhe dera uma resposta direta?


    Por outro lado, ela analisava, o comentário vago parecia fazer sentido. Afinal, aquele assunto não era de sua conta. Não importava o que Scott tivesse dito ao ex-sogro ou o que tivesse ouvido dele. Tratava-se de um assunto que parecia pertencer exclusivamente aos dois homens que haviam amado Emma.


    Se o compromisso que fingiam ter fosse real, então Jean teria todo o direito de saber como o pai de Emma recebera a notícia. Mas esse não era o caso. Jean sentiu um frio no estômago. Teria ido longe demais e perdido o sentido da realidade? Haveria interpretado sua parte tão bem que agora já não achava que era apenas um papel que estivera desempenhando? Voltou-se, à soleira de seu dormitório, e procurou não fitar Scott de frente.


    — Estou muito cansada. Talvez possamos conversar pela manhã.


    Scott não respondeu. Ergueu a mão direita e passou-a, muito de leve, sobre a gola macia do vestido dela. O toque de seus dedos pareceu lançar uma corrente elétrica por todo o corpo de Jean, obrigando-a recostar-se ao batente. Queria poder afastar-se dele e não deixá-lo perceber o que a simples carícia de seus dedos era capaz de provocar…

    — Todos os rapazes que estiveram aqui quiseram fazer isto murmurou ele, parecendo encantado com o traje muito feminino.


    — Nenhum deles tentou. 


    Scott sorriu de leve, rebatendo:

    — Não, até agora.

    Ela esperava que Scott a puxasse para si e repetisse a incrível experiência física que fora o beijo trocado na cozinha.

    Porém, Scott não o fez. Ao contrário, aproximou-se muito devagar, passando os braços ao redor dela, impedindo-a de escapar, caso quisesse. Depois baixou a cabeça e tocou-lhe os lábios, a princípio numa carícia controlada, suave, até que Jean entreabriu a boca, dando-lhe a permissão pela qual parecia estar esperando. Scott, então, aprofundou o beijo, exigente e sedutor. Quando se afastou alguns milímetros, 


    Jean tinha as pernas trêmulas. Queria poder mostrar a ele que não estava tão abalada, que aquele fora apenas mais um ato sem consequências, mas não conseguia.


    — Por que fez isso, Scott? Não estamos em público, portanto, não precisamos enganar ninguém.

    — Eu a beijei porque quis, e você correspondeu pelo mesmo motivo.— Scott a estudou de cima abaixo. — Acho que não vai me convidar para entrar, vai?

    — Pode apostar que não. Contudo, Jean queria dizer o contrário.


    Ele deu de ombros.


    — Então, vou continuar tentando. Esboçou um meio sorriso.


    Jean entrou no quarto e trancou-se depressa, com a respiração acelerada. Era loucura querer um homem que ainda amava a esposa falecida. E seria tolice imaginar que fazer amor e amar pudessem ser a mesma coisa.


    O que Scott deveria estar sentindo era puro desejo físico e, depois que tivessem se amado, ele se afastaria sem o menor remorso.


    Se Jean aceitasse estar com Scott, ele se divertiria; apenas isso. E, se continuasse a dizer-lhe "não", ele não insistiria muito, apenas sorriria, como acabara de fazer, e se afastaria, ridicularizando a situação. O fato era que ela, Jean, nada significava em sua vida.


    Então por que sentia tamanha vontade de abrir de novo aquela porta e aceitar os carinhos dele?


    Capítulo dedicado a querida Lidiane, pois hoje é o aniversário dela! Parabéns Gatona!