Título: Uma palavra e nada a ser dito.
Capítulo III: 3ª Palavra: Bater
Classificação indicativa. T (13+)
Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic concluída, Multi-capítulos.
Tipo: Romance, Drama, cotidiano, Violência física e emocional
Base: X-Men animated,X-Men Comics, Séries policiais, Dramas policiais, Cotidiano
O dia
seguinte prometia ser mais tranquilo.
Scott acordou cedo e foi trabalhar como de costume.
- Bom dia! - Disse ele ao chegar na repartição.
- Bom dia. E já tenho uma missão para você. - Disse a
funcionária.
- Opa!
- Não é bem uma coisa comum ao seu cargo. Mas precisa me
ajudar. É meio urgente e você tem o
carro da polícia e pode usar a sirene e fugir do trânsito.
- Aceito! Preciso ocupar a mente. O que tenho que fazer por
você? – disse ele animado.
- O agente Logan se esqueceu de assinar esse documento de
liberação da perícia. Lembra da vez que ele levou um tiro no ombro? Pois bem.
Preciso mandar esse documento e hoje ele está de folga. Se você não fizer isso
eu terei que fazer todo o processo novamente.
- O que? - ele disse assustado.
- É eu sei, é muita burocracia. Também fiquei assim. Como
você estava na casa dele ontem, não vai perder tempo. - a moça entregava um
envelope com documentos para ele – Desde já obrigada.
Timidamente
ele pegou o envelope e saiu devagar.
- Scott! Você é de mais! Ela sorriu agradecendo.
Incrédulo Scott entrou no carro e com
as duas mãos no volante virou a cabeça até pressionar a buzina com a testa
apertando-a de forma proposital e intensa.
- AHHHHH! - Ele gritou mas foi abafado pelo barulho do carro.
Assim ele saiu do estacionamento com
o carro em alta velocidade e esbravejava enquanto dirigia.
- EU TÔ TENTANDO FICAR LONGE DESSA TENTAÇÃO É ISSO QUE
ACONTECE? - Ele estava enfurecido - EU PRECISO SAIR DAQUI! NÃO QUERO MAIS FICAR
NESSA CIDADE POR NADA! ESTÁ SENDO UMA TORTURA! – Gritar enfurecido no carro
trancado era tudo que ele poderia fazer naquele momento.
Era bem cedo
e não tinha muito trânsito. Logo ele estava interfonando. Anunciou que era para
Logan descer e assinar um documento da perícia e o porteiro falou para ele
subir. Ele subiu rápido, apertou a campainha e ouviu a voz dela:
- Logan acabou de sair. Foi justamente ... assinar o
documento da perícia. - ela falava
pausadamente por estar em choque ao ver quem estava a sua frente.
- Você está...
- Sozinha... - ela completou.
Eles se olharam por alguns segundos
sem saber o que fazer. Mas foram tomados pela intensidade de seus instintos e
desejos. Eles se beijavam enquanto ela fechavam a porta. Era impossível conter
aquilo. Um precisava do outro.
Jean
fechou a porta e com a chave e o trinco de segurança. Para ter certeza de que
nada e nem ninguém iriam surpreendê-los.
- Eu acho que ainda tô dormindo... - ela falou enquanto ele
beijava seu pescoço.
- Se estiver dormindo, eu não posso acordar. - ele a beijava
- Não agora! - continuo falando enquanto a beijava e passava a mão sobre o colo
dela. Acariciando os seios.
Encostando-a
sobre a parede ele pressionava o volume que explodia em suas calças entre as
pernas dela. Então ele percebeu ela gemer e quase revirando os olhos de prazer.
Observando a reação da moça, e gostando muito do que viu, sentiu um conflito
dominar sua mente. Ele estava com as mãos sobre os cabelos dela e a dominava
totalmente, afastou ela da parede e a beijou de modo mais suave e romântica.
Olhando em seus olhos sorriu com apertando os olhos lentamente e murmurando:
- Eu não posso!
Ela apenas arregalava os olhos e ficou
com os olhos marejados e queixo trêmulo.
- Eu... Não... Posso... – ele falou e a cada palavra ele
encostava os lábios em uma parte do seu rosto. Primeiro a bochecha, depois a
outra e por fim a testa.
- Por que está me seguindo? Por que está me colocando nessa
situação para agora falar que não pode? - Jean falou o empurrando e deixando
uma lágrima cair.
Então ele a
abraçou como quem quer confortar uma criança assustada em uma noite de
tormenta.
- Eu não estou seguindo você. Parece que tudo conspira para
eu te encontrar. - ele acariciava sua
cabeça e começou a contar o que aconteceu para ele estar ali.
Enquanto ele
contava a história do documento, ela entrelaçava os dedos de suas mãos na dele e
foi levantando o olhar para encará-lo.
Alguns segundos de silêncio e ela o beijou novamente, agora com um leve
tocar de línguas.
- Me desculpe. - ela disse e afastou-se indo em direção ao
sofá onde sentou-se.
Ele sentou
ao lado e começou a contar falar.
- Ontem você contou o quanto estava infeliz no casamento. E
me julgou por ser responsável pelo fim do meu casamento. Não quero ser o
responsável pelo fim do seu.
- Mas você não é! Eu já quero me divorciar há muito tempo.
Estou trabalhando mais do que nunca e até procurando novas formas de ganhar
dinheiro para poder manter um apartamento sozinha. Tenho uma poupança que
guardo dinheiro para o dia que me divorciar.
- Mas por que isso?
- Nossa é estranho até de eu falar. - ela encabulou-se. - Eu
não suporto nem mesmo o cheiro dele...
- Os seus problemas com ele realmente não me importam. Só
desrespeita a vocês dois.
- Então?
- O que eu estou tentando contar, é que... Eu não queria me
divorciar. Eu fui traído! Fui enganado! Jurei jamais trair ninguém.
- Você não está traindo. Eu que estou... Me sinto péssima...
Ela baixou a
cabeça. Queria punir a si e batia suas mãos na cabeça. Ele segurou suas mãos.
- Assim vai se machucar.
- Já me machuquei... Eu sempre fui correta. Sempre fiz as
coisas direito e agora estou assim. Infeliz. A única coisa que me trouxe
alegria é tão errada, tão errada... Você mesmo se nega. E não tem compromisso
com ninguém. Sabe o que as pessoas falam de um homem que trai?
-...
- Sempre falam que ele foi esperto. Teve duas ou mais. E facilmente
consegue outras relações e a sociedade esquece aquele deslize. Mas a Mulher que
trai... Ninguém perdoa. Nem mesmo ela se perdoa. É a vagabunda, piriguete,
vádia, piranha, a única responsável por destruir a relação. Ninguém pergunta se
ela estava feliz ou o que o esposo fez ou deixou de fazer. É sempre a única
culpada. Parece que não temos o direito de errar. E eu errei, errei muito!
Quando me casei. Eu nunca fui feliz.
Ao ouvir
aquele desabafo Scott pensou no quão egoísta podia ter sido com sua ex-mulher.
Ao ver a mesma história por outro ângulo, cogitou também ter contribuído para o
fim daquela relação.
- Jean eu... não sei o que falar...
- Shh... - ela colocou o dedo sobre os lábios dele - apenas vá embora. É melhor...
Ao tocar
nele e falar essas palavras Jean ficou estática. Era encantador para ela olhar os olhos dele.
- Eu acho... que eu... vou...
- Ir... você tem que ir...
Então mais
uma vez se beijavam. Das bocas saiam palavras. Dos corpos saiam desejos...
Rapidamente
suas roupas já não estavam mais em seus corpos. Eles queria um ao outro. E
assim eles se amaram pela primeira vez. Ali no sofá.
Era tão
natural para eles como se fosse feitos uns para o outro. Ela nunca havia se
sentido tão confiante durante o ato, nunca havia sentido prazer por tanto
tempo. Ele nunca havia encontrado um corpo tão justo e quente, era prazeroso vê-la
revirar os olhos para ele.
A ansiedade
e a euforia os levaram a exaustão. Ao fim de tudo ele a abraçou.
- Scott... você precisa ir.
- Está bem.
Ele
vestiu-se e ela também. Sorrisos e olhares era correspondidos sem nada ser
dito.
- Vamos encontrar Logan, eu ou você. Não sei como isso pode
acontecer então, melhor treinar alguma desculpa.
- Você veio entregar um documento e ele não estava. Algo mais
a ser dito?
- Não. - Ele a beijou. - Melhor eu ir.
Ela sorria e
o abraçava. Quando alguém batia a porta.
- Jean!
Jean!
Era Logan.
Fechar o trinco de segurança o impedia de ver aquela cena.
- Calma Logan! - Ela ia em direção a porta. - Algum do
departamento veio falar com você. - Ela abria a porta - Sobre a perícia.
- Summers?! Agora você é oficialmente o garoto de recados?
- Você sabe. Sou sempre o primeiro que chega. Só fiz um
favor.
- Trocando favores com as moças do departamento... - Logan
pegava os documentos - Já estava na hora de acertar alguém Summers. Nem que
fosse o Bobby Drake... Cê sabe que
aquele guri é vidrado em homens como você. Aquele "Picolé".
- Por que chama ele de picolé?
Scott
perguntou enquanto Logan assinava os documentos.
- Porque ele entrou nesse mundo colorido. E Picolé tem PAU NO
CU.
- Pare de pegar no pé dele só porque ele joga no outro time.
- Virou militante Summers? Não sabe mais brincar?
- Não é brincadeira. Mas enfim. Você já está velho de mais
para aprender certas coisas.
- Tá aqui o seu documentos Summers. Você é sempre tão
certinho. Nunca falhou?
- Todos erramos Logan. - ele falou enquanto guardava o
documento em uma pasta. Agora preciso ir.
Ao sair
daquele lugar Scott só tinha uma coisa em mente:
“Se
continuar aqui vou enlouquecer! Preciso voltar para Boston!”
Enquanto isso no apartamento...
- Sabe Jean esse cara é o cara mais chato do
departamento. Sempre seguindo as regras.
Sempre certinho. Nunca levou um tiro. Nem parece policial.
- Você já parou para pensar que o chato possa ser você?
- Ninguém segue as regras Jean. TODO MUNDO MENTE!
- Ao menos nisso concordamos. - ela disse irônica.
- Agora vem cá e 'mim beija'...
- ‘Qualé’ Ruiva. Eu ‘tô’ de folga. Faz mais de mês que você
não toma iniciativa. Eu ‘tô’ de folga. Eu quero!
Ela
tentou disfarçar a cara de repúdio ao marido.
- Mas eu não quero.
- Eu sou seu marido. - ele disse em tom ríspido.
- E?
- Você me deve obediência. - ele começou a ficar nervoso.
- Você é a pessoa mais desobediente que eu já conheci.
Irônico você falar de obediência. - ela falou dando as costas.
- Não vire as costas pra mim! Ou eu...
- Se continuar, nos vamos brigar. E eu tenho que trabalhar.
Ela
continuou a andar em direção ao quarto. Percebendo que ela não iria voltar,
Logan ficou irado. Fechou o punho e foi atrás de Jean e a puxou pela braço.
- O que pensa que está fazendo?
- Ai!
- Não vire as costas para mim! - Ele disse enfurecido. - Você
me deve obediência e respeito.
- Ao menos se de respeito!
Me solte! - Ele apertou ainda mais o seu braço - Logan você está me
machucando!
- Por que está me evitando? Vamos diga!
- Seu estúpido! Me solte.
- DIGA! - Ele a empurrava contra a parede - VOCÊ NÃO PODE
SIMPLESMENTE FUGIR DE MIM. SOU SEU
MARIDO. - Ele disse gritando.
- Seu bêbado! Como você pode já ter bebido a essa hora da
manhã? Estais loucos!
- Não mude de assunto. Por que está diferente comigo?
- VOCÊ NÃO É CAPAZ DE ENXERGAR O QUE ESTÁ ACONTECENDO? VOCÊ
ESTÁ ME MACHUCANDO!
- EU SOU SEU MARIDO!
Jean o
empurrava e virava o rosto. Ela sabia o quão violento ele poderia ser com as
pessoas. Mas com ela?
Agora ele
estava enfurecido e levantava a não como quem está preste a estapear
alguém. Ela preparou-se para o impacto.
- ESTÁ COM MEDO DE MIM? REALMENTE ACHA QUE EU VOU TE AGREDIR?
- Disse Logan afastando-se.
- Você já fez isso tantas vezes. - Ela disse deixando cair
uma lágrima de raiva ao lembrar das tantas vezes que ele a obrigava a fazer coisas que lhe feriam por dentro profundamente.
- Não ia te agredir.
- Então só iria assustar-me? COAGIR? COMO SEMPRE FAZ? - ela
estufava o peito é limpava o rosto - NÃO SOU SUA PROPRIEDADE...
- Você me provoca.
- Você deveria se tratar! - virando as costas e indo em
direção ao banheiro ela continuou - NUNCA MAIS ENCOSTE EM MIM!
Logan
começou a esmurrar a parede. No banheiro Jean chorava. E mais uma vez ela arrumava- se para sair.
Ela iria correr, mais uma vez. Correr para fugir, fugir de tudo. Aquele
ambiente lhe fazia mal. A presença de Logan lhe fazia sentir náuseas.
Logan havia
ido a cozinha e mais uma vez iria beber. Nem era meio dia e ele já estava bebendo
pela 3 vez.
Sentado na
poltrona ele viu Jean sair do banheiro e ir em direção ao quarto. Então foi
falar com ela.
- Pode Me explicar o que está acontecendo?
- Acontece que você é louco!
- Sempre fui e isso nunca foi um problema pra ti.
- Sempre foi! Você é um alcoólatra e egoísta.
- Você nunca reclamou disso. Sempre te dei liberdade a
liberdade que você não tinha na casa dos seus pais. E mesmo bebendo, sempre
compareci e lhe dei prazer... você sempre foi feliz comigo.
Ao ouvir
tais palavras Jean riu. Da maneira mais arrogante possível. A vontade que tinha
era responder tudo o que ela pensava em relação a prazer sexual depois de ter
sentido de fato prazer.
- Por que está rindo desse jeito? - Ele disse irritado .
- Liberdade... quem é você para me dar liberdade?
- Sou seu marido!
- Eu sou livre! Você
não é meu dono e nunca foi! Por mais que agisse como se fosse. Quantas vezes
forçou situações das quais eu não queria? E eu aceitei por acreditar que minha
liberdade dependia de você.
- O que te falta Jean? Um filho? Quer um filho? Pronto, a
gente faz é só você acabar com esse drama.
- “Você quer liberdade e sair da casa dos seus pais? É isso
Jean, então a gente casa!" - ela falou imitando ele - foi isso que você me
disse há uns anos atrás. Agora liberdade é ter que atura um homem bêbado todos
os dias de minha vida.
- Olha se o problema é esse eu paro...
Ela o interrompeu.
- Você já disse isso tantas vezes! E agora tentou me
agredir!
- Não exagere. Não machuquei você.
- Não exagere? É isso que tem a me falar?
- Para com isso Jean. A gente sempre se acertou na cama. É só
uma briga...
- Achas mesmo que irá tocar um só dedo em mim novamente?
- Onde quer chegar?
- Onde chegamos! No fim!
- Cê tá de TPM mulher? Não diga asneiras.
Jean
arrumava-se com certa rapidez.
- O que pretende fazer Jean?
- ... - Ela arrumava algumas coisas na mala.
- Você não vai sair assim desse jeito. - Ela o ignorava completamente - Estou falando
com você Jean Grey! PARE COM ESSA
FRESCURA!
Logan perdeu
completamente a cabeça naquele momento e arremessou a mala em direção a Jean
atingindo sua perna, fazendo-a perder o equilíbrio e cair.
- O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! – Ele a levantou pelos
ombros com brutalidade e a lançou na cama.
Ela acabará
de bater a cabeça na beira da cama. Não parecia ser grave. Mas o suficiente
para deixá-la tonta e confusa.
- NÃO VAI SAIR DAQUI OUVIU BEM!
Ele foi a
sua direção e tentou esmurrá-la na barriga como faria com qualquer outra
pessoa.
Ainda confusa
com a pancada na cabeça ela tentou uma esquiva mas não foi completa pegando em o soco em seu braço.
O silencio imperou por alguns instantes. Jean tocava em seu braço machucado enquanto Logan se afastava da cama. os dois visivelmente raivosos.
- COMO PODE FAZER ISSO COMIGO? - ela gritou enfurecida.
Ele ainda ofegante respondeu:
- VOCÊ ME PROVOCOU! - ele queria arrumar alguma razão plausível para o que fez.
- Nem mesmo preocupou-se em saber se eu estou bem. Você é
mesmo um idiota! Ela passava uma das mãos sobre a cabeça no ponto que havia
machucado enquanto encolhia o braço atingido.
- Jean, você exagerou e eu exagerei. Foi só isso vamos ficar
bem. - Ele tentou uma aproximação.
- Queres que eu minimize o que você fez? O que será na
próxima vez? Um tiro? - Seu olhar era de ódio.
Ela juntava
as coisas na mala novamente.
- Não terá próxima vez Jean! – Ele respirou fundo tentando se
acalmar admitindo apenas para si mesmo que ele havia passado dos limites.
- Fale isso para o meu advogado! - Ela disse fechando a mala.
Estava decidida iria sair de casa.
- Vai me acusar de agressão? - ele dizia como se isso fosse um absurdo.
- Eu poderia. Mas vamos simplificar as coisas. Quero o
divórcio!
- Divórcio. Não diga asneiras. - ele riu irônico - Vais voltar a casa de sua mãe? - totalmente
incrédulo das atitudes da esposa ele cruzava os braços e erguia uma
sobrancelha. - Você não teria uma renda
para sustentar seus luxos. Sabemos que é uma mulher cara.
- Eu sou uma mulher cara? Bem eu aceitarei isso como um
elogio. - Ela falava enquanto arrumava uma mala de sapatos. Eram ao menos 30
pares. Mais a bolsa de maquiagem e produtos para o cabelo.
- Quanto tempo achas que vai aguentar na casa de sua
mãe? Lembra quando você implorava para
sair de lá?
Ela alinhou
as duas grandes malas e mais duas bolsas a tira colo. Todos os seus documentos
e algumas economias. Estavam naquelas bolsas. Aquilo era todo o seu patrimônio
naquele momento. E mesmo sabendo que tudo que o esposo havia dito era verdade,
ela não teve medo de seguir aquilo que o seu coração falava. Aquele nunca foi o
meu lugar!
- Adeus Logan!
Com muito medo, porém sem nenhuma
dúvida de que o seu destino cabia somente a ela, Jean Grey fechou a porta do
apartamento. No elevador ela tremia o queixo e segurava as lágrimas que estavam
em seus olhos.
Abrir mão de sua vida estável para um
futuro incerto não é algo fácil. Muito menos quando você está se culpando por
algo que fez. Jean não poderia mais olhar para Logan. Mesmo não o amando ela não
conseguia esconder sua consciência pesada.
Ele errou
com ela? Sim!
Mas Jean
Grey não poderia mensurar quem errou mais. Ela estava ciente do seu erro. Uma
mulher pecadora que trai o marido, não merece perdão. Mas um homem que oprime e
agride é pecador? Aos olhos da sociedade foi apenas uma briga de casal. Isso
justifica uma traição? Certamente não! Não para os pais de Jean, muito
religiosos eles seriam capazes de pedir que Jean implorasse para que Logan
perdoasse-a.
Ao sair do
edifício, a nova Jean respirou fundo e teve alguns segundos para decidir para
onde iria. O lugar mais próximo onde ela poderia encontrar alguém que a acolhesse
seria em seu novo trabalho. Então ela dirigir-se ao Pub Irlandês que agora,
mais do que nunca, era o seu trabalho oficial.
Chegando lá
ela encontrou o gerente.
- Sta Grey! Chegou cedo hoje... - ele disse em tom de
brincadeira - Vai viajar?
- Me desculpe aparecer tão cedo. É que bem... - Ela disse
encabulada - Preciso encontrar um lugar para ficar...
- Você foi despejada?
- Não. Apenas preciso de um novo lugar para ficar. - Ela
estava visivelmente preocupada e assustada.
- Grey, por mais que eu me compadeça com sua angústia, não
tenho onde alojar você. Aqui é um bar, não um hotel.
- Não me referia a ficar aqui ou com o senhor. - Ela tentava
explicar- a maioria do público e também funcionários são universitários. Vim na
esperança de alguém precisar dividir um quarto.
Ou conhecer alguém que precise.
- Ah! Vou falar com o pessoal do DCE e de algumas
fraternidades quem frequentam aqui. - ele pegou o telefone - enquanto isso
deixe sua a malas na área dos funcionários e coloque um uniforme. Aproveito que
você está aqui e passo logo o treinamento de atendimento diurno.
- Certo.
- Sabe como driblamos a tristeza Grey?
- Como?
- Trabalhando! - ele sorriu de forma fraterna. - Ande. Hoje vais treinar no balcão. Não vai ser difícil já que você começou com o
noturno em um dia de pico.
Ela pode então respirar de forma mais
leve. O acaso do destino a guiou para aquele bar. Agora ela entendia o porquê.
As horas
passavam e estava se dando bem no balcão. Quando o gerente a chamou em
particular.
- Grey, vem aqui!
- Pois não.
- Uma estudante falou de um quarto na livre, mas só daqui há
dois dias, quando a outra estudante deixar o alojamento. O preço está dentro do
que você havia falado que pode pagar.
- Ótimo! Perfeito.
- Você ouviu que é só daqui dois dias? O que vais fazer nesse
tempo?
- Ainda não sei. Mas darei um jeito.
- Não acredito que uma garota tão legal como você não tenha
nenhum amigo que possa lhe deixar dormir duas noites em casa.
- Na verdade eu não quis falar com nenhum deles. Problema
familiares... É complicado.
- Certo. Preciso me preocupar?
- Não! Darei um jeito.
- Ótimo. Então amanhã você vem a noite. Hoje você sai as 19h. Já vai ser de noite.
Você consegue mesmo algum lugar para ficar?
- Sim!
Então as
dezenove horas e trinta minutos Jean Grey chegou em frente a um prédio. Chamou
o porteiro e identificou-se:
- Apartamento 802 por favor. Diga que é Jean Grey.
Ela aguardou
um tempo e logo em seguida foi liberada para subir.
O porteiro
ajudou a colocar as 4 malas no elevador mas ela foi só.
Em frente ao apartamento ela apertou a campainha e ouviu uma
voz feminina falando com ela.
- Quando o porteiro interfonou eu quase não acreditei. Você
nunca vem... aqui. - a mulher foi
diminuindo a empolgação de ver a amiga quando olhou suas malas.
- Ororo me deixe dormir aqui essa noite. E por Deus não conte
ao Logan que me viu.
Boquiaberta
Ororo não sabia o que falar.
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Próximo: 4ª Palavra: Mudar













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