Descrição: Dez anos atrás, a boa menina Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers. Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você não sabia que...)
Classificação Indicativa: T (13+)
Status: Em Progresso
Tipo: Família, romance.

Capítulo Anterior.



Ao terceiro toque, Jean atendeu o telefone. Era Raven, a inspetora do acampamento.
  — Olá, Raven. Aconteceu alguma coisa?
  — Rachel fugiu.
  — O quê? Tem certeza de que essa menina não está só brincando de se esconder?
  — Ela e Kurt Wagner tiveram uma discussão. Colocamos os dois de castigo. Quando reunimos as crianças para o lanche, Rachel havia desaparecido. Contatamos o xerife Xavier, que disse que iria procurar nas redondezas. Não se preocupe.
  — Obrigada, Raven. Fecharei a loja e irei procurá-la.
  — Não tem um vizinho que possa contatar para se certificar de que Rachel não está em casa?
  "Scott..."
  — Sim, falarei com ele.
  — Dê-nos noticias e faremos o mesmo se a acharmos.
  — Combinado. — Jean desligou e de imediato discou o número de Elaine.
  Ao olhar pela janela, avistou Scott saindo do consultório do dr. McCoy. Largou o fone e num segundo abriu a porta da loja.
  — Scott, a supervisora do acampamento ligou. Rachel sumiu. Sabe de alguma...
  — Sim, Jean, estava vindo para avisá-la que eu a trouxe para o consultório.
  Jean sentiu o sangue descer para seus pés.
  — Oh, Deus! O que...
  Scott estava a seu lado, e segurou-a firme com suas mãos fortes, abraçando-a. Se não fosse por isso, teria caído.
  — Acho que não é nada sério. Mas decidi que a melhor maneira de socorrê-la e chamar você seria trazendo-a para a cidade.
  — O que houve?
  — Rachel caiu da árvore.
  — Céus!
  Começou a tremer. Fechou os olhos e respirou fundo, tentando controlar-se, pois de outra forma não conseguiria cuidar da filha.
  Quando ergueu as pálpebras, deparou-se com o olhar preocupado de Scott.
  Ficou feliz por ele estar ali. Pegou sua bolsa e as chaves e, após colocar a placa de "Fechado" na porta, correu em direção à clinica do dr. McCoy, encaminhando-se direto à recepção.
  — Tabitha, onde está Rachel?
  Tabitha Smith, a enfermeira, ergueu o rosto e a encarou.
  — No consultório. Venha, a dra. Morgan está com ela agora.
  Amara Aquilla tinha vindo visitar a mãe em Destiny. Auxiliou o dr. McCoy no rodeio e agora tomava conta de seu consultório, pois ele tinha ido resolver uma emergência de família. Jean sentiu-se insegura por não ser o médico que sempre tratara de sua filha quem estava ali.
  Ansiosa por constatar com seus próprios olhos que Rachel estava bem, seguiu a enfermeira pelo corredor. Tabitha abriu a porta da sala. A menina se encontrava deitada na maca, parecendo temerosa e confusa.
  — Princesa! Você está bem?
  — Olá, mãe. Estou ótima. Scott falou que o médico deveria me ver só por caução.
  — Precaução. E Scott está certíssimo. — Jean olhou por sobre o ombro, constatando que ele a seguira.
  — Ele me colocou nesta maca e disse que eu sofreria terríveis consequências se me movesse antes de você chegar e o médico dizer se eu estava bem.
  — Obrigada.
  — Pelo quê, Jean? — Cruzou os braços.
  — Por trazê-la para cá. Bem pensado.
  — Não há por quê. Tentei tirá-la da árvore, pois sei que você não gosta que ela suba lá. Se tivesse sido mais...
  Scott parecia consternado pela culpa. Como um parente... um pai. Um incrível remorso invadiu-a, e não tinha nada a ver com o acidente da filha. Iria lhe revelar a verdade tão logo pudesse. Mas aquele não era o momento.
  Jean pôs a mão no ombro dele num gesto de cumplicidade.
  — Pelo menos umas cem vezes por dia eu penso: "se eu tivesse sido mais..."
  Naquele momento, a porta se abriu. Uma mulher loira, usando um jaleco branco e um estetoscópio pendurado no pescoço, entrou e estendeu a mão para Jean.
  — Sou a dra. Amara Aquilla.
  — Como vai? Eu me lembro de você.
  — Tabitha me entregou a ficha médica de Rachel. — Amara virou algumas páginas. — Teve uma consulta de rotina com o dr. McCoy há alguns meses.
  — Isso mesmo — confirmou Jean.
  — Muito bem. Deixe-me examinar nossa sapequinha. Ei, Rachel, sou Amara.
  — Olá — disse a menina.
  — O que aconteceu?
  — Caí de uma árvore.
  A médica examinou seus olhos e observou o calombo em sua testa.
  — Ela chegou a perder a consciência? — perguntou, dirigindo-se a Jean.
  Foi Scott quem respondeu:
  — Não. Pulei a cerca em segundos, e os olhos dela estavam abertos.
  Amara assentiu.
  — Isso é um bom sinal. — Passou a examiná-la com minúcia. — Ao que tudo indica, está tudo em ordem. Mas como esse calombo na testa está muito grande, pedirei uma radiografia da cabeça, só para nos precavermos. Rachel poderá fazê-la aqui mesmo.
  Jean assentiu.
  — O que achar melhor, doutora.                          
  — Vai doer?
  — Não, Rachel. Só iremos tirar um retrato de sua cabecinha.
  — Está certo.
  — Posso acompanhá-la?
  — Claro, Jean. Quando os filmes estiverem prontos, virei conversar com vocês.
  — Obrigada.
  Elizabeth Braddock, a técnica de raio X, veio buscar Rachel em uma cadeira de rodas. Conduziu-a pelo corredor seguida por Jean e Scott.
  Elizabeth introduziu-os numa sala de espera, explicando-lhes como seria feito o exame.
  — Fiquem à vontade e não se preocupem — finalizou.
  — Impossível. Mas, de qualquer forma, obrigada pela atenção que está dispensando a Rachel. — Incapaz de relaxar, Jean andava de um canto para o outro da sala de espera.
  — Ela tem uma cabeça bem dura.
  — Como sabe disso, Scott?
  — É sua filha.
  "E sua", teve vontade de dizer. Mas não queria dar-lhe a notícia de supetão como quem detona uma bomba. Teria de amenizar o choque, ser gentil com Scott.
  — Quem sai aos seus...
  — ...não degenera — completou Jean.
  Scott se aproximou dela, envolvendo-a em seus braços. Era tão bom não estar sozinha!
  Quando Rachel era bebé, os pais de Jean sempre lhe davam suporte. Mas não era a mesma coisa que dividir esse momento com a única pessoa que era tão responsável por aquela criança quanto ela.
  Em instantes, a porta se abriu, e Elizabeth trouxe a menina para a sala de espera.
  — Já terminamos. Levarei os filmes para a médica ver. Enquanto isso, podem aguardar no consultório, que é mais confortável.
  Depois de algum tempo, Amara adentrou o consultório com a radiografia na mão.
  — Está tudo certo. A enfermeira tratará dos ferimentos da perna, enquanto converso com vocês na outra sala.
  Jean sentiu um frio no estômago. Mas, se a médica tinha alguma má notícia para lhe dar, que fosse longe de Rachel.
  Scott pegou sua mão, apertando-a com força.
  Amara sentou-se à mesa repleta de papéis.
  — Sentem-se.
  — Estou muito nervosa, doutora. Diga-me, há algo errado?
  — Está tudo bem mesmo. Não quis preocupá-los. É que às vezes as crianças se assustam com a terminologia médica.
  Colocou os filmes no negatoscópio.
  — As radiografias estão normais. Nenhuma concussão ou coágulo. Rachel está liberada. Podem ir para casa.
  — Graças a Deus! — Jean pressionando a mão no peito.
  — Obrigado, doutora.
  — Não há por quê. — Amara voltou-se para Scott. — Engraçado...
  — O quê?
  — Rachel se parece muito com você.
  O coração de Jean disparou. Virou-se na direção dele, entreabriu os lábios na intenção de dizer algo, mas as palavras ficaram presas na garganta.
  Sem perceber seu embaraço, a médica continuou:
  — Herdou a cor de seus olhos e cabelos, embora eles sejam cacheados como os da mãe. Se não me engano, você é um oficial do Exército, não é?
  — Sim.
  — Isso explica o fato de Rachel não derramar uma lágrima. Sua filha é corajosa como um soldado.
  — Minha filha?
  Jean ficou sem ação. Observou o espanto no olhar de Scott e achou que ele fosse objetar com a médica. Mas, em vez disso, sorriu para Amara.
  — Minha filha — disse ele.