Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em
Progresso
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Jean tinha uma
filha? Uma garotinha? Scott não sabia por que isso o surpreendia tanto. Pensara
nela durante todos aqueles anos. Seus cachos ruivos e os olhos verdes estiveram
tatuados em sua mente mesmo nos momentos mais difíceis. Sem mencionar os lábios
doces e inebriantes que lhe fizeram coisas que ele jamais esqueceria.
Mas Scott não era tolo. Quando partira de
Destiny, Jean era pouco mais que uma criança. Sabia que amadureceria,
tornando-se uma linda mulher, e construiria seu lar. Mas jamais a imaginara com
uma filha.
— Esta é minha filha, Rachel — balbuciou Jean.
Seu desconforto poderia passar despercebido a
qualquer pessoa. Porém, Scott não era qualquer um. Era um militar muito bem
treinado, cuja distração poderia custar-lhe a vida ou a de seus homens, em suas
missões. Por isso, pôde perceber com clareza que Jean estava nervosa e tentando
esconder aquele fato.
— Princesa — Jean disse à garota —, este é Scott
Summers, o neto de Elaine. E um velho amigo meu.
— Ele não parece tão velho. — Rachel
lançou-lhe um olhar tímido.
Jean sorriu, desconcertada.
— Eu quis dizer que o conheço há muitos anos.
— Então, por que nunca o vi antes?
— Estive fora por muito tempo.
Em vários sentidos, pensou ele. Elaine?
Deveria ser algum apelido que elas haviam colocado em sua avó.
— Olá, Rachel. Prazer em conhecê-la. — Scott
estendeu-lhe a mão.
— Prazer em conhecê-lo, também. Por que você
saiu daqui?
— Princesa, não é educado interrogar as
pessoas.
— Desde quando?
Havia poucos minutos, ela mesma o metralhara
com indagações sem lhe dar espaço para ao menos respirar.
Scott as observou por instantes. Os cabelos e
os olhos da criança eram diferentes dos de Jean. Mas tinha sua obstinação,
autoconfiança e curiosidade. Tal mãe, tal filha.
— Como vou poder conhecê-lo se não fizer
perguntas, mamãe?
— Sua filha tem razão, Jean...
Embora pensasse que ela não iria gostar do que
viesse a descobrir sobre ele. Bobagem. Afinal, não ficaria ali o suficiente
para que isso acontecesse. Além do mais, que mal havia em deixá-la pensar que
era um herói?
— Alistei-me no Exército, Rachel. Mas agora
estou em uma espécie de férias.
— Terá de voltar?
— Sim.
Por alguma razão que desconhecia, Scott sentia
vontade de responder a suas perguntas. Seriam aqueles imensos olhos azuis a
fitá-lo como se fosse um gigante? Ou tinha algo a ver com o fato de estar de
volta a Destiny?
Algo trazia-lhe lembranças que tentava
esquecer. Como Jean e seus lábios macios contra os dele.
— Então ainda está no serviço militar? — Jean
quis saber.
Scott fez que sim.
— Vim vender a casa de minha avó.
— Nesse caso, não deve demorar.
— Isso mesmo.
Teria percebido alívio no olhar dela? Por que Jean
se importaria com o fato de ele ficar ou partir? Uma vez se importara, mas isso
fora no passado.
Scott não planejara procurá-la durante sua
estada. Foi assim que pensara pela manhã, quando andara escondido no meio da
multidão. Conversar com Jean era a última coisa que pretendia fazer, mas algo
nela o dominava. Ela era como um caleidoscópio em seu mundo em preto-e-branco.
Teriam seus cabelos a tonalidade de sua
obstinação? Seus olhos enormes misturavam a cor verde e castanha com pontos
dourados. Talvez fosse aquele corpo curvilíneo mal escondido pela camiseta do
rodeio, que qualquer homem com algum sangue nas veias ansiaria por abraçar.
O que o teria compelido a aproximar-se do
quiosque e cumprimentá-la? Seu jeito de mordiscar o lábio quando ficava
nervosa, como fazia naquele momento? Mas nenhuma dessas explicações justificava
o fato de um sujeito treinado para suportar e burlar interrogatórios se sentir
impelido a responder as indagações de uma garotinha.
— Para onde você vai? — perguntou Rachel.
— Como? — Scott voltou a olhar para a menina,
tentando varrer para longe aquelas conjecturas.
— Disse que ia partir. Para onde irá?
— Qualquer lugar. — Enfiou as mãos nos bolsos.
Jean dirigiu-se a filha:
— Rachel, o rodeio está quase no fim. Preciso
que me ajude a empacotar as roupas. Depois, vamos para casa, e você irá direto
para a cama.
— Mas, mãe, eu ainda não estou pronta!
— Não me lembro de ter perguntado se estava. É
hora de irmos embora.
— Estou de férias.
— Mas eu tenho de trabalhar amanhã, e você irá
para o acampamento.
Scott teve vontade de dizer a Rachel que
obedecesse a ordem de Jean. No Exército, um subordinado nunca questionava um
superior. Mas aquilo não era o serviço militar. A vida civil fazia-o sentir-se
como um peixe fora d'água.
Rachel bateu o pé e encarou a mãe,
desafiadora.
— Ainda não acabei de agradecer a Scott. Ele
salvou minha vida.
Naquele momento, Scott se lembrou de que
quando a pegara no colo, a criança dissera-lhe algo que não compreendera.
— O que significa "terríveis
consequências", Jean?
— O quê? — Encarou-o como se fosse um
extraterrestre. — Presumo que você deva saber o que essas palavras significam.
— Lógico. Mas estou me referindo ao que sua
filha disse ao avistá-la, quando estava em meus braços.
Jean soltou uma sonora e melodiosa gargalhada.
Soava como uma onda quente contra sua alma gelada. Scott poderia jurar que
ouvia música, uma sensação de frescor como havia muito não experimentava. Devia
estar ficando maluco, decidiu.
Divertida, Jean meneou a cabeça.
— A última coisa que tinha dito para Rachel
foi que não podia se afastar das imediações do quiosque sob pena de sofrer
terríveis consequências — explicou, sorrindo.
— Então, o que isso quer dizer?
— Ainda não decidi.
Jean estava nervosa com alguma coisa, pensou Scott.
— Mas obrigada por me lembrar.
— Eu não teria tocado no assunto se Rachel não
tivesse mencionado isso, Jean.
Que castigo ela impingiria à filha? Que tipo
de disciplinadora seria? Já ouvira falar que crianças desobedientes quando se
tornam pais tendem a ser ditadoras e rígidas.
Recordou a adolescente Jean fugindo para
encontrá-lo. Era uma boa menina, mas ele tinha sido o causador de sua rebeldia.
Isso significou muito para Scott. Fora a única pessoa que conseguira romper
suas defesas e penetrar em seu mundo.
Freqüentavam a mesma escola. Os pais dela a
haviam proibido de namorá-lo por causa de sua má reputação. Eles estavam
certos, mas Jean, obstinada e cabeça-dura, não obedecera. Na realidade, sentia-se
muito satisfeito por isso. Teria a filha puxado isso dela? Ou de seu pai?
De repente, Scott se deu conta de que não
havia pensado nisso. Quem seria o pai de Rachel? Essa dúvida mexeu com antigas
emoções que julgava adormecidas.
Jean levou a mão à boca.
— Rachel Anne, fique com Ororo até eu chegar
para pegá-la. Se você não...
— Já sei, mamãe. Conseqüências terríveis...
— Isso mesmo. Não me faça mostrar o que elas
significam.
Meneando a cabeça e com as mãos nos bolsos, a
criança se afastou em direção ao quiosque. De repente, estacou e voltou-se com
o mais lindo dos sorrisos nos lábios. Idêntico ao de sua mãe.
— Obrigada, Scott.
— Sr. Summers — corrigiu-a Jean.
— Capitão Summers — esclareceu ele. — Mas pode
me chamar de Scott.
Rachel lançou um olhar desafiador à mãe.
— Foi um prazer conhecê-lo, Scott. Obrigada
por me salvar. Espero encontrá-lo de novo. Até mais!
— Até, Rachel. Que idade ela tem, Jean? —
Tensa, ela respirou fundo, antes de responder:
— Nove anos.
Scott fez os cálculos e por um momento sentiu
um aperto no peito. Não, não podia ser. Jean teria-lhe contado.
Lembrou-se de ela dizer que o havia esquecido.
Pelo visto, não demorara muito. Até então, todas as cartas que lhe enviava
descreviam o quanto o amava e sentia saudade.
Decerto conhecera alguém antes mesmo de
receber de volta a mensagem que ele lhe devolvera. Desejara que Jean o
esquecesse e seguisse seu caminho. Assim, não tinha o direito de se entristecer
por Jean ter feito isso.
Sendo assim, por que insistia em lembrar-se de
que logo antes de sua partida haviam se amado com tanto ardor e intensidade?
Jean fizera questão de entregar-se a ele,
apesar de ter tentado fazê-la ver que ainda era muito jovem. Em seu íntimo,
sabia que não era correto possuí-la naquele momento. Mas a obstinação daquela
garota não aceitaria um "não" como resposta. Teria sido necessária
muita força de vontade para resistir à tentação de torná-la sua. Ainda era,
aliás.
Scott experimentou um estranho alívio ao
perceber que certas coisas não haviam mudado. Jean continuava sendo a perfeita
combinação de força, sensualidade e insolência.
Escrevera dizendo que sempre o amaria. Scott,
no entanto, acabara de descobrir que suas declarações de amor duraram pouco.
Mas, mesmo que ele quisesse, não poderia ter sido diferente. Não podia se
permitir sentir remorsos. Escolhera seu caminho e agora tinha de encarar os
fatos.
Uma mulher como Jean e uma criança como Rachel
não poderiam pertencer a um homem frio e sem alma como ele.
Contudo, não conseguia se furtar a imaginar
quem seria o pai da menina. Desde que reencontrara Jean, ficara curioso de
saber se havia alguém especial em sua vida, mas não se atrevera a indagar.
— Nove anos de idade... — Scott observava o
rosto de Jean, que mostrava a mesma atitude de autodefesa que Rachel adotara
fazia pouco, ao discutir com a mãe. — Ela me lembra você.
— É mesmo? Como?
— É geniosa, obstinada e linda.
Scott não quisera dizer aquilo. Não se
lembrava da última vez em que falara algo sem ponderar muito bem. Jean
encarou-o, enrubescida.
— Você me acha bonita?
— Muito. — Deu de ombros. — Não sabia que
estava casada.
— Você não perguntou.
Scott apontou para seu dedo anular.
— Não está usando aliança.
— Ah! Concluiu certo. Não sou casada.
— Divorciada?
— Não.
— Das duas, uma, Jean. — Arqueou uma
sobrancelha.
— Nenhuma delas, se eu nunca tiver me casado.
— Jean o encarava, firme. O mesmo gesto de rebeldia que Scott observara em sua
filha minutos atrás.
Então ela tivera uma criança fora do casamento.
Devia ter sido um choque para seus pais, sempre tão conservadores. E o resto
dos cidadãos? Teriam sido preconceituosos?
Não pôde evitar certa satisfação ao saber que Jean
nunca se casara. Porém, isso significava que engravidara sem planejar e arcara
com o resultado sozinha. O que o fez concluir que algum homem usara Jean e
depois a deixara.
— Eu conheço o pai de Rachel?
Não era de sua conta, mas não pôde deixar de
questioná-la.
Jean empalideceu.
— Ninguém sabe quem é o pai dela.
— Como assim? Você deve saber.
— Serei mais explícita: nunca contei a ninguém
sobre isso. — Suas mãos tremiam.
— Sério? Nem para seus pais?
— Nem para minha sombra.
Scott notou novo rubor no rosto de Jean, e a
admirou pelo fato de mais uma vez não desviar o olhar.
Teve vontade de indagar por que guardara
segredo sobre algo tão importante. Desejava obrigá-la a revelar o nome do pai
da criança para que ele pudesse fazer aquele cafajeste se arrepender
amargamente por tê-la abandonado. Mas não costumava interrogar as pessoas. Se
alguém compreendia a necessidade de guardar um segredo, esse alguém era Scott
Summers.
— Creio que tenha tido suas razões. — Foi tudo
o que conseguiu dizer.
Enquanto conversavam, os espectadores
estiveram transitando por perto. Scott atentara para os anúncios no alto-falante.
Naquele momento, uma voz feminina dizia:
— Eu te amo, Remy.
— Parece ser Anna — disse Jean.
Scott observou as arquibancadas e notou que as
pessoas olhavam em direção a Remy LeBeau e Anna Marie , que se encontravam na
arena. Reconheceu-os da foto que vira no jornal. Escutou um burburinho na
multidão que aos poucos se transformou em gritos, repetindo:
— Beija! Beija!
Naquele momento, um vaqueiro que passava,
carregando uma cela, esbarrou em Jean, fazendo-a cair para a frente. Com um
gesto automático, seus braços envolveram-na, para evitar sua queda.
O pedido de desculpas murmurado pelo caubói
não foi registrado pelos ouvidos de Scott, que se ocupava em descobrir qual
seria o sabor daquela Jean madura, mulher.
Jean engoliu em seco e umedeceu os lábios com
a língua. Tal movimento teve o efeito de querosene sobre as faíscas do desejo
de Scott. As chamas cortavam-no, impiedosas.
Disciplina tinha sido seu sobrenome durante os
últimos dez anos, mas algumas horas ao lado dela fizeram com que virasse pó.
Antes que pudesse raciocinar, Scott se
inclinou e cobriu-lhe a boca com a sua.
A doçura dela fez com que sufocasse um gemido.
Enlaçou-lhe a cintura com mais força, pressionando-se contra o dela. Traçou um
caminho de fogo com a língua sobre os lábios de Jean, o que a fez entreabri-los
num gesto permissivo.
Aprofundou o beijo, saboreando a deliciosa
umidade daquela boca. Podia sentir-lhe a respiração ofegante. Um deleite
incrível invadiu-lhe o coração.
Era como se estivesse vivendo um replay do
passado, porém, ainda melhor. Estava consciente de que conseguia incendiá-la
apenas com um toque. Ergueu a cabeça, abrindo os olhos, e percebeu que Rachel
não seguira as ordens de sua mãe.
— Esse é seu jeito de agradecer-a Scott por
ter me salvado?
— Rachel... — Jean,
arfante, empurrou-o, para que a soltasse.
Scott a deixou afastar-se, mas permaneceu a
seu lado.
— Eu... pensei ter dito para você esperar no
quiosque, Rachel.
— Mãe, você disse para eu ficar com Ororo.
— E ela está no quiosque.
— Não, não está.
— E quem está tomando conta dele?
— A mãe de Ronnie Slyder.
— Onde está Ororo? — Rachel suspirou,
impaciente.
— Nas barracas.
Jean passou a mão pelos lábios.
— Por que você não ficou com ela, como mandei?
— Eu fiquei. Mas agora Ororo está conversando sobre
prudência com o xerife Xavier.
— Quer dizer "jurisprudência"?
— Isso mesmo, mamãe. Mas o xerife parece estar
furioso com alguma coisa.
— Com o quê? — Jean se interessou.
A menina deu de ombros. .
— Não sei. Falou algo sobre ser servido, mas
não estava com nenhuma comida.
— Era algo sobre os jornais?
— Sim. Acho que mencionou alguns jornais.
— Como é que sabe? — perguntou Scott. Jean o
fitou.
— Às vezes é necessário ler nas entrelinhas. Ororo
tornou-se uma advogada. Acho que está tirando férias de seu escritório em
Dálias para ficar na fazenda da irmã.
— Que boa notícia! Precisarei da ajuda de um
advogado para cuidar do espólio de minha avó. Acho que não será um caso
trabalhoso e não tomará muito de seu tempo.
— Garanto que ela se sentirá muito feliz em
ajudá-lo.
— Quero ir para a casa, mãe.
— Está bem.
— Acho que agora é adeus.
De novo, pensou Scott. E talvez para sempre,
depois daquele beijo. Jean sempre teve o dom de fazê-lo esquecer-se de si mesmo
sem ao menos se dar conta. Fora por isso que devolveu sua última carta sem
lê-la. Pela primeira vez em sua vida estava tendo a oportunidade de provar que
era bom em alguma coisa, e tinha de cortar todos os laços que pudessem
afastá-lo de seu objetivo. Sabia que não resistiria se Jean lhe pedisse para
que voltasse.
Um estranho sentimento de solidão apossou-se
de Scott. A última vez que se despedira dela tinha muitos projetos em mente.
Agora, assolava-o o estranho sentimento de que jamais deveria ter permitido que
aquela mulher se afastasse dele.
— Onde você vai ficar? — Jean colocou as mãos
sobre os ombros da filha, e as articulações de seus dedos tornaram-se brancas.
— Na casa que foi de minha avó.
— Então não é adeus, Scott.
— Como assim?
— Rachel e eu moramos logo ao lado. Esta mais
para "Olá, vizinho".

2 Comentários
Tomara q acaba o açúcar na casa de alguém, daí o jeito è ir pedir um pouco pro vizinho! Kkkk
ResponderExcluirAçúcar não, mas pó de café sim! kkkkkkkkk
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