Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: T (13+)
Status: Em
Progresso
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Ao sair de
casa, Scott ouviu Jean destrancando a porta do carro.
Ainda restavam trinta minutos até o encontro
no escritório de Ororo Monroe para acertar os detalhes do processo de
reconhecimento de paternidade de Rachel. Scott não ficara surpreso ao ver Jean,
pois já sabia de seu compromisso.
Mas por outro lado, queria poder receber um
dólar a cada vez que a vira entrar ou sair. Muitas vezes, observava-a lendo
jornal na varanda, o que permitia a visão estonteante de sua beleza e suas
curvas perfeitas. Ou mesmo fazendo algum trabalho no jardim que um homem
deveria fazer.
Talvez devesse se oferecer para ajudar...
Meneou a cabeça, porém. Pensamentos como
aqueles lhe trariam grandes problemas. Dali em diante, seria um pulo para uma
família tradicional, filha, mãe, pai. E marido. Scott não podia fazer isso com Jean.
Que era o pai de Rachel era fato, e planejava fazer o certo pela menina. Mas
não poderia comprometer-se com Jean. Admirava-a demais para fazer isso.
Se ao menos não tivesse que vê-la tantas
vezes...
Scott se virou para trancar a porta. Havia uma
grande possibilidade de existir uma conspiração contra ele, tendo como cabeça
da operação sua avó, incluindo coração, cérebro e alma. O que mais levaria Elaine
a fazer um testamento daquele? Será que ela sabia que Rachel era sua filha?
Estaria Jean sendo sincera quando garantiu que nunca contara a ninguém?
"Droga! Estou fazendo de novo." Seu
treinamento militar o ensinara a buscar o pior nas pessoas, e Scott aprendera
muito bem a lição. Era óbvio que não podia aplicar seu olhar crítico nos
sentimentos por Jean. Ela merecia um homem que pudesse ver luz, e não
escuridão.
Essa foi a razão pela qual a evitou na noite
anterior. Evitá-la daquele jeito lhe causou muita dor, mas tinha de ser feito.
Era o melhor para Jean.
Ela se voltou em sua direção e Scott soube o
exato momento em que o fitou. Ele avançou alguns passos até a cerca que
separava as duas casas.
— Olá — saudou-a com cordialidade. Jean parou
perto do automóvel.
— Como vai, Scott?
Ele pôde perceber que havia mágoa por trás da
fúria de seu semblante.
— Quer uma carona para o centro, Jean?
— Não, obrigada. Irei direto para a loja,
depois do encontro, e precisarei do carro mais tarde. — Baixou os óculos
escuros, que prendiam seus cabelos.
— Tudo bem.
Sem mais uma palavra, Jean entrou no veículo e
bateu a porta. Scott a observou partindo.
A frieza com que ela o tratara fora mais do
que merecida, após o que lhe fizera, na véspera. A memória do gosto de seu
beijo lhe trouxe ondas de calor que aqueceram todo seu corpo.
Tudo nela era luz e cor, brilho e suavidade. Scott
precisava de Jean assim como de comida, água e do ar que respirava. Não mudaria
nada em relação a ela. Tinha de resistir. Tudo o que fizesse afetaria aos três.
E não seria de uma forma positiva.
Poucos minutos depois, Scott chegava a
Destiny, no mesmo instante em que Jean desaparecia dentro do escritório de Ororo,
que ficava localizado na rua principal, entre o gabinete do xerife e a loja de
tratores de Charlie, em frente ao consultório do dr. McCoy, da This N' That e
da loja de computadores que Jean dissera estar à venda. Scott permaneceu alguns
segundos lendo a placa de "Vende-se", pensando se valeria a pena.
Por fim, entrou para seu encontro.
Ororo já estava lá fazia um bom tempo, qualquer
um perceberia. Havia uma mesa no centro da sala com duas cadeiras de
interlocutor. A julgar pelos fios espalhados no chão, a advogada tinha um
telefone e um computador. Jean já se acomodara.
— Olá, Scott — Ororo o recebeu. — Tudo bem?
— Tudo — mentiu.
Após aquela única palavra, o silêncio pesou no
ambiente. Scott se deu conta de que teria de fazer uma pequena explanação. Para
sua falta de sorte, seu treinamento militar não o ensinou como lidar com uma
ex-namorada que deu à luz uma filha e com a advogada que tornaria aquilo legal.
Ororo sorriu.
— Obrigada por virem. Isso não levará muito
tempo.
— Ainda bem. Tenho de abrir a loja — Jean
falava sem dirigir o olhar a Scott.
Ororo gesticulou para ele se sentar na outra
cadeira.
— Desculpem-me, mas é só o que tenho para
oferecer no momento.
— Não tem problema.
— Só estamos falando de papelada burocrática.
— Ororo alternava o olhar entre os dois. — O primeiro passo é adicionar o nome
de Scott na certidão de nascimento de Rachel. Entrarei com os papéis no
cartório e em seguida uma petição na corte, para legalizar o nome para Rachel Anne
Summers.
— Soa bem, não acha? — Scott comentou, sem
esconder o orgulho que sentia.
— Sim, soa — Ororo assentiu. — Esperaremos um
período até o juiz marcar a audiência, à qual todos compareceremos, e tudo
ficará lavrado e certo. Alguma dúvida?
— Gostaria de saber sobre custódia partilhada.
— Isso é Jean quem decide, Scott.
Jean o encarou com ódio. Scott sentia-se culpado
e arrependido.
— Não tenho objeções. Rachel quer passar mais
tempo com o pai, e acho importante para ela.
— E pensão alimentícia?
— Não preciso de nada de você, Scott. — Ororo
pigarreou antes de interromper:
— A corte irá requerer uma pensão, ou a
custódia será negada. Devia reconsiderar, Jean.
Ela meneou a cabeça em negativa.
— De jeito nenhum. Eu e Rachel já temos tudo
de que precisamos. Não precisamos de ajuda financeira.
Scott virou-se para ela.
— Mas, Jean...
— Scott, já tenho minha posição. Pegue seu
dinheiro e... — Ororo se levantou.
— Não precisamos falar nisso hoje. Caso seja
necessário, poderemos pedir ao juiz para estipular o valor.
— Nenhuma corte irá me dizer que é meu dever
sustentar minha filha, Ororo. Decida o que é justo e faremos isso agora. Inclua
também plano de saúde e tudo o mais que Rachel necessitar.
— Scott, ninguém o está acusando de ser um pai
ausente.
— Sei que não é culpa minha, Ororo. Não mais.
— Tudo bem. Eu cuidarei disso. A não ser que
tenham algo mais a acrescentar, estamos terminados.
— Foi rápido. — Scott deu de ombros.
— Eu lhe disse que seria. — Ororo sorriu. Jean
se ergueu.
— Tenho de ir. Obrigada por tudo, Ororo.
— Foi um prazer.
Em segundos, Jean partiu.
— Que mulher rápida!
— Jean está apaixonada por você.
Scott levou um susto. Jean apaixonada por ele?
Nunca uma mulher como aquela se apaixonaria por sua pessoa. Não conseguia
acreditar.
— Ororo, acho que anda trabalhando demais —
brincou.
A advogada o encarou, penetrando em seus
sentimentos.
— E posso jurar que você ama Jean. — Scott
gargalhou ao ouvir aquilo.
— Só pode estar maluca!
— De jeito nenhum.
— Isto é parte de seus serviços jurídicos?
— Não, Scott. Só sexto sentido. Aprendi a
nunca discordar dele. Meu instinto está dizendo que você e Jean começaram algo
há dez anos que ainda está vivo hoje em dia. São loucos um pelo outro. Nem vou
cobrar por esta consulta.
— Por mais que seja verdade... — Scott
murmurou.
— Então é verdade?
— Não estou afirmando nada — ele desconversou.
— Por quê?
— Olhe, não quero Jean comprometida com um
sujeito como eu.
— Que tipo de sujeito é você? — Ororo indagou,
curiosa.
— Estou longe de ser aquele que Jean merece.
— Scott, vocês têm uma filha. O que, por
sinal, é uma surpresa. Não creio que alguém imaginasse que vocês tiveram algo,
no passado.
— Nós nos encontrávamos às escondidas. Os pais
dela não aprovavam nosso namoro. E não acho que estavam errados.
— Isso foi há uma década. Vocês cresceram.
Fizeram uma filha. Vão ter de interagir. Julgando pelos poucos minutos em que
participei, não vai demorar muito e a situação entre vocês vai ficar
insustentável.
— Está errada. Sou o pai de Rachel. Estou aqui
para protegê-la e dar-lhe meu nome. O que é meu será dela um dia.
— Ah, sim... E emocionalmente?
— Não lhe darei as costas. Estarei sempre por
perto para apoiá-la. Rachel nunca precisará me procurar. Não terá a chance de
participar daqueles programas de televisão nos quais crianças procuram pelos
pais que a abandonaram. Ororo, já fiz coisas terríveis, dessas que não se falam
durante um piquenique ou numa discoteca no sábado à noite.
— Então é um desses veteranos que serviram ao
país. Você faz parte dos mocinhos, não dos bandidos.
— Também aprendi a escutar meu instinto. E não
é isso o que ele está me dizendo.
— Estou começando a ficar preocupada com você,
Scott. Precisa encarar a existência, e não fugir dela.
— Você também está sozinha, Ororo. Observei-a
com Charles no rodeio, quando voltei a cidade. Isso sim é que tem futuro.
— Vida amorosa para mim? Não podia estar mais
distante da verdade, Scott. Isso está longe de acontecer!
— Mateo morreu há muito tempo.
— Isso não tem nada a ver com Mateo.
— Não? Então tem a ver com o quê? Tenho
certeza de que já teve várias oportunidades.
— Tive minha chance de ser feliz. E no
momento, estamos falando de você.
— Não quero falar sobre Jean.
— Entendo. Mas ficará em Destiny, e precisa
acertar alguns detalhes.
— Sim. Tenho pensado nisso. — Arqueou as
sobrancelhas. — Reparei que existe uma loja de computadores do outro lado da
rua que está à venda. Estive ponderando sobre as possibilidades.
— Soube que é um expert em computadores.
— É só um boato. Aprendi alguns programas no
Exército. Quem sabe possa servir para o setor privado?
— Não vejo por que não. — Ororo olhou para os
fios soltos no chão, que ligavam seu aparelho. — Tentei ligar tudo e fazer
funcionar, mas isso está longe de ser o que preciso. Se você fizer esse
trabalho para mim, serei grata até o fim de meus dias. Pode me cobrar pelo serviço.
— Fechado.
— Saiba que há muito trabalho aqui que precisa
de sua experiência. Não sou a única que não entende de computadores em Destiny.
— Só preciso de uma base de operações. — Scott
olhou por cima do ombro em direção ao estabelecimento, do outro lado da rua.
— Cuidarei das negociações para você, que
cuidará de meu sistema de computação.
— Combinado. Obrigado, Ororo.
A advogada olhou pela janela atrás de Scott.
— Aí vem problema...
Scott virou a cadeira e avistou o xerife
passar na calçada.
— Interessante definição, Ororo. Se eu não o
conhecesse melhor, diria que...
— Pode parar por aí, rapaz. Você não leva o
menor jeito para cupido. Eu e Charles não precisamos de um serviço assim.
— Tudo bem. — Scott levantou-se. — Tenho de
ir.
— Por que a pressa?
— Preciso conversar com Charles.
— Pensei que tivesse entendido meu aviso para
abandonar essa história de casamenteiro.
Scott a fitou, sorridente.
— Quem lhe disse que vou falar de você? Tenho
de discutir algo com o xerife que nada tem a ver com amor.
— Certo. Então, está dispensado. — Piscou, marota.
— Obrigada pelos conselhos jurídicos. — Scott
se dirigiu à saída,
— E os sentimentais?
— Por favor, não se ofenda, mas esses eu
dispenso. Até mais, Ororo.
— Até, Scott.
Assim que deixou o escritório, chamou:
— Charles!
O xerife virou-se e acenou.
— Olá, Scott! — E retornou. — Era justo a
pessoa que eu procurava. Vi você e Jean no escritório de Ororo. Um de meus
assistentes contou que a viu saindo, aí achei que você também já tinha partido.
— Fiquei conversando com Ororo.
— Ah...
Scott estudou a reação do amigo. Havia
surpresa e descontentamento em seu semblante. Poderia apostar que Charles Xavier
estava com ciúme dele.
— Estávamos falando sobre a vida amorosa de Ororo.
— Só isso?
— Só. — Scott lutava para esconder seu sorriso
irônico. — Ela é quente o suficiente para derreter manteiga, xerife.
— O que quer dizer com isso? — Charles o
fuzilou com o olhar.
— Nada. Foi só um comentário.
— Espero que sim.
— Se eu não o conhecesse tanto, diria que está
enciumado.
— Ororo é apenas uma boa amiga.
— Já que é assim...
— Olhe, Scott, estou com problemas, e Ororo
seria uma distração de que não necessito agora. Quero falar com você. Tem um
minuto?
— Sim, claro. Andei pesquisando sobre Pietro
Maximoff.
— Leu minha mente, homem! Conseguiu algo?
— Temo que não. Tudo o que pesquisei indica
que o camarada é um escoteiro. Mas, se não me engano, ele andou se metendo em
encrencas quando criança.
— Os pais de Pietro Maximoff sempre escondiam
tudo o que o garoto fazia. Acredito que conseguiram arquivar tudo.
— É. Mas isso não inclui nada recente.
— Qual seu plano?
— Enviarei uma foto dele para alguns sites de
procurados da internet. Podemos encontrar uma pista.
Charles assentiu.
— Isso chegou a me ocorrer. Pode mesmo fazer?
A preocupação podia ser vista nos vincos do
rosto do xerife. Xavier estava a ponto de perder a guarda de suas lindas
gêmeas, a não ser que Scott pudesse ajudá-lo. Imaginar as duas garotinhas sendo
arrancadas do pai fez o sangue de Scott gelar. Se alguém tentasse lhe tirar Rachel,
seria capaz de mover céus e terras para impedir.
— Lógico que posso, Charles.
— Ele é um marginal, Scott. Posso sentir em
meus ossos. Assim como o irmão.
— Meus instintos me dizem a mesma coisa. Se
estivermos no caminho certo, aposto que vamos encontrar algum rastro.
— Avise-me se achar algo.
— Será o primeiro a saber.
— Obrigado, Scott. Nós nos veremos depois.
Preciso correr.
— Posso lhe pagar uma xícara de café?
— Alguém aqui tem de trabalhar! — brincou o
xerife, e a tensão diminuiu um pouco. — Tenho uns assuntos a resolver.
— Alguém aqui está procurando trabalho — Scott
retrucou.
— Meu tempo está curto. Senão, eu mesmo lhe
pagaria um café. — Acenando, o xerife desapareceu dentro da delegacia.
Seria bastante conveniente trabalhar ao lado
do escritório de Ororo, Scott pensou.. Talvez pudessem partilhar alguma coisa
pessoal.
Olhou para a loja de Jean, do outro lado da
rua. Começava a ser consumido pela culpa, raiva e dor, e ao mesmo tempo
julgava-se uma rocha desprovida de tudo.
Recordou Charles e suas filhas. Refletiu sobre
o próprio relacionamento com Rachel. Scott acabara de conhecê-la, mas seu amor
era tão profundo que fazia seu peito se encher de luz. Enquanto respirasse,
nada de mal aconteceria a sua menina.
Nem a Jean.
Todos aqueles anos em que ela manteve Rachel
em segredo, protegendo-a do mundo, protegendo-a dele próprio... Scott foi
tomado por uma compaixão tão intensa que quase o deixou sem ar.
Se apenas pudesse ser o homem que Jean merecia,
um do tipo "até que a morte nos separe"...
Mas não era. E iria causar muita dor a Jean.
Agora era sua vez de cuidar do bem-estar das duas. O melhor era fingir que não
se importava com ela. Iria se esforçar ao máximo para seu coração entender a
mensagem.

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