Título: Divisão Criminal Mutante. Capítulo
XVI: AGENTES FORMADOS
Adequado para o
público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e
menores temas adultos sugestivos.
Status: Fic em
andamento, Multi-capítulos
Tipo: Romance,
Policial, Suspense.
Base: X-men
animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)
AGENTES
FORMADOS
Scott e Xavier: conversas entre pai e filho
Era a véspera da formatura de
Scott. Ele decidiu ir ao hospital visitar Warren Worthington II, seu melhor
amigo.
— Você pode me ouvir? A Jean
disse que provavelmente pode. Já faz dois anos e três meses que você está aqui,
cara… A Moira falou que eu saí do coma depois de dois anos e dois meses… Se eu
consegui, você também consegue! Nós somos mutantes, temos o Gene X… e você é
melhor do que eu. Acorda, Warren… Como vou estar amanhã na formatura sem você?…
Tanta coisa aconteceu… O Bobby invadiu seu e-mail, mas não fica com raiva, foi
bem útil. Você sempre foi inteligente… estava tudo no seu celular. Cara, você
precisa acordar!
Scott segurou a mão do amigo e
continuou:
— Eu juro: agora que sou agente
federal, vou acabar com quem fez isso com você. Você tem a minha palavra!
Nesse momento, alguém entrou.
— Scott, não faça promessas que
não possa cumprir.
— Está duvidando de mim?
— Eu sou a pessoa que mais
acredita em você, filho… Então cumpra. E conte comigo. Pegue isto.
Scott olhou para Xavier e recebeu
alguns documentos: fotos das câmeras de segurança do dia do acidente de Warren,
dois pendrives e fichas criminais.
— O que é isso?
— Você é um agente federal agora,
Scott. Este é o seu primeiro caso.
— Por que não me mostrou isso
antes?
— Porque sua formatura é amanhã.
Você assume o Departamento da Divisão Criminal Mutante esta semana… E, filho…
não confio em ninguém além de você para essa missão. Você é o melhor agente já
formado pela Academia Xavier. E é o meu orgulho.
Xavier colocou as mãos nos ombros
de Scott e sorriu levemente.
— Obrigado, pai.
— Está tudo certo para amanhã?
— Agora que a Moira chegou, sim.
— Ela não perderia isso por nada.
— Xavier o abraçou com afeto. — Venha, tenho uma surpresa para você.
Mais tarde naquela noite, Xavier
organizou um jantar em família. Ele havia decidido adotar Scott não apenas por
afeição, mas também pelo desejo de construir uma família com Moira. Ela fora
terapeuta de Scott por anos e também desejava adotá-lo. Após tantas
dificuldades, finalmente estavam reunidos.
Durante o jantar, Xavier disse:
— Às vezes, a vida traça caminhos
diferentes dos nossos planos, mas o destino nos honra no momento certo. Scott,
você é o filho que sempre sonhei e tive a sorte de ter. Tornou-se um homem que
admiro profundamente, alguém por quem eu daria a vida. Estou muito feliz pela
sua conquista. Um brinde ao meu filho!
No dia seguinte, na formatura, a
família Grey aguardava Jean.
— Filha, seu pai estaria tão
orgulhoso de você!
— Por que diz isso, mãe? Você
sabe que ele não me queria aqui… — disse, com pesar, lembrando da tragédia
envolvendo o pai.
— Jean… já passou da hora de eu
te contar… Seu pai tinha muito orgulho de você, sim.
A senhora Grey entregou uma caixa
com a assinatura “John Grey I.B.”. No mesmo instante, Jean compreendeu: a mãe
sabia de tudo.
— I.B.? Você sabe? Quer dizer…
sabia?
— E agora você também sabe. Você
é adulta, Jean. Escolha suas batalhas. Mas sempre terá uma família para te
acolher.
Divisão Criminal Mutannte 08:00 AM
Duas semanas depois da formatura,
quinze mutantes integravam a Divisão Criminal Mutante. Entre eles: Scott
Summers, chefe da divisão; Jean Grey, agente e perita forense; Bobby Drake,
especialista em investigações virtuais; Ororo Monroe, agente de inteligência; e
Hank McCoy, especialista laboratorial.
Eles eram conhecidos como os
X-Men a única agência governamental
formada exclusivamente por mutantes para resolver crimes envolvendo mutantes.
— Agente Summers, recebemos finalmente
um caso.
— O que temos, agente Drake?
— Um corpo foi encontrado no
Central Park. Parece que um mutante chegou perto demais… e o cidadão acabou…
queimado. Estão dizendo que foi o Pyro.
— O que não faz sentido — disse
Ororo. — Pyro foi preso horas antes por furto. E as digitais não mentem: não é
ele. Mas então… quem foi?
— Envie a agente Grey com a
equipe forense. Temos um caso.
Laboratório de Antropologia Forense 07:00 PM
À noite, Jean ainda trabalhava no
laboratório.
— Ainda trabalhando, agente Grey?
— A maior dificuldade na análise
de um corpo carbonizado é a identificação da vítima, devido à destruição extensa
dos tecidos moles, pele, músculos e órgãos, e à limitação dos métodos
convencionais. O fogo altera ou elimina características físicas e
papiloscópicas e, em casos extremos, degrada o DNA. É um desafio
multidisciplinar. Preciso terminar a coleta e enviar tudo ao laboratório o
quanto antes. Sim, ainda estou trabalhando.
— Você sempre quer parecer
durona.
— Eu não quero parecer. Eu sou. —
Ela finalmente o encarou. — O que quer, agente Summers?
— Você sabe…
— Estou trabalhando. E o meu
superior é louco.
— Eu sou seu superior.
— Exatamente.
— Vou mesmo perder para um
cadáver?
— Você não desiste, não é?
— De você? Nunca.
Jean sorriu, olhou o relógio e
respondeu:
— Uma hora. Se aparecer antes
disso, chamo o RH.
— Você não chamou da última vez…
— Você não está usando EPI. Saia
do meu laboratório agora! – Ela disse fingindo irritação.
Apartamento de Jean 11:00 PM
— Sério, quem faz hora extra no
sábado?
— Já disse: meu superior é louco.
— Louco por você… — disse ele,
aproximando-se no elevador.
Jean sorriu e o beijou
suavemente.
— Se você tentar me agarrar e
derrubar minha comida como da outra vez, eu vou ficar irritada.
— Você nunca vai esquecer isso?
— Nunca.
Já no apartamento, jantavam no
sofá.
— Está tarde. Quer dormir aqui?
— Eu ia voltar para casa, mas
você demorou… Acho que fico.
— Você podia deixar algumas
coisas suas aqui.
— Será que o pessoal sabe… sobre
nós?
— Nunca escondemos.
— Às vezes parece que você me
esconde.
— Eu só tento manter o
profissionalismo, Scott.
— A gente quase não aparece
junto…
— E mesmo assim te pedi para
trazer suas coisas e dormir aqui.
— …
— Fala. O que está te
incomodando?
— Às vezes acho que não sou bom o
suficiente para você.
— Eu só não vou te agarrar no
elevador com comida na mão. — disse, fingindo irritação. — Você sujou minha
blusa favorita de molho!
— Você nunca vai esquecer isso.
— Nunca.
Ela afastou as embalagens, sentou
no colo dele e o beijou. Scott, apesar de agente federal, ainda carregava a
insegurança daquele garoto órfão do Nebraska.
— Você mexe comigo… sempre mexeu.
— Ela o beijava com carinho. — Você me ignorava…
— Agora eu não ignoro… —
respondeu, sorrindo.
— E gosta de mim?
— Muito.
— Como você pode gostar de mim?
— Como eu não poderia? Você é
incrível…
Jean abriu lentamente os botões
da camisa dele, e depois tirou a própria blusa com delicadeza. Scott a
observava, dividido entre desejo e incredulidade. Não era a primeira vez deles mas,
com ela, tudo parecia diferente. E sempre o deixava fascinado.
Ele a tocou com cuidado, como se
quisesse ter certeza de que era real.
— Como você pode ser tão
perfeita? — murmurou, puxando-a para um beijo mais intenso.
Eles se amavam no sofá com
paixão.
Quarto de Jean Grey
O quarto estava silencioso,
iluminado apenas pela luz suave que vinha da janela. A cidade ainda respirava
lá fora, mas ali dentro o tempo parecia desacelerar.
Jean estava deitada com a cabeça
apoiada no peito de Scott, os dedos desenhando distraidamente círculos em sua
pele. Ele a abraçava com firmeza, como se ainda precisasse se convencer de que aquilo
era real e que ela não o abandonaria.
— Você está diferente hoje. Está
muito quieto… — ela comentou, em voz baixa querendo entender.
Scott soltou um leve sorriso,
olhando para o teto.
— Estou pensando.
— Isso nunca é um bom sinal. —
Jean ergueu o rosto para encará-lo. — O que foi agora?
Ele hesitou por alguns segundos,
como se organizasse os pensamentos e então começou:
— É estranho… Eu passei tanto
tempo tentando ser forte, tentando ser o melhor… o agente perfeito, o líder…
que às vezes eu não sei quem eu sou quando não estou fazendo isso.
Jean apoiou o queixo no peito
dele, observando cada expressão dele.
— E quem você acha que é agora?
— Alguém que tem medo de perder
tudo isso. — Ele a olhou. — Você… essa vida… a gente.
Jean ficou em silêncio por um
instante. Depois, se ajeitou melhor, entrelaçando as pernas nas dele,
aproximando ainda mais seus corpos. Então disse com calma:
— Scott… Você não precisa ser
perfeito pra ficar comigo.
— Eu sei… mas...
— Não. — ela interrompeu, firme,
porém suave — Me Escute. Eu conheço suas inseguranças. Eu vejo isso desde
sempre. E mesmo assim… eu escolho você. Meu amor eu escolhi você.
Ele respirou fundo, absorvendo
cada palavra que ela dizia.
— Desde quando entrei na academia
eu vi que você era o cara que carrega o mundo nas costas, mas aqui… — ela tocou
o peito dele — você não precisa carregar nada sozinho.
Scott fechou os olhos por um
instante, encostando a testa na dela.
— Você faz isso parecer fácil…
Jean sorriu de leve.
— Não é fácil. Nunca é, só uma
questão de confiança. E o que a gente sente um pelo outro é real.
O silêncio voltou, mas agora
confortável.
— Sabe o que eu estava pensando
antes de ir te ver no laboratório? — Scott disse, depois de um tempo.
— Hm? Então foi de caso pensado
Ir lá sem EPI?
Ela o olhou com reprovação. Ele
sorriu e a beijou suave.
— Ok, usar EPI. Anotado. Mas já se deu conta que… tudo mudou. Primeiro
caso, responsabilidade real… gente dependendo de mim.
— De nós — corrigiu ela.
Ele a olhou.
— De nós.
Jean assentiu.
— E você não está sozinho nisso.
Nunca esteve.
Scott passou a mão pelo cabelo
dela, com cuidado.
— Eu queria que o Warren
estivesse aqui…
Jean suspirou, o olhar
suavizando.
— Ele vai acordar.
— Você tem certeza ou está
tentando me acalmar?
— Os dois. — ela sorriu de canto
— Mas principalmente… eu sinto isso.
Scott ficou em silêncio, confiando
nela mais do que em qualquer lógica.
— Quando ele acordar… — Scott
começou — a gente vai contar tudo pra ele.
— Inclusive a parte do Bobby
invadindo o e-mail? — Jean arqueou a sobrancelha.
Scott riu baixo.
— Essa parte talvez a gente
edite.
Jean riu junto, apoiando
novamente a cabeça nele.
— Scott…
— Hm?
— Independente do que vier agora…
casos, perigos, essa divisão… — ela fez uma pausa — não deixa isso afastar a
gente.
Ele respondeu sem hesitar:
— Não vou.
Ela levantou o rosto mais uma
vez, olhando diretamente nos olhos dele, como se avaliasse a verdade por trás
da promessa.
— Promete mesmo?
Scott segurou o rosto dela com
cuidado.
— Eu prometo tentar todos os
dias.
Jean sorriu, satisfeita com a
honestidade.
— Melhor resposta impossível.
Ela o beijou de forma suave, sem
pressa, e voltou a se aninhar em seus braços.
Dessa vez, Scott não pensava no
futuro, nem no peso das responsabilidades.
Pela primeira vez em muito tempo…
ele apenas ficou.
E isso era suficiente.
Laboratório de Antropologia Forense 06:00 AM
O corpo carbonizado já havia
passado por múltiplas etapas de análise. Mesmo com a destruição severa dos
tecidos, ela havia conseguido preservar fragmentos ósseos e amostras internas
protegidas do calor direto.
Hank entrou, segurando um tablet.
— Você não dormiu, né?
— Tive uma noite maravilhosa. Mas
a ansiedade de concluir isso me tirou da cama as 5h — respondeu Jean, sem tirar
os olhos da tela do microscópio digital.
— Conseguiu alguma coisa?
Jean respirou fundo e finalmente
se virou.
— Consegui mais do que esperava.
Ela ampliou uma imagem na tela.
— O padrão de carbonização não é
uniforme. Há pontos de ignição concentrados, o que sugere controle direcionado
de calor, não uma combustão caótica.
— Ou seja… — Hank começou.
— Não foi um surto. Foi
intencional.
Jean abriu outro arquivo.
— E mais: encontrei resíduos de
queratina parcialmente preservados e microfragmentos celulares suficientes para
extração genética.
Hank arregalou os olhos.
— Você conseguiu DNA disso?
— Parcial. Mas suficiente para
comparação.
Ela cruzou os dados no sistema.
— A vítima não tem antecedentes.
Civil comum. Mas olha isso…
Ela girou a tela para Hank.
— Traços genéticos indicam
exposição prévia a mutação energética… provavelmente contato frequente com um
mutante.
— Então ele conhecia o agressor?
— Ou convivia com alguém assim.
Antes que Hank respondesse, o
celular de Jean vibrou.
— Grey.
A voz de Scott veio direta:
— Temos um suspeito em movimento.
Ororo localizou uma assinatura térmica anormal na zona portuária.
Jean estreitou os olhos.
— Intensidade?
— Alta. Muito alta.
Ela pensou rápido.
— Cuidado, Scott. O padrão não é
instável. Ele sabe o que está fazendo.
— Então vamos garantir que ele
pare.
Porto de Nova York
Na zona portuária, o ar parecia
distorcer com o calor.
Contêineres apresentavam marcas
de fusão, metal retorcido como cera.
Ororo estava alguns metros à
frente de Scott, olhos atentos ao ambiente.
— Ele está aqui — disse ela, em
tom firme. — Consigo sentir a alteração térmica na atmosfera.
De repente, uma explosão de fogo
cruzou o corredor entre os contêineres.
Scott ativou o visor
imediatamente.
— Contato visual!
Um jovem emergiu das sombras,
envolto por chamas que não o consumiam.
Seus olhos brilhavam em um tom
alaranjado intenso.
— Fiquem longe! — ele gritou.
Ororo avançou um passo.
— Não queremos machucar você.
— Mentira! Vocês sempre fazem
isso!
Outra rajada de fogo veio, mais
intensa.
Scott desviou e respondeu com um
disparo óptico controlado, atingindo o chão à frente do mutante, criando distância.
— Escuta! — Scott gritou — Se
quisesse te derrubar, já teria feito!
O jovem hesitou por um segundo.
Tempo suficiente.
Ororo ergueu as mãos, e o ar ao
redor mudou. A umidade condensou rapidamente, formando uma pressão súbita.
— Agora, Scott!
Ele ajustou o visor para um feixe
preciso, atingindo um ponto lateral, desestabilizando o equilíbrio do rapaz sem
feri-lo diretamente.
No mesmo instante, Ororo liberou
uma descarga de vento concentrado, apagando parcialmente as chamas e derrubando
o mutante no chão.
Em segundos, Scott já estava
sobre ele, imobilizando seus braços.
— Acabou.
O jovem ainda tentou reagir, mas
o fogo diminuía progressivamente.
— Vocês… não entendem…
Scott travou as algemas
especiais.
— Então me explica.
O garoto respirava com dificuldade.
— Ele… ele merecia…
— Quem?
Silêncio.
Ororo se aproximou, mais
observadora que ameaçadora.
— Qual é o seu nome?
O jovem hesitou, mas respondeu:
— Daniel…
Scott trocou um olhar rápido com
Ororo.
— Sobrenome?
Mais um segundo de resistência…
até que ele cedeu:
— St. John.
O silêncio pesou.
Scott franziu o cenho.
— St. John… como—
— Meu pai. — o garoto
interrompeu, com um misto de raiva e dor — Pyro.
Divisão Criminal Mutante
Horas depois, na sala de
interrogatório.
Jean observava através do vidro
enquanto Scott estava lá dentro com o jovem.
Ororo se aproximou, cruzando os
braços.
— O DNA?
Jean assentiu.
— Compatível. Ele é filho do
Pyro.
— Isso explica a assinatura
térmica semelhante.
Jean continuou:
— Mas não explica o motivo.
Dentro da sala, Scott mantinha o
tom controlado.
— Daniel… o homem que morreu.
Quem era ele?
O garoto olhava para a mesa.
— Ele… conhecia meu pai.
— Como?
— Ele… — Daniel travou os dentes
— ele entregou meu pai.
Scott ficou imóvel.
— Está dizendo que foi um
informante?
Daniel levantou o olhar, cheio de
ódio contido.
— Ele vendeu meu pai pra polícia.
Por dinheiro.
Do lado de fora, Jean cruzou os
braços, absorvendo a informação.
— Crime passional com motivação
indireta — murmurou.
Ororo complementou:
— Mas com execução precisa demais
para ser apenas emocional.
Jean assentiu lentamente.
— Exato… Ele sabia o que estava
fazendo desde o início.
Ela olhou novamente para Daniel.
— Isso não foi só vingança…
Ororo a encarou.
— Então o que foi?
Jean estreitou os olhos,
analisando cada detalhe que ainda não fechava.
— Isso foi planejado.
A sala de interrogatório estava
em silêncio.
Daniel mantinha os olhos baixos,
as mãos presas sobre a mesa. Scott permanecia à sua frente, postura firme, mas
sem agressividade.
— Você disse que ele entregou seu
pai Mas isso não explica tudo. Você não teria acesso a esse nível de controle…
nem aos recursos que usou.
Daniel não respondeu. Scott se
inclinou levemente.
— Alguém te ajudou.
- ...
— Daniel… — a voz de Scott ficou
mais direta — isso não é mais só sobre você. Se tem alguém por trás, eu vou
descobrir. A diferença é se isso vai vir de você… ou de outra forma.
O jovem apertou os punhos.
— Ele disse que era justiça…
Scott não reagiu, mas sua atenção
se intensificou.
— Quem?
Daniel respirou fundo, como se
estivesse atravessando um limite.
— Um homem… ele me encontrou
depois que meu pai foi preso. Disse que sabia quem tinha traído ele… disse que
podia me ajudar a fazer pagar.
— Nome.
Daniel hesitou. Do outro lado do
vidro, Jean prendeu a respiração sem perceber.
— Stryker … — Daniel murmurou —
William Stryker.
O mundo pareceu desacelerar. Do
lado de fora, Jean congelou.
Ororo percebeu imediatamente.
— Jean?
Mas ela não respondeu.
Seus olhos estavam fixos no
vidro, porém já não estavam ali.
Scott dentro continuava o
interrogatório.
- Stryker? Está falando que um
agente do governo que tem um histórico ant-mutante ajudou você?
- Ele disse que Calvin não iria
nos tirar do país. Mas se eu o matasse ele poderia aliviar para mim.
- Quer que eu acredite que Stryker
pediu para você matar um humano no lugar dele?
- Ou ele me mataria. E o meu pai
também.
Horas depois, o relatório estava
fechado.
Daniel St. John confessou.
Motivação: vingança, induzida e instrumentalizada. Mandante identificado:
William Stryker.
Pyro permanecia preso. O filho,
agora sob custódia.
Stryker era um agente do governo
de outra divisão. Eles não tinham jurisprudência diante dele. E foi encaminhado
a CIA para investigação do próprio governo.
Caso encerrado.
Divisão Criminal Mutante
Na sala principal da agência, o
clima era outro.
— Primeiro caso concluído! —
Bobby ergueu um copo — E ninguém morreu… além do cara que já estava morto!
— Bobby… — Hank suspirou.
— O quê? É tecnicamente correto.
Ororo sorriu de leve.
— Ainda assim, um avanço
significativo.
Scott observava a equipe. Pela
primeira vez, não como alguém tentando provar algo… mas como líder de fato.
— Bom trabalho, todos vocês —
disse ele — Isso aqui… — fez um gesto ao redor — é só o começo.
Jean estava ali, encostada mais
ao fundo, mais quieta que o normal.
Scott percebeu.
Mas não disse nada.
Ainda.
Mais tarde, em um bar discreto da
cidade, os cinco estavam reunidos.
A música era baixa, o ambiente
acolhedor.
— Eu ainda acho que merecemos
algo maior — disse Bobby — tipo… fechar um quarteirão inteiro.
— Vamos começar pequeno —
respondeu Ororo, com leve humor.
Hank analisava o cardápio como se
fosse um relatório científico.
— Curioso como a composição
desses drinks—
— Hank, por favor — Jean
interrompeu, com um sorriso leve — hoje não.
Ele levantou as mãos.
— Certo. Sem ciência hoje.
Scott observava tudo, mas seus
olhos voltavam para Jean repetidamente.
Ela estava presente… mas
distante.
Em um momento mais silencioso,
Jean se levantou e, de forma discreta, se aproximou dele sem dizer nada. Apenas
segurou a mão dele e encostou a cabeça em seu ombro. Scott ficou imóvel por um
segundo. Surpreso aquilo… não era comum. Jean levava sua carreia a sério demais
e eles estavam saindo há pouco tempo. Lentamente, ele relaxou, envolvendo-a com
um braço de forma discreta, respeitando o espaço dela, mas presente. Era
natural que ao poucos o relacionamento deles fosse ficando mais socialmente
aceito. Mesmo ele sendo o chefe dela.
Aproximou o rosto do ouvido dela
e falou baixo:
— Você está bem?
Jean fechou os olhos por um
instante.
— Estou… só com sono. Quero ir
pra casa.
Scott não insistiu.
— Eu te levo.
Ela apenas assentiu.
Ele se despediram com
naturalidade ainda de mãos dadas. Ororo
já sabia que eles estavam juntos havia algum tempo. Mas respeitava demais a
privacidade da amiga.
Diferente de Bobby que esperou eles
saírem para comentar.
- Aposto que eles transam desde a
academia! Lembra como eles ficavam brigando feito gato e rato?
- Quem tá se pegando? – Perguntou
Hank.
- Grey e Summers. Você não viu?
- Não. Eles estão se pegando?
- Achei até que demorou.
- Bobby, para de falar da Jean.
Você está perdendo o mais importante. – Disse Ororo.
- O que eu to perdendo?
- Aquele cara tá olhando muito
para cá. Ou é pra você ou pra mim.
- Ele é gatinho. Se a Jean
estivesse aqui ia pedir para ela chamar ele. Mas como ela não está eu vou levar
ele para o banheiro. – Bobby saiu em direção ao banheiro piscou para o rapaz
que o seguiu.
- Espera ai! O Bobby é gay?
- Hank você nunca percebeu?
- Isso explica muita coisa.
Do lado de fora, o ar da noite
estava mais frio.
Jean caminhava colada a Scott,
segurando o braço dele com as duas mãos, como se precisasse de algo seguro. Scott
percebeu imediatamente.
— Jean… você parece
desconfortável.
Ela não respondeu parecia
distante. Continuou andando, mais próxima ainda, havia algo diferente, não era
só cansaço tinha tensão. Mas ela não dizia nada. Quando se aproximavam do
carro, Scott parou de repente. Jean quase esbarrou nele quando se assustou e
disse:
— Scott porque você parou?
Ele se virou e se colocou à
frente dela, o corpo criando uma barreira natural. Seus sentidos estavam em
alerta máximo.
— Fica atrás de mim.
O tom dele mudou totalmente.
Foi quando Scott colocou uma das
mãos em seu visor ótico com a intenção de disparar.
- Olá Dra. Grey. – O homem
assentiu – Scott... Há quanto tempo.
- Se você der um mais um passo,
eu te mato Corsário!
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