Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores, eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor? Tipo: Romance/Drama Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos! Base: Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P Sugestão: Nada a declarar! 
 Múltiplos Capítulos (em andamento)

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Música tema: I Did With You (Lady Antebellum)
https://www.youtube.com/watch?v=6kcNbcs-XY

 



O caminho terminava em uma pequena cabana antiga aninhada em um bosque de carvalhos.

Uma varanda de pedra emoldurava a construção e, subindo por uma de suas colunas brancas, as trepadeiras ganhavam o telhado. A pintura tinha começado a descascar e os caixilhos das janelas, a escurecer. Havia uma cadeira de metal em um dos cantos da varanda e, acrescentando cor àquele mundo verde, via-se um pequeno vaso de gerânios.

Mas os olhos dos dois foram inevitavelmente atraídos pelas flores silvestres. Milhares delas num jardim multicolorido que se estendia quase até os degraus de entrada da cabana - um mar de vermelho, laranja, púrpura, azul e amarelo que se erguia quase até a cintura de uma pessoa e tremulava à brisa suave, com centenas de borboletas revoando, como uma onda de cores sob o sol. Quase invisível em meio aos lírios e palmas-de-santa-rita, uma cerca de ripas de madeira delimitava o jardim.
 
Maravilhada, Jean olhou para Scott e tornou a olhar para as flores. Parecia uma ilusão, o paraíso imaginário de alguém. Ela se perguntou como e quando Charles havia planejado aquele lugar, porém, mesmo naquele instante, teve certeza de que ele havia plantado aquelas flores silvestres para Moira.

- É incrível - falou ela, sem fôlego.


- Você sabia disto? - A voz de Scott refletia seu deslumbramento.


- Não - respondeu Jean. - Isto era algo só deles dois.


Ao falar essas palavras, ela visualizou com nitidez uma imagem de Moira sentada na varanda enquanto Charles se recostava em uma coluna, deleitando-se com a beleza inebriante do jardim de flores silvestres. Scott finalmente tirou o pé do freio e o carro seguiu adiante em direção à casa, as cores se mesclando como gotas de tinta vivas banhadas pelo sol.

Depois de estacionarem perto da cabana, eles desceram do carro e continuaram a assimilar a cena. Podia-se ver um caminho estreito e sinuoso em meio às flores. Fascinados, os dois adentraram aquele oceano de cores sob o céu salpicado de nuvens. O sol ressurgiu por trás de uma delas e Jean pôde sentir seu calor espalhar o perfume ao redor. Todos os seus sentidos pareciam aguçados, como se aquele dia tivesse sido criado especialmente para ela.

Enquanto andavam lado a lado, Scott pegou a mão de Jean. Ela permitiu, pensando em como aquilo parecia natural. Para sempre. Era o que ele havia entalhado na bancada de Charles. Uma promessa adolescente, nada mais que isso, porém, de alguma forma, ele havia conseguido mantê-la viva. Jean sentia a força daquelas palavras agora, preenchendo a distância entre os dois enquanto eles passavam pelas flores. Uma trovoada roncou muito longe e ela teve a estranha sensação de que o barulho a estava chamando, incitando-a a ouvir. Seu ombro roçou o dele, fazendo seu pulso acelerar.


- Será que estas flores crescem sozinhas todos os anos ou ele precisava semeá-las?- ponderou Scott.


O som da voz dele resgatou Jean de seu devaneio.


- Algumas crescem, outras precisam ser plantadas - respondeu ela, sua voz soando estranha aos próprios ouvidos. - Conheço algumas dessas espécies. 


- Então ele veio aqui este ano? Para plantar mais flores?


- Deve ter vindo. Estou vendo alguns âmios-maiores. Minha mãe os plantava lá em casa e eles morrem no inverno.


Não parecia haver uma organização formal no jardim: era como se Deus e a natureza estivessem decididos a deixá-lo como queriam, quaisquer que fossem os planos de Charles.


De alguma forma, no entanto, isso só aumentava sua beleza. E, à medida que atravessavam aquela aquarela caótica, tudo em que Jean conseguia pensar era na felicidade que sentia por Scott estar ao seu lado compartilhando aquele momento.

O vento ficou mais forte, esfriando o ar e atraindo mais nuvens. Ela observou Scoot olhar para o céu.


- Vai chover - comentou ele. - É melhor eu levantar a capota do carro.


Jean assentiu, mas não largou sua mão. Parte dela temia que Scott não fosse voltar a pegá-la, que a oportunidade não tornasse a surgir. Mas ele tinha razão: as nuvens estavam escurecendo.


- Encontro você lá dentro - disse ele, parecendo tão relutante quanto Jean ao soltar lentamente seus dedos.


- Você acha que a porta está destrancada?


- Eu apostaria que sim - falou Scott, sorrindo. - Já volto.


- Pode trazer minha bolsa?


Ele assentiu e, enquanto Jean o observava se afastar, lembrou-se de que, antes de namorar e amar Scott, havia se apaixonado por ele. Tudo tinha começado como uma paixonite infantil, do tipo que a fazia escrever o nome dele nos cadernos da escola, quando deveria estar fazendo o dever de casa. Ninguém sabia, talvez nem mesmo Scott, que eles não tinham se tornado parceiros de laboratório na aula de química por acidente.


Quando o professor mandou que os alunos formassem duplas, ela pediu para ir ao banheiro e, quando voltou, Scott era, como sempre, o único que restava. Suas amigas lançaram-lhe olhares de piedade, mas ela estava empolgada por poder passar algum tempo com aquele garoto calado e enigmático que, de alguma forma, parecia maduro demais para a idade.


Agora, enquanto ele baixava a capota do carro, era como se a história se repetisse e Jean sentia aquela mesma empolgação. Havia algo em Scott que se comunicava somente com ela, uma conexão da qual Jean havia sentido falta durante os anos que os dois passaram separados. E ela sabia que, em certo sentido, havia esperado por ele, assim como Scott a esperara.


Não conseguia imaginar nunca mais voltar a vê-lo, não poderia permitir que Scott se tornasse apenas uma lembrança. O destino - na forma de Charles - interviera e, à medida que começava a andar em direção à cabana, Jean teve certeza de que havia um motivo.


Tudo aquilo precisava significar algo. Afinal de contas, o passado ficara para trás. Só lhes restava o futuro. Conforme Scott previra, a porta da frente estava destrancada. Apesar de ter o mesmo piso desgastado, as mesmas paredes de madeira e no geral se parecesse com a casa de Oriental, ali havia almofadas de cores vivas em cima do sofá e fotografias em preto e branco dispostas com esmero pelas paredes. 
 
Abajures de pé se erguiam em dois lados da sala e uma versão menor da fotografia de aniversário de casamento estava perto do rádio em um dos cantos.


Às suas costas, Jean ouviu Scott entrar na cabana. Ele ficou parado em silêncio na porta, segurando seu paletó e a bolsa de Jean, aparentemente sem palavras. Ela também não conseguia esconder o próprio espanto.

- Impressionante, não?


Scott aos poucos assimilou o que via.


- Só tem uma coisa: será que estamos na casa certa?


- Não se preocupe - disse ela, apontando para a fotografia. - É aqui mesmo. Mas está na cara que este era o cantinho de Moira, não dele. É que Charles nunca mudou nada aqui.


Scott dobrou o paletó sobre o espaldar de uma cadeira, pendurando nela a bolsa de Jean.


- Não me lembro de ter visto a casa de Charles tão limpa assim. Imagino que Hank tenha contratado alguém para arrumar o lugar para nós.


É claro que sim, pensou Jean. Ela se lembrou de Charles mencionando os planos de ir até lá e as instruções de que eles só fizessem a viagem no dia seguinte à reunião. A porta destrancada apenas confirmava suas suspeitas. 
 
- Já viu o resto da casa? - perguntou ele.


- Ainda não. Estava ocupada demais tentando descobrir onde Moira deixava que Charles se sentasse para fumar. É óbvio que não era aqui dentro.


Ele apontou com o polegar por cima do ombro, na direção da porta aberta.


- O que explica a cadeira na varanda. Devia ser ali.


- E será que continuou assim mesmo depois que Moira morreu?


- Ele provavelmente tinha medo de que o fantasma dela aparecesse e lhe desse uma bronca se ele acendesse um cigarro dentro de casa.


Ela sorriu e eles foram conhecer o restante da cabana, esbarrando-se ao atravessarem a sala de estar.

Havia uma chaleira no fogão e um vaso de flores silvestres na bancada, obviamente colhidas do jardim da frente. Uma mesa estava encostada na parede sob a janela e ali havia duas garrafas de vinho, um branco e outro tinto, além de duas taças impecáveis.


- Ele está começando a ficar previsível - comentou Scott ao ver as garrafas.


Jean deu de ombros. - Não é o pior dos defeitos.


Eles admiraram a vista do rio Bay pela janela, nenhum dos dois dizendo mais nada.

Enquanto ficavam parados ali, Jean se deleitou com o silêncio e o conforto que a familiaridade com Scott lhe dava. Era possível notar o ligeiro subir e descer do peito dele à medida que respirava e ela precisou se conter para não pegar sua mão. Então, ainda calados, ambos deram as costas para a janela e continuaram a percorrer a casa.


O quarto ficava logo em frente à cozinha e havia uma aconchegante cama com dossel no centro dele. As cortinas eram brancas e a cômoda não lembrava em nada os móveis com riscos e marcas que Charles tinha em Oriental.


Junto ao quarto, havia um toalete com uma banheira com pés de garra, do tipo que Jean sempre quisera ter. Um espelho antigo pendia sobre a pia e ela viu seu reflexo ao lado do de Scott. Era a primeira vez que via uma imagem dos dois juntos desde que tinham voltado a Oriental. Ocorreu-lhe que, durante todo o tempo de namoro na adolescência, eles nunca haviam tirado uma foto juntos - tiveram a idéia, mas nunca chegaram a concretizá-la.
 
Jean se arrependia agora, mas e se houvessem tirado uma foto como lembrança? Será que ela a teria guardado em uma gaveta e se esquecido de sua existência, para reencontrá-la de tempos em tempos? Ou será que a teria mantido em algum lugar especial, que só ela conhecesse? Jean não sabia, mas, quando viu o rosto de Scott ao lado do seu no espelho do banheiro, teve uma inconfundível sensação de intimidade. Havia tempos ninguém fazia com que se sentisse atraente, mas era assim que ela se sentia naquele momento. Sabia da atração que havia entre os dois. Deleitava-se com a maneira como o olhar dele viajava pelo seu corpo e com a fluidez graciosa dos movimentos de Scott.


Percebia, com toda a clareza, que eles se entendiam de forma quase instintiva. Por mais que tivessem se reencontrado fazia poucos dias, Jean confiava nele e sabia que poderia lhe contar tudo. 


Jean continuou a analisar Scott pelo espelho. Ele se virou e notou seu olhar no reflexo. Sem deixar de encará-la, estendeu a mão e, com um toque suave, afastou uma mecha de cabelo que caíra sobre os olhos dela. E então saiu, deixando-a com a certeza de que, quaisquer que fossem as conseqüências, sua vida já havia sido irrevogavelmente alterada, de uma maneira que ela jamais poderia ter imaginado.


Depois de pegar sua bolsa na sala, Jean foi encontrar Scott na cozinha. Ele havia aberto uma garrafa de vinho e servido duas taças. Entregou-lhe uma e os dois se encaminharam em silêncio para a varanda. 


- Acho que está na hora - falou Scott.


Jean se levantou e, juntos, eles desceram em direção ao jardim. O vento não mudara, mas a neblina estava ainda mais espessa. A manhã cristalina dera lugar a uma tarde que refletia o peso melancólico do passado.

Assim que Scott buscou a urna, eles pegaram o caminho que conduzia ao centro do jardim.


Scott sentia o peso da urna nas mãos.


- Deveríamos dizer alguma coisa - murmurou ele.


Quando Jean assentiu, ele começou a falar primeiro, fazendo um tributo ao homem que lhe dera abrigo e amizade. Jean, por sua vez, agradeceu a Charles por ser seu confidente e disse que havia passado a amá-lo como a um pai. Quando terminaram, quase como se aproveitasse a deixa, o vento ficou mais forte, e Scott abriu a tampa da urna.


As cinzas saíram voando, rodopiando sobre as flores, e, enquanto observava a cena, Jean não pôde deixar de pensar que Charles estava procurando por Moira, chamando-a uma última vez.


Eles voltaram para a casa e ficaram alternando momentos de silêncio com comentários de suas lembranças de Charles. Lá fora, a chuva havia começado a cair. Era firme, mas não muito forte: uma delicada chuva de verão que parecia uma bênção.


Quando ficaram com fome, decidiram enfrentar a chuva, pegando o Stingray e voltando até a rodovia pela trilha sinuosa. Poderiam ter retornado para Oriental, mas preferiram seguir para New Bern. Encontraram um restaurante chamado Chelsea perto do centro histórico.


Estava quase vazio quando chegaram, mas, ao saírem, não havia uma única mesa livre.

Assim que a chuva parou por alguns instantes, eles foram passear pelas calçadas silenciosas da cidade, visitando as lojas que ainda estavam abertas.


Enquanto Scott dava uma olhada nos livros de um sebo, Jean aproveitou para telefonar para casa. Conversou primeiro com Nathan e Rachel antes de falar com Logan. Ligou também para a mãe, deixando uma mensagem na secretária eletrônica avisando que talvez se atrasasse e pedindo-lhe que deixasse a porta destrancada. Ela desligou ao ver que Scott se aproximava, sentindo uma pontada de tristeza ao pensar que aquele dia estava quase chegando ao fim. Como se lesse seus pensamentos, ele lhe ofereceu o braço e Jean se apoiou nele enquanto os dois retornavam lentamente para o carro.

Quando voltaram à estrada, a chuva caía novamente. Assim que atravessaram o rio Neuse,a neblina ficou mais espessa, esgueirando-se além da floresta. Os faróis mal iluminavam a estrada e as árvores pareciam absorver a pouca luz que restava. Em meio à escuridão úmida e nebulosa, Scott seguiu dirigindo mais devagar.

A água caía em um ritmo constante sobre a capota e Jean se viu pensando naquele dia.

Depois de passarem por Bayboro, Scott desacelerou o carro. A próxima curva na direção sul levava a Oriental. Mas, caso continuassem em linha reta, voltariam a Vandemere. Scott estava prestes a fazer a curva, e, à medida que se aproximavam do cruzamento, cada vez mais ela tinha vontade de lhe dizer que seguisse em frente. Não queria acordar no dia seguinte imaginando se voltaria a vê-lo algum dia. Essa idéia era aterrorizante, mas, por algum motivo, as palavras não saíam de sua boca.

Não havia mais ninguém na estrada. Água escorria do asfalto em direção às valas rasas dos dois lados da rodovia. Quando chegaram ao cruzamento, Scott pisou de leve no freio e, para surpresa de Jean, parou o carro.
 
Os limpadores do para-brisa jogavam a água de um lado para outro. Gotas de chuva cintilavam sob a luz dos faróis. Com o motor em ponto morto, Scott se virou para ela, o rosto coberto pelas sombras.

- Sua mãe deve estar esperando por você.


O coração de Jean batia cada vez mais rápido.


- Sim - assentiu ela, sem dizer mais nada.


Scott passou um bom tempo somente olhando para ela, analisando-a, vendo toda a esperança, o medo e o desejo nos olhos que fitavam os seus. Então, com um breve sorriso, virou o rosto de volta para o para-brisa. O carro recomeçou lentamente a seguir rumo a Vandemere e nenhum dos dois teve vontade - ou foi capaz - de impedir que isso
acontecesse.


Me lembro de dizer a você que eu te amo

A estrela do norte surgiu em cima de você

E num momento pensei que todos os meus sonhos

Se tornariam realidade

Oh, mas alguns nunca se tornam reais.