Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: K (5+)
Status: Finalizada
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Na manhã
seguinte, bem cedo, Jean arrastou Rachel para dentro do carro. "Não olhe
para o lado. Não olhe. Não se atreva a olhar", dizia a si mesma.
— O carro de meu pai não está lá.
As palavras da menina tiveram o efeito de um
soco. Contrariando sua consciência, Jean olhou por cima de Rachel e procurou
algum sinal na residência ao lado.
O automóvel não estava lá, de fato. Como fora
tola! No fundo, achou que tinha colocado alguma coisa dentro da cabeça do pai
de sua filha. Desde que Scott Summers voltara, encheu-se de esperanças e
tentara lhe mostrar que tudo podia ser diferente. Mas isso agora iria mudar.
Scott não acreditava que merecia ser feliz.
Agora que se fora, levara junto toda a confiança de que podia mudá-lo,
convencê-lo de que era um ser humano normal e que era capaz de perdoar. Scott
era um bom homem.
A despeito do que queria sentir, a tristeza a
invadiu, dificultando sua respiração.
— Entre logo, Rachel. Vamos nos atrasar.
— Não ligo.
— Eu, sim.
Jean escondeu os olhos inchados de tanto
chorar sob as lentes dos óculos escuros e dirigiu até o acampamento.
Jean tomou a filha pela mão e caminhou pelo
campo até chegar à sala do diretor.
Raven, a bela e loira adolescente em seu
emprego de verão, ocupava a mesa da secretária.
— Olá, Jean.
— Olá, Raven. Gostaria de ver o sr. Drake.
Bobby Drake também era professor na escola
primária onde Rachel estudava. Durante o verão, supervisionava o acampamento a
fim de aumentar um pouco sua renda pessoal.
— Ele está reunido com uma pessoa, neste
momento. — Indicou duas cadeiras na sala de espera. — Sentem-se, por favor.
— Mas eu marquei um encontro. Tenho hora para
ir trabalhar.
— Lamento. Um pai apareceu sem avisar. O sr. Drake
irá atendê-la em alguns minutos.
Jean olhou para Rachel, e as duas se sentaram.
— Acho que vamos ter de aguardar, Rachel.
— Que ótimo...
Antes que Jean pudesse juntar-se a ela, a
porta do escritório se abriu, e o diretor, de pé à soleira, falava com alguém. Jean
não conseguiu ver quem era.
Scott se virou em sua direção, e ela
cumprimentou-o com um aceno. Em vez de encontrar um semblante carrancudo, ele
estava sorridente.
— Olá, Jean... Rachel. Desculpem-me por
fazê-las esperar.
— Tudo bem. Gostaria de lhe pedir para aceitar
Rachel de volta, para assim eu poder trabalhar.
— Tudo já está esclarecido.
— Como assim, Bobby?
— Tudo o que Rachel tem a fazer é dizer que
sente muito e se desculpar com Kurt, e tudo estará perdoado.
Rachel se levantou da cadeira e postou-se ao
lado da mãe.
— Mas eu não sinto muito. Quer que eu minta?
Com delicadeza, Bobby Drake aproximou-se de Rachel
e a encarou.
— Você e Kurt vão se sentar e desculpar um ao
outro. E conversarão. Eu serei o mediador. Eu e seu pai decidimos que é a
melhor coisa a ser feita.
"Pai?" Jean virou-se para a sala do
diretor e viu Scott.
— Filha, Bobby está certo.
Bobby? Scott mal conhecera o homem e já o
tratava pelo nome? Jean fumegava por dentro.
O intenso olhar de Scott penetrou Jean e, em
seguida, voltou-se para a filha.
— Concluímos que vocês dois têm pendências a
resolver e está na hora de uma solução diplomática.
— Não estou entendendo o que querem com isso —
disse Rachel com seu jeito teimoso. — Mas, se tiver que beijar Kurt Wagner,
podem esquecer.
Scott chegou mais perto da filha e abaixou-se,
ajoelhando-se.
— Algumas vezes temos de fazer coisas que não
queremos. Mas a vida é assim. É melhor ir se acostumando — falou num tom firme
que não deixava dúvidas sobre sua autoridade paterna.
— Mas foi Kurt quem começou tudo — Rachel
argumentou, indicando sinais de fraqueza.
Scott assentiu.
— Sei disso. Mas vocês dois terão de acertar
as contas por si mesmos. E agora, só usando palavras,
Jean permaneceu em silêncio total, observando Scott
conduzir a situação como um comandante lidando com seu pelotão.
Scott não desistira. O coração de Jean
aliviou-se.
Scott observava a conversa, e resolveu
interrompê-los:
— Vamos lá, Rachel. Encontraremos Kurt e
juntos resolveremos tudo, de uma vez por todas.
— Pai? — ela o chamou, implorando por sua
ajuda.
— Ande, Rachel, resolva logo isso.
— Já vou...
O diretor desapareceu com a menina, e Scott
postou-se na frente de Jean.
— Olá.
— Como vai? — Ela engoliu em seco. — Confesso
que estou surpresa. Não esperava vê-lo aqui.
— Ontem à noite, depois de nossa conversa... —
Scott soltou um suspiro. — Na realidade, depois de seu monólogo...
— Scott, eu...
Ele ergueu a mão.
— Fiz algumas reflexões, Jean. Você está
certa. Não mereço vocês duas. Cresci num ambiente militar e criei uma armadura
para me proteger. Sempre tinha de deixar meus amigos quando meu pai era
transferido. Aprendi a manter as pessoas longe de mim, pois sabia que não
ficaria muito tempo por perto.
— Deve ter se sentido muito só.
— Pode apostar. Até eu mudar para Destiny. Fiz
algumas amizades, como Remy LeBeau, Piotr Rasputin e o xerife Charles. Isso sem
mencionar a ruiva espevitada que estava pronta para me seguir pelo mundo.
— Isso foi há dez anos.
— Mas sempre esteve em meu coração, Jean. — Scott
passava a mão pela nuca.— E vovó sabia disso. Portanto, deu um jeito para eu
não fugir, dessa vez.
— Poderia ter ido. Os amantes das pedras de
Destiny iriam ficar bem contentes.
— E você?
Depois de tudo o que falara na véspera, ela
não mais como negar.
— Eu ficaria bem infeliz.
— Quando voltei para resolver o testamento,
não sabia mais quem eu era. Estava em busca do meu próprio eu, de minha alma.
Aí, encontrei você e Rachel. Vovó sabia que eu estava perdido e que vocês eram
meu destino. E deu um jeito para que eu as encontrasse na porta ao lado.
— Gostaria de poder agradecer a Elaine.
— Digo o mesmo. Mas devo agradecer a você
também. Porque eu queria tornar a fugir. E você me fez reencontrar o passado.
Mostrou-me que era possível eu me perdoar por meus erros, que ainda era capaz
de amar. Estava certa sobre mim. Sou um covarde.
— Oh, Scott, não era essa minha intenção! Eu
estava tão zangada!
— Não, está certíssima, Jean. Porém, o pavor
que tenho de passar o resto de meus dias sem vocês foi maior do que o de
fracassar.
— Bem, até que você se saiu bem com Bobby. — Scott
a olhou de soslaio.
— Ontem, quase fui atrás de você para pedir uma
nova oportunidade. Em seguida, percebi que as palavras não iriam adiantar. De
alguma forma, tinha de lhe provar que estava tentando fazer alguma coisa boa.
Aí, decidi procurar Bobby. Planejo ficar em Destiny por um longo período.
Jean achava que ele estava referindo-se apenas
à filha.
— Rachel ficará muito feliz ao saber disso.
—E você?
— Fico feliz por ela.
— Não é isso o que quero saber. Como está se
sentindo sobre nós dois?
— Revelei o que sinto na noite passada, Scott.
Agora é sua vez. Caso queira.
— Claro que quero. Eu te amo, Jean. Sei que
estou atrasado dez anos, mas isso quer dizer também que amo dez vezes mais. E
preciso de você. De alguma forma, sinto que sabe disso. — A expressão em seus
olhos azuis era tão sincera que tocou o coração dela. — Caso não tenha mudado
de idéia de ontem para hoje, gostaria de pedir sua mão em casamento.
— Está bem.
— Certo, posso pedir? Ou ok, você aceita?
— Pode pedir, e eu aceito. Você é maravilhoso,
Scott, e pretendo passar o resto da vida me esforçando para convencê-lo disso.
— Quer dizer que ainda me ama?
Jean chegou até Scott e passou os braços por
sua cintura, encostando o rosto no peito dele.
— Sim, ainda te amo, Scott. Sempre o amei. Se
é que ainda não percebeu...
A ternura do beijo provou o quanto sua afirmação era
verdadeira. Scott Summers era passado, presente e futuro. Era seu destino. Jean
o amaria até o fim dos tempos. Fazia uma década que o amava. E agora, enfim,
ele aprendera a acreditar.
Fim

0 Comentários