Descrição: Jean e Scott se conheceram quando jovens ainda, e se apaixonaram. Mas como nem tudo são flores , eles não puderam ficar juntos...Anos depois, uma coisa acontece, e isso faz com que eles se reencontrem. Será uma nova chance para o amor?
Tipo: Romance/Drama
Classificação Indicativa: K(5+)- Todos os públicos!
Base : Livro - O Melhor de Mim (Nicholas Sparks). Pode ser que alguém já tenha lido....Mas fiquem cientes que o final será modificado...Jott né?! :P
Sugestão: Nada a declarar!
Múltiplos Capítulos (em andamento)
Capítulo Anterior: http://fanfictionsmafiajottlovers.blogspot.com.br/2016/11/fic-o-melhor-de-mim-capitulo-13.html
Múltiplos Capítulos (em andamento)
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O
caminho terminava em uma pequena cabana antiga aninhada em um bosque de
carvalhos.
Uma
varanda de pedra emoldurava a construção e, subindo por uma de suas colunas brancas,
as trepadeiras ganhavam o telhado. A pintura tinha começado a descascar e os caixilhos
das janelas, a escurecer. Havia uma cadeira de metal em um dos cantos da varanda
e, acrescentando cor àquele mundo verde, via-se um pequeno vaso de gerânios.
Mas os
olhos dos dois foram inevitavelmente atraídos pelas flores silvestres. Milhares
delas num jardim multicolorido que se estendia quase até os degraus de entrada
da cabana - um
mar de vermelho, laranja, púrpura, azul e amarelo que se erguia quase até a
cintura de uma pessoa e tremulava à brisa suave, com centenas de borboletas
revoando, como uma onda de cores sob o sol. Quase invisível em meio aos lírios e
palmas-de-santa-rita, uma cerca de ripas de madeira delimitava o jardim.
Maravilhada,
Jean olhou para Scott e tornou a olhar para as flores. Parecia uma ilusão, o
paraíso imaginário de alguém. Ela se perguntou como e quando Charles havia planejado
aquele lugar, porém, mesmo naquele instante, teve certeza de que ele havia plantado
aquelas flores silvestres para Moira.
- É
incrível - falou ela, sem fôlego.
- Você
sabia disto? - A voz de Scott refletia seu deslumbramento.
- Não
- respondeu Jean. - Isto era algo só deles dois.
Ao
falar essas palavras, ela visualizou com nitidez uma imagem de Moira sentada na
varanda enquanto Charles se recostava em uma coluna, deleitando-se com a beleza
inebriante do jardim de flores silvestres. Scott finalmente tirou o pé do freio
e o carro seguiu adiante em direção à casa, as cores se mesclando como gotas de
tinta vivas banhadas pelo sol.
Depois
de estacionarem perto da cabana, eles desceram do carro e continuaram a
assimilar a cena. Podia-se ver um caminho estreito e sinuoso em meio às flores.
Fascinados, os dois adentraram aquele oceano de cores sob o céu salpicado de
nuvens. O sol ressurgiu por trás de uma
delas e Jean pôde sentir seu calor espalhar o perfume ao redor. Todos os seus sentidos
pareciam aguçados, como se aquele dia tivesse sido criado especialmente para ela.
Enquanto
andavam lado a lado, Scott pegou a mão de Jean. Ela permitiu, pensando em como
aquilo parecia natural. Para sempre. Era o que ele
havia entalhado na bancada de Charles. Uma promessa adolescente, nada mais que
isso, porém, de alguma forma, ele havia conseguido mantê-la viva. Jean
sentia a força daquelas palavras agora, preenchendo a distância entre os dois
enquanto eles passavam pelas flores. Uma trovoada roncou muito longe e ela teve
a estranha sensação de que o barulho a estava chamando, incitando-a a ouvir.
Seu ombro roçou o dele, fazendo seu pulso acelerar.
- Será
que estas flores crescem sozinhas todos os anos ou ele precisava semeá-las?-
ponderou Scott.
O som
da voz dele resgatou Jean de seu devaneio.
-
Algumas crescem, outras precisam ser plantadas - respondeu ela, sua voz soando estranha
aos próprios ouvidos. - Conheço algumas dessas espécies.
-
Então ele veio aqui este ano? Para plantar mais flores?
- Deve
ter vindo. Estou vendo alguns âmios-maiores. Minha mãe os plantava lá em casa e
eles morrem no inverno.
Não
parecia haver uma organização formal no jardim: era como se Deus e a natureza estivessem
decididos a deixá-lo como queriam, quaisquer que fossem os planos de Charles.
De
alguma forma, no entanto, isso só aumentava sua beleza. E, à medida que
atravessavam aquela aquarela caótica, tudo em que Jean conseguia pensar era na
felicidade que sentia
por Scott estar ao seu lado compartilhando aquele momento.
O
vento ficou mais forte, esfriando o ar e atraindo mais nuvens. Ela observou Scoot
olhar para o céu.
- Vai
chover - comentou ele. - É melhor eu levantar a capota do carro.
Jean
assentiu, mas não largou sua mão. Parte dela temia que Scott não fosse voltar a
pegá-la, que a oportunidade não tornasse a surgir. Mas ele tinha razão: as
nuvens estavam escurecendo.
-
Encontro você lá dentro - disse ele, parecendo tão relutante quanto Jean ao soltar
lentamente seus dedos.
- Você
acha que a porta está destrancada?
- Eu
apostaria que sim - falou Scott, sorrindo. - Já volto.
- Pode
trazer minha bolsa?
Ele
assentiu e, enquanto Jean o observava se afastar, lembrou-se de que, antes de namorar
e amar Scott, havia se apaixonado por ele. Tudo tinha começado como uma paixonite
infantil, do tipo que a fazia escrever o nome dele nos cadernos da escola,
quando deveria estar fazendo o dever de casa. Ninguém sabia, talvez nem mesmo Scott,
que eles
não tinham se tornado parceiros de laboratório na aula de química por acidente.
Quando
o professor mandou que os alunos formassem duplas, ela pediu para ir ao
banheiro e, quando voltou, Scott era, como sempre, o único que restava. Suas
amigas lançaram-lhe olhares de piedade, mas ela estava empolgada por poder
passar algum tempo com aquele garoto calado e enigmático que, de alguma forma,
parecia maduro demais para a idade.
Agora,
enquanto ele baixava a capota do carro, era como se a história se repetisse e Jean
sentia aquela mesma empolgação. Havia algo em Scott que se comunicava somente
com ela, uma conexão da qual Jean havia sentido falta durante os anos que os dois
passaram separados. E ela sabia que, em certo sentido, havia esperado por ele,
assim como Scott a esperara.
Não
conseguia imaginar nunca mais voltar a vê-lo, não poderia permitir que Scott
se tornasse apenas uma lembrança. O destino - na forma de Charles - interviera
e, à medida que começava a andar em direção à cabana, Jean teve certeza de que
havia um motivo.
Tudo
aquilo precisava significar algo. Afinal de contas, o passado ficara para trás.
Só lhes restava o futuro. Conforme
Scott previra, a porta da frente estava destrancada. Apesar
de ter o mesmo piso desgastado, as mesmas paredes de madeira e no geral se parecesse
com a casa de Oriental, ali havia almofadas de cores vivas em cima do sofá e fotografias
em preto e branco dispostas com esmero pelas paredes.
Abajures
de pé se erguiam em dois lados da sala e uma versão menor da fotografia de
aniversário de casamento estava perto do rádio em um dos cantos.
Às
suas costas, Jean ouviu Scott entrar na cabana. Ele ficou parado em silêncio na
porta, segurando seu paletó e a bolsa de Jean, aparentemente sem palavras. Ela
também não conseguia esconder o próprio espanto.
-
Impressionante, não?
Scott
aos poucos assimilou o que via.
- Só
tem uma coisa: será que estamos na casa certa?
- Não
se preocupe - disse ela, apontando para a fotografia. - É aqui mesmo. Mas está
na cara que este era o cantinho de Moira, não dele. É que Charles nunca mudou
nada aqui.
Scott
dobrou o paletó sobre o espaldar de uma cadeira, pendurando nela a bolsa de
Jean.
- Não
me lembro de ter visto a casa de Charles tão limpa assim. Imagino que Hank
tenha contratado alguém para arrumar o lugar para nós.
É claro que sim, pensou Jean.
Ela se lembrou de Charles mencionando os planos de ir até lá e as instruções de
que eles só fizessem a viagem no dia seguinte à reunião. A porta destrancada
apenas confirmava suas suspeitas.
- Já
viu o resto da casa? - perguntou ele.
-
Ainda não. Estava ocupada demais tentando descobrir onde Moira deixava que Charles
se sentasse para fumar. É óbvio que não era aqui dentro.
Ele
apontou com o polegar por cima do ombro, na direção da porta aberta.
- O
que explica a cadeira na varanda. Devia ser ali.
- E
será que continuou assim mesmo depois que Moira morreu?
- Ele
provavelmente tinha medo de que o fantasma dela aparecesse e lhe desse uma
bronca se ele acendesse um cigarro dentro de casa.
Ela
sorriu e eles foram conhecer o restante da cabana, esbarrando-se ao
atravessarem a sala de estar.
Havia
uma chaleira no fogão e um vaso de flores silvestres na bancada, obviamente
colhidas do jardim da frente. Uma mesa estava encostada na parede sob a janela
e ali havia duas garrafas de vinho, um branco e outro tinto, além de duas taças
impecáveis.
- Ele
está começando a ficar previsível - comentou Scott ao ver as garrafas.
Jean deu
de ombros. - Não é o pior dos defeitos.
Eles
admiraram a vista do rio Bay pela janela, nenhum dos dois dizendo mais nada.
Enquanto
ficavam parados ali, Jean se deleitou com o silêncio e o conforto que a familiaridade
com Scott lhe dava. Era possível notar o ligeiro subir e descer do peito dele à
medida que respirava e ela precisou se conter para não pegar sua mão. Então,
ainda calados, ambos deram as costas para a janela e continuaram a percorrer a
casa.
O
quarto ficava logo em frente à cozinha e havia uma aconchegante cama com dossel
no centro dele. As cortinas eram brancas e a cômoda não lembrava em nada os
móveis com riscos e marcas que Charles tinha em Oriental.
Junto
ao quarto, havia um toalete com uma banheira com pés de garra, do tipo que Jean
sempre quisera ter. Um espelho antigo pendia sobre a pia e ela viu seu reflexo
ao lado do de Scott. Era a primeira vez que via uma imagem dos dois juntos
desde que tinham voltado a Oriental. Ocorreu-lhe que, durante todo o tempo de
namoro na adolescência, eles nunca
haviam tirado uma foto juntos - tiveram a idéia, mas nunca chegaram a
concretizá-la.
Jean
se arrependia agora, mas e se houvessem tirado uma foto como lembrança? Será que
ela a teria guardado em uma gaveta e se esquecido de sua existência, para
reencontrá-la de
tempos em tempos? Ou será que a teria mantido em algum lugar especial, que só
ela conhecesse? Jean não sabia, mas, quando viu o rosto de Scott ao lado do seu
no espelho
do banheiro, teve uma inconfundível sensação de intimidade. Havia tempos ninguém
fazia com que se sentisse atraente, mas era assim que ela se sentia naquele momento.
Sabia da atração que havia entre os dois. Deleitava-se com a maneira como o olhar
dele viajava pelo seu corpo e com a fluidez graciosa dos movimentos de Scott.
Percebia,
com toda a clareza, que eles se entendiam de forma quase instintiva. Por mais que
tivessem se reencontrado fazia poucos dias, Jean confiava nele e sabia que
poderia lhe contar tudo.
Jean
continuou a analisar Scott pelo espelho. Ele se virou e notou seu olhar no reflexo.
Sem deixar de encará-la, estendeu a mão e, com um toque suave, afastou uma mecha
de cabelo que caíra sobre os olhos dela. E então saiu, deixando-a com a certeza
de que, quaisquer que fossem as conseqüências, sua vida já havia sido
irrevogavelmente alterada,
de uma maneira que ela jamais poderia ter imaginado.
Depois
de pegar sua bolsa na sala, Jean foi encontrar Scott na cozinha. Ele havia aberto
uma garrafa de vinho e servido duas taças. Entregou-lhe uma e os dois se encaminharam
em silêncio para a varanda.
- Acho
que está na hora - falou Scott.
Jean
se levantou e, juntos, eles desceram em direção ao jardim. O vento não mudara, mas
a neblina estava ainda mais espessa. A manhã cristalina dera lugar a uma tarde
que refletia
o peso melancólico do passado.
Assim
que Scott buscou a urna, eles pegaram o caminho que conduzia ao centro do jardim.
Scott
sentia o peso da urna nas mãos.
-
Deveríamos dizer alguma coisa - murmurou ele.
Quando
Jean assentiu, ele começou a falar primeiro, fazendo um tributo ao homem que lhe
dera abrigo e amizade. Jean, por sua vez, agradeceu a Charles por ser seu
confidente e disse
que havia passado a amá-lo como a um pai. Quando terminaram, quase como se aproveitasse
a deixa, o vento ficou mais forte, e Scott abriu a tampa da urna.
As
cinzas saíram voando, rodopiando sobre as flores, e, enquanto observava a cena,
Jean não pôde deixar de pensar que Charles estava procurando por Moira,
chamando-a uma
última vez.
Eles
voltaram para a casa e ficaram alternando momentos de silêncio com comentários
de suas lembranças de Charles. Lá fora, a chuva havia começado a cair. Era
firme, mas não muito
forte: uma delicada chuva de verão que parecia uma bênção.
Quando
ficaram com fome, decidiram enfrentar a chuva, pegando o Stingray e voltando
até a rodovia pela trilha sinuosa. Poderiam ter retornado para Oriental, mas
preferiram seguir para New Bern. Encontraram um restaurante chamado Chelsea
perto do centro histórico.
Estava
quase vazio quando chegaram, mas, ao saírem, não havia uma única mesa livre.
Assim
que a chuva parou por alguns instantes, eles foram passear pelas calçadas silenciosas
da cidade, visitando as lojas que ainda estavam abertas.
Enquanto
Scott dava uma olhada nos livros de um sebo, Jean aproveitou para telefonar
para casa. Conversou primeiro com Nathan e Rachel antes de falar com Logan.
Ligou também para a mãe, deixando uma mensagem na secretária eletrônica
avisando que talvez se atrasasse e pedindo-lhe que deixasse a porta destrancada.
Ela desligou ao ver que Scott se aproximava, sentindo uma pontada de tristeza ao
pensar que aquele dia estava quase chegando ao fim. Como se lesse seus pensamentos,
ele lhe ofereceu o braço e Jean se apoiou nele enquanto os dois retornavam
lentamente para o carro.
Quando
voltaram à estrada, a chuva caía novamente. Assim que atravessaram o rio
Neuse,a neblina ficou mais espessa, esgueirando-se além da floresta. Os faróis
mal iluminavam a estrada
e as árvores pareciam absorver a pouca luz que restava. Em meio à escuridão úmida
e nebulosa, Scott seguiu dirigindo mais devagar.
A água
caía em um ritmo constante sobre a capota e Jean se viu pensando naquele dia.
Depois
de passarem por Bayboro, Scott desacelerou o carro. A próxima curva na direção
sul levava a Oriental. Mas, caso continuassem em linha reta, voltariam a Vandemere.
Scott estava prestes a fazer a curva, e, à medida que se aproximavam do cruzamento,
cada vez mais ela tinha vontade de lhe dizer que seguisse em frente. Não queria
acordar no dia seguinte imaginando se voltaria a vê-lo algum dia. Essa idéia
era aterrorizante, mas, por algum motivo, as palavras não saíam de sua boca.
Não
havia mais ninguém na estrada. Água escorria do asfalto em direção às valas
rasas dos dois lados da rodovia. Quando chegaram ao cruzamento, Scott pisou de
leve no freio
e, para surpresa de Jean, parou o carro.
Os
limpadores do para-brisa jogavam a água de um lado para outro. Gotas de chuva
cintilavam sob a luz dos faróis. Com o motor em ponto morto, Scott se virou
para ela, o rosto coberto pelas sombras.
- Sua
mãe deve estar esperando por você.
O
coração de Jean batia cada vez mais rápido.
- Sim
- assentiu ela, sem dizer mais nada.
Scott
passou um bom tempo somente olhando para ela, analisando-a, vendo toda a esperança,
o medo e o desejo nos olhos que fitavam os seus. Então, com um breve sorriso, virou
o rosto de volta para o para-brisa. O carro recomeçou lentamente a seguir rumo
a Vandemere e nenhum dos dois teve vontade - ou foi capaz - de impedir que isso
acontecesse.
Me lembro de dizer a você que eu te amo
A estrela do norte surgiu em cima de você
E num momento pensei que todos os meus sonhos
Se tornariam realidade
Oh, mas alguns nunca se tornam reais.

1 Comentários
Tudo aquilo precisava significar algo. Afinal de contas, o passado ficara para trás. Só lhes restava o futuro. ABRACE E BEIJE O FUTURO MULHER!
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