Título: Divisão Criminal Mutante. Capítulo XIII: DIPLOMACIA 

Adequado para o público com 13 anos ou mais, com alguma violência, linguagem grosseira menor, e menores temas adultos sugestivos.

Status: Fic em andamento, Multi-capítulos

Tipo: Romance, Policial, Suspense.

Base: X-men animated, Séries policiais (X-Files, Bones, The Closer)

 

SINOPSE: Aliados mortos, descendente em coma, recrutas drogados e o desespero de Warren Worthington II. Mais do que nunca ele precisa exercer sua diplomacia nata.  


DIPLOMACIA

5th 5º Avenida – 04:30 A.M (2008)

Nova York

     Warren estava rindo e lembrando-se da festa que acabara de sair.

 

  Que loucura essa festa! Ainda não acredito que quase vi a Jean Grey beijar a Emma Frost em frente ao Scott. Jean daquele jeito esqueceu até da morte do pai... Scott visivelmente alterado sendo um completo estúpido com a loirinha. Completamente fora de si! – ele para de rir – Como posso ter sido o único lúcido daquela festa? Papai bem que tinha razão. Eu nunca posso beber nada que me oferecem no Hell Fire Club.  A menos que eu mesmo tire o lacre e consuma na mesma hora. – ele ficou pensativo.

 

     O Sinal ficou vermelho e o rapaz pegou o celular para rever o vídeo que havia feito da festa.

 

Jean chegou comigo e não havia consumido nada a não ser refrigerante, visto que precisávamos colher informações sobre Shaw e outros membros do Club. – ele observava atentamente Jean dançar com Emma e Scott aproximando-se das duas e percebe que Emma mexia com o próprio dedo a bebida que oferecera a Scott – Será que ela colocou alguma coisa na bebida?

 

Alguém deu sinal para falar com ele em Código Morse e dizia:

V-O-C-Ê-E-T-Á-E-M-P-E-R-I-G-O

Então parou o carro ao reconhecer o rosto da pessoa: Corsair.

Warren baixou o vidro e perguntou:

- O que quer Corsair?

-  Então me conhece...

- Claro que sim. Você tentou matar Scott. E seu rosto é procurado pelo FBI. Caso não saiba, eu estou me tornando agente.

- Nunca faria isso!

- Diga o que quer. Por que está falando que estou em perigo?

- Haviam pessoas mexendo no seu carro enquanto você estava dentro daquele clube. Verifique!

- E porque eu seguiria suas ordens?

- Porque sou um aliado do seu Pai. Ele jamais deixaria alguma coisa acontecer a você. – Corsair mostra uma foto de Warren Worthington II, ele e Jhon Grey juntos.

- O que quer dizer com isso?

- Que sou aliado, já disse. Colocaram alguma coisa no motor do seu carro eu tenho certeza.

Warren sai do carro. E ameaça Corsair.

- Se tentar alguma gracinha eu te sufoco há 30 metros de altura e te lanço no chão.

- Acredite, eu já caí de uma altura dessas...

- O que você viu e o que viu.

- Os cara do Shaw colocaram alguma coisa dentro do motor do carro.

- Se fizer alguma gracinha cara, eu te mato!

- Tem raiva de mim por conta do Summers?

- Se isso é uma ameaça a ele, eu te mato!

- Fico feliz que ele tenha amigos assim.

- Amigos assim? O que quer dizer?

- Leais! Esse cara... já sofreu muito!

- Em parte por sua causa...

Warren abria o capô do carro. Aparentemente Corsair estava certo... tinham uma espécie de explosivo no carro.

- Que porra é essa?

- Eu falei...

- Essa merda vai explodir!

- Droga!

Warren era fisicamente mais forte do que humanos comuns e conseguiu arrancar a bomba com uma mão e desligou os explosivos.

- Cara você é bom! Pensei que iria morrer.

- Já disse que vou ser Agente do FBI.

- Lembranças ao seu pai. – Disse Corsair já indo em bora.

Mas Warren o segurou pelo braço.

- O que você quer? O que quer de verdade?

- Quero reunir minha família. Mas enquanto isso eu os protejo como posso.

- Então você é terrorista para salvar sai família?

- Aliás, obrigada por também proteger a minha família. Somos aliados também.

- Não faça rodeios e seja direto.

- Jhon não sabia, mas o seu pai sabe.

- O que ele sabe?

- Scott... – uma breve pausa e Corsair disse a Warren com esperança de usa-lo como ponte -  ele é a minha família.

- O que? Como?

- Preciso ir. Mas pergunte ao seu pai. Meu velho amigo conseguiria te explicar melhor.

Warren viu Corsair saindo. Acho que poderia ser um jogo ou manipulação. Ele se questionava o que tinha acontecido ali. Quando o sinal abriu. Warren conduzia seu Lamborghini Gallardo 5.0 de forma tranquila, mesmo seu carro atingindo 100km em poucos segundos. Quando ao passar por um cruzamento, foi atingido violentamente por outro veículo de maneira abrupta e sem chance de proteção.

O carro foi arrastado por um caminhão e prensado contra um poste. Quando os airbags acionaram Warren havia tentado esticar suas asas em um inútil ato de autoproteção, porém, com o carro prensado contra o poste e o caminhão, isso apenas deixou suas asas presas entre as ferragens e estilhaços de vidros. E lá ficou inconsciente.

O caminhão estava sendo guiado por um motorista que estava sendo manipulado mentalmente pelo Sr Sinistro com ajuda de Emma Frost.

 

Mount Sinai Hospital –  06:00 A.M. (2008)

Manhattan – Nova York

     Um médico conversava com algumas pessoas

- A consequência da lesão axonal difusa (LAD) é o estado de coma, que pode ser definitivo, constituindo o estado vegetativo. Nos pacientes que se recuperam do coma podem restar sequelas, como demência, espasticidade e ataxia. – explicava o médico.

- Meu filho pode ficar demente? É isso?

- Não podemos falar ao certo Sr. Worthington. O prognóstico é bem severo. Além do fato dele ter lesões em suas asas. Seria interessante convidar um veterinário especialista em aves para analisar o caso do seu filho. Antes que elas necrosem.

- Assessores! – ele gritou – Encontrem o melhor neurocirurgião deste planeta um veterinário ornitologista, o melhor! Preciso encontrar os melhores especialistas para o meu filho... – ele falava fechando as mãos e os olhos.

- Quero Xavier e Moira aqui!

 

Instituto Charles Xavier – 07:20 P.M. (2008)

SALEM CENTER - NOVA YORK.

Sala de Xavier

 

Scott e Jean voltaram à sala algum tempo depois.

- Aqui está o protocolo dos exames de sangue e urina Professor.

- Certo. – ele guardou os documentos – Eu estou indo ao Hospital, estava apenas aguardando vocês.

Jean e Xavier estão saindo do escritório de Charles. Scott estava indo na mesma direção.

- Scott nós.... – ele olha para Moira -... Podemos conversar?

- Agora?! – ele falou relutante. Xavier continuou andando. Scott Olhou para Jean e a garota parecia estar indecisa se deveria esperá-lo ou seguir Xavier. – Eu irei depois.  – ele falou indicando com a cabeça para ela seguir.

- Moira o que o meu pai disse agora? – ele falou irritado.

- Sobre você?  Bem ele nada comentou. Mas eu preciso conversar com você.

- Sobre o que exatamente? O que seria mais importante que Warren agora?

- Você!

- Eu?!

- Scott você quer me contar alguma coisa?

 

Sim!

 

- Não. – ele disse.

- Com certeza? – ela insistia.

- Era você que queria falar comigo não?! – ele tentou ser evasivo.

- Essa pode ser á última vez que eu possa vir a ser sua psicóloga. Então... Tem alguma coisa que você queira compartilhar comigo?

 

Sim!

 

- Não. Já disse. – ele afirmava

- Pois bem. Eu tenho.

Scott cruza os braços e presta atenção em Moira.

- Eu fiz uma coisa nada profissional. Não foi agora, já faz algum tempo, me envolvi de mais com um paciente. Isso foi logo no início da minha carreira. Ele era mutante assim como você. Mas o seu histórico, era bem diferente, ele era bem sádico. Ficou obsessivo.

- Ele está te perseguindo?

- Ele foi neutralizado por Xavier na época e agora está em uma prisão. Foi assim que conheci Charles.  Foi assim que nos apaixonamos...

- ...

- Eu tinha planos de me mudar para nova Iorque na época. Mas conheci você.

- Por que está me contando isso agora?

- Me apaguei a você...  Não poderia deixar o Nebraska. E como sua psicóloga, tão pouco poderia adotá-lo. – ela falou fechando os olhos – E tentei por tantas vezes Scott...

- Está me dizendo que seu namorado me adotou por que você não poderia?

- Não! – ela pegou nas mãos dele – Não falei isso Scott. Charles também se apegou a você. Queríamos formar uma família.

- Pelo visto não deu certo.  Agora faz sentido ele incomodar-se tanto com a minha presença. Ele se lembra do projeto que não deu certo.

- Sem auto piedade Scott! – ela o recrimina.

- E existe outro motivo para ele ter me adotado que não prender você a ele?

- Vocês não se conhecem mesmo... Ele é seu pai!

- Não Moira. Charles é o homem que queria fazer caridade por causa de uma namorada. Meu pai era Christopher Summers. Um homem que deu a vida para salvar a sua família.

- Ainda com ressentimentos...

- ...

- Quer me falar alguma coisa?  - ela arqueia a sobrancelha – Eu conheço você. Conte-me...

- Você que queria falar comigo Moira! – ele continua relutante.

- Ande logo. Fale-me!

- Agr! – Scott cerra os punhos – Não quero! Eu não consigo!  - ele abaixa a cabeça – Warren falou a mesma coisa, mas eu simplesmente... não consigo!

- Scott... Você tem a mim...

- E você começou a conversa dizendo que essa poderia se a última vez que nos falaríamos.

- Como psicóloga! Você é muito mais do que um paciente para mim. Sei que sabe disso.

- Então... Qual o real objetivo dessa conversa?

- Lhe conto assim que você me contar o que não consegue falar.

- A gente pode, por favor, sair do escritório do meu pai pelo amor de Deus?!

- Para onde quer ir?

- Eu quero realmente ver o Warren! – Ele disse irritado. – Eu disse que não queria conversar.

- Certo.  Acho que foi muita informação para você. Vamos ver Warren e podemos conversar depois de sair do hospital. O que acha?

- Eu aceito.

 

Mount Sinai Hospital – 13:30 P.M. (2008)

Manhattan – Nova York

 

     A Dra Jean Grey aguardava o Sr Worthigton II sair da reunião dom Xavier.

Quando o foram informados que o Ornitologista havia chegado.

Ele analisou as asas de Warren e não havia muito o que fazer. Elas estavam em estados crítico.

- Aguardávamos vocês dois. – disse um dos assessores – O Sr. Worthington está com o filho no quarto.

     No quarto o homem estava debruçado à beira da cama de seu filho quando os dois entraram.

- Charles! – ele disse tentando se recompor - O ornitologista disse que os danos são irreversíveis as asas dele. Pediram que eu assinasse isso. – ele entrega um documento para Xavier – Não sei o que fazer...

     O documento era a autorização para amputação de membros, no caso as asas de seu filho. Xavier lê o documento e encaminha para Jean.

- Você concorda? – Os dois homens olham para a moça e Xavier continua – Como pode estar necrosando em tão pouco tempo do acidente?

- Elas estão necrosando?! – ela fala pegando o documento – Está necrosando devido a pouca vascularização da área. Suas asas são compostas em grande parte por cartilagens. Está dizendo a vascularização foi interrompida por horas...

- Existe alguma outra solução Dra Grey?

- Quanto ao estado de coma, perfeitamente possível. Entretanto... – ela falava observando as asas de Warren que estava de bruços na cama – Suas assas estão perdendo a cor de tecido saldável. Se continuar assim, em pouco tempo essa necrose atingirá a medula ou gerar uma septicemia o que pode lhe levar ao óbito. – ela tenta segurar a emoção e fica quase estática para falar – Creio que a amputação seria a melhor solução neste caso.

- Não! Eu jamais irei assinar isso... Mas não quero perder meu filho...

- Sr Worthigton, estive na mente de Warren, ele sabe que é uma decisão muito difícil e só você, apenas você seria capaz de fazer.

- Eu não posso... Ele é o meu Anjo...

- Quando estive na mente dele, ele disse que lhe amava...

- ...

- E que o melhor tempo de vocês foi na esgrima.

     Ao ouvir tais palavras o Sr. Worthington II rapidamente assinou o documento e encaminhou para a equipe médica. Logo levaram Warren Worthington III para a sala de cirurgia.

- Esgrima... ele é tão talentoso... Me superou. Meu filho, meu Anjo... Me perdoe...

 

 

Em uma praça próximo ao hospital – 04:15 P.M. (2008)

NOVA YORK

 Alguns adolescentes dançavam Hip-hop próximo ao banco onde Moira e Scott estavam sentados.

- Lembra quando você ficava dançando Break?

- O Hip-hop é  tão libertador... As letras, as melodias, os movimentos. 

- Ainda dança?

- Você viu o vídeo né?!

- Seu pai comentou mas eu não vi.

- Eu não lembro de quase nada. Só lembro-me de encontrar o Warren e a Jean... uau.

- Essa moça é mesmo magnética!

- O protótipo de Xavier?! – ele fala menosprezando.

- A relação deles incomoda você?

- Claro que sim!

- Ciúmes dele ou dela?

- Moira o meu pai treinava Jean já décadas. Por que nunca contou a mim que fazia isso? Por que nunca contou a ela que tinha um filho? Por que tanta vergonha de mim?

- Scott, os pais de Jean queriam sigilo sobre o paradeiro dela desde o atentado que sofreram. Jean ficou internada em um manicômio. Ela não é diferente de você.

- Você vê o jeito como ele a trata?

- Eles são telepatas Scott. Naturalmente tem suas afinidades. Assim como nos dois.

- Sim. Nos dois odiamos o fato de Charles querer entrar em nossas mentes...

- E agora você pelo jeito odeia essa moça pelo mesmo jeito.

- Acho que estou bem longe de odiá-la... – ele falou suspirando enquanto passava a mão no rosto.

- Era isso que não conseguia falar?!

- Como você consegue?

- Não fiz nada! – Ela sorri – Nem mesmo sou telepata ou mutante.

- Você é profissional.

- Estudei anos para isso. – Ele sorri para ela – Literalmente!

- Jean Grey... A prodígio que ele sempre desejou fazer parte do instituto. Aquela que seguiria seus passos. Cheia de regalias. – ele falava com menosprezo – Como a vida é ridiculamente mais fácil com ela!

- Talvez não seja Scott.

- E como ela é linda! – ele suspira - Eu fui tão estúpido com ela... Agora tem uma imagem errada de mim...

- Ou a imagem certa.

- ... Todos enxergam sempre o pior em mim...

- Você gosta de alguém, mas não consegue demonstrar e acaba tratando essa pessoa de maneira ruim, fazendo-a  não compreender os seus reais sentimentos... É isso?

- É! Exatamente isso...

- Realmente... Você é mesmo filho de Xavier. – ele a olha com espanto – Scott não duvide dos sentimentos de Charles em relação a você. Não cometa o mesmo erro que eu cometi.

- Você ainda gosta dele? – Ela confirma com a cabeça – Então por que não procura ele?

- Eu estou aqui.

- Comigo e não com ele.

- Estava com ele antes... – ele faz expressão de surpreso – Não posso mais ser sua psicóloga. Eu e Charles... Bem...

- Vocês estão juntos?

- Eu tentei de todas as formas fugir desse sentimento e até mesmo negar tudo que tínhamos vivido por anos...

- ...

- Porém não podemos mais ir contra o nosso destino. Quando é para ser, não existe tempo ou distância. Simplesmente acontece.

- Vocês estão namorando? Vai morar com a gente?

- Ainda precisamos acertar as coisas.

- Está com medo?

- Um pouco.

- Não fique. – Scott beija suas mãos – Só faça ele feliz.

Eles sorriem e se abraçam.

- Independentemente do que aconteça. Eu sempre estarei ao seu lado Scott. Sempre!

 

Mount Sinai Hospital – 09:30 P.M. (2008)

Manhattan – Nova York

     Já era noite e Jean Grey estava lendo os relatórios do acidente de Warren na sala de espera no hospital.

 

     Isso aconteceu as 4:30 da manhã. O Vídeo foi postado as 06:00! Quem fez isso? Onde está o celular de Warren?

 

- Você é da assessoria de Charles? - Sr. Worthington II perguntou a Jean como se não soubesse quem ela é.

- Não exatamente. Mas médica, mutante e especialista em anatomia mutante. Por isso me pediram um parecer. – ela falava enquanto arrumava os documentos – Sou recruta do Instituto Xavier. Mas já nos conhecemos Sr. Worthington. Você é uma das pessoas que indicou meu currículo para o instituto. E também estava no velório de meu pai... – ela falou erguendo a cabeça -  Você sabe exatamente quem eu sou.

- ... Vai passar a noite aqui? – Ele falou tentando não causar maior constrangimento.

- Estava esperando Scott vir. Ele disse que voltaria ao hospital.

    

     Eu e ele precisamos descobrir quem postou um vídeo nosso do celular do seu filho depois que ele já estava inconsciente.

 

- Acredito que o Scott não virá. Pelo menos não hoje. Charles já o avisou que a cirurgia de Warren vai demorar de 18 há 24h. Por conta das terminações nervosas da coluna.

- Nossa! Queria muito assistir essa cirurgia!- ela disse empolgada.

- ...

- Não me entenda mal. Mas sou médica. E Warren é único passando por uma situação única! E jamais descrita na literatura. – ela falou tentando se justificar.

O clima ficou pesado. Mas Jean havia esperado o dia todo para ter um momento a sós com o Sr. Worthington. Então decidiu perguntar finalmente sobre Corsair.

— Senhor Worthington… eu preciso que o senhor seja honesto comigo.

Ele não respondeu.

— O que é “IB”? O que isso significa para o senhor?

Worthington endureceu a expressão.

— Eu não posso falar sobre isso.

Jean deu um passo à frente.

— Não pode… ou não quer?

— Não posso.

— O senhor quer salvar o seu filho?

— Evidente.

— Então precisamos trabalhar com informações reais.

Ele permaneceu em silêncio e Jean mudou de estratégia.

— Certo. Então vamos falar do que o senhor pode dizer.

— Por que o Corsário foi até o Warren?

— Como sabe que o Corsário esteve com ele?

- Eu sou a médica do seu filho. Eu estava em campo com ele. Eu poderia estar naquele leito. Scott poderia estar naquele leito.  O que exatamente você está escondendo, Worthington?

— Eu transito entre esferas que você não acessa. Política, economia, diplomacia… eu falo com todos os lados.

— Você está sugerindo que tem ligação com o Corsário?

— Eu estou dizendo que sobrevivo num mundo onde escolher lados não é uma opção simples.

Jean observava, absorvendo tudo.

— Senhor Worthington… o Corsário estava com o meu pai antes da morte dele.

O silêncio foi imediato. Pesado. E Jean continuou:

- E ele pediu para eu falar com o Sr... E o seu filho também.  Por que?

Então Warren Worthignton II decidiu ser honesto com Jean Grey.

- Quando Warren tinha 8 anos e as corcundas apareceram, o levei nos melhores ortopedistas para consertar aquela falha. Meu filho teria acesso aos melhores tratamentos. – ela fez uma pausa – Até as corcundas crescerem e ganharem formas de asas. Escondíamos o quando podíamos. Eu não poderia ser pai de uma mutante. Não ficaria bem para a minha imagem pública. Tentei convencer minha esposa que deveríamos fazer a cirurgia para tirar as asas dele, quanto mais cedo, melhor. Ele só seria incrivelmente resistente. E ela foi relutante. Até que um dia cheguei cedo do trabalho e pude ver Warren brincando e voando em volta da mãe. Naquele dia eu pude ver o quanto era maravilhoso ser pai de um anjo.

- ...

- Jurei que defenderia meu filho de todos mais do que nunca. Pedia a Deus que me perdoasse todos os dias por um dia eu ter pensado em arrancar as assas dele... E agora – ele baixa a cabeça – Estão arrancando suas asas. Porque com o meu filho?

- Imagino sua dor. Mas Warren ainda tem uma chance. Ele tem o Gene-X. A recuperação é mais rápida. Existem casos de mutantes que conseguiram uma recuperação de glasgow 4* sem grandes sequelas.

* Na escala de Glasgow, o grau 4 refere ao Coma profundo*.

- Até pode senhorita Grey. Mas como falei, a cirurgia vai demorar. Quer que lhe deixe em casa?

- Acho que vou aceitar sua carona.

     No carro os dois conversavam.

- O Sr indicou-me para o instituto Xavier. Por quê?

- “Você pode ter dois amigos. Você pode ter dois hobbies. Você pode até ter dois empregos. Mas você não pode ter dois senhores.” A quem você serve?

- Sirvo ao governo dos Estados Unidos.

- Errado camarada. Você é uma de nós!

- Nós? – ela vira a cabeça e arqueia a sobrancelha – A que “nós" se refere?

- Já se perguntou o porquê do meu velho camarada e pacifico, John Grey, ter sido assassinado?

- Sabe de alguma coisa que deveria saber sobre a morte de meu pai?

     Ele tira uma foto antiga de dentro do terno. A foto são Alguns soldados no Vietnã com uma bandeira escrito Idoalas Belesder. Entre as pessoas da foto tinham John Grey, Warren W. II juntos a mais ou menos 12 pessoas. 

- O que isso significa? – ela disse assustada.

- Aliados Rebeldes.

- Você e meu pai eram guerrilheiros?

- Não! Somos aliados.

- De quem?

- Dos mutantes! De todos os mutantes! Começamos com um grupo de apoio para pais e familiares de mutantes. Ter na família um mutante não é fácil. Mesmo para mim que tenho influencia. Ou você acredita que esse acidente não foi proposital?

- Onde quer chegar?

- Warren tem um alvo nas costas assim como você senhorita Grey. Eu e seu pai sabíamos disso. A perseguição aos mutantes sempre existiu, mas foi durante a segunda guerra que eles foram usados como experiências para a armada de Hitler. Nos anos 70, a caçada foi muito intensa. Com o financiamento da arma X, víamos mutante serem torturados e mutilados em nome da ciência. Eles vão caçar sua família! Com o fim da guerra do Vietnã, alguns soldados americanos resolveram criar uma base de apoio e autodefesa para mutantes em na capital Hanói. Foi onde tudo começou.

- Meu pai não serviu a guerra do Vietnã!

- Não! Mas ele serviu aos IB.

- E por que ele faria isso?

- Você é filha dele! Essa causa também pertencia a ele.

- E quem são atualmente essas pessoas? Onde estão os esses aliados? – ela fala fingindo não estar interessada.

- IDOALAS BELESDER... Sociedade civil mutante, defendemos uns ao outros. Alguns são militares, outros do governo, senadores, pessoas influente, civis... Agora você faz parte.

- Eu? Você acabou de falar que meu pai morreu por andar com essas pessoas e o seu filho sofreu um atentado também por andar com essas pessoas. Por que acha que eu me tornaria aliada?

- Sonhamos um dia ter mutantes defendendo mutantes dentro do governo. Para acabar com essa perseguição. “Proteja seu filho e faça o que tiver que fazer.” Seu pai sempre dizia isso.

- Como o Sr havia comentado inicialmente. Não posso servir a dois senhores. E eu escolho o Instituto Xavier.

- Lembra quais foram as últimas palavras que seu pai disse a você?

 

*- Minha casa, minhas regras. Se não está satisfeita, melhor esquecer essa família.

- Então eu saio de casa.*

 

- Ele comentou alguma coisa do Jardim. – ela mentia.

- Ele falou para eu cuidar de você. Parece que sabia que iria morrer.

- Meu apartamento é aqui.

- Me avise quando encontrarem as imagens das câmeras de segurança do Instituto de Artes de Minneapolis.

- Como assim?

- Estão investigando a morte de seu pai, não estão?

- Sim.

- As imagens, são falsas. Encontre as imagens reais, e descobriremos quem realmente matou John. Boa noite Jean!

      Eles se despedem.

 

      IB, Idoalas... Preciso descobrir mais sobre isso...

 

 

Instituto Charles Xavier – 07:00 P.M. (2008)

SALEM CENTER - NOVA YORK.

 

- Aqui consta presente metilenodioximetanfetamina. Vocês podem ser suspensos do Instituto Xavier por essa substancia proibida. – Dizia a responsável do laboratório que entregava o resultado.

- O que? – Scott falou espantado - Mas o que é isso? Jean você poderia me explicar?

- A metilenodioximetanfetamina, é uma droga moderna sintetizada, ou seja, ela não é orgânica, é feita em laboratório. O efeito na fisiologia humana é a diminuição da reabsorção da serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro, onde estas substâncias ficarão em maior contato entre as sinapses, causando euforia, sensação de bem-estar, alterações da percepção sensorial do consumidor e grande perda de líquidos, pertencente à família das anfetaminas.

- Nossa! É realmente incrível como você consegue ser útil nessas horas... – ele fala ironizando – Agora você pode realmente falar o nosso idioma?

- Ela é mais conhecida por ecstasy. – ela falou revirando os olhos – Sabe mano, a droga do amor. Entendeu Brou?! – Ela falou imitando mexendo as mãos como se fosse um rapper - Ou quer que eu desenhe?

- Nunca mais fale assim Jean. – eles tentam segurar o riso – Nem de longe você é do hip-hop.

- Certo, mas por que metilenodioximetanfetamina?

- Por que você não fala só ecstasy como uma pessoa normal?

- Não sou normal.

- Certo senhorita “anormal” o que o ecstasy causa fez com a gente?

- Eu já expliquei!

- Explica de uma maneira que eu entenda pelo amor de deus!

- O Ecstasy leva a perda da eficácia do cérebro. Ficamos desinibidos e aparentemente agindo de forma mais instintiva possível. Sem esquecer a perda de memória recente no caso dos mutantes...

- Você deveria simplificar mais a sua vida. Aposto que seria mais feliz. – Disse Scott.

- Por que você não começa seguir o seu próprio conselho?

- ...

 

- Vamos para aula.

 

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