Capítulo I: 2ª Palavra: Correr
Classificação indicativa. T (13+)
Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic concluída, Multi-capítulos.
Tipo: Romance, Drama, cotidiano, Violência física e emocional
Uma palavra e nada a ser
dito
2ª Palavra:
Correr
Na sala as
pessoas conversavam.
- Então Scott, conta pra gente como conseguiu vir hoje?
- Ororo eu realmente não viria..
- De novo! - todos afirmavam rindo. Ele riu e continuou.
- Eu estava indo buscar meu irmão no aeroporto, mas o voo
dele atrasou. Então resolvi dar um pulo aqui com vocês. Mas só poderei ficar
até o final desse tempo.
- Como sempre tem coisas melhores do que sair com o seus
amigos do departamento. - retrucou Logan.
- Não conhecia esse seu lado dramático Logan.
- Não se acostume. É o álcool falando parceiro.
Kurt chegou
com as bebidas.
- Logan, Jean saiu pra treinar. - ele afirmou.
- Essa mulher inventa cada hora pra correr... Está assim
desde que decidiu correr a Maratona de Boston...
- Ela vai mesmo correr uma maratona?
- Ela sempre correu. Mas é a primeira vez em Boston. Scott,
já correu essa maratona se não me engano.
- Sim.. Eu sempre corro.
Algum tempo
depois de Jean ter saído de casa correndo. Ela parou em frente a um Pub
Irlandês. E tomou um gole de Hi-fi. E continuou a correr. Correu por mais um
quarteirão e viu um Scott arrumando os óculos e atravessando a rua.
- Só me falta isso
agora. Ele não pode me ver... – pensou.
Rapidamente
ele voltou correndo em direção ao bar que mais cedo ela viu. Ao entrar um rapaz
esbarrou com ela:
- Me desculpe. A garçonete faltou e estou super atarefado.
Não a vi entrar moça.
- Tudo bem. Que ajuda?
- Ajuda? Meu chefe iria me matar se eu pedisse ajuda a uma
cliente.
- Diga a ele que vim fazer um extra no lugar da sua
amiga. - Ela disse brincando.
- Faria isso? Estamos precisando muito de uma nova garçonete.
- o rapaz perguntou quase suplicando.
- Não falava sério.
- Não me iluda. - ele brincou - Você ficaria ótima como
garçonete em um Pub Irlandês. Seria tipo uma atração da casa. - ele continuava
tentando convencê-la.
- Olha só.. .
- Chefe essa aqui é a nova garota!
O rapaz
apontou para o dono do Bar.
- Essa aqui oh!
- Josh você conseguiu uma garçonete no meio do Jogo dos New
York Knicks?
Jean Grey nada
respondeu. Estava começando a divertir-se com a ideia.
- Sim! Chefe essa é a:
- Jean Grey! Qual o cargo?
- Você nem sabe qual é o cargo?
- Trabalho no que você precisar. Mas eu sou uma excelente
administradora e posso ficar no caixa...
-Vai sonhando... - ele riu - Tragam a roupa temática para a
nova garçonete!
Jean agora
usava uma roupa com trevos.
-Estou me sentindo um Leprechaun.*(duende irlandês) – ela pensou.
- Me desculpe! - ela dizia tentando limpar o que havia feito.
- Desde quando servir bebidas é treinar para uma maratona?!
- O que?! O que você está
fazendo aqui? - Disse ela supresa.
- Sempre passo aqui pra ver o jogo.
- Você iria ver o jogo na minha casa. Você está me
perseguindo!
- Sua casa?! Perseguindo?
Não! Fui a casa do Logan. Eu recebi um convite de um amigo de trabalho.
- Grey no primeiro dia e já faz uma bagunça? - Josh os
interrompe - Me desculpe, ela está em treinamento.
- Tudo bem. Ela está indo bem. A culpa foi minha. - Enquanto
Scott justificava a situação ela abraçava a bandeja timidamente.
- Queria sentar-se a mesa Nº 4 por favor.
Scott seguiu
em direção a mesa.
- Grey, termine de atender as mesas 6 e 7 depois atenda esse
cliente da mesa 4.
- Olha Josh eu acho que não nasci pra isso não... - Ela falou
enquanto pensava na vontade que tinha em largar tudo e sair correndo. Mas
correr novamente? Por quê? Pra quê?
- Relaxa Grey, você está indo bem. Esse cara é bem legal. Um
dos poucos clientes compreensivos de hoje. Provavelmente o time dele está
ganhando. Anda!
Scott
analisava toda a cena. Jean nervosa atendendo os clientes. O fato do outro
funcionário ter falado que hoje era o seu primeiro dia, lhe fez questionar
ainda mais todas as situações estranhas que ela havia passado anteriormente em
suas frente.
A mulher que havia mexido com
sua cabeça era a mulher de um companheiro de trabalho. A mesma havia tentado se
matar ou quase isso. Depois saiu correndo e agora estava trabalhando no Pub que
ele frequentava. Que situação!
Ela estava
aproximando-se da mesa. Ele tentava disfarçar que havia fixado os olhos nela
durante todo o percurso.
- Já decidiu?
- Sobre o que?
- O que vai querer?
- Você... - Ela o olhou espantada arregalando os olhos - ...
Merda! Eu disse isso alto?
Ela arqueou
a sobrancelha e norteia o canto da boca com raiva.
- Então é isso? Chantagem? Conte ao Logan. Não me importo. -
Ela bateu na mesa com raiva.
- Me desculpe. Não quis ofender. É que eu tenho pensado muito
em você. Desde que nos vimos pela primeira vez...
- Não quero saber o que você pensa ou deixa de pensar... Eu
só estou tentando... - Ela estava com raiva e ao mesmo tempo com a voz
embargada como se estivesse tentando segurar o choro.
- Tentando o que? Fugir? Pois é o que está parecendo. Olha eu
não quis ofender você longe disso. Me
desculpe mesmo. Mas caramba não da pra fingir que não existe isso...
- Isso que?
- Essa tensão sexual entre nós.
- Não existe nada disso...
- Então faz isso por diversão?
- Isso o que?
- o Jeito que você me olha. O Jeito que toca em mim. Meu Deus
você é linda!
- Não sei o que dizer.
- Nossa eu tentei por semanas não pensar em você e quando eu
a vi novamente você estava tentando se matar. Deus! Meu coração quase parou
naquela hora. Queria conversar. Saber como você estava. O porquê de tentar se
matar. Mesmo que fosse uma mentira. Mas eu fugi. Fui a casa de um amigo ver um
jogo. Depois de tantos convites que já
havia recusado por que sei que incomodo muito o Logan por conta do meu jeito
que ele fala ser certinho de mais... você sabe como ele é. Mas eu fui a casa do Logan para eu poder enxer
a cara e esquecer que me encantei por uma mulher casada. E foi devastador ver
você no colo dele. E depois me provocar com aquele jeito furioso e ao mesmo
tempo sensual. Fugi de lá para cá e encontei
você novamente. Ainda estou com o pensamentos embaralhados. Mais uma vez me
desculpe.
Ao ouvir
toda a história ficou estranhamente inquieta. Quase excitada. Talvez por ter
feito quase a mesma coisa. Ela continuou mordendo o canto da boca quando
percebeu que ele iria levantar da mesa e provavelmente iria em bora. E assim
ela tomou as rédeas da situação.
- Gosta de cerveja preta “Guinness”?
- Não. Na verdade nunca provei.
- Vai gostar. - Ela pegou um caneco de Chopp de uma bandeira
de outro garçom e entregou a ele.
- Isso não é cerveja preta.
- Não reclame. Isso é por conta da casa.
- Nada é por conta da casa Grey! - Disse Josh ao fundo.
- Eu sei Josh. - com a cabeça e as mãos ela dava sinal para
Scott beber rápido - Ele nem vai
lembrar que falei isso no final do
dia... - Ela sorriu e piscou. Depois sussurrou - Não esqueça a minha
gorjeta.
- Que?! - Scott tentou segurar o riso.
- Eles pagam muito mal!
Preciso de gorjetas.
Ela saiu e
foi ao balcão.
Durante todo
o expediente, Jean e Scott flertavam apenas a distância. Aquilo era suficiente
para eles.
Será?
Em algum momento Jean teria que sair
e voltar pra casa. Scott também.
Já não havia
muitos clientes no bar. Jean tinha feito um bom trabalho. Josh está conversando com ela é a orientando
no trabalho para o dia seguinte. Trabalhar de garçonete não era um sonho de
infância, entretanto era a única maneira de Jean ocupar sua mente longe de
casa.
- Está liberada por hoje Grey.
- Obrigada Josh. Pela oportunidade.
- Você que salvo o dia! Olha pode fazer companhia ao seu
amigo. É evidente que vocês precisam conversar.
- Tão na cara assim?
- Sim. Mas que não fique de costume. Você só pode usar o bar
nos dias de folga. Normas da casa!
- Pode deixar.
Jean tirava
o avental temático e observou Scott riscar em um papel alguma coisa. Estava
concentrado.
-O que será que ele
escreve? - pensou ela.
Ao chegar
perto dele ela tentou ver o que tinha no papel e nada pode. Então entregou a
ele uma Guinness.
- Como combinado! É a melhor cerveja irlandesa, a da Harpa. - ela apontava para o slogan.
- Nem vi você chegando. - Ele falou cobrindo o papel.
- Tenho meus truques. - Ela falava esticando a cabeça para
ver o que ele havia encoberto.
- Então? - Ele bebeu do caneco.
- Então o que?
- É forte essa cerveja. - falou irônico e sorriu. - Ainda vai ficar por aqui?
- Não sei. - Ela pegou o caneco dele e bebeu.
- Isso era meu...
- Era! - ela bebeu tudo.
- Você é doida... doidinha.
- Você enlouqueceria também se vivesse a minha vida.
- Minha vida não é de toda ruim. Mas sou muito solitário
desde o divórcio.
- Então os homens fazem besteiras e depois ficam solitários?
É assim?
- Por que acha que eu fiz besteira?
- Você é homem! É sinônimo.
- Você nunca fez besteira?
- Sim!
- Cite uma:
- Me casar com um homem!
- Você é engraçada.
- Não é engraçado. É a realidade. Casar tão jovem foi um erro
muito grande.
- Quer mesmo falar do seu marido?
- Nem sei. Acho que foi só um desabafo. A presença dele me
irrita.
- A mim também. Isso não é exclusividade sua.
- Vocês trabalham juntos?
- Sim. Eu trabalhava em Boston. Mas aí depois do divórcio
pedi transferência. A família da minha ex é muito influente em Boston. E mudei pra cá. Logan e eu fomos parceiros em
duas operações. Mas agora apenas companheiros de departamento. O Chefe entendeu
que somos bem mais produtivos assim.
- Imagino. Logan é um
bom policial e amigo. Mas conviver com ele? Parece que estou vendo minha vida
escorrer pelas minhas mãos. - ele a observava e percebeu que a presença de
Logan mesmo em uma conversa lhe fazia mal.
- Por isso tentou se matar com um isqueiro?
- Também.
- Prefere queimar o cabelo que ficar casada?
- Quem não prefere? - ela disse irônica.
- Pessoas felizes.
- Felicidade e casamento? Isso existe?
- Acredito que sim. Mas de fato não conheço.
- Você é otimista. - eles sorriram um para o outro.
- Por que está trabalhando aqui?
- Estava fugindo. Me escondi aqui e vi que tenha una vaga de
emprego. Sempre sonhei em ser garçonete.
- Jura?
- Não!
Scott
tentou não rir. Mas era impossível. Ele não sentia essa emoção há muito tempo.
- E estava fugindo de quem?
- Da vida. De casa. De você...
- De mim? - ele a interrompeu - Por que de mim?
- Vergonha. Sei lá. Aquela situação em frente ao apartamento
foi constrangedora. Olha eu preciso ir. - Ela que já estava apenas com a
squeeze em mãos, saiu rápido do bar.
Ao ver ela
sair Scott rápido apressou-se para fechar a conta e saiu em seguida.
Saindo apressado, Scott olhou para os dois lados para saber
onde estava indo Jean. E a pouco mais de um quarteirão de distância ele
percebeu que ela estava encostada em uma árvore e aparentava estar chorando.
- Por que insiste em fugir? - Perguntou ele.
- Tenho medo de... - eles se encaravam. - Medo do que possa
acontecer.
- E o que você acha que pode acontecer? – Ele falou
aproximando-se dela.
- Isso... - Ela o beijou e foi retribuída.
Já era
tarde. Poucas pessoas na rua e mesmo essas poucas pessoas não lhe fazia pensar
que algo assim deveria ser sigiloso. Na verdade nem deveria acontecer. Mas
aconteceu. Estava acontecendo. Ainda estava acontecendo. Não apenas um beijo
suave. Era uma beijo intenso e caloroso que os dois desejam muito.
- Não podemos. - Ela falou entre os beijos.
- Não devemos...- ele concordava. - Mas não podemos negar o
que está acontecendo. - eles continuavam.
- Estamos na rua da minha casa....
- Tudo bem... - Ele parou.
Respirar profundamente
e acalmar as palpitações que tomava conta de seu corpo. Esse era o objetivo
maior agora. Era difícil pensar depois de todo esse turbilhão.
- É melhor eu ir para casa.
- Eu também.
Eles se
afastaram. Jean saiu apressada. Sem olhar para trás por ao menos uns 20 metros.
Timidamente ela virou a cabeça sobre o ombro esquerdo e pode ver largo sorrido
de felicidade de alguém que estava em plenitude e observava o seu caminhar
ligeiro. Foi quando ela decidiu virar e acenar com a mão e fecha-la dedo a
dedo, repousando sobre o queixo.
Scott estava
parado e respirou aliviado quando viu o gesto singelo daquela ruiva. Ele sabia,
o que ele sentia, era recíproco.
Naquele
momento pouco importava qual desculpa ela iria dar ao marido. Até porque provavelmente ele já estaria
bêbado e na cama. Tinha certeza que por vezes mentiu para si ao dizer "eu
te amo". Porém, cada segundo daquele beijo foi sincero, intenso e
recíproco. Mesmo errado foi verdadeiro.
Ao chegar ao
apartamento deparou-se com a bagunça e da sala ouvia Logan roncar no quarto.
Ela apenas queria distância dele. Pensou que dormir no sofá seria bem melhor
que dividir a cama novamente com ele. E assim ela fez, bateu algumas vezes no
sofá e arrumou uma almofada como travesseiro. Estava quente de mais para usar
algum tipo de coberta, na verdade ela ainda estava quente. A lembrança do beijo
era mais do que uma lembrança, parecia que ela ainda estava beijando Scott. A
sensação do toque em seus lábios, o cheiro, aqueles braços a lhe abraçar... era
só fechar os olhos e reviver todo aquele momento. Toda aquela sensação que
nunca havia provado. Era errado, muito errado! Mas foi bom, muito bom!
Ah como ela
queria estar com ele novamente.
Em outro canto da cidade, Scott
estava deitado em sua cama olhando para o teto. Pensava no que tinha
acontecido, e em seu peito o conflito de ter beijado uma mulher casada. Ele
havia se divorciado justamente por um caso de infidelidade de sua ex. Jurou que
nunca iria trair mulher alguma. Mas o que ele fez, também é uma forma de
traição. Ele insistiu, persistiu, quem
sabe até seduziu de alguma maneira. Mesmo depois de saber que ela era esposa de
alguém, no caso, seu companheiro de trabalho. Como ele poderia olhar para Logan
no trabalho depois de hoje? Como ele poderia se olhar no espelho? Ele já esteve
do outro lado. E como poderia ser indiferente ao sentimento que parecia ser tão
verdadeiro? Ele fechou os olhos e tentou não pensar em nada. Mas sua cama
parecia grande de mais para ele estar ali sozinho. E Ele não estava só, de
alguma Jean estava com ele, em seus pensamentos.
- Eu sou um cafajeste!
Fiz o mesmo que fizeram comigo. Vou acelerar minha transferência para
Boston. Prefiro ver Emma com a atual família do que destruir a família de outra
pessoa.
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Próximo: 3ª Palavra: Bater









6 Comentários
\0/
ResponderExcluirIr correr, ser garçonete só pra não ficar em casa... Coitada. A casa deveria ser o lugar mais feliz pra qualquer pessoa. Será q Scott vai passar um tempo em Boston? Qdo Jean vai ter coragem e falar pro marido q não o ama mais??? Esperando próximos capítulos!
ResponderExcluirEla já deixou claro que quer voltar para Boston. E vai!
ExcluirJean precisa sair desse relacionamento tóxico. Uma ocupação é fundamental para a saúde mental de qualquer pessoa. Ela vai melhorar bastante depois que começar a trabalhar.
Estou editando e postando o próximo capitulo nesse momento.
ExcluirTadinho do Scott... Levou uma galha da vacafrost kkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirMas agora ele encontrou a mulher ideal, certeza! Sinto que vai sair fogo desses dois 😈 hahahaha.
Posta maaaais! Eu amei 😍
Scott não foi santo com a Emma não. Aguarde e verá...
ExcluirTo postando mais um capitulo agora.