Status: Fic em andamento, Multi-capítulos
Tipo: Mitologia
X-Men, Romance, Suspense, Quadrinhos.
Base: Quadrinhos
X-Men, X-Men animated, X-Men 97, Marvel Comics
CAPÍTULO 1 - O QUE EU SOU?
Se você acha que
ser adolescente já é complicado… tenta descobrir, do nada, nasceu com uma
condição genética rara chamada de Gene-X Avançado e que isso te transforma em
uma aberração! Pois é. Bem-vindo ao meu mundo.
Meu nome é Jean
Elaine Grey e eu moro em Annandale-on-Hudson, uma pequena cidade no
estado de Nova York.
Aqui tudo gira em
torno do Campus da Bard College e Artes e também do Rio Hudson que são o
centro e a margem da cidade respectivamente. Aqui a arte e a natureza se
encontram com a ciência. Não somos tão populosos como a capital do estado, mas
a diversidade cultural aqui é incrível! Há estudantes de várias partes do mundo,
principalmente latinos e asiáticos. E para uma pequena vila isso é bem
divertido. A área tem o seu charme acadêmico e temos muitas atividades culturais.
E é bem comum encontramos ex-alunos famosos por aqui em alguma palestra do
Campus. Na semana passado Chris Claremont* estava ministrando
um workshop na faculdade e a minha irmã, Sarah, foi com a Turma dela da escola.
*Chris Claremont estudou na Bard
College, nos Estados Unidos. Ele estudou Teoria Política e teatro. Seus estudos
em teoria política influenciaram seu trabalho, especialmente a forma como
abordou temas sociais nos quadrinhos dos X-Men.Ele é considerado um dos 100
alunos mais famosos da universidade https://www.ranker.com/review/chris-claremont/728053
Você deve estar se
perguntando como uma menina da minha idade já entende tanto de vivências
acadêmicas, sendo que eu ainda estou no colegial. Meus pais são professores da Bard
College e Artes. Sim os dois! Minha família vive em função desse
Campus. Sabe eu nasci no Hospital Northern Dutchess, fica a
aproximadamente 15 minutos do campus. Meu pai conta que a minha mãe estava
dando aulas quando começou a ter os primeiros sinais, e ela fala com orgulho
que me levava ainda bebê para as aulas de língua inglesa e literatura. E chegou a dar pontos extras para os alunos que me fizessem parar de chorar enquanto ela dava aulas.
Esse lugar é quase
a extensão da nossa casa.
Falando em casa, a
nossa casa fica na Região de Hudson Valley bem próxima ao Rio Hudson. E estamos
indo para casa agora, a mamãe sempre vem nos buscar, eu e Anne, depois do
treino da torcida. Eu só tenho 10 anos mas minha agenda é bem cheia! Nas
segundas quartas e sextas eu tenho treino da torcida, terças e quintas faço
aulas de canto com o coral da escola, terças e quintas também são as aulas de
idiomas com a minha mãe. Fato curioso da minha mãe, ela é poliglota. E nos
obriga a estudarmos idiomas. Meu pai é professor de História e Antropologia. Uma
vez ele precisou contratar uma tradutora para um artigo acadêmico e foi a minha
mãe. Eles estão juntos desde então. Eu e minha irmã temos o privilégio de
vivermos bem, estudarmos bem e somos de família extremamente amorosa, que
nos incentiva e também temos uma vizinhança muito unida.
É uma vida
perfeita!
- Jean queria, como
foi o seu treino hoje? Vocês estão evoluindo nas acrobacias da torcida?
- Mamãe eu não sei
como podemos evoluir se a Melissa não sabe comandar nossa equipe! Por isso eu e
a Anne votamos para a McKeyla ser a capitã. Mas fomos voto vencido. – Jean
revira os olhos fazendo beicinho.
- É isso mesmo
Senhora Grey, a McKeyla sim saberia conversar melhor com a gente. Mas só eu e
Jean votamos nela. Porque a Melissa comprou o resto da equipe com purê de maçã.
- Purê de maçã?! –
A Senhora Grey ria surpresa no volante e em seguida Jean e Anne falaram juntas:
- Elas se venderam
por tão pouco. Um Absurdo! Temos que pensar no que é melhor para a equipe.
- Meninas, as vezes
eu acho que vocês dividem os mesmos neurônios. – Ela seguia rindo das duas
garotas que pareciam estar indignadas. Mas tinha um certo orgulho do
comportamento das duas. – Vamos só pegar a sua irmã no treino de atletismo,
Sarah sai agora as 18h então vamos direto para o restaurante. Anne sua mãe me
pediu para você ficar em casa até as 21h. Se ela por ventura não chegar até
esse horário você vai dormir em casa.
- Tudo bem Senhora
Grey.
- Mãe a gente pode
jogar basebol depois da jantar? Os primos da Juan estão na cidade e eles são
Dominicanos... – Jean falou mas quem completava sua frase era Anne.
-... e o Juan falou
que os primos deles estão em um time profissional... – e quem completava a
frase de Anne era Jean.
-... O beisebol é, disparado,
o esporte mais popular na Republica Dominicana! – As duas falavam juntas
animadas.
- Certo! Mas até as
20h, quero todo mundo em casa. E de banho tomado até as 21.
- Pode deixar! – as
meninas responderam juntas.
O carro parou e a
irmã mais velha de Jean entrou no banco da frente.
- Oi mãe! Olá par
de vasos! – Jean e Anne viram a cabeça para o mesmo lado e fizeram o mesmo
gesto com as mãos.
- As vezes acho que estou vendo as gêmeas do filme O Iluminado. – Disse Sarah
virando os olhos.
- Sarah como foi o
seu dia minha filha?
- Passaram o filme
de um aluno do papai, o que foi um fenômeno de bilheteria, e eu não pude
assistir por que não tenho idade. Como eu falo que o meu pai deu aula para Larry
Wachowski* se eu se quer posso assistir o Matrix no auditório da escola.
*Lana Wachowski (nascida Laurence
"Larry" Wachowski em 1965) é uma cineasta, roteirista e produtora
americana, famosa por criar a franquia Matrix ao lado de sua irmã, Lilly
Wachowski (anteriormente Andy). Como parte das "Irmãs Wachowski", ela
revolucionou a ficção científica e é uma mulher trans, tendo realizado sua
transição de gênero publicamente. Lana Wachowski está entre os 5 alunos mais famosos
da Universidade. https://en.wikipedia.org/wiki/Bard_College
- Sarah você só tem
12 anos, esse filme tem censura 14.
- Um absurdo! Eu
sei toda a história do filme e não posso assistir na escola? Você sabe que eu
assisti em casa. Até essas duas assistiram. E elas só tem 10 anos. Elas nem
entenderam o filme e dormiram no meio. É o filme mais legal do ano e eu nem
posso falar “Tá vendo, esse filme só existe porque o meu pai ensinou os irmãos
Wachowski a escreverem roteiro."
- Sem exageros
Sarah. O Jhon só foi professor do Larry. O talento dos dois é extraordinário!
Seu pai não tem créditos no filme Matrix.
- Mas os meus
amigos não sabem! Só vem a foto de formatura dele com o papai sendo paraninfo.
Isso pode alavancar a minha vida social. Se não é importante para você, é importante
para mim! Eu não consegui entrar na torcida esse ano, me restou o atletismo e eu nem sou
tão boa assim. Como vou ter uma vida social incrível sem influência? Preciso encontrar meios.
- Você acha que tem
problemas Sarah? A Melissa subornou a equipe com purê de maçã! – disse Jean.
- O que? – Disse
Sarah assustada.
- De maçã! Purê de
maçã! – completou Anne.
- Ela não fez isso.
Vocês duas não se venderam? Não por tão pouco...
- Votamos na
McKeyla! – Jean e Anne responderam juntas.
- Isso mesmo! E se
for para vender votos, não aceitem menos do que um dia de Spa!- Afirmava Sarah.
- Às vezes me
pergunto se não era mais fácil ser mãe de menino.– Disse a Senhora Grey bem
irônica. - Minhas filhas tem uma vida social bem ativa.
Nós fomos jantar
com o papai depois da escola. Ele tinha por habito nos levar em restaurantes
étnicos e diferentes sempre que podia. Sempre falava da historias das comidas e
de suas origens. Deve ser coisa de Antropólogo. Quase sempre íamos a Tivoli e
Red Hook, as vilas próximas oferecem cafés, restaurantes, galerias de arte e
lojas independentes. Papai sempre falava que precisávamos conhecer culturas e
povos diversos e que a história é viva e precisamos vive-la sempre que
possível.
Meus pais sempre
que podiam nos forçavam a falar outros idiomas quando estávamos em família, e a
Anne, minha melhor amiga e vizinha já estava acostumada.
- Depois da nossa
ultima visita ao Blithewood Garden que é um jardim italiano, que tal falarmos
em italiano hoje?
- Elaine você não
da descanso para essas meninas. – Disse Jhon Grey para a esposa.
- E perder a
oportunidade? Jhon nós fomos a um jardim italiano e estamos em um restaurante
italiano, porque não falarmos em italiano?
- Ok você venceu!
Mama Mia! – Ele disse juntando as mãos imitando um italiano com sotaque. Todas riram
na mesa.
Um garçom observou
que eles estavam tendo alguns diálogos em italiano e se aproximou dizendo.
- Uau vocês são
italianos, pensei que eram irlandeses.
- Porque
irlandeses? – Perguntou Elaine Grey curiosa. – Não temos sotaque irlandês.
O jovem rapaz
apontou para Jean, a única pessoa ruiva em todo restaurante.
- Pensei que ela
fosse. Por causa do cabelo.
- Jean é um
Leprechaun! – Dizia Sarah debochando da irmã.
- Eu não sou um
Leprechaun! Sou um 1%(um por cento) da população mundial. Sou raridade. – Ela
disse de um jeito muito meigo e fofo. O garçom até fez carinho em sua cabeça
depois.
- Ruivinha, você é mesmo raridade. Vocês são os pais dela? O meu chefe estava
querendo fazer uma campanha publicitária do restaurante e perguntou se vocês
autorizavam o uso da imagem dela.
- Fotos delas? –
Disse Jhon surpreso.
- Uau! E assim
nasceu uma nova modelo. – Disse Sarah.
Naquele dia Jean
viveu uma memória que iria ser sua âncora, seu refúgio por muitos anos. Seu dia
perfeito, o dia que ela havia começado a trabalhar como modelo fotográfica.
Porém, já havia se
passado meses daquele dia, Jean inclusive já estava fazendo certas campanhas
maiores para lojas de roupas infantis e brinquedos. Mas naquele outono, alguma
coisa iria mudar completamente o seu destino.
- Vem Jean, se você
não vier eu vou sozinha. – Disse Anne pegando uma bicicleta que estava em
frente de sua casa.
- Calma! Eu já vou
indo. – Jean ainda estava indo em direção a sua bicicleta quando Anne
atravessou a rua sem olhar para os lados e o carro a acertou em cheio.
- ANNE! – Jean
gritou e foi em direção ao corpo da amiga e tocou em seu rosto.
- MEU DEUS! ELA
SURGIU DERREPENTE! CHAMEM UM MÉDICO! – Dizia o motorista atordoado.
Jean gritou mais
uma vez com Anne em seus braços, porém, o grito agora exercia uma força maior
que afastou as pessas em volta e até o carro. Era como se ela tivesse
simplesmente afastado tudo e todos com um pensamento apenas. Os carros
começaram a solar os alarmes e Jean desmaiava ao lado de Anne Richard, sua
melhor amiga que havia acabado de morrer em seus braços.
Algum tempo depois.
Eu não sabia o que
estava acontecendo. Um segundo, eu estava rindo… Annie estava do meu lado,
falando alguma coisa que eu nem lembro mais e no outro… tudo ficou alto demais.
Luz demais. Rápido demais. E então… silêncio. Mas não era um silêncio vazio. Era
um silêncio cheio. Cheio de dor. Eu… eu não estava mais só dentro de mim. Eu
estava dentro dela.
Eu conseguia ver o
mundo… mas não pelos meus olhos. Eu sentia o chão, o ar, o gosto metálico na
boca mas não era o meu corpo. Era o dela. Era Annie.
Eu tentei gritar,
mas não sei se fui eu ou ela. Tudo se misturou. O medo dela virou meu. A dor
dela virou minha.
E, de repente… eu
não sabia mais onde eu terminava e onde ela começava.
“Annie?” ou talvez
eu tenha pensado isso. Ou talvez ela tenha.
Eu senti o coração
desacelerando, cada batida… mais fraca.
Mais distante. Como
se alguém estivesse apagando uma luz… devagar… e eu estivesse presa dentro do
quarto, assistindo tudo sumir sem conseguir sair.
Eu tentei soltar.
Eu juro que tentei. Mas alguma coisa me puxava mais fundo. Como se eu estivesse
afundando dentro de um oceano que não era meu e então veio o pior, o momento em
que ela… simplesmente… parou. Não teve barulho, não teve aviso, foi só...
ausência.
E eu ainda estava
lá, ainda estava sentindo mas… não tinha mais nada pra sentir. Era um vazio tão
grande que parecia que ia me engolir também. Foi aí que eu pensei eu morri.
Porque… como eu
ainda podia estar ali… se ela não estava mais?
Eu não conseguia voltar,
não conseguia encontrar meu corpo. Não conseguia lembrar como era ser… eu. Tudo
estava quebrado. Fragmentado. Confuso. Eu não sabia se eu era Jean. Não sabia
se eu era Annie. Não sabia se eu era… ninguém. E, por um instante, ou talvez
uma eternidade, eu só existi naquele espaço entre uma coisa e outra.Nem viva e
nem morta. Só… Presa, estava com tanto medo.
Tanto medo de nunca
mais conseguir sair dali… de nunca mais ser inteira de novo… que quando alguém
finalmente me encontrou… quando uma voz entrou naquele vazio e me puxou de
volta… eu não senti alívio. Eu só senti… que alguma parte de mim tinha ficado
para trás.
O quarto era branco
demais. Silencioso demais.
Jean estava sentada
na cama, os olhos abertos… mas distantes. Como se ainda estivesse presa em
algum lugar que ninguém mais conseguia alcançar.
A porta se abriu
suavemente, o homem entrou sem pressa.
— Jean.
Ela não respondeu.
— Meu nome é
Charles Xavier. - Um leve movimento. Quase imperceptível.
— Eu sei que você consegue me ouvir. - Silêncio.
Ele se aproximou um
pouco mais, mantendo a voz calma, firme… como se cada palavra fosse
cuidadosamente escolhida para não quebrar algo frágil.
— O que aconteceu
com você… não foi apenas um acidente.
Os olhos dela
tremeram.
— Foi… alto… — a
voz saiu baixa, arranhada, como se não fosse usada há dias. — Eu ainda… ouço…
Xavier assentiu,
sem surpresa.
— Eu imagino que
sim. Sua mente… foi aberta de uma forma muito abrupta.
Jean piscou
devagar, como se aquilo doesse.
— Eu… morri? - A
pergunta veio simples. Direta.
Xavier respirou
fundo antes de responder.
— Não, Jean. Você
está viva.
Ela demorou alguns
segundos para processar. Ou talvez estivesse tentando acreditar.
— Não parece…
Ele se aproximou
mais um passo.
— Porque você não
esteve apenas dentro de si mesma.
Agora, os olhos
dela finalmente focaram nele.
— Você sentiu outra
mente. Outra consciência. E quando ela… se foi… você ficou presa na
experiência.
Os dedos de Jean se
fecharam no lençol.
— Eu não consegui
sair…
— Eu sei.
Pela primeira vez,
havia algo mais na voz dele. Não só calma — compreensão.
— Você não
enlouqueceu, Jean.
Ela o encarou, com
algo entre medo e esperança.
— Então… o que está
acontecendo comigo?
Xavier estava
tentando falar sem assustar e pausou por uns instantes e ficou em silêncio.
— Você é uma
mutante.
O silêncio que
seguiu foi diferente. Mais denso.
— Isso quer dizer…
que eu sou um monstro?
— Não. — a resposta
veio imediata. — Quer dizer que você é diferente e poderosa. Tem dons únicos.
— Eu não quero
isso… - Ela disse desviando o olhar.
— Eu sei que não
pediu por isso. — ele suavizou o tom — Mas isso não muda quem você é. Só
significa que agora você vai precisar entender… e aprender a controlar. Jean
engoliu em seco.
— Eu matei ela?
- Não! Infelizmente
sua amiga Anne foi vítima de um acidente de carro. Uma fatalidade que
traumatizou você também. Mas Jean, você não é culpada.
- Você disse que eu
sou um monstro mutante.
- Somos iguais,
somos mutantes. Mas não somos monstros. Apenas podemos ouvir as mentes das
pessoas. Assim como estou fazendo agora
com você. Isso se chama Telepatia e esse som torna você uma pessoa muito
especial. – Xavier havia falado mentalmente com Jean e apontou para a
cabeça.
- Eu derrubei
aquelas pessoas todas. As empurrei com muita força. E se eu machucar alguém? –
Jean falava confusa e preocupada.
Xavier se aproximou
o suficiente para que ela não precisasse levantar a voz.
— É exatamente por
isso que eu estou aqui. Ela hesitou.
— Por quê?
- Você precisa de
um treinamento.
- Igual no
baseball?
- Digamos que sim.
Você precisa se conhecer e assim conseguir treinar de forma adequada.
- Por que você está
aqui?
Um pequeno sorriso
surgiu.
— Porque eu conheço
seu pai, John Grey. Há alguns anos nós trabalhavamos juntos na universidade.
Os olhos dela se
arregalaram levemente.
— Você conhece o
meu pai? – Jean sentiu um pouco mais de segurança ao perceber que aquele homem
era amigo de seu pai.
— Conheço. E quando
soube do que aconteceu com você… eu entendi imediatamente que isso estava além
do que os médicos daqui poderiam explicar.
Jean voltou a olhar
para as mãos.
— Eles acham que eu
estou… louca. Posso ouvir eles.
— Eles não têm as
ferramentas certas para te compreender. -Ele fez uma breve pausa antes de
continuar — Mas eu tenho Jean.
Jean levantou o
olhar, dessa vez com mais atenção.
— Eu posso te
ensinar, Jean.
Silêncio.
— Ensinar… o quê?
— A se proteger. A
organizar seus pensamentos. A separar o que é seu… do que vem dos outros.
Ela respirou fundo,
como se aquilo fosse pesado demais para aceitar de uma vez.
— E isso… vai fazer
parar?
— Não
completamente. – Xavier tentou ser honesto.
Ela fechou os
olhos, como se esperasse essa resposta.
— Mas vai fazer com
que você pode me ensinar a não ficar mais assim como eu estava? – Ela disse com
um olhar apreensivo e com medo.
— Sei que está
ansiosa e essa é uma resposta que não posso lhe dar agora. Mas eu proponho
aulas particulares como falei com seu pais. Um acompanhamento direto, só nós
dois. No começo, vai ser difícil… mas você não estará sozinha nisso.
Jean demorou a
responder. Quando falou, a voz saiu mais firme.
— Você promete… que
eu não vou ficar presa daquele jeito de novo?
Xavier sustentou o
olhar dela.
— Eu prometo que
vou fazer tudo ao meu alcance para que você sempre encontre o caminho de volta.
Os olhos de Jean
marejaram, mas dessa vez… ela não parecia distante.
Pela primeira vez
em dias, ela estava ali. Lúcida.
— Então… — ela
sussurrou — você pode… me ensinar a não ouvir essas vozes?
Um pequeno aceno de
cabeça.
— Posso, Jean. Isso
eu posso, ao menos por enquanto.
E, naquele quarto
branco e silencioso… pela primeira vez desde o acidente… ela não parecia
completamente sozinha.
Xavier havia posto
suas mãos nas têmporas de Jean e bloqueado parte do desenvolvimento mutante
dela.
Em uma outra sala
agora apenas com Jhon e Elaine ele explicara o ocorrido.
- Jhon, meu caro
amigo, sinto em dizer que suas suspeitas estavam certas. Ela é uma mutante!
- Não! Ela é só uma
criança... – Lamentava Elaine.
- É muito raro o
gene x avançado manifestar em pessoas dessa idade mas acredito que devido ao
trauma e a ligação que as duas meninas tinham acelerou o processo que costuma
acontecer apenas na puberdade.
- Charles, o que
que isso quer dizer?
- Que sua filha é
especial.
- Assim como eu.
- Ela é uma
telepata mesmo?
- Talvez mais forte
que eu, pois ela também é telecinética.
- O que eu devo
fazer Charles? Isola-la?
- Jhon! Estamos
falando da nossa filha! Ninguém vai isolar a minha filha!
- Não vamos
isolá-la. Talvez ela queira agora no início por conta das vozes. Vocês mesmos
presenciaram o que aconteceu com ela descontrolada.
- Charles os
militares vão querer a minha filha?
- Jhon você não
está me escutando? Ninguém vai isolar Jean e os militares não irão levar a
minha filha!
- Elaine isso é um
risco real! Você não tem ideia do que fazem com crianças mutantes!
- Está querendo me
assustar?
- Senhora Grey,
acalme-se. Sei que vocês estão passando por muita coisa, mas vamos pensar no
que é melhor para Jean nesse momento. Eu estou montando uma escola para jovens
superdotados com habilidades especiais com Jean. Estou visitando orfanatos
pelos país para encontrar e treinar essas crianças para que elas possam serem
treinadas de forma correta.
- O que? Você está
recrutando crianças órfãs? – Disse Elaine indignada – Minha filha não é órfã!
Ela não vai sair da minha casa! Jean vai ficar com a família dela! Não vai ter
militar ou mutante que tire a minha filha de mim ouviu bem!
- Compreendo sua
dor senhora grey...
- Você tem filhos
Charles? Se não, não faz a menor ideia do que eu estou sentindo.
- Elaine acalme-se,
Charles está tentando nos ajudar.
- Ele quer levar a
nossa filha Jhon e você parece que concorda.
- Não é isso
Elaine. Há algumas horas Jean estava imobilizada, quer ver a nossa filha assim
novamente? – o casal se olhou com cumplicidade, afeto e medo. Então Jhon
abraçou Elaine e disse. – Estamos tentando encontrar uma solução para essa
situação.
- Elaine eu não estou
tentando tirar sua filha do seio da família dela. Mas você precisa concordar Jean
precisa de psicoterapia específica. Ela precisa aprender a controlar e usar
seus dons com segurança. – disse Xavier.
- Ela é só uma
menina que precisa da mãe. – Elaine agora chorava nos braços de Jhon.
- Sim ela precisa.
Então faremos sessões semanais de terapia domiciliar. Isso você me autoriza?
- Dessa maneira
sim! Você pode vê-la em nossa casa.
Os três concordaram
que essa seria a maneira de Jean iniciar o tratamento.
Já era a noite da
vidara do milênio. Todos ansiosos para aquela data histórica. Todos se
divertiam e faziam contagem regressiva mas Jean estava muito sensível naquela
noite. Ela conseguia ouvir todos os pensamentos.
- Alguém faz isso parar! - Ela pensava sozinha em meio a pensamentos de
tantos seres fazendo a contagem. Até que ela gritou: ALGUÉM FAZ ISSO PARAR!
O quarteirão todo
faltou energia. O que permitiu as luzes dos fogos mais belas. Relógios param de
funcionar e computadores reiniciaram. Todos acreditaram que era o Bug do
milênio. Mas na verdade era apenas mais uma crise de enxaqueca de Jean
Grey. A Depressão estava lhe consumindo.
Os dias passavam e Xavier a visitava porém, não haviam muitos progressos. A
menina apenas queria ficar isolada em seu quarto e as vezes mal penteava o
cabelo. Suas rotins escolares foram ficando de lado e Jean já não tinha mais o
brilho que tinha antes.
Oi, sou eu a Jean.
Você já ouviu falar no “O Gato de Schrödinger”? Esse é um famoso experimento
mental de física quântica, proposto em 1935, onde um gato em uma caixa fechada
está, teoricamente, vivo e morto ao mesmo tempo (superposição) até que a caixa
seja aberta e o estado observado. Como podem ver foi assim que eu me tornei uma
aberração! Igual ao gato morto-vivo.
E por conta disso
me tornei a primeira aluna do Instituto Xavier para Jovens Superdotados. Mesmo
antes da escola existir formalmente. O Professor Xavier vinha me visitar todos
os dias. Quando percebeu que eu não tinha nem idade e nem maturidade para lidar
com a minha telepatia, ele decidiu sem consentimento meu ou dos meus pais, a
simplesmente bloquear a minha telepatia até que eu tivesse idade, maturidade ou
treinamento adequado ou os três para ele desbloquear. Isso evita que eu
enlouqueça. Já fazem 5 anos que isso aconteceu.
As paisagens de Annandale
vão passando pela janela do carro de papai. Nossa viagem vai percorrer cerca de
umas 50 milhas é cerca de 60 à 90 minutos pendendo do tráfego. E em menos de
duas horas minha vida muda mais uma vez.
Agora que eu já
tenho idade para dirigir eu decidi aceitar o convite do Professor Xavier e
participar da primeira turma do Instituto Xavier para Jovens Superdotados. O
Campus fica em Salem Center, Condado de Westchester, Nova York.
E é lá que a minha
vida recomeça, agora como uma mutante consciente.
Mutantes...Será que
nós somos o próximo estágio da evolução?
Eles chamam a gente
de “Filhos do Átomo”. Um nome bem dramático, eu sei. Parece título de filme de
ficção científica dos anos 60. Mas a ideia é simples: a gente nasceu diferente.
Evolução, gene X, essas coisas que fazem os adultos parecerem muito
inteligentes enquanto tentam explicar por que têm medo da gente.
Eu não tive muito
tempo pra teorias quando tudo começou. Um dia, eu era só uma garota normal… no
outro, eu estava sentindo coisas que não eram minhas. Dor, medo… o último
suspiro de alguém. Foi assim que meus poderes despertaram. Nada de luz
brilhante ou música épica, só um silêncio estranho e pesado que nunca mais foi
embora completamente.
Aí entrou o
Professor Xavier, com aquele jeito calmo que dá vontade de confiar (e às vezes
desconfiar também, mas isso você não ouviu de mim). Ele disse que podia me
ajudar. E ajudou. Ou pelo menos tentou, porque controlar a mente… não é
exatamente como aprender matemática.
Existem mais 4
alunos da escola, mas o Professor fala que eu fui a primeira.
Enquanto os meus
pais conversam com o Professor, eu observava os detalhes da arquitetura da sala
até alguém vir correndo pelo corredor em direção a escada e esbarrar em mim.
- Desculpe! – Você está
bem?
O Rapaz era alto e
magro, ficou visivelmente envergonhado por ter me derrubado e estava me
ajudando a levantar.
- Estou bem sim.
A gente se encarou
alguns segundos, uma tensão diferente de tudo que eu já havia sentido estava
presente ali. Ele estava encabulado e com a boca semiaberta, quase incrédulo.
Então sorri e me apresentei.
- Oi, me chamo Jean
Grey. Eu vou estudar aqui.
Ele estendeu a mão
e abriu um sorrido mais espontâneo e honesto.
- Scott... Scott
Summers. É um prazer lhe conhecer.
Foi a primeira vez
que ele pegou na minha mão. Levou até a boca e beijou suavemente e depois
sorriu. Fiquei um pouco sem graça. Os jovens não costumam fazer isso hoje em
dia.
- Vamos ser da
mesma turma.
- Como pode ter
certeza? Esse Campus é enorme.
- Só temos uma
Turma.
Enquanto a gente se
encarava três garotos desciam as escadas chamando por ele.
- Scott por que
está demorando? A gente vai começar a jogar sem você. Disse um rapaz mais novo.
- É que encontrei a
nova aluna. Pessoal essa é a Jean Grey. Jean, esses são Hank McCoy, Warren
Worthington III e Bobby Drake.
Eu não sabia
explicar exatamente o que tinha acontecido naquele corredor. Foi tudo muito
rápido. Talvez tenha sido só um esbarrão. Talvez só um olhar a mais do que o
normal. Mas, por um segundo… foi como se o mundo tivesse parado e tudo que
restou fosse aquele instante entre mim e Scott Summers. Ele é bonito.
Enquanto os outros
riam, discutiam sobre o tal jogo e me incluíam ali como se eu sempre tivesse
pertencido àquele lugar, algo dentro de mim… respondeu. Um sussurro, quase imperceptível.
Não era como antes não era dor, nem caos. Era diferente. Mais suave… mas ainda
assim estranho. Familiar demais para ser ignorado.
Eu sorri, tentando
parecer normal. Tentando ser só mais uma garota nova começando em uma escola
nova. Mas, no fundo… eu sabia. Nada ali era comum. Não depois do que eu vivi.
Não depois do que eu senti.
E, enquanto
subíamos juntos pelas escadas, com vozes ecoando pelo corredor e o futuro se
abrindo diante de mim… uma única certeza se formava, silenciosa e inquietante:
Aquilo era só o começo.
E foi assim que eu entrei para a primeira turma de alunos do Instituto Charles Xavier para Jovens Superdotados, mais conhecidos como os X-Men.
E quem sou eu? Eu
sou Jean Elaine Grey, Mutante Telepata e Telecinética. Uma Garota normal com
poderes extraordinários.



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