Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: T (13+)
Status: Em
Progresso
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Scott permaneceu na janela em vigília até que Rachel
desaparecesse pela estrada no carro da mãe de sua amiguinha. Ainda no
consultório médico, Jean implorou para que ele esperasse antes de iniciar as
perguntas. Não queria ter aquela conversa na frente da filha. E Scott concordou
que seria melhor para todos que a garota estivesse longe.
Tinha muitas perguntas a fazer. Mas, com a
raiva que sentia, não sabia se iria manter o linguajar indicado para os ouvidos
de uma criança. Melhor mesmo a discussão ficar só entre ele e Jean.
"Hora de ir", decidiu Scott.
Com passos largos, alcançou a varanda de Jean
e, antes que pudesse bater, a porta se abriu.
— Olá, Scott.
— Jean...
— Entre. — Deu um passo atrás.
Assim que passou por ela, Scott sentiu um
aroma de flores no ar. De certa forma, parecia tão inocente... Mas isso era
impossível. Tratava-se de Jean Grey. A última coisa que se podia dizer dela é
que era inocente e honesta. Ela mentira durante dez anos!
— Quer uma cerveja? Ou prefere algo mais
forte?
— Cerveja está ótimo. — Scott preferiria
uísque, mas sabia que o álcool não devia se misturar a algo tão sério.
Logo Jean estava de volta, trazendo uma
garrafa gelada.
— Obrigado.
Após sentarem-se no sofá, ela o encarou.
— Vamos deixar uma coisa bem clara logo: Rachel
é sua filha, caso ainda esteja em dúvida.
—Tenho certeza de que é.
De alguma forma, ele soube desde a primeira
vez em que a viu. Mas racionalizou, justificou e concluiu que Jean devia ter
conhecido algum rapaz logo após sua partida.
Entretanto, uma parte dele dizia que aquela
não era a verdade, Scott duvidava que fosse capaz de fazer uma coisa tão linda
como Rachel. E talvez por não suportar a idéia de pensar em Jean com outro
homem.
Rachel era sua filha. Como não percebera
antes? Mas, no momento em que a dra. Morgan comentou que a garota possuía os
olhos azuis do pai e os cabelos da mãe, já não havia mais dúvidas.
— Você contou a ela? — Jean meneou a cabeça.
— Achei que seria melhor conversarmos
primeiro.
— Então, comecemos. Por que não me contou
sobre Rachel dez anos atrás? Por que guardou segredo?
Jean alcançou seu copo de vinho e ele pôde
perceber que ela tremia.
— Pensei em lhe contar no momento em que já
não podia esconder a gravidez.
— Mas?
— Acreditava que era algo que devíamos tratar
pessoalmente. Notícias como essa não devem ser contadas por telefone ou por
carta.
— Como você é sensível! — ironizou. — Então
por que não me contou face a face?
— Estava esperando você voltar de licença após
o treinamento básico.
— E eu nunca voltei.
— Mais do que isso: você me dispensou!
— Mesmo assim, eu tinha o direito de saber.
— Concordo.
— Então por que não me falou?
— Lembra-se de uma carta que lhe enviei?
Aquela em que você marcou "devolver ao remetente"?
— Havia outros meios de me encontrar, se
quisesse.
— Eu era uma adolescente e estava grávida.
Coloque-se em meu lugar.
— Justificativa
interessante.
— Tente. Você
tinha acabado de me dar as costas. Em seguida, recusou-se a ler o que eu tinha
pra dizer. Desisti. Eu só tinha dezessete anos.
— Grande o
bastante para saber o que fazia. — Scott não imaginou nada menos sarcástico do
que isso para dizer, mesmo sabendo que cada coisa que falava o enterrava ainda
mais.
Jean cruzou e
descruzou os braços e endireitou-se no sofá. Parecia um pavão, cheia de
orgulho.
— A pior coisa
que podia imaginar era forçá-lo a ficar comigo por causa de um bebê, Scott.
Empurrando-lhe algo que não queria. E, como era menor de idade, meus pais me
ameaçaram com medidas legais. Eu não queria lhe causar problemas.
Jean quisera
protegê-lo? Elaine fora a única pessoa que o protegeu durante toda a vida.
Soldados eram obrigados a olhar seus companheiros, mas era trabalho. Aquilo,
porém, era pessoal. Ele não queria isso, ou melhor: não merecia.
— Mas você
nunca me deu a chance de decidir o que eu queria fazer, Jean.
— Eu lhe mandei
uma carta. Não é minha culpa se você sumiu no mundo.
Ela estava
certa. Ele estava numa missão, ninguém o encontraria. Essa foi uma das razões
por não ter comparecido ao funeral da avó.
— Por que eu
deveria acreditar que me escreveu contando sobre Rachel?
A raiva coloriu
as faces de Jean. Suas pupilas soltavam faíscas. Mas ela se controlou.
— Scott, me
espere um minuto.
Quando Jean
retornou, trazia nas mãos um envelope. Entregou a ele e se afastou. Scott não
podia deixar de notar como era bela, mesmo tão zangada.
Em seguida,
olhou para o envelope amarelo contendo o endereço de sua base e na mesma hora
reconheceu a caligrafia de Jean. Assim como sua própria letra cruzando o
envelope: "devolver ao remetente".
— Leia — ela
ordenou.
Scott rasgou o
envelope e tirou uma folha de papel. Conforme lia, Scott percebia o quanto a
menina de dezessete anos estava assustada. Ela dizia que entendia que ele não
queria um compromisso sério. Mas achava que tinha de saber que seria pai, e que
ela ainda o amava. As últimas palavras afirmavam que Jean não esperava nada
dele.
E foi o que
conseguiu: nada.
— Jean, eu...
— Precisa
entender, Scott, que eu era uma criança tendo outra criança. Fiz o melhor que pude.
Até que percebi que, para você saber, outros teriam de saber também. E eu não
queria prejudicá-lo. Decidi ter o bebê sozinha.
— Mas como?
— Depois de se
recuperarem do choque, meus pais me apoiaram bastante, mesmo quando me recusei
a dizer quem era o pai do bebê. Depois que Rachel nasceu, terminei o segundo
grau num supletivo e fiz alguns cursos técnicos na faculdade. Passado um tempo;
com um pequeno empréstimo do Fundo Comunitário de Destiny, abri a This 'N That.
Quando percebi que meus pais estavam tomando meu lugar de mãe e eu estava
ficando muito dependente deles, comprei esta casa e me mudei.
Scott admirava
as sombras que cruzavam o semblante de Jean à medida que falava. Ela sofrera
muito, isso era evidente. Soldados recebem medalhas e honrarias por atos de
bravura. E também um coração púrpura quando eram feridos em batalhas. Jean
deveria receber um desses.
— Faz parecer
que tudo foi fácil, Jean.
— Que nada! Foi
a coisa mais difícil que já fiz até hoje. A partir daí, tudo o que vier pela
frente, poderei enfrentar. E tem mais: se eu pudesse voltar no tempo, faria
tudo de novo.
— E seus pais,
onde estão?
— Viajando. Não
suportam o Texas no verão. — Jean retornou ao assunto anterior: — Scott, pense
bem. Quando recebi minha carta de volta, não esperava tornar a vê-lo. Por que
eu pensaria que você voltaria para mim? Digo... para Destiny?
— Mas eu voltei. Teve a chance de me contar por
duas ou três vezes. — A ira corria pelo seu sangue como um veneno. — Seria uma
espécie de vingança?
— De jeito nenhum. — Encarou-o firme. — Mais
uma vez, coloque-se em meu lugar.
— Está difícil, Jean. Ela respirou fundo.
— De fato, nós nunca nos conhecemos direito. —
Jean estava certa. Pelo menos, metade das tardes que passaram juntos era
dedicada a beijos e carícias, e muito pouca conversa.
— Continue.
— A única coisa concreta que sei sobre você é
que seguiu a carreira militar. Se não pode me dizer onde anda e o que faz, por
que eu confiaria em lhe contar que é o pai de Rachel? Minha obrigação, hoje e
sempre, é protegê-la.
Ele não podia culpá-la por isso.
— Tudo bem.
— É só isso o que tem a dizer?!
— Sim, até assimilar tudo o que ouvi.
— Olhe, Scott, você disse, assim que chegou
aqui, que não se demoraria. Se Rachel souber que é o pai dela, vai querer ficar
a seu lado até você partir. E depois, como minha filha ficará?
— Mas você sabia que eu tinha resolvido ficar
até vender a casa.
— Certo. Mas precisava saber que espécie de
homem havia se tornado antes de lhe revelar os fatos. E isso foi na noite
passada, quando o encontrei dormindo em meu sofá.
— Nada do que me falou muda o fato de Rachel
ser minha filha e de eu ter o direito de saber.
— Certo.
— Devia ter me contado assim que soube. Você
me fez pensar que algum outro sujeito a teve.
— Mas eu tive outro! — afirmou, indignada.
Scott lembrou-se de Rachel lhe contando sobre
seu pai e que ele não a havia abandonado. Pelo menos Jean não o jogara no lixo.
Estava certa sobre Scott. As coisas que andara
fazendo não eram para se orgulhar. Mas mesmo assim, Rachel era sua filha, Jean
pensou.
— Acho melhor compreendermos que nenhum dos
dois fez algo errado de propósito. Foram as circunstâncias. Temos de nos ocupar
do futuro.
Durante todos aqueles anos, o mundo de Scott
girara entre o certo e o errado, o branco e o preto. E agora teria de lidar com
algo localizado numa área cinza? Sua autoconfiança estava ruindo.
— Nunca faria algo que pudesse magoar nossa
filha, Jean.
— Tenho certeza de que não.
— Então, qual é o plano?
— É hora de contar a Rachel quem é o pai dela.
— Tudo bem. Vamos treinar, primeiro. — Jean
achou graça.
— Não há nenhuma fórmula que ensine como ser
pai, Scott.
— Está nervoso? — Jean indagou, enquanto
esperavam pela volta de Rachel, que chegaria a qualquer momento.
— Pareço nervoso?
Scott estava em pé na cozinha com uma xícara
de café na mão.
— Vai dizer que não está nem um pouco
assustado?
— Jean, já pulei de aeronaves com inimigos
jogando bombas que passavam de raspão pelas minhas orelhas. Sobrevivi em
acampamentos e bombardeios no outro lado do planeta.
— Que besteira a minha... É claro que não está
assustado.
— Estou petrificado. — Scott exalou um longo
suspiro. Então ele era um ser humano, afinal. O coração de Jean bateu mais
forte.
— Scott, tem algo que quero lhe pedir.
— Fale.
— Ainda está aborrecido comigo? Eu não dormi
quase nada ontem. Fiquei tentando me colocar em seu lugar. Mas você não deu
muitas pistas.
Scott apoiou o ombro no batente da porta.
— Eu não dormi nada, também, Jean. Para ser
franco, acho que estou meio entorpecido.
— Ainda sente raiva de mim?
— Por que está me perguntando isso agora?
— Porque, se está, é melhor deixar isso de
lado agora e concentrar-se em Rachel. Temos de fazer a coisa parecer fácil.
— Farei o melhor. No entanto, gostaria que
entendesse que, usando a razão, eu entendo o que fez. Mas contra esse fato
existe o outro lado. Tenho uma filha de nove anos e não sabia disso. Procure me
entender. — Scott meneou a cabeça. — De repente, descobri que sou pai. Vou
levar algum tempo para digerir.
Jean escutou um carro se aproximar.
— Hora de agir. Rachel chegou.
— Vamos lá!
Jean reparou que Scott arfava. A porta da
frente se abriu.
— Mamãe, cheguei!
— Estou na cozinha, querida! — Em seguida, Jean
baixou o tom: — Ela vai gostar. Apenas seja você mesmo.
— Olá, mãe. Scott. Estão tomando café? Estou
faminta, o que tem para comer?
— Não comeu nada na casa de Becky, filha?
— Não. Não gostei do que tinha lá. — Rachel
estava muito curiosa. — O que faz aqui, Scott?
— Eu e Scott temos algo para lhe contar. — Rachel
encarou ambos.
— Vocês vão se casar? — perguntou, animada.
— Não — respondeu Jean, olhando direto para Scott,
esperando alguma reação. A expressão dele se alterou. — Lembra-se de quando
costumava perguntar sobre seu pai?
— Sim, mãe. Você disse que ele saiu de Destiny
antes que pudesse saber de mim. Mas que, se soubesse, estaria aqui.
— Isso mesmo. Tenho boas notícias. Seu pai
voltou. — Rachel olhou para Jean, depois Scott. Jean podia ver estrelas nos
olhinhos da filha.
— É ele? Scott é meu pai, mamãe? — indagou,
radiante.
— Sim, meu amor.
O silêncio perdurou por alguns momentos.
Parecia que todos estavam tentando se recuperar da revelação.
Scott mudou de lugar de forma a ficar na
frente de Rachel.
— Sua mãe está certa. Se soubesse de você,
teria voltado o mais rápido possível. Ela tentou me achar, mas não era fácil.
Ausentei-me por muitos anos em missões.
— Seu pai é um herói militar, Rachel.
— Você tem medalhas?
— Não sou um herói, querida. Mas quero que
entenda que ninguém é culpado de nada. Circunstâncias nos separaram. No
entanto, estou aqui agora. E gostaria de estar a seu lado, para nos
conhecermos.
— Que ótimo! — Rachel exultava de felicidade.
— Meu pai!
— Sim, seu pai. O que acha disso?
— Eu acho... — Fitou a mãe. — Aposto que minha
mãe está contente. Ela sempre reclama que sou muito para uma só pessoa segurar.
Rachel demorou um pouco para continuar
falando:
— Mas acho que gostei. Você poderá ir a meus
jogos de futebol. Talvez possa até ser o treinador do time.
— Não é bem assim, filha — interrompeu-a Jean.
— Seu pai está aqui por enquanto. Só até a casa de Elaine ter sido vendida.
— Tudo bem, mamãe Mas, enquanto estiver,
podemos, não?
— Eu adoraria — Scott afirmou. — Então, está
tudo bem?
— Sim. Quer brincar de pique?
— Claro!
— Mas antes leve suas coisas para o quarto,
mocinha.
— Tudo bem, mamãe.
Rachel dirigia-se a seus aposentos, e Scott
observava Jean. Parecia que seu coração estava partido em dois.
Em segundos, a menina retornava.
— Scott? Digo, papai? Posso chamá-lo assim?
— É assim que quer me chamar? — Ela assentiu.
— Posso lhe dar um abraço? — Jean se esforçava
para não chorar.
— Acho que eu aguentaria um abraço. — Scott se
abaixou e esperou que Rachel se aproximasse. Dava a impressão de não saber o
que fazer.
Rachel ficou na ponta dos pés e colocou
enlaçou-o pelo pescoço. Aos poucos, Scott foi se entregando ao abraço da filha.
Jean não mais conseguiu conter as lágrimas.
Quantos anos perdidos...
Por fim, eles se afastaram e Rachel não perdeu
tempo:
— Vamos brincar?
— Só se prometer que não cairá da árvore outra
vez.
— Prometo!— disse, já do lado de fora.
Jean deixou-a ir e aproveitou para falar com Scott:
— Se você tiver coisas para fazer, diga a ela.
— Não, tudo bem. Quero brincar com Rachel.
— Scott, só queria lhe pedir uma coisa. Tenha
cuidado.
— Como assim, Jean?
— Ela se magoa com facilidade.
— Eu nunca a machucaria.
— Não por querer. Mas as circunstâncias...
— Quais?
— Você partirá assim que terminar o prazo de
um ano. Como nossa filha ficará?
— Resolvi pedir baixa.
Jean levou um susto. Não acreditava no que
acabara do escutar. Dez anos atrás, ela preservara Rachel. Agora era sua vez de
se proteger de Scott.
Ele a fizera sofrer muito. Não deixaria isso
acontecer de novo. Não sem resistência.

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