Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Em
Progresso
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Scott sentou-se diante de Jean, no Road Kill
Café, o único restaurante no centro de Destiny. Dividiram uma mesa posta com
uma toalha xadrez vermelha e branca, num canto reservado.
O interior do estabelecimento lembrava um
saloon dos filmes de faroeste. Chão de tábua corrida, balcão comprido com
bancos altos ao redor. Mesas redondas com cadeiras feitas de madeira de barril.
— Então este é o famoso, ou deveria dizer, o
mal-afamado, Road Kill Café? — Scott comentou, observando o ambiente.
— Já não existia há dez anos?
— Não tenho certeza.
Não era só disso que não estava certo. Não
sabia por que sugerira almoçarem juntos. Quando, por fim, a encarou, descobriu
o motivo. A resposta era clara e brilhante como seu rosto. Era a chance de
desfrutar de seu calor, mesmo que por pouco tempo. Jean conseguia tirá-lo de
seu mundo frio e triste e encher sua vida de cores vibrantes.
Se seus sentimentos por ela já estavam tão
fortes em menos de vinte e quatro horas, o que aconteceria em um ano? Mas
trezentos e sessenta e cinco dias era tudo o que teriam. Durante toda sua
infância mudara-se sem parar para acompanhar a carreira militar de seu pai.
Quando o sr. Summers se aposentou, moraram alguns anos em Destiny. Por
insistência dele, Scott se alistara ao final do colégio.
"Permanência" era uma palavra que não constava de seu dicionário.
Seria tolice começar algo que não poderia terminar.
Depois daquele dia, teria de evitar Jean. Fora
treinado para ser o maior dissimulador do planeta. Iludir uma ruivinha de olhos
verdes seria como um passeio no parque. Então, por que tinha a sensação de
estar fugindo da felicidade?
— Desça à terra, Scott.
— Hum? Disse alguma coisa? — Fitou-a, tentando
focar um ponto neutro.
Os cabelos sedosos faziam-no desejar deslizar
os dedos por entre eles. Os olhos verdes com pontos dourados ameaçavam
hipnotizá-lo. Mas sua boca era, sem dúvida, o mais perigoso território. Aqueles
lábios carnudos e suculentos levavam-no a imaginar beijos longos e demorados em
uma noite quente de verão.
Jean sorriu.
— Falei que, apesar do nome, a comida daqui é
muito boa.
— Comparando com o quê?
— Com aquilo a que você deve estar acostumado
a comer: rações desidratadas. — Jean balançou a cabeça, e seus cachos vermelhos
espalharam-se pelos ombros. — Não é assim que chamam a comida dos militares?
— Não posso reclamar... Na minha divisão as
refeições são bem sofisticadas.
— Pensei que só na Inteligência Militar
houvesse uma culinária elaborada.
Scott ergueu o dedo em riste.
— Agora está querendo saber demais.
— Ah! Então faz parte da Inteligência Militar!
— Fez uma cruz com os dois dedos indicadores. — Terá de me matar agora?
Só se fosse de tanto beijá-la.
"Basta!" Scott não podia continuar pensando assim. A próxima vez que
tivesse a ideia insana de ir à cidade e convidá-la para almoçar, marcaria uma
consulta com um psiquiatra para avaliar seu estado mental.
Mas não podia deixar de sorrir para Jean. E
aquilo era maravilhoso!
— Relaxe, garota. Não confirmei sua suspeita.
Portanto, não haverá nenhuma exterminação.
— Que alívio!
Scott se deu conta de que havia esquecido o
que significava divertimento. Não se lembrava da última vez em que havia
provocado, brincado e sorrido com uma mulher. Jean conseguira resgatar isso
nele, sendo apenas ela mesma.
Uma garçonete vestindo calça jeans
aproximou-se.
— Olá, Jean. Não vai me apresentar seu amigo?
— Olá, Jubileu. Este é um velho conhecido, dos
tempos do colégio. Scott Summers, apresento-lhe Jubileu, proprietária,
garçonete e relações-públicas do Road Kill Café.
— Como vai? — cumprimentou-a, com polidez.
— Prazer em conhecê-lo, Scott. O que vão
beber?
— Gostaria de chá gelado.
— Um chá gelado para a senhora e o mesmo para
mim, por favor. — Fazia séculos que eu não ia a um lugar onde se possa tomar
algo que se assemelhe a um chá gelado.
— Trarei num minuto. — Jubileu pegou dois
cardápios plastificados e entregou-lhes. — Dêem uma olhada nisto, enquanto
trago as bebidas, e anotarei os seus pedidos.
Scott abriu o menu, evitando encarar Jean. Por
que era tão perigosa? Como podia uma moça frágil e graciosa representar alguma
ameaça? Era uma pergunta para qual ainda não encontrara resposta.
Era um homem de ação. Costumava elaborar uma
estratégia e pô-la em prática. O único planejamento que conseguia fazer no
momento era terminar de almoçar, checar o computador da loja, depois ir para
casa, antes que fizesse algo do qual viesse a se arrepender.
Como o que, por exemplo? Se soubesse, poderia
evitar o campo minado que Jean representava.
— O que sugere? — Scott indagou, sem tirar os
olhos do cardápio.
— Algo me diz que você não gostaria de comer um
quiche. — Scott baixou o menu o suficiente para fitá-la com estranheza.
— O que quer dizer com isso?
O brilho de surpresa de seus olhos esverdeados
causou-lhe vontade de rir.
— Meu Deus! Pensei que isso fosse óbvio!
— Creio que terei de adivinhar. Está querendo
dizer que um homem de verdade não come quiche?
— Pensei que estava sendo sutil. Terei de me
policiar.
— Você está estereotipando.
— Portanto, aceita o quiche!
— De jeito nenhum. Vou pedir um hambúrguer
suíno. Jean soltou uma gargalhada cheia de alegria, que o fez sentir um aperto
no peito. Não se lembrava da última vez em que alguém mexera com ele daquele
jeito. A vivacidade dela derrubava todas as suas defesas e penetrava-o como uma
bala.
Jean fez sua escolha e fechou o cardápio.
— Hoje não ingeri nenhuma proteína. Vou querer
um hambúrguer também.
— Certo!
De repente, Scott notou que era a primeira vez
que ele e Jean saíam em público. O breve e inesquecível relacionamento que
tiveram fora secreto, o que o tornava ainda mais excitante.
Depois de algumas brigas com o xerife, a
reputação de Scott piorou, e Jean preferiu continuar a encontrá-lo às
escondidas. Quem poderia imaginar que se tornaria tão bom em clandestinidade a
ponto de fazer disso uma carreira? E perder-se no processo.
Uma sineta soou quando a porta se abriu. O
xerife Charles Xavier entrou vestido com seu uniforme caqui. Olhando em volta,
acenou para Scott e caminhou em sua direção.
— E não é mesmo o selvagem Scott Summers?
— Charles! — Estendeu a mão, que o oficial de
imediato apertou. — Há quanto tempo!
— Sim. — Desviou o olhar dele para Jean e
tornou a encarar Scott. — Não sabia que conhecia nossa Jean.
Nossa Jean? Estaria o xerife sugerindo que ele
representava um perigo para ela? Preferia cortar seu braço direito a causar-lhe
algum dano.
Fitou-a e pôde jurar ter visto um traço de
apreensão entre os raios dourados de seus olhos verdes. A lei estava do lado
dela. Se ele fizesse algo errado, na certa Jean o venceria. Então por que
parecia temerosa?
— Jean e eu somos amigos desde a adolescência.
— O xerife assentiu.
— Vi os dois conversando ontem no rodeio.
— Relembrando os velhos tempos.
— Posso sentar-me com vocês?
— Claro, xerife. — Jean afastou sua cadeira
para lhe dar espaço.
Scott sentiu uma pontada no peito. Estava
acostumado a não ter sentimentos, e demorou um pouco para reconhecer que sentia
ciúme.
Estava sendo tolo. Todos ali se conheciam
fazia anos. Além disso, não existia nenhum romance entre ele e Jean.
Mas a forte reação que experimentara forçou-o
a admitir que não estava gostando nada de ver a pele do xerife roçar contra o
braço dela. Procurou uma aliança na mão esquerda de Charles e praguejou em
silêncio por não encontrá-la.
— O que tem feito durante todos esse anos?
Ainda no Exército? Operações Especiais?
— Isso mesmo. Algo sobre missões secretas.
— As missões podem ser secretas — Jean
interrompeu —, mas vou revelar-lhe uma coisa, xerife. Esse homem é um expert em
computadores.
— Eu não diria isso.
Jean ofereceu-lhe um sorriso insolente.
— Lógico que não. Você não diz quase nada. —
Voltou-se para o xerife. — No entanto, Charles, se não tivesse visto com meus
próprios olhos, não acreditaria. Scott desemperrou minha tela com apenas um
toque nas teclas.
Scott sentiu novo aperto no peito quando Jean,
num gesto inocente e amigável, tocou o braço de Charles.
— Como estava dizendo, ele está incrementando
o sistema do computador da loja. É um gênio da computação.
— É verdade, Scott?
— Não me sinto à vontade com o título de
gênio, mas tive formação em informática.
— Talvez possa me auxiliar com um problema.
Posso procurá-lo mais tarde?
— Sem dúvida.
Jubileu se aproximou cornos pedidos na
bandeja.
Quarenta minutos mais tarde, Jean sorveu seu
último gole de chá e desculpou-se, alegando que tinha de voltar ao trabalho.
Charles levantou-se..
— Importa-se se eu falar alguns minutos com o
seu gênio da computação, Jean?
— Você é o xerife. — Olhou para Scott. — Mas
não vá me abandonar.
Abandono. Que escolha de palavras
interessante.
— Vejo-a em instantes.
Jean partiu, levando consigo a alegria de Scott.
Ele tentou ignorar esse fato.
— Tenho um favor a pedir-lhe, Scott.
— É só falar.
— Esteve fora por dez anos. Não sei quanto de
minha história sabe, mas tenho filhas gêmeas.
— Sim, eu as vi no rodeio, brincando com Rachel.
— São inseparáveis. — Deu um profundo suspiro
e continuou: — Pietro Maximoff está me acionando na Justiça pela custódia das
meninas.
Scott franziu o cenho. As lembranças
afloraram-lhe à memória. Teria algo a ver com o que o irmão de Pietro Maximoff
fizera a Laura naquela noite no lago?
Charles assentiu.
— Pietro Maximoff é irmão de Mateo. É a única
explicação. Mas eu não tenho provas de que seja por isso. Pietro Maximoff
esteve fora por nove anos. O que espera ganhar depois de todo esse tempo? Óbvio
que não é por amor às crianças que as quer. Se depender de mim, nunca colocará
as mãos nelas. Não enquanto eu viver.
Scott comoveu-se com a dor profunda do amigo e
seu instinto de proteção para com as filhas.
— Como posso ajudá-lo, xerife?
— Levantei toda a vida pregressa dele no
computador da delegacia...
— Encontrou algo?
O xerife fez que não com um gesto de cabeça.
— Se você é tão bom quanto Jean falou, e acho
que ela não sabe da metade, é a pessoa que estou procurando. Pode fazer uma busca
confidencial?
— Sim. Tenho acesso a lugares que nem imagina
que existem. Verei o que posso fazer.
— Gostaria que esse assunto ficasse apenas
entre nós.
— Esteja certo disso.

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