Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: T (13+)
Status: Em
Progresso
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Passados sete
dias desde que toda a verdade viera à tona, Scott continuava com sua rotina
matinal. Pegava sua correspondência sempre no mesmo horário, o que
possibilitava ter a visão de Jean saindo em seu carro vermelho.
Não imaginou que retornar à vida civil fosse
tão difícil. Ainda mais quando se tratava de Jean e os imprevisíveis
sentimentos que brotaram desde que soube que era pai.
Passou grande parte dos últimos dias ao lado
de Rachel. Jean deixou que ela faltasse ao acampamento de verão para estar mais
tempo com o pai, enquanto trabalhava em sua loja. Tinha dias em que a pequena
jantava na residência de Scott e, no dia seguinte pela manhã, já estava lá de
novo. Mas ele não se importava, pelo contrário, pois tinha muito o que
recuperar.
A reação de Jean impressionara Scott. Ela
deixara a raiva de lado e não o impedira de estar com a filha quando quisesse.
"Por que não consigo esquecer o passado assim como Jean e seguir
adiante?", refletiu Scott.
Agora, o mais importante era aprender a ser
pai. Não tinha dúvidas de que essa seria a missão mais dura de sua existência.
De repente, avistou o automóvel de Jean
voltando. Ela estacionou e acenou para ele, que retribuiu o cumprimento.
Sem perceber, Scott andou até onde Jean estava.
— O que faz aqui há esta hora?
— Às vezes, venho almoçar.
Scott estaria mentindo se dissesse que não
havia gostado de vê-la.
— Acabei de pedir uma pizza. Quer me fazer
companhia? — Ele rezava para ela aceitar. Queria estar a sós com Jean.
Ela levantou os óculos escuros e o encarou.
— Você está bem?
— Por quê? — Scott se aproximou dela o
suficiente para sentir seu perfume.
— Por nada. Pareceu-me estranho. Não me parece
o tipo social.
— Talvez seja a hora de mudar. Aceita ou não?
— Lógico que sim! Não dispensaria de jeito
nenhum sua pizza para comer um sanduíche de pasta de amendoim!
Scott sentia-se hipnotizado pela presença de Jean.
Uma louca vontade de tomá-la nos braços e levá-la para o quarto tomou conta
dele. Tinha de se conter a qualquer custo.
— Por favor, siga-me. — Ele a conduziu pelo
jardim até alcançar a porta.
A temperatura da casa estava agradável.
O despojado vestido de verão que ela usava
acentuava cada curva de seu pequeno e lindo corpo. Scott pôde ver as sardas que
cobriam sua pele branca. Lembrou-se de que Jean as detestava e que ele sempre
lhe dizia que eram lindas.
— Como está quente hoje...
— Nem fale! Quer um refrigerante, Jean?
— Tem alguma coisa diet?
— Quer compensar as calorias da pizza?
— Uma mulher precisa economizar calorias
sempre que possível.
— Serve chá?
— Ótimo! — Dirigiram-se à cozinha.
— Está igual a como sua avó deixou. — Scott sentiu
tristeza em sua voz.
— Sente falta dela, não sente?
Jean assentiu, apertando os olhos para não
chorar.
— Elaine era como da família. — Sorriu. — Na
verdade, era. Pelo menos da família de Rachel. Gostaria que tivesse sabido que Rachel
é sua filha.
— Eu também.
Quando a campainha soou, ele foi atender.
Enquanto Scott recebia e pagava a pizza, Jean arrumou a mesa com pratos,
guardanapos e talheres.
— O almoço está servido.
— O cheiro está excelente, Scott. Aposto que é
de cogumelos e azeitonas pretas.
— Descobriu pelo aroma?
— Não precisava. Sei que é sua favorita.
Ele não acreditou. Como Jean podia se lembrar
disso? Scott sentiu saudade daquela época.
— Sente-se, Jean, vou pegar as bebidas.
Ao retornar, notou que Jean já servira as fatias
nos pratos.
— Está deliciosa, Scott. Quase tão boa quanto
você e os computadores.
— Andou espiando as páginas que consultei na internet?
— Sim, e achei os sites sobre paternidade bem
interessantes.
— Que bom que gostou! Estou me esforçando.
Antes de comer mais um pedaço, Jean resolveu
perguntar algo. Tinha de saber.
— Scott, ainda está zangado comigo?
— Não mais.
— Como pude pensar que você era um sujeito
perigoso?
— Porque sou. — Jean riu.
— Tanto quanto um urso de pelúcia. E vou lhe
provar.
— Boa sorte. Em uma sociedade normal, sou
considerado elemento perigosíssimo.
— O único perigo que vejo é para meu coração —
Jean não conseguiu conter o comentário.
— O quê?
Ela respirou fundo.
— Não é fácil admitir... Digamos que não me
estou muito orgulhosa dos meus sentimentos...
— Fale logo, Jean!
— Você... O pai que Rachel encontrou... A
verdade é: estou com ciúme de seu relacionamento com ela.
Scott assustou-se com o fato de não saber
direito onde estava pisando. Por que pensara, por um segundo que fosse, que Jean
iria dizer que ainda o amava? Em vez de pedir baixa, deveria solicitar licença
por problemas mentais.
— Só pode estar brincando, Jean.
— Gostaria que fosse assim. Durante a última
semana, quase não a vi. Rachel já acorda querendo ficar com você.
— A propósito, já lhe agradeci por me deixar
ficar com ela?
— Sim. O problema é que, desde que Rachel
nasceu, minha vida resume-se a ela. E agora, surge você...
Scott não poderia ajudá-la dessa vez.
— Não sei se devo agradecer ou pedir
desculpas.
— Nenhum dos dois, Scott. Essa questão é só
minha. Eu é que tenho de aprender a lidar com a situação. De repente, estou competindo
com um herói.
— Acho que já conversamos sobre isso. Não sou
herói.
— Rachel acredita que é. Você não tem culpa.
Mas o fato é que ela está convencida que me pedirá em casamento.
— Casamento?! — Scott quase engasgou com o
chá. Engoliu, tossiu, antes de falar: — É mesmo?
Jean assentiu.
— Nem pense nisso!
— Por que não, Jean?
— Porque você é um bom homem. Deve se
convencer disso. Não é porque temos uma filha que somos obrigados a nos casar.
— Mas se duas pessoas se amam... — deixou
escapar.
— É verdade. E essa é a única razão para haver
um casamento: amor. Analisando com frieza, nós mal nos conhecemos direito. Há
dez anos que estamos separados. Não daria certo.
Scott gostaria de argumentar que ela estava
errada... Que se os dois quisessem isso a sério, é claro que daria certo.
De súbito, recordou-se de quem ele era e que
não teria argumentos. Já devia estar satisfeito de passar algum tempo com a
filha.
— Por que nunca se casou, Jean? Foi por causa
de Rachel?
— Em parte, sim. Ninguém pode amá-la como eu.
Ou melhor, como nos. — Resolveu comer mais uma fatia de pizza. — Acredita em
almas gêmeas, Scott?
— Não sei...
Jean soltou uma gargalhada.
— Você me parece um tanto tímido. Veja, estou
sozinha porque ninguém conseguiu despertar em mim os sentimentos que você... —
Parou a frase no meio.
— O quê? — Scott queria que ela terminasse.
Queria ouvir que não encontrara ninguém como ele.
Ela suspirou, horrorizada com o que quase
acabara de revelar. Quase disse que nunca encontrara alguém como Scott. Sim, Scott
Summers fora o único homem a tocar sua alma. Também era fato que seria o único
a conseguir de novo.
— Jean, conte-me de novo por que não disse a
ninguém que sou o pai de Rachel.
— Soube que seu pai disse que você estava indo
muito bem no Exército, que havia encontrado sua vocação. Não quis estragar
tudo.
— Então, resolveu ficar calada e passou da
adolescência à fase adulta criando Rachel. E que trabalho bem-feito realizou!
— Tinha meus pais para me amparar.
— Os mesmos de quem escondeu a realidade. Para
me proteger. Quem é o herói aqui, Jean?
Scott expressava suas emoções com intensidade.
Seus olhos estavam mais azuis do que nunca.
— Eu estava apavorada com tudo. Mas fiz o que
tinha de ser feito.
— Mas não é isso o que faz um herói, mesmo a
despeito do medo?
— Rachel é minha filha. Eu a amo. Não foi tão
difícil.
— Está enganada. É muito difícil. E eu...
— O quê? — perguntou, esperançosa.
— Eu a admiro muito.
Aquilo foi quase tão bom quanto um "Eu te
amo". Mas Jean não tinha o direito de querer mais do que admiração.
Não podia forçá-lo a se apaixonar. Tinha de
arrumar uma maneira de se reconciliar com a realidade presente.
Jean precisava
encontrar uma forma de chegar a um meio-termo. Sem dúvida, criara razoes demais
para não lhe revelar sobre Rachel. No fundo sabia que desde a época do colégio Scott
não lhe dera a atenção que queria. E talvez tivesse sido por isso que resolvera
esconder que era pai de sua menina. Embora não precisasse anunciar sua culpa
aos quatro ventos.
Era hora de partir.
— Obrigada pela
pizza, Scott. Está ficando tarde e tenho de voltar à loja. Você poderia me
entregar a luva de Rachel?
— Tem certeza
que não quer que eu vá até lá e entregue a ela?
— Não será
necessário. É caminho.
Scott
desapareceu e voltou alguns segundos depois com a luva na mão.
— Aqui está. — Jean
pegou-a.
— Muito
obrigada. A propósito, sr. Internet, aquela loja de informática lá no centro
está à venda.
— Jura? — Jean
assentiu.
— Já pensou no
que vai ser quando crescer?
— Quer dizer
que acha que ainda posso ser alguma coisa? — ele brincou.
— Talvez. — Jean
sorria. — De qualquer modo, achei que podia se interessar. Até mais tarde.
— Até, Jean.

1 Comentários
Scott compra a loja de informática e fica na cidade!!!!
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