Título: Uma palavra e nada a ser dito.

Capítulo III: 3ª Palavra: Bater
Classificação indicativa. T (13+)
Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic concluída, Multi-capítulos.
Tipo: Romance, Drama, cotidiano, Violência física e emocional
Base: X-Men animated,X-Men Comics, Séries policiais, Dramas policiais, Cotidiano
Uma palavra e nada a ser dito


4ª Palavra: Mudar
            Em outro ponto da cidade Scott estava ainda no departamento de Polícia.
- Summers você é o primeiro a chegar e ainda faz hora extra. O que quer?
- Minha transferência antecipada!
- Então foi por isso que esperou todos saíram.
- Sim! É por motivos familiares e urgentes. Eu preciso voltar para Boston.
- Quando viestes para cá também foi assim.
- Sim. E espero ser tão rápido quanto. Pois já havia dado entrada mês passado.
- Só podemos deixar para sexta.                       
- Perfeito           
           
De volta ao apartamento de Ororo...
            Jean havia contado o que tinha acontecido com ela e Logan.
- Minha nossa Jean! Bem, eu sabia que o casamento de você não estava bem, mas Divórcio?  Vocês pareciam tão felizes...
- Impressões... As  pessoas não sabem de verdade o que acontece na vida do outro.
            A moça falou cabisbaixa.  E foi consolada pela amiga.
- Conte comigo pra tudo! E fique  o tempo que precisar.  Até se estabelecer. Não vou permitir que você vá para a casa de uma pessoa estranha se podes ficar aqui em casa.                       
- Obrigada!
- E porque você não veio direto para a minha casa?
- Você estava trabalhando e eu também.
- Você trabalhando em um bar... – ela custava a acreditar - Nossa os homens devem ficar loucos.
- Nem tanto. Mas um pouco. Sei dar limites.
- Disso não tenho dúvidas. Afinal você domou o Logan.
- Não foi bem assim.
- Descanse. Você precisa de uma boa noite de sono. Amanhã conversamos mais.
            Ororo morava só, seu apartamento tinha dois quartos, entretanto um deles estava sendo usado como depósito e a cama sequer tinha um colchão.  Jean dormiu no sofá da sala. Era pequeno, mas era o local mais confortável que ela dormiu em muito tempo.         Amanhã ela teria que arrumar muita coisa em sua vida.
            No dia seguinte, ao acordar, resolveu procurar o celular e percebeu que tinham mais de 50 ligações de Logan.  Isso significa que ele colocaria a polícia em cima dela caso ela não falasse com ele. Então resolveu mandar uma mensagem de texto:
            “Estou bem. Mas não voltarei para sua casa. Entenda que não é mais saudável vivermos juntos.”
            A mensagem parecia cruel. Mas ela não tinha mas estrutura para conversar com ele sem a presença de uma pessoa intermediando. Ela sabia que ele nunca aceitaria o divórcio e essa separação seria de forma litigiosa.
- O que foi Jean? - Perguntava a amiga.
- Ele estava me ligando. Mandei SMS.
- Você está tão segura. Não existe mesmo chance de voltarem?
- Você voltaria?
- Não sei.
- Mas eu sei. E ele sabe. Preciso conversar com um advogado. Logan nunca aceitaria isso de uma maneira amigável.
- Jean ninguém aceitaria um divórcio de forma amigável. Foi tão repentino. 
- Repentino? - ela disse indignada - Estou infeliz há anos! Eu se quer pensavam em mim como uma pessoa. Era apenas o objeto sexual de adoração do Logan. Quantas vezes eu dormi chorando por ter medo de falar para alguém o que eu sentia. Viver com um alcoólatra destrói todo o sentimento que um dia eu pude sentir por ele.
- Jean vocês podem tentar, Logan pode mudar.
- Mudar? Eu não quero que ele mude para mim. Só quero que me deixe em paz.
- Amiga você não vê nenhuma solução para o casamento?
- Sim, o divórcio! Ororo, ele me agrediu.
            Elas se abraçavam.  Ororo não sabia com confortar a amiga.                       
-  Se essa é a única solução, teremos que arrumar um bom advogado.  Logan não gosta de perder, vai lutar  com todas as armas. Conhece alguém?
- Não, mas posso descobrir.
            Jean estava confiante de que sua vida iria melhorar.
            O quarto era bagunçado, mas ela arrumava. O trabalho de garçonete rendia além o salário e gorjetas. Entretanto ela queria trabalhar no balcão ou caixa, algo que seu chefe logo reconheceria sua competência.
            Alguns dias se passaram, ela foi se adaptando a nova rotina. Até que em uma noite de trabalho que lhe parecia normal:
- Então é aqui que você se esconde?! - o homem disse olhando o ambiente que Jean estava. - Não achou mesmo que isso iria durar muito tempo achou?
- Não estou me escondendo. Eu estou trabalhando Logan.
- Como garçonete?!
- Sim!
- Qual o próximo degrau? Um cabaré?!
            Ao ouvir tal comentário ela deu de ombros e virou-se para continuar o serviço.
- Não de as costas para mim Jean!  - Ele a puxou com força pelo braço a fazendo derrubar a bandeja que estava segurando e a imobilizando - Ainda estamos casados! E você volta para casa agora!
- Você está me machucando.
            As pessoas do bar observavam a cena e os seguranças do bar foram intervir.
- Solte a funcionária agora!
- Fica frio 'xará' eu sou policial e essa mulher é foragida!
- É mentira! Ele é meu marido e estamos em processo de divórcio!
- Cale-se! Ou eu não respondo por mim!
- Solte ela agora! Ou...
- Ou o que? Vocês vão chamar a polícia? EU SOU A POLÍCIA!
- Você está apaisano Logan! E eu estou trabalhando! - ela tentava se soltar dele - Por favor alguém chame a polícia! Eu imploro!
             Duas pessoas já estavam ligando para polícia e uma viatura que passava por ali parou em frente ao bar.
- Polícia de NY! Qual a situação?
- Também sou da polícia xará. Não há problema. Só estou tentando levar minha esposa pra casa.
- Sim. E já fomos informados que ela não quer ir e você não está de serviço. 
- Olha xará, não queira me dá ordens, minha patente é maior que a sua!
- Você está insultando um policial.
- Eu sou policial. Não há insultos. Jean! Agora vamos pra casa! - Ele falou tentando levá-la pelo braço.
- Acho melhor o senhor não tentar levá-la.  A não ser que a senhora deseje ir. - Disse o policial.
- E eu não quero! Policial, me entenda, eu pedi o divórcio e estou trabalhando.  Logan não aceitou o meu pedido de divórcio e nem o fato de eu estar trabalhando. Essa é a situação. 
- Não é nada disso. Ela surtou e eu preciso levá-la para casa.
- Me solte Logan! Não sou propriedade sua!
- Por favor, solte o braço dela agora. – disse o policial.
- É MINHA ESPOSA! VAI COMIGO PARA CASA! - Logan gritou apertando ainda mais o braço de Jean. Estava visivelmente descontrolado.
- Alguém, por favor, me ajude! – Jean suplicava quase chorando.
             O policial algemou Logan.
- Hei por que fez Isso? – ele questionou a atitude do policial.
- Por desacato e desobediência.  Nada se grave, mas esse casal aqui precisa conversar. – ele falava enquanto arrastava Logan –  Os dois para a delegacia! AGORA!
- Não me deixem perto dele por favor! – Jean era acompanhada pelo outro policial.
            Na viatura Jean estava no banco do carona e Logan no banco de trás com o segundo policial.
- Droga Jean! Olha só o que você fez!
- Não fiz nada. Policial por favor, não deixe que este senhor se afaste e converse com pessoas na delegacia. Ele é influente e vai querer de alguma forma me prejudicar.
- Certo senhora. Os dois só falam na presença de advogados. Esse é o procedimento padrão.
- Por Deus Jean você é minha esposa.
- Futura EX-ESPOSA!
- Silêncio! - Disse o policial.
            Na delegacia foram ouvidas as duas partes e o delegado achou melhor encaminhá-los ao serviço social.
- o casal está em discordância. Mas precisamos saber se existe alguma maneira de reconciliação, existe?
- Sim.
- Não.
- Como não Jean? Estamos aqui para isso.
- Logan eu pedi o divórcio! Entenda não quero voltar com você não existe maneira fácil de terminar um casamento.
- Você está totalmente certa disso senhora?
- Sim! Dra. Veja bem, já mandei o meu advogado preparar os papéis, mas Logan prefere me agredir e levar as coisas para o litigioso.
- Não vou abrir mão de você Jean.
- EU NÃO AMO VOCÊ!
- Pare de falar essas coisas.
- Logan ACABOU!  Eu cansei de tudo! Preciso seguir minha vida.
            A assistente social percebeu que era inútil continuar aquela conversar.
- Se está preparada para um divórcio litigioso, precisa ter um bom advogado.
- Eu já Tenho! Posso sair e voltar ao meu trabalho Dra? Temos um dia cheio hoje e esse senhor já atrapalhou de mais a minha vida.
- Você já está liberada.
- Obrigada!
            Jean saiu rápido e Logan estava indo atrás dela quando a assistente social falou:
- O senhor não! Ainda precisamos conversar. 
- Eu?!
- Sim você mesmo!
- Espera aí. EU SOU POLICIAL!
- Exatamente por isso.  Não podemos deixar nas ruas uma pessoa visivelmente desequilibrada emocionalmente.
- Não estou desequilibrado. 
- Não mesmo?! - Ela disse cruzando os braços e virando a cabeça de lado suavemente. 
- Minha senhora eu trabalho com bandidos de alta periculosidade e... - Ela o cortou.
- Então você agride sua esposa fisicamente e emocionalmente, de maneira privada e publicamente, depois ela pede o divórcio. Sai de casa decidida e segura tenta, seguir a vida dela sem você. Então você a segue no trabalho é trazido para uma delegacia, e não uma delegacia qualquer, mas sim a delegacia em que você trabalha. - Logan parecia não querer ouvir aquilo.  Em sua mente aquilo não era verdade. - Todos os seus subalternos e superiores estão aqui! Todos já sabem que você foi abandonado pela esposa por ter agredido ela!
- JÁ CHEGA! Eu não vou ouvir isso! Por que está fazendo isso comigo? 
- Ótimo Logan! Finalmente entende o quanto isso afeta você...
- Eu AMO ela.  – ele disse com a voz embargada.
- Que tipo de amor é esse que machuca?
- ... – ele tentava pensar em alguma desculpa.
- Ela estava com hematomas.
- Ela só é muito branca. 
- Encontrar desculpas é sempre mais fácil do que admitir seus erros.
- Talvez tenha descontado nela minhas frustrações do trabalho. Não darei o divórcio! EU AMO JEAN.
- Você tem todo o direito de não aceitar uma separação amistosa e ir para o litígio.  Isso é lícito e tem muitos meios legais de você prender sua esposa por mais algum tempo. Mas isso não muda o fato de que em algum momento o Juiz dará ganho de causa a ela.
- Ou ela mudará de ideia. 
- Ao menos é otimista. Em todo caso. Estou encaminhando o senhor para o servido de psicologia da polícia. A Dra. Maryko tem experiência com controle de agressividade.
- Você sabe que eu não irei...
- Não é obrigado. Entretanto... Se não for será desvinculado a polícia.
- Que?
- Exonerado. Seu histórico é bem complicado.  Entenda isso como uma segunda chance na polícia.  Apenas isso Sr Logan.
- ‘Tá’ certo.
- E Logan. Fique longe de sua esposa.  Se ela fizer mais alguma queixa, você pode ser exonerado também.
            Logan fechou a porta com a mesma amargura que dominava seu coração. Ele nunca perdia nada. Como poderia começar a perder justamente aquilo que ele mais prezava?!
            Então fez aquilo que ele poderia fazer. A única coisa que ele poderia fazer naquele momento. 
            Ele saiu da delegacia ignorando a todos que tentavam lhe falar e foi em direção a um bar. Mais do que nunca ele precisava beber.
             Voltando para o trabalho, Jean estava envergonha, porém queria e precisava trabalhar. Mais do que nunca precisava mostrar serviço.
- Muitas mesas para atender. Preciso correr com os pedidos. - Jean falava enquanto colocava o uniforme novamente.
- Que bom que você voltou. Só mostra o seu comprometimento. – disse o gerente.
- Nada do que aconteceu me impediria de trabalhar. Mais do que nunca, EU PRECISO!
- Certo. Agora volte ao trabalho. Começando pela mesa 12.
            Ao final do expediente, os funcionários estavam conversando com Jean sobre a segurança do bar caso o ex-marido aparecesse.
- Você precisa nos avisar!   Muitas vezes os funcionários sofrem perseguição de alguns clientes. As mulheres principalmente. Muito assédio.
- Vocês são mesmo rápidos.  – ela os elogiou.
- Acima de tudo Grey, somos unidos. Toda a equipe de trabalho se ajuda. Um confia no outro porque um depende do outro! E é por isso que estamos crescendo. Todos os funcionários são importantes aqui.
- Fico muito feliz de fazer parte dessa família irlandesa.
            Eles se abraçaram. E Jean começou a arrumar suas coisas para ir quando um garçom a cutucou.
- Aquele seu amigo do outro dia está lá fora. Acho que está esperando você. 
            Jean olhou para trás e viu Scott. Por algum motivo ele não queria entrar. O que será que ele queria? Em todo caso ela ficou feliz em vê-lo.
             Scott estava usando roupas de couro pretas, como de motociclistas. Tinha no rosto uma aparente despreocupação ao observar a lua em meio a tantas luzes em NY.
- Está com frio? - Perguntou Jean.
- Não. - ele sorriu - Vim de moto.
- Você não tem cara de um ‘Vampiro do asfalto’.
- E eu tenho cara de que? - Perguntou ele curioso.
            Ela o analisava dos pés a cabeça com a mão no queixo.
- Acho que você tem mesmo cara de motociclista.  É que às vezes precisamos olhar mais de uma vez para a mesma situação e perceber o que havia escapado.
- Verdade. Mas não sou ‘Vampiro do asfalto’. Mas sou um ‘Serpente’. - Ele disse apontando para o chaveiro de cobra no molho de chaves.
- Serpentes? Não os conheço.
- Porque são da cidade onde eu morava. Cada cidade tem um Moto Club. Eu sou dos Serpentes.
- Desde a época do colégio não entro em clubes. Mas é voltei a correr.
- Sei... – ele disse rindo.
- Eu corro sim! – ela disse confiante.
- Corre para o bar. - Ele falou duvidando.
- Em uma corrida eu ganho de você!
- Duvido muito! Esquece que eu sou policial?
- Por que todo policial tem essa necessidade de falar que é policial?
- Sei lá. Provavelmente ego.
- Ao menos admite isso. - Ela falou virando o rosto é fazendo bico. - Mas, o que você está fazendo aqui? - Ela falou mexendo no cabelo e voltando a olhar para ele.
- Vim falar com você.
- Pode falar.
- É prudente falarmos aqui? Na rua da sua casa?
- É tão grave assim?
- Não, não... é  que... bem da outra vez... - Ela o interrompeu.
- As coisas mudaram bastante desde a última vez.
- Em todo caso, já passou das duas horas da manhã. Conversar na rua é complicado.  Você poderia me acompanhar?  Caso você esteja disposta a conversar claro.
            Jean estava acostumada a conviver com Logan, onde as vontades dele sempre prevaleciam. Sempre muito persuasivo e algumas vezes bruto. Logan sempre preferia jogar na cara dela suas vontades independente do que isso causasse em Jean e apenas comunicava suas ações para Jean que muitas vezes a não concordava ou não queria fazer.
            Mas Scott, ele respeitava sua personalidade, perguntava se ela poderia e/ou queria conversar. A gentileza daquele homem que havia tentado ao máximo ir contra os próprios instintos para não machucá-la mais uma vez ganhava sua confiança.
            Claro que Jean aceitaria fazer qualquer coisa com aquele homem.
- Sim, podemos.  Onde você acha melhor?
- Sugiro meu apartamento. Não precisamos subir se você não quiser. Podemos ficar a beira da piscina.
- O que você achar melhor.
- Vamos. - ele indicou a moto que estava do outro lado da rua.  - tem medo?
- Não.
- Sabe pilotar?
- Tenho carta.
- Tem carta?
- Sim, mas não tenho muita experiência. Confesso.
- Tome. – entregou-lhe o capacete. – Vamos atravessar a ponte.
            Eles seguiram em direção ao Brooklyn.
            Eram mais de duas da manhã e a velocidade da moto deixava a sensação térmica ainda mais baixa. Antes de cruzar a ponte Scott parou.
- Chegamos? – ela perguntou.
- Não. Mas vista isso. – ele entregou sua jaqueta – fica muito mais frio na ponte. Suas mãos estão tremulas.
            Ela vestiu o casaco e se aconchegou um pouco. Realmente estava frio. Aquele ato simples foi um afago para Jean. Ao retomar o caminho, durante a ponte ela abraçou de forma mais carinhosa, a fim de compensar o fato de ele ter aberto mão do casaco para ela. Na reta, ele fez carinho com uma das mãos em sua mão. Carinhos sutis que faziam diferença para os dois.
            Chegando ao prédio Scott não puxou assunto. E nem Jean.
            Pegar o elevador em silêncio foi constrangedor. Jean começou a sentir-se mal com aquele clima. O que ela poderia esperar? Em qual momento aquele homem sedutor, educado e até engraçado tinha ido parar? Seria ele mais um daqueles homens que só mantem o interesse durante o desafio e depois da conquista lhe trataria com frieza? Bem, a única coisa que ela poderia saber é que ela sairia do elevador no próximo andar.
            Scott abriu a porta e ela entrou. Jean não sabia o que pensar então começou a analisar o ambiente.  Um sofá na sala, nenhuma mesa ou porta retrato e muitas caixas, próximas a única janela. Era o que ela poderia ver com clareza.
- Você mora aqui há quanto tempo? Eu não frequento muito essa parte da cidade. – ela disse quebrando o silêncio.
- Não muito, mas como pode ver estou de mudança.
- Não se adaptou? – ela ia em direção à janela. – Tem uma bela vista.
- Digamos que sim. O lugar é bom só não é para mim.
            O silêncio imperava mais uma vez.
- Então? – Ela olhava para ele com um olhar curioso.
- O que?
- Como assim ‘o que’?
- Desculpe. Não deveria ter trazido você aqui... – Ela revirou os olhos e tirava a jaqueta dele. E ele continuou – Não sei onde estava com a cabeça quando... – Ela o interrompeu.
- Olha eu tive um dia muito cansativo, você não faz ideia, ou sei lá,  se faz. Mas já são mais de duas da manhã e nada de positivo vai sair dessa história - E pegou o celular e foi em direção a porta revirando os olhos -  Você tem razão, não era para ter me trazido aqui.
- O que você está fazendo? – ele disse confuso.
- Chamando um carro para me levar a civilização. – Ela deixava a jaqueta no sofá enquanto ia em direção à porta.
            Ao dar-se conta que Jean iria embora sem ele concluir o que queria falar, Scott correu e ficou contra a porta.
- Para! Para! – ele falou um pouco alterado – Ainda não conclui.
            Jean revirava os olhos mais uma vez..
- Então fale!
- Não consigo!
- Boa noite Scott! – Ela então fez um sinal com as mãos para ele sair da porta e começou a falar no celular – Por favor um Taxi aqui na...
            Ao ver e ouvir a atitude da moça, Scott rapidamente tomou o celular de sua mão e disse:
- Desculpe o engano, é que eu prefiro ir de Uber!
            E então desligou e ficou segurando o celular próximo ao peito.
- Scott qual é o seu problema?! – Ela disse com raiva.
- Uber é muito mais barato!
- Que?!
- São duas da manhã, bandeira e é dois! – ele disse espantado - Quem ainda usa Taxi nos dias de hoje?
            O clima pesado que houvera entre os dois, finalmente tinha sido quebrado com sorrisos sinceros.
- Tudo bem, agora pode me devolver o celular? -   Ela disse esticando a para pegar o celular enquanto ele levantava o máximo que podia para que ela não tivesse acesso ao aparelho.  – Me dê! – Ela dava alguns pulinhos enquanto ele desviava e ria pois ele era muito mais alto que ela.
- Só se você não chamar Taxi.
- Tudo bem, eu chamo Uber. Só me devolve. – Ela continuava tentando pegar o celular em vão.
- Só se você me ouvir.
            Ela parou de pular e de sorrir. Olhou para ele com rosto de quem visivelmente não queria mais conversar. Com tudo concordou.
- Eu realmente quero descansar. Mas já que estamos aqui, conclua.
- Eu... Eu... Eu... - ele ficou ainda mais nervoso – É que... Sabe?!
- Você tá usando alguma coisa?
- Não! Não!
- Para! Respira. Se você começar a gaguejar mais uma vez ai que não vai mesmo conseguir falar. – Ela disse impaciente.
            Ele respirou e apertava os olhos apertava o celular como se fosse quebrar.
- Dá para você de devolver o celular antes de atirar ele contra mim?
- O que? Eu jamais faria isso!
- Não é o que está parecendo. – ela disse dando a mínima para ele, infelizmente ela estava acostumada com a agressividade masculina.
- Eu jamais iria machucar você! – ele disse firme enquanto devolvia o celular para ela e continuou – Você entrou na minha cabeça, embaralhou tudo aqui dentro. Eu não consigo trabalhar direito, não consigo administrar o que estou sentindo aqui dentro. – ele apontava para a cabeça – Eu vou enlouquecer! Olhe só que você fez comigo!
- O que?! Vai me culpar pelo que? Arrepende-se de suas escolhas e a culpa é minha?! – disse irritada - Eu não fiz nada com você! Nada que você também não quisesse.
- Sim e não. – falou calmamente enquanto pegava em sua mão – Sim você fez. Ou melhor, fizemos e sim eu quis. Mas não imaginei que você chegaria onde chegou sem convite. – e depositou a mão dela contra o peito.
            Aquela situação fez Jean sentir-se realmente culpada. As pessoas realmente ficam burras quando se apaixonam. Ela não queria de fato bagunçar a vida de ninguém. Sua própria vida já estava complicada de mais.  Ele era policial, e do mesmo departamento que Logan. Seria mesmo possível um homem ser tão sentimental?
 - Eu sinto muito. Não imaginei que você se sentisse assim.
            Ele acariciava sua mão com um sorriso tímido e de olhos baixos. E ela não imaginava mesmo! Nunca tinha visto nenhum homem agir daquele jeito. Homens conquistam e dominam. As mulheres são acessórios deles. Romance? Isso era coisa dos livros.
- Não se preocupe Scott – dizia ela de forma branda quando colocou a outra mão no ombro dele - Não espero nada de você.
            Ele a olhava como se fosse à coisa mais preciosa do mundo! O toque dela em seu ombro era incrível! Ela estava ali, na sua frente, como aquele olhar brilhante, lábios suculentos e cheiro embriagador.  Levantou o ombro para encostar o rosto em sua mão.
- Mas deveria. Você não sabe minhas intenções com você. – Ele disse sorrindo.
- Ah eu sei! – ela colocou as duas mãos no rosto dele de forma fraterna acariciando suas bochechas -  Você quer que eu volte de Uber pra casa.
            Ela sorria mais espontânea. O seu toque, o seu perfume e o carinho como aquilo estava acontecendo deixou Scott mais seguro e ao poucos ele colocou suas mão na cintura dela.
- É, mas quem sabe amanhã de manhã? – Ele deu um sorriso mais malicioso.
- Não sei se deveria ficar aqui até amanhã. – Ela se aproximou dele.
- Talvez não devesse mesmo. Mas como pode ver nossos corpos se atraem. – eles estavam abraçados e sorrindo – Eu estou indo para Boston.  Queria me despedir.
 - Então é isso? Uma despedida.
- Desculpe. Não sou bom com palavras.
- Tudo bem. Eu também não sou.
            Eles se olhavam por um tempo e então se beijaram.  E mais uma vez  beijo foi ficando mais intenso.
- Podemos nos despedir direito então? – ele disse enquanto beijava o pescoço dela.
- Scott você é muito melhor com ações do que com palavras! – ela disse revirando os olhos.

Continua...
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