CAPÍTULO 6 – NEM SEMPRE SE GANHA
O sol já começava a
cair sobre os jardins da mansão quando Scott Summers encontrou Warren
Worthington III encostado na varanda, observando o horizonte.
Por alguns
segundos, Scott apenas ficou ali.
Depois falou:
— Posso te
perguntar uma coisa?-
Warren virou
levemente o rosto.
— Claro.
Scott se aproximou,
apoiando-se no parapeito.
— Por que você saiu
da sua zona de conforto? Você podia… viver como herdeiro. Ter tudo fácil.
Warren soltou um
pequeno suspiro.
— Eu tenho tudo
fácil.
Scott ficou em
silêncio.
— E é exatamente
por isso que me incomoda — continuou Warren. — A maioria das pessoas na minha
posição… não questiona.
Ele cruzou os
braços.
— Eu gosto dos
privilégios, não vou mentir. Conforto, acesso, liberdade… mas isso não apaga o
fato de que o mundo é profundamente injusto.
Scott olhou para
frente.
— Eu senti isso. Primeiro
como humano… depois como mutante.
Warren assentiu.
— Eu imagino.
— Não, não imagina.
Você não faz ideia. — respondeu Scott, sem agressividade. Só… direto e olhou
para a janela reflexivo.
Silêncio dominou o
espaço e Warren ficou pensativo, mas aceitou.
— É eu realmente
não faço ideia... Mas viver em New York muda um pouco sua visão.
Scott virou o
rosto.
— Como assim?
— Nova York faz parte da BosWash, é a primeira Megalópole* dos Estados Unidos. Acho que do Mundo — Warren fez um gesto amplo. — Tem tudo. O melhor… e o pior.
Megalópole* O termo foi criado para
definir a união física (conurbação) de várias metrópoles, formando uma
"cidade gigante". A primeira megalópole do mundo foi a BosWash,
localizada no nordeste dos Estados Unidos. Embora outras áreas urbanas densas
existam, a BosWash foi a primeira a ser reconhecida com essa configuração
técnica na era moderna. Ela conecta as metrópoles de Boston, Nova York, Filadélfia,
Baltimore e Washington D.C., estendendo-se por cerca de 800 km.
— Eu frequento
ambientes luxuosos… mas sempre me interessei pela cultura underground. - Ele
caminhou até uma mesa próxima e pegou um CD. — Tipo isso.
Scott pegou o
objeto. Era um CD do System Of a Down, Toxicity*.
O álbum Toxicity (2001) do System of a
Down é uma crítica feroz ao caos social, à corrupção e à alienação na sociedade
moderna. Com uma sonoridade metal alternativa, o disco aborda temas como
brutalidade policial, o sistema carcerário dos EUA, o impacto ambiental e a
desordem mundial, misturando ironia com mensagens políticas profundas.
— Esses caras
começaram no underground — disse Warren. — Filhos de imigrantes armênios. As
letras deles… me fizeram pensar. Por exemplo "Chop Suey!"
aborda a forma como as pessoas são julgadas e vistas de maneira diferente
dependendo de como vivem e morrem. Ou "Deer Dance", uma crítica
contundente à repressão policial, ao abuso de poder e à violência, um confronto
de jovens idealistas e a força bruta do estado.
Scott observava atento
aos detalhes do CD que parece uma paródia do icônico letreiro de Hollywood. Ele
deu um leve sorriso. Warren continuou:
— Hoje têm
reconhecimento internacional. Eu poderia contratar um show privado… — Mas
prefiro ir como qualquer outra pessoa. Só mais um fã no meio da multidão. Um show
de rock… liberta as pessoas. Não importa quem você é ou o que você tem. Lá…
você é só mais um.
— Já ouvi alguma
coisa deles — disse Scott. — Tocava "Chop Suey!" entre as
músicas do cara do breaking… no Nebraska.
Warren arqueou a
sobrancelha.
— Você faz
breaking?
— Não. Só assistia
eles. Mas curtia muito "Lose Yourself" do Eminem.
Essa música é um hino de coragem para lutar contra as adversidades e
transformar o futuro, mesmo quando as probabilidades estão contra você. O
pessoal do hip-hop também tem essas críticas sociais.
— Então você gosta
de hip-hop.
— Não exatamente. -
Scott respirou fundo. — Era o único acesso à arte que tínhamos no orfanato.
Warren sorriu
levemente com a possibilidade de arte salvando as crianças do orfanato. Ele que
passou a vida tendo aulas de músicas e sabia tocar vários instrumentos, de
guitarra a piano.
— Que bom que eles
ensinavam vocês. A arte salva vidas! – Ele disse seguro.
Scott cortou, ainda
calmo:
— Não ensinavam. Não
tinha aula de artes. — Scott continuou. — Isso é privilégio talvez de escolas
particulares.
O clima foi mudando
com o tom pesado de Scott ao se lembrar do que viveu no orfanato. — A gente
tinha sorte se tivesse duas refeições no dia.
Por mais que Warren
soubesse em teoria que o mundo tinha desigualdade social e que as Worthington
Industries fizessem filantropia para diversos orfanatos. Conhecer
alguém que viera de um mundo tão escasso, foi um choque para o jovem afortunado.
Ficou em silêncio absorvendo. Parecia não querer falar para não interromper.
Talvez aquela fosse a chance de conhecer um pouco mais sobre seu companheiro de
equipe.
— O hip-hop lá…
vinha mais das gangues — disse Scott. — Já ouviu falar?
Warren assentiu,
mais contido agora.
— Já… mas não
assim. - Ele respirou fundo. - Tenho muito a aprender com você.
Scott não
respondeu, mas não negou.
— Posso te fazer
uma pergunta sincera? — disse Warren.
— Pode.
— Você participou
de alguma gangue?
— Não. — Scott
respondeu na hora. — Mas não foi por falta de convite... Acho que por isso
apanhei tanto.
Warren soltou um
leve sorriso.
— Isso explica sua
esquiva. É o melhor da equipe.
Scott deixou
escapar um pequeno sorriso.
— Talvez.
Warren então
inclinou a cabeça, quase provocando:
— Magrão… sabe
fazer C-Walk*?
Scott soltou um
riso curto.
— Já vi muita coisa
nessa vida. Mas um mauricinho como você pedindo isso… é novidade.
— Você sabe ou não?
— Sei.
— Então me ensina.
— Não.
Warren piscou
surpreso.
— Por quê?
Scott respondeu
direto:
— Porque eu sou da Costa
Oeste… e você da Costa Leste.
— Para com isso. O Nebraska
é centro.
Scott sorriu.
— Eu sou do Alaska...
E você é de Nova York.
Warren riu.
— Ninguém vai
saber.
— Eu saberia. E, em
teoria… isso pode ser visto como provocação entre gangues.
Warren arqueou a
sobrancelha.
— Não é exagero?
Scott respondeu
seco:
— Fala isso pro Tupac
Shakur*.
A
rivalidade entre a Costa Oeste e a Costa Leste dos EUA foi um intenso conflito no
hip-hop dos anos 90, focado na disputa entre as gravadoras Death Row Records
(Califórnia/Tupac Shakur) e Bad Boy Records (Nova York/The Notorious B.I.G.); O
conflito levou a morte dos dois rappers nos anos 90.
C-Walk (Crip Walk) é uma dança originada nos
anos 70/80 em Los Angeles, Califórnia, pelos Crips, uma das maiores gangues da
costa oeste dos EUA. Criada como sinal de identificação e para desrespeitar
rivais (como os Bloods), a dança evoluiu de passos de gangue para um estilo
icônico do hip-hop, popularizado por rappers como Snoop Dogg e WC.
Costa Oeste (LA): C-Walk (Crip Walk),
Blood Walk, Hoover Stomp.
Costa Leste (NY/Nova York): Uprocking,
Breaking (B-boying), estilos de rua do Harlem/Brooklyn.
Warren suspirou.
— Tá… ponto pra
você... Achei que era só a dança do Snoop Dogg.
Scott deu de
ombros.
— Cultura de rua
não é só estética.
Warren assentiu.
— Sempre soube que
o hip hop é uma contracultura, surgida como um movimento de resistência e
expressão de jovens negros e latinos na periferia de Nova York na década de
1970. Talvez eu tenha diminuído o
significado do C-Walk por ignorância.
- Acho que para a
maioria acaba sendo só estética mesmo.
— E você? —
perguntou Warren. — O que faz pra se divertir?
Scott pensou.
— Nunca tive muito
tempo pra isso... Mas gosto de pilotar.
Warren sorriu.
— O Professor te
ensinou a pilotar carros?
— Não. Não estou falando
de carros. Me referia aviões.
— Então quem te
ensinou a pilotar aviões? – Warren falou rindo desacreditando na história de um
órfão que saberia pilotar aviões.
Scott respondeu com
orgulho discreto:
— Meu pai... Meu
pai era piloto militar. Major Christopher Summers. Em Anchorage a aviação era
muito presente. Meus pais morreram em um acidente de avião inclusive.
Warren assentiu,
interessado.
- Você conheceu o
seu pai então. Você quer ser piloto como ele?
- Eu já sou piloto.
Aprendi a pilotar monomotores com 8 anos. E o Professor Xavier me matriculou na
escola de aviação assim que cheguei aqui. Tenho a idade mínima para obter o
Certificado de Piloto Privado logo serei também Piloto comercial.
— Acho que temos
isso em comum. Voar é realmente libertador. – Warren falou indicando suas
próprias asas.
- Mas que tal a gente
fazer uma disputa de pilotos?
— Também pilota?
— Me referia a
carros. Ou melhor: Karts.
Scott levantou
levemente a cabeça.
— Nunca andei de
kart.
— Sempre tem a
primeira vez. Era bem comum na minha outra escola os alunos reunirem para corridas
de Kart. Tudo era motivo para apostas lá. Mas é divertido.
- Deve ser.
— Final de semana,
podemos ir nós quatro.
Scott não respondeu
de imediato. Mas assentiu com a cabeça.
O fim de semana
chegou. A pista de kart estava viva com o som dos motores. Os quatro estavam
alinhados.
Capacetes.
Expectativa.
— O perdedor limpa
a Sala de Perigo sozinho! — disse Warren.
— Tô me sentindo
numa corrida do Mario Kart — comentou Bobby.
— Ai
minha Santa Aquerupita… — murmurou Hank — eu vou quebrar esse carro com
as mãos.
Scott sorria confiante.
— Aposta feita,
Worthington.
Largada. Os motores
rugiram.
Hank perdeu o
controle na quarta volta.
— Se fosse futebol
eu ganhava! — gritou, resignado.
Bobby se mantinha
bem… mas não o suficiente.
— Como eles são tão
rápidos?! — murmurou.
Na frente Scott e
Warren. Emparelhados, volta após volta, precisos. Determinados. Até o fim.
Resultado no
cronômetro: Empate.
— Não é possível —
disse Warren.
Scott tirou o
capacete.
— Nós somos bons.
Warren riu.
— Sua primeira vez…
e empatou comigo? Isso é vitória pra você.
Scott não estava
satisfeito, ele queria ganhar.
— Vamos ter que
repetir.
Warren sorriu.
— Com certeza em um
outro dia. - Ele então lembrou - Vamos. Tem um show hoje. Linkin Park com
Jay-Z.
Bobby levantou a
cabeça.
— Aí sim!
Hank ajeitou os
óculos.
— Isso parece…
sociologicamente interessante.
Scott apenas sorriu.
Ele finalmente estava vivendo momentos felizes como um adolescente saudável.
No show que unia
Rock e Hip-Hop eles não eram mutantes.
Nem diferentes. Eram
só quatro adolescentes… Vivendo algo que, por muito tempo, parecia impossível.
Annandale-on-Hudson
Outra vida
adolescente seguia sua normalidade caótica. A sala estava em calma quando Jean
Grey chegou da aula de coral.
Ela parou na porta.
— Professor Xavier?
Sentado com
tranquilidade, como se sempre tivesse pertencido àquele espaço, estava Charles
Xavier.
Ele sorriu.
— Como você está
hoje, Jean?
O rosto dela se
iluminou.
— Eu gosto quando o
senhor vem me visitar.
Xavier inclinou
levemente a cabeça.
— E eu gosto de ver
seu progresso.
Ele então estendeu
um livro.
— Trouxe um
presente.
Jean pegou com
cuidado.
— "The Once
and Future King" (no
Brasil, O Único e Eterno Rei. No filme dos X-Men Outrora e Futuro Rei), de T.H. White, é um
clássico da fantasia que narra a vida do Rei Artur, desde sua infância como
"Wart" até o fim de seu reinado. A obra foca na educação de Artur
pelo mago Merlin, a Távola Redonda, o romance de Lancelot e Guinevere, e a
tragédia final, explorando temas como poder, justiça e a natureza humana. Era o
meu livro preferido na infância.
Ela sorriu.
— Obrigada.
Mas o sorriso durou
pouco. Ela apertou o livro contra o peito.
— Eu… queria falar
com o senhor.
Xavier já sabia.
— Os pesadelos
voltaram.
Jean assentiu, os
olhos ficando mais sérios.
— Há dois dias...
Eu acordei… e parecia que o quarteirão inteiro acordou comigo.
O ar na sala
pareceu mais pesado.
— Meu quarto… tudo
começa a levitar. Não é como quando eu faço de propósito.
Ela olhou ao redor,
nervosa.
— Eu não controlo.
Silêncio.
— E as vozes?
Jean fechou os
olhos por um instante.
— De todos os
lugares.
Ela respirou fundo.
— É como se tivesse…
alguma coisa em mim querendo sair.
Xavier a observava
com atenção absoluta.
Ele sabia... Os
bloqueios estavam falhando.
— E depois? —
perguntou.
— Tudo para —
respondeu Jean. — Como se nada tivesse acontecido.
Ela ergueu o livro
levemente… tentando levitá-lo.
O objeto tremeu instável.
— Mas quando eu
tento fazer algo simples… eu preciso me esforçar muito.
O livro caiu de
volta em suas mãos.
— Isso não faz
sentido.
Xavier respondeu
com cuidado:
— Faz mais do que
você imagina.
Jean o encarou.
— Eu ouvi a mente
da minha mãe... Ela tem medo que eu enlouqueça de novo. Ela tem medo que eu
faça alguma besteira como o incidente na escola. Eles me chamaram de aberração
quando tudo explodiu na quadra de basquete, o diretor ameaçou tirar todos os
troféus do time. - A voz falhou um pouco. — Não quero voltar praquele lugar…
com a camisa de força. Se você não tivesse apagado a mente de todos, eu não
voltaria mais para a escola. Mas ouvir todos eles ao mesmo tempo é uma loucura!
Xavier fechou os
olhos por um segundo. Ele sabia que era um risco real. Ele tinha tentado apagar
as memórias de Jean no dia que ela perdeu o controle em um jogo de basquete e atacou
todos na quadra. Xavier não conseguia mais controlar a distância a telepatia de
Jean. Entretanto, decidiu mais uma vez apagar a mente de todos os humanos presente
no incidente. Apenas Jean se lembrava. Xavier acreditava mesmo que isso era a
melhor coisa para a garota, mas não podia fazer muita coisa a vendo tão pouco
tempo.
— Jean — disse com
calma — seus dons estão crescendo com você.
— Então pode
acontecer? — insistiu ela. – Eu posso enlouquecer?
— Pode.
O olhar dela
tremeu.
— Mas não precisa —
completou Xavier. — Com treinamento adequado… esse risco diminui drasticamente.
Jean respirou
fundo.
— Eu queria ter
mais aulas com o senhor. Nosso treinamento me faz ter controle sobre a minha
mente. Consigo desligar as vozes.
Xavier sorriu
suavemente.
— Tudo ao seu
tempo.
Mas, dentro da
própria mente… Ele já sabia, o tempo tinha acabado. Ele teria que convencer
Elaine Grey a deixar a filha partir.
Dias depois…
O quarto de Jean
mergulhou na escuridão. O pesadelo voltou.
Mais forte e vívido.
O acidente... O som... O grito...
Annie Richardson
morrendo em seus braços.
A sensação de
morte.
Invadindo.
Quebrando.
Jean acordou
gritando.
As paredes
tremeram.
Luzes explodiram.
Objetos se ergueram
no ar como se a gravidade tivesse desaparecido. Um pequeno terremoto no
quarteirão. Escuridão. Os carros todos acionaram os alarmes. Ela agora ouvia todas
os pensamentos das pessoas do quarteirão ao mesmo tempo.
Alguns com medo de
terremoto, outro acreditando que havia tido uma explosão. Sua mãe e seu pai com
medo de algo ter machucado Jean. Sua irmã Sarah tentando esconder o namorado no
quarto pois havia levado ele escondido para casa. O namorado de Sarah em pânico.
A vizinha religiosa falando que era o fim do mundo... Tudo ao mesmo tempo.
Jean abraçou as
próprias pernas. A dor de cabeça intensa. Todos os objetos de seu quarto se
movimentavam quase como um tremor brando. Isso estava se tornando cada vez mais
frequente.
— Eu estou
enlouquecendo…
No dia seguinte, o
mundo parecia… normal demais.
A escola, as
pessoas e as conversas. Jean se despedia de suas amigas.
- Vamos sentir sua
falta Jean. Você é a mais versátil na torcida. Faz todas as posições.
- É Jean, vamos
sentir sua falta. Você pode nos visitar quando formos competir nos campeonatos.
- Vou tentar
acompanhar vocês meninas. – Elas se abraçavam e Jean ouvia os pensamentos de
suas colegas de equipe:
- Ela vai embora e eu vou sentir saudades...
- Será que ela tem algum problema de
saúde? Não é normal alguém ter tanta dor de cabeça...
- Ainda bem que ela vai embora! Chamava
mais atenção que todas nós com esse cabelo ruivo. Mais olhares para mim... Vai
e não volte...
Isso a deixava confusa
e toda vez que ela conseguia ouvir os pensamentos sem controle ela acabava
dissociando e parecendo perdida na multidão.
Mas precisava se
recompor para se despedir de alguém específico.
— Você terminou
comigo e tá indo embora — disse Mathews, tentando esconder a frustração. — Eu
beijo tão mal assim?
Jean suspirou,
paciente.
— Não tem nada a
ver com você.
— Nunca tem. Você
não deixou eu participar da sua vida.
Ela manteve o olhar
firme.
— Foi só uns beijos
em uma festa... A gente não namorava.
Ele desviou o
olhar. Seus pensamentos agora Jean ouvia.
Ela nunca nem se quer me notava, passei
tanto tempo acreditando que ela seria minha namorada... eu sou o capitão da
equipe de futebol, todas as garotas me querem... menos ela... por que?
— Você nem quis
tentar.
Jean foi direta:
— Eu não quero
namorar... Preciso seguir minha vida. - Ela suavizou o tom. — Você vai
encontrar alguém que queira o mesmo que você.
Ele baixou a cabeça
sentindo um misto de raiva e tristeza.
— Adeus, Mathews.
E assim ela se foi.
Sem olhar para trás.
Horas depois…
O quarto estava
quase vazio. Malas prontas, suas memórias encaixotadas.
Sarah Grey a
abraçou forte.
— Você vai ficar
bem — disse Sarah.
Jean tentou sorrir.
— Eu espero que
sim... Eu vou sentir sua falta.
— Eu também.
Elas ficaram assim
por alguns segundos. Até soltar uma da outra.
Do lado de fora, o
carro aguardava. Seus pais já estavam prontos.
Destino: Salem
Center.
Jean entrou no
carro silenciosa. O livro repousava em seu colo. Mas sua mente… Não estava em
silêncio, não mais.
E, em algum lugar
distante Charles Xavier observava uma foto que tinha dele e de Jean Grey ainda
bem pequena. Agora ela já estava moça e estava vindo a caminho do Instituto
Xavier para Jovens Superdotados.
Xavier manipulou o
comportamento de Sarah Grey para permitir que a filha fosse estudar com ele.
Ele sabia que aquela decisão de levar Jean para sua escola mudaria tudo nos
X-Men.
Porque Jean Grey… Nunca
foi apenas mais uma aluna. Ela era algo mais. Era a mente mais poderosa que
Charles já havia sondado. Ele sabia que a mutação de Jean tinha características
semelhantes com a de Bobby, era algo expansivo. Ou outros mutantes que conheceu
sempre encontravam limitações em suas mutações. Mas Bobby parecia não ter. Jean
também, porém Bobby Charles poderia controla a mente. Já Jean, era algo que nem
mesmo ele… conseguia controlar completamente. Talvez nem mesmo ela pudesse
controlar um dia.
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