Título: Divisão
Criminal Mutante. Capítulo XI: PEQUENOS DETALHES
Adequado para o público com 13 anos ou
mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos
sugestivos.
Status: Fic em andamento,
Multi-capítulos
Tipo: Romance, Policial, Suspense.
Base: X-men animated, Séries policiais
(X-Files, Bones, The Closer)
Divisão Criminal Mutante
PRÓXIMO CAPÍTULO: XII: SONO PROFUNDO
SINOPSE: Warren estava
em coma, Jean Grey estava tentando ajudar. Ela é uma médica forense, não clínica,
porém era uma das poucas pessoas que realmente era especialista em anatomia
mutante. O hospital estava ficando pequeno para o tanto de conflitos envolvidos
naquele dia...
Sono Profundo
Hospital (2008)
09:00 AM
Jean estava, a
pedido de Moira, realizando uma avaliação no caso de Warren.
— Já chegou o
especialista em aves?
— Ainda não, Dra.
Grey. A senhora será a responsável pelo caso do Sr. Worthington? — perguntou o
enfermeiro.
— Não. Vim apenas
dar um parecer em anatomia mutante. O médico responsável é o Dr. Allan.
Jean observava os
monitores com atenção.
— É impressionante
como a resistência dele é fora do comum. Acredito que ele possa, sim, se
recuperar do coma. Talvez até consiga me ouvir… a área responsável pela audição
não foi afetada.
Warren estava em
coma. Jean estava ali como profissional, mas também como amiga.
Ela se aproximou e
falou suavemente ao ouvido dele:
— Warren… eu estou
aqui. Sou a Jean. Lembra de mim? Eu vim te ajudar.
Como telepata, Jean
então tentou acessar a mente dele. Encontrou um ambiente confuso, fragmentado,
mas conseguiu estabelecer contato.
— Warren? Você está
aí?
— Jean? Onde eu
estou?
— No hospital. Eu
vim te ajudar. Você se lembra do que aconteceu ontem?
— Eu não consigo
sair daqui! — disse ele, em pânico. — Me tira desse lugar!
— Não posso,
Warren. Estou na sua mente… mas você está em coma.
— Não posso estar
em coma… eu estava em uma festa…
— O que aconteceu
depois da festa?
— Eu quero sair
daqui!
Jean percebeu a
instabilidade emocional dele.
— Warren, eu sei
que é difícil… mas, se você ficar nervoso, seu corpo vai reagir e vamos perder
a conexão. Seu corpo e sua mente ainda estão frágeis…
Os sinais vitais
começaram a oscilar.
— Eu não vou poder
ficar muito tempo aqui. Também não é seguro acessar suas memórias agora… mas eu
vou voltar.
— Jean… eu só
lembro do Corsário. Ele parou meu carro e tentou me avisar que alguém tinha
mexido nele antes.
— O Corsário? O
terrorista? Por que ele faria isso?
— Ele disse que era
uma armação… falou que conhecia meu pai… mas eu não deixei ele falar. Acelerei.
Esse cara tentou sequestrar o Scott. Não dá pra confiar… mas ele tentou me
avisar…
Os batimentos se
alteraram novamente.
— Warren, seus
sinais não estão respondendo bem. Eu preciso sair. Mas eu volto, eu prometo.
— Não me deixa
aqui… me tira daqui, Jean…
— Eu vou voltar!
Estou na sua equipe médica. Confia em mim. Você não está sozinho. Seu pai está
aqui.
— Pede pra ele
falar com o Corsário… e diz a ele que eu… eu amo ele…
— Você mesmo vai
poder dizer isso quando sair daqui.
— Diz ao meu pai…
que o melhor tempo que tivemos foi na esgrima…
— Warren, eu
preciso sair agora… ou seus sinais podem colapsar. Até breve. Eu volto.
Antes que a conexão
se rompesse, ele ainda implorou:
— Jean… não deixa
tirarem as minhas asas…
Jean saiu da mente
dele. No mundo real, os sinais estabilizaram gradualmente.
Ela respirou fundo.
— Ele ainda não tem
condições de manter conexões telepáticas seguras… precisa se recuperar primeiro
dos traumas do acidente.
Então, com firmeza,
virou-se para a equipe:
— Quero falar com o
especialista em aves agora. Ele é um mutante alado, isso é prioridade.
— Dra. Grey… o que
a senhora fez?
— Fiz uma conexão
telepática com ele. Mas precisamos de mais tempo antes de qualquer conclusão.
Agora ele precisa descansar… e eu preciso desse especialista.
— Ele está vindo do
hospital veterinário, doutora. Pode aguardar?
— Está bem…
Jean segurou a mão
de Warren, com cuidado.
— Você o conhecia?
— perguntou o enfermeiro. — Notei que a senhora ficou abalada.
— Sim… ele é meu
amigo. E você… obrigada pela sensibilidade.
— Somos nós por
nós, doutora. Quem cuida de quem cuida?
— Você está certo.
Obrigada novamente. E, por favor, cuide bem dele durante seus plantões. Qual é
mesmo o seu nome?
— Guilherme.
— Guilherme… — ela
entregou um cartão — não deixe que tirem as asas dele. Se houver qualquer
possibilidade disso acontecer, me ligue imediatamente. Não fale com mais
ninguém.
— Por que está me
pedindo isso, doutora?
— Porque eu li sua
mente… e você é o único aqui que realmente se sensibilizou com ele,
independentemente de ele ser mutante. Tenha cuidado com a equipe. A outra
enfermeira não gosta de mutantes.
— Entendi, Dra.
Grey.
— Qualquer coisa,
me ligue. Vou comer alguma coisa e já volto.
— Tudo bem.
No corredor, a
caminho da cantina, Jean avistou Scott. Ele estava com o punho fechado apoiado
no queixo, visivelmente tenso. Ela pensou em ir até ele. Scott era o melhor
amigo de Warren. Mas parou ao perceber a presença de Xavier. A relação entre os
dois estava estremecida.
Jean observou à
distância.
Xavier se aproximou
em silêncio… e o abraçou. Scott demorou alguns segundos para reagir. Mas então,
ouviu:
— Eu estou com
você, meu filho… sempre estarei.
Scott cedeu.
Retribuiu o abraço e começou a chorar. Jean desviou o olhar.
Seu pai havia sido
assassinado… e eles estavam brigados na época.
Era uma ferida
ainda aberta. Ela engoliu o choro e seguiu até a cantina.
— Um energético,
por favor.
— Eu pago.
Jean congelou.
— O quê? O que você
está fazendo aqui?
— Eu tentei avisar
o seu amigo. Sabotaram o carro dele. Tenho certeza disso.
— Você é um
criminoso procurado...
— Procurado, sim.
Criminoso… depende de quem conta a história. Sinto muito pelo seu pai.
— O que você sabe
sobre o meu pai?
— Que ele era um
bom homem… assim como Worthington.
— Warren?
— O pai dele.
Jean franziu a
testa.
— Como assim?
— Você sequer
cogitou que eu pudesse ser o assassino do seu pai?
— Eu leio mentes.
Sei que não foi você… mas não consigo acessar tudo. O que aconteceu? Quem foi?
— Stryker.
Investigue isso. Você é inteligente… vai querer vingança. Mas fale com o pai do
Anjo antes que ele perca o controle. Ele ainda se culpa pela morte do seu pai.
— Se foi esse tal
de Stryker… por que ele se culpa? E quem é Stryker?
— Pegue as
gravações do dia da morte do seu pai. Você vai entender. Worthington se culpa
por não ter dado apoio suficiente. E um bilionário descontrolado pelo estado do
filho… é um problema sério.
Jean ficou em
silêncio, absorvendo tudo.
— Preciso ir,
garota.
Antes de sair, ela
percebeu um detalhe: Corsário usava um broche idêntico ao dela, com as iniciais
“IB”.
Ele se virou pela
última vez:
— Eu não sou
inimigo do Summers… ele só tem a mente conturbada.
Jean permaneceu
parada, estava sem fome e sem respostas.
E, pela primeira
vez… completamente perdida.
Moira estava
aguardando Jean em uma sala. Ela queria ouvir o parecer técnico de Jean. Moira
estava ali a pedido do pai de Warren. A influência dele era em todos os eixos,
inclusive no hospital, ele queria o melhor para o filho e acreditava em Moira.
Jean analisava os
exames de imagem das asas de Warren, visivelmente preocupada. Moira se
aproximou, cruzando os braços.
— As asas dele
estão muito comprometidas, Moira. Precisamos de um especialista o quanto antes.
Moira assentiu,
séria.
— E o que você acha
do quadro geral dele, Jean?
Jean desviou o
olhar para os monitores.
— O organismo
humano dele é impressionantemente e resistente. Talvez você esteja certa… o
Gene X pode ser um fator decisivo na recuperação do coma. - Ela fez uma pausa,
pensativa. — Mas as asas me preocupam mais. A mutação dele é diferente da
minha. Eu consigo modular, controlar… até suprimir. A dele não. É contínua,
estrutural. Permanente.
Moira inclinou
levemente a cabeça.
— Essas
classificações de mutação sempre me inquietaram…
— Com razão —
respondeu Jean. — Quanto menos controle voluntário, maior o risco em situações
de trauma.
Moira suspirou.
— Isso me lembra o
caso do Scott. Depois do coma, ele perdeu completamente o controle.
Jean virou-se para
ela, interessada.
— Ele tinha
controle antes?
— Não exatamente.
Mas identificamos uma lesão na região cerebral responsável pela regulação
ocular. Depois disso… as rajadas passaram a ser contínuas.
Jean assentiu
lentamente.
— Isso explica
muita coisa. O dano neurológico interferiu diretamente na expressão do poder.
Silêncio por um
instante.
— E no caso do
Warren? — perguntou Moira. — Qual sua recomendação clínica?
Jean cruzou os
braços, adotando um tom mais técnico.
— Precisamos
observar a evolução pelos próximos 28 dias. Acompanhar rigorosamente a Escala
de Glasgow e verificar sinais de estabilização neurológica. Existe uma boa
chance de recuperação espontânea…
Ela respirou fundo.
— Mas eu espero que
ele acorde antes disso.
Moira manteve o
olhar firme.
— E quanto à
intervenção telepática?
Jean hesitou por um
segundo.
— É uma possibilidade.
Mas arriscada no estado atual dele. A mente ainda está instável… qualquer
estímulo mais intenso pode gerar sobrecarga.
Ela continuou:
— Ainda assim…
quero discutir isso com o Xavier. Ele tem mais experiência nesse tipo de
abordagem. Talvez exista uma forma segura de tentar despertar o Warren.
Moira assentiu.
— Ele estava aqui
no hospital. Com o Scott.
Jean já se movia em
direção à porta.
— Ótimo. Então eu
vou falar com ele.
Ela parou por um
breve instante, antes de sair.
— E Moira… se o
especialista em aves chegar, me chama imediatamente.
— Pode deixar.
Jean saiu com
passos firmes, não era só sobre medicina. Era pessoal.
Corredor do
hospital
Jean caminhava com
pressa, olhando ao redor.
— Alguém pode me
dizer onde está o professor Xavier?
Alguns enfermeiros
trocaram olhares, tentando ajudar, quando uma voz veio logo atrás dela:
— Ele está naquela
sala de reunião, com o pai do Warren.
Jean se virou.
Scott estava ali, terminando de beber água.
— Ah… ótimo. — ela
suspirou, aliviada. — Eu preciso falar com os dois.
Scott franziu
levemente o cenho.
— Com os dois?
— Sim, Scott. O
caso do Warren é delicado. Muito delicado. Precisamos envolver um especialista
em aves o quanto antes.
Scott passou a mão
no cabelo, inquieto.
— Mas ele vai se
recuperar… não vai?
Jean hesitou.
— Eu acredito que
sim. O corpo dele é forte. Mas… — ela pausou — as asas me preocupam.
— Droga… — Scott
murmurou. — Está tão ruim assim?
— Está. Mas… acho
que antes eu preciso falar com o pai dele. O Sr. Worthington está com o Xavier,
e eles pediram privacidade.
Jean cruzou os
braços, pensativa.
— Segredos… e mais
segredos…
Scott a observou
com atenção.
— Que tipo de
segredo você está falando?
Jean desviou.
— Nada. Esquece.
Scott soltou um
leve riso sem humor.
— Sei… você sabe
que a gente trabalha com isso, né? Investigação, campo, estratégia… E, bem… eu
tenho um pouco mais de experiência que você.
Ela arqueou a
sobrancelha.
— Ah, é?
— Já estive em
guerra, Jean. — o tom dele ficou frio — Já atuei como espião… e como
franco-atirador.
O silêncio pesou
entre eles.
Jean o analisou com
calma.
— Acho que ninguém
volta de uma guerra completamente são, Scott.
Ele travou o
maxilar.
— O que você quer dizer
com isso, Jean? Tá me chamando de maluco?
— Não. — firme, mas
suave — Mas transtorno pós-traumático é comum em situações como essa. Por isso
você fazia terapia com a Moira, não é?
— Eu tive alta.
Jean manteve o
olhar.
— Você está
desestabilizado. E essa situação com o Warren… está te afetando mais do que
você admite.
Scott ficou imóvel.
— Você é muito
transparente pra mim. E eu nem preciso usar telepatia pra perceber isso.
Ele desviou o
olhar.
— Você fala igual
ele.
— Igual a quem?
— Ao meu pai.
Jean suavizou a
expressão.
— O Xavier quer que
você volte pra terapia?
— Ele insiste. Mas
eu tive alta. Eu mereci essa alta.
Jean respirou
fundo.
— Alta terapêutica
não é permanente, Scott. A gente passa por novos traumas, novos gatilhos…
voltar não é retrocesso.
Ela hesitou, então
completou:
— Eu mesma preciso
voltar.
Scott a encarou,
surpreso.
— Você faz terapia?
— Faço. Estou em
hiato… mas depois da morte do meu pai, acho que preciso retomar.
O clima mudou.
Mais silencioso.
Mais íntimo.
— Esses últimos
meses… não devem ter sido fáceis pra você — disse Scott, com um tom mais
humano.
Jean balançou a
cabeça.
— Não foram.
Ela respirou fundo.
— Posso te
perguntar uma coisa?
— Pode.
— O que você lembra
do seu pai? Qual foi a última coisa que você disse a ele?
Jean estranhou a
pergunta.
- Por que isso
agora Scott?
Scott ficou em
silêncio por alguns segundos. Quando respondeu, sua voz estava mais baixa.
— No acidente de
avião… Disse: ”Scott, conte de 1 até 60 e puxe essa corda. Aconteça o que
acontecer, não olhe para o avião! Isso serve para os dois! E não ousem me
questionar! É uma ordem. Andem, vocês precisam saltar.”
Ele engoliu seco.
— E eu prometi, eu prometi
quando me dei conta que os meus pais iriam morrer e estavam se sacrificando por
mim e pelo Alex que ia manter a família unida. Que iria cuidar do Alex...
Jean ouviu em
silêncio.
— Mas eu não
consegui. O Alex foi adotado… foi pro Havaí. Eu cresci sozinho, em orfanato…
fiz escolhas erradas… tive uma vida difícil. - Ele riu, sem humor. — Não honrei
a minha família. E às vezes sinto que falhei com ele… com os dois. Meu pai… e o
Xavier.
Jean absorveu
aquilo. Mas algo dentro dela travou.
— Scott… — a voz dela
ficou mais contida — eu não consigo falar sobre a última coisa que eu disse ao
meu pai. Por que quer saber?
— Eu estava com
você no elevador quando seu ex comentou que você tinha brigado com ele...
— Então você sabe
que eu não estava falando com o meu pai quando ele morreu.
Scott desviou o
olhar, constrangido.
— Eu… não devia ter
tocado nisso. Desculpa.
— É delicado. —
curta — Muito delicado.
Ele assentiu.
— Eu achei que…
talvez você entendesse.
Jean respirou
fundo.
— Talvez. Mas
agora… eu não estou em condições de entender ninguém, Scott. Não crie
expectativas em mim.
Aquilo atingiu.
— Desculpa… eu só…
— ele passou a mão no rosto — não sei por que achei que conseguiria desabafar
com alguém.
A voz dele falhou.
— Eu não quero
voltar pra terapia… e a única pessoa que me ouvia… está em coma.
Jean suavizou um
pouco.
— Scott… eu não sei
se sou a pessoa certa pra isso agora. Eu também estou quebrada e tentando
construir uma carreira que o meu pai fez de tudo para eu mudar de ideia. Mas é
o que eu quero fazer. Ainda é um peso gigante para mim.
Ele assentiu
lentamente.
— É… talvez eu
tenha me enganado. Me desculpe por procurar você para conversar.
— A gente pode
conversar outro dia. — disse ela, mais gentil — Você está tentando falar comigo
desde antes… mas talvez o momento não seja esse. Já entendi que parte de você
confia em mim. Estou aprendendo a confiar em você também.
Scott respirou
fundo.
— Obrigado pela
sinceridade, Jean. De verdade. E… desculpa se fui invasivo.
— Você não foi. —
mais suave — Você é meu amigo. Só… me dá um tempo também.
Ele assentiu.
— Eu vou ver o
Warren.
Jean fez um pequeno
gesto de concordância.
— Vai. Fala com
ele. A audição não foi afetada… ele pode estar ouvindo.
Scott a olhou com
atenção.
— Mesmo?
— Mesmo. — ela
sustentou o olhar — Talvez a sua voz alcance ele melhor do que a minha... Você
é importante pra ele.
Scott absorveu
aquilo.
— Obrigado… por
cuidar dele, Jean.
Ela respondeu com
firmeza:
— O Warren é
importante pra mim também. Ele vai melhorar, Scott. — disse ela, com convicção
— Ele vai.
Scott ficou
pensativo… e então seguiu em direção à UTI.
Jean o observou por
alguns segundos. Depois respirou fundo, e voltou ao que precisava fazer. Falar
com Xavier.
E descobrir… até
onde aquele caso realmente ia.
UTI — Quarto de
Warren Worthington III
O ambiente era
silencioso, quebrado apenas pelo som constante dos monitores.
Scott estava ao
lado da cama, em pé, olhando para o amigo. As asas de Warren estavam
imobilizadas. Fragilizadas. Aquilo incomodava mais do que ele queria admitir.
Scott respirou
fundo antes de falar.
— Será que você
consegue me ouvir, Warren?
Nenhuma resposta.
Apenas o som
contínuo do monitor.
Ele passou a mão
pelo rosto, tentando organizar os pensamentos e conter possíveis lágrimas.
— Eu fico me
perguntando isso… se você consegue me ouvir.
Uma pausa e Scott
enfim começou a falar
— Quando o Charles
me adotou… eu não fazia ideia do que estava acontecendo.
Ele soltou um leve
riso, sem humor. Eu era só… um órfão no Nebraska. Vivendo no meio do nada.
Sobrevivendo como dava.
Scott se aproximou
um pouco mais.
— Eu era um cara
das ruas, sabe? Gangues… pequenos crimes… nada bonito. - Ele olhou para Warren.
- Qualquer pessoa teria medo de chegar perto de mim naquela época... Mas você
não.
Ele balançou a
cabeça, como se ainda não acreditasse a situação de Warren.
— Justo você. O
playboy, filho de bilionário… cheio de privilégios. - Um leve suspiro. - E mesmo assim… você foi o único que estendeu
a mão.
Scott apoiou a mão
na lateral da cama.
— Você me levou pra
lugares que eu nunca imaginei que existiam. Me apresentou pessoas… me ensinou
como me comportar. - Ele riu de leve. - No começo, eu achei que você estava me
usando... Eu juro… achei que você só queria mais um “cara útil” por perto. Como
todo mundo fazia comigo.
Ele engoliu seco. A
voz falhou levemente.
— Porque eu não
tinha amigos, Warren. Eu nunca tive... Não antes de você.
Scott baixou o
olhar por um instante.
— Não sei se você
está me ouvindo… mas eu precisava dizer isso.
Ele respirou fundo.
— Você me salvou. -
O silêncio pareceu mais pesado. - Você me salvou de mim mesmo.
Scott olhou
diretamente para o amigo.
— Você foi o amigo
que eu precisava… num mundo que eu não entendia. Eu vivia nas ruas… e você é
herdeiro de um império. - um leve sorriso triste surgiu - E mesmo assim… você tinha caráter. Sempre
teve. Queria entrar pro governo… pro Instituto Xavier… porque queria ajudar as
pessoas.
Ele balançou a
cabeça, admirado.
— Você já era um
herói antes de vestir qualquer uniforme... O herói de Manhattan… mesmo fingindo
ser só mais um playboy mimado. Que, aliás… você também é. E sabe disso.
Ele olhou novamente
para Warren. Um pequeno sorriso
apareceu.
— Até isso você me
ensinou… a viver de maneira um pouco mais leve e divertido.
O sorriso
desapareceu aos poucos.
— Eu entrei pra
isso tudo pra provar que eu era alguma coisa. Você nunca precisou provar nada.
Só queria fazer o bem. Porque… é quem você é.
Scott apertou
levemente o punho.
— Você é mesmo um
anjo, cara.
Ele olhou para as
asas imobilizadas.
— E não é por causa
disso.
A voz ficou mais
baixa.
— Você sempre foi…
tipo um anjo da guarda pra mim.
Ele engoliu seco.
— E… naquele dia…
Scott hesitou.
— Eu sei que você
estava tentando me proteger.
O silêncio voltou a
dominar o quarto.
— Eu só queria que
você soubesse… que eu sou grato.
Ele respirou fundo,
mais pesado agora.
— Muito grato.
Scott aproximou a
cadeira e se sentou ao lado da cama.
— Você é meu melhor
amigo, Warren.
A voz saiu mais
firme.
— Muitas vezes…
você foi a única pessoa que me ouviu de verdade.
Uma pausa.
— Que me enxergou.
Ele apoiou os
braços nas pernas, inclinando-se levemente.
— Você fez tudo
parecer… mais leve.
O som do monitor
preenchia o espaço.
— Quando a gente
entrou aqui como cadete… você foi o único que não me julgou.
Scott levantou o
olhar novamente.
— Você sempre foi
meu amigo. Então… volta logo, cara.
A voz falhou, mas
ele manteve.
— Eu preciso de
você também.
Ele ficou ali sem
se mover. Apenas esperando como se, em algum momento Warren realmente pudesse
ouvir... e quem sabe responder. Não aconteceu.
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PRÓXIMO CAPÍTULO: DIPLOMACIA
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