Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Finalizada.
Tipo: Família, romance.
Capítulo Anterior.
EPÍLOGO
"Querida Jean:
Há alguns pontos que queria esclarecer com você. Poderia conversar pessoalmente, mas admito que sou um tanto cínica. Sendo assim, optei por escrever.
Do alto de minha longa experiência de vida, aprendi a ler o coração das pessoas com uma incrível facilidade. Espantei-me quando vi que, apesar de tão jovem, já aprendeu essa arte também, querida. E apreciei essa sua faceta.
Quando meu neto a trouxe para casa pela primeira vez, um misto de frustração, raiva e ternura invadiu meu peito. Olhei para você e vi alguém inadequado para meus padrões, mas com uma alma cândida. Por isso, apesar de disfarçar muito bem, fiquei desconcertada. O que fazer com uma garota que não tem maldade dentro de si?
Desejei, sim, vê-la a quilômetros de distância. Scott se casara com uma jovem que poderia ser comparada a uma diva do cinema, cheia de glamour e refinamento. De onde ele tirara a idéia de se envolver com uma simples operária de unhas curtas?! Entretanto, toda vez que a encarava, eu via em seu semblante uma nobreza de caráter muito difícil de se encontrar hoje em dia. Pensei que já sabia de tudo e que, por ser tão idosa, não tivesse mais nada a aprender. Engano meu.
Com sua inteligência, amabilidade e boas intenções, conseguiu fazer com que eu visse que há valores bem mais importantes do que o verniz que o convívio em sociedade nos dá.
"Querida Jean:
Há alguns pontos que queria esclarecer com você. Poderia conversar pessoalmente, mas admito que sou um tanto cínica. Sendo assim, optei por escrever.
Do alto de minha longa experiência de vida, aprendi a ler o coração das pessoas com uma incrível facilidade. Espantei-me quando vi que, apesar de tão jovem, já aprendeu essa arte também, querida. E apreciei essa sua faceta.
Quando meu neto a trouxe para casa pela primeira vez, um misto de frustração, raiva e ternura invadiu meu peito. Olhei para você e vi alguém inadequado para meus padrões, mas com uma alma cândida. Por isso, apesar de disfarçar muito bem, fiquei desconcertada. O que fazer com uma garota que não tem maldade dentro de si?
Desejei, sim, vê-la a quilômetros de distância. Scott se casara com uma jovem que poderia ser comparada a uma diva do cinema, cheia de glamour e refinamento. De onde ele tirara a idéia de se envolver com uma simples operária de unhas curtas?! Entretanto, toda vez que a encarava, eu via em seu semblante uma nobreza de caráter muito difícil de se encontrar hoje em dia. Pensei que já sabia de tudo e que, por ser tão idosa, não tivesse mais nada a aprender. Engano meu.
Com sua inteligência, amabilidade e boas intenções, conseguiu fazer com que eu visse que há valores bem mais importantes do que o verniz que o convívio em sociedade nos dá.
Notei, meu bem, que não tinha sido contaminada pela
hipocrisia a que todos estamos sujeitos se não prestamos atenção a nossas
atitudes e às alheias. É fácil menosprezar alguém por sua falta de traquejo
social, por sua simplicidade de vocabulário. Por isso, devemos nos esforçar
para ter sempre o coração aberto.
Quando o fechamos, só nós temos a perder, pois nos entregamos ao preconceito, que aniquila o amor e a tolerância. Vivi muito, conheci quase todos os países do mundo, gente de variadas culturas. Porém, devo admitir que sempre tive uma certa altivez que me impediu de olhar no mesmo nível os menos favorecidos pelos ventos da fortuna financeira.
Você conseguiu ultrapassar com louvor essa barreira. No dia em que ouvi Rachel chamá-la de "mãe", com aquele seu jeitinho de bebê, um véu pareceu cair de sobre minha vista, e pude enxergar com clareza a pessoa que havia diante de mim. Alguém que conquistava o amor puro de uma criança tão depressa só podia ser muito especial.
A partir daí, comecei a lhe dar algum crédito. Conversei a seu respeito algumas vezes com Charles, que é seu fã número dois. O um, lógico, é Scott. Meu mordomo, que me acompanha há décadas e a quem dedico uma grande afeição, disse-me que, depois de sua falecida mulher, nunca mais encontrou uma moça de alma tão grandiosa, até conhecê-la, Jean. Isso, vindo de um sujeito sisudo como ele, é um elogio e tanto!
Quando o fechamos, só nós temos a perder, pois nos entregamos ao preconceito, que aniquila o amor e a tolerância. Vivi muito, conheci quase todos os países do mundo, gente de variadas culturas. Porém, devo admitir que sempre tive uma certa altivez que me impediu de olhar no mesmo nível os menos favorecidos pelos ventos da fortuna financeira.
Você conseguiu ultrapassar com louvor essa barreira. No dia em que ouvi Rachel chamá-la de "mãe", com aquele seu jeitinho de bebê, um véu pareceu cair de sobre minha vista, e pude enxergar com clareza a pessoa que havia diante de mim. Alguém que conquistava o amor puro de uma criança tão depressa só podia ser muito especial.
A partir daí, comecei a lhe dar algum crédito. Conversei a seu respeito algumas vezes com Charles, que é seu fã número dois. O um, lógico, é Scott. Meu mordomo, que me acompanha há décadas e a quem dedico uma grande afeição, disse-me que, depois de sua falecida mulher, nunca mais encontrou uma moça de alma tão grandiosa, até conhecê-la, Jean. Isso, vindo de um sujeito sisudo como ele, é um elogio e tanto!
Tive de concordar com Charles.
A única coisa que eu queria era que meu Scott fosse feliz, junto daquela criaturinha maravilhosa que é Rachel. A pobre garota foi rejeitada pela mãe desde o ventre. Meu neto não sabe que sei disso, mas não era preciso ser adivinho para notar o quanto Emma se arrependia de ter engravidado. Por isso, morri de medo de que Scott errasse de novo e acabasse se envolvendo com outra mocinha fútil.
Desse modo, cada atitude, cada gesto seu foi por mim avaliado. Por favor, não se indigne. Minha intenção não era menosprezá-la, como deve ter imaginado. Eu quis apenas proteger meus entes queridos. Meu neto sofreu demais com Emma. Ele pensa que não sei, mas nada me passou despercebido. Conheço-o desde de nenê, afinal.
Enfim, o que pretendo dizer com tudo isso é que a quero como a uma filha. Seja bem-vinda entre nós, e cuide para que meu Scott e minha Rachel tenham em você tudo de que necessitam. Sua compensação será todo o amor do mundo, estou certa disso.
Estarei a seu lado sempre, para tudo de que necessitar, sejam conselhos, seja apoio, seja carinho.
Agora, tente imaginar-me dizendo-lhe estas coisas olhando no fundo de seus olhos. Meu quase permanente esgar de ironia a deixaria ou não em dúvida sobre minha sinceridade?
Deus a abençoe, minha querida. A partir de já, somos uma família.
Elaine Summers."
A única coisa que eu queria era que meu Scott fosse feliz, junto daquela criaturinha maravilhosa que é Rachel. A pobre garota foi rejeitada pela mãe desde o ventre. Meu neto não sabe que sei disso, mas não era preciso ser adivinho para notar o quanto Emma se arrependia de ter engravidado. Por isso, morri de medo de que Scott errasse de novo e acabasse se envolvendo com outra mocinha fútil.
Desse modo, cada atitude, cada gesto seu foi por mim avaliado. Por favor, não se indigne. Minha intenção não era menosprezá-la, como deve ter imaginado. Eu quis apenas proteger meus entes queridos. Meu neto sofreu demais com Emma. Ele pensa que não sei, mas nada me passou despercebido. Conheço-o desde de nenê, afinal.
Enfim, o que pretendo dizer com tudo isso é que a quero como a uma filha. Seja bem-vinda entre nós, e cuide para que meu Scott e minha Rachel tenham em você tudo de que necessitam. Sua compensação será todo o amor do mundo, estou certa disso.
Estarei a seu lado sempre, para tudo de que necessitar, sejam conselhos, seja apoio, seja carinho.
Agora, tente imaginar-me dizendo-lhe estas coisas olhando no fundo de seus olhos. Meu quase permanente esgar de ironia a deixaria ou não em dúvida sobre minha sinceridade?
Deus a abençoe, minha querida. A partir de já, somos uma família.
Elaine Summers."
Jean enxugou a lágrima que lhe correu pela face. A carta de Elaine
empurrava para longe todas as dúvidas de que poderia ser feliz com Scott e
Rachel. A bondosa velhinha não só a aceitava com carinho como a admirava.
— Ah, Elaine, você não poderia ter me dado presente melhor!
Dirigiu-se a seu quarto, no minúsculo apartamento. Já era hora de começar a se arrumar para a cerimônia simples que a aguardava na mansão dos Summers. Aquele seria o dia mais feliz de sua existência, pois se uniria a Scott e passaria a ser mãe do bebê mais lindo que já vira. Kitty iria dividir com Ororo as despesas em seu lugar. Assim, ninguém sairia prejudicado.
Em cima da cama, acariciou o vestido branco, com corpete de renda e pequenas pérolas, com que Elaine fizera questão de presenteá-la. Pertencera à mãe de Scott, que fora felicíssima em sua longa união com o pai dele.
Jean fizera questão de uma reunião só para os amigos íntimos e parentes, em vez da pompa com que Elaine sonhava.
— Sou uma moça simples, Elaine, e adoro ser assim — afirmara.
O projeto da nova fábrica ficara pronto, e Scott não cansava de avisar a todos que sua futura mulher era uma brilhante arquiteta. O ruído da maçaneta girando indicou que Kitty chegava, atarantada, para auxiliar Jean com os preparativos.
— Pronto! Aqui estou! Agora, sente-se diante da penteadeira, e começarei a fazer sua maquiagem. Você, que sempre foi linda, vai ficar deslumbrante, Jean. Até que enfim meu sonho de vê-la bem arrumada se realizará!
Jean achou graça. Kitty, a amiga que sempre estivera a seu lado, estava se dando muito bem com Hank, a quem fora apresentada fazia poucas semanas.
— Prometo que eu mesma cuidarei de tudo quando você resolver se casar com Hank.
— Jean! Eu o conheço há pouco mais de quinze dias! Bem, fique quieta. Tenho muito a fazer por aqui.
Uma hora depois, uma limusine parou diante do velho prédio de Jean, que se dirigiu à igreja com Kitty e Ororo. Jean, em pensamento, despediu-se da antiga vizinhança. Seu príncipe a aguardava, ansioso, para fazer dela a mulher mais feliz do mundo.
— Ah, Elaine, você não poderia ter me dado presente melhor!
Dirigiu-se a seu quarto, no minúsculo apartamento. Já era hora de começar a se arrumar para a cerimônia simples que a aguardava na mansão dos Summers. Aquele seria o dia mais feliz de sua existência, pois se uniria a Scott e passaria a ser mãe do bebê mais lindo que já vira. Kitty iria dividir com Ororo as despesas em seu lugar. Assim, ninguém sairia prejudicado.
Em cima da cama, acariciou o vestido branco, com corpete de renda e pequenas pérolas, com que Elaine fizera questão de presenteá-la. Pertencera à mãe de Scott, que fora felicíssima em sua longa união com o pai dele.
Jean fizera questão de uma reunião só para os amigos íntimos e parentes, em vez da pompa com que Elaine sonhava.
— Sou uma moça simples, Elaine, e adoro ser assim — afirmara.
O projeto da nova fábrica ficara pronto, e Scott não cansava de avisar a todos que sua futura mulher era uma brilhante arquiteta. O ruído da maçaneta girando indicou que Kitty chegava, atarantada, para auxiliar Jean com os preparativos.
— Pronto! Aqui estou! Agora, sente-se diante da penteadeira, e começarei a fazer sua maquiagem. Você, que sempre foi linda, vai ficar deslumbrante, Jean. Até que enfim meu sonho de vê-la bem arrumada se realizará!
Jean achou graça. Kitty, a amiga que sempre estivera a seu lado, estava se dando muito bem com Hank, a quem fora apresentada fazia poucas semanas.
— Prometo que eu mesma cuidarei de tudo quando você resolver se casar com Hank.
— Jean! Eu o conheço há pouco mais de quinze dias! Bem, fique quieta. Tenho muito a fazer por aqui.
Uma hora depois, uma limusine parou diante do velho prédio de Jean, que se dirigiu à igreja com Kitty e Ororo. Jean, em pensamento, despediu-se da antiga vizinhança. Seu príncipe a aguardava, ansioso, para fazer dela a mulher mais feliz do mundo.
FIM!

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