Descrição: Dez anos atrás, a boa menina
Jean Grey provou o lado selvagem da vida ao namorar o playboy Scott Summers.
Juntos, geravam química suficiente para incendiar a cidade de Destiny, no
Texas. Mas o selvagem recruta Scott desapareceu após uma noite de intensa
paixão, deixando Jean com mais do que memórias... Agora Scott está de volta à
cidade. E, para sua surpresa, descobriu que Jean ainda o faz pensar em paixão e
beijos ao anoitecer... E descobriu também que uma noite de amor que tivera no
passado com Jean o tornara pai! Como o destemido Scott encararia a mais difícil
missão de sua vida: recuperar sua família?
(Baseada no livro de romance Você
não sabia que...)
Classificação Indicativa: T (13+)
Status: Em
Progresso
Tipo: Família,
romance.
Capítulo Anterior.
Quando Jean
chegou em casa, antes das nove e trinta da noite, viu a luz da varanda acesa.
Ficara até mais tarde na loja para terminar o inventário, e chamara Alex, uma
adolescente que costumava tomar conta de Rachel, para ficar com a menina até
que chegasse.
Era nessas horas que mais sentia a falta de Elaine
Summers. Toda vez que precisava, a avó de Scott ficava com a menina. Era um
alívio saber que estava com alguém da família, mesmo que Elaine não soubesse
disso.
Já passava da hora de Rachel estar dormindo. Jean
entrou sem fazer ruído e caminhou na ponta dos pés até a sala de estar.
— Alex? — chamou num sussurro.
A tevê estava ligada com o som baixo. Jean
estacou, surpresa, ao ver Scott Summers cochilando no sofá.
Imaginou o que estaria fazendo ali, mas não
teve coragem de acordá-lo. Com cuidado, atravessou o corredor e entrou no
quarto de Rachel. Deu graças a Deus ao encontrar a filha dormindo como um anjo.
As explicações sobre o que havia acontecido
podiam esperar, agora que sabia que Rachel estava bem. Puxou o fino lençol rosa
e cobriu-a. Não que estivesse frio, mas esse era um gesto materno que tinha por
costume fazer. Dava-lhe a sensação de a estar protegendo de alguma coisa, real
ou imaginária..
Tornou à sala de estar e pôs-se a observar Scott
dormindo. Não conseguira tirá-lo da cabeça o dia todo. Seus cabelos quase pretos,
os olhos azuis e o sorriso enigmático faziam-na ansiar por coisas que sublimara
por uma década.
Lembrando-se do que ele dissera sobre não
poder ser responsável por algo tão maravilhoso como Rachel, experimentou uma
enorme ternura. Scott precisava saber a verdade. Não tinha o direito de
esconder-lhe, e decidira contar assim que o encontrasse.
Só não esperava encontrá-lo tão rápido.
Num ímpeto, estendeu a mão em direção a seu
braço para fazê-lo despertar. Antes que seus dedos o tocassem, Scott puxou-a, quase
fazendo-a voar para o sofá, e comprimiu-a contra as almofadas, usando o peso de
seu corpo para mantê-la cativa. Com o antebraço dele apertando-lhe a traquéia, Jean
mal podia respirar. A intensidade de seu olhar, como um predador ao caçar sua
presa, assustou-a.
— Scott! — tentou gritar, com apenas um fio de
voz escapou.
— Diga, Jean. — Soltou-a.
— Estava esperando Átila, o rei dos hunos?!
— Todo o cuidado é pouco. — Respirou fundo,
para aliviar a tensão. Um dos cantos de sua boca se curvou. — Como foi seu dia?
Pelo visto, não ia fazer referência alguma
sobre tê-la derrubado como se fosse um inimigo.
— Foi ótimo, e o seu?
— Não posso me queixar. Na verdade, acaba de
melhorar cem por cento.
Rolou para o lado, tirando o seu peso de cima
dela. Passando o braço por baixo de Jean, aconchegou-a em seu peito. Jean
sentiu a virilidade dele contra sua perna.
Scott Summers a desejava. Deus! Deveria
sentir-se ultrajada?
Mas antes sua respiração precisava voltar ao
normal, a pulsação desacelerar e controlar o tremor que se espalhava por cada
célula. Depois, sim, poderia se sentir ultrajada.
Ele deslizou a mão até cobrir-lhe o seio.
— Seu coração está disparado, Jean.
— Há uma boa razão para isso.
— Eu?
— Sim, você. Mas não é o que está pensando.
Quase me matou de susto!
— Sei disso. Perdoe-me, Jean.
— Então? Não vai me soltar?
— Ainda não. — Olhou-a como se quisesse
devorá-la inteira. Ela não conseguia recobrar o bom senso. Pareceu-lhe se
passar uma eternidade até que ele baixasse a cabeça e cobrisse seus lábios com
os dele.
O contato era eletrizante. As pálpebras de Jean
cerraram-se, e luzes brilhantes como fogos de artifício atravessaram a
escuridão. Sua respiração, já ofegante, acelerou-se até quase lhe faltar o
oxigênio.
Enquanto os ágeis dedos de Scott
acariciavam-lhe os mamilos, sentia labaredas espalharem-se por todos os
terminais nervosos. Arqueou as costas, amoldando mais o seio contra a palma de
sua mão.
Era como se tivesse voltado ao paraíso e o
encontrasse mudado... para melhor. Afagou-lhe o peito másculo e deu um sorriso
maroto.
— Seu coração também está disparado. Por acaso
o assustei também?
— E como!
— Tentarei não fazer isso de novo.
— Só por cima de meu cadáver. — E tornou a
beijá-la. Jean concentrou-se no toque de seus lábios. Ele não era mais um
adolescente excitado, mas um homem experiente, e sentia-se fascinada com isso.
Seus ombros largos, curvados sobre ela,
cercavam-na e protegiam-na. Ao mesmo tempo predador e protetor. Por que nunca
se sentira tão segura como naquele momento?
Scott passou a língua por seu lábio inferior.
Sem hesitar, Jean entreabriu a boca para recebê-lo. Ele apossou-se de sua boca,
explorando o interior com avidez.
Jean sentiu-o afastar-se um pouco. Não
demonstrava pressa alguma, ao contrário do passado. Ganhara experiência na arte
de despertar, excitar e aguçar o desejo de uma mulher. Jean mergulhou os dedos
nos cabelos bem aparados de sua nuca, oferecendo-se para ele. Quase perdeu o
controle quando Scott lambeu um ponto esquecido próximo ao lóbulo de sua
orelha, para logo traçar um caminho de fogo pelo pescoço em direção ao colo.
Era óbvio que ele não havia esquecido aquela
zona erógena de sua anatomia. Suas carícias a faziam querer...
— Mãe! — A voz de Rachel ecoou pelo corredor.
Scott soltou-a e em um segundo estava de pé.
Antes que Jean pudesse entender o que estava acontecendo, estendeu-lhe a mão
para ajudá-la a se levantar.
— Mãe, Scott! — A menina parou à soleira,
sonolenta, esfregando as pálpebras. — O que estão fazendo?
— Nada, princesa. Teve um pesadelo?
— Não. Só queria dizer boa-noite para você.
— Muito bem. Vou levá-la de volta para a cama.
— Não se sentindo capaz de encará-lo, Jean foi em direção à filha,
encaminhando-a até o quarto.
Rachel pulou para a cama.
— Mãe, não tem problema Scott ter ficado aqui,
tem? — "Sim, tem!", teve vontade de responder.
— Por que ele ficou, filha?
— Alex Master estava tomando conta de mim, mas
teve de sair. Seu irmão, aquele que foi ferido pelo touro no rodeio, recebeu
alta do hospital. Sua mãe pediu para que estivesse lá quando ele chegasse em
casa. Alex não iria sair, mas Scott falou que não se importava de ficar comigo
até você chegar.
— E de quem foi a ideia de chamá-lo? — Rachel
a encarou.
— Minha. Achei
que não seria ruim, desde que eu não ficasse sozinha. Lembrei-me de que, quando
Elaine ainda era viva, sempre ficava comigo quando você precisava trabalhar.
Por isso, pensei em Scott. Ele se saiu uma ótima babá, e está morando bem aqui
do lado. Ficou zangada pelo que fiz?
Jean também se lembrara de Elaine. Como
poderia culpar a filha por pensar da mesma forma? Embora pai e filha não
soubessem, a menina estava com alguém da família. Sorriu, com ternura.
— Está tudo bem, Rachel.
Onde tinha aprendido a mentir daquele jeito?
Nada estava bem. Na realidade, não poderia estar pior.
— Eu gosto dele, mamãe.
— Fico contente com isso. — Cobriu-a com o
lençol. — O que fizeram, antes de eu chegar?
A menina deu de ombros.
— Assistimos a alguns filmes da Disney no
vídeo. Scott fez cachorro-quente para o jantar, e jogamos basquete no quintal
até escurecer.
— Então, se divertiram.
— Sim, ele é nota dez.
— Muito bem. Agora, volte a dormir, Rachel. —
Inclinando-se, deu um beijo na face da menina. — Boa noite.
— Boa noite, mamãe.
Jean observou-a virar-se para o lado e fechar
os olhos. Ficou ali parada por alguns minutos, consciente de que tentava adiar
o inevitável. Cedo ou tarde, teria de ir para a sala, encarar Scott e admitir
que mais uma vez esteve próxima de fazer papel de idiota. Precisava dizer a ele
que isso não devia acontecer de novo.
O fato de não conhecê-lo o suficiente não era
o que mais importava. O que a perturbava acima de tudo era saber que ele não
ficaria em Destiny. Pior: não fizera segredo de que não queria morar ali. Só
permanecera na cidade porque Elaine não lhe dera outra opção. Mesmo assim,
seria só por um ano. Depois retornaria para aquilo em que era bom. Aonde isso a
levaria?
Sem dúvida a um coração partido.
Seguiu para a sala de estar preparada para
falar com Scott, mas ele já havia saído. Seu outro lado detestou que ele
tivesse feito isso. Dera-lhe as costas de novo.
Passara por isso uma vez, não pretendia que
acontecesse a segunda. Não importava quão maravilhoso fosse o beijo dele.
— Oh, Scott...
Gostaria que você se importasse comigo o bastante para ficar.
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No quintal dos fundos de sua casa, debaixo da
sombra da amendoeira, Scott firmou os pés no chão para obter equilíbrio.
Esticou o braço com o punho cerrado e desferiu um soco no ar. Muito fraco,
pensou, irritado.
Os movimentos de autodefesa estavam piores do
que os de um principiante, adjetivo que de modo algum se aplicava a ele.
Treinara durante toda a manhã, mas sua performance e concentração pareciam ter
sido atiradas numa cesta de lixo.
Seria o calor e a umidade do Texas? O fato de
quase ter feito amor com Jean na véspera? Rachel espiando-o em cima da árvore?
Ou todos esses motivos juntos?
Ouviu barulho de folhas se mexendo na árvore
próxima à cerca. Rachel começava a ficar ousada. Observara-o em silêncio até aquele
momento, mas sua curiosidade era algo quase palpável. Scott pressentiu que a
menina falaria alguma coisa.
— O que está fazendo, Scott? Parece uma luta.
— Acertou.
Ele se virou em sua direção e apanhou a toalha
que deixara sobre a cadeira de ferro. Limpando o suor do rosto, pendurou-a no
pescoço e caminhou até Rachel.
— Sua mãe está trabalhando?
— Está. Como sabe?
— Porque ela não quer que suba na árvore. —
Estendeu os braços para ela. — Venha, eu a ajudo a descer.
— Está lutando caratê? — A menina nem se mexeu
do lugar.
Scott sorriu e colocou as mãos na cintura.
— Desça daí. Alex Master está tomando conta de
você?
— Não. — Afastou os cachinhos negros do rosto.
Com um gesto rápido, tomou impulso para a frente e passou a perna por cima de
um galho, para ir do lado da cerca onde ele estava.
— Tem alguém em sua casa?
— Além de mim?
Aquela criança era muito esperta. Scott ergueu
a sobrancelha, num gesto que no Exército usava-se para intimidar os
subordinados.
— Sim, Rachel. Além de você.
— Não.
Rachel não ficara nem um pouco impressionada
com seu gesto repreensivo. Teria de aprimorá-lo.
— Jean sabe que está sozinha?
— Não.
— Onde deveria estar?
— No acampamento.
— O que houve?
— Kurt Wagner ficou caçoando de mim. Então,
decidi voltar para a casa.
Scott teve a impressão de que ela devia ter se
aborrecido bastante. Mas isso não era problema seu. Tinha de tirá-la daquela
árvore antes que se machucasse.
Rachel deslocou seu peso para o lado e
oscilou. O coração de Scott quase saltou pela boca, quando ela se pendurou no
galho acima da sua cabeça.
— Tem filhos, Scott?
— Não. Quer chamar sua mãe? Pode usar meu
telefone.
— Mas quer ter filhos?
A garota era mesmo esperta!
— Ainda não pensei sobre isso.
Não muito, acrescentou em silêncio.
"Nunca deixe uma brecha para inimigo tentar uma manobra."
— Crianças são uma coisa boa.
— Não duvido. — Limpou o suor que brotava na
testa.
— E sobre falar com Jean? Meu telefone está na
sala. Não quer usá-lo?
— Não.
— Pode entrar em sua casa?
— Sim. Mamãe deixa uma chave escondida embaixo
do tapete da varanda. Ia pegá-la quando vi você lutando com o vento. Pode me
mostrar como se faz?
— Acho que sua mãe não iria gostar.
— Eu acho que sim.
Da mesma forma como gostara de ouvi-la repetir
o "maldito testamento", decidiu Scott. Jean mantinha rédeas curtas
com a filha.
Scott nutria uma grande raiva contra o homem
que a abandonara. O canalha a deixara sozinha com uma criança para criar. Jean
tivera de trabalhar para sustentá-la, deixando a menina aos cuidados de
terceiros, que, pelo jeito, não estavam desempenhando bem seu papel. Scott
imaginou se os responsáveis pelo acampamento já haviam se dado conta de que Rachel
saíra de lá.
— Sabe alguma coisa sobre seu pai, Rachel? — A
menina franziu a testa por um momento.
— Não muito.
— O que Jean lhe conta sobre ele?
— Que ele não me abandonou.
— Como assim?
Rachel deu de ombros. Esse movimento a fez
perder o equilíbrio e escorregar um pouco.
— Essa foi por pouco! — E endireitou-se.
Scott estendera os braços para segurá-la, mas
teria sido tarde. Com a pulsação acelerada, imaginou até quando teria paciência
para não arrancá-la de lá.
— Não deve ficar aí em cima. Sua mãe não quer
que suba nas árvores.
— Como sabe? — Deu novo impulso e continuou se
balançando no galho. — Ela se preocupa demais. Eu estou bem.
Poderia alguém culpar uma mãe por excesso de
zelo? Em especial com uma filha que parecia estar treinando para ser acrobata?
Nunca saberia. Sua mãe morrera assim que nasceu. Não tivera contato com ela.
— Então, como sabe que seu pai não a
abandonou?
— Porque ele não sabia de minha existência.
— Como isso é possível?
— Mamãe não contou a ele. Disse que foi embora
da cidade antes que ela pudesse contar.
— Jean não manteve contato com ele?
Scott estava tendo um pressentimento que lhe
arrepiava os cabelos da nuca. Estivera em várias situações de perigo, nas quais
aprendera a valorizar todos os cinco sentidos e jamais subestimar o sexto. Este
último causava-lhe formigamentos na pele, mas salvara-lhe sua vida diversas
vezes. E sua pele formigava agora. Mau sinal.
Rachel jogou-se para cima, sentando-se no
galho.
— Está com fome, Scott? Eu estou.
Ele estava faminto, mas de informações. A
criança havia aguçado sobremaneira sua curiosidade.
— Eu lhe fiz uma pergunta, Rachel. Jean não
manteve contato com seu pai?
— Acho que não.
— Nem tentou?
— Não quero mais falar sobre isso. Estou com
fome. — Rachel começou a descer, passando por baixo do galho onde estivera
sentada. Porém, pisou em falso e escorregou. Só o que Scott pode ouvir foi o
barulho de folhas e um gemido abafado de dor.
— Rachel, você está bem? — Silêncio.
Ele pulou a cerca e abaixou-se ao lado da
menina caída.
— Rachel!
Nunca desejara tanto que sua avó estivesse
viva. Elaine saberia o que fazer com uma criança naquele estado.
Lembrando-se de seu treinamento em primeiros
socorros, passou as mãos pelos braços e pernas de Rachel à procura de alguma
fratura. Não encontrou nenhuma, mas ela não se movia, nem falava, o que era
alarmante. Seus olhos estavam abertos, porém, e isso era um bom sinal.
— Rachel, está me ouvindo?
— Não consigo respirar.
— Perdeu o fôlego, foi só isso. Mas você está
bem. Relaxe e voltará a respirar direito.
Com a respiração dificultada, Rachel estendeu
a mãozinha à procura da dele.
— Não me deixe só...
— Não vou deixá-la. Sei que é difícil para
você, mas tente não falar.
A menina assentiu. Estava pálida. Tinha de
chamar Jean, mas não podia deixá-la sozinha. Examinando-a com mais atenção,
encontrou alguns arranhões em seus joelhos e um calombo na testa.
— Pode mover os braços e as pernas?
Rachel movimentou-os e Scott suspirou de
alívio. Poderia chamar uma ambulância e avisar Jean, mas, para socorrê-la
depressa, optou por levá-la direto para o consultório do médico no centro de
Destiny, que ficava ao lado da loja de Jean.
Tomou-a em seus braços.
— Muito bem, docinho, vamos lá.

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