Título: Divisão Criminal Mutante. Capítulo XVIII: IMPACTO PROFUNDO

Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.

Status: Fic em andamento, Multi-capítulos

Tipo: Romance, Policial, Suspense.

Base: X-men animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)

 

IMPACTO PROFUNDO

 

 

O impacto da explosão ainda vibrava nas paredes quando o silêncio começou a se impor pesado, quebrado apenas pela respiração irregular de Jean.

Bobby olhava ao redor, atônito.

— Eu… eu nunca vi nada assim — murmurou preocupado — Scott… você tem noção? Se ela perde o controle de verdade… a Jean pode ser uma mutante acima do nível alfa. Nunca vimos isso antes.

Scott mal ouviu. Toda a sua atenção estava nela. Ele se levantou rapidamente e foi em direção a ela. Levantou-a e percebeu que ela estava muito quente.

- Jean... Olha pra mim eu estou aqui.

Jean tremia nos braços dele, o choro vindo em ondas descompassadas, quase sufocantes. Ao mesmo tempo em que parecia querer se afastar, agarrava-se a ele como se fosse a única coisa que ainda a mantinha ancorada.

— Jean… eu estou aqui, meu amor… eu estou aqui.

Bobby observava em silêncio. Aquilo não era a Jean que ele conhecia. A mulher sempre controlada, racional… simplesmente não estava ali.

Scott a apertou com mais cuidado, tentando estabilizar a respiração dela.

No começo, Jean resistiu o corpo rígido, a mente em colapso até que, aos poucos, cedeu. Afundou contra o peito dele, como se finalmente não tivesse mais forças para lutar.

O choro veio mais forte. Desesperado.

Scott inclinou a cabeça e beijou os cabelos dela, protegendo-a quase instintivamente.

— Eu estou aqui com você… você não está sozinha.

— Por que? — a voz dela falhava entre soluços — por que fizeram isso com ele? Por que ele?… Por que ele morreu sem falar comigo?

Ela se agarrou à camisa de Scott, escondendo o rosto em total desespero.

— Não é sua culpa, Jean. Não é sua culpa…
Scott abraçava Jean querendo diminuir o sofrimento que ela sentia. Se pudesse sentir aquela dor no lugar dela... Ele faria...
Jean levantou o rosto encarando Scott, seu olhos em prantos e com a expressão de uma criança perdida que não sabia mais o que fazer. Ele encostou a testa na dela pois não havia mais nada a falar apenas sentir.
Foi quando ela fechou os olhos que ele sentiu que o corpo dela cedeu de repente, como se toda a energia tivesse sido drenada. Então ela desmaiou. Scott a abraçou com mais cuidado até perceber algo diferente. O pulso de Jean parecia perder a força então ele encostou o ouvido no peito dela.

— Bobby — chamou, urgente — Ela está muito quente mas o coração não está batendo. Precisamos leva-la ao Dr Allan. Alguma coisa aconteceu com a Jean. Ele disse enquanto carregava Jean.

Eles rapidamente chegaram ao carro de Scott. Perceberam que todo o quarteirão havia sofrido com o impacto da explosão que Jean havia criado.

- Scott o estrago aqui fora foi tão grande quanto lá dentro.

- Liga para a Ororo agora!

 

No carro Scott dirigia e Bobby estava segurando Jean no banco de trás. Bobby ligava para Ororo.

- Ororo o Summers quer falar com você mas só pode ser no viva voz.

- Agente Munroe, aqui é o agente Summers. Aconteceu uma explosão que atingiu 5 quarteirões. Um incidente com mutante.

- Agente Summers, você sabe quem é o mutante?

- Sim. A Agente Grey.

- Meu Deus! Ela está bem? – Ela disse preocupada com a amiga.

- Ainda não sabemos. Eu e o Drake estamos levando ela para o hospital. – Ele disse tentando se acalmar – Você está no comando da Divisão para essa urgência. Foram 5 quarteirões. Sinto que a divisão do Stryker vai aparecer e você vai estar no comando. Não acredite nele. Eu sou seu superior e isso é uma ordem! Não acredite nele você me entendeu! – ele foi incisivo – Estou ligando do celular do Drake para não rastrearem essa ligação.

- Certo Agente Summers. O que mais preciso saber?

- Tudo sobre o Stryker. – Ele disse com ódio - Precisamos prendê-lo. Foi ele quem matou o pai da Jean.

- Pela Deusa! – Ororo ficou em choque por alguns segundo mas se recompôs – Certo agente Summers, farei o que for possível.

- Scott acho que você tem que falar com o seu pai. O Xavier é um telepata experiente.

- Ele já sabe Bobby.

Nesse momento Bobby se transformou em sua versão de homem-de-gelo.

- Como pode o coração dela não estar batendo e ela estar tão quente? Quando o coração para de bater o corpo esfia mas ela só está ficando cada vez mais quente.

- Não sei. Mas essa explosão chamou atenção de muita gente.

O celular de Jean começou a tocar.
Eles ficaram surpresos.

- Tá tocando o celular dela. Eu atendo Scott?

- Depende, quem é?

- O contado diz: Enfermeiro Guilherme.

- É o enfermeiro do Warren. Coloca no viva voz eu falo com ele.

- Dra Grey tenho notícias do seu amigo.

- Guilherme, sou eu o Scott você está no hospital?

- Preciso falar com a Dra Grey, é urgente!

- Guilherme você sabe que eu sou o namorado dela e também amigo do Warren lembra? – Scott falou tentando manter a calma – Nesse momento Jean está desacordada e eu estou a levando para o hospital. Estou há três quarteirões por favor coloque a emergência para recebe-la.
Guilherme ao receber a notícia tentou agilizar no hospital.

- Vai chegar um paciente preparem a maca – ele parecia avisar alguém – Sinto muito pela Dra Grey. Scott, ainda preciso falar do Sr Worthington.

- O que aconteceu com o Warren?

- Aconteceu uma explosão há pouco e ele acordou... Eu precisava avisar a Dra Grey.

- Ao menos uma notícia boa. Estou chegando. – Disse Scott mais calmo. 

 

Hospital

 

Jean foi entregue a equipe médica e levaram-na para a UTI.

Scott e Bobby aguardavam mais informações da equipe médica quando o enfermeiro Guilherme se aproximou discretamente como se quisesse esconder sua presença ali.

- Ei Scott... vem aqui. – Ele chamou para uma sala que aparentava ser dos serviços gerais. Scott e Bobby se olharam e acharam estranho aquele comportamento.

Scott foi sozinho. Bobby ficou observando o movimento do corredor.

- Oi Guilherme. Por que está agindo assim? 

- A Dra Grey sempre me avisou que isso poderia acontecer. O Dra Allan não está de plantão hoje. Há pouco aconteceu uma explosão que afetou os gerador do hospital... céus não imaginei que aconteceria tudo ao mesmo tempo. - Ele falou preocupado.

- Warren está bem? Ainda não pude vê-lo.

- Levaram ele Scott. Sem autorização do pai dele.

- O que? Para onde? Para onde levaram ele?

- Não sei. A Dra Grey veio aqui há algumas semanas e bem, sempre fomos próximos. Ela desabafou comigo o que aconteceu com os sobrinhos.  Foi então que eu achei o nome das crianças sequestradas junto com os sobrinhos dela e mostrei a ela, achei coincidência demais. As outras crianças tinham os mesmo nomes dos doadores de célula-tronco para o Sr Worthington. Mas isso não foi um pedido do pai dele. Foi um pedido de uma pessoa chamada Nathaniel Essex. Dizia que era um médico aqui mesmo do hospital mas não temos ninguém com esse nome aqui no quadro de funcionários. Achei suspeito e avisei a ela.

- Está me dizendo que o DNA das crianças sequestradas foi colocado no Warren?

- Sim!

- Só falei isso a Dra Grey. Pois o Sr Worthing está praticamente dopado por antidepressivos. E o psiquiatra sugeriu que ele fosse para um retiro por uma semana. Você sabe que ele não se afastou do filho ao longo desse tempo todo. Isso tudo me pareceu armação. Liguei para  ela por ser uma pessoa confiável e uma agente federal.

- Ela não me falou.

- Não tínhamos muita informação. Mas Scott. É muito suspeito.

- Certamente. Vou investigar esse tal de Nathaniel Essex eu mesmo.

- Scott, não para por ai. A empresa dele pegou Warren assim que ele despertou. Por isso liguei para a Dra Grey. Acho que sequestraram ele.

Scott estava tentando processar todas as informações.

- Vou chamar os agentes e investigar isso agora. – Ele falou seguro – Jean está na uti agora, fica de olho nela e me mantem informado por favor.

- Ainda não acabou.

- Como assim?

- Nathaniel Essex é o nome do médico que está com a Jean.

- O que? – Ele disse assustado.

- Ela não está na UTI. Levaram ela para a sala de cirurgia. Está trancada. Não pude entrar. Por isso vim aqui com você. Receio que o medo da Dra Grey foi executado. Estão fazendo experiências com mutantes... Com os dois.

Scott juntava todas as informações e o quebra-cabeça havia se formado bem na frente dele. Worren e Jean estavam na mira da mesma pessoa. E só podia ser uma pessoa:

- É o Sr Sinistro... - Ele havia levado Jean direto para o Sr Sinistro sem saber. – NÃO!

- Eu vou voltar para o bloco cirúrgico novamente Scott. Não vou deixar que nada aconteça com ela é arriscado tirar ela de uma cirurgia nesse momento porque não sabemos o que está acontecendo lá. Ela chegou desacordada.

- Ele quer os óvulos dela. - Scott disse irado.

- Para que?

- Experiência genética. Talvez clonagem...

- Não sei se isso te acalma, mas coletar óvulos não é letal. Ela vai ser liberara em meia hora. Eu estarei lá para ela não correr riscos de também ser levada do hospital sem autorização.

- Guilherme me coloca nesse bloco cirúrgico. Eu preciso estar com ela. Pra defende-la. – Ele quase chorando – Ela está em choque e vulnerável. Ela precisa de mim. E eu preciso prender esse cara.

- Você não pode entrar. Mas pode ficar do lado de fora da sala. Vamos.

O Agente Summers e o Enfermeiro Guilherme estavam no lado de fora do bloco cirúrgico enquanto o Agente Bobby Drake ficou na sala de espera. Ele observava o movimento e flertava com um Médico.
- Você tem planos para esse sábado?

- Eu vou estar de plantão. E você não é muito novo para mim?
- Você é bem o meu tipo... Alto. - ele disse piscando - Já disse que sou agente federal?
- Isso funciona com muita gente?
- Só com os inteligentes... 
O Dr Anderson tirou um cartão do bolso e entregou a Bobby.
- Estou trabalhando hoje... Me liga!
- Pode deixar. - Bobby piscou animado.
Então observou uma movimentação diferente na enfermaria. Era um homem de sobretudo e com um botom na camisa: IB.

O agente Drake já sabia exatamente quem era a pessoa. Corsário. Drake se aproximou por trás com segurança e disse:

- Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que você disser pode e será utilizado contra você no tribunal. Você tem o direito a um advogado.

- Agente Drake. Nem o Xavier e nem o Summers me prenderam, não é você que vai me prender.

- Me conhece?

- Pode não parecer mas eu sou um aliado de vocês.

- O que quer aqui Corsário?

- Como está a Dra Grey?

- Graças a você ela está desacordada.

- Por que fala isso?

- Porque foi você que mandou o pendrive com o vídeo da morte do pai dela. Queria levar ela a loucura não é mesmo...

- Eu não mandei para ela, mandei para o Summers resolver isso. Pegar o Stryke... Mas não deu muito certo.

- Você fez ela surtar vendo a morte do pai dela. Eu vou te prender. – Bobby congelou os pés de Corsário.

- Já disse que sou um aliado. Vim a pedido do Worthington que está fora da cidade. Pegaram o filho dele. O Sinistro pegou o filho dele.

- Você não vai sair daqui.

- Você não entende! – Corsário falou nervoso – preciso salvar o Anjo, a Dra Grey e também... o meu filho! E você não pode me impedir. O Summers não me escuta eu precisava mostrar para ele que eu não sou o culpado. Não queria que a Dra Grey ficasse desse jeito. Eu sou aliado da família dela.

- Não vou te soltar. – Bobby falava com convicção.

- Então me escolte Agente Drake. – Ele disse querendo negociar. – Levo você para onde está o Warren.

- Como posso acreditar em você?

- Porque eu preciso da sua ajuda com o meu filho. Você é um agente federal mutante. Vai poder ajuda-lo.

 

A cirurgia de Jean havia sido concluída. Mas todos do bloco cirúrgico estavam desacordados inclusive Scott e Guilherme.

Scott foi o primeiro a despertar. Ele tinha certa resistência.

- Não! - ele despertou já irritado -  Apagaram todo mundo! Guilherme acorda! Acorda agora cadê a Jean?!

- O que aconteceu?

- Apagaram todo mundo. Eu quero ver a Jean agora!

Jean estava em um quarto comum no hospital. Não parecia ter realizado cirurgia alguma.

- Como que ela está?

- Ela precisou ser reanimada. Mas está com os sinais vitais estáveis. Só está dormindo agora.

- Graças a Deus! – Disse Scott mais tranquilo beijando a mão de Jean. Até que a enfermeira disse.

- O que me surpreende foi a realização de uma Punção Ovariana de emergência. Não é um procedimento que se costuma fazer em uma situação assim. – disse a enfermeira lendo o prontuário.

- O que?

Aquilo caiu como uma bomba em Scott. Era real, haviam coletado os óvulos dela. Mas qual o objetivo final?

 

Horas depois longe dali

 

O agente Drake e o Corsário estavam em um galpão parecido com o local do assassinado do pai de Jean Grey.

- Ali. Foi ali que ele fez o laboratório.

- O que ele tá fazendo lá?

- Colocando novas asas no Anjo.

- Como assim?

- O Sr Sinistro faz experiências com mutantes há anos. Ele descobriu uma maneira de implantar novas asas no filho do Worthington. Não sei como ele faz mas consegue todos os dados hospitalares quando mutantes poderosos ficam internados.

- Tem certeza disso?
- Sim. 
Me preocupo pela Dra Grey. Ela sempre aparece nos relatórios.

Alguém observava eles dois e falou alto com convicção:

- Não! Você não se preocupa com ela. - Era Scott, e continuou - Você está querendo perseguir ela como faz comigo. Você vai pagar pelo que fez ela passar!

- Scott, que bom que chegou, estava lhe esperando.

- Congele-o Agente Drake.

Bobby então congelou os pés de Corsário.

- Temos uma ordem de prisão para você Corsário... – Disse Bobby Drake. Ele havia avisado seu superior, o Agente Summers, onde estava e com quem estava.

Scott estava aprendendo a lidar com as suas emoções em relação ao Corsário. Porém, Corsário ficou no caminho de Jean, a mulher que ele ama. Jean hospitalizada ultrapassava todos os limites da sensatez que Scott poderia ter. Ele não esperou mais nada, toda a raiva, dor, medo e traumas que ele associava a existência de Corsário foram maximizadas naquele momento.

- Eu vou acabar com você! 

Então ele começou a agredir o Corsário com violência.

- Você ainda não entendeu Scott. Depois de tudo você ainda não entendeu?

Scott golpeou o rosto de Corsário vária vezes até sua própria mão sangrar.

- Você me perseguiu a vida toda... E agora por sua culpa Jean caiu  nas garras do Sinistro... Eu vou te matar!

- Scott não faz isso. – Disse Bobby. - Não perca a sua razão!

- Eu sou aliado dela. E seu também! Como você chegou no cargo que chegou se não enxerga quem eu sou!

- Não me interessa quem você é! - Scott largou o Corsário e tentou se recompor. - Você é um criminoso procurado. Estou te dando voz de prisão. Espero que apodreça na cadeia... Algemas Agente Drake.

O agente Bobby Drake então algemava Corsário e lhe dava voz de prisão.
- Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo que disser pode e será usado contra você no tribunal.
Foi nesse momento que Corsário então falou:
- EU SEMPRE PROTEGI VOCÊ SCOTT! VOCÊ E O ALEX... – Corsário parou – Eu fiz o que pude... Mas não pude muito.
Ao ouvir o nome do irmão Scott paralisou. Ele tinha pouco contato com seu irmão, mas importava-se o suficiente.

- Do que você está falando? Para de falar do Alex.
Scott por um instante acreditou que o Corsário estivesse ameaçando seu irmão. Mas se deu conta de que não era uma ameaça... Ele mostrava mais intimidade da história da família de Scott do que ele poderia imaginar.

- Ele ficou melhor com a família no Havaí. Longe Longe do Stryker. Longe dos perigos do Nebraska. - Ele hesitou por um instante - Mas você estava em coma... Permaneceu no hospital por dois anos. E eu fui dado como morto... Céus eu tentei tanto te resgatar daquele orfanato.
- Para de falar! - Scott ouvia tudo com medo de para onde aquela conversa estava indo. Ele colocou a mão no visor se preparando para  atacar Corsário.
- O Xavier não consegue entrar na minha mente. Por que nós temos uma certa resistência a telepatia... Ele nunca conseguiu descobrir de fato quem eu sou. E entre você viver em um orfanato ou como um refugiado... Eu preferia te ver sendo adotado pelo Xavier. E quando ele resolveu te adotar eu sabia que ele conseguia te proteger do Stryker.. Do Sinistro..

- PARA DE FALAR!
- Agente Summers não ataque ele. - Disse Bobby ele estava disposto a congelar os dois se tivesse certeza que Scott fosse matar Corsário. - AGENTE SUMMERS NÃO ATAQUE ELE! ELE É UM PRISIONEIRO E ESTÁ IMOBILIZADO.
Scott estava a beira de uma crise de ansiedade. Mas Corsário não iria para de falar. Não agora, não depois de tudo.  

- Eu fiz o que pude para te proteger meu filho. - ele disse quase chorando - Nunca quis te machucar.

- PARA DE FALAR ESSAS COISAS!

Eu Sou o Major Chistopher Summers. Você não se lembra de mim. Por que era muito criança. 

- NÃO! O MEU PAI MORREU EM UM ACIDENTE DE AVIÃO! EU VI!

- Eu sou o seu pai Scott...

- Eu vou te matar por brincar com isso.

- Scott não! Você não pode matar ele. Vamos prendê-lo! – Disse Bobby tentando contornar a situação.

Alguns carros se aproximaram.

- São os homens do Stryker. Ele vai matar a todos nós. - Disse corsário.

Bobby por instinto liberou Corsário do gelo e das algemas. Ele era um agente que tinha instinto. Algo nele acreditava que Corsário estivesse falando a verdade então disse:

- Parem vocês dois! Ou Stryker vai pegar a todos como fez com o Sr Grey. - Bobby fez sinal para o Corsário fugir - Você vem comigo Scott.
- Por que soltou ele? - Disse Scott ainda nervoso e confuso.
- Porque ele é o seu pai. Minha jurisdição é em crimes envolvendo mutantes. Conflitos familiares é outro departamento. Vamos!

Bobby agora fazia um caminho de gelo e apenas levou Scott para longe.
- Por que você fez isso? Ele está escapando.
- Sou seu amigo Scott. Não ia deixar você matar o seu pai.
- Ele não é. Meu pai é o Charles Xavier!
- Acho que isso você tem que resolver na terapia amigão.
- Preciso ver a Jean.
- Pode deixar. Vamos lá.
O Corsário foi resgatado pelos piratas siderais.
- Meu deus o seu rosto está destruído Corsário. - a mulher falava preocupada.
- Ele é meu filho Hepzibah. Ele é durão sabe bater... E também já sabe que é meu filho...
- Fez isso com você mesmo sabendo que é seu filho? Você ainda vai querer proteger esse cara?
- Ele precisa de um tempo. A vida foi cruel com o Scott. E mesmo que ele me rejeite. Precisamos criogeniazar o Sr Sinistro. Ele já pegou o Worthington para fazer o super soldado. Pegou o DNA da Grey que está hospitalizada. Ele quer o Scott para criar o mutante perfeito. Precisamos destruir o Sinistro.
- Não vamos conseguir sozinhos Corsário.
- Agora eu sei a quem pedir ajuda. O Drake e a Grey.
  
  

Hospital

 

Scott no quarto do hospital em que Jean estava o olhar perdido depois de tudo que havia acontecido. Processando tudo que ouviu de Corsário. Ele nem ao menos conseguia chorar. Ela ainda dormia mas foi despertando aos poucos.

- Que lugar é esse? - Ela disse confusa.

- Jean... Que bom que acordou. – Disse ele segurando as lágrimas – Tive medo de perder você meu amor... Tanto medo...

Ela estava assustada. Ele também. Um pode sentir o medo do outro. Nada foi dito. Apenas se abraçaram. O lugar mais seguro para ambos era naquele abraço.

 

Apartamento de Scott – 1:36 A.M.

 

Duas semanas haviam se passado. O apartamento de Jean ainda estava em reforma, e o que deveria ser uma estadia provisória no apartamento de Scott começava, silenciosamente, a se tornar permanente. Nenhum dos dois comentava isso em voz alta mas sentiam. Cada dia que passava, ficava mais difícil permanecer longe um do outro.

O trabalho na Divisão Criminal Mutante estava avançando em muitas áreas e soluções de casos aconteciam e orgulhavam a equipe. Eles evitavam qualquer demonstração pública de afeto no trabalho precisavam manter a ética. Porém o limite era depois do expediente, havia um ritual quase sagrado entre eles que costumava acontecer no caminho para casa: se encontravam no estacionamento, se reconectavam, jantavam, jogavam videogame, então se amavam e só paravam quando o cansaço os vencia seus corpos.

— Você fez de novo — disse Jean, sorrindo, com a voz baixa.

— O quê? — Scott respondeu, distraído, olhando para o teto.

— Me deixou exausta. - Ela disse satisfeita.

Ela riu de leve, apoiada contra ele, o braço atravessando o peito dele. Scott não riu mas gostou de ouvir aquilo.

Havia algo distante no olhar quando ele passava a mão nas costas dela.

— Jean… você já pensou em como veio parar nesse mundo?

A pergunta fez ela se afastar e Jean se sentou na cama, intrigada. Pegou o copo d’água na cabeceira e bebeu um gole antes de responder.

— Como assim? - Ela curiosa com a pergunta continuou bem humorada - Está estudando filosofia? Andando muito com o Hank?

— Seus pais… — ele continuou, ainda olhando para o teto — eles estavam prontos pra ter você? Ou você foi… um acaso?

Jean franziu levemente a testa curiosa com a pergunta então respondeu: 

— Minha mãe sempre disse que fomos planejados.

Scott assentiu devagar.

— Eu não fui.

Agora ela prestava atenção de verdade.

— …

— Não tinha muito o que fazer no Alasca — ele disse, com um leve tom irônico, mas sem humor real. — E as farmácias não eram 24 horas naquela época. Anchorage praticamente incentivava militares a terem filhos.

Ele respirou fundo.

— Eu fui amado… mas, no fim, acabei como aquelas crianças do orfanato.

Jean se aproximou novamente, apoiando as mãos no peito dele, olhando direto em seus olhos.

— Aonde você quer chegar com isso? — perguntou, mais suave. — Você está tentando puxar assunto… ou precisa falar?

Scott demorou a responder.

— Eu fiz uma promessa pra mim mesmo — disse, finalmente. — Nunca teria filhos sem planejá-los.

O olhar dele mudou mais vulnerável.

— Eu queria que fosse diferente. Queria olhar pra eles e dizer: “Você está aqui porque foi amado antes mesmo de existir.”

Jean ficou em silêncio.

— Mas quantos pais fazem isso? — ele continuou. — A maioria descobre e pensa: “E agora?”… e aprende a lidar com a ideia depois.

Ele virou o rosto, agora olhando para ela.

— Eu queria o contrário.

Jean sorriu de leve, pensativa.

— Poucos conseguem isso…

Scott assentiu.

— É… poucos.

Um pequeno silêncio se instalou. Jean o observava com mais cuidado agora havia algo mais ali mais profundo.

— Sempre imaginei — ele continuou — que, quando encontrasse a mulher certa… eu olharia nos olhos dela e diria: “Quero um filho seu.”

Jean não respondeu mas o olhar dela mudou, ficou mais sério sensível. Scott percebeu.

— Eu sei — ele disse, quase se defendendo — parece coisa de terapia mal resolvida. E talvez seja mesmo.

Ele soltou um riso curto, sem graça.

— Mas agora… tudo isso parece distante. Como se não fizesse mais sentido.

— Como assim? — ela perguntou, baixinho.

Scott respirou fundo.

— Você acha que eu sou digno disso?

Jean franziu o cenho.

— Como assim Scott?

— Olha quem é meu pai, Jean — ele continuou, a voz mais dura. — Um homem que traiu o próprio filho. Um criminoso. Um… Corsário.

A palavra saiu carregada.

— Você acha que eu tenho o direito de perpetuar isso?

Jean segurou as mãos dele com firmeza.

— Você está se torturando.

Ele não respondeu.

— Seus filhos não seriam ele — ela continuou. — Você não é ele. Isso não é herança genética, Scott. Se fosse assim, filhos de assassinos nasceriam assassinos.

Ela apertou levemente as mãos dele.

— E a gente prometeu que não ia deixar isso dominar você.

Scott fechou os olhos por um instante.

— Como alguém como ele se tornou isso? — murmurou — Como o Major Christopher Summers virou o Corsário?

Ele abriu os olhos.

— E agora eu tenho que caçar meu próprio pai.

Jean respirou fundo.

— Scott… por que isso agora?

Ele ficou em silêncio.

Então segurou as mãos dela com mais força.

Olhou diretamente nos olhos dela.

— Porque… eu queria que você fosse a mãe dos meus filhos.

Jean congelou por um segundo, não conseguiu responder.

— Mas eu não acho que você deveria desperdiçar sua vida comigo — ele completou. — Eu não mereço isso.

Jean piscou, tentando processar.

— Scott… o que você está tentando dizer?

Ele desviou o olhar.

— Nada. Esquece.

Jean soltou um pequeno riso, nervoso.

— Você está tentando me dizer que quer ter um filho?

Scott abaixou a cabeça, quase envergonhado.

Jean sorriu — dessa vez de verdade, os olhos brilhando.

— Eu não acredito… — disse, divertida. — Não sei como era no Alasca, mas de onde eu venho esse tipo de proposta costuma vir com um jantar, um café… talvez um beijo.

Ela puxou a camisa dele e o beijou.
Scott correspondeu, levando a mão ao rosto dela, acariciando com cuidado.

— Eu só… — ele começou, ainda próximo — estou cansado de ver você fingindo que não se afeta quando vê uma criança… você muda. E finge que não.

Jean desviou o olhar.

— E… depois de quase te perder — ele continuou — eu comecei a pensar no que realmente importa.

A voz dele suavizou.

— Você sempre fez tanto por mim… e eu não queria ser alguém que não te deu nada de volta.

Jean voltou a encará-lo.

— Scott…

— E, sendo bem egoísta… — ele deu um meio sorriso — eu gostaria de mais versões suas por aí. Me sentiria mais seguro.

Jean riu, sem conseguir evitar.

— Eu não acredito nisso…

Mas então… ela mudou o sorriso diminuiu.

— Scott… a gente não pode.

Ele ficou em silêncio.

— Estamos sendo investigados dentro do FBI — ela continuou. — Suspeitam da gente. Sinistro ainda está livre. Ele sequestrou meus sobrinhos.

Ela balançou a cabeça.

— Esse não é o momento pra pensar em aumentar a família.

Scott assentiu devagar.

— Eu sei…

Os dois se olharam. Carregados de sentimentos opostos.

— Eu só sei que… — ele começou, hesitando — eu queria.

Jean não respondeu mas também não se afastou.

Os dois entenderam exatamente o peso daquilo.

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